30/06/2022

Furiosamente fixe


Portugal parece estar na moda como local e cenário para filmagens de cenas de exterior para diversos filmes. O caso recente de "Velocidade Furiosa 10", com cenas a gravar em Portugal, tem sido público e já deu azo a polémicas, nomeadamente em Lisboa, com o corte previsto de ruas.

O país, pelo Estado ou pelas autarquias, investe milhões em incentivos à vinda destas produções e dizem que o retorno é superior. 

A verdade, porém, porque há números e aspectos contratuais que serão sempre segredo, em rigor qualquer proveito é sempre residual e apenas para alguns. O comum dos portugueses, como eu e quem eventualmente lê estas palavras, nunca verá no seu bolso um cêntimo que seja resultado da coisa.

Depois há sempre uma certa (muita) parolice só porque alguns locais do país são palco de filmagens. Na realidade, as cenas destes filmes, como o caso de "Velocidade Furiosa", são sempre muito rápidas e curtas e muitas delas alteradas digitalmente pelo que em rigor quando alguém assiste ao filme não vai estar a apreciar a paisagem e muito menos saber que é de Portugal, Itália ou de outro sítio qualquer. Um dia de filmagens pode resultar numa cena de 5 segundos. Vai é ver tiros, muitos, explosões, a potes, choques à fartazana, etc, etc. De resto o "Velocidade Furiosa" é tudo menos cinema para apreciar a natureza. Para isso, temos o BBC, Vida Selvagem ou o National Geographic.

Mas, ok, vamos fazendo de conta que é uma coisa fixe ter cá o Vin Diesel e Companhia, e que Portugal e todos os portugueses ganham balúrdios de massa com isto. Pessoalmente estou a contar que me dê para pagar umas férias de sonho numa qualquer ilha paradisíaca.Não quero por menos. Obrigado Toretto!

Mas, ok, agora a sério: Apesar de não ser o que parece, não deixa de ser positiva esta exposição mediática do nosso país, com uma indústria que rende milhões e milhões a vir cá aproveitar incentivos, serviços e mão-de-obra baratucha. Com este mediatismo, de algum modo, há sempre excursões a quererem vir ver as novidades, e por onde passam vão deixando algum, no Porto e em Lisboa, sobretudo. 

Pena que Guisande não seja palco de filmagens, nem sequer do Domingão da SIC.

Tretas! Bullsith!

26/06/2022

O sabor das coisas



Faz-me sempre confusão que algumas pessoas teçam elogios à paisagem e aos lugares, quando passam por elas e por eles a correr, apressados, com minutos contados e metas por destino. É, pois, um quase paradoxo, senão total. 

Não poder ver ao longe uma torre de igreja a rasgar o verde, nem um ponto branco de uma capela a luzir na crista do monte, o apreciar uma flor, o pormenor e contraste de uma folha, ver um lagarto a absorver o sol, seguir com o olhar um pássaro a saltitar de ramo em ramo, ouvir o canto lamuriento, alegre ou impetuoso de um regato ou ribeira é tudo menos saborear a natureza. E nestas coisas não podemos estar com Deus e com o diabo. São incompatíveis e os meios termos são apenas pretextos filosóficos.

Quem engole apressado um prato de assado no forno, sem se deter nos pormenores que levaram a isso, desde o que esteve na origem daquele animal sacrificado para nosso deleite, o lavrar, o semear e o colher dos ingredientes, até ao saber e paixão de quem preparou, confeccionou e serviu, não pode simplesmente exclamar, de boca cheia - Isto está bom p´ra caralho! Quem assim procede está a passar pela vida demasiado apressado, sem se deter a questionar se aquele aroma e sabor é de tomilho, de hortelã ou alecrim..

Em suma, há coisas que só nos são plenas se absorvidas da mesma forma, cheia e intensa. O resto são cantigas de trovadores mal amanhados.

23/06/2022

Marco dos quatro concelhos



O "Marco dos Quatro Concelhos" é um sítio amplamente referido e conhecido como correspondendo ao local de junção dos limites dos territórios dos concelhos de Santa Maria da Feira (freguesia de Canedo, Vale e Vila Maior), pelo poente, Arouca (S. Miguel do Mato), pelo sul, Castelo de Paiva (Pedorido, Raiva e Paraíso), pelo nascente e Gondomar (Lomba), pelo norte. Localiza-se nas coordenadas 41°00'06.8"N 8°23'24.3"W ou 41.001888, -8.390090.

O local pode ser acedido mais facilmente  a partir do lugar do Viso, na freguesia de S. Miguel do Mato, mas também pelo estradão que sobe pelo lugar de Rebordelo, em Canedo, ou mesmo pelo lado da Inha,  Labercos ou mesmo por Pedorido a partir das localidade da Póvoa.

O sítio, com base pavimentada, é composto por dois elementos em granito: O marco, uma espécie de pilar, com quatro faces, em cada uma delas com a inscrição de um dos quatro concelhos, apoiado numa base aproximadamente quadrangular e encimado por um elemento piramidal. Ainda uma mesa em granito ladeada por quatro bancos também em granito, um em cada lado.

Os actuais elementos foram reimplantados em 14 de Maio de 2004, supondo-se que no lugar onde noutros tempos existiriam elementos semelhantes mas desaparecidos.

As informações sobre as origens são escassas ou inexistentes. Por isso, eventualmente baseado em factos, mas já numa quase espécie de lenda, diz-se que em tempos antigos ali se reuniam ocasionalmente os administradores dos quatro concelhos para tomarem entre si decisões que a ambos dissessem respeito. A mesa, então seria redonda e não quadrada como a actual.

Não parece crível que pudessem existir assuntos do interesse simultâneo dos quatro concelhos, mas certamente, que enquanto territórios confinantes, teriam assuntos a tratar se não com todos, pelo menos com algumas das partes. Talvez sobre estradas ou caminhos comuns. Nesses tempos antigos pouco mais haveria a combinar.

Todavia e apesar de se designar de "Marco dos Quatro Concelhos, a verdade é que não existe um ponto único e comum aos quatro municípios. É certo que os limites estão muito próximos mas não são coincidentes num único vértice. De resto, por exemplo, Santa Maria da Feira não chega sequer a confinar com Castelo de Paiva.

A ter em conta os limites administrativos constantes em alguma cartografia, os atrás referidos elementos, o marco e a mesa, estão implantados na sua totalidade em terreno da freguesia da Lomba, do concelho de Gondomar, embora muito próximo do limite deste concelho com Santa Maria da Feira e logo de seguida a Arouca.

Por conseguinte, o local e os seus elementos são notoriamente simbólicos, e de facto localizados muito próximos entre os diferentes limites mas, como se disse, não coincidentes, apesar de essa ser uma ideia propagada e tida como verdadeira.

O local fica próximo do marco geodésico do Sobreiro ou Cabeço do Sovereiro, a uma altitude de aproximadamente 470 m. Sem os eucaliptos que predominam  nesse monte do Sobreiro e da serra do Camouco ou monte de Meda, que se interligam, é possível avistar paisagens longínquas, icluindo, do lado norte, trechos do rio Douro.

Tenho fotos próprias do lugar, que já visitei em várias ocasiões, a pé, de jipe e de bicicleta, mas utilizo, no entanto, pelo seu significado, uma foto de autoria do Pe. António Machado, ex-pároco de Caldas de S. Jorge, numa visita que em 2010 fez ao local com o saudoso Pe. Domingos Moreira, nessa altura já em estado de debilidade (faleceu em 10 de Janeiro de 2011).

21/06/2022

O deixa andar...

Hoje em dia não é politicamente correcto dizer-se que alguém é tolo, ou muito menos atrasado mental. E nem deficiente. Quando muito, e correndo riscos de más interpretações, devemos dizer que é alguém especial com particularidades especiais ou apenas algumas dificuldades mentais ou motoras. Ou seja, já não há tolos. Quando muito, toleirões.

Passe a questão da semântica, importa que cada um tenha o devido respeito, enquadramento e tratamento de acordo com a sua condição.

Não me parece é que seja acertado nem correcto que a alguém nessas condições, tudo se permita, num deixa andar à vontade a fazer o que lhe apetece, a causar danos a terceiros e ao bem público, sem qualquer controlo ou vigilância, seja parental seja institucional. Só porque é "especial" não se podem fechar os olhos.

Enquanto isso, enquanto quem tem responsabilidades nesta matéria andar a assobiar para o lado em nome do politicamente correcto, andamos para aqui feitos anjinhos a ver disparates que ultrapassam a razoabilidade.

De repente parece que não há autoridade nem autoridades. Uma espécie de anarquia do disparate em que este por mais grosseiro que seja, é desculpável porque é engraçadinho e feito por alguém "especial". 

Até quando?

16/06/2022

Tá-se bem!

Numa certa freguesia, nas redondezas, parece que tem havido algum alvoroço sobre certas obras e delas um certo estado de coisas.

Feitas as contas, o "problema" dessa freguesia é comum a muitas outras: Há sempre quem se "revolte" com determinados estados de coisas, e contra eles ou por eles dê a cara e expresse publicamente o salutar pensamento, a opinião, o contraditório. Tenho admiração por essa gente por os considerar, de algum modo, meus pares. Mas pregamos no deserto.

Todavia, no geral, a maioria está-se a marimbar, para não dizer "cagar", para essas mesmas "coisas". 

No fim das contas, por mais certa que esteja a "prova dos nove", quem mais dá a cara e expressa publicamente a opinião, que fica registada (e há caçadores de registos a gastar tinteiros e a encher discos), é quem mais tem a perder e adquire o estatuto de "ovelhas ranhosas", os "sempre os mesmos". E queira-se ou não, isto faz mossa e desmobiliza. Às tantas, por tão domesticados, somos apenas mais "uma Maria que vai com as outras".

Mesmo que sem generalizar, porque há sempre bons e contrários exemplos, e enquanto os houver há ainda alguma esperança, as nossas queridas terras já são constituídas essencialmente por gente que segue as suas vidinhas, legitimamente, sem se ralar com questões comunitárias ou de cidadania. Nesse sentido, gente amorfa que entre muda e sai calada, que não aquece nem arrefece. Zeros à esquerda. 

Ora contra isto, contra esta dita "maioria silenciosa e caixeirinha", pouco há a fazer. No fundo é ela que, com maiorias absolutas ou resultados rés-vés Campo de Ourique", timbra e legitima quem decide por nós. Assim, perante esta legitimidade sistémica, dita democrática, pouco há a fazer para colorir o quadro. É comer e calar!

Num sentido mais nacional, que importa a confusão, degradação e caos do SNS e seus serviços de urgências? Daqui a 10, 20 ou 50 anos ainda vamos andar a justificar que o problema é estrutural, como se este seja um "bicho-papão" para o qual não há remédio quando, sempre disse o povo, que o que não tem remédio, remediado está. 

Enquanto isso, tomem lá uma maioria absoluta, governem ou desgovernem, que já pouco nos importa. Estamos no rebanho! Tá-se bem!

Nota de falecimento



Faleceu Joaquim Pereira dos Santos, de Cimo de Vila, Guisande. Tinha 88 anos de idade. 23 de Outubro de 1933 a16 de Junho de 2022.

Homem de trabalho, pai de uma tribo de filhos, deixou assim uma larga família e um legado de gente boa e honrada.

Que Deus o tenha em eterno descanso agora que se junta à sua esposa, a Ti Laurinda.

Sentidos sentimentos e profundo pesar a todos os familiares, de modo particular a filhos e netos.

Cerimónias fúnebres no Sábado, dia 18 de Junho, pelas 10:30 horas, na igreja matriz de Guisande. No final irá a sepultar no cemitério local.

Missa de 7º Dia na Sexta-Feira, 24 de Junho pelas 19:30 horas.

15/06/2022

José Baptista e Délia Lopes - Bodas de Ouro

 

No Grupo Coral aquando do meu casamento

Num momento de convívio num aniversário da LIAM

Ouvi dizer que o José Baptista e a Maria Délia Lopes estão por estes dias a celebrar 50 anos de matrimónio (Bodas de Ouro).

Sendo assim há que endereçar os parabéns a ambos e ficar à espera dos 75. Não é para todos mas há que ter esperança.

O Zé Baptista sendo de Lobão, é de Guisande há pelo menos este meio século e como tal é dos nossos. Não podemos negar que é uma figura carismática da nossa freguesia e que a ela tem dado um positivo contributo nomeadamente nas suas participações na Assembleia de Freguesia, dirigente do Guisande F.C. e sobretudo no âmbito da paróquia onde por várias fases e durante muitos anos foi um elemento destacado do Grupo Coral, com a sua voz bem timbrada e característica. Mesmo quando fora do grupo, mas apenas na assembleia das celebrações, a sua voz ouve-se e distingue-se.

É certo que o peso dos anos amacia as pessoas e como tal também ele está mais caseiro, menos participativo nas coisas comunitárias, mas sempre com uma grande energia que dedica no amanho e cultivo da terra, que faz com paixão.

Estão já para trás os seus tempo de mais juventude, em que o nome José Pereira Baptista era sinónimo de Picheleiro e Electricista, como assim publicitava o jornal "O Mês de Guisande" pela década de 1980. 

Adepto ferrenho e apaixonado do F.C. Porto e politicamente Social Democrata convicto, tem sido uma pessoa de convicções mesmo que por vezes com um temperamento exacerbado, mas que mais que um defeito é uma característica positiva da sua forte personalidade. De resto, a freguesia precisa de pessoas feitas com esse molde. Gente que nem aquece nem arrefece, que entre muda e sai calada, é o que não falta por cá. Fazem falta mais Batistas.

Pessoalmente tenho por ele uma grande estima e consideração pessoal e creio que ele o reconhece. Nos momentos em que tivemos oportunidade de conviver, nomeadamente no Grupo Coral, Grupo da LIAM, etc, foi sempre uma pessoa positiva e bem disposta. Por vezes vira-se do avesso, é certo, mas, caramba, até os melhores têm os seus arrebates.

Quanto à  Maria Délia, como a conhecemos, é bem mais sossegada e discreta, mas igualmente dedicada às suas coisas e fazendo parte também das nossas, da paróquia, nomeadamente como catequista, na LIAM, etc. 

De um modo ou outro, este casal procurou viver de acordo com os bons valores do matrimónio como a compreensão, tolerância, estima e dedicação. Não tiveram a felicidade de ter filhos mas têm-se um ao outro e sobretudo à grande família de ambos e também os amigos Só com essas qualidades alguém, nos dias de hoje, pode ter o privilégio de celebrar bodas de ouro matrimoniais.

Parabéns a ambos e felicidades para o que falta vir!

08/06/2022

Nota de falecimento

 


Com algum atraso, soubemos do falecimento de  Abel Ferreira Coelho, de 93 anos (14 de Outubro de 1928-06 de Junho de 2022). Natural de Guisande, residia em Arrifana - Santa Maria da Feira. Era irmão de Joaquim Ferreira Coelho e José Coelho Gomes de Almeida.

Num dos acasos do destino, de notar a particularidade de falecer poucos dias depois de ter falecido o seu irmão José. 

As cerimónias fúnebres tiveram lugar na Terça-Feira, 7 de Junho, pelas 17:00 horas, em Arrifana, tendo sido sepultado no cemitério local.

Missa de 7º Dia na igreja matriz de Arrifana, na Terça-Feira, dia 14 de Junho às 19:00 horas.

Sentidos sentimentos a todos os familiares. Paz à sua alma!

06/06/2022

Corga da Moura - 2022

 





Organizado pela Junta da União das Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande, com o apoio do município, decorreu neste fim-de-semana, 3, 4 e 5 de Junho, o evento de entretenimento a que deram a designação de “Corga da Moura” . Pessoalmente preferia que fosse assumido como Festa das Colectividades ou mesmo Festa da União, mas respeita-se a opção de quem decidiu dar ao evento o nome do local.

Do que vi e experienciei, o evento foi um êxito, mesmo que com o tempo, incaracterístico, a não estar completamente de feição, até mesmo com ameaça de chuva, principalmente no primeiro dia. Não sendo perfeito, acabou por correr bem.

Um programa musical diversificado para todas as idades e gostos, mesmo que com gostos discutíveis, e acima de tudo uma boa participação de associações e grupos, que assim tiveram uma oportunidade de angariar verbas para os seus propósitos e actividades. Pareceu-me que todos angariaram um bom pecúlio de acordo com o que tinham em oferta no que toca a bebidas e petiscos.

Da freguesia de Guisande fizeram-se representar nas barraquinhas a Comissão da Festa do Viso, o Grupo de Jovens, o Grupo Solidário e o grupo “Os Alegres e Divertidos da Feira – Concertinas”.

Com uma boa promoção e com um prévio trabalho de aproximação da Junta e do seu presidente às associações e grupos, que se louva, mesmo com aqueles jurídica e formalmente não constituídos, as pessoas apareceram em grande número e sobretudo de forma homogénea nos diferentes escalões etários, vendo-se crianças, adolescentes, jovens, adultos e mais velhos. Neste aspecto creio que o objectivo de uma festa para todos foi conseguido.

Sendo certo que há aspectos que podem ser melhorados, e pessoalmente achei que as tendas estavam demasiado próximas e com pouco espaço frontal para mesas e a circulação de pessoas a perturbar quem estava a socializar, creio que a organização esteve atenta e numa próxima edição será natural procurar melhorar as coisas.

Posto isto, considerando que o tempo, quente e sem chuva, é funtamental para o sucesso destes eventos ao ar livre, não sobram dúvidas que a Junta está de parabéns pelo êxito e pela participação muito abrangente das comunidades da união e certamente vizinhas.

Parabéns à Junta e de modo particular aos seu presidente, David Neves que mostrou a sua capacidade de organização e proximidade aos grupos e às pessoas. Considero, também e ainda, que a abertura aos grupos, mesmo que sem estatuto de associações, foi meritório, pois bem sabemos que são importantes nas dinâmicas das freguesias e paróquias e como tal devem ser apoiados e integrados. E isso foi percebido pelo presidente. Ainda bem!

Terminada esta edição, venha a próxima!

Trilho dos Bogalhos 14KM

 



























02/06/2022

Nota de falecimento


Faleceu José Coelho Gomes de Almeida, de 95 anos (19 de Setembro de 1926 a 31 de Maio de 2022). Residia no lugar de Fornos, na Rua Nossa Senhora de Fátima, Nº 2396.

Cerimónias fúnebres no próximo Sábado, 4 de Junho, pelas 10:30 horas, indo no final a sepultar em jazigo de família no cemitério local.

A missa de sétimo dia será no Domingo, 5 de Junho, pelas 08:00 horas na igreja matriz de Guisande.

Sentidos sentimentos a todos os familiares.

Paz á sua alma! Deus, que lhe concedeu a graça de uma vida longa, que o tenha em paz e em eterno descanso!


Nota pessoal:

Faleceu o velho amigo, Zé Coelho, com quase 96 anos de idade. Faria em 19 de Setembro próximo.  Muitas e boas memórias de um amigo já maduro de idade mas jovem de espírito. Com ele tive conversas à lareira em noites de Inverno, cantigas ao desafio, passeios, convívios, partilhas. Tinha-me dado a sua velha guitarra quando comprou uma melhorzita, mas deu-me sobretudo o valor da amizade. 

Descansa em paz, velho amigo, já não à sombra do sobreiro na Abelheira (na foto),  mas nas nuvens do céu! 

Adeus! Paz à tua alma!


Ao Zé Coelho


Velho amigo, Zé Coelho,

Chamou-te, Deus, agora,

Clamando-te como pertença;

Sentiu que estavas velho

Achando chegada a hora

De te ter em Sua presença!


Viajaste, correste mundo,

Num vai-e-vem de canseira

Agarrando os cornos da vida;

Nesse viver duro, profundo

A morte surgiu derradeira

A reclamar a tua despedida.


Mas ainda ficas por cá,

A viver na nossa memória,

Bem alto como uma torre;

A tua passagem não foi vã

Teve honra, teve glória,

Teve vida que não morre.


Partiste, simples, sem nada

Sem malas, sem a guitarra,

Rumo ao porto da santidade;

Ficamos nesta dor chorada

Que nos prende como amarra

Ao cais da sentida saudade.


Mas virá em nosso mar a maré

Em que um a um todos iremos

Ao teu encontro, a esse além;

Até lá connosco vives em fé

Porque com ela bem sabemos

Que continuas a viver, e bem!


Adeus, velho amigo!

01/06/2022

Janela de oportunidade

Por vezes pensamos que os livros são coisas sérias, diferentes dos média, jornais, revistas, rádios e televisões, nas abordagens aos acontecimentos do escorrer dos dias. 

Um jornal compra-se e no dia seguinte está desactualizado e acabará no papelão, modernamente, porque noutros tempos teria um outro aproveitamento, a forrar gavetas e prateleiras ou mesmo a substituir o então desconhecido papel-higiénico na limpeza do "sim senhor". Na televisão vamos fazendo zaping para evitar ou encontrar o Nuno Rogeiro ou outros especialistas do achismo e das táticas e estratégias de guerra.

Mas não! Eventualmente em menor escala, é certo, mas os livros, e sobretudo as editoras e os autores, têm igual tendência ou tentação de ir ao sabor do vento da actualidade. Não, espanta, pois, que nas prateleiras das livrarias, nos escaparates das grandes superfícies ou nas lojas online, o tema da guerra, da invasão da Rússia à Ucrânia e os seus protagonistas, estejam na ordem do dia. De Zelensky a Putin, tudo está ali. Até o "caralho" do José Milhazes, conhecedor da coisa, também escreveu um livro "A mais breve história da Rússia - Dos eslavos a Putin", que dizem estar a vender como pãezinhos quentes com manteiga.

Por conseguinte, quem tem a capacidade de escrever um livro em dois ou três dias pode aproveitar e bem esta "janela de oportunidade" relacionada ao tema. Os livros são assim, iguais a tudo o resto porque, afinal, são feitos por pessoas e em regra com o propósito primeiro de ganhar dinheiro. Ainda como na televisão, o que é feito de forma séria, calma e cultural, isso pouco rende porque não capta audiencias.

Estas coisas só resultam no imediatismo. Quem escrever amanhã sobre a guerra, já vem tarde!

31/05/2022

Números astronómicos e reencarnação

Há quem goste, adore até, de assitir a “reality shows” e outros programas de entretenimento em que a nossa TV é farta, sobretudo a envolverem gente do jet-set. Afinal a nossa TV prima por espetar os espetadores com coisas de que gostam, mesmo que baseadas em boçalidades que nada acrescentam. Mas nada a obstar. Afinal na diferença e diversidade, dizem, é que está a riqueza,. 

Como nestes coisas fujo um pouco à norma, e daí na anormalidade, prefiro e gosto de documentários sobre cultura, natureza e ciências. Fascina-me tudo relacionado ao universo, ao sistema solar, às galáxias, às estrelas e aos planetas. E por aqui impressionam-me sempre os números, desde as distâncias medidas em anos-luz até à idade do universo após o big-bang, por si só uma teoria em que se procura justificar a criação  a partir do nada, ainda a idade do sol e a forma como há-de terminar os seus longos dias, expandindo-se a ponto de engolir, no caso incinerar o nosso belo berlinde azul, ambora quanto a isto, acho que pela nossa loucura a Terra há-de durar bem menos tempo. E nestes dias de guerra irracional, há dedos nervosos ao lado de botões vermelhos, prontos a isso.

Estimam os cientistas, mesmo que em controvérsias, que o universo terá cerca de 14 biliões de anos (13,82), qualquer coisa como o número 14 seguido de 12 zeros e nem importa saber se pela medida da Europa, em que um bilião são mil milhões, se dos Estados Unidos, Reino Unido e Brasil, em que um bilião afinal são mil milhões. Mais zeros menos zeros, são muiiiiiiiiitos anos.

Quanto à Terra, dizem que terá um pouco menos, ou seja 3,5 biliões. Aqui, o conceito de “pouco menos” é mesmo uma questão de semântica. 

Já o sol, a nossa estrela, terá qualquer coisita como 4,5 biliões de anos e estima-se que tem combustível (hidrogénio) para queimar (600 milhões de toneladas por segundo) no seu reactor por mais durante 5 biliões de anos. Está, pois, a metade da sua previsível vida. Mas esse processo englobará várias etapas e uma vez queimado o hidrogénio o sol consumirá os elementos remanescentes mais pesados, como o hélio, o carbono, o oxigénio e por fim o ferro  e como este não poderá ser queimado, já que a energia necessária é superior à produzida, então a nossa estrela colapsará e explodirá espalhando todos os elementos acumulados pelo universo. Afinal a continuação de um ciclo, já que em rigor todos os seres vivos, incluindo nós humanos, são formados por essa massa primordial de átomos. Em rigor, dizem os cientistas, nesse processo de transformação da parte final da vida do sol, este irá expandir-se, crescendo para o dobro, transformando-se numa "gigante vermelha", e incinerar literalmente o nosso planeta  e todos os demais que o orbitam.

Neste contexto de distâncias e idades expressas em números gigantescos, quase imensuráveis à nossa percepção terrena,  ficamos todos com a plena certeza que a nossa vida (dos humanos) e a de todos os seres vivos, animados e inanimados, não é mais que uma ínfima fracção de segundo quando comparada aos tais números astronómicos. Uma borboleta ou uma abelha vivem poucos dias ou semanas e mesmo os seres vivos com mais expectativa de vida, como algumas espécies de corais, baleias, tubarões, que podem andar pelos 200, 500 ou mesmo 1000 anos, são sempre vidas curtas. Há até um estudo de 2012 que sugere que uma esponja do mar, a Monorhaphis chuni terá a idade de 11 mil anos. Mesmo tendo em conta estes 11 mil anos, a coisa continua ínfima na escala da vida do universo, do sol e da terra.

Por conseguinte, para aqueles que acreditam que todos nós havemos de reencarnar mesmo que enquanto um animal, não restam dúvidas que durante um milhão ou bilhão de anos temos tempo de viver e reviver na pele de todos os seres vivos que existem na terra, nas águas e no ar. Podemos assim vir a ser um cão, um gato, uma cabra, um rato, uma cobra, uma minhoca, um papagaio, uma sardinha, um atum, uma lula, uma mosca, uma borboleta, um morcego, etct, etc, etc, etc,. Tempo  ao universo é o que não falta.

Assim sendo, pelo sim e pelo não, dentro do possível e desde que não nos ponham em risco, será preferível que respeitemos todos os seres vivos na sua dignidade, pois podemos vir a ser um deles. Se daqui a 100, 200, 500, mil, cem mil ou um milhão de anos, não sabemos. Mais vale prevenir.

E vamos deixar por ora esta questão, porque tanto número e ordens de grandeza deixa-nos baralhados, confusos, e a perspectiva de podermos vir a ser um qualquer insecto rastejante ou um escaravelho-da-bosta não é lá muito inspiradora e muito menos animadora, convenhamos.

Boa Terça-Feira!

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