23/05/2024

Ad perpetuam rei memoriam


Nesta vontade e gosto de por aqui partilhar coisas do nosso presente e passado comuns, fico sempre numa ambiguidade quanto à resposta em saber a quem tudo isto interessa. Aos da minha idade, alguns, aos mais velhos, poucos, aos mais novos, muitos? Aos mais velhos, que melhor identificarão certas coisas, determinadas memórias, ficará um gosto amargo e de saudade em recordar pessoas e tempos passados; aos mais novos, porventura, uma mera curiosidade a que provavelmente não darão valor, porque, por um lado alheios a coisas, pessoas e factos que não conheceram nem vivenciaram, e por outro lado também sem o bichinho da curiosidade e interesse em saberem e conhecerem o passado dos seus e da sua terra. E assim não sendo, o futuro será de esquecimento do passado.

Diz-se que só podemos gostar ou mesmo amar algo ou alguém se apenas deles tivermos um bom conhecimento. Ora sem a faísca do interesse e curiosidade em saber, pouco adiantará ao conhecimento.

Seja como for, do muito que com teias de aranha aqui partilho, é num sentido não de missão mas simplesmente de procurar registar e deixar indícios para memória futura, como que a dar sentido ao secular termo latino "ad perpetuam rei memoriam".

Neste contexto, sabendo que já tenho falado nisto, e as coisas vão sendo adiadas, mas de facto é minha intenção e propósito que parte destas coisas e outras mais, venham oportunamente a dar lugar a um livro de apontamentos monográficos. Está praticamente feito em termos de estrutura e conteúdo, mas falta concluir a parte de composição gráfica, para poupar algum gasto, e depois a publicação. Não sei quando será, mas vou dizendo que oportunamente, sobretudo se chegar a vontade necessária para concluir o que falta do processo, o que nem sempre é fácil porque muitas outras coisas se sobrepõem.

Posto isto e quanto a isto, é ir andando e esperando. Se não neste ano, porventura no próximo. Além do mais, há sempre novos (velhos) apontamentos a surgirem ou a merecerem actualizações.

Tal trabalho será, nem mais nem menos, uma forma clássica, em livro, de dar novamente sentido à locução "ad perpetuam rei memoriam". Pouco interesse terá no presente, mas talvez no futuro alguém lhe dê a devida importância, quem sabe em algum momento em que haja uma geração mais interessada no passado, raízes e origens dos seus e da sua terra. Quem sabe...

22/05/2024

Nota de falecimento

Soube há pouco, que terá falecido o Ti Alcino, Elísio Alcino Ferreira dos Santos, de Casaldaça - Guisande. Estava no hospital com problemas de saúde que o afectavam há algum tempo.

Ainda agora a comunidade lambe as feridas pelas partidas recentes da D. Margarida e da Rosário Giro, ontem sepultada, e novamente os sinos dobram tristes por mais esta partida. 

Tive-o sempre em elevada consideração pessoal e respeito e creio que era recíproca. Sempre alegre e bem disposto, embora nos último tempos, já amargurado por razões conhecidas e problemas de saúde que lhe retiravam essa sua alegria natural. Partiu agora!

Sentidos e profundos sentimentos aos familiares, de modo particular à filha, a Conceição, que com ele vivia e como um bom anjo dele cuidava.

Está agora em paz! Que o Senhor o acolha à sombra da Sua presença.

De momento desconhecem-se os pormenores do dia e horário das cerimónias fúnebres, que actualizaremos logo que conhecidos.

ACTUALIZAÇÃO:



Postal do dia - Partiu a Rosarinho


Não, não pretendo copiar a rubrica do jornalista Luís Osório, que bem melhor do que eu escreve, mas de quem nem sempre estou de acordo, porque também muito cingido a uma agenda politicamente correcta, mas porque postais do dia se deparam a qualquer um que tenha olhos e cabeça entre as orelhas. Olhar para o lado de pouco serve.

Ontem houve funeral em Guisande, com uma grande participação de que não tenho memória em tão grande número, senão o mais participado, seguramente  um deles, quer por uma boa parte da comunidade local, quer de gente vinda de fora.

E compreende-se o motivo: Dava-se sepultura a uma pessoa filha da terra, filha de boa gente e família, e que Deus permitiu que fosse praticamente a  meio de uma vida que se espera a um ser humano. Mas também sabemos que as contas de Deus, ou do destino para quem menos dado a esta amplitude da fé e crenças espirituais, não se fazem assim de forma académica, matemática, estatística. Todos sabemos que o mais comum é morrerem os mais velhos, mas pelo meio são muitos, e infelizmente cada vez com maior predominância, os que vão em idades jovens, na flor da vida, seja por acidente, porque cada vez mais nos expomos aos perigos, seja por doenças fatais, por  incidência genética mas em muito pelo modo de vida que levamos, pelo que comemos e bebemos, pelos medicamentos que ingerimos por tudo e por nada. 

Se é certo que já não se morre por causas que no passado eram comuns e frequentes, desde logo a falta de vacinas, cuidados médicos e hospitalares , ainda por má nutrição e condições deficientes de  higiene, a verdade é que tem vindo a aumentar a prevalência de mortes em idades consideradas jovens.

Seja como for, são contas e desfechos sempre imponderáveis e até que a ciência médica, já tão desenvolvida, chegue a um ponto de nos imortalizar ou prolongar a vida para além dos limites que consideramos actualmente como expectáveis, seremos sempre confrontados com mortes relativamente prematuras, como agora com a Maria do Rosário Giro, a Rosarinho para os mais chegados. Acontece a cada momento e em cada lugar, mas só damos conta do drama e profunda tristeza quando a fatalidade nos bate à porta, nos chega a casa, aos nossos, aos próximos, à comunidade.

Mas dizia, partiu a Rosarinho e às suas cerimónias fúnebres acorreram familiares, amigos e de um modo geral todos quanto tinham relações familiares, de amizade pessoal,  de mera relação comunitária ou até mesmo profissional ou de outras ligações. Concerteza que a maioria só conhecia a Rosarinho de forma circunstancial  e por conhecimento da sua relação com os demais familiares, desde logo o falecido pai, a mãe, os dois irmãos, o marido e a filha, e por isso ali estavam não tanto, a maior parte, pela homenagem pessoal a quem partiu mas em solidariedade para com quem cá ficou com a dor e a tristeza pela partida de um dos seus de sangue e de relação. É assim em todos os funerais e percebe-se.

De facto a Rosarinho, que naturalmente bem conhecia desde criança, e de um modo geral a freguesia, pelo rumo próprio que deu à sua vida pessoal, familiar e profissional, com certeza que  já não era uma pessoa de muita ligação à nossa paróquia nem foi dela participativa nos diferentes contextos. Todavia, era uma das nossas, e nestas coisas uma comunidade expressa-se sempre de forma sentida e comovida e a tristeza e pesar da família é também partilhada por cada um de nós. E quem passou por elas compreende o quanto é importante um abraço sentido, uma palavra de conforto e incentivo à coragem. 

É nisto que uma comunidade local e pequena como a de Guisande tem de positivo. Terá já sido mais solidária, é certo, mas mesmo com os desligamento dos novos tempos, felizmente, ainda tem muito de seu e por isso na hora de partida de um dos seus, sobretudo quando nestas idades e circunstâncias, une-se e partilha a mesma dor e tristeza. 

Assim, partilhei eu, e muitos dos presentes, um abraço sentido com o Rui Giro, de quem prezo ser amigo desde sempre, desde os 8 anos em que na escola primária partilhava comigo a sua caixa de 12 lápis de cor e depois no percurso e ligação que tivemos na Associação Cultural da Juventude de Guisande, no jornal, na rádio, no teatro, etc. E ainda depois na Associação “O Despertar”. 

Igualmente um abraço de conforto à D. Célia, a mãe, a professora, que não chegou a ser a minha, mas que também pela relação que tinha com o Rui, era naturalmente muito chegado e frequentava a casa com regularidade. Da D. Célia, todos reconhecemos as suas qualidades humana e pessoal e Guisande, freguesia e paróquia, é toda uma comunidade que lhe reconhece valor e prestígio ou não passassem por ela gerações a quem ensinou a ler, a escrever e a fazer contas, certamente que escolares mas também de vida. É doloroso a qualquer mãe ver partir um filho, uma filha, mas certamente que mesmo que com uma imensa dor e tristeza saberá ainda dar esta úlitma lição, a da coragem que sempre se reconhece a uma mãe.

Também um abraço ao Alexandre, sempre bem disposto e positivo, apaixonado pelas pombas e que numa certa analogia vê agora uma pomba próxima partir para mais não regressar ao pombal da casa, à família. Ambos, mãe e irmãos, com certeza que terão a Rosarinho bem viva nos seus corações e nas suas memórias.

Do marido Paulo e da filha Leonor, naturalmente que só conhecidos de vista, mas neste momento de perda e dor, certamente que a esposa e mãe permanecerá viva e contarão com a família para de algum modo mitigar a perda e a dor. O tempo tudo cura, mas leva tempo, mas será sempre um desafio encontrar na tristeza e vazio algo que ajude a superar. É aqui que entra a fé e a esperança. Creio que ambos, a família, serão capazes de encontrar esse lenitivo.

Na missa de corpo-presente, celebrada pelo Pe. Benjamim e acompanhado pelo nosso pároco Pe. António, as palavras e a homilia do Pe. Benjamim foram sempre motivo de reflexão e emoção, porque com o seu peculiar estilo, fala de coração e recorrendo a testemunhos de muita gente que em circunstâncias parecidas, também viu partir e que acompanhou nos últimos tempos de vida. Emociona, faz soltar as lágrimas de comoção mas conforta e reconforta.

Bem sabemos que mesmo nestes casos, há sempre uma tendência do elogio fúnebre, fácil, por vezes aqui e ali com uma pontinha de exagero ou sobrevalorização das virtudes de quem se sepulta, mas é perfeitamente compreensível e de algum modo positivo se for num sentido de chamar aos presentes a importância que devemos dar às nossas vidas e da relatividade das mesmas, por isso a ter em conta o desfecho que a todos está por natureza destinado e como tal importará valorizar cada vez mais as coisas boas, as pessoas, as nossas relações humanas com vista à preparação do destino que a todos espera. 

Com mais ou menos fé no que será o nosso destino depois da morte, é sempre bom e enriquecedor que enquanto por cá andarmos o façamos como se cada dia fosse o último e que no fim de contas, a nossa imortalidade permanecerá para quem quem cá fica, apenas pela memória e mérito do bem que formos capazes de fazer, quer a cada um de nós quer ao próximo ou à comunidade. 

Dos fracos não reza a história e quem por cá passa de forma fútil e negativa, poderá ser lembrado por algum tempo, por poucos,  mesmo que com despeito, mas dificilmente será lembrado e evocado para sempre e por todos. Facilmente cairá no esquecimento e permanecerá por todo o sempre sob a poeira do tempo.

Está em paz a Rosarinho e permanecerá viva entre a comunidade e seguramente entre os seus.

20/05/2024

Moinhos de Jancido - Sonho e realidade


Porque já visitei e caminhei pelo local, e apreciei o resultado e a beleza do local, de vez em quando lá vou acompanhando o trabalho voluntário, altruísta e dedicado dos amigos dos moinhos de Jancido - Foz do Sousa – Gondomar. Recuperação dos moinhos, limpeza dos trilhos e matas envolventes, controlo de espécies florestais e fluviais invasivas, colocação de ninhos, plantação de espécies autóctones, como o castanheiro, carvalho, medronheiro,  etc, etc. 

É notável em todos os sentidos o esforço e amor à causa daquele grupo de pessoas, e que tem rendido frutos no que se refere a projecção turística do local e reconhecimento,  e como comparação penso em inúmeros sítios em que seria possível recuperar e entregar à fruição, até mesmo em Guisande. Apesar disso, creio que não passa de um sonho. 

Aqui há uns anos, quando funcionava em pleno a Associação Cultural da Juventude de Guisande, ainda realizamos umas acções de limpeza na ribeira da Mota, perante a incúria e desleixo de pessoas e autoridades, e havia uma vontade de fazer mais coisas, incluindo o manter limpo e transitável um trilho à face da ribeira da Mota.

Infelizmente os apoios oficiais eram inexistentes e num período de transição de gerações na Associação, a coisa não passou dali. Depois de mais uma geração e sem renovação, os afazeres e compromissos sociais, profissionais e familares e  hoje em dia e desde há muito tempo a colectividade está mesmo parada.

Dizia atrás que o replicar por aqui do que tem sido feito em Jancido, é mesmo uma utopia porque não sinto na juventude actual nem tempo nem vontade para estas coisas e mesmo nos mais velhos, como acontece em Jancido, sinto um desligamento, uma erosão do sentido de orgulho comunitário e identitário e já pouco ou nada se faz de forma colectiva e isso percebe-se mesmo na dificuldade de organização de eventos como uma Festa do Viso ou de cariz religioso, etc..

Noutros tempos, havia esse sentido comunitário e de entreajuda, mas isso é passado. 

Apesar disso, quando vejo certos entusiasmos à volta de outras coisas, mesmo que numa perspectiva de lazer, é fácil perceber que se tal entusiasmo e dedicação fosse voltado para outras causas mais comunitárias e não tanto individualistas ou de grupos, ainda seria possível fazer coisas interessantes. 

Mas, francamente, talvez pelo pessimismo próprio da idade e de quem já viu melhores tempos no que à comunidade diz respeito, face ao panorama actual, parece-me mesmo uma dificuldade intransponível. De resto, com a reforma administrativa e a extinção da Junta  e freguesia, foi a machadada final. Por mais vontade que uma qualquer Junta de União de Freguesias demonstre, nunca será a mesma coisa até porque é inevitável a perda de proximidade. A reversão poderá ainda vir a tempo de recuperar alguma coisa do que perdido tem sido, mas sinceramente não estou nada optimista e nem sei se o actual Governo irá dar andamento aos processos encalhados em S. Bento. Mas ver para crer.

Para já fica o bom exemplo da boa malta de Jancido.





Nota de falecimento

 


Foi com enorme pesar que tomei conhecimento do falecimento da Maria do Rosário (a Rosarinho), filha da Prof. Célia Azevedo e irmã do Dr. Rui Giro e do Eng.º Alexandre Giro.

Pormenores das cerimónias fúnebres (que serão aqui em Guisande) na pagela acima. Irá a sepultar no cemitério local em jazigo de família.

Nesta hora de sentimento de perda e consternação, ficam aqui os meus sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular à sua mãe, irmãos, marido e filha. Que descanse em paz!

15/05/2024

Nota de falecimento

 


Sentidos sentimentos a todos os seus familiares, de modo particular ao filho Rufino e aos seus netos Marco e Diana.

Que descanse em paz!


Alguns dados biográficos: Maria Margarida da Silva  nasceu a 18 de Janeiro de 1939.

Era viúva de António Ferreira Pinto e Fontes.

Filha de Inácio José da Silva e de Laurinda Leite Resende.

Neta paterna de António José da Silva e de Ana Joaquina de Jesus.

Neta materna de Manuel Leite de Oliveira e de Bernardina Rosa de Jesus.

13/05/2024

Pormenor do terço de Nossa Senhora do Rosário

 


Pormenor do rosário que faz parte da imagem de Nossa Senhora do Rosário, da nossa igreja matriz, invocação do uma secular confraria e irmandade que existe desde 1733, perto de completar 300 anos.

09/05/2024

Nota de falecimento

 

Carlos Alberto de Oliveira Santos, nasceu a 17 de Março de 1959. Faleceu com 65 anos.

Filho de António Ferreira dos Santos (Tono do Venâncio) e de Maria Adelaide Rosa de Oliveira.

Neto paterno de José Ferreira dos Santos e de Maria da Conceição Ferreira da Silva. Neto materno de Elísio de Oliveira Cadete e de Guilhermina Rosa de Oliveira.

Com os pais viveu em Angola e regressou depois do 25 de Abril de 1974 onde viveram em Casaldaça durante algum pouco tempo, mudando-se depois para a Corga de Lobão, tendo casao depois em Fiães onde viveu. À data vivia em Santa Maria da Feira..

Sentidos sentimentos aos familiares. Descanse em paz!

10 anos sobre a benção da imagem de Nossa Senhora do Rosário



Passam neste dia 9 de Maio, 10 anos sobre a benção da réplica da imagem de Nossa Senhora do Rosário. Foi, pois, em 9 de Maio de 2014, numa sexta-feira, na missa que antecedeu a Procissão das velas. 

A imagem foi mandada fazer a um mestre santeiro, por iniciativa do Grupo de Leitores da Paróquia, com angariação de fundos em que participou a generalidade da comunidade.

Esta escultura foi colocada  provisoriamente junto ao altar do Mártir S. Sebastião,  e com a intenção de ser usada em procissões de modo a preservar a imagem antiga e centenária. Seria de fazer um nicho próprio.

Como réplica que é, a nova imagem tem as principais características e semelhanças da imagem original, tendo aproximadamente o mesmo tamanho, mas mais pequena. A principal diferença é o facto do vestido do Menino Jesus ser esculpido enquanto que na imagem original o vestido é feito de tecido. Mesmo o rosário que pende da mão de Nossa Senhora tem muitas semelhanças com o original, nomeadamente no adorno em tecido de fio de ouro e no crucifixo. O rosto de Maria é mais jovem e mais sorridente comparativamente à imagem original, menos expressiva.

Contas da campanha:

Receitas:

- Venda de rifas para sorteio: 1.000,00 euros

- Tasquinha de comes-e-bebes, em Junho de 2013: 326,63 euros

- Cantar das Janeiras: 575,62 euros

- Donativos particulares: 240,37 euros

Total de receitas: 2.142,62 euros

Despesas:

- Aquisição da imagem de Nossa Senhora  e respectivo rosário: 1.800,00 euros

- Saldo (Positivo): 342,62 euros

08/05/2024

Mortalidade noutros tempos em Guisande


Hoje em dia a mortalidade infantil em Portugal, como nos países mais ou menos desenvolvidos, é baixa quando comparada com anos passados e naturalmente com um acréscimo das taxas quanto mais recuamos no tempo. 

Em 2023, de acordo com dados da Pordata, em Portugal por cada mil nascimentos a média de falecimentos foi de 2,5.

Recuando a 1974, quando se deu o fim da ditadura a taxa estava em 37,9. Continuando a recuar, em 1960 estava em 77,5. E recuando ainda mais, a taxa era ainda mais elevada.

As razões para os actuais valores são óbvias e sobretudo decorrem do desenvolvimentos da ciência média, medicamentos, vacinas, da rede de cuidados primários de higiene e saúde, respectivos tratamentos, e, naturalmente, o alargamento da rede de estabelecimentos de saúde dos primários aos centros hospitalares.

Por conseguinte, noutros tempos, era elevado o número de mortes de menores, alguns durante o parto e outros nos primeiros dias, meses ou anos de vida.

Consultando velhos assentos paroquiais dos óbitos, mesmo de Guisande,  impressiona de facto a proporção de mortes de crianças. Até mesmo de pessoas já adultas mas de baixas idades, na casa dos vinte ou trinta anos.

Como um exemplo da moralidade em Guisande:

Em 1844 faleceram 16 pessoas: Homens 5; Mulheres 4, Meninos 4; Meninas 3.

Em 1846: Total 12. Homens 3; Mulheres 7, Meninos 0; Meninas 2.

Em 1847: Total: 15. Homens 4; Mulheres 1, Meninos 7; Meninas 3.

Em 1848: Total: 13. Homens 3; Mulheres 5, Meninos 4; Meninas 1.

Em 1849: Toal: 10. Homens 2; Mulheres 4, Meninos 2; Meninas 2.

Em 1850: Total: 12. Homens 0; Mulheres 5, Meninos 5; Meninas 2.

Em 1851: Total:12. Homens 4; Mulheres 3, Meninos 3; Meninas 2.

Em 1852: Total: 3. Homens 0; Mulheres 1, Meninos 0; Meninas 2.

Em 1853: Total: 7. Homens 1; Mulheres 2, Meninos 2; Meninas 2.

Em 1854: Total: 8. Homens 3; Mulheres 1, Meninos 3; Meninas 1.

Em 1855: Total: 16. Homens 7; Mulheres 5, Meninos 3; Meninas 1.

Em 1856: Total: 22. Homens: 6; Mulheres: 8; Meninos: 3; Meninas: 5.

Em 1857: Total: 15. Homens 6; Mulheres 5, Meninos 4; Meninas 0.

Em 1858: Total: 6. Homens 3; Mulheres 3, Meninos 0; Meninas 0.

Em 1859: Total: 5. Homens 1; Mulheres 2, Meninos 0; Meninas 2.

Em 1861 faleceram um total de 9 pessoas.

Em 1862 faleceram um total de 11 pessoas.

Em 1865 faleceram um total de 9 pessoas.

Em 1866 faleceram um total de 7 pessoas.

Em 1867 faleceram um total de 7 pessoas:

Em 1868 faleceram um total de 16 pessoas.

Em 1869 faleceram um total de 12 pessoas.

Em 1870 faleceram um total de 11 pessoas.

Em 1871 faleceram um total de 18 pessoas.

Em 1872 faleceram um total de 5 pessoas.

Em 1873 faleceram um total de 9 pessoas.

Em 1874 faleceram um total de 18 pessoas.

Em 1875 faleceram um total de 7 pessoas.

Em 1876 faleceram um total de 10 pessoas.

Em 1877 faleceram um total de 12 pessoas.

Em 1878 faleceram um total de 10 pessoas.

Em 1879 faleceram um total de 10 pessoas.

Em 1880 faleceram um total de 12 pessoas.

Em 1890 faleceram um total de 12 pessoas.

Em 1894 faleceram um total de 9 pessoas.

Em 1895 faleceram um total de 16 pessoas.

Em 1900 faleceram um total de 7 pessoas.

Em 1910 faleceram um total de 7 pessoas.

É certo que, como se percebe pelos números acima, havia variação de ano para ano, mas na maior parte dos anos é significativo o número de menores falecidos quando comparado com os tempos actuais.

Morria-se basicamente por falta de cuidados médicos e por isso muitas doenças que agora são relativamente fáceis de debelar, noutros tempos eram fatais. Os assentos paroquiais raramente referem a causa da morte e algumas poucas vezes com a designação genérica de "moléstia" ou "maleita" mas sabe-se que havia doenças determinantes como a bronquite, pneumonias, diversos tipos de febre e outras epidemias. 

Pela falta de estabelecimentos hospitalares ou similares, e mesmo de médicos, a regra era as mulheres darem à luz em casa, tantas vezes sem o devido acompanhamento, e apenas, nem sempre, por parteira mais ou menos expedita e conhecida no meio. Escusado será dizer que a gestação também não tinha qualquer tipo de acompanhamento. 

Finalmente, o que ajudava ao problema, não existiam regras e métodos anti-concepcionais e por isso era comum as mulheres gerarem uma carrada de filhos, uns a seguir aos outros, tantos quantos a natureza permitisse.

ANÁLISE DOS NÚMEROS:

Entre os anos de 1844 e 1910, os registos de mortalidade revelam a evolução das condições de vida e saúde da nossa comunidade ao longo de mais de seis décadas. Estes dados mostram não apenas as flutuações anuais no número de falecimentos, mas também as mudanças sociais e sanitárias que marcaram o século XIX e o início do século XX.

O período abrange 37 anos com números registados, variando entre um mínimo de três e um máximo de vinte e duas mortes anuais, com uma média aproximada de onze falecimentos por ano. Nos primeiros anos (1844 a 1859), os registos são mais detalhados, estando incluída a distinção entre homens, mulheres, meninos e meninas. Essa informação permite observar que, nesse intervalo, ocorreram 181 mortes: 54 homens, 57 mulheres, 40 meninos e 30 meninas. A mortalidade era, portanto, equilibrada entre adultos do sexo masculino e feminino, mas quase 40% das mortes correspondiam a crianças, um valor muito elevado que reflete a vulnerabilidade infantil da época e as condições sanitárias precárias a que a nossa freguesia não era imune.

Entre 1844 e 1859, a mortalidade foi irregular e elevada, com grandes variações de ano para ano. Os picos de 1855 e 1856, com 16 e 22 falecimentos respetivamente, coincidem com as epidemias de cólera que afectaram Portugal e outras partes da Europa. Estes anos registam o ponto mais alto de mortalidade da série, sugerindo um impacto epidémico local severo. Outros aumentos expressivos ocorreram em 1847 e 1848, possivelmente relacionados a doenças infecciosas sazonais. Após 1856, nota-se uma ligeira diminuição, embora os números permaneçam superiores a 10 mortes por ano.

Entre 1860 e 1879, os dados mostram uma estabilização em torno dos nove a doze falecimentos anuais. Ainda surgem anos com valores mais altos, como 1868 (dezasseis mortes) e 1871 e 1874 (dezoito mortes cada), que podem indicar novos surtos epidémicos ou crises alimentares. No entanto, em comparação com as décadas anteriores, a variação é menor, e a mortalidade parece ter-se tornado mais previsível.

A partir de 1880 e até ao início do século XX, a mortalidade mantém-se em níveis baixos e relativamente constantes. Os registos de 1880, 1890, 1895, 1900 e 1910 indicam entre sete e doze mortes por ano, um contraste notável com os valores das décadas anteriores. Esta estabilização sugere melhorias nas condições de higiene, no acesso a cuidados médicos e na alimentação, acompanhando o progresso social e tecnológico do final do século XIX. O desaparecimento de grandes picos epidémicos é um dos sinais mais evidentes dessa transformação.

A evolução geral aponta para três fases distintas. A primeira, entre 1844 e 1859, caracteriza-se por alta mortalidade e forte instabilidade, com crises provocadas por epidemias e más condições sanitárias. A segunda, de 1860 a 1879, representa um período de transição, ainda sujeito a oscilações mas com tendência à estabilidade. A terceira, de 1880 a 1910, marca uma redução clara da mortalidade e o início de uma era de maior segurança sanitária e social.

Em síntese, os dados mostram uma comunidade que atravessa um processo de transformação profunda. No início do período, a mortalidade é elevada e irregular, com grande peso da mortalidade infantil e das doenças infecciosas. Nas décadas seguintes, verifica-se um declínio sustentado dos óbitos e um aumento da regularidade anual, resultado de melhorias na saúde pública e nas condições de vida. Ao chegar a 1910, o número de falecimentos anuais é menos de metade do registado em meados do século XIX, refletindo um avanço significativo no bem-estar da população.

Passeio do Centro Social - 18 de Maio de 2024

 


06/05/2024

Guisande: Ontem e hoje - Grupo privado no Facebook

 GUISANDE: ONTEM E HOJE - Grupo Facebook.

Considerando que a rede social Facebook está infestada de publicidade e promoções, de sugestões de páginas pouco sugestivas e de excesso de banalidades, replicações de fakes e lugares comuns, com o comercialismo a ter um grande peso, e sem grandes ferramentas de controlo eficaz de conteudos e privacidade, decidi criar um grupo de carácter privado no qual, entre assuntos com carácter mais pessoal, como  partilha de poesia, textos de ficção, opinião e reflexão, será dada primazia à partilha e publicação de conteúdos relacionados com a nossa comunidade de Guisande, nos seus aspectos históricos, paroquiais, sociais e culturais. 

O grupo tem o nome de GUISANDE: ONTEM E HOJE.

Por conseguinte, numa perspectiva mesmo que de poucos mas bons e interessados, quem de facto tiver algum e verdadeiro interesse pela sua e nossa freguesia, por suas coisas de ontem, do passado, e de hoje, do presente, deve aceder à página do grupo e solicitar a adesão. Em princípio destina-se apenas a pessoas de Guisande ou, não sendo, com ligações notórias à freguesia ou por mim conhecidos pessoalmente e que considere que representam uma mais valia ao grupo até pela sua relevância pública e de cidadania. 

Sendo um grupo privado, só os membros podem ver quem faz parte do grupo e o que nele é publicado.

Os membros poderão partilhar, publicar e discutir,  mas para alguma verificação do cumprimento das regras e pressupostos do grupo e seus objectivos, ficarão sujeitos a prévia moderação, como é norma em qualquer grupo.

São bem-vindos os guisandenses que tiverem interesse nas coisas da sua terra e nos pressupostos do grupo. 

Para já as regras são poucas e objectivas mesmo que posteriormente possam vir a ser ajustadas:


1 - Aberto preferencialmente a guisandenses ou com ligações notórias à freguesia.

2 - Interesse pelas coisas relacionadas à freguesia de Guisande, do seu passado e presente.

3 - Publicação e discussão de assuntos relacionados e do interesse da freguesia e paróquia.

4 - Cordialidade e respeito mútuos  pela diferença e privacidade de cada um dos elementos.

5 - Sem promoções ou publicidade de negócios ou de natureza fora do contexto do grupo.

6 - Reserva de admissão ou de moderação de membros e assuntos.

Notas finais: Importa ter em consideração que no Grupo pretende-se garantir em eventuais discussões o respeito por tudo e todos, pela diferença de opinião e posicionamento social. Situações contundentes, despropositadas, descontextualizadas e sem respeito pela cordialidade poderá ser removidas assim como os autores. Quem não tiver estes propósitos por princípio agradeço que não peçam a adesão. É um favor que fazem!

[Link para o Grupo]

Estradas deterioradas - Obras no cemitério


Bem sei que as coisas demoram tempo e custam dinheiro e nem sempre estes dois factores são conciliáveis, mas a verdade é que neste momento temos na nossa freguesia de Guisande algumas estradas muito deterioradas. 

A Rua de Trás-os-Lagos, depois de alguns concertos, continua com buracos e depressões nas zonas onde houve intervenção de redes de água e esgostos bem como no entroncamento com a Rua Nossa Senhora de Fátima. 

Por sua vez, a Rua da Zona Industrial, nomeadamente no troço do lado norte, está quase intransitável tantos são os buracos, remendos e irregularidades. Até caminhar ou correr por ali é um desafio e um perigo.

A juntar a estas situações, os remendos que nunca foram remendados pela Indáqua, a qual parece gozar de uma impunidade injustificada,  a ponto de os rasgos e aberturas das intervenções a seu mando nunca serem devidamente finalizadas- Há buracos e depressões em vários locais e ruas.

Há ainda sinalização a precisar de retoques e espelhos a necessitarem de serem ajustados na sua orientação, nomeadamente nos entrocamentos da Rua da Fonte com a Rua Cónego Ferreira Pinto, em Casaldaça, e com a Rua das Quintães.

Importa que o poder local tenha em conta e atenção estas situações  de forma tão urgente quanto possível.


Entretanto, como já antes havíamos dado aqui conta, continuam a decorer no cemitério as obras de construção de sepulturas e drenagem de águas.




"O Despertar" - 50 anos de memória

 

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