04/02/2024

S. Brás e Senhora das Candeias - Vale

Festa a S. Brás e Senhora das Candeias.

Na bairrista freguesia de Santa Maria do Vale, numa tarde muito amena, uma festividade simples mas repleta de tradição. Programa de animação com dois bons ranchos folclóricos (de Ponte de Lima e Penafiel) e muita assistência. 


Alminhas em Estôze

 





No lugar de Estôze, um dos mais antigos da nossa freguesia, existem dois interessantes exemplares de alminhas. Uma delas encastrada na fachada da casa da D. Laurinda Angélica (2 fotos de cima), com imagem em azulejo policromático de um Cristo Crucificado e a ainda as designadas como alminhas do Vitorino (2 fotos em baixo), também com azulejo colorido e com a temática habitual das Senhora do Carmo.

A grafia do lugar de Estôze ao longo dos tempos tem tido algumas variantes e mesmo no dias de hoje presta-se a alguma confusão, nomeadamente quanto ao uso do "z" ou "s" ou ainda quanto ao acento sobre o "o", por vezes com o acento circunflexo ("^") e outras com o til ("~"). Aparece ainda nas duas formas, com "z" ou com "s" mas sem qualquer acento.
Eu próprio poderei nem sempre escrever da mesma forma mas pessoalmente considero como mais correcta a variante"Estôze".
Ainda em documentos antigos já vi a variante Estôs ou Estôz, sem o "e".
De todo o modo é um topónimo de origem desconhecida e mesmo após várias pesquisas não encontrei qualquer outro semelhante no nosso país.

Obras no cemitério de Guisande

A Junta da União de Freguesias está a realizar obras no cemitério de Guisande com vista à criação de novas sepulturas de modo a dar resposta à procura. Em simultâneo está a instalar sistemas de drenagem de maneira a mitigar os problemas de águas infiltradas no solo e que afectam o cemitério, sobretudo em tempo de inverno e de chuvas. Uma boa decisão.

Quanto fiz parte da Junta e ali também se realizaram obras com o mesmo objectivo, dependesse de mim e teriam sido construídas todas as sepulturas nos cantões ainda sem elas e de modo a aproveitar a oportunidade da mesma empreitada, porque é sempre um transtorno  e inconveniente para as zonas abrangidas  pelos trabalhos. Infelizmente, não tinha poder de decisão e também face a limitações  financeiras sentidas nesse primeiro mandato, entendeu quem mandava optar por fazer apenas o suficiente para as necessidades da altura.

Agora, como já era de esperar, teve que se voltar a fazer obras e novamente parte do cemitério transformado em estaleiro. Desconheço se desta vez irão ser realizadas sepulturas em todos os cantões ainda vagos. Se sim, é uma boa opção até porque a concessão das sepulturas pagará  o investimento. Se não, tem que se aceitar a opção, mas o problema voltará a sentir-se daqui a mais alguns anos e lá teremos novamente o cemitério em trabalhos e cada vez com menos espaço para movimentar máquinas.



02/02/2024

Reunião do Conselho Pastoral Vicarial da Feira

Local: Centro Paroquial de Santa Maria de Fiães

Data e horário: Quinta-Feira, 1 de Fevereiro de 2024 pelas 21:00 horas

A reunião principiou por volta das 21:15 horas. Presidiu e orientou a mesma o Pe. José Carlos Teixeira Ribeiro, vigário.

A recém nomeada delegada vicarial no CPD - Conselho Pastoral Diocesano, Maria Isabel Ribeiro Fontes da Silva, deu conta de que já participou num encontro do CPD mas que dos pontos da ordem de trabalhos pouco foi debatido pois o tempo programado foi quase todo preenchido com a apresentação mútua dos diversos delegados. De todo o modo e como disse que no CDP representava a vigararia e não a si própria, entendeu ser importante desde já colher testemunhos, opiniões e pontos de partilha para poder transmitir e partilhar em futura reunião.

O vigário Pe. José Carlos começou por fazer uma referência ao Caminho Sinodal, seu significado, sentido e objectivo e dentro desse contexto lançou ao grupo a questão do que é que em cada uma das nossas paróquias está a ser feito e dinamizado nesse sentido de caminho, nomeadamente qual a dinâmica e organização dos diferentes grupos.

Foram sendo colhidas várias impressões e testemunhos e foi possível perceber que há algumas paróquias com as estruturas em funcionamento, com  conselhos permanentes e conselhos paroquiais de pastoral mas também, porventura a maioria, ainda sem este nível de organização e os grupos vão funcionando cada um por si e coordenados entre eles ou pelos párocos.

O Pe. José Carlos considerou que apesar de estarem previstos e serem importantes esses grupos coordenadores, não são, todavia, condição para um melhor ou pior funcionamento, porque disse compreender e aceitar que cada paróquia, para além da dimensão de cada uma e suas especificidades, tem quase sempre as suas dinâmicas próprias e que funcionam relativamente bem. Exemplificou até, pela sua experiência e conhecimento, que mesmo na sua comunidade de origem (Amarante), com pequenas e várias paróquias apenas com um pároco comum, que tem sido aplicado um sistema de organização inter-paroquial e que vai funcionando face às limitações e que torna-se indispensável um entendimento, coordenação e partilha das diferentes paróquias de modo a atender às necessidades e expectativas de cada uma, mesmo que com cedências e adaptações de parte a parte.

Em resumo, as estruturas de organização das dinâmicas e actividades das paróquias são importantes mas não necessariamente fundamentais ou imprescindíveis. Mas importará sempre uma coordenação regular e colaboração mútua entre os diferentes grupos no interesse do funcionamento geral e que os párocos têm que dar atenção no seu funcionamento, promoção e incentivo.

Seguidamente foi lançada a questão do que é que em cada paróquia e sobretudo na Catequese, está ser feito no sentido das dinâmicas do Caminho Sinodal, nomeadamente nos escalões de adolescentes e jovens.

Nesta questão também foram vários os testemunhos, nomeadamente por parte de quem nas paróquias teve ou tem essa experiências como catequistas ou pais e a nota comum foi a de que está a ser muito difícil e nota-se cada vez mais um afastamento das crianças e jovens, por motivos vários, como o ambiente e dinâmica da nossa actual sociedade, muito fechada em si própria, com cada vez mais famílias desestruturadas,  bem como pelos pais e educadores que tendencialmente se demitem das suas funções e responsabilidades educativas deixando as opções e escolhas dos seus filhos, desde tenras idades, aos seus arbítrios, critérios e vontades, sendo que estas sem qualquer orientação e estruturação de valores. 

Foram relatados exemplos que demonstram negativamente esse desligamento como a da resposta de uns certos pais que responderam ao pároco que o “filho ainda andava pela Catequese porque queria e gostava, porque se fosse por vontade deles, já não”. Ou seja, o paradoxo da vontade positiva a prevalecer sobre a negativa dos pais. Mas este outros exemplos que ilustram as dificuldades que catequistas e orientadores sentem nas suas comunidades.

Em todo o caso, como salientaram alguns dos intervenientes e realçado pelo Pe. José Carlos, apesar destas dificuldades que são notórias, importará criar dinâmicas que envolvam as crianças e jovens de uma forma participativa e não apenas como ouvintes, levando-os a integrar tarefas e eles próprios serem promotores de dinâmicas em que se sintam activos e interessados. No fundo há uma necessidade de reinventar os meios para atingir os mesmos fins que é a partilha e valorização da Palavra e no modelo de vida e de vivência que é Jesus.

Mas a nota dominante foi que de facto os tempos estão difíceis em manter um interesse positivo por parte das crianças e jovens e mesmo dos pais, pelo que todos os caminhos e formas que conduzam a um renovar de interesse será de acolher. Mas é um grande desafio que se coloca na actualidade não só nas paróquias mas naturalmente em toda a Igreja. A própria Igreja, nomeadamente com os mediáticos casos de pedofilia no seu seio, como admitiu o vigário, tem ela própria sido motivo de erosão e algum afastamento e até descrédito perante muitos sectores e opiniões o que não tem ajudado, pelo que para o clero e sobretudo para os párocos a tarefa torna-se mais difícil pelo que cada vez é mais importante o envolvimento laical nos diversos níveis da comunidade. De resto, face ao número de padres que vão partindo e dos que se vão formando, as previsões conduzem a uma realidade de objectiva diminuição de párocos e dos actuais 16 na vigararia da Feira, o vigário considera que será inevitável que daqui a poucos anos esse número seja reduzido para metade.

A reunião foi dada como terminada por volta das 23:15 horas. Foram recolhidos pelos presentes os contactos pessoais para agilizar convocatórias e partilhas e foi acordado estabelecer um grupo na plataforma Whatsapp onde poderão em cada momento ser partilhadas pelos representantes das paróquias as experiências, questões, pensamentos, conteúdos pastorais, modelos de agendas, dinâmicas, actividades, etc.

Em resumo foi uma reunião interessante, porventura com uma duração um pouco longa mesmo com a maior parte dos presentes a não intervirem. Importará em reuniões futuras ser adoptado um esquema de trabalhos que possa ser produtivo mas mais sintético. Talvez lançar os temas de forma objectiva e depois estes serem aprofundados individualmente a nível do grupo Whatsapp e deles se fazendo um resumo que servirá de base à representante no Conselho Pastoral Diocesano para as suas participações ao nível diocesano.

A reunião contou com 19 elementos, tendo marcado presença os três representantes das paróquias do Pe. António Jorge (Guisande, Pigeiros e Caldas de S. Jorge). 

01/02/2024

500 amigos (e amigas)


Convenhamos que o Facebook vulgarizou o conceito de amigo. Parece que à data tenho 500, meio milhar. Deve haver engano porque pensando bem, assim com umas contas por alto, em tal conta serão pouco mais que os dedos de uma mão, e desses alguns nem estão na lista deste meio milhar.  Mas tenho uma boa parte como gente que conheço, considero e estimo. O resto, até acredito que são todos boas pessoas e que todos me querem bem, ou pelo menos não me desejam mal, sendo que nesta coisa de desejar, desejo sempre em dobro daquilo que me desejam. Mas também sei que nestes 500 andam por ali alguns com umas pedritas nas mãos atrás das costas e com uns alfinetes bem afiadinhos. Melhor é fingir que não sei.

Vale o que vale e o que não faltam por aí é trocadilhos e frases sobre amigos, mas aparte alguma ironia, dos bons todos queremos ter e precisamos, tanto nos bons como sobretudo nos maus momentos. A todos estimo.

Em todo o caso, a avaliar por certas figuras que os coleccionam, 500 amigos é mesmo um número baixo, e qualquer Manel Pancrácio e Zé da Esquina tem bem mais que isso, dos quais alguns que conhecem.

Mas convenhamos que 500 é um número redondinho e quase apetece não ter mais "amigos"  para não estragar a conta.  Caso para se dizer  que me bastam"poucos mas bons". É verdade que não tenho mais porque sou envergonhado a convidar, mesmo com o Facebook todos os dias a recomendar-me paletes de gente conhecida ou nem por isso, mas deste meio milhar quase ninguém convidei e, pelo contrário, quase todos tiveram a amabilidade e fizeram-me o favor de se convidarem. Bem hajam por isso e obrigado por fazerem parte dos 500!

Coragem ou falta dela

Em comentário a alguém que pela blogosfera considerou como falta de coragem o facto de Luís Montenegro não defrontar directamente Pedro Nuno Santos pelo ciclo de Aveiro, preferindo encabeçar Lisboa, também acho que deveria concorrer por esse ciclo de residência, e apenas por esse princípio, legítimo. De resto não me agradam paraquedistas a encabeçar listas em distritos onde porventura nunca, ou raramente, lá puseram os pés.

Em todo o caso, em termos meramente estratégicos, parece-me que a escolha de Emídio de Sousa como cabeça-de-lista é acertada. Afinal, é só o presidente da Câmara do município (Santa Maria da Feira) de longe o mais populoso do distrito e que  tem gozado de popularidade bastante para ter vencido com vitórias amplas.

Mas vale o que vale. No resto, no toca a coragem, porque era dela que se falava, gostaria de ver estes candidatos a chefes de governo, Pedro Nuno Santos e Luis Montenegro, mas mesmo líderes de outros partidos, a intregrarem as listas em círculos de menor implantação e em posições de eleição não garantida. Aí sim, era de homens e, claro, de mulheres. 

30/01/2024

Fonte de emoções

Há muito que me desacreditei da verdadeira utilidade ou motivo fundado das redes sociais, como o Facebook, e assim por entre pausas sanitárias lá vou ganhando fôlego para um novo mergulho e retomando a ligação, já não tanto para beber, que as fontes ou estão secas ou inquinadas, mas apenas como alguém idoso que à sombra de um beiral de uma casita de esquinas coçadas de algumas das nossas aldeias interiores e quase desertas, ainda aponta com sentido de utilidade a direcção certa para uma sítio ou curiosidade que um ou outro turista de roteiro nas mãos procura mas não encontra. - Ali à esquerda, ao fundo daquela vereda e depois a cerca de 100 metros a subir, corta à direita e vai descendo até encontrar do lado esquerdo! Não tem que enganar!

Em suma, já pouco de verdadeiro e de talento próprio que mereça a atenção, ali desagua, mas de quando em vez lá surge um vislumbre de que ainda há gente que para lá do seu umbigo partilha coisas interessantes e em resposta alguém expressa reconhecimento, acrescenta valor ou até se emociona. 

Ainda há dias, fora da lista de "amigos", alguém partilhava por cá um pedaço de prosa do José Saramago, a parte inicial do seu discurso aquando do recebimento do Nobel da Literatura, a descrever os seus avôs e os seus modos de vida e de pensamento parante a mesma, a ponto de dormirem com os porcos pequenos na mesma cama, não por questões de afecto mas tão somente para, preservando-os do frio, aumentar as suas possibilidades de sobrevivência e que depois de criados e vendidos seriam eles próprios pão-nosso-de-cada-dia dos criadores. A este pedaço de prosa, que poucos leem porque mal habituados a frases curtas e grossas, alguém respondeu "...que emocionante". 

Sim, de facto, até eu que não tenho em Saramago a leitura mais favorita, quando já havia lido o seu discurso, deliciei-me de princípio ao fim e também me emocionei, não pela qualidade da escrita mas por toda aquela cena, aquele quadro de vida, ser autêntico e com gente verdadeira. Era na Azinhaga do Ribatejo mas poderia ser aqui em Guisande, no Viso, no Reguengo ou em qualquer outro lugar no tempo dos nossos avôs e bisavós. A vida era de miséria e trabalho duro mas era plena e na mais profunda ligação entre o ser humano, a terra e os animais. Não tenho memória de lá por casa se ter dormido com porquinhos mas dormiu-se várias vezes no aido ao lado vacxa que estaria para parir.

Também eu, de talento escasso face à grandeza de Saramago, poderia aqui tentar descrever cenas desse tempo, de gente dessa cepa retorcida, em que nos poucos momentos em que o corpo não podia recusar o descanso, as noites eram passadas a olhar um tecto de estrelas e apesar da ignorância das letras e das ciências, o homem de antanho questionava Deus sobre todas as coisas e o sentido delas. Se antes de adormecer o corpo cansado era todo ele um poço de dúvidas, logo que volvidas poucas horas e o sol já a despontar pelos pinhais, a bater nas janelas ou por entre as folhas da árvores da horta, tinha na ponta da língua todas as respostas ao que era preciso fazer para mais um dia assegurar a sua sobrevivência e dos seus. Cuidava dos animais e dos filhos com o mesmo peso e medida e das coisas da terra tratava como um mestre, esclarecido e sem dúvidas. Se delas  persistia uma ou outra num momento de distracção dos afazares, à noite voltaria a questionar o Criador. 

A fonte das emoções jorra caudalosa mas são poucos aqueles que dela se abeiram com sede.

Atrás dos sonhos a coxear


Amiúde, porventura com uma frequência que mais que incentivar só banaliza, lá vamos ouvindo e lendo que não devemos deixar de ir atrás dos nossos sonhos e que importa sempre não desistir de lutar por eles. O que não falta nos livros são pensamentos sobre os sonhos, mais ou menos lineares ou filosóficos como o de Fernando Pessoa: "De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos" ou do António Gedeão com o intemporal "O sonho comanda a vida" no poema da "Pedra Filosofal".

Mas qual quê? Todos os sonhos ou só aqueles que é lícito pensar como exequíveis e no tamanho da nossa natural passada? É que também sempre fomos ouvindo como conselho que não é sensato dar passos maiores que as pernas, vender cabritos de cabras que não temos e que quem alto sobe mais dói a queda. Há ainda a fábula do sapo que queria ser boi a ponto de se insuflar até estourar. Como se não bastasse, ainda a realidade pura e dura sempre a dar lições mesmo que nem todos queiram aprender.

Além do mais, ouvir tais conselhos em ir atrás dos sonhos por parte de quem vive num mundo de fantasia, onde as nuvens são cor de rosa como as revistas que existem para falar deles próprios, não é lá grande pistola. Ou isso ou ler com todas as letras em livros de auto-conhecimento e auto-ajuda, como se os seus autores sejam gente experiente tanto na na caça aos sonhos como aos gambuzinos, desinteressada e metida a distribuir incentivos como a repartir fortunas ou a ensinar os truques e segredos de como as alcançar. Sempre fiquei de pé atrás quanto a maluquinhos que vendem a troco de tostões curas milagrosas, receitas milionárias, galinhas de ovos de ouro, heranças de príncipes tribais africanos, etc. Mas isto sou eu e poucos mais, porque no geral o que não faltam por aí é vítimas de sonhos, de aldrabices, contos do vigário, vendedores de banha da cobra, desde os mais suspeitos aos mais respeitáveis atrás de balcões de instituições, bancárias incluídas. Mas pior do que essa gente "preocupada" com os nossos sonhos é haver quem, mesmo acordada e de olhos abertos, se deixe embalar no dorso de unicórnios e cristas de dragões.

Os sonhos, para além dos aspectos e interpretações filosóficas e poéticas, são isso mesmo, sonhados a dormir ou  bem acordados, mas quase sempre longínquos e inalcançáveis que não por sortilégio de muito trabalho, de um grande prémio nos jogos da Santa Casa ou de ambos. Ora nos dias que correm poucos são os que chegam aos calcanhares dos mais ambiciosos sonhos apenas com vontade, trabalho e dedicação. No resto andamos todos a sonhar acordados, a fazer viagens a tudo quanto seja canto neste planeta esférico, a olhar as horas em relógios de ouro, a passar umas noites com as mais belas modelos, a pernoitar nas mais luxuosas suites, a ter segundas e terceiras casas em paraísos turísticos, um portefólio de máquinas como motos, carros, iates e jactos.

Ora, ora! Isso será apenas para alguns, pelo menos para o 1% das figuras que detêm 99% da riqueza mundial, onde talvez para além dos Musks, Gates, Bezzos e Zuckerbergs, estejam por lá o Ronaldo e o Messi. Para os restantes 99% resta-lhes, quando muito, irem sonhando os sonhos dos outros.

Não fora a importância da realidade e do ter ambos os pés bem assentes na terra, e também eu andaria ocupado a correr atrás de certos sonhos. Mas porque raio não sonho em ter fortuna material, casas, carros, motas, relógios e milhões no banco? Logo só me dá para sonhar em voar como as águias, correr como um alazão, saltar como o Spiderman, poder tornar-me invisível, viajar através do tempo, percorrer pelo universo como o Superman, etc, etc, como se fora um dos milhentos herói da Marvel. Que raio de sonhos! É que para estes não há receita que os transformem em realidade e por isso só mesmo sonhando, de preferência a dormir.

Em resumo, a mim, e creio que a todos, bastará ter saúde e ser feliz com o que temos, usando de honestidade e honradez e sem prejudicar os demais, mas haverá sempre quem ache isto sonhar rasteiro e sinal de falta de ambição e daí não surpreende que os sonhos de uns se concretizem com o atropelo e pesadelo de outros. Talvez por isso haverá sempre e cada vez mais no nosso modelo de sociedade ocidental uma legítima justificação dos meiso face aos fins, como parafraseava Maquiavel. Talvez...

29/01/2024

Poesia?


Soubesse eu de poesia. Num quarteto, soneto ou ode, pronto soprava para longe o nevoeiro que cega e entontece. Soubesse eu, mas não sei.

Cavo na prosa, que não é de brisas, antes de pesos, arrastos, algemas e grilhetas. Desconhece a inspiração. Nada lhe vem do alto ou do sublime, é obra de enxada em terra dura, com morosidades de boi antigo nas voltas da nora.

Obriga-me a escrever beijo, quando por vontade escolheria ósculo. Falo de lusco-fusco, envergonhado de dizer arrebol. Mas poeta não é qualquer, nem quem quer, só aquele que as Graças favorecem.


J. Rentes de Carvalho

Eufemismos, penso eu de que...

Não deixa de ser um eufemismo, no mínimo engraçado, que alguém com 86 anos de idade e presidente  de um clube há mais de 40 anos, numa governação em rigor sem oposição de peso em actos eleitorais , se recandidate a um novo mandato com uma premissa de "renovação" e logo quando do outro lado o candidato que lhe ousa fazer frente é gente jovem. 

O passado, a experiência e as idades dizem sem esmorecimento que é mais do mesmo, mas o sentido que queremos dar às coisas ou às palavras valem  o que valem. Se dizem que será "renovação", seja. Não os contrariemos. O teste do algodão não engana e nestas como em muitas outras coisas só se deixa enganar quem de tal gostar. De resto, pela consideração e quase idolatria à figura em questão pela maioria da massa adepta, para voltar a vencer mesmo que com a oposição de um jovem, não tinha necessidade de trazer a "renovação" à equação porque cheira a falso. Bastaria dizer que continuaria a ser ele próprio e mais do mesmo porque a receita consideram-na positiva. Não havia, pois, necessidade do pingarelho da "renovação" até porque só serve para enganar tolos. Mas compreende-se porque a idade não perdoa.

Enganem-nos, que eles gostam!

O talento já foi chão que deu uvas


O talento pode ser definido como uma habilidade natural ou aptidão excepcional para realizar alguma atividade com destaque, muitas vezes demonstrando facilidade e excelência em comparação com os outros.

Além disso, o talento pode ser inato ou desenvolvido ao longo do tempo por meio de aprendizagem, prática intensiva e experiência. Ele pode manifestar-se em diversas áreas, como artes, desportos, ciências, e muitas outras, contribuindo para o sucesso e realizações individuais. O reconhecimento e cultivo do talento são fundamentais para o crescimento pessoal e profissional de uma pessoa.

Durante muito tempo a expressão do talento era ela própria, inconfundível, intrínseca. Quem o tinha, tinha e quem não, não. Mas desde há alguns anos e sobretudo agora com as ferramentas tecnológicas e a Inteligência Artificial a dar cartas, tanto ao nível do conhecimento em geral como na capacidade de produzir conteúdos gráficos, num instante somos todos artistas e criativos e um qualquer Zé da Esquina que nunca foi capaz da mais singela criação artística, ao nível de uma criança no Jardim de Infância, é agora poeta, desenhador, pintor, fotógrafo requintado, etc.

São, pois, tempos perigosos estes em que os vendedores da banha da cobra misturam-se a fazem-se passar por talentosos criativos. Os Photoshops vieram retocar e transformar o velho em novo e feio em bonito, mas até aí era necessária capacidade e mesmo talento para o processo. Apesar da perversão, são talentosos os pintores que falsificam quadros. Já com a AI (Artificial Intelligence) e com os inúmeros serviços que dela se aproveitam, basta pedir à lista o que se quer, desde um quadro com uma criancinha a dormir com um gatinho, uma paisagem deslumbrante ou exôtica até uma Taylor Swift em poses pornográficas, como tem sido noticiado, com milhões de visualizações, levando a indignações e reacções como a do CEO da Microsoft, Satya Nadella, que afirmou numa entrevista que considera “alarmante e terrível” a perspectiva de começarem a circular imagens geradas por Inteligência Artificial de nudez não consensual. 

Certo é que mesmo apesar das entidades governamentais e reguladores mostrarem que estão preocupadas com as perversidades da IA, a verdade é que a bomba já foi lançada e os estragos são e serão irreparáveis porque a experiência diz-nos que isto não vai parar. Poderia parar numa China, Rússia ou Coreia do Norte, mas não nos países onde a democracia não consegue cortar certos males pela raíz ou desfazer conceitos politicamente correctos. No fundo, para o bem e para o mal, temos que colher o que semeamos.

Neste contexto, neste mundo inundado de "merda talentosa", como diz uma certa cantiga (creio que de José Augusto), "Agora aguenta coração".

28/01/2024

Nota de falecimento - Maria Fernanda dos Santos

 


Faleceu Maria Fernanda dos Santos, de 76 anos de idade [30 de Março de 1947 a 27 de Janeiro de 2024] que residia na Rua do Cruzeiro, lugar de Fornos - Guisande. 

Filha de Joaquim António dos Santos e de Gracinda dos Santos Serralva. Neta paterna de Manuel António dos Santos e de Joaquina Gomes de Jesus e neta materna de Domingos dos Santos Serralva e de Margarida Felizarda de Resende.

Mãe de Maria Isaura dos Santos Mota, Baltazar Manuel dos Santos Mota, Adélio dos Santos Mota, Idalina Fernanda dos Santos Mota, Rosa Maria dos Santos Mota e Inácio António dos Santos Mota (falecido)

O funeral terá lugar na próxima Terça-Feira, 30 de Janeiro pelas 16:00 horas com cerimónias na igreja matriz de Guisande, indo no final a sepultar no cemitério local.

Missa de 7.º Dia na próxima Sexta-Feira, 2 de Fevereiro de 2024 na igreja matriz de Guisande pelas 18:30 horas.

Sentidos pêsames a todos os familiares, de modo particular a seus filhos. Que Deus a tenha em eterno descanso!

Não há pachorra


Entre o que se vai passando na Madeira  dos Albuquerques e Calados, com os Cafofos já a aprontarem-se para um segundo round, e a campanha eleitoral nos Açores com Cordeiros e Bolieiros nos lados opostos da barricada, por cá também em pré-campanha, de um lado e doutro vamos ouvindo umas fogachadas, como se nós, eleitores, sejamos todos uma cambada de mentecaptos incapazes de distinguir certas coisas.

Por exemplo Pedro Nuno dos Santos, o neto do sapateiro, candidato a primeiro ministro pelo partido Socialista, diz que há cinco autoestradas (SCUTs) em que vai deixar de se pagar portagens no caso de o PS formar governo nas próximas eleições. E justifica-se de que os anteriores governos fizeram uma "maldade aos portugueses". E afirma-o com uma convicção tal que parece alheio ao facto do seu partido ter governado o país nos últimos 10 anos, dele fazendo parte, como se não fora tempo bastante para, logo no primeiro ano, concretizar o que uma década depois promete. Parece igualmente ignorar, ou esperar que não nos lembremos, que tal promessa havia sido já feita pelo seu correligionário António Costa em 2015 e que nunca foi cumprida. Realmente, uma maldade nunca vem só asim como a falta de memória.

Da esquerda à direita, passando pelos extremos, vamos assim assistindo a um bombardeamento de atoardas que mais do que incentivarem ao voto quando o calendário marcar 10 de Março, convidam, em boa verdade, à abstenção, ou então ir votar e nos boletins, em vez da cruzinha no sítio certo, desenhar uns manguitos ou uns erectos marsapos.

Não há pachorra!

Herança dos afectos

Sou resultado de um tempo e de uma educação em que o lugar a carinhos e outras expressões de afectos filiais ou de outra natureza, eram escassos ou distribuídos com parcimónia. De um filho esperava-se que, logo que com passos firmes, cabeça com entendimento  bastante para compreender e aceitar ordens e corpo capaz de suportar tarefas,  fosse mais um criado de servir a casa e ajudar na parca economia arrancada da terra, mitigada nas tetas de uma vaca ou nos ovos que se confirmavam com o mindinho estarem no cu da galinha. 

Era assim no tempo dos nossos pais e antes deles, dos seus e nossos avós. Por conseguinte de uns para os outros foi passando esta herança de poucos recursos incluindo os afectos. Não surpreende por isso que a muitos, a juntar à fome, miséria e trabalho duro, se somassem valentes coças, daquelas que enegreciam o corpo mas que, paradoxalmente, a dar forma ao ditado de que "o que não mata engorda", ajudavam a formar gente dura e resistente ou, como modernamente se diz, resiliente.

Decorre destas ideias de que no geral somos fruto do tempo e das condições dele em cada época da nossa história e sociedade. Uma macieira dá maçãs e uma oliveira azeitonas. É, se quisermos, a ordem natural das coisas e mesmo da natureza.

Pela parte que me toca e creio que dos meus, nunca houve fartura, daquela que mesmo hoje em dia qualquer classificado como pobre, dispõe e até esbanja se não for da sua medida e agrado, mas também nunca se passou fome, nem necessário foi andar descalço, roto e despido, mesmo que as roupas de uns se acomodassem a outros. E também nunca houve maus tratos e coças para além das que hoje em dia faltam por defeito para repor algum sentido de disciplina e responsabilidade. Os afectos esses eram expressos pela sopa com pão colocada na mesa, pela roupa lavada e remendada, por um brinquedo, mesmo que simples, num momento especial, pelo aconchegar a roupa na cama em dia de frio, pelo lugar ao lado da fogueira em noites de frio, pelo rato de chocolate pelo Natal, por uma amêndoa na Páscoa. O resto, abraços e beijinhos, esses eram interiores e não havia tempo para eles. Sentiam-se mutuamente numa centelha espiritual mas raramente física.

Quanto à mão estendida para rectificar a indisciplina, lá sabem agora os novos o que isso é? De resto ainda por estes dias foi notícia de que as autoridades apreenderam nas nossas escolas algumas dezenas de armas entre os alunos (e nestas coisas apenas uma pontinha do icebergue). Além disto, notícias de agressões, como ainda agora no Vimioso, e de alunos a professores, tornaram-se banais e inconsequentes. As escolas, convenhamos, são tudo menos exemplos de disciplina e boas maneiras e mesmo no que ao ensino diz respeito, basta atentar nos resultados, com serviços mínimos ou mesmo negativos. É o que é. Um burro nunca há-de ser cavalo.

Mas onde queria chegar? À questão da herança dos afectos. Se nesses tempos passados foi como resumi, e cada um terá a sua própria memória e experiência, no geral os que assim foram moldados e cresceram raramente são expansivos na  manifestação para com os seus. Não porque não os tenham ou sintam, mas porque os consideram como supérfluos ou mesmo inúteis. De resto os sentimentos na sua essência são invisíveis quanto mais profundos. Se um filho não chora ao lado do caixão de um pai ou mãe é porque a sua dor é interior daquela que dilacera por dentro. Ao contrário, sem qualquer ligação afectiva, é ver algumas carpideiras agarradas aos mortos ou aos vivos num choro e numa dor patéticas e desproporcionadas porque fingidas ou encenadas.

Os tempos mudaram e a avaliar pelo que se vai vendo, nomeadamente pelas redes sociais, parece que hoje em dia é que as pessoas sabem amar e ser carinhosas. É só paixão, amor e carinho, abraços e beijos a filhos, a amantes e namorados, juras de amor, algumas patéticas porque inconsequentes. Mas vive-se disto, destas aparências, e para mal dos nossos pecados no geral não passa de uma teatralização onde se espera que as plateias aplaudam demoradamente. É certo que não será por aqui que virá o mal ao mundo e nestas coisas é como a presunção e água-benta que cada um toma a que quer, mas o artifício, como o fogo dele, é sempre efêmero, mesmo que deslumbrante e colorido por uns lapsos de segundo.

Conselho Económico Paroquial - Nova equipa

Nas missas deste fim-de-semana, o nosso pároco Pe. António Jorge divulgou a composição do novo Conselho Económico Paroquial com mandato para o próximo quinqénio.


Presidente: Pe. António Jorge Correia de Oliveira

Secretária: Sara Patrícia Santos Conceição

Tesoureiro: Carlos dos Santos Almeida

Vogais:

Johnny Deivis Baptista de Almeida

Manuel Arménio Santos Moreira

Pedro Baptista Alves


Para além das responsabilidades correntes, face à necessidade de realização de obras, tanto na capela do Viso como na Igreja, e mesmo no salão paroquial, a euipa terá responsabilidades pela frente  pelo que desejamos votos de bom trabalho e colaboração mútua.

Quanto à qualidade e competência dos novos membros quanto às funções agora assumidas, será a sua acção a prová-las, mas, por princípio, creio que as têm.

Quanto à composição em abstracto, se me é permitida uma simples opinião, parece-me que seria importante e enriquecedor que dela, ou de qualquer outra similar, fizesse parte alguém mais velho, ou usando um moderno eufemismo, alguém senior, sobretudo experiente e conhecedor da matriz e de alguns dos valores identitários da nossa paróquia que foram cimentados ao longo de décadas. 

Em todo o caso, são sempre critérios e decisões que cabem apenas a quem tem essas responsabilidades. Importa é, no interesse geral, uma boa e transparente contabilidade e gestão dos dinheiros da paróquia de acordo com as necessidades correntes ou estruturais como obras de conservação e requalificação do nosso património paroquial.

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