" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

31/03/2022

Rebentou o balão


Há quem case por amor.

Dinheiro, ou interesse;

Por mais seja o que for

Promessa ou até prece.


Mas isto de por tal casar,

Foi já chão que deu uvas

Agora é mais o ajuntar

Qual mãos justas nas luvas


Se no Inverno sabem bem,

Já no Verão, nem por isso;

Postas de lado por vintém

Lá termina o compromisso.


Casa, descasa, casa, descasa,

Como norma já tida em conta

É o fazer da coisa tábua rasa

Ambos, cada um, barata tonta


Pobre, ou  triste casamento,

Teste, prova, experimentação;

Logo ao simples contratempo

O castelo de cartas vai ao chão.


E lá partem e repartem,

A pior parte a cada um;

Com má sorte ou sem arte

Rebentaram o balão! Pum!


Américo Almeida

30/03/2022

Porreiro, mas nem tanto


Confesso que gostava de me juntar de forma extasiante áqueles que por aqui saúdam tão efusivamente o apuramento da selecção nacional de futebol para o Mundial do Qatar, que dizem que vai ser disputado lá para o final do ano, terminando já quase pelo Natal.

Todavia, foi um apauramento mais que esperado e só surpreende que tenha sido necessário fazer mais dois jogos caseiros com selecções medianas para carimbar a presença. 

O jogo de ontem com a Macedónia do Norte foi o que se esperava, um jogo fácil, tanto mais que a abrir com uma asneirada da defesa adversária que fez de jogador português. 

Sendo certo que o adversário tinha eliminado dias antes a Itália, de forma estrondosa e surpreendente, em nada acrescentou à valia da equipa. De resto quem viu o jogo com a Itália terá percebido isso. 

Aqui há uns anos o Gondomar foi à Luz eliminar o Benfica num jogo para a Taça e o Torreense às Antas, eliminar o F.C. do Porto, com um golo de um gajo chamado Oeiras, e tantos outros exemplos parecidos e, todavia,  não foi por aí que o Gondomar ou o Torreense se tornaram potências do futebol nem venceram a Taça nesses anos. Por isso, a Macedónia foi ela mesma: Uma selecção fraca apesar do brilharete de aqui ter chegado. De resto fosse o adversário de ontem a Itália e se calhar estávamos todos aqui a vociferar com a malta do Fernando.

Posto isto, parabéns à malta, estamos onde era suposto estar, era escusado cansar o pessoal com dois jogos extra, mas mais do que isso é exagero.

28/03/2022

Cerejeira florida

Tenho no meu quintal uma cerejeira,

Que por Abril se veste de florido

Numa alvura celeste, quase divinal.

As abelhas à sua volta em canseira

Sorvem o pólem por ela oferecido

Num banquete de partilha fraternal.


Mas a cerejeira, a tal do meu quintal

Tem esse defeito ou efeito, eu sei lá:

Mil flores e pouco mais que se veja.

Mas entendo-a e nem tal tomo a mal,

Por essa vaidade florida mas quase vã

Se ao menos me der, uma só, cereja.


Américo Almeida

Fracturas expostas


Parece que o Pedro Adão e Silva, inefável defensor e propagandista de António Costa, o que é legítimo, mas talvez por isso prendado com o cargo de Comissário para as comemorações do cinquentenário do 25 de Abril, com todas as mordomias, e agora de novo re-premiado com outro cargo, o de Ministro da Cultura, terá dito que "datas fracturantes como o 25 de Novembro de 1975 não se devem comemorar".

Custa a crer que alguém nomeado para defender a nosso Cultura e logo a nossa História, se permita a esta pérola. Mas então o 25 de Novembro é fracturante? Para quem? Para quem pretendia para o país uma ditadura de esquerda? Mas então o 25 de Abril de 1974, também não foi fracturante? Claro que foi e ainda bem! Fracturante é passados 50 anos sobre essa data ainda haver gente no Parlamento declaradamente contra a democracia liberal, alguns dos quais acérrimos apoiantes de regimes como o de Putin, China, Coreia do Norte, Cuba, etc.

Considerar certos assuntos ou temas que agradam à maioria de uma certa esquerda moralista, e catalogá-los como "fracturantes" como desculpa para os não reconhecer, é adoptar uma atitude escorregadia ou mesmo covarde. Fracturante foi perdoar a terroristas de sangue, como fizeram a Otelo, e que no entanto acham estruturante que se faça dele um herói como se a sua importância e papel na revolução de 25 de Abril, indesmentível, possa ser, todavia, esponja capaz de apagar crimes de sangue e morte que varreram o país. Haja limites! 

Diria, pois, que Pedro Adão e Silva começa mal ainda entes de tomar posse. Uma data como a do 25 de Novembro de 1975 mais do que fracturante é estruturante e o nosso actual regime, com todos os defeitos e virtudes, é o que dali emanou. Mereceria e bem um feriado nacional com todas as honras. Goste-se, ou não.

De cima para baixo

 



Bem antes do aparecimento dessa fantástica ferramente, o Google Maps, que surgiu em  2005, e depois os derivados concorrentes, já eu tinha fotografia aérea de Guisande. Estávamos em 1993. Parece que foi ontem mas já há quase trinta anos.

Analisando, o conjunto de 6 fotogramas na escala 1/5000, consegue-se perceber muitas das alterações ao nosso território. E quase custa a crer que numa freguesia tão pequena, com apenas e aproximadamente 4,50 Km2, as mudanças tenham sido tão profundas, desde logo, de forma marcante e indelével, a construção do monstro da auto-estrada A32 que a cicatriza de cima a baixo e ainda esse parque de diversões electromagnético que é a Sub-Estação eléctrica da REN.

Dirão que é o progresso. Seguramente, com tudo o que isso possa significar, mas não necessariamente o da terra em que se implantam, porque apenas usada e abusada.

As coisas são como são e não há volta a dar se queremos encurtar o tempo, Mas pelo menos importará sempre que a memória não se apague ou amacie.

Ciclo


Numa manhã plena, Primavera,

A árvore desperta e floresce,

E dessa fria e longa espera

A magia do fruto acontece.


Mas se o tempo é contratempo,

Não passa a flor de vã promessa.

Virá seco o Verão e sedento,

O adormecimento, e tudo recomeça.


Como seres feitos, imperfeitos,

Parece-nos este acto tão injusto:

Ver na natureza os seus defeitos

Por uma flor ser só ela, sem fruto.


A natureza, porém, tem este preço,

Uma roda de morte e vida, assim,

Em que há tempo para o recomeço,

Até que se cumpra o derradeiro fim.


Américo Almeida

Descobrir a pólvora


No início dos anos 1990, a Associação Cultural da Juventude de Guisande - ACJG,  fundia-se com o Centro Cultural e Recreativo "O Despertar", dando lugar à Associação Cultural de Guisande "O Despertar", com a união oficializada no Verão de 1994. Terminava-se uma rivalidade, nem sempre positiva, e uniam-se esforços e vontades.

Numa  das primeiras acções dessa nova associação,  no lugar do Reguengo, junto ao Moinho Velho, na  ribeira da Mota (foto abaixo), foi marcada uma jornada de limpeza e só nesse sítio foi recolhida uma carroça de tractor completamente cheia de lixo, incluindo garrafas, plásticos e roupas abandonadas por quem ali usava o tanque.

Parece que nos tempos que correm essa acção tem um nome todo catita, até em inglês (adoramos os inglesismos para coisas só nossas) para parecer moderno, embora o conceito tenha surgido na Suécia. Trata-se do PLOGGING, que grosso modo é um conceito que pretende juntar o exercício físico a acções de limpeza do meio ambiente.

Resumindo e olhando para estas coisas e para o seu mediatismo,  por vezes ficamos com a ideia de que agora é um fartote a descobrir a pólvora.

Em todo o caso, é uma ideia importante e válida, esta a de juntar exercício físico com a limpeza do meio ambiente, mas só peca por... ser precisa.