16/01/2024

A senhora culpa continua solteira e virgem

Os nossos políticos, em geral, sabem que estão mal considerados perante os eleitores e que daí, em muito, decorrem as altas taxas de abstenção nos actos eleitorais, mas mesmo assim continuam a falar para os mesmos como se estes sejam todos uma cambada de tontos, palermas, sem capacidade de escrutínio e de julgamento e incapazes de ver gatos escondidos com os rabos de fora. Assim, é de facto motivo de arrelia constante  ir assistindo às suas campanhas, intervenções e discursos.

Uma ds capacidades destes políticos rasteiros é de fazerem de conta que certas coisas não são nada com eles, que não lhes diz respeito e que certas más políticas são sempre da responsabilidade dos outros e sobretudo de quem em diferentes cargos os precederam. Por exemplo, o senhor Pedro Nuno Santos, agora líder do Partido Socialista, candidato a primeiro-ministro, e que presumivelmente será, tem falado como se o seu partido não nos tenha governado nos últimos 10 anos e que em 25 anos tenha estado 18 no poder, e que dele não tenha feito parte com cargos de responsabilidade. 

Por conseguinte, as trapalhadas da TAP, com indemnizações milionárias autorizadas e esquecidas,  as da localização do aeroporto, o estado da Educação, o caos e a degradação do Serviço Nacional de Saúde, com serviços encerrados e urgências entupidas, instabilidade social constante com professores, médicos, forças da segurança, confronto verbal com o Ministério Público, etc, etc, não têm nada a ver com o PS e o Pedro Nuno. Não, a culpa é do inquilino histriónico do Palácio de Belém e de quem deixou de governar há 10 anos. Ganhem e governem por mais 10 e nessa altura os culpados e responsáveis do que não estiver bem serão ainda os do passado.

Perante esta situação, não supreende que um partido mais extremado como o CHEGA continue a ganhar adeptos, porventura não pelos lindos olhos e do discurso populista e demagógico do artista do seu líder, André Ventura, mas simplesmente em reacção a este sistema muito politicamente correcto e de políticos frouxos,  carreiristas, a quem se exigia mais frontalidade, honestidade e sobretudo assunção de responsabilidades quando as têm. Não tem sido esse o caso por parte do PS nem do neto do sapateiro, o qual até tem raízes familiares aqui em Guisande. 

É pena! Pois é! Mas, pelos vistos, basta que se prometa um ordenado mínimo de mil euros daqui a quatro anos para que tudo volte a ser cor-de-rosa. Falta de ambição! Porque não 2 ou 3 mil? Isso é que era!

14/01/2024

Olhares - Quintães

 





Imposto estúpido e injusto

Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, considerou hoje no último dia da convenção em Viana do Castelo, que seu o partido é “a direita credível”, prometendo, caso seja Governo, acabar com o IMI e com o IUC. 

É proposta do Chega mas poderia ser de qualquer outro partido para concordar em pleno com ela. É que sobretudo o IMI  (Imposto Municipal sobre Imóveis) é um imposto estúpido, injusto, bafiento e imoral. Repare-se: Eu, que como centenas de milhares de portugueses, construí a minha habitação com o resultado do meu trabalho e do meu esforço, paguei projectos, taxas e licenças, tudo com os devidos impostos, continuo a gastar dinheiro em melhoramentos e conservação, continuo a pagar a prestação do crédito à habitação com elevados juros, a que propósito tenho que pagar por toda a vida uma renda ao Estado ou município? Porventura foi qualquer uma dessas entidades que ma construiu? Serão eles os proprietários?Que lógica e moralidade neste imposto? Ainda que fosse cobrado com um valor residual, simbólico, vá que não vá, mas com o elevado valor que representa para qualquer média habitação, é de facto uma aberração num Estado de direito.

Posto isto, não posso estar mais de acordo com quem propuser a sua extinção. Foi o Chega, mas poderiam ser os antípodas do BE ou o PCP que para mim mereceriam apoio. 

Significa, porém, que isso pode representar que vote nesse partido? Nem por sombras, porque há outros valores e princípios na equação, mas era importante que outros partidos menos radicais e estapafúrdios, fossem capazes de ter essa coragem e matar este imposto estúpido em nome da moralidade.

13/01/2024

Nota de falecimento - Albino António


Faleceu Albino António Ferreira de Almeida, de 77 anos de idade (17 de Abril de 1946 a 13 de Janeiro de 2024), do lugar do Reguengo - Guisande. 

Marido de Maria Madalena de Oliveira Fonseca. 

Cerimónias fúnebres amanhã, Segunda-Feira, 15 de Janeiro de 2024, pelas 15:30 horas na igreja matriz de Guisande, findas as quais o corpo será sepultado no cemitério local.

Missa de 7.º Dia na Sexta-Feira, 19 de Janeiro pelas 18:30 horas.

Expressamos os nossos sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular à esposa, filhos e netos.

Que Deus o tenha em paz e em eterno descanso.

12/01/2024

O preço da independência e da honestidade

Tempos houve em que um pouco por todo o país e sobretudo em tempo de eleições autárquicas, entre um vasto caderno de encargos de promessas, como a clássica do instalar na terrinha um Posto Médico com doutores e enfermeiros, alguns candidatos também prometiam que nada ganhariam e que as suas remunerações pelos cargos seriam juntas e depois aplicadas em algo de importante para a freguesia, fosse para uma rua, para um parque infantil, para o clube de futebol ou mesmo para uma sede de uma qualquer associação de bem público. É certo que em rigor era e é pouco dinheiro, sobretudo para os titulares de cargos em pequenas aldeias, e por isso é que tal exemplo nunca foi seguido, parece-me, quanto a presidentes de Câmara e vereadores, porque aí a esmola era demasiado grande para dela se abrir mão, mas nas Juntas, como "grão a grão enche a galinha o papo", diz o povo na sua sabedoria milenar, certo é que alguns lá somaram uns milhares, de contos ou euros, pouco importa ao caso.

Para além da parte demagógica deste tipo de promessas, nunca percebi o verdadeiro alcance desta "generosidade", como se ela fosse necessária e de substância para provar a seriedade e dedicação desinteressada pela causa pública. A meu ver nunca foi precisa, porque a um trabalhador cumpridor e honesto é justo e até um direito universal que se pague o salário ou a remuneração que a lei lhe confere. Por conseguinte um autarca de Junta, seja presidente, tesoureiro ou secretário que por motivos eleitoralistas abre mão das sua remuneração legal a favor de qualquer outro propósito, não será mais honesto e dedicado que os semelhantes que dela não prescindem. 

Ademais, quem não for sério e honesto até pode abrir uma mão dessas verbas e pôr a outra noutras, sem que ninguém descubra ou desconfie das habilidades. Bastará que queira ir por aí. Quem é sério, é serio, e não basta mostrar que se pretende sê-lo ou parecê-lo. Em contraponto, quem usa essa promessa em campanha eleitoral pode até suscitar precisamente o contrário, o de passar por um artista, um habilidoso, um chico-esperto, ao usar esse isco para chamar ao seu anzol votos de gente com pouco sentido de escrutínio. Quem é honesto e competente não precisará dessas habilidades ou expedientes nem de dispensar aquilo a que tem direito.

Seja como for, certo é que com este tipo de posturas e promessas muitos autarcas lá arrecadaram uns votos extra, quiçá decisivos a definir vitórias em eleições.  

Em resumo, e é a esta ideia onde pretendo chegar, ninguém é mais ou menos dedicado pela causa pública, sério e honesto só porque recebe o que tem direito ou decide doá-lo a favor seja de quem ou do que for.

Um pouco neste contexto e pressuposto, estou de acordo com o escritor José Rentes de Carvalho, que aqui há já uns anos, a propósito do poeta Herberto Hélder (falecido em 2015) ter recusado o valor monetário do prémio Fernando Pessoa, porque embora pobre, "não pretendia perder a sua independência", disse que pensando no caso não chegava a conclusão satisfatória, pois era curiosa a noção da fragilidade da própria independência para o premiado acreditar que um prémio literário a podia pôr em perigo. Por isso, digo eu, e porque quem não deve não teme, a independência e honestidade não têm preço mas também não têm que ser à borla nem cimentadas no total despreendimento por vezes trapaceiro. O seu a seu dono dentro da legalidade, justeza e justiça.

Tapar é preciso em tempos de hibernação




Aqui há uma meia dúzia de anos estávamos bem melhor servidos quanto a repórteres que com um apurado sentido fotográfico captavam o que lhes causava incómodo. Desde buracos e buraquinhos a ervas com mais de 20 cm de altura ou uma água mal desviada na rua, eram alvo do oportuno disparo. Até chegou a haver uma espécie de liga contra o mau olhado onde os guardiões do templo sagrado eram mais competentes e de vistas aguçadas que na Raia os  guardas fronteiriços no tempo da velha senhora à cata de contrabando. Logo depois de colhidas as provas, todo o mundo e arredores ficava a saber da situação, do abandono, da escandaleira, da pouca vergonha, da incompetência ou desleixo de quem deveria olhar por essas coisas. 

Mas essa categoria de guardiões "profissionais" parece que a partir de uma determinada altura, talvez devido ao clima ou mudança da lua, entrou em letargia e tem estado em hibernação profunda e são mais raros de avistar que os linces na Malcata. É pena, porque fazem falta, pois os motivos para alertar nunca faltaram nem faltarão, independentemente da categoria e consideração de quem se queira "avisar". 

Mas adiante, que vem aí chuva e como diz o velho ditado, "ande o frio por onde andar que no Natal vem cá parar". 

As imagens acima publicadas são na Rua de Cimo de Vila, aqui na terrinha, no lugar do mesmo nome e têm já bastante tempo porque eu próprio já vi esses buracos noutros meses, porventura então mais pequenos. Até porque a rua é estreita, convirá a quem de direito remediar os buracos, como quem diz, tapá-los com um pouco de alcatrão, o que não parece coisa de monta. Apesar disso, também se nota algum abatimento do piso junto ao muro de suporte o que pode configurar algum problema de estabilidade ou inflitração que, digo eu, importará averiguar e rectificar. 

Apenas como contributo de cidadania fica o alerta. Provavelmente já será do conhecimento de quem de direito, e a coisa estará para ser reparada, mas se assim não for, caso isto seja lido e porque não quero pecar por omissão, o recado está dado. Além do mais importa que a população, mesmo que adormecida, esteja a par das suas coisas.

11/01/2024

Rua da Leira às escuras e cerejas

 


Noutros tempos, antes da razia feita às freguesias, havia a tal proximidade dos eleitos aos eleitores e estas coisas eram detectadas com tempo e reportadas a quem de direito. Mas para isso é preciso sentido de serviço e dar umas voltas pelo território, mesmo à noite, quiçá a perder tempo, gastar gasolina e fazer telefonemas. Por agora as modas são outras e quem quiser cerejas tem que subir à cerejeira.

Assim sendo, à falta de certas coisas, e de cerejas, informei eu próprio a E-Redes, de que em Guisande,  o troço da Rua da Leira, a partir do entroncamento com a Rua da Ramada, até ao ao limite de Guisande com o lugar de Azevedo - Caldas de S. Jorge, que interliga à Rua da Arroteia, está sem luz pública desde há várias semanas.

Já agora, no Google Maps parte desse troço da Rua da Leira aparece como Rua da Arroteia, o que está incorrecto porque ali aqueles primeiras casas ainda são em território de Guisande e não do lugar de Azevedo, mas isso são outras histórias.

Quanto à iluminação pública, vamos aguardar que a reposição seja efectuada. Para já, às escuras.


Jornada Mundial da Juventude - O pós

A Jornada Mundial da Juventude 2023 teve lugar no nosso país e em Lisboa, entre o final de Julho e  princípio de Agosto passados. Parece que foi ontem mas já decorrido quase meio ano. Ainda ecoam na memória dos portugueses, e sobretudo dos jovens que participaram e se envolveram, o entusiasmo, alegria da partilha e vivência desses momentos em contacto geracional e mesmo inter-geracional com o papa Francisco.

Do mesmo modo e desse contexto, também para as largas dezenas de milhares de famílias que nas pré-jornadas acolheram por todo o país jovens peregrinos provenientes de toda a parte do mundo mas sobretudo da Europa. Foi assim na Diocese do Porto e na nossa comunidade inter-paroquial e em Guisande. Eu próprio e a minha família, acolhemos nessa semana última de Julho, duas peregrinas alemãs de origem vietnamita.

Passado já este quase meio ano e com a poeira do entusiamo assente, é possível analisar algumas coisas que, apenas a meu ver, ficaram aquém de algumas expectativas, pelo menos no contexto da experiência da família com os peregrinos e vice-versa. No global a experiência foi positiva mas, apesar disso, a partilha comum e convivência ao nível da família foi reduzida face ao programa delineado pelas equipas responsáveis (comités diocesano, vicarial e paroquial) o que fez com os espaços e momentos apenas destinados às famílias e jovens acolhidos fossem escassos. 

Em rigor e no geral as famílias foram principalmente agentes de alojamento, proporcionando a custo zero, dormida, comida, serviço de limpeza e transporte. Este ponto do transporte inicialmente foi publicitado apenas como mínimo, pontual e só mesmo para quem pudesse e quisesse mas na prática e na realidade não foi assim e as famílias tiveram que assegurar a maior parte das deslocações de entrega e recolha dos jovens, sempre de acordo com os seus horários.

Falando também pela minha experiência, desde que os jovens seguiram para Lisboa, nunca mais houve contacto de sua parte. Foi de minha iniciativa procurar saber se a viagem correu bem e se estavam a gostar. Depois disso, nenhum contacto de iniciativa dos jovens apesar de disporem dos canais adequados, como o número telefónico, o email e whatsapp. Chegados ao seu ponto de partida, ficaria bem fazerem um resumo da jornada e partilharem por sua iniciatiava com quem os recebeu. Mesmo agora pelas festas natalícias, ainda alimentei a esperança de receber uma mensagem ou um postal das duas raparigas, mas não. Poderia ser eu a fazê-lo? Podia, mas convenhamos que há alguns princípios que devem ser cumpridos e na nossa terra não fica bem andar com o carro à frente dos bóis.

Não há, todavia, qualquer arrependimento, até porque se havia expectativas num sentido de mais tempo para a convivência, pessoalmente nunca as tive a este nível do posterior contacto, agradecimento e reconhecimento. Eventualmente aconteceu com outros e de resto certamente que a percepção das experiências foi diferente de família para família.

Em resumo, as coisas são como são e no geral, admitamos, os valores da boa educação e do reconhecimento não são propriamente coisas que façam parte da bagagem desta moderna juventude. No geral nunca lhes faltou nada e no seu dia-a-dia dão tudo por adquirido e feitas as contas, nós, os que recebemos e estivemos durante uma semana ou mais ao seu inteiro dispôr, com cama, mesa, roupa lavada e transporte, é que temos que lhes agradecer e de os contactar. É cultural e quanto a isto não há volta a dar. Desvalorizando estas particularidades, fica para a história o que aconteceu e que, mesmo com esses ónus e encargos das famílias, os jovens levaram, pois levaram, uma boa e inesquecível experiência, de Guisande e certamente de todos os locais onde estiveram alojados. Afinal, nada lhes faltou!

10/01/2024

Unir aos trambolhões

Há algumas semanas recebemos nas nossas caixas de correio um infomail todo bonito a dar-nos o recado de que "Há uma nova rede de autocarros no concelho de Santa Maria da Feira". Mais informava que "A partir de 1 de Dezembro (2023) entraria uma nova rede de transporte público rodoviário de passageiros para todos os municípios da Área Metropolitana do Porto que, finalmente, transformará a mobilidade do nosso território. Autocarros movidos a energia limpa, sustentáveis, uma rede mais eficiente, intregrada e uniformizada, e com um sistema de bilhética único". Apresentava-se como a UNIR.

Para além deste infomail fomos sendo informados no final das missas e ainda nas rádios e jornais locais. Quem, como eu, foi espreitar a plataforma digital da entidade e do serviço, ficou com uma boa ideia de que ía ser uma coisa muito bem feita e organizada. 

Infelizmente, a ter em conta as reacções dos utentes e de diversas figuras, incluindo alguns presidentes de Câmara que se mostraram com as expectativas defraudadas, parece que a coisa não poderia ter começado da pior maneira, com confusões, falta de meios e recursos, supressão de linhas, atrasos e irregularidades nos horários, etc, etc.

Depois disso ouviram-se responsáveis a sossegar o povo dizendo que era natural que a coisa começasse com problemas mas que aos poucos a máquina iria ser afinada e resolvidos os defeitos, mas pelas reacções que se vão ouvindo, parece que ainda há muita coisa a melhorar e a afinar. Aos optimistas que dizem que com tempo o sistema será perfeito, contrapõe-se o velho e experimentado ditado popular que "o que nasce torto tarde ou nunca endireita".

Pela minha parte, que não tenho necessidade de transporte público, estou de fora a ver a banda a passar, mas de facto é importante que o sistema funcione e que corresponda às necessidades de quem dele precisa. Apesar de tudo, é muito nossa esta mania de lançar foguetes antes da hora e de anunciar maravilhas maravilhosas e que depois à nascença, aos primeiros passos, seja tombos e trambolhões. 

Mas por agora é aguardar que a coisa, lá virá um dia, ficará (mais ou menos) afinada, até ao "patamar de excelência" prometido pelo presidente da Câmara de Gaia e da AMP, Eduardo Vitor Rodrigues. 

Para já as palavras de ordem são ajustar, reformatar, reformular, adequar, reparar, acertar, etc. Tudo palavras consoladoras para quem querendo unir começou a desunir. Os utentes, esses têm que aguentar e esperar.

Cinzento, mas um bom retrato

(...) Uma regra de ouro é a de não votar em alguém simplesmente pelo que é ou parece. Ou porque é um hábito. Aliás, em Portugal, hoje, nenhum partido merece que se vote nele pelo que é. Nem a direita, nem a esquerda, com currículos pouco recomendáveis após as últimas décadas.

O PS tem muito pesadas responsabilidades na degradação da vida nacional. Contribuiu, mais do que os outros, para os êxitos dos últimos 50 anos. Mas esse facto não desculpa a deterioração sistemática dos serviços públicos, a perda de capacidade para criar riqueza de modo consistente, nem a partilha de autoria e de culpas em todos os processos de corrupção e nepotismo.

O PSD tem enormes responsabilidades no declínio da vida nacional, tanto da economia como da cultura, da sociedade e da política. Depois de, com mérito indiscutível, ter contribuído para a consolidação da pertença europeia e para a afirmação democrática da direita portuguesa, este partido desinteressou-se da independência nacional e da afirmação da empresa portuguesa pública ou privada.

Em conjunto, PS e PSD, deixaram afundar o Serviço Nacional de Saúde e a educação pública. Um a vegetar na mais inacreditável desordem que se possa imaginar. Outra entregue à futilidade lúdica e a exibir os piores resultados de sempre.

O PCP, sempre o mesmo, tão irredutível e seguro de si! É-lhe indiferente ter 20%, 10% ou 3% dos votos, ou 40, 20 ou 5 deputados. Garante que tem sempre razão contra a população que não vota nele, que é quase toda. Persiste em afirmar que representa todos os trabalhadores, que a história sempre lhe deu razão. Até à derrota final. Até ao desaparecimento eleitoral.

O Bloco, moralmente superior e arrogante, convencido, presunçoso como poucos, firme na sua beatitude política e seguro da sua virtude ideológica, nunca fez nada de jeito que lhe dê qualquer espécie de currículo, qualquer folha de serviços prestados à sociedade.

O Chega não merece o voto só porque protesta, denuncia e ataca. Não é convincente, não tem políticas, não dá sinais de qualquer género de competência ou de saber. Utiliza as mais baratas receitas disponíveis, do nacionalismo ao grito dos descamisados.

A IL parece saída de uma produção laboratorial. É só mais um partido, sem currículo nem experiência, a vender camisolas de lã no deserto.

Nas próximas eleições, o momento é calhado, mais propício do que nunca, para votar de acordo com compromissos, em vez de repetirmos os gestos do sonâmbulo. Votar em compromissos é melhor do que votar em rebanho.

[António Barreto - in Sorumbático]

09/01/2024

Striptease

Isto de escrever para o público ler, seja ele composto de familiares e amigos, ou gente que nos tem em pouca conta, ressabiados, mesmo inimigos ou gente de toda a espécie, a farinha com que se amassa o público anónimo, tem que se lhe diga porque acarreta responsabilidades, comprometimentos e até riscos. Bem o sei e não é de agora esta conclusão, mas também pouco me incomoda porque se fosse a ter em conta apenas os inconvenientes há muito que teria deixado de escrever ou então apenas para uma espécie de querido diário de adolescentes, destes a que se coloca uma fechadura com segredo para que permaneça quanto possível como coisa escondida, íntima.

Quem passa os pensamentos e ideias próprias para o papel e os publica, seja em livro, jornal ou mesmo nesta janela aberta ao mundo da internet, redes sociais, blogues, etc, é como fazer um constante striptease expondo-se aos olhos dos observadores curiosos e afins ou, num inglesismo moderno e parolo, aos voyeurs. Há quem veja estas coisas apenas por mera curiosidade e sem lhes dar demasiado significado mas também os que com fascínio, admiração ou até excitação.

Neste palco público, mesmo que por linhas tortuosas, meias palavras, metáforas ou analogias, quem escreve acaba por pintar o seu auto-retrato e a quem observa nem é preciso formação em leitura de personalidade para perceber aquilo que é, das coisas mais triviais como o gostar de uma feijoada à transmontana até às mais intimistas como apreciar numa mulher determinadas bençãos físicas, o pensamento religioso, filosófico, passando pela simpatia clubista, partidária, ideológica, etc.

Em todo o caso, importa ter em conta que não devemos negar, esconder ou dissimular aquilo que somos e na convicção de que não devemos ter vergonha, receio ou baixa estima da nossa forma de ser, de estar e pensar. Pelo contrário, mal daquele que age apenas em função dos outros e das suas considerações, preconceitos e julgamentos. Mas há, e muita, gente dessa, incapaz de expressar publicamente uma ideia, uma opinião, um pensamento, como se constantemente castrados, condicionados, envergonhados, sempre cautelosos em cada passo dado, em cada palavra proferida. Gente que se auto açaima, com medo dos demais mas sobretudo de si próprios. Desse tipo de gente nada se espera, nenhum contributo, por mais simples e banal, para o exercício da liberdade própria e colectiva. Fôssemos todos dessa massa e não haveria na história do homem e da humanidade as grandes criações artísticas, filosóficas ou tecnológicas que no seu todo contribuiram ao longo do tempo para o progresso civilizacional. Ainda bem que gente houve e há a pensar, a contestar, a experimentar, a criar, a ser progresso.

Posto isto, entre um constante striptease com todos os prós e contras e um remetimento íntimo e castrado, creio que os prós são mais que muitos e densos o suficiente para desequilibrarem a balança que pesa e mede as decisões. Podem, pois, por enquanto, passarem por este palco onde há striptease, incluindo dança do varão, onde há lugar à opinião e pensamento próprios, mesmo que vulgares, rudimentares, goste-se, concorde-se ou não.

07/01/2024

O bacalhau quer alho...

Terminou mais um congresso do PS - Partido Socialista. Não sou, de todo, consumidor de congressos partidários e o que vejo e ouço é apenas pelas notícias, resumos e análises. E entre um concurso "O Preço Certo" e um qualquer congresso político a diferença pode ser de conteúdo mas não de formato, porque em grande medida ambos entretenimentos de baixa qualidade.

Mas do que vi ou ouvi nessa forma condensada, acho que por ali se falou exageradamente do PSD. Não sei que leitura isso possa ter, mas pareceu-me em muito com os portistas a falarem mal dos benfiquistas e vice-versa. Por conseguinte, na política como no futebol, mais do que sermos nós próprios e as nossas ideias, somos sobretudo contra os outros, porque temos e não nos descolamos dos nossos ódios de estimação.

Hoje ao fim da manhã, já no encerramento do dito congresso, com o passeio do herói PNS e com uma musicazinha de fundo a puxar para a emotividade e os olhos embaciados de militantes mais dados a emoções, pensei que bastaria mudar a música de fundo para termos uma comparação literal com um circo, com acrobatas, malabaristas, ventríloquos e palhaços, muitos. Que tal se fosse a cantiga do Quim Barreiros, "Eu gosto de mamar nos peitos da cabritinha" ou então a do pequeno Saúl, "O bacalhau quer alho..." ? Só tinha a ganhar um congresso, do PS, do PSD ou PCP, etc, se a banda sonora fosse deste calibre porque retrataria de forma mais fiel o verdadeiro sentido destas coisas em que os políticos e as suas massas adeptas se reúnem para se mostrarem ao país em largos tempos de antena.

Seja como for, estas coisas fazem parte da nossa sociedade, e dizem que a democracia precisa de partidos e de politicos e tal como as gripes e as constipações é difícil escapar a elas, mesmo que devidamente pré-vacinados. 

Certo é que perante estes festivais, a vontade de votar nas próximas legislativas é neste momento menor do que tomar óleo de fígado de bacalhau mesmo que os nossos pais teimassem que era para nos fortalecer a saúde.

06/01/2024

Recolha de Sangue em 6 de Janeiro de 2024


O Centro Cívico, no Monte do Viso, instalação do Centro Social S. Mamede de Guisande, acolheu neste sábado, 6 de Janeiro de 2024, mais uma jornada da recolha de sangue, entre as 9 e 13 horas.

A título de informação, nesta jornada registou-se uma participação de 28 pessoas das quais 23 doaram e 5 ficaram impossibilitadas de o fazer.

Como comparação, na recolha anterior, em 22 de Julho de 2023, registou-se uma participação de 38 pessoas das quais 30 doaram e 8 ficaram impossibilitadas de o fazer.

Um agradecimento aos participantes e à equipa que colaborou com a jornada. Bem hajam!

05/01/2024

É a vida! É necessário que haja acomodados

Uma certa figura pública da área da televisão, por quem tenho algum apreço, colocava no seu facebook uma questão em que procura reflectir sobre os desafios da mudança a nível profissional, tanto para quem quer subir como para os que estando já no alto do colectivo pretendem autonomizar-se. Respondi:

É como na política: "Pessoas que se encontram no mundo corporativo, grandes empresas, multinacionais e querem deixar para desenvolver projetos de menor dimensão onde possam ter mais responsabilidade e autonomia ou querem arrancar com projetos próprios", se algo não lhes correr bem, raramente têm que lidar com o desemprego e problemas de estabilidade financeira. Os políticos e quem passou por cargos públicos, esses é garantido. Já quem de baixo procura subir fica mais susceptível à "queda". 

Quanto ao resto, a generalidade das pessoas, tem mesmo que se acomodar no emprego, mesmo que não goste do que faz ou como faz. É a vida! Tudo o que foge desta regra são as excepções que a confirmam, que mais não seja para emprestar um certo lirismo à coisa, motivo a filosofias e argumento para livros de auto-ajuda e estima. Bom ano!

Resumindo: Atribui-se a Salazar a sentença de que "É necessário que haja pobres!". Não concordando, mas admitindo que é uma inevitabilidade do nosso sistema capitalista, direi sobre este propósito e sobre a questão da tal figura pública, que é necessário que os haja, não pobres mas acomodados. Não os houvesse nas profissões perigosas, desgastantes, pesadas e sujas, quem suprimiria esses trabalhos? Só quem tem como gente real o Pai Natal e o Peter Pan é que porventura acredita que quem ganha bem em serviços leves, limpos, aliciantes e bem remunerados se sujeitará a eles.

É a vida!

01/01/2024

Ano novo


Dia de novo ano,

O primeiro de quantos faltar,

O princípio do fim,

O começo do resto.

Do passado ufano

Pouco adianta dele contar

O que fez por mim,

Porque ténue, funesto.


Assim correm os dias,

Os meses e os anos:

Alegres, em correrias,

Relevando desenganos.

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