18/10/2023

Rio Caima e seus afluentes

Clicar no mapa para obter em grande formato

O rio Caima é um afluente da margem direita do rio Vouga.

Nasce no planalto da serra da Freita, na freguesia de Albergaria da Serra, concelho de Arouca, a uma altitude de cerca de mil e cinquenta metros, a leste da aldeia de Albergaria da Serra, reunindo águas de uma teia de pequenos ribeiros que se estendem do alto do Junqueiro, do lado norte até ao Cabeço do Serlei, do lado sul. 

Segundo alguns dados oficiais tem uma extensão de 50 Km mas por outras medições, incluindo a nossa, tem seguramente 56 Km. Tem um um traçado muito sinuoso e drena uma bacia hidrográfica com 196,4 Km2.

Os seus principais afluentes, da foz para nascente são:

Pela margem direita:

Ribeira de Vermoím, rio Vigues, ribeira de Fuste (ou de Sandiães), ribeira de Caimó (ou de Paço de Mato);

Pela margem esquerda:

Ribeira de Mouquim, rio Fílvida (ou ribeira de Dornelas), ribeira da Corga do Gavião, ribeira da Felgueira (ou de Telhadela), ribeira de Moscoso (do Cambalhão ou da Chã), ribeira das Cabras (ou da Cabria).

Tem ainda outros afluentes de menor importância, como pela margem direita:

Ribeiro de Salgueiros, ribeira do Malhó, ribeira do Trebilhadouro, ribeira de Função, ribeiro da Carvalheda, ribeira da Póvoa, corga da Mizarela, ribeira da Foz e ribeiro de Junqueiro.

Pela margem esquerda: Ribeira de Vale da Cal, ribeira das Corgas, ribeira do Pisão ou do Casal, ribeiro de Gatão, ribeiro de Vilar, ribeira do Viadal, ribeira da Castanheira, ribeiro de Cabaços, ribeiro da Portela de Anta.

Perto da aldeia de Mizarela despenha-se de uma altura de cerca de 75 metros, dando origem à popular queda de água conhecida por Frecha da Mizarela, considerada a mais alta de Portugal continental  mas inferior à Cascata do Aveiro (110 metros), localizada na ilha de Santa Maria, nos Açores. É também uma das mais altas da Europa.

O seu percurso, na sua primeira metade tem uma orientação predominante leste/oeste e depois do centro de Vale de Cambra, onde engrossa o caudal com as águas do rio Vigues, do lado norte, e do rio Moscoso, do lado sul,  inflecte para sul. Para além do concelho de Arouca onde nasce, passa pelos municípios de Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis e Albergaria-a-Velha. Desagua no rio Vouga na freguesia de Macinhata do Vouga,  junto à aldeia de Sernada do Vouga, um pouco a leste desta, já no concelho de Águeda.

No concelho de Vale de Cambra, na freguesia de Rôge, foi construída uma barragem a que se deu o nome do Eng.º Duarte Pacheco, então ministro das Obras Públicas, tendo entrado em funcionamento em 1940. É uma barragem de gravidade, em alvenaria, com uma altura de 28 metros acima da fundação e 20 m acima do terreno natural e tem um comprimento de coroamento de 66 metros formando uma passagem pedonal.

As águas desta albufeira, com uma capacidade útil para 330.000 m3 são essencialmente para rega dos férteis terrenos do vale do Caima, com um interessante sistema de levadas, designado de Canais de Rega de Burgães, que embora em grande parte já em desuso ainda possui troços a funcionar e que podem ser vistos percorrendo alguns dos belos trilhos pedestres que os acompanham.

O rio Caima é um interessante e importante rio, com biodiversidade e diversidade de características, como de planalto, montanha, correndo encaixado entre encostas abruptas da encosta poente da Freita, mas também corre em terrenos planos e férteis, nomeadamente na segunda metade do seu curso.

Frecha da Mizarela

Pontão junto à aldeia da Ribeira (abandonada)

Nota: O mapa com o rio Caima e seus afluentes é de nossa autoria. Direitos reservados.

As cores e o poeta


Tantas vezes é o poeta um pintor

Que só usa a paleta de cinzentos,

Ainda com as cores por descobrir.

Nas suas telas há angústia, há dor,

Como se todos os seus fundamentos

Assentem no vislumbre de nos ferir.


E, contudo, mais que tudo, há o céu

Há montes e vales, flores a pedir cor,

O sol a nascer, romper de luz  o breu

Da noite escura dos olhos do pintor.


Não quebrou, o poeta, a corrente, o elo

Que o liga à cor das coisas, do mundo,

Mas apenas pinta conforme o fantasia;

O azul, o vermelho, o verde e amarelo

Cores que tem no olhar mais profundo

Bem guardadas para só pintar a alegria.

Momentos

Há momentos que são isso mesmo, momentos, lapsos de tempo, olhares fugazes. 

No último Domingo, de manhã, antes das 8, uma ida ao Viso e num instante este vislumbre do sol a nascer por detrás do monte. Mas 2 minutos depois, lá chegado, o céu já estava fechado numa aguarela densa em tons de cinza e aquele momento de luz morreu ali.

Há neste simples instante, na sua efemeridade, um ponto de partida para várias reflexões, mais ou menos intimistas, introspectivas, mas na pressa do nosso viver, no trilho da rotina dos nossos dias, poucas vezes as fazemos. 

É certo que todos os dias há o nascer e o por-do-sol, como diz o povo, mais marés que marinheiros, mas convenhamos que são sempre irrepetíveis, singulares e, como na nossa vida, cada momento é unico e o ponto de transição entre o presente e o passado é constante porque acontece a cada fracção de segundo.

Nesse processo avançamos irremediavel e simultaneamente para o passado e futuro, que não é daqui a um ano, mês ou amanhã, mas já no exacto segundo a seguir à escrita do ponto com que termina este texto.

17/10/2023

Ceia de Natal 2023 - Grupo Solidário de Guisande

 
Grupo colaborador na edição de 2015

O Grupo Solidário de Guisande já anunciou a realização da Ceia de Natal que se realizará no dia 16 de Dezembro de 2023. Terá lugar nas instalações do Centro Cívico do Centro Social, depois do final da missa vespertina que nesse dia será realizada pelas 18:00 horas na capela do Viso.

Será necessária uma prévia inscrição, estando as mesmas abertas desde 7/10/2023 até  20/11/2023 para os residentes em Guisande e de 21/11/2023 a  26/11/2023, havendo lugar, para inscrições de quem não é da freguesia.

É pois com alegria que o Grupo Solidário levará a cabo esta iniciativa em favor da comunidade e que esteve interrompida nos últimos 3 anos devido à situação de pandemia.

Com o sentido da igreja, comunhão e fraternidade, o Grupo Solidário pretende com este jantar, dar a todos, mas de modo especial aos mais idosos e fragilizados, salutares momentos de convívio e alegria dentro do tão desejado espírito natalício.

Para os residentes em Guisande, com mais de 75 anos de idade, a inscrição é gratuita. Para a restante comunidade de Guisande e fora de Guisande, a inscrição terá o custo de 12.50 euros por pessoa.

Esta é uma iniciativa meritória que merece naturalmente todo o nosso apoio, mesmo de quem não pode ou quer participar.

Parabéns ao Grupo Solidário pela organização e ao  Centro Social pelo apoio e cedência das instalações!

16/10/2023

Alma e emoção

 


Caminho sozinho na plena imensidão,

Em silêncio íntimo, sem ruído de vozes,

Todo dormente numa indiferença passiva;

Afinal, no fim de contas conta a emoção

Como brisa  soprada p´los ventos velozes

A enfunar as velas de um barco à deriva.


Tod´o homem sozinho nunca estará só

Se tiver de companhia a alma e emoção,

Mesmo que triturado como grão sob a mó

No destino sagrado de se dar e ser pão.

Diocese do Porto - I Encontro de Irmandades e Confrarias


Decorreu no Centro Pastoral de Alfena, Valongo, ontem, Domingo, dia 15 de outubro, o I Encontro de Irmandades e Confrarias da Diocese do Porto. Segundo as palavras do bispo do Porto na convocatória dirigida aos participantes, este encontro foi uma oportunidade para “nos conheceremos, nos formarmos e nos incentivarmos mutuamente a prosseguir este caminho belo da participação e responsabilização de algo que está muito no âmago da vida religiosa do nosso povo”, disse D. Manuel Linda.

Durante este evento foi proferida uma conferência sobre “A importância das Confrarias e das Irmandades na Pastoral” a cargo do padre Vítor Ramos, pároco de Rio Tinto, em Gondomar, que no âmbito dos seus estudos de direito canónico, na Universidade Pontifícia de Salamanca aprofundou este tema das Confrarias e Irmandades.

A Confraria e Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, centenária instituição da nossa paróquia de S. Mamede de Guisande (com quase 300 anos), fundada em 1733 pelo abade Manuel de Carvalho, sob a jurisdição dos Dominicanos, também se fez representar com os elementos e confrades Joaquim Santos, António Azevedo Conceição e António Mota.







15/10/2023

14/10/2023

Trail do Viso - 29 de Outubro de 2023

Conforme já por aqui anteriormente divulgado, o Guisande F.C. e a sua secção de trail running, com o apoio do município e da Junta de Freguesia, vai organizar uma prova de trail e caminhada, designada de Trail do Viso - Guisande.

Será no dia 29 de Outubro de 2023, no Monte do Viso, na parte da manhã.

De acordo com a organização, é um evento desportivo com duas vertentes, um trail com cariz competitivo (16 quilómetros) e uma caminhada (8 quilómetros) com cariz recreativo, que permitirão aos participantes partir da capela do Viso em Guisande e percorrer vários locais da freguesia.

Neste trail e caminhada podem participar atletas individuais ou atletas inscritos em qualquer associação do país, organizações populares ou escolas cuja inscrição tem um custo, atenuado com a contrapartida de oferta dos chamados kits que no caso engloba  uma tshirt, caneta, bloco de notas, medalha, abastecimento, seguro, etc.

Em rigor é uma prova de atletismo na variante de corta-mato, a que modernamente se prefere designar de trail, já que normalmente integra alguns elementos ditos mais técnicos. 

Nestes moldes modernos será a primeira vez em Guisande, sendo que provas de atletismo já tiveram lugar na nossa freguesia, não sendo por isso novidades, então organizadas pelo Centro Cultural e Recreativo "O Despertar", sobretudo na década de 1980, tendo sido realizadas pelo menos uma dúzia de provas, algumas delas com localização precisamente no Monte do Viso e a envolver várias centenas de atletas.

Na actualidade este tipo de provas, onde se paga para participar, como é o caso, que dizem ser lucrativas, são bastante populares e concorridas e quase todas as freguesias as promovem. É, pois, positivo que a nossa freguesia também tenha a sua, pois é uma forma de mostrar as suas potencialidades de paisagem e percursos e de incentivo à prática do desporto nesta modalidade de corrida.

Os pormenores e inscrições (ainda até 25 deste mês de Outubro) podem ser consultados e realizadas no endereço traildoviso.com.


Nota à margem e esclarecimento posterior:

Já depois de publicado o artigo acima, alguém me confidenciou que alguns termos contidos no artigo acima não terão caído bem no seio do grupo organizador do evento, nomeadamente a referência ao lucro.

Antes de mais, e por consideração aos elementos do grupo, sobretudo dos que tenho como amigos e melhor me conhecem, lendo e relendo não encontro objectivamente nada que em consciência veja como negativo para quem quer que seja. Reconheço que, para o bem e para o mal, tenho um sentido crítico muito pessoal no que escrevo, que pode não ser do agrado de todos, porque todos têm direito a opinião contrária, mas procuro sempre nunca desconsiderar ou ofender as pessoas, sobretudo as que tenho em boa conta.

A referência ao lucro foi meramente generalista e só por si não é negativa, pois a qualquer evento organizado espera-se que dê lucro ou pelo menos não prejuízos. Por exemplo, da nossa Festa do Viso espera-se trabalha-se para que dê lucro. Ora no caso deste evento, sabemos perfeitamente, nem foi preciso dizê-lo, que eventuais lucros serão para apoiar as actividades do grupo. Por isso por uma causa fundamentada e daí nada de censurável. Não vejo como o que escrevi pudesse colocar isso em causa.

Além do mais, sabemos todos, e sei eu por experiência própria, que o nosso envolvimento nestas causas colectivas e de cidadania em rigor só dão perda de tempo e prejuízo pessoal e não raras as vezes até ficamos com a fama e sem o proveito. Por conseguinte, ali no grupo do Guisande Trail há muito trabalho e dedicação, tantas vezes invisível, que naturalmente ficam sem qulquer compensação para além da satisfação pessoal.

Por outro lado, mesmo que não tenha dado foco ao trabalho e dedicação de alguns que têm tido, sobretudo na preparação dos trilhos florestais, porque informado, reconheço esse esforço, mesmo que o não publicite, nem é essa a questão. Quando nos metemos em qualquer causa e organização é normal que a ela nos dediquemos, sobretudo quando é algo de que gostamos e sem esperar por publicidade. Ninguém se mete em trabalhos por causas que não aprecia.

Por outro ainda, as referências às antigas provas de atletismo na nossa freguesia foram apenas contextuais e são factuais e a sua referência não reduz nem apouca em nada o mérito, diferença e até originalidade da que agora se propõe realizar. Apenas foi escrita para vincar que isto de provas de corridas em Guisande não é de facto novidade. Houve-as no passado e com centenas de participantes. Claro que dos mais novos ninguém se recorda delas (porque essencialmente nas décadas de 70 e 80) e daí a minha referência para quem tenha este próximo evento como novidade na freguesia. Quem se melindra por isto ser lembrado? A história existe para ser recordada e não esquecida.

Assim, e apesar de em consciência não ter tido qualquer intenção de apoucar ou desconsiderar a prova e os organizadores, gente que tenho em consideração e mesmo alguns como amigos, não me custa pedir aqui desculpa por eventualmente ter dado azo a qualquer má interpretação ou mal entendidos.

Finalmente, mesmo que nela não participe, como nunca participei em nenhumas outras, apenas por não ter espírito competitivo e por um princípio pessoal de que não quero pagar para correr e caminhar, seja em que lado for, a não ser por uma causa social que entenda como justificada e superior, desejo naturalmente o êxito do evento e que seja bem participado e que pelos melhores motivos tenha continuidade no futuro. 

E sim, parabéns aos organizadores e organização!

13/10/2023

O Ti Joaquim do Viso

A começar por mim, que já não sou propriamente novo, poucos o sabem, porque os que sim, ou são velhinhos e já com as memórias enferrujadas e se mesmo que disso se lembrem e o digam a alguém, poderão não ser levados a sério. Infelizmente na nossa sociedade que se vai desenvolvendo numa matriz egocêntrica, com gente nova, fresca e cheirosa, não há lugar para ter em conta os mais velhos, porque chatos, rabugentos e dependentes, sempre a precisarem de médico e de que os lembrem de tomar os medicamentos.

Mas dizia que, poucos o sabem, mas ainda quem sabe e se lembra, a começar pela minha mãe, com os ossos moídos mas ainda com boa memória, dizem que o meu avô paterno, o Ti Joaquim do Viso, era uma alma caridosa e amiga dos pobres e talvez por isso, de um vasto património que fazia da casa uma das mais abastadas na freguesia, teve que partilhar pelos filhos o que ainda tinha enquanto foi a tempo, para que cada um tomasse conta da sua parte e fizesse pela vida, porque ele velho, cansado e doente, atacado com o bronquite que o levaria, não podia nem queria ver a casa a decair.

Mas então ainda diz quem sabe, que todas as sextas-feiras naquela casa, bem por detrás da capela do Viso, era dia alegria porque se matava a fome aos jornaleiros que trabalhavam na casa, ainda aos pedintes que vinham mesmo de outras freguesias e ainda criançada do lugar e arredores, do Viso, Cimo de Vila e mesmo de Estôze, que de pobres e por serem tantos, passavam fome e privações nas suas casas.

Assim, todas as sextas-feiras, enquanto foi vivo, cozia-se uma grande fornada de pão e na larga lareira fazia-se um panelão de boa sopa, não apenas com água e couves como era normal, mas com substância, com gordura, alguma carne de porco e massa.

Era, pois, um banquete frugal mas generoso para toda aquele gente irmanada na pobreza e fome e que se dispunha à volta da larga mesa na ampla cozinha.

Diz a minha mãe, sua nora, e quem o conheceu, que se há céu e recompensa para quem faz o bem nesta terra, há muito que, desde que faleceu numa véspera de Natal de 1965, está na companhia dos santos.

Mas destas coisas e destas obras, mesmo que simples, não se faz história e por conseguinte daqui a mais alguns anos não há viva alma que ainda tenha isso presente.

Foi ainda padrinho de muita gente de Guisande, o que eu já desconfiava pois quando era criança por onde passasse interpelavam-me dizendo que eram ou tinham filhos  afilhados do meu avô. Então, achava estranho que fossem tantos.

Não o conheci, porque quando faleceu estava eu, com pouco mais que 3 anos, a começar o livro da vida e a registar as primeiras memórias mas sendo que há coisas feitas há uma dúzia de anos e já esquecidas, tenho ainda vincadas algumas imagens  relacionadas ao meu avô, como quando acabado de se levantar da cama, arrumava o brazido da lareira quente, como a fazer um ninho, e lá colocava um pão a aquecer.

Joaquim Gomes de Almeida, conhecido como Ti Joaquim do Viso, por ser do lugar do Viso, embora já no início do lugar de Cimo de Vila, na freguesia de Guisande, nasceu em 27 de Abril de 1885 e foi baptizado em  3 de Maio desse mesmo ano. Era filho de Raimundo Gomes de Almeida (meu bisavô), também do considerado lugar do Viso, Guisande, e de Delfina Gomes de Oliveira (minha bisavó), do lugar de Casal do Monte, freguesia de Romariz. Faleceu o meu avô em 23 de Dezembro de 1965.

O meu avô casou com 30 anos de idade, em 2 de Julho de 1916  com Maria da Luz, de 24 anos,  nascida em 18 de Novembro de 1890, sendo filha de José Joaquim Gomes de Almeida e de Maria da Conceição de Jesus, então moradores no lugar do Viso. Faleceu em 15 de Novembro de 1967 com 77 anos de idade. Tinha eu 5 anos pelo que tenho ainda algumas lembranças dela.

Tiveram 4 filhos e 4 filhas, sendo que uma faleceu menor. Destes um era o meu pai e o mais novo dos rapazes, o tio Neca, completou 100 anos de vida no passado Sábado. É ainda viva a tia Laurinda, já a passar dos 90.

Outros, na sua posição de proprietário e pessoa a saber escrever, a ler e a fazer contas, usaram da ignorância, das dificuldades e miséria de alguns para lhes retirar bens e terras e com isso crescer e aumentar patrimónios. Num tempo em que a generalidade das pessoas tinham como valores a honra a palavra e o trabalho, houve sempre alguém com poucos escrúpulos a usarem de estratagemas, manhas e artimanhas para deles abusarem. Meu avô, porêm, pertencia à casta dos que preferiam empobrecer do que subtrair o pouco a quem tinha nada. 

Fica aqui este simples registo para a posteridade de um homem bom, de bom samaritano em tempos agrestes e de vacas magras, que na sua bondade e bom coração ajudou a mitigar a fome a muitos. 

12/10/2023

Quanto mais te bato...

Quando alguém nos dá algo com uma mão, disso fazendo banzé e alarido, mas em simultâneo nos tira com a outra, mantendo-se quase mudo e calado, não será pessoa séria.

Ora é isto que está acontecer com o nosso Governo ao apregoar em todos os altifalantes uma descida nalguns escalões do IRS, tidos como relacionados à classe média, mas simultaneamente vai aumentar a carga fiscal com receitas no IVA, nos combustíveis, tabaco, bebidas e até no imposto de circulação dos carros dos mais pobres, os mais velhos, e estes têm-nos porque não têm condições para ter carro novo.

Em resumo, apesar de estar a distribuir uns chouriços o Estado espera receber dos portugueses alguns presuntos e daí até prever o tal aumento significativo de receita no que espera um novo excedente orçamental.

Neste contexto, este Governo, a começar pelo seu primeiro ministro, é falacioso e só não merece outra classificação por respeito às suas mãezinhas.

Mas, siga, que o povo gosta de ser enganado. Como cantava a Ana "Quanto mais te bato, mais tu gostas de mim". É assim que este Governo nos tem em conta.

Alma de poeta


Sim, sonho em ser um poeta eleito,

Artista a esculpir, a pintar boa rima,

A brotar, como fonte água, a poesia;

Mas, caio em mim, porque imperfeito,

Sem arte ou engenho, até sem estima,

Apenas pobre poeta que se penitencia.


O poeta não tem que escrever ou falar,

Sobre  o ponto ou contraponto da ideia,

Imaginar no sol a lua ou na noite o dia;

Não precisa da alma toda a transbordar,

Bastando, somente, que só meio cheia,

Mas nunca desistir por a ter meio vazia.

11/10/2023

Caminho


Quem no caminho vai ofegante

E não tem olhos para uma flor,

Singela, pobre, na borda dele,

Não é mais que um caminhante

Apressado, carregado em suor

Qual abelha a mourejar por mel.


Importa avançar, olhar adiante,

Mas no destino, seja qual for,

Haja a doçura não somente fel;

Uma flor nos olhos é calmante

Que suaviza a rudeza, o torpor

Do caminho mais duro e cruel.

Noite de cinema - Sábado 14 de Outubro de 2023



Noutros tempos que já lá vão, ali por meados da década de 1970 e anos seguintes, o nosso velhinho Salão Paroquial enchia, atestava de gente, mesmo a pagar bilhete, para assistir a sessões de cinema, não em vídeo ou do computador projectado numa pequena tela, mas mesmo daqueles com bobines projectados à moda antiga e que enchiam todo o cenário. 

Por ali passaram comédias e filmes épicos, como "Os Dez Mandamentos" (1956), "Ben-Hur" (1959) e "Jesus de Nazaré" (1970) de Franco de Zeffirelli, mas sobretudo filmes de western, cowboiadas como dizíamos.

Os tempos mudaram, vá lá saber se para melhor ou pior, mas mudaram. Hoje continuamos a ter boas e cómodas salas de cinema, mas temos sobretudo em casa, na televisão e com canais exclusivos, no computador, no telemóvel, etc. É uma farturinha!

Retomando o cinema no Salão Paroquail, o nosso Grupo de Jovens de Guisande vai promover a exibição de um filme do género de animação 3D, mas certamente que com o objectivo paralelo de animação e convívio. 
A entrada é livre e com direito a petiscos, bebidas e animação. O filme é para todas as idades e a entrada é livre.

Esperemos que a sessão seja concorrida e animada.

Venda da residência paroquial em 1923

 


Passa nesta dia de hoje, 11 de Outubro de 2023, um século após a data da escritura de venda do edifício da residência paroquial de Guisande, conforme o atesta o cabeçalho da escritura acima reproduzido.

A venda foi realizada pelo então pároco Pe. Abel Alves de Pinho a um outro sacerdote, o Pe. Joaquim Esteves Loureiro, de Ramalde - Porto, sendo que este representado no acto pelo então pároco de Pigeiros, Pe. António Inácio da Costa e Silva.

Todo este processo relacionado à residência paroquial é conturbado e ainda com vários segredos ou mistérios por desvendar. Oportunamente, por aqui ou no livro que tenho em preparação, procurarei transmitir o que se sabe sobre o assunto, sendo que ficarão sempre pontas soltas e enigmas por resolver.

Em todo o caso, o processo passa pela edificação da residência, dada como concluída em 1907, depois a compra da mesma à paróquia pelo então pároco Pe. Abel, e posteriormente a venda, de algum modo forçada, aquando da saída do referido padre, e ainda o mistério de ter sido vendida a um desconhecido do Porto, sendo que em princípio com ligações à Diocese e à Sé, presumindo-se que agindo como um testa-de-ferro. Posteriormente esse Pe.Loureiro, conforme previsto, veio também ele próprio a vender à paróquia, pelo que desde então lhe pertence. Foi depois no tempo do Pe. Francisco que a situação de propriedade, em termos de registo na Conservatória e Finanças se veio a resolver a favor do Benefício Paroquial, equivalente então à Comissão Fabriqueira.

É, pois, um processo obscuro e com contornos interessantes mas misteriosos e que, à falta de outros documentos, pelo falecimento dos intervenientes e pelo tempo decorrido, será difícil resolver de forma definitiva.

10/10/2023

Incerteza


Bem queria que o caminho só

Fosse largueza, tapete florido,

Macio, doce e perfumado.

Mas tem pedras, lama e pó,

Duro, amargo em ser vencido

Sem que se chegue cansado.


Não espere, pois, o peregrino,

Que a jornada se faça de sorte;

Se na torre canta e geme o sino,

Anuncia a vida ou talvez a morte

Etiquetas

Acção Social Acontecências Actualidade Alertas Ambiente Anos 80 Aplicações Apontamentos Aprender Arrelias Arte Assembleia de Freguesia Associativismo Autores Avisos Cadernos Câmara Municipal Caminhadas Cartazes Cartões Celebrações Centro Social Charadas Cidadania Citações Colecções Comemorações Comida Comunidade Inter-Paroquial Concelho Contos Convívio Crónicas Cultura Curtas e Grossas Datas Datas e factos Desenhos Desporto Diário Ditos e Mexericos Divulgação Documentos É bom saber Editais Educação Efemérides Efeméridess Eleições Entretenimento Escola Escritas Estado Eventos Evocações Facebook Festa do Viso Festas Festividades Ficção Figuras Fotografias Fotomontagem Fotos Antigas Futebol Genealogia Gente Nossa Grafismos Grupo de Jovens Grupo Solidário Grupos Guisande Guisande F.C. Guisande Solidário Heráldica Historiando Humor Humorlândia IA Ilustrações Imprensa Informações Iniciativas Inquéritos Inteligência Artificial Internacional Ironias Junta Junta de Freguesia Juventude Lamentos Legislação LIAM Listas Livros Lobão Locais Local Louredo Lugares Mapas Melhoramentos Memórias Momentos Movimentos Mundo Município Música Nacional No comments Nostalgias Notas Notícias Obituário Obras Olhares Opinião Orações Outono Outros mundos Panfletos Para rir ou chorar Parábolas Paróquia Páscoa Património Pensamentos Pessoais Pessoal Poder Local Podia ser verdade Poesia Política Políticos Portugal Postais postal do dia Propaganda Quintas Rabiscos Recordando Recortes Recreativos Recreio Rectrospectiva Redes Sociais Reflexões Religião Sabia que? Santa Maria da Feira Sátira Saúde Seniores Sextas Sítios so Sociedade Sondagens Subscrevo Televisão Tempos Trabalhos Gráficos Tradições Turismo União de Freguesias Veteranos Guisande F.C. Vídeos Vizinhança

Artigos - Índice