05/01/2000

Padre Agostinho Pereira da Silva

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O Padre Agostinho Pereira da Silva nasceu na freguesia de Guisande, no lugar de Casaldaça, no dia 29 de Agosto de 1920. Filho de Roberto Pereira da Silva e de Ermelinda Henriques de Jesus. Faleceu em 08 de Março de 1997.

Pais do Pe. Agostinho


Missionário da Congregação do Espírito Santo e do Imaculado Coração de Maria, o Padre Agostinho, percorreu, desde os primeiros tempos da sua vocação e formação missionária, iniciada no Seminário da Guarda, uma longa e difícil caminhada pelos trilhos da dedicação a Cristo e à Sua Igreja, passando ainda pelo Seminário de Fraião, em Braga, na Casa do Espadanido, também em Braga, onde viveu a experiência do primeiro Noviciado e fez a sua Profissão Religiosa, professando os votos de pobreza, castidade e obediência na congregação, que o caracterizaram por toda a sua vida como um homem simples e desligado das coisas materiais, já que nunca teve nada de seu, para além da sua vida, a qual, até essa, dedicou a Cristo e aos irmãos.

De seguida passou para o Seminário de Viana do Castelo, sendo ordenado presbítero a 7 de Outubro de 1945. Ainda em Viana do Castelo recebeu a sua Consagração ao Apostolado, tendo então recebido a sua primeira nomeação - Missionário em Nova Lisboa, actual Huambo, em Angola. Em 1954, de regresso, em férias ,à metrópole, voltou a passar algum tempo no Seminário do Espírito Santo em Viana do Castelo, ingressando de seguida no Noviciado do Mosteiro de Dueñas, convento espanhol de tradição cisterciense onde viveu durante quase dois anos uma difícil experiência monacal exclusivamente dedicada à oração e meditação.

Em 1958 regressa a Angola onde serviu em várias Missões e leccionou no Seminário de Nova Lisboa. Acometido de vários problemas de saúde, que o perseguiram quase durante toda a sua vida, regressa a Portugal, onde após um descanso em família, lecciona no Seminário da Torre d’ Aguilha.

A 1 de Novembro de 1965 é nomeado pároco da freguesia de S. Domingos de Rana, concelho de Cascais, onde inicia uma das últimas etapas da sua vida, iniciando aqui um trabalho com raízes profundas nas vertentes da acção pastoral e social, fazendo dele um projectista de sonhos e realidades inerentes a uma região suburbana de Lisboa, com uma população crescendo exponencialmente, assim como as suas necessidades e problemas. Já em 1974, quando a razão do crescimento e das necessidades da sua paróquia colocaram em seu auxílio dois coadjutores, o Padre Agostinho começou a dedicar uma especial atenção a um dos lugares da Paróquia de S. Domingos de Rana: Tires. 

A ela se dedicou nos últimos anos da sua vida, tendo conseguido a 31 de Maio de 1985 a designação canónica de “quase paróquia” da Nossa Senhora da Graça de Tires, onde após uma dedicação de sacerdote, missionário e construtor. Nesta nova paróquia, celebra as suas Bodas de Ouro Sacerdotais a 7 de Outubro de 1995, entregando, pouco tempo depois - 8 de Março de 1997 - a sua alma a Cristo.

O Padre Agostinho Pereira da Silva, foi homenageado, a título póstumo, no dia 7 de Junho de 1997, pela Câmara Municipal de Cascais, com a Medalha Municipal da Solidariedade, como reconhecimento pela sua acção apostólica e social que ao longo de grande parte da sua vida dedicou às paróquias de S. Domingos de Rana e Nossa Senhora da Graça, de Tires.

Cónego Dr. António Ferreira Pinto

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Nasceu em 02 de Junho de 1871, no lugar de Casaldaça, freguesia de Guisande. Filho primogénito de Joaquim Caetano Pinto e Ana Rosa Duarte. Foi baptizado na igreja matriz de Guisande em 7 de Junho de 1871 pelo então pároco Abade Manuel Ferreira Pinto. Foram padrinhos o então pároco de S. Miguel do Mato - Arouca, Abade António Ferreira Duarte (1) e Margarida Gomes.
Era neto paterno de Manuel Caetano Pinto e de Joana Maria de Jesus e neto materno de Manuel Ferreira Duarte e Joana Margarida Soares

Faleceu em 08 de Abril de 1949. Está sepultado em jazigo de família no cemitério de Guisande.

Nota: (1) - - O Abade António Ferreira Duarte, que foi pároco de S. Miguel do Mato - Arouca,  nasceu no Vale, lugar de  Cedofeita, no dia 30 de Março de 1838. Filho do sargento Manuel Ferreiro Duarte e de Joana Margarida Soares. Foi capelão em S. Vicente de Louredo e durante vários anos celebrou missa em Santo André de Gião - Vila da Feira. Dizem que foi dele a autoria da abertura da estrada do lugar da Granja - Vale,  a S. Vicente de Louredo. Faleceu no dia 8 de Agosto de 1909.

Arcediago da Sé do Porto. Dedicou grande parte da sua vida ao Seminário do Porto. Foi nomeado Vice-Reitor em 1906 e mais tarde Reitor, cargo que desempenhou até ao fim da sua vida.
Professor muito competente, com 50 anos de aturado esforço intelectual e didáctico, deixou uma vastíssima obra entre os quais avultam “Lições de Teologia Pastoral e Eloquência Sagrada “, “Memória histórica do Seminário do Porto, “In Memoriam do Bispo D. António Barroso”, entre outras. Em 1936 publica a Monografia de Guisande “Defendei as vossas terras”. Trabalho de investigador, colhido paciente e demoradamente, as páginas deste livro representam o amor de quem escreveu pela sua terra. Este trabalho, devido à sua importância para a freguesia, foi reeditado pela Junta de Freguesia de Guisande em 1999, aquando do cinquentenário da sua morte.
 
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No centenário do nascimento do Dr. Ferreira Pinto.
( M. Álvaro V. de Madureira )

Este homem granítico bem podia ter sido arrancado ao arcabouço de uma serra arcaica. Mas, não. Nasceu, há 100 anos, a 2 de Julho de 1871, perto da Vila da Feira, em S. Mamede de Guisande, nessa terrinha pachorrenta “situada em terreno muito acidentado, mas abundante de boas águas e muito fértil nos seus pequenos vales”, consoante diz Pinho Leal. O povo era simples e crendeiro, nesse tempo, como se deduz de uma anotação do mesmo autor: quem tivesse “padecimento nos ouvidos” furtava uma telha e ia “levá-la de presente” à capela de Santo Ovídeo… “Óptimo remédio”, “Medicamento muito experimentado e aproveitado pela gente da terra da Feira”…Naquele tempo…

Formado em Teologia pela Universidade de Coimbra, foi nomeado professor do Seminário Maior do Porto em 1897, vice-reitor em 1906, e reitor em 1929. Em 1947 a Diocese prestou-lhe solene homenagem, pelos 50 anos do Magistério. Durou a sua longa vice-reitoria 23 anos, e a sua reitoria 20 anos. O Seminário Maior do Porto esteve, pois, na primeira metade do sec. XX, confiado às suas mãos. O clero diocesano ficou bastante marcado pela sua personalidade. Ainda teria sido mais profunda a influência, se fosse maior a compreensão, mas ele não teve a graça de sofrer cedo na vida: começou a sofrer tarde de mais.

Porém não se pense que tinha propriamente uma pedra no lugar do coração. Vi chorar um dia…e ele não sabia fingir pela saída do seu vice-reitor, Dr. Sebastião Soares de Resende, para a costa de África.
Disciplinado e disciplinador, levantava-se muito cedo e não se deitava muito tarde. De hábitos severos, não suportava faltas de ordem nem de limpeza, na casa ou nas pessoas. Não tolerava manchas nem desalinho. Passava periodicamente revista aos alunos, ao vestuário, ao cabelo, às unhas…Naquele tempo os súbditos eram muito resistentes: aguentavam todas essas provas…

Implacável contra os atrasados, contra os “canguinhas”, como ele dizia, tinha o admirável culto inglês da pontualidade. Claro exagero para os latinos que usam horas elásticas: o relógio que também espere.
Não contemporizava com os desorganizados, que desorganizam a vida de toda a gente.
Para impor a sua disciplina militar, estava muito presente aos actos de comunidade e à vida de toda a casa. Renan dizia de Mons. Dupanloup que “cada um dos 200 alunos tinha lugar distinto no seu pensamento”. O chefe deve ser, de certo modo, omnipresente, mas como a cabeça que, sem sair do seu lugar, está em todo o corpo pelos fios do comando, sem absorção nem atropelos. É muito difícil esta omnipresença que não absorve nem atropela. Não me atrevo a dizer que o Dr. Ferreira Pinto o tenha realizado: era um general à moda antiga.

Modelo de coragem, de energia, de trabalho, manifestou um singular estoicismo em 1911, quando foi assaltado o Seminário e, pouco depois, levados por ordem das autoridades cerca de 100 mobílias completas dos quartos dos alunos: “Paciência ! Deixemos as lamentações que para nada servem”. Realmente entendeu bem que a vida é uma luta permanente, que a cada passo importa recomeçar.
Outra característica da sua pessoa e da sua orientação era o apego às coisas do passado. Lá permaneceram, durante a sua vida, na parte velha da casa as minúsculas janelas seculares e, “no claustro”, as tristes lousas cinzentas e a melancólica palmeira…Era, todavia, uma apego por vezes excessivo. Todos os seus discípulos se lembram do seu entusiasmo pelas botas de elástico e da sua relutância em instalar telefone no Seminário. Pelas alturas de um ciclone que assolou a cidade e o País, mandou alguém fora a telefonar aos bombeiros. Só depois disso, lentamente, se foi convencendo dessa necessidade. Era preciso um ciclone para lhe abalar as ideias…
Cada qual vive e serve a seu modo.
No centenário do seu nascimento, queremos prestar sincera homenagem a esta grande figura da Diocese do Porto, que procurou sempre bem servir.
 
Notas de direcção:
Como também acontece com todas as grandes figuras, não é consensual a importância intrínseca que o Cónego António Ferreira Pinto  representou em vida ou representa no presente para a sua freguesia natal, havendo quem considere que no seu tempo foi, para com a Guisande, uma figura ausente e que pouco ou nada contribuiu para o seu progresso não lhe sendo conhecidas obras ou legados patrimoniais para além da pequena monografia.
 
Sob um ponto de vista objectivo, é inquestionável  a importância e relevância desta figura natural da freguesia de Guisande, e daí constar merecidamente nas páginas deste humilde espaço. Porventura reconhece-se que a sua vida, a sua obra e a sua acção estão por razões óbvias mais ligadas à Igreja portuense e nesta ao seu papel enquanto reitor do Seminário Maior, do que propriamente à sua humilde terra natal. Todavia, que mais não seja, esta tem que lhe estar grata tanto pela notoriedade emprestada, e que a deve orgulhar,  mas sobretudo pelo legado da monografia “Defendei Vossas Terras”, que publicou em 1936.
 
Relativamente à importância da monografia, ela é inquestionável porque comporta o resultado de aturado trabalho de pesquisa e investigação. Todavia, reconhece-se que está mais aprofundada nos aspectos ligados à relação com a Igreja, incluindo a importante lista de párocos/sacerdotes e visitas pastorais à paróquia.  Quanto a outros aspectos que habitualmente compõem uma monografia sobre uma determinada terra, e tomando como bom exemplo a monografia sobre a freguesia de Romariz, do padre Manuel Fernandes dos Santos, ou mesmo a dedicada ao lugar de Duas Igrejas da mesma freguesia de Romariz, de autoria do padre Castro, ela é básica e pouco ou nada acrescenta sobre os aspectos geográficos, etnográficos, sociais e culturais da freguesia. Seja como for, mesmo na sua forma abreviada, a monografia “Defendei Vossas Terras” é um elemento importante e que nos ajuda a situar a freguesia e paróquia de Guisande no seu contexto temporal.

Certidão de baptismo de António Ferreira Pinto


Padre Francisco Gomes de Oliveira

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Padre Francisco Gomes de Oliveira
1915 – 1998


 
A memória do Padre Francisco de Oliveira continua bem viva entre os Guisandenses. A sua longa vida sacerdotal dedicou-a quase em exclusivo à paróquia de S. Mamede de Guisande, um percurso iniciado 23/09/1939 e interrompido, por vontade de Deus em Maio de 1998. Pelo meio ficaram inúmeros marcos e etapas, das quais se destacam as Bodas de Prata, pela comemoração de vinte e cinco anos de sacerdócio e as Bodas de Ouro, pelos cinquenta anos .

Ao longo de muitos contactos pessoais, aprendemos a ver nele um idealista das coisas de Deus e da Sua Igreja, defensor inabalável das doutrinas e dogmas da fé, tradicionalista e conservador, não no sentido negativo dos adjectivos mas numa dimensão de vivência e preservação do genuíno. De resto, no que era necessário, sempre procurou evoluir no tempo e nos tempos, acompanhando o ritmo das mudanças sociais e culturais que se registaram com maior intensidade essencialmente nos últimos vinte anos da sua vida.
Quando questionado sobre uma certa acusação de conservadorismo, chegou a dizer: “ – Acho que não há motivos para ser acusado disso. Não vou com certas modernices, porque não quero ser mais papista do que o Papa. Conservo aquilo que parece ser bom para a Igreja e para o povo, como a reza do Terço, a Confissão individual, etç, costumes para alguns, erradamente, ultrapassados.”

Foi um pároco dedicado e disponível a todo o tempo à paróquia e aos seus fregueses. Por ano, reservava para si apenas uns escassos dias de férias, que gostava de passar em ambiente de repouso e retiro, fosse em Fátima ou em termas, mas sempre curtos devido às preocupações com a paróquia. Gostava de passear por este nosso belo Portugal o que fazia com regularidade em tempos de férias com um grupo de amigos habituais, percorrendo o país do Minho ao Algarve. De todos esses passeios deixou interessantes fotografias que hoje são documentais e que aos poucos temos vindo a publicar.
Como bom padre, era um bom garfo e gostava de boa comida, incluindo um bom bacalhau, mas sempre de forma moderada sobretudo quando tinha serviços em agenda.

Era um bom conversador e bom ouvinte. As suas homilias eram objectivas e compreensíveis. Abordava a litugia e frequentemente recorria a exemplos e analogias para fazer chegar a sua mensagem e ajudar à compreensão da Palavra de Deus. Para as suas homilias habitualmente redigia um texto sintético, escrito à mão ou mesmo na sua velhinha máquina de escrever. Essas folhinhas estavam meticulosamente amontoadas na sua secretária de serviço. Após a sua morte e desocupação da residência paroquail desconheço o destino que foi dado a esses seus textos mas presumo que tenham sido guardados pela família. Poderiam muito bem ter ficado no arquivo paroquial.

Rigoroso e pontual, não tenho memória de lhe notar um atraso de um minuto que fosse, tanto nas cerimónias mais solenes como nos serviços ordinários como as missas semanais e terços. Não era preguiçoso nem adormecia e durante muitos anos celebrava missa às seis e sete da manhã na capela do Viso, aos Domingos, vindo sempre a pé pelas Quintães e Barreiradas acima, fosse de Verão ou de Inverno.
Tinha uma ligação constante e interessada nos diversos grupos que acompanhava, fosse na Catequese, no Grupo Coral, que durante muitos anos ensaiou, como nos grupos de jovens, casais, leitores, etc. Desejados eram os seus passeios anuais que organizava e com que premiava sobretudo a dedicação do grupo coral e catequistas.
Vivia e fazia viver com especial fervor e entusiasmo as celebrações festivas como a Primeira Comunhão,Comunhão Solene e Crisma, e todas as festividades da paróquia e do calendário litúrgico, de modo especial os tempos de Natal e Páscoa. Era um devoto da reza do terço, de modo especial no mês de Maio e mês de Novembro.

Era um exímio administrador dos dinheiros da paróquia e sempre atento às necessidades de obras de conservação e restauro, tanto na igreja matriz como na capela do viso e da residência paroquial.
Para além da sua carismática figura de guia e pastor espiritual de uma comunidade, sempre soubemos distinguir no Padre Francisco, o homem, terreno e idêntico a cada um de nós, nos sentimentos, nos impulsos, nos gostos, nos defeitos e nas virtudes. Por conseguinte, a este nível, é indissociável a sua acção de amigo, companheiro e confidente de cada um dos seus paroquianos, partilhando os momentos da dor e da doença, da tristeza e da alegria.
Por toda esta grandeza espiritual e humana, o Padre Francisco terá sempre um lugar reservado no coração de todos quantos o conheceram e sobretudo dos que com ele vivenciaram.

Acima os documentos de nomeação do Pe. Francisco de Oliveira como Vigário da Vara do II Distrito Eclesiástico da Feira. O primeiro, datado de  e o segundo, pelo Bispo D. António Ferreira Gomes, uma renomeação para o triénio de 1972 a 1974, datada de 21 de Dezembro de 1971.
De referir que o Pe. Francisco exerceu a função de Vigário desde 1962 a 1979, sucendo ao pároco de Romariz, Pe. Manuel Fernandes dos Santos e sendo sucedido pelo pároco do Vale, Pe. Santos Silva.

Dados biográficos:
 
 08/07/1915
 Nasce na freguesia de Fiães - Vila da Feira.
1928
Entrada no Seminário de Vilar.
1932
Mudança para o Seminário da Sé, Porto.
1937
Falecimento do P.e Custódio, pároco de Guisande, ficando a exercer o cargo o P.e Benjamim Soares, pároco de Louredo.
1938
É nomeado pároco de Guisande o P.e Guilherme Ferreira.
06/08/1939
Ordenação como sacerdote na Sé do Porto.
15/08/1939
Celebração de Missa Nova na igreja matriz de Fiães, sua terra natal.
30/08/1939
É nomeado pároco das freguesia de Guisande e de Pigeiros.
19/09/1939
Primeira visita à freguesia de Guisande.
23/09/1939
Tomada de posse como pároco de Guisande e de Pigeiros, com residência na primeira.
24/09/1939
Celebração da primeira missa na igreja matriz de Guisande.
1938/1945
Entre esta data a paróquia de Pigeiros esteve anexada a Guisande, desde, portanto, do tempo do P.e Guilherme Ferreira.
1945
A paróquia de Pigeiros é anexada à paróquia das Caldas de S. Jorge. O P.e Francisco passa a prestar serviço religioso na paróquia de Louredo, por troca ordenada pelo Bispo, com Pigeiros.
1950
É designado novo pároco de Louredo o P.e Romeiro.
1956
Falece o P.e Rufino Pinto de Almeida, pároco de Lobão. Por incumbência do Bispo, entre Fevereiro e 20 de Outubro, o P.e Francisco toma a seu cargo essa paróquia.
1962
Em  28 de Dezembro de 1962 é nomeado, pelo Bispo D. Florentino de Andrade e Silva,
como Vigário, substituindo o P.e Manuel Fernandes dos Santos, pároco de Romariz. Em 
          21 de Dezembro de 1971 é renomeado para o triénio de 1972 a 1974.
15/08/1964
Comemoração das Bodas de Prata (25 anos) de sacerdócio.
1971
Entre 27 de Janeiro e 12 de Junho paroqueia Lobão por doença do P.e Aurélio.
1979
É exonerado como Vigário, sendo substituído pelo P.e Santos Silva, pároco do Vale
15/08/1989
Comemoração das Bodas de Ouro (50 anos) de sacerdócio e paroquiais. Foi realizada uma grande festa com a participação geral da paróquia que culminou com um almoço convívio que mobilizou a maior parte da população.
15/05/1998
Falecimento – Foi sepultado em jazigo de família  no Cemitério Paroquial de Fiães, sua terra natal


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O jovem seminarista Francisco Gomes de Oliveira

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O seminarista Francisco Gomes de Oliveira entre os seus colegas no curso de 34/35. Foto obtida aquando da conclusão de Preparatórios, em 9 de Junho de 1935.

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O seminarista Francisco, no seu quarto do Seminário, o Nº 33, no corredor S. Francisco. Foto de 29 de Junho de 1936.
 
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Francisco, numa altura das férias de Verão, na sua terra natal, Fiães, ajudando os irmãos nas tarefas da eira. Do lado esquerdo a irmã, a pequena Elisa, que mais tarde se tornaria a sua inseparável companheira já quando pároco da freguesia de Guisande. No lado direito, o mano Artur, já com pose de homenzinho de trabalho.

03/01/2000

Junta de Freguesia de Guisande - 1997-2001



Presidente: Celestino Silva Sacramento - PS
Secretário: Rodrigo de Sá Correia - PS
Tesoureiro: Valter Ferreira das Neves - PS


Resultados das Eleições em 1997


Junta de Freguesia de Guisande 1993-1997



Presidente: Manuel Ferreira - PS
Secretário: Rodrigo de Sá Correia - PS
Tesoureiro: Marinho Ferreira Coelho - PS


Resultados das Eleições em 1993


Junta da União de Freguesias - Executivo 2014/2017

Junta da União de Freguesias







Assembleia de Freguesia

 Presidente da Mesa
Susana Silva - PSD

Secretários:
Óscar Oliveira - PSD
Generosa Oliveira - PSD

Jorge Santos - PSD
Rui Giro - PSD
Mónica Lopes - PSD
Rosa Maria Pinho - PSD


David Neves - PS
Nuno Almeida - PS
Alexandra Gomes - PS
Carla Silva - PS
Elísio Monteiro - PS

Fernando Almeida - CDS/PP

(*) - Das Eleições Autárquicas de 29 de Setembro de 2013,  a lista do PSD elegeu 6 elementos, a do PS, 6 e a do CDS/PP, 1.  Nas negociações para a formação do executivo, as partes não chegaram a acordo, tendo os elementos eleitos pelo PSD renunciado de modo a criar condições de realização de novo acto eleitoral. Assim, depois de alguns meses geridos por uma Comissão Administrativa, nomeada por Despacho Nº 9150 publicado no Diário da República em 16 de Julho de 2014, realizaram-se eleições intercalares em 28 de Setembro de 2014, vencendo a lista do PSD com maioria, elegendo 7 elementos contra 5 do PS e 1 do CDS/PP. O executivo saído desse acto eleitoral tomou posse em 17 de Outubro de 2014, legitimado para um mandato de apenas 3 anos.

Colecções de cromos


As colecções de cromos sempre foram um dos passatempos preferidos das crianças, mas não só. Coleccionar é um modo de aprender e absorver cultura, principalmente com as colecções de teor didáctico. Com elas aprendia-se história, geografia, características dos povos, raças e costumes, fauna, flora, etç.

É claro que, principalmente para os rapazes, os cromos de futebol foram sempre os mais apetecidos e coleccionados. Com esses cromos, definiram-se paixões pelos clubes e sonhava-se com os ídolos, fossem um Eusébio, um Yazalde ou um Pavão.
Cromos dos rebuçados Victória

Na nossa freguesia de Guisande, os cromos, ainda no tempo dos caramelos e dos brindes associados, vendiam-se principalmente nas mercearias da S.ra Amélia e do Sr. Domingos "Gaipira", ambas no lugar de Casaldaça. Não tenho memória de serem vendidas noutros locais e creio que nem mesmo na mercearia do Sr. Neca.

Para além das muitas colecções que ano a ano iam sendo editadas e vendidas, recordamos sobretudo a colecção de cromos dos rebuçados da Fábrica de Confeitaria Victória, da cidade do Porto, que ali pelos finais dos anos 60 e princípios dos anos 70 deliciavam a rapaziada. Primeiro porque adoçáva-mos a boca, como autênticos glutões, na ânsia de desembrulhar os cromos (afinal os próprios invólucros dos rebuçados), chegando a encher a boca com dezenas desses pequenos rebuçados com sabor a mel, quando o que pretendíamos, afinal, eram os cromos. Com cinco tostões (50 centavos) comprava-se uma mão cheia de rebuçados.
Estes, uma vez recortados, eram colados e coleccionados em pequenas cadernetas, feitas de papel muito fino e frágil. A própria goma amarelada do rebuçado humedecido servia de cola. Outros, porque na altura não havia a panóplia de colas escolares de agora, utilizavam uma mistura de farinha de centeio ou de trigo com água, e com umas gotas de limão ou vinagre, para não azedar. Estes métodos resolviam, à falta de melhor, mas hoje, com trinta e quarenta anos de velhice, muitos dos cromos apresentam um aspecto escurecido, o que é pena.
A colecção, no caso a série Zoológica (há mais séries da Victória, de que noutra altura recordaremos, nomeadamente com figuras da História de Portugal, e mesmo de jogadores de futebol)) era composta por 200 cromos, começando pelo número 1, a vespa, até ao número 200, o veado.
Da bicharada constavam insectos, mamíferos, peixes, répteis e aves.

Esta coincidência, de dois nomes iniciados pela letra V, certamente será uma referência propositada à Victória. Esta colecção, como muitas outras, tinha os seus cromos considerados difíceis, quer dizer que eram raros e saíam em pouca quantidade. Neste caso, os mais raros ou difíceis eram os cromos do bacalhau, da cobaia e do cabrito. À volta deste facto, na época chegou-se a generalizar o dito popular "é mais difícil do que o bacalhau."
Este estratagema dos cromos raros ainda hoje é aplicado e tem a ver com questões editoriais e para obrigar à compra de mais cromos na expectativa de sair o cromo em falta e tão ansiado.
Estes cromos, por serem em papel muito fino (chamado papel cebola), eram ideais para o jogo do vira. Os diversos jogadores, sobre uma mesa ou sobre um muro ou o pátio de uma escada, colocavam um cromo com a estampa virada para baixo. Depois, de acordo com a ordem estabelecida, o jogador  formava uma concha com a palma da mão e batia em cima do monte de cromos com o objectivo de os fazer virar. Os que virasse era ganhos. Convém dizer que eram usados sobretudos os cromos repetidos e havia alguns números que eram às dezenas, em contraponto aos cromos raros.

A colecção, retrata o mundo animal, com insectos, peixes, crustáceos, aves, mamíferos selvagens e domésticos, répteis, etc, em desenhos de um grafismo simples, e impressos a uma cor, mas em cores diferenciadas (ou seja, há cromos na cor azul, vermelho, verde, preto e sépia), permitindo páginas coloridas e apelativas.

Houve mais do que uma versão no aspecto do design dos bichos, com os da primeira versão desenhados de forma muito infantil e com pouca ou nenhuma qualidade. No entanto, pela raridade, têm igual ou superior valor de colecção. Os produzidos pela década dos anos 1970 eram mais elaborados, sendo o seu autor um Carlos Biel, com o qual cheguei a ter o prazer de conversar por contacto de email.  Terá dito que não podia assinar os desenhos dos cromos mas que em alguns deles, de forma dissimulada lá conseguiu colocar pelo menos as iniciais do nome.

Nessa versão os cromos eram desenhados em cor monocromática mas em diferentes tons, nomeadamente, vermelho, verde, azul, castanho e preto, no que depois de colados davam um aspecto colorido. Claro está que poucos ligavam ao ordenamento da cor, já que o mesmo cromo podia ter qualquer uma das cores referidas, mas outros, mais preciosistas, faziam combinações de cor, ou por página, por linha ou coluna.

Pessoalmente tenho mais do que um exemplar de ambas as versões.







02/01/2000

Junta de Freguesia de Guisande - 1989-1993



Presidente: Rodrigo de Sá Correia
Secretário: Manuel Ferreira
Tesoureiro: Manuel Tavares


Resultados das Eleições em 1989


Livros escolares antigos

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Aqui se recordam algumas das capas de livros escolares de outros tempos, que estou certo, passaram pelas mãos de muitos guisandenses durante o seu percurso no Ensino Primário, tanto na escola do Viso como na escola da Igreja.
Para já ficam as capas mas com tempo falaremos de modo particular de cada um dos livros.

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01/01/2000

Catecismos de outros tempos - Doutrina Cristã - I Volume - Primeira Comunhão


De todos os livros que marcaram a minha infância, e creio que a de muitos rapazes e raparigas da minha geração aqui em Guisande, os catecismos, a par dos livros da escola primária, ocupam um lugar especial na prateleira das nossas recordações, memórias e nostalgias.

Nesta secção dedicada aos catecismos, trago à luz da memória o meu catecismo da primeira classe. Trata-se do primeiro volume de uma série chamada “Doutrina Cristã – Catecismo Nacional”, uma edição do Secretariado Nacional de Catequese, publicado durante os anos 50 e 60 e que serviu de base para o ensino da catequese ao nível de todo o país. Estes catecismos foram impressos na Litografia União Limitada, de Vila Nova de Gaia.

Este primeiro volume está profusa e excelentemente ilustrado pela mão da artista Laura Costa, com o seu traço inconfundível, repleto de cor e pormenor. Cada ilustração, por si só, era uma lição e estou certo de que muitos recordarão o seu Catecismo apenas pela beleza das respectivas gravuras.

O Catecismo tem uma dimensão de 12 x 17 cm e 32 páginas.

É importante referir que estes catecismos, tinham uma publicação de apoio, chamada de Caderno de Trabalhos Práticos (que possuo), com gravuras das lições, a preto e branco, destinadas a serem pintadas pelos alunos, bem como textos picotados, também destinados a serem preenchidos. Todavia, talvez pelo seu custo, acrescido ao do catecismo propriamente dito, e dadas as dificuldades económicas da maioria dos pais das crianças nesse tempo, tenho a ideia de que muito raramente este caderno era adquirido. Pelo menos não me recordo de o possuir na altura nem de o mesmo ter sido aplicado na minha Catequese.

Por outro lado, existia ainda um volume auxiliar, destinado às Catequistas, chamado Guia de Ensino, bastante extensivo, com a explicação da mensagem da aula e respectivas actividades, constituindo-se num excelente auxiliar das sessões de Catequese, principalmente em meios pobres onde nem sempre as Catequistas tinham formação adequada.

De referir que quando transitei para a segunda classe da Catequese (por alturas de 1969), foram adoptados outros catecismos, pelo que tudo indica de que esta série de que falámos deixou de ser publicada e utilizada, desconhecendo-se se tal mudança ocorreu a nível nacional, ou apenas no âmbito Diocesano, mas tudo parece indicar que a alteração editorial foi geral. De qualquer forma esta fantástica série “Doutrina Cristã – Catecismo Nacional”, vigorou pelo menos durante duas décadas, um caso invulgar de longevidade, tendo em conta que actualmente os manuais de escola e catequese mudam quase de ano para ano e com edições diversas.

Os objectivos deste primeiro volume, vocacionados para a preparação da Primeira Comunhão, estavam assim expressos no prefácio do mesmo:

    “ Eu sou a Verdade” – disse Jesus. O presente Catecismo vem dar cumprimento a um voto do Concílio Plenário. É destinado a todas as crianças de Portugal, que devem fazer a sua primeira Comunhão à roda dos 7 anos (como desejava São Pio X) a fim de despertar já nos seus corações infantis uma autêntica vida cristã.

    Foi para facilitar o trabalho educativo nas Famílias, nas Catequeses e nas Escolas, - a quantos são responsáveis pela alta missão de fazer desabrochar na alma infantil a virtude e a santidade, - que este Catecismo se elaborou por iniciativa do Venerando Episcopado.

    Espera-se que o zelo de todos os educadores cristãos faça valorizar o presente texto oficial, cujas lições se acham ligadas ao Tempo Litúrgico (de fins de Outubro a Maio: as lições marcadas –A, servem para melhor permitir essa ligação, na hipótese duma aula semanal).

    Ensinando-se, cuide-se da formação cristã da criança: atenda-se às condições várias da sua preparação cristã e desenvolvimento; faça-se com que ela compreenda toda a doutrina, a ame e aplique à sua vida; procure-se que retenha de memória o que deve reter e consequentemente se prepare de modo a poder já confessar-se e comungar pelo Tempo Pascal.

    Na festa de Nª Sª do Rosário, aos 7 de Outubro de 1953. M. Cardeal Patriarca.

Como verificámos por este texto, este primeiro volume tinha objectivos específicos mas concretos no ensino da doutrina das crianças que pela primeira vez entravam no ciclo da Catequese.

Oportunamente falaremos dos restantes volumes desta série de Catecismos. Abaixo deixamos algumas páginas deste catecismo bem como do tal caderno de apoio (duas últimas imagens).










Coordenadas GPS

 

Algumas coordenadas GPS referentes a alguns locais de interesse da freguesia de Guisande:

 

- Igreja matriz:

40º 58' 2,5'' N
8º 28' 37,0 '' W

- Capela do Viso:

40º 58' 17,1'' N
8º 28' 20,1'' W

- Sede da Junta de Freguesia de Guisande e Escola Primária da Igreja:

40º 58' 1,1'' N
8º 28' 39,7'' W

- Capelinha do senhor do Bonfim:

40º 58' 35,1'' N
8º 28' 20,6'' W

- Campo de Jogos "Oliveira e Santos":

40º 58' 8,0'' N
8º 28' 5,2'' W

- Construções Irmãos Patricios:

40º 58' 24,3'' N
8º 28' 54,7'' W

- Centro de Inspecções Automóveis:

40º 58' 47,3'' N
8º 28' 53,0'' W

- Restaurante "O Algarvio":

40º 58' 41,8'' N
8º 28' 54,2'' W

- Bombas de Gasolina - Fornos:

40º 58' 40,8'' N
8º 28' 53,9'' W

Guisande ou Guizande? Com “Z” ou com “S” ?

 

guisande_guizande

 A forma ou a grafia como se deve escrever o topónimo Guisande, é uma questão que, quando posta à discussão, gera sempre alguma controvérsia e, naturalmente, pontos de vista diferenciados, mas quase sempre sem grande suporte ou rigor histórico e linguístico.

Neste contexto, coloquei, há tempos (2008), a questão no sítio Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, um espaço onde pessoas competentes e especialistas na nossa Língua, respondem às dúvidas que vão sendo colocadas pelos visitantes e leitores, desde as mais comuns até às mais específicas.


Pergunta:

A minha aldeia é Guisande, do concelho de Santa Maria da Feira.
Em Portugal, para além desta, existe ainda a freguesia de Guisande, no concelho de Braga. Por aqui ainda existe alguma confusão e até alguma polémica, que por vezes geram discussões e que decorrem da grafia. Será "Guisande", com "S", ou "Guizande", com "Z"? Recordo que de há trinta anos para trás era vulgar a grafia com o "Z", inclusive era usada pelo velho pároco local.

Sei que a mudança para a grafia com o "S" ocorreu pela ideia incutida e ensinada por algumas professoras do ensino primário local. Pessoalmente entendo que se devia manter a grafia com o Z. Penso que não há nenhum motivo para a prática do contrário. Ainda hoje há exemplos toponímicos onde se preserva a grafia com o "Z". Atente-se nos exemplos: Carrazeda de Ansiães; Oliveira de Azeméis; Azeitão. Para além destes, e outros haverá, existem múltiplos exemplos, como Azevedo, Gazela, Azeite, Azo, Azimute, Azelha, Azar e por aí fora. Ora se a ideia subjacente à mudança ensinada pelas professoras quanto à grafia do topónimo Guisande era de que o "S" entre vogais vale "Z", então o porquê da existência de todos os exemplos que apontei? Pergunto, pois, qual a norma e, no caso concreto, qual a grafia correcta para Guisande?

Grato pelos esclarecimentos. Américo Almeida

 

Resposta:

É por razões históricas que se deve escrever Guisande com "S". Em documentos medievais, este topónimo aparece grafado Guisandi, nos séculos XII e XII, e Guisande, a partir do século XV. Os topónimos com "Z" referidos na pergunta têm essa letra por razões também etimológicas, uma vez que os grafemas "S" e "Z" tinham, entre vogais, pronúncias diferentes. Foi depois do século XVII que os sons sibilantes associados a essas letras se confundiram, acarretando naturalmente muitas confusões na escrita. Com a reforma ortográfica do 1911, procurou-se, em grande parte, reconstituir a distribuição medieval dos grafemas das sibilantes nos topónimos portugueses. Daí muitos nomes com "S", nos séculos XVIII e XIX, terem passado a escrever-se com "Z" e vice-versa. Guisande é nome que ocorre em Portugal (a sul e a norte do Douro), na Galiza e, sob a forma Guisando, na província castelhana de Ávila. Apesar de alguma controvérsia, Guisande deve estar relacionado com nome próprio Uisando, atestável desde meados do século X em Portugal.

Fonte: José Pedro Machado, Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, Lisboa, Editorial Confluência e Livros Horizonte, 2003.
Carlos Rocha :: 19/09/2008

 

Cá está! Mesmo sendo contra a opinião que eu tinha em relação ao assunto, dou como válida a resposta. De todo o modo, talvez pela influência da escola, utilizo desde há muito a grafia com "S".
Apesar de tudo, apesar da maioria actualmente escrever com "S", não seria descabido que a Junta e a Assembleia de Freguesia, com base em pareceres que mandassem recolher, tomassem uma posição sobre o assunto, oficializando assim a versão.

Tradição da Páscoa



Na celebração da Páscoa na nossa paróquia de S. Mamede de Guisande, para além das cerimónias litúrgicas que são próprias do tempo, como o Tríduo Pascal, assume extrema importância a Visita Pascal também designada de Compasso. 

Nas origens, o Compasso era composto apenas por uma cruz, transportada pelo Juiz da Cruz, o pároco, o sacristão e uma ou outra pessoa ligada ao serviço da paróquia ou mesmo familiar do Juiz da Cruz. 
Este Compasso, após a realização da missa de Páscoa, pela manhãzinha, percorria todos os lugares da freguesia, terminando já a altas horas da noite. Começava no lugar da Igreja e terminava no lugar de Cimo de Vila.

Com o aumento do número de casas, o número de equipas foi crescendo e actualmente e desde há alguns anos são três as equipas a percorrer a freguesia durante a manhã e a tarde. 

As equipas ou "Cruzes" são compostas pelo pároco, quando tem disponibilidade, pelos ministros da Comunhão, por acólitos, pelo Juiz da Cruz e por membros da família deste. Não sendo regra nem tradição, nos últimos anos tem também participado o Juiz da Cruz eleito para o ano seguinte.

A eleição do Juiz da Cruz decorre de um processo já antigo mas que não tem sido regular na forma, mas que em princípio assenta nos seguintes pressupostos: Anualmente, são escolhidos dois homens, naturais da freguesia ou casados na freguesia, em regra casados há 20/25 anos. Esta escolha, que alternadamente deve considerar residentes na Parte de Cima e residentes na Parte de Baixo da freguesia, é da responsabilidade do pároco e/ou da Camissão da Fábrica da Igreja. Uma vez escolhidos os dois candidatos, estes são submetidos a uma eleição que decorre por tradição na Missa Vespertina do Dia de Reis. São divulgados os nomes e convidadas as pessoas presentes a dirigirem-se ao anunciante e ao ouvido deste pronuncia o nome do seu preferido. No final são contabilizadas as escolhas e divulgado o eleito. Em rigor é eleito como Mordomo da Cera o qual assumirá a função de Juiz da Cruz passados dois anos. Ou seja, como exemplo, sendo nomeado em 2017 será Juiz da Cruz em 2019. Este interregno já foi de quatro anos mas com desistentes tornou-se mais curto.
Os eleitores por tradição eram apenas homens casados mas nos últimos anos, por alguma perda de interesse, tem-se aberto algumas excepções, já tendo votado mulheres. Infelizmente este método de eleição, desde o falecimento do Pároco P.e Francisco de Oliveira, em 1998, tem vindo a perder algum consistência e importância no que acaba por tirar alguma dignidade à eleição. Apesar destas contingências, a tradição tem-se mantido embora o cargo ou função de Juiz da Cruz já não seja tão considerada e desejada desde logo porque implica algumas responsabilidades e despesas, nomeadamente com a organização do Almoço do Juiz da Cruz na segunda-feira de Páscoa.





Jornal "O Mês de Guisande" - Apontamentos

jornal_o_mes_de_guisande_logo

Estávamos no ano de 1981 quando alguns jovens da freguesia, concretamente Rui Giro e Américo Almeida, então elementos do Grupo de Jovens de Guisande, um grupo da esfera da paróquia, tiveram a ideia de criar um pequeno jornal que pudesse levar à freguesia e aos emigrantes as notícias, informações e opiniões sobre a sua terra. Seria assim um jornal formativo e informativo. Teria periodicidade mensal. A escolha do título do jornal considerado como da juventude de Guisande, recaíu na opção o "O Mês de Guisande", de um leque de outros nomes sugeridos, tais como "A Voz de Guisande", "O Informativo", "O Correio de Guisande", "Ecos de Guisande", "O Guisandense" e "Notícias de Guisande".

Com o entusiasmo da ideia, colocaram-se logo as necessidades inerentes: Por um lado uma instalação  condigna onde funcionaria a redacção e os meios e equipamentos para elaborar e imprimir o jornal. Quanto ao local resolveu-se facilmente pois a redacção ocupou uma casa então devoluta, localizada no largo de Casaldaça, propriedade do avô de Rui Giro, o Sr. Domingos Azevedo, que assim apoiou a iniciativa.

Quanto ao equipamento necessário, numa altura em que os computadores davam os primeiros passos e eram um luxo, a coisa resolveu-se com uma simples máquina de escrever mecânica e um duplicador para a impressão, ambos emprestados pelo Sr. Domingos da Conceição Lopes, do lugar da Gândara, que foi desse modo e desde a primeira hora um dos grandes apoiantes da iniciativa. Sem esses dois apoios, curiosamente de dois Domingos, teria sido difícil fazer singrar a ideia dos jovens.


Vista da casa onde funcionou a sede do jornal "O Mês de Guisande" - Largo de Casaldaça

Um duplicador, embora com o mesmo objectivo de uma fotocopiadora, na realidade era um elemento de impressão, com um sistema rotativo, já que obrigava à utilização de uma matriz ou molde com o original, em concreto uma película chamada stencil. Este stencil era constituído por um papel especial o qual introduzido na máquina de escrever permitia ser parcialmente perfurado pelos caracteres metálicos, o que depois de encaixado no duplicador permitia passar a tinta pelos orifícios e assim obter uma cópia. Para além do texto, com algum cuidado e engenho, utilizando estiletes metálicos era possível também gravar alguns desenhos, mesmo que pouco elaborados, sob pena de danificar o stencil.

A tinta, com base de álcool, para ajudar a secar rapidamente, era adquirida em grossos tubos dos quais se injectava num cilindro rotativo de base porosa que absorvia a tinta. Depois era girar a manivela manualmente com uma velocidade adequada. A força centrífuga e a pressão do rolo com o papel impelia a tinta através da matriz e assim obtinha-se cada cópia. Para imprimir no lado oposto, era necessário deixar secar as folhas impressas num dos lados e voltar a introduzir a nova matriz e voltar a repetir o processo.

Por conseguinte, era um processo de cópia relativamente barato mas de baixa qualidade e a exigir algum esforço e habilidade em todo o processo.
Este tipo de equipamento de reprodução de cópias tornou-se muito popular e acessível nos anos 70, nomeadamente no período pós revolução do 25 de Abril de 1974 permitindo aos partidos e organizações sindicais e políticas imprimir em grandes quantidades e a baixo custo os seus panfletos de propaganda. Também eram muito utilizados em empresas que necessitavam de formulários e outros documentos.


Uma máquina de escrever mecânica, semelhante à primeira utilizada na elaboração das matrizes.



A máquina de escrever eléctrica, usada na maquetagem das edições anteriores à introdução do computador.

Uma vez reunidas as condições, como a instalação da redacção e os equipamentos básicos, o primeiro número do jornal, em formato A5 (A4 dobrado) foi impresso em Agosto de 1981. Terão sido impressos 500 exemplares com o preço de capa de 10 escudos. Foram vendidos porta-a-porta. Apesar do aspecto ainda rudimentar a verdade é que pela originalidade teve uma boa aceitação por parte da população da freguesia e a partir daí foram angariadas assinaturas cujo número foi sendo sempre aumentando. Desde 1981 até ao fim da primeira série, em 1994, muitos assinantes mantiveram-se fiéis, incluindo vários emigrantes em diferentes locais no mundo, como França, Suiça, Brasil e África do Sul.

Ao fim de alguns longos meses e já com a ideia e o jornal cimentados, tornou-se necessário adquirir equipamento próprio pelo que assim, com os primeiros dinheiros da venda do jornal, de alguma publicidade e ainda de uma campanha de angariação de fundos junto dos assinantes e população em geral, em Abril de 1987 a equipa responsável, com Rui Giro como Director e Américo Almeida como Chefe de Redacção, mesmo que com algum dinheiro adiantado a título de empréstimo pelo Sr. Domingos Azevedo, adquiriu um duplicador semelhante ao emprestado pelo Sr. Domingos Lopes mas mais moderno e com rotação eléctrica automática, pelo que se dispensava o accionamento manual da manivela, o que, todavia, também era ainda possível fazer em caso de falta de electricidade. Também se adquiriu uma máquina de escrever. Por conseguinte, com os novos equipamentos, embora com os processo de preparação e impressão semelhantes, a qualidade gráfica do jornal subiu um pouco.



O duplicador Gestetner usado para muitas das edições do jornal "O Mês de Guisande" - Infelizmente a precisar de limpeza e de um melhor local de conservação



Acima as caixas dos stencis usados nas primeiras edições do jornal "O Mês de Guisande" . Marcas da Gestetner e Kores.

No ano de 1985, por isso quatro anos depois do arranque do jornal "O Mês de Guisande", pretendia-se que a sua distribuição beneficiasse do porte-pago, um apoio do Estado, o que permitia a sua distribuição pelos correios sem custos. Para tal o jornal teve que se integrar numa associação e dessa necessidade foi fundada a ACJG - Associação Cultural da Juventude de Guisande, que assim, para além do jornal começou a desenvolver e a promover várias iniciativas de índole cultural, recreativo e desportivo. O jornal fazia parte do IPIR - Instituto Português da Imprensa Regional. Por sua vez, a associação inscreveu-se também no RNAJ - Registo Nacional do Associativismo Jovem e no FAOJ - Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis (actualmente extinto, existindo no mesmo âmbito o IPDJ - Instituto Português do Desporto e Juventude).
A ACJG foi ainda membro fundador da ainda existente Federação das Colectividades de Cultura e Recreio do Concelho de Santa Maria da Feira.
Ainda em termos de relacionamento junto de entidades oficiais, precisamente em Janeiro de 1987 a ACJG consegue o registo do jornal na Direcção Geral da Comunicação Social.

Algum tempo mais tarde, já pelo final da década de 80, a Associação ACJG dá um passo importante no melhoramento do jornal e compra, mesmo que em segunda mão, um equipamento de impressão pelo sistema offset. Simultaneamente um equipamento complementar que permitia gravar matrizes por um processo diferente e com base em originais já produzidos por um computador que também fora comprado, no que foi um passo importante na qualidade do jornal.

Este novo sistema permitiu o aumento do formato (formato específico da máquina mas próximo do A3) e possibilitava um grafismo mais arrojado e mesmo a introdução de fotografias. Também era possível imprimir a duas cores o que normalmente se fazia para distinguir o grafismo do título do jornal. Mesmo assim, este processo de utilização de duas cores, preto como base e vermelho ou azul, obrigava a uma limpeza dos rolos da máquina de impressão já que esta apenas permitia o uso de uma cor de cada vez. Neste contexto, quando se imprimia um cabeçalho a cores fazia-se em quantidade suficiente para várias edições.



A máquina de gravação das matrizes para o sistema offset.




A máquina de queima da matriz  para o sistema offset.



Algumas das matrizes usadas no sistema de impressão offser. Eram em cartão, mas também podem ser metálicas, estas sobretudo usadas para fotografias. As matrizes acima referem-se já às últimas edições do jornal, na primeira metade dos anos 90.


A máquina de impressão offset, adquirida em segunda-mão e que a partir de 1987 possibilita a introdução de cores no jornal. 

Apesar desta evolução nos meios e equipamentos e na consequente melhoria gráfica do jornal, a verdade é que eram ainda processos algo complexos e por vezes era um quebra cabeças fazer funcionar correctamente a impressora, nomeadamente no equilíbrio da distribuição da tinta o que frequentemente originava folhas esborratadas e consequente desperdício de papel. Como se disse, era uma máquina usada, o que naturalmente já perdera alguma eficiência. A matriz ou molde, num cartão cor-de-rosa, tinha que se manter impermeável à tinta nas zonas sem texto ou imagens o que se conseguia com a distribuição equilibrada de um líquido próprio, esverdeado, a que chamávamos de "molha". Ora quando este líquido não era distribuído de forma constante e uniforme o original era invadido de tinta mesmo nas zonas brancas o que fazia que a impressão saísse esborratada. Era necessário parar a impressão e limpar a matriz mas desde logo perdia as características para uma boa impressão.

Em todo o caso, apesar destas limitações no equipamento e meio de reprodução, a verdade é que se manteve assim até ao final da primeira série, em 1994 e por essa altura as edições apresentavam uma qualidade muito aceitável, tanto no grafismo como na impressão.

Mais tarde, em 2006, já com o jornal integrado na Associação Cultural de Guisande "O Despertar", resultante da fusão da Associação Cultural da Juventude de Guisande com o Centro Cultural e Recreativo "O Despertar",  a nova direcção então liderada pelo Artur Costa relançou o jornal, mas já com a impressão em sistema de fotocopiadora e com o uso recorrente da cor. Era já uma nova era em que a fotocópia tornou-se um método generalizado e mais económico, por isso a meio caminho da impressão profissional.
Infelizmente, ao fim de pouco mais de uma dezena de edições, por diversos motivos, incluindo a de falta de pessoal para dar continuidade ao projecto, o jornal voltou a parar e desde então continua à espera de outros tempos e outras vontades.

A história do jornal "O Mês de Guisande" está, naturalmente por fazer e estes apontamentos, a que se juntarão outros, são apenas um breve e sucinto resumo de algumas das principais etapas ou momentos.
Com tempo, quem sabe, talvez se desenvolva e pormenorize mais esta história que mesmo não tendo sido longa abarca um período importante do que foi o movimento associativo juvenil na nossa freguesia de Guisande e da sua dinâmica no contexto social, cultural e recreativo.

O jornal "O Mês de Guisande", sobretudo na sua primeira fase ou série, desempenhou um papel importante na freguesia e ao longo desse período tornou-se um factor dinâmico das diversas vertentes da freguesia, nomeadamente no sentido de consciência crítica da componente do poder local, ajudando a identificar e a escrutinar assuntos do interesse geral da freguesia, tornando-a mais consciente de si própria.
O poder local desse período acabou por ser valorizado pela acção do jornal porque sabia da sua importância e no papel que desempenhava.  É certo que em algumas situações e momentos o jornal era alvo de alguns ataques de maldicência, principalmente por parte de sectores ou pessoas não habituadas a algum escrutínio e a alguma crítica, mas essa era uma inevitabilidade própria de qualquer jornal, mesmo que de índole local.

No geral, o jornal "O Mês de Guisande" durante os períodos em que foi publicado foi um importante elemento que valorizou a freguesia de Guisande e representava em muito a sua dinâmica nos contextos social, cultural, recreativo e desportivo.

Nos dias de hoje, se procurarmos fontes e referências históricas e quotidianas sobre a freguesia de Guisande, nos contextos social, cultural, desportivo, recreativo, paroquial e de poder local, tudo é vago e incerto, já entorpecido pelo lençol do tempo. Porém, desse período abarcado pelo jornal "O Mês de Guisande" há um manancial de informação documentada que certamente noutros tempos mais à frente farão as delícias que quem quiser saber mais sobre a sua freguesia.

Bastaria isto para concluir que o jornal "O Mês de Guisande" foi um marco e que valeu a pena tantas horas de esforço e dedicação. Nem todos o reconheceram publicamente na época nem reconhecerão na actualidade, mas não haverá ninguém com alguma consciência e honestidade intelectual  que mesmo que apenas em pensamento próprio não seja capaz de se surpreender com a audacia e capacidade de um grupo de jovens que marcou a freguesia de forma muito positiva nessa fantástica década de 80 e parte da de 90.



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