12/09/2022

Pe. Alexandre Moreira - Pároco de Sandim, Lobão e Vila Maior

 


Tomou já posse das paróquias de Santa Maria de Sandim, S. Tiago de Lobão e S. Mamede de Vila Maior, o jovem Pe. Alexandre Manuel Teixeira Moreira, que havia sido nomeado pelo Bispo do Porto.

O novo pároco  tem 26 anos e é natural da freguesia de Cabeça Santa, município de Penafiel. Estudou no Seminário Maior da Diocese do Porto. Foi ordenado em 10 de Julho deste ano de 2022.

A sua missão não é fácil pois são três paróquias, duas delas bastante populosas, mas certamente que a sua juventude o ajudará a levar a bom porto as suas funções.

Votos de bom trabalho pastoral e que as respectivas comunidades saibam ser merecedoras do privilégio de receberem um jovem sacerdote. Por sua vez que o padre saiba compreender as necessidades das paróquias, no respeito e valorização das suas melhores tradições e práticas, e que saiba ser pastor interessado a reunir as ovelhas e não factor de as dispersar. Que o Senhor o ajude!

À pergunta do serviço de média da Diocese, do que é para si ser padre na actualidade, o jovem sacerdote respondeu:

Servir a Igreja no ministério ordenado, nos dias correntes, passará por ser testemunho fiel e oblativo de um amor que se faz tudo para todos, de um amor que brota de um enamoramento primeiro e de um crescimento fecundo que encontra em Cristo Jesus a sua verdadeira e absoluta expressão. A alegria de ser padre manifestar-se-á seguramente por viver a vida com o olhar atento aos sinais dos tempos, sempre numa dinâmica de discernimento pessoal e comunitário e, a partir daí, em ter a ousadia de ser farol e guia, ministro e profeta, pastor e servo de comunhão. Sinodalmente, a vivência presbiteral pautar-se-á mais pela escuta que pela palavra, mais pelo discernimento que pela ação, mais pelo ser e estar que pelo parecer e ter. Na celebração da fé cristã, caberá ao padre, na pessoa de Cristo, ser sacramento e fermento de unidade do povo de Deus. Nesta Igreja a que pertencemos, em que esperamos e à qual amamos, o padre sente-se sempre chamado a ser um fiel discípulo de Cristo que fala coração ao coração. Dar de graça o que de graça se recebe será sempre o ponto primeiro para viver a vocação ministerial ordenada de uma forma plena, sincera, fiel. Na feliz fidelidade a Cristo, o padre será a certeza de que Deus, por Cristo, habita o coração, a vida, cada um de nós.

[foto: averdade.com]

Lua



A noite era um breu, denso, fechado,

O caminho mal se via.

Subia a lua, linda, astro iluminado,

E logo a luz se acendia.

A caminho de casa, seguia o lavrador,

Com a lua como farol,

E do frio da noite sentia agora um calor,

Porque a lua já era sol.

Aceleras

Há umas semanas atrás, seguia com a patroa numa estrada nacional no centro do país. Pouco depois surgia de trás um grupo de meia dúzia de motards. Rápidamente foram ultrapassando, sempre em desrespeito pelas elementares regras de trânsito. Um deles colocou-se na minha frente e a estrada tinha linha contínua dupla. Em jeito de desafio disse á companheira de viagem: - Vamos ver quanto tempo demora a transgredir. Ainda não tinha acabado a frase e já o motard ultrapassava o veículo à sua frente, "cagando" literalmente nas duas linhas contínuas.

Eu, que até tenho alguns como amigos, sei que nem todos os ditos motards são assim, mas, vá lá, optimistamente, em 10, 8 serão incumpridores reiterados e quando andam em grupos, para não se separarem, se um desrespeita, os outros seguem o exemplo. Se cada episódio de testemunho de desrepeito por parte de motards me rendesse 5 euros, já tinha a reforma assegurada

Ainda ontem, no lugar da Gândara, quando iniciava uma volta de bicicleta, passaram três motards em alta velocidade, que estimei em pelo menos 100 Km hora, numa estrada de localidade em que já ocorreram vários acidentes e, tragicamente, pelo menos um mortal. Ainda há poucos dias ali nesse local ocorreu mais um acidente.

É de facto um absurdo a forma ligeira e irresponsável com que muitos condutores, não só de motos, obviamente, conduzem,  todos armados em pilotos de fórmula 1 e miguéis oliveiras. 

E se há zonas em que parece que o limite é baixo face à qualidade das estradas, há locais em que de facto se justifica, desde logo no interior de povoações.

Posto isto, este número avançado pelo JN parece curto. Se a coisa não vai lá com civismo no cumprimento das regras e bom senso, alguns só mesmo com pesadas multas, pelo que os radares são mais que justificados. Alguns mereciam um radar em cada curva.

Todos nós, uma vez ou outra, temos os nossos incumprimentos e excedemos o peso do pé no acelerador, o que já é mau, mas convenhamos que no geral o desrespeito é grande e reiterado, colocando-se os próprios em risco bem como aos outros, e tantas vezes quem caminha ou circula de forma conscienciosa e respeitadora.

A segurança na estrada não é brincadeira, embora para muitos pareça.

Bizarro


...E o Manuel Pizarro, que nestas coisas do Facebook não me tem como amigo nem eu o tenho como tal, aparece-me por cá, na minha página pessoal, descontraído, sorridente, com ar de quem foi meu colega da primária ou meu companheiro da comunhão solene.

Ainda por cima ao lado de uma pilha de livros que diz ter comprado na Feira deles, em Lisboa.

Bem sei que que o Dr. Pizarro é doutor, embora, em boa verdade, o ditado diga que um burro carregado de livros também o é.

Longe de mim dizer que o novo ministro da nossa Saúde é burro. De resto não o conheço tanto assim, para além de o ouvir ser falado como crónico interveniente nas lutas pela presidência da Câmara Municipal do Porto.

De resto deve ser uma figura inteligente e sobretudo destemida, para aceitar substituir a Temido.

A talhe de foice, não tenho, como alguns, uma opinião maternalista do que fez ou deixou de fazer a D.ra Marta, e fizesse o que fizesse, fê-lo no dever do ofício e foi paga a propósito. Para além de aguentar com a onda da pandemia, o que não foi pouco, de concreto, pela Saúde, pelas suas reformas e estruturação, pouco ou nada fez, e deixa um SNS como um barquito de papel a afundar-se. Os políticos, por mais competentes e sérios que sejam (e não são muitos), como a Dr.ª Marta temido, têm sempre este problema, o de serem descortinados não pelas suas competências e méritos, mas pelos olhos inquistórios de quem leva a ideologia para lá do exercício democrático e nela as competências passam a incompetências e as pequenas falhas a erros crassos. D resto, as trincheiras ideológicas têm sido o nosso principal entrave à necessidade das nossas reformas. E vamos continuando entrincheirados. 

Assim sendo, retomando o Dr. Pizarro, desejo bom trabalho ao novo ministro, o que não será fácil com o SNS de pantanas.

Quanto ao essencial, o motivo de me aparecer por cá esta figura, o Facebook é manipulador e sabe usar marionetas e dá-nos este teatro, de borla, como sugestão, diz. 

Obrigado Facebook, mas quanto a seguir políticos e figuras públicas eu gosto de seguir os meus instintos e gostos. Dispenso, pois, sugestões destas. Prefiro o Manel da Esquina e o Zé da Micas aos Drs. Pizarros, aos Ronaldos, aos Gouchas, Cristinas e outros que tais. Todos juntos não valem um Zé da Micas.

Ademais o Dr. Pizarro se levar a sua nova função a sério não terá muito tempo para perder tempo com redes sociais, até porque a assistência é implacável a criticar e a julgar. Que o diga o Taremi, que tem sido crucificado, só porque recorrentemente confunde o azul da piscina com o verde da relva. E isto do futebol, bem vistas as coisas, não passa de lana caprina.

Ora o Dr. Pizarro deve querer aguentar pelo menos até ao fim da legislatura. Depois, quem sabe poderá voltar a tentar a Câmara do Porto e o assalto aos Aliados.

11/09/2022

Caminho

 Olha, lá em baixo, a curva do caminho!

Desce, tranquilo, sem receio,

angústia ou dor.

Ademais, tens que ser tu, sozinho,

Com orgulho, de peito cheio,

Pleno de amor.


Não há prova, competição, nem meta!

Só o destino conta, afinal, 

Sereno assim.

Caminha sempre, firme, pela certa,

E não haverá dor ou mal,

Somente o fim.





Centro Social - Passeio

Está a decorrer no dia de hoje o passeio convívio promovido pelo Centro Social S. Mamede de Guisande. 

Valença, Monção, Melgaço e Senhora da Peneda são alguns dos locais a visitar pelos guisandenses, incluindo aqueles que são associados do Centro.

Que tudo corra pelo melhor!.

10/09/2022

Gente nossa - Estudantes

A Inês Bastos está quase médica;  A Beatriz vai-nos ensinar a comer coisas boas e saudáveis (Luís, adeus a queijos, enchidos e fumeiro); 

A Gabriela talvez nos venha ajudar a tratar dos nossos pequenos crimes (porque os grandes, esses passam em claro). Pinto, põe-te a pau!

Assim mesmo. É com estas e com outras, aos vermos os amigos e filhos e filhas destes, e os nossos próprios, a serem homens e mulheres, que damos conta que os 60 já estão ali ao virar da esquina.

Parabéns aos actuais e novos estudantes! Precisamos de vós para nos tratarem da saúde, a do corpo, porque a da alma já não tem remédio.

É continuar e começar para acabar. 3, 4 ou 5 anos é um piscar de olhos.

Boa sorte a quem está e a quem vai começar! Guisande quer e precisa de boa gente e de sangue novo.

09/09/2022

Trotinetas e Trotitretas

Segundo o Decreto-Lei nº 102-B/2020, em vigor desde o início de 2021, que pretende regulamentar o uso das trotinetas eléctricas, estas enquadram-se na categoria dos velocípedes. 

São veículos com duas ou mais rodas, cujo motor (se existir) é acionado pelo esforço do próprio condutor. Devem ter uma potência máxima contínua de 0,25 kW, ou seja, não podem exceder a velocidade máxima de 25 km/h.

O Decreto diz ainda que "são proibidos os comportamentos que representam perigo para a circulação, como manobras indevidas. As mãos devem estar sempre no guiador, exceto no caso de assinalar manobras. A condução sob o efeito de álcool também deve ser evitada, e os agentes de autoridade podem requisitar fazer-se um teste de alcoolemia.

Devem circular apenas nas ciclovias, ou pistas mistas. Podem transitar nas vias de trânsito, do lado direito pela direita e sem perturbar o trânsito, mantendo uma distância suficiente dos passeios ou bermas. Os passeios são para evitar - com a exceção das trotinetes sem motor - salvo se o condutor levar a trotinete pela mão, sem a conduzir.

Pode circular paralelamente, mas não em par, até duas trotinetes eléctricas, excepto em casos de fraca visibilidade ou sempre que exista intensidade de trânsito. Assim, evitam-se bloqueios ou situações de perigo."

Estas e outras regras expressas pelo dito cujo Decreto, são importantes quando cumpridas, de resto como qualquer lei. Mas no essencial, do que se tem visto é uma anarquia e mesmo situações de abuso e perigo.

Ainda um destes dias, descia eu de bicicleta pela Estrada Nacional 326, de Escariz para Cabeçais, a cerca de 40 Km hora, com o meu capecete e com o meu seguro de responsabilidade civil. Pois bem, de repente fui ultrapassado por um jovem numa trotineta, sem capacete, seguramente a mais de 50 Km hora e de seguida vi-o a ultrapassar um carro quase em zona de curva.

Porventura era uma benção que se esbardalhasse à frente para aprender que aquilo não se faz e é contra todas as regras, incluindo a do bom senso. Felizmente, não! Mas se sim e na ultrapassagem e no acidente provocasse danos a terceiros? Quem seria o responsável e de que modo pagaria?

Mas estas são perguntas difíceis e nem vale a pena perguntar. Asneira minha.

Entretanto, informa-se que em Guisande já é possível usar trotinetas e bicicletas eléctricas. É verdade! Desde que as comprem, claro!

08/09/2022

Centro Cívico - 8 anos


Parecendo que foi ontem, na realidade foi em Setembro de 2014 que tiveram início as obras de construção do Centro Cívico, com requalificação e aproveitamento do edifício da Escola Primária do Viso. Passam, pois, 8 anos.

Infelizmente, apesar das obras estarem concluídas há bastante tempo, resultando num edifício com capacidades e condições que aos guisandenses deve orgulhar, continua ainda a depender de decisões políticas para funcionar em pleno e prosseguir os seus objectivos. 

Mudanças de governos, mudança de políticos, de políticas e de prioridades, vão fazendo este país funcionar em permanente estado de indecisão, em suspense, e no caso, em incumprimento com palavras e acordos, mas bem sabemos que a palavra tem pouco ou mesmo nenhum valor para os políticos e políticas. 

Louve-se o esforço e dedicação da Direcção, que se aguenta num barco a remar contra mares e marés, mas quando as grandes e fundamentais decisões dependem de políticos e dos seus estados de humor, tudo fica mais difícil. 

A bonança não se antevê.

Há sempre portas a fechar e as chaves gostam de chaveiros.

07/09/2022

Tudo e nada


Em tudo o que toco, reluz,

O brilho da saudade passada.

Será esta, em bem, a minha cruz:

O ter tudo sem, por mal, ter nada?

A vida em papéis




Quando temos algum tempo livre, mesmo que já no queimar dos últimos cartuchos de uma pausa no trabalho, designado por muitos, de férias, há a tentação de deitar mãos à obra e mexer em velhas papeladas, dando o devido destaque a umas, organizando outras e queimando outras mais. 

Com esta minha velha mania de guardar caixas e embalagens e outros papéis (e ainda bem, porque à conta disso tenho cadernetas de cromos dos anos 70 a valerem 500 e mais euros, e cromos a valerem 5 euros por unidade), às tantas damos de caras com a box do telemóvel Nokia 6600, da máquina fotográfica Sony DSC-P71, do CD da Sapo ADSL, de uma colecção do “Bits & Bytes” – suplemento do Jornal de Notícias, da colecção da revista PC Guia dos anos 90,  revistas dos anos 70, como a Tele Semana e a Crónica Feminina, etc, etc, coisas e tecnologias que ainda há duas ou três dezenas de anos eram a cereja no topo do bolo e que hoje nos parecem as velhas mocas dos homens das cavernas.

As coisas são como são. Nem sempre é saudável mexer no estrume com que plantamos e fizemos crescer as nossas vivências e convivências, mas verdade se diga, tudo o que somos hoje, para o bem e para o mal, somos o fruto dessas árvores.

E posto isto nestes termos, porque guardados, damos de cara com os cadernos diários dos primeiros tempos de escola dos nossos filhos, e dos seus desenhos inocentes, e percebemos que, como num flash, passaram vinte anos, duas décadas. 

E o lugar comum de que "ainda parece que foi ontem" torna-se mesmo realidade.

Ficamos assim atados nesta dicotomia do que é mais certo, se o guardar tudo aquilo que um dia nos vem dar um murro no estômago sobre a saudade do reviver em imagens o tempo passado se, pelo contrário, queimar tudo na primeira oportunidade e com isso fazer das memórias e testemunhos apenas cinza que o vento leva.

Tem que se lhe diga. E se há gente que queima os vestígios do seu passado sem o mínimo de esmorecimento, já outros, como eu, teimam em guardar tudo o que um dia nos possa abrir a janela do passado, mesmo que isso nos possa fazer chorar. Se de dor ou de saudade, ou de vergonha, isso pouco importa.

Mas, verdade se diga, com tanto já vivido e incerto quanto ao que virá,  pouco importa mudar agora a agulha como num velho gira-discos. O sulco já é demasiado profundo.

O buxo e o luxo

 


Hoje em dia, em qualquer cemitério, mesmo no de Guisande,  impera o luxo e a ostentação. Cada vez os jazigos são mais polidos, com decorações e inscrições feitas, não pela mão do artista e do seu cinzel, mas por máquinas comandadas por computadores, com sistemas de laser e outras tecnologias. Arte sem arte.

Mas são sinais dos tempos e, sem julgamentos, nem sempre a ostentação corresponde à memória serena e sentida dos nossos entes queridos. 

Noutros tempos, os mausoléus, capelas e jazigos vincavam a riqueza e importância social dos seus proprietários, mas hoje em dia, se é certo que já ninguém os manda fazer em pedra lavrada, a coisa está mais nivelada e a mais humilde família é capaz de mandar assentar um jazigo de pedra cara e todo luzidio.  

Na foto acima, no cemitério de Guisande, pelo início dos anos 1960 predominava a simplicidade das campas rasas, apenas com uma simples lápide em lousa. Os canteiros eram delimitados com o buxo, arbusto sempre verde, tão característico dos cemitérios por esses tempos. 

Porventura, os cemitérios deveriam ser sítios singelos e tão despidos quanto possível, até em consonância com a simbologia de nada mais sermos que pó. Há culturas que assim fazem.

Mas, de um modo ou outro, as coisas são como são e no fundo o nosso modo de vida em sociedade leva-nos a acompanhar as modas e as tendências, com os seus defeitos e virtudes, e quanto a isso pouco ou nada há a fazer. 

Para quem ali é sepultado tudo termina, mas para os que cá ficam, continua a roda do dia-a-dia e com ela a engrenagem lubrificada pelas nossas vaidades, na demonstração do antes parecer que ser. 

Assim, como paradoxo, e mesmo reflexão, a singeleza do buxo em contraposição com o luxo.

06/09/2022

Dador de sangue - Dar o seu a seu dono

Sou dador benévolo de sangue desde 1983, altura em que iniciei o serviço militar, mas com regularidade desde Fevereiro de 1991, altura em que em Guisande se iniciaram as colheitas com regularidade bi-anual.

Inicialmente os primeiros eventos de colheita estiveram a cargo do Instituto Português do Sangue – Porto, e posteriormente passaram para a o núcleo de Coimbra, situação que ainda se mantém.

Inicialmente os cartões de dador eram em formato de papel, sendo as dádivas ali anotadas. Depois deu-se a transição para o formato digital com micro-chip.

Em Agosto de 2019, questionei os serviços centrais do IPS para confirmar o número total das minhas dádivas e foi-me respondido que à data contabilizava 27 dádivas. Ora este número não podia estar certo, até porque até 2009 eu já tinha recebido dois certificados correspondentes a 20 dádivas e por isso com direito a uma medalha cobreada, pelo que com mais 10 anos em cima, num total de 20 episódios de recolha, a que sempre compareci, era pouco crível que apenas me fossem contabilizadas apenas mais 7 dádivas.

Questionei ainda o serviço da Associação de Dadores de Santa Maria da Feira mas também não foram capazes de dar a informação global, para além da indicada pelos serviços centrais. Voltei a questionar, anexando novas informações, mas nem sequer obtive resposta.

Na última sessão de recolha efectuada aqui em Guisande - Santa Maria da Feira, em 23 de Julho de 2022, foi-me informado que atingi um número superior a 30 dádivas, ficando, por isso, abrangido com a isenção definitiva de taxas. Mas obviamente poderei continuar a doar sangue, até aos 65.

Inconformado com este número, por estes dias voltei a questionar o serviço central e voltei a juntar argumentos e documentos, incluindo o anterior cartão em formato papel, e finalmente, reconheceram o erro e relacionaram ambos os históricos, pelo que tenho neste momento 45 dádivas efectivadas, e com o tal direito à medalha prateada (40 dádivas).

A medalha é obviamente uma questão menor, mas mais importante é a reposição da verdade. Se um dador concedeu 45 dádivas, porque carga de água lhe hão-de ser consideradas apenas 32?

Lamenta-se que, nestas como noutras coisas, os serviços por vezes falhem e não sejam capazes de agir com rigor e justiça. Felizmente, por força da minha insistência e com provas e argumentos mais que válidos, lá reconheceram a falha e prontificaram-se a repor a verdade e a actualizar o histórico.

Serve esta conversa para fazer ver a outros dadores, nomeadamente de Guisande, que certamente estarão na mesma situação. Por conseguinte, quem assim o entender, por uma questão de justiça e rigor, que procure accionar os seus direitos.

Parece-me, finalmente, que à própria Associação de Dadores de Santa Maria da Feira caberia e ficaria bem ajudar a resolver esta disparidade e a repor a justeza. Infelizmente, nos contactos que tive, não me pareceu haver essa disponibilidade em ir mais além.

05/09/2022

A vida em papelada



Quando temos algum tempo livre, mesmo que já no queimar dos últimos cartuchos de uma pausa no trabalho, designado por muitos, de férias, há a tentação de deitar mãos à obra e mexer em velhas papeladas, dando o devido destaque a umas, organizando outras e queimando outras mais. 

Com esta minha velha mania de guardar caixas e embalagens e outros papéis (e ainda bem, porque à conta disso tenho cadernetas de cromos dos anos 70 a valerem 500 e mais euros, e cromos a valerem 5 euros por unidade), às tantas damos de caras com a box do telemóvel Nokia 6600, da máquina fotográfica Sony DSC-P71, do CD da Sapo ADSL, de uma colecção do “Bits & Bytes” – suplemento do Jornal de Notícias, da colecção da revista PC Guia dos anos 90,  revistas dos anos 70, como a Tele Semana e a Crónica Feminina, etc, etc, coisas e tecnologias que ainda há duas ou três dezenas de anos eram a cereja no topo do bolo e que hoje nos parecem as velhas mocas dos homens das cavernas.

As coisas são como são. Nem sempre é saudável mexer no estrume com que plantamos e fizemos crescer as nossas vivências e convivências, mas verdade se diga, tudo o que somos hoje, para o bem e para o mal, somos o fruto dessas árvores.

E posto isto nestes termos, porque guardados, damos de cara com os cadernos diários dos primeiros tempos de escola dos nossos filhos, e dos seus desenhos inocentes, e percebemos que, como num flash, passaram vinte anos, duas décadas. 

E o lugar comum de que "ainda parece que foi ontem" torna-se mesmo realidade.

Ficamos assim atados nesta dicotomia do que é mais certo, se o guardar tudo aquilo que um dia nos vem dar um murro no estômago sobre a saudade do reviver em imagens o tempo passado se, pelo contrário, queimar tudo na primeira oportunidade e com isso fazer das memórias e testemunhos apenas cinza que o vento leva.

Tem que se lhe diga. E se há gente que queima os vestígios do seu passado sem o mínimo de esmorecimento, já outros, como eu, teimam em guardar tudo o que um dia nos possa abrir a janela do passado, mesmo que isso nos possa fazer chorar. Se de dor ou de saudade, ou de vergonha, isso pouco importa.

Mas, verdade se diga, com tanto já vivido e incerto quanto ao que virá,  pouco importa mudar agora a agulha como num velho gira-discos. O sulco já é demasiado profundo.

04/09/2022

Nossa Senhora da Natividade - Vila Seca - Louredo






A velhinha Festa de Vila Seca - Louredo. Uma procissão como deve ser: Solene, majestosa, digna e espelho do bairrismo e devoção de uma terra e da sua gente. Por ser tão próxima, é um pouco como a irmã da nossa Festa do Viso, por isso também um bocadinho nossa, de resto numa relação de proximidade que vem de outros tempos..

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