21/09/2003
27/06/2003
13/05/2003
05/04/2003
11/02/2003
04/10/2002
01/10/2002
17/07/2001
15/02/2001
O Carnaval em Guisande
O Carnaval é um festival popular relacionado às raízes do cristianismo ocidental. Ocorre antes da estação litúrgica da Quaresma. Os principais eventos ocorrem tipicamente durante Fevereiro ou início de março, durante o período historicamente conhecido como Tempo da Septuagésima (ou pré-quaresma). O Carnaval normalmente envolve uma festa pública e ou desfile combinando alguns elementos circenses, máscaras e uma festa de rua pública. As pessoas usam trajes durante muitas dessas celebrações, permitindo-lhes perder a sua individualidade quotidiana e experimentar um sentido elevado de unidade social.
O consumo excessivo de álcool, de carne e outros alimentos proscritos durante a Quaresma é extremamente comum. Outras características comuns do carnaval incluem batalhas simuladas, como lutas de alimentos, sátira social e zombaria das autoridades e uma inversão geral das regras e normas do dia-a-dia.[fonte: Wikipédia]
Esta introdução ao sentido do Carnaval será a mais comummente aceite, sendo que nos tempos modernos ela generalizou-se e transformou-se, tornando-se mais num evento folclórico e sobretudo dirigido às massas e indústria do turismo, como é o caso do Carnaval do Rio de Janeiro no Brasil. Mesmo em Portugal, sendo certo que há manifestações de um Carnaval ainda muito tradicional, sobretudo em pequenas aldeias do interior, e destas as principais em Trás-os-Montes e Beiras, mas no litoral os eventos carnavalescos tornaram-se também eles meras organizações para turista ver, resultando já não em manifestações genuinamente populares e espontâneas mas principalmente com estruturas organizativas fortes e subsidiadas. Em resumo, comercializadas.
Em todo o caso, o Carnaval, mesmo o que se vive em Portugal, seja o mais comercial ao mais popular, é um evento muito apreciado pela generalidade do nosso povo.
O Carnaval em Guisande:
Em Guisande, as manifestações ligadas ao Carnaval nunca foram marcantes nem consequentes e regulares no tempo a ponto de estabelecerem uma tradição com raízes. De resto como nas demais freguesias vizinhas. Manifestações mais ou menos organizadas e com regularidade são raras e sobretudo na freguesia vizinha de Caldas de S. Jorge onde o contexto turístico das Termas em muito ajudou a essa continuidade.
Apesar disso, são conhecidas e ainda lembradas pelos mais velhos algumas carnavaladas episódicas e com preponderância num ou noutro lugar da freguesia e por vezes pelo impulso de uma ou outra figura mais característica desses lugares.
Por exemplo, no lugar do Viso, recordo que nos meus tempos de criança e adolescente, por isso pelos idos anos de 1960 e 1970, o Carnaval marcava sempre presença e sempre com a intervenção da criançada. grosso modo, o grupo tratava com tempo de ir ao mato colher um carvalho de porte adequado, que era arrastado para a borda do Monte do Viso, próximo da escola e ali era fixado ao alto. Depois era um arrastar contínuo de lenha do mato e tudo o que pudesse arder, incluindo velhos pneus e trapos, de modo a amontoar à volta do carvalho, como se de uma árvore de Natal se tratasse. No cimo da árvore pendurava-se um grande espantalho.
Ao princípio da noite, quase sempre após o jantar, era o momento esperado, o acender do fogueirão o qual pela sua dimensão seria visto em toda a parte baixa da freguesia. A imagem acima de algum modo ilustra o que de semelhante então acontecia no lugar do Viso. Claro, escusado será dizer, que quando o dia de Carnaval calhasse num dia de chuva era um cabo dos trabalhos para fazer arder a árvore e aí recorria-se a petróleo e a lenha e moliço secos para ajudar a engrenar.
Nessa altura do acender da fogueira os mais velhos também vinham assistir. Noutros lugares da freguesia, como Estôse e Casaldaça, também era comum o acender de fogueiras ou borralheiras. Paralelamente, as habituais brincadeiras de crianças com o uso de bisnagas de água, algumas mais sofisticadas na forma de peixe e pistola e que por esse altura se compravam como brinquedos, na Quitanda das Quintães. Também, para as meninas, o atirar do pó-de-arroz e outras matreirices. Era sem dúvida um dia de brincadeiras alegres e num tempo em que as crianças brincavam na rua, muito ou totalmente ao contrário do que sucede nos tempos modernos.
Era, pois, um simbolismo genuíno, mesmo que então pouco compreendido, do queimar do tempo velho e a preparação para o tempo novo ao qual se transitava pela carestia da Quaresma, a qual por esses tempos era vivida com algum rigor, no que respeita ao respeito pelo jejum e abstinência bem como da participação nos serviços religiosos, como a reza do Terço e a Semana de Pregações.
26/01/2001
01/01/2001
24/12/2000
Consoada de Natal - Tradição em Guisande
Por outro lado, também se argumenta que mais ou menos pelos mesmos motivos, os patrões ou fidalgos doutros tempos, e a partir do séc. XVI em que já era prática dar de consoada o então vulgar bacalhau, prendavam os seus criados e jornaleiros com esse peixe salgado. Ora como era salgado, não era possível ser comido no dia em que o recebiam, isto é, no dia 24 de Dezembro, havia a necessidade de o demolhar durante a noite e dia seguinte de modo a só depois pudesse ser comido.
Em algumas famílias a tradição vai para o peru recheado assado ou mesmo o polvo, mas são seguramente casos pontuais.
A caldeirada de Natal em muitas famílias é servida em generosas travessas de barro a partir da qual comem três ou quatro pessoas. Este aspecto reforça o sentido de partilha e família. Não é comum em todas as casas, mas ainda existe.
Outra tradição é a "Farrapada" que se come no dia seguinte, aproveitando-se as sobras. Neste caso os componentes são reduzidos a bocados pequenos e depois salteados numa frigideira a que se acrescenta broa de milho esfarelada. Claro que há variantes de casa para casa, nomeadamente no modo de preparação, mas há um aspecto comum que é o de aproveitar as sobras. Há mesmo quem prefira esta versão do dia seguinte do que a própria caldeirada no dia de Natal.
No dia de Ano Novo, em Guisande a tradição volta a ser no próprio dia 1, embora já mais diluída. A ementa é semelhante à do Natal embora já quem, farto de bacalhau, acabe por o trocar por um galo caseiro ou peru assados ou mesmo cabrito ou polvo. Há quem ainda se mantenha fiel ao bacalhau mas já confeccionado de outra forma que não cozido, pelo que assado ou grelhado.
A parte da doçaria é semelhante mas já alargada a outros bolos. Na bebida, destaque para a rainha da noite, o espumante (a champanhe portuguesa). Se a consoada coincidir com a passagem-de-ano, então alarga-se o leque de petiscos, não faltando as passas, o camarão, eventualmente umas moelas e outras mais.
No Dia de Reis, em Portugal com menos realce, comparativamente a Espanha, por exemplo, há novamente lugar a uma consoada mas em regra mais humilde e já menos alargada a familiares. Por vezes, em famílias grandes, o local de convívio é alternado de ano para ano pelo que se aproveita o Dia de Reis para uma réplica do Dia de Natal. Há ainda quem siga o calendário litúrgico, que transporta a celebração para o Domingo anterior mais próximo, mas há quem faça a consoada no próprio dia 6 de Janeiro (noutros tempos feriado).
Voltando à questão do bacalhau como elemento principal da consoada tradicional portuguesa e em Guisande, este peixe pescado nas frias águas dos mares do norte, terá sido integrado nos hábitos alimentares dos portugueses, e sobretudo na ceia de Natal, seguramente a partir do séc. XVI mas há referências ao mesmo no já séc. XV e até mesmo no anterior. Consensual entre os entendidos é o facto do bacalhau ter sido introduzido por motivos de preceitos religiosos, por ser a mais viável opção alimentar para contornar a obrigação da Igreja da penitência e abstenção de se comer carnes nos dias anteriores ao Natal. De facto, só o era permitido já depois da Missa do Galo,
Mais antigo que o bacalhau como elemento principal da consoada, era o peru, uma ave exótica trazida para a Europa pelos espanhóis das Américas. Esta ave, pela sua imponência e porte nobre, tornou-se rapidamente a preferida na mesa do clero e da nobreza, indo à mesa em banquetes de reis e rainhas. Por conseguinte, o peru era um símbolo do poder e da nobreza, inacessível aos portugueses do povo. Só já no séc. XIX é que o peru começou a entrar de forma mais alargada na tradição natalícia do português comum.
O bacalhau nos primeiros tempos da sua introdução na alimentação dos portugueses, inicialmente do Minho para sul, era considerado um alimento de fraca condição e barato. Era frequentemente dado a comer nas prisões. Mas a sociedade e os seus hábitos alimentares dão voltas e hoje o fiel amigo é um produto ainda acessível quanto à variedade de oferta, mas já mais dispendioso, em parte pela redução da espécie e limitações na sua pesca bem como pelo facto dos países com direitos sobre as respectivas águas econômicas, como Canadá, Noruega e Islândia, fazerem eles próprios um aproveitamento econômico deste particular peixe. Por isso a indústria e actividade da pesca do bacalhau, com fortes tradições no nosso país, deram uma enorme reviravolta.
Quanto às batatas, elas foram introduzidas na consoada de Natal mais tarde que o bacalhau, só no séc. XIX. Até então, o peixe era acompanhado apenas pelas couves ou por castanhas, estas sobretudo na zona norte do pais. Não surpreende, pois, que as castanhas ainda façam parte da receita do peru recheado e assado no forno.
07/10/2000
05/05/2000
-
Não sou muito, ou até mesmo nada, de realitys shows na televisão. Mas de quando em vez vejo com agrado o documentário observacional que pass...
-
Clicar no mapa para aceder a grande formato O Uíma é um dos principais rios do concelho de Santa Maria da Feira. Nasce na encosta nascent...
-
O "Marco dos Quatro Concelhos" é um sítio amplamente referido e conhecido como correspondendo ao local de junção dos limites dos t...












