24/12/2000

Consoada de Natal - Tradição em Guisande

É sabido que a tradição em Guisande manda que a consoada seja no próprio dia 25 de Dezembro. Todavia, a nossa freguesia não é caso único quanto a este pormenor, mas também, mesmo que de forma não generalizada, Lobão e Louredo. Mas noutras mais e sobretudo confinadas à zona nordeste do concelho de Santa Feira. 
A justificar esta particularidade, há várias histórias mais ou menos plausíveis, porventura algumas já com elementos lendários. Segundo alguns entendidos, tal situação deve-se ao facto de parte das gentes desta zona, em tempos passados, terem ocupações noutras freguesias do concelho, como criados, jornaleiros ou operários em oficinas e primeiras fábricas (nomeadamente na indústria da cortiça), o que não lhes permitia celebrar o Natal na noite da véspera, pois nesses recuados tempos era normal trabalhar-se todos os dias excepto aos Domingos e dias de feriado como era o caso do Natal. Assim sendo, guardavam a oportunidade para em família celebrar apenas no dia 25. A coisa espalhou-se e de um hábito adquirido pela força das circunstâncias, transformou-se em tradição.

Por outro lado, também se argumenta que mais ou menos pelos mesmos motivos, os patrões ou fidalgos doutros tempos, e a partir do séc. XVI em que já era prática dar de consoada o então vulgar bacalhau, prendavam os seus criados e jornaleiros com esse peixe salgado. Ora como era salgado, não era possível ser comido no dia em que o recebiam, isto é, no dia 24 de Dezembro, havia a necessidade de o demolhar durante a noite e dia seguinte de  modo a só depois pudesse ser comido.
Como se vê, são tudo suposições, mas certamente com algum fundo de verdade.

A consoada de Natal em Guisande, tem aspectos comuns a quase todas as famílias, como seja o prato principal composto por batatas cozidas às metades, couve-penca, quase sempre de cultivo próprio na horta ou quintal da casa e plantada com esse propósito por alturas da colheita das batatas. A penca, para ser saborosa e tenra, deve apanhar umas valentes camadas de geada. Depois o indispensável e tradicional bacalhau cozido, previamente demolhado junto a uma bica de água corrente. Há também quem inclua ovos cozidos cortados às metades para ajudar a colorir o prato ou travessa. A envolver, o azeite simples, aquecido ou fervido com cebola picada, eventualmente com alho também picado e, em certas casas, enriquecido com uma colherinha de açúcar ou uma colher de mel. Este azeite, já com nome de molho, é disposto na mesa em malgas de onde se regará, a gosto, a caldeirada.
Em algumas famílias a tradição vai para o peru recheado assado ou mesmo o polvo, mas são seguramente casos pontuais.

A caldeirada de Natal em muitas famílias é servida em generosas travessas de barro a partir da qual comem três ou quatro pessoas. Este aspecto reforça o sentido de partilha e família. Não é comum em todas as casas, mas ainda existe.

Outra tradição é a "Farrapada" que se come no dia seguinte, aproveitando-se as sobras. Neste caso os componentes são reduzidos a bocados pequenos e depois salteados numa frigideira a que se acrescenta broa de milho esfarelada. Claro que há variantes de casa para casa, nomeadamente no modo de preparação, mas há um aspecto comum que é o de aproveitar as sobras. Há mesmo quem prefira esta versão do dia seguinte do que a própria caldeirada no dia de Natal.




Os aperitivos ou entradas, uma componente mais moderna, porque noutros tempos a vida era mais difícil e menos dada a abundâncias gastronômicas, há alguns elementos comuns como as nozes, o queijo e o vinho do Porto.

Já quanto ás sobremesas são variadas, mas as mais comuns e tradicionais ligadas à consoada de Natal em Guisande são as rabanadas, de leite ou de ovos, mas sobretudo de vinho, fritas ou apenas embebidas numa calda de vinho tinto, maduro agora mas noutros tempos de verde-americano, açúcar, canela e mel. Depois surgem os bolinhos de abóbora, entre nós chamada de bolina, a que também designamos de bilharacos. De seguida a indispensável aletria, dourada e polvilhada com pó de canela, por vezes com desenhos ou quadriculados. Talvez a seguir, com mais tradição, o leite creme.

Para além destas, há naturalmente outras mais, como o pudim, a mousse de chocolate, os sonhos, o bolo-tronco e o também tradicional bolo-rei embora este mais relacionado com o Ano Novo ou mesmo o Dia de Reis.

No dia de Ano Novo, em Guisande a tradição volta a ser no próprio dia 1, embora já mais diluída. A ementa é semelhante à do Natal embora já quem, farto de bacalhau, acabe por o trocar por um galo caseiro ou peru assados ou mesmo cabrito ou polvo. Há quem ainda se mantenha fiel ao bacalhau mas já confeccionado de outra forma que não cozido, pelo que assado ou grelhado.

A parte da doçaria é semelhante mas já alargada a outros bolos. Na bebida, destaque para a rainha da noite, o espumante (a champanhe portuguesa). Se a consoada coincidir com a passagem-de-ano, então alarga-se o leque de petiscos, não faltando as passas, o camarão, eventualmente umas moelas e outras mais.

No Dia de Reis, em Portugal com menos realce, comparativamente a Espanha, por exemplo, há novamente lugar a uma consoada mas em regra mais humilde e já menos alargada a familiares. Por vezes, em famílias grandes, o local de convívio é alternado de ano para ano pelo que se aproveita o Dia de Reis para uma réplica do Dia de Natal. Há ainda quem siga o calendário litúrgico, que transporta a celebração para o Domingo anterior mais próximo, mas há quem faça a consoada no próprio dia 6 de Janeiro (noutros tempos feriado).

Voltando à questão do bacalhau como elemento principal da consoada tradicional portuguesa e em Guisande, este peixe pescado nas frias águas dos mares do norte, terá sido integrado nos hábitos alimentares dos portugueses, e sobretudo na ceia de Natal, seguramente a partir do séc. XVI mas há referências ao mesmo no já séc. XV e até mesmo no anterior. Consensual entre os entendidos é o facto do bacalhau ter sido introduzido por motivos de preceitos religiosos, por ser a mais viável opção alimentar para contornar a obrigação da Igreja da penitência e abstenção de se comer carnes nos dias anteriores ao Natal. De facto, só o era permitido já depois da Missa do Galo,

Mais antigo que o bacalhau como elemento principal da consoada, era o peru, uma ave exótica trazida para a Europa pelos espanhóis das Américas. Esta ave, pela sua imponência e porte nobre, tornou-se rapidamente a preferida na mesa do clero e da nobreza, indo à mesa em banquetes de reis e rainhas. Por conseguinte, o peru era um símbolo do poder e da nobreza, inacessível aos portugueses do povo. Só já no séc. XIX é que o peru começou a entrar de forma mais alargada na tradição natalícia do português comum.

O bacalhau nos primeiros tempos da sua introdução na alimentação dos portugueses, inicialmente do Minho para sul, era considerado um alimento de fraca condição e barato. Era frequentemente dado a comer nas prisões. Mas a sociedade e os seus hábitos alimentares dão voltas e hoje o fiel amigo é um produto ainda acessível quanto à variedade de oferta, mas já mais dispendioso, em parte pela redução da espécie e limitações na sua pesca bem como pelo facto dos países com direitos sobre as respectivas águas econômicas, como Canadá, Noruega e Islândia, fazerem eles próprios um aproveitamento econômico deste particular peixe. Por isso a indústria e actividade da pesca do bacalhau, com fortes tradições no nosso país, deram uma enorme reviravolta.

Quanto às batatas, elas foram introduzidas na consoada de Natal mais tarde que o bacalhau, só no séc. XIX. Até então, o peixe era acompanhado apenas pelas couves ou por castanhas, estas sobretudo na zona norte do pais. Não surpreende, pois, que as castanhas ainda façam parte da receita do peru recheado e assado no forno.




- rabanadas de vinho, polvilhadas com açúcar, mel e canela


- aletria polvilhada com canela


- Bilharacos de Bolina


- Bolo-Rei


- Pudim Francês


- Mousse de chocolate


- Leite Creme


03/03/2000

Junta de Freguesia - Executivo 2001/2005

 Presidente: Celestino da Silva Sacramento - PS

Tesoureiro: Rodrigo de Sá Correia - PS

Secretário: Jorge da Silva Ferreira - PS


Das eleições de 16 de Dezembro de 2001, o PS - Partido Socialista, renovou a vitória de quatro anos antes, sendo que no executivo Jorge da Silva Ferreira substitui Valter Ferreira das Neves.

A Assembleia de Freguesia continuou a ser comandada maioritariamente pelo PS com 5 elementos e o PPD/PSD com 4 elementos.

02/02/2000

Junta de Freguesia - Executivo 1982/1985

 Presidente: Manuel Alves - AD

Tesoureiro: Germano da Conceição Gonçalves - AD

Secretário: Elísio Alcino Ferreira dos Santos - AD


Nas eleições de 12 de Dezembro de 1982, a AD - Aliança Democrática, uma coligação do PPD/PSD com o CDS e o PPM, venceu com larga maioria, elegendo 7 elementos contra 2 do PS. A APU - Aliança Povo Unido, conotada ao PCP, não foi além de 4,86% dos votos, não elegendo qualquer elemento.

01/02/2000

Catecismo - "Quem sóis Vós, Senhor?" - Catecismo do 1º ano - Iniciação



Este catecismo foi posto em circulação em 1971, patrocinado pela Comissão Episcopal da Educação Cristã e pelo Secretariado Nacional da Catequese, numa fase experimental, com o propósito de colher sugestões de párocos, pais e catequistas. Depois disso consolidou-se e continuou a ser utilizado durante vários anos incluindo os anos 80. A edição que possuo e da qual extraí as ilustrações deste artigo é de 1987.

Trata-se de um catecismo que graficamente rompia com as características mais realistas da anterior série do Catecismo Nacional, em uso nos anos 50 e 60, do qual falaremos em próxima oportunidade. Por conseguinte as ilustrações ocupam um maior espaço, bastante coloridas e de traço mais estilizado. Os textos também são mais resumidos, confinando-se a frases curtas e objectivas, quase sempre extraídas da Bíblia e do Evangelho. Como quase todos os catecismos do 1º ano dá forte ênfase às principais etapas da vida de Cristo, tal como a Anunciação, Natividade, Paixão e Ressureição.

É composto por 24 lições e comporta ainda as principais orações como o Benzer, o Pai-Nosso, Avé-Maria, Oração da manhã, Oração da Noite e o Acto de Contrição.

Formato: 117 x 168 mm - 64 páginas. Não tem indicação do ilustrador.

É um catecismo muito bonito e que certamente faz parte da memória de tantos portugueses que na época frequentaram a catequese católica.






Junta de Freguesia - Executivo 1985/1989

Presidente:  Manuel Alves - PSD

Tesoureiro: Germano da Conceição Gonçalves - PSD

Secretário: Inácio Resende da Silva - CDS


Das eleições de 15 de Dezembro de 1985, e relativamente ao acto anterior em 12 de Dezembro de 1982, o PPD/PSD perdeu a maioria, elegendo apenas 3 elementos contra 2 do CDS, 1 do PS e 1 da FJI - Força Jovem Independente.

Nesse cenário, a Junta saíu do acordo com o CDS, que surpreendentemente obteve um bom resultado com Inácio Resende da Silva, que esteve quase a vencer as eleições, o que não conseguiu apenas por uma diferença de 14 votos.

De notar a participação de uma lista de independentes designada de FJI - Força Jovem Independente que igualou o resultado do Partido Socialista, elegendo assim um 1 elemento, no caso, Rui Giro. Nas eleições de 17 de Dezembro de 1989 a FJI voltou a concorrer elegendo novamente um elemento, no caso, Manuel Rodrigues de Paiva.

06/01/2000

A Festa do Viso

A Festa
A festa em Honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António realiza-se anualmente sempre no primeiro Domingo do mês de Agosto, junto à bonita capela localizada no Monte do Viso, na freguesia de Guisande, concelho de Santa Maria da Feira.
Esta é a principal festa da freguesia, com uma componente religiosa e outra profana e a sua origem é bastante antiga. Não há documentos que atestem o seu início mas certamente está ligado à construção da capela, datada de 1869, portanto com quase século e meio.

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Nossa Senhora da Boa Fortuna

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Santo António

A Capela
A capela é de média dimensão, com corpo rectangular, com orientação nascente/poente, voltada à parte baixa da freguesia, dispondo assim de uma vista interessante que abrange os lugares da Casaldaça, Lama e Fornos e ainda as encostas nascente das freguesias de Fiães e Lourosa.

A capela ao longo dos tempos foi sofrendo obras de conservação e restauro, de que se destacam as ocorridas em 1969, à passagem do 1º centenário, com amplas obras interiores, incluindo restauro dos tectos, altares e exteriores, nomeadamente com o revestimento da fachada principal com azulejo incluindo as imagens de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António, oferta do devoto António Alves Santiago.
Em 2003 a capela passou por obras profundas de conservação, sendo substituída a estrutura da cobertura e realizado um novo coro, com uma cómoda escada de acesso interior. Antes a ligação ao coro era apenas por escada exterior, que de resto se mantém. Foi também removido o soalho em madeira e requalificado o pavimento original em largas lajes de granito da região.

A capela dispõe de uma sineta afixada num arco-sineiro edificado sobre o vértice da fachada principal. Este arco também foi realizado aquando das obras de 1969. Este mesmo arco foi alteado no ano de 2016 de modo a adequar o sistema de toque automático. O toque da sineta durante muitos anos era feito de forma manual, através de um cabo accionado na sacristia mas actualmente dispõe de um sistema electro-mecânico.
Também desde os anos 70 que a capela está dotada com relógio interior, cujo toque é transmitido via altifalante colocado próximo da sineta. Este relógio toca a cada quarto de hora e é ouvido em quase toda a freguesia, dependendo da direcção do vento.

Sobre a sineta, existe uma espécie de rivalidade ou disputa antigas com a freguesia de Lobão, já que os guisandenses reclaman que a capela de Santo Ovídeo em tempos pertenceu a Guisande (e de facto pelo menos uma parte a nascente do actual arraial está em território de Guisande) e por sua vez os de Lobão defendem-se argumentando que não e que a sineta existente na capela do Viso seria a que existia na capela de Santo Ovídeo e que foi roubada pelos de Guisande.
Obviamente que a parte que ao roubo da sineta diz respeito é pura mentira ou mera brincadeira, já que na sineta da capela do Viso, para quem quiser tirar dúvidas, existe uma gravação em baixo relevo, feita no próprio momento da fundição, com uma legenda que se refere à Senhora da Boa Fortuna.

A capela dispõe de três altares, o principal ao centro, com as imagens de Nossa Senhora da Boa Fortuna, Santo António do lado sul e S. Domingos do lado norte (embora não exista certeza quanto a esta identidade). O altar lateral do lado norte é dedicado a Nossa Senhora do Carmo e às Almas do Purgatório e do lado sul é dedicado à Senhora da Luz, cuja imagem supostamente se referia a Nossa Senhora da Boa Fortuna antes da aquisição da actual imagem.
Ainda em relação à imagem de Nossa Senhora da Boa Fortuna, foi adquirida recentemente uma imagem réplica a qual é utilizada na procissão já que a imagem original por diversas vezes sofreu acidentes à saída e entrada da capela, de que resultou a danificação da mão esquerda do Menino, bem como outros toques ligeiros.

Na parede lateral norte existe ainda um nicho com a figura de S. José e na parede sul um nicho com a figura do Menino Jesus de Praga, relativamente recentes.
A capela é toda ela harmoniosa, tanto interior como exteriormente. Noutros tempos era celebrada Missa todos os domingos. Desde há muitos anos, e já do tempo do Padre Francisco (falecido em 1998) celebra-se pelo menos uma vez por mês e por alturas do Natal, Reis e Ano Novo.


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O arraial
A capela está envolvida pelo arraial do Monte do Viso onde se realiza a festividade de âmbito profano, o qual ao longo dos tempos tem sido requalificado. Ainda há trabalho a fazer mas as diversas juntas de freguesia, umas mais do que outras, têm ali dedicado alguma atenção no consecutivo melhoramento.
O actual arraial não tem nada a ver com o arraial original e deste praticamente só subsiste o velho e imponente sobreiro, um símbolo da freguesia, localizado a norte da capela e próximo ao edifício da Escola Primária do Viso. Pela existência da capela, da escola primária e da realização da festa, o Monte do Viso é motivo de fortes recordações para todas as gerações de guisandenses ao longo dos tempos.
O arraial dispõe de um belo coreto, com cobertura metálica, de construção dos anos 90, sob o qual foram construídas instalações sanitárias e espaço de apoio. Sob a sombra do imponente sobreiro, existe uma bela fonte de água corrente, captada em nascente no Monte de Mó, obra dos anos 2000. A zona do anfiteatro, pavimentada em calçada de pedrinha, data de 2004 e veio enriquecer toda a zona adjacente ao coreto, adequando-se aos bailaricos e outras actividades da paróquia.
Noutros tempos o arraial era um espaço algo selvagem, onde predominava um terreno irregular com várias árvores, nomeadamente acácias, de que ainda resistem duas árvores, austrálias e mimosas. As mimosas por altura do início da Primavera emprestavam ao local uma beleza particular com os cachos de flores amarelas e um doce aroma, delícia das abelhas.
Com os rigorosos ventos de inverno, as enormes austrálias e mimosas foram caindo aos poucos e com as obras de requalificação do arraial foram abatidas as sobreviventes.
Hoje toda a zona envolvente é uma digna sala de visitas da freguesia, e apesar de frequentemente estar botada ao desleixo pelas juntas, nomeadamente no aspecto de limpeza e manutenção dos jardins, é um local que orgulha os guisandenses. Durante o ano, para além da festa principal em Agosto, realizam-se ali várias actividades ligadas à paróquia ou ao movimento associativo, como a Semana Cultural, em Julho.


A Comissão de Festas
Para a organização destas festividades em Honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António, a cada ano é eleita uma Comissão de Festas composta por dois homens casados, sendo um deles o Juíz, e dois homens solteiros e ainda duas mulheres solteiras, as mordomas (Juíza e Procuradora).
Os elementos da Comissão de Festas por regra são eleitos uma única vez e quem faz a festa em solteiro não a faz em casado. A não ser por vontade própria. A Comissão da próxima festa é escolhida pela comissão cessante.
À Comissão cabe a responsabilidade de organizar todos os aspectos da festa, tanto a componente religiosa, em coordenação com o pároco local, como da profana ou de entretenimento.
Uma vez tomada a posse, o que acontece após a nomeação e o encerramento das contas da festa terminada, normalmente pelo início de Setembro, a nova Comissão inicia logo os preparativos. Por tradição realiza o peditório pela freguesia por início de Novembro, designado de peditório da Esmola da Eira. Na origem era uma oferta em cereal, milho ou feijão, e servia de adiantamento ou preparo para as despesas. Hoje em dia o pagamento é feito em dinheiro e é realizado em simultâneo com o peditório principal, evitando-se assim uma segunda volta.
De todo o modo, o peditório acaba por ser mais uma tradição e uma espécie de apresentação da equipa à freguesia, pois na realidade os guisandenses têm a tradição de fazer o pagamento da oferta durante os dias da festa. É nesta altura que o grosso da receita é recebido.
Durante o resto do ano até à data da festa, há muito trabalho e canseira a requerer coordenação e acção, como a contratação dos artistas e grupos, a contratação dos aspectos logísticos, como o palco, som, luz e ornamentação, foguetes, etç, bem como a angariação de receitas suplementares, como a publicidade/patrocínios, venda de rifas, etç.
As mordomas têm a função de organizar os aspectos relacionados com os andores, flores, passadeira do percurso, etç. Noutros tempos tinham a função de organizar a preparação dos enfeites e ornamentação mas desde há vários anos que essa é uma parte realizada por empresa contratada.
As mordomas principais (Juíza e Procuradora) angariam a receita junto das mordomas secundárias, raparigas solteiras e adolescentes, cuja lista vai sendo actualizada de ano para ano. Estas mordomas secundárias podem ser nomeadas por vários anos. A sua responsabilidade, uma vez que deixou de haver a tarefa de se fabricar artesanalmente os enfeites, em que teriam que ajudar, resume-se actualmente à contribuição de uma verba em dinheiro para além do dever de ajudar na preparação da passadeira do percurso da procissão.
 
Aspectos da organização e outras características
Noutros tempos a festa realizava-se apenas ao Sábado e Domingo. Posteriormente, já pelos anos 70,  alargou-se à Segunda-Feira e mais recentemente antecipou-se à Sexta-Feira.
Por tradição está sempre presente uma Banda de Música, que ajuda no acompanhamento da Missa e actua durante a tarde de Domingo, até ao sol-pôr, incluindo o acompanhamento da procissão solene.
Noutros tempos participavam regularmente duas bandas e eram a principal atracção da festa. Essa tradição foi reactivada no ano de 2004 e 2005 mas actualmente, por dificuldades financeiras, conta-se apenas com uma banda.
O Domingo à noite regra geral é reservado ao folclore, com ranchos da região e de outras terras, nomeadamente da região do Alto Minho que aqui são muito apreciados pela vivacidade dos trajes e das danças.
A noite de Segunda-Feira é reservada à atracção principal e a uma sessão sempre esperada de fogo de artifício. A festa orgulha-se de ter quase sempre um artista de renome nacional no seu cartaz.

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A procissão solene
A procissão solene, realizada no Domingo à tarde, normalmente pelas 18 horas, é um dos momentos altos da festa religiosa, habitualmente com uma dúzia de andores e vários figurantes. Na última edição, 2010, integraram-se 14 andores.
Pela sua beleza e religiosidade, a procissão atrai muitos forasteiros, quer para ver os belos andores quer para ver a passadeira de flores que com arte e dedicação é preparada no início da tarde, envolvendo muitas pessoas da freguesia, devidamente orientadas pelas mordomas, que de véspera tratam de angariar flores, pétalas, ramos, relvas, serraduras, etç, para depois prepararam a composição do tapete.
A procissão durante muitos anos fazia o percurso de ida e volta até ao lugar das Quintães, contornado uma bela cruz enfeitada com flores, mas nos últimos dois anos, devido ao alargamento da Rua das Barreiradas, o percurso foi ligeiramente alterado, saíndo da Capela e percorrendo pelo nascente o lugar de Cimo de Vila e descendo a Rua das Barreiradas, retomando depois o antigo percurso da volta, pela Rua das Quintães e subida do Monte pela Rua Nossa Senhora da Boa Fortuna.

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Resumo
A Festa do Viso, como popularmente é conhecida em Guisande e nas redondezas, é uma das fortes tradições da freguesia e é motivo de orgulho de todos os locais.
A festa em si é um momento de expressão religiosa e também de alegria e convívio entre os guisandenses e familiares, sobretudo os que emigrados ou deslocados regressam à terra.
Para os emigrantes é um momento único de ligação à aldeia. As famílias juntam-se à mesa e ao forno vai o cabrito, carneiro ou borrego. Nas mesas abundantes, a par do tradicional assado, há doces e fruta, de modo especial o melão, outrora um símbolo da festa.
A Festa do Viso representa para a Comissão de Festas uma responsabilidade e canseira que dura todo um ano, bem como também exige um esforço de colaboração de toda a freguesia mas no final, feita a festa e suada a testa, é um motivo que a todos orgulha, com um sentimento partilhado de dever cumprido e tradição respeitada em nome da terra e de todos os antigos que sempre tiveram uma dedicação pela Festa do Viso e de modo especial pela Mãe carinhosa na invocação de Senhora da Boa Fortuna, bem como de Santo António, protector das causas e coisas perdidas.

- Américo Almeida

05/01/2000

Fotografias antigas e documentais - 3

- Salão Paroquial, em obras - 08/07/1964
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- Cemitério Paroquial - Final dos anos 60
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- Padre Francisco e amigos - Julho de 1955

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- Fotografia dos anos 60. 
O Sr. António Henriques na poda dos saudosos arbustos.

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Fotografias antigas e documentais - 2

- 5 de Junho de 1969

Fotografia da Comunhão Solene de 5 de Junho de 1969.

Vê-se a procissão a descer o Monte do Viso a caminho da Igreja. Observa-se o Monte do Viso na sua forma antiga, ainda com a rua central, em terra batida.
Vê-se também a capela ainda sem o arco da sineta e sem os altifalantes.
No lado esquerdo vê-se um cruzeiro do percurso do Calvário sem a parte superior horizontal, que havia sido derrubada durante a festa do Viso no ano anterior.

As obras de restauro da capela ocorreram nesse ano, à passagem do centenário do edifício. As obras incluíram o revestimento da fachada com azulejaria, oferta de António Alves Santiago e ainda no interior, restauro de paredes, tectos e altares.
Pelo aspecto da capela, tudo indica que as obras tenham ocorrido depois da Comunhão Solene, mas é um caso a confirmar.

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- Março de 1958

Fotografia antiga onde se vê um grupos de mulheres nas tarefas de jardinagem do adro.  O adro de igreja, tanto na zona adjacente à igreja matriz como no exterior, nasceu com a iniciativa do antigo pároco, Padre Francisco Gomes de Oliveira e ao longo dos anos mereceu a dedicação e carinho de várias pessoas que contribuíram para o seu crescimento e manutenção. Nesta fase retratada, estava-se no início da plantação das diversas árvores. Algumas delas, nomeadamente os famosos arbustos, com inscrições moldadas pelas mãos hábeis do Padre Francisco, cresceram e já morreram ou foram retiradas, mas algumas plantas ainda subsistem.
 
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- Comissão de Organizadora da Festa de Bodas de Ouro do P.e Francisco de Oliveira - 1989
 
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De pé, da esquerda para a direita:

Joaquim C. Santos (Leira), David Pinto da Silva (Estôse), Manuel Adegas (Pereirada), João Lopes (Cimo de Vila), António Paiva (Quintães), António Silva (Barrosa), Manuel Tavares (Viso), Manuel Ferreira (Viso), P.e Francisco Oliveira, Américo Pinto dos Santos (Fornos), Joaquim F. Coelho (Fornos), António F. Almeida (Lama), António G. Henriques (Igreja), Germano C. Gonçalves (Igreja), Manuel Pereira (Cimo de Vila) e Alcides Giro (Casaldaça),
Em baixo, agachados:
António P. Ribeiro (Casaldaça), Elísio Monteiro (Barrosa), José P. Baptista (Fornos), Domingos A. Conceição (Reguengo), Delfim Henriques (Estôse), Eva Fernanda Silva (Cimo de Vila), Maria Madalena Silva (Cimo de Vila), Bento Mota (Cimo de Vila), José Almeida Peixoto (Outeiro) e Alberto Gomes de Almeida (Fornos).

- Magusto no Monte do Viso, em 27 de Novembro de 1960
 
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- 8/7/1957 - Grupo de amigos do P. Francisco
Reconhecem-se pessoas como o próprio P. Francisco e irmã Elisa,  António Santiago, Dr. Joaquim Inácio, Dr. Sá, Domingos Azevedo, Manuel Pereira, Prof. Célia Azevedo e P.e Santos Silva, entre outros.
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- Magusto junto à residência paroquial – 09/12/1956
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- Procissão da Festa do Viso, ao passar às Quintães, onde até há pouco tempo existia a mercearia da Isaura Santiago – 4/8/1957


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- Grupo da Comunhão Solene – 20/6/1957

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Guisande - Dados sobre Eleições Autárquicas

Eleições de 12 de Dezembro de 1976


Composição da Junta de Freguesia:
Higino Gomes de Almeida - PPD/PSD
Fernando de Almeida Anunciação - PPD/PSD
Avelino de Sousa - PPD/PSD

Eleições de 16 de Dezembro de 1979


Composição da Junta de Freguesia:
Manuel Alves - PPD/PSD
Germano da Conceição Gonçalves - PPD/PSD
Manuel Rodrigues de Paiva - PPD/PSD
Elísio Alcino Ferreira dos Santos - PPD/PSD  (*)
((*)eleito em Assembleia de Freguesias
após a demissão de Manuel Rodrigues de Paiva).

Eleições de 12 de Dezembro de 1982


Composição da Junta de Freguesia:
Manuel Alves - PPD/PSD
Germano da Conceição Gonçalves - PPD/PSD
Elísio Alcino Ferreira dos Santos - PPD/PSD

Eleições de 15 de Dezembro de 1985


Composição da Junta de Freguesia:
Manuel Alves - PPD/PSD
Germano da Conceição Gonçalves - PPD/PSD
Inácio Resende da Silva - CDS

Eleições de 17 de Dezembro de 1989


Composição da Junta de Freguesia:
Rodrigo de Sá Correia - PS
Manuel Ferreira - PS
Manuel Tavares -IND

Eleições de 12 de Dezembro de 1993


Composição da Junta de Freguesia:
Manuel Ferreira - PS
Rodrigo de Sá Correia - PS
Marinho Ferreira Coelho - PS

Eleições de 14 de Dezembro de 1997


Composição da Junta de Freguesia:
Celestino da Silva Sacramento - PS
Rodrigo de Sá Correia - PS
Valter Ferreira das Neves - PS

Eleições de 16 de Dezembro de 2001


Composição da Junta de Freguesia:
Celestino da Silva Sacramento - PS
Rodrigo de Sá Correia - PS
Jorge da Silva Ferreira - PS

Eleições de 09 de Outubro de 2005


Composição da Junta de Freguesia:
Joaquim da Conceição Santos - PSD
Pedro João da Costa e Silva - PSD
Mário Luís Fernandes Silva - PSD

Eleições de 11 de Outubro de 2009



Composição da Junta de Freguesia:
Mário Luís Fernandes Silva - PS
Alexandra Susete de Castro Gomes - PS
Elísio dos Santos Monteiro - PS



Eleições de 29 de Setembro de 2013


Reforma Administrativa de 2013
União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande
Presidente da Comissão:
José Henriques dos Santos


Julho a Outubro de 2014 - Comissão Administrativa
(Nomeada por Despacho 9150/2014 de 16 de Julho)
José Henriques dos Santos - PSD
Manuel Joaquim Baptista Cardoso - PSD
David António Henriques das Neves - PS

Eleições Intercalares de 28 de Setembro de 2014


Composição da Junta da 
União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande
José Henriques dos Santos - PSD - Lobão
Márcio Daniel Barbosa Moura - PSD - Gião
Marta da Silva Costa - PSD - Louredo
Américo Fonseca Gomes de Almeida - IND - Guisande
Joaquim Pedro Bastos Serralva - PSD - Lobão

Eleições Autárquicas de 1 de Outubro de 2017


Mandato 2017-2021

EXECUTIVO 

PRESIDENTE:
José Henriques dos Santos

SECRETÁRIA:
Susana Silva

TESOUREIRO:
Manuel Leite

1º VOGAL:
Carlos Rodrigues

2º VOGAL:
Andreia Pinho

ASSEMBLEIA DE FREGUESIA
Presidente:
Rui Giro - PSD
Secretários: 
Óscar Oliveira - PSD
Generosa Oliveira - PSD

Jorge Santos - PSD
Mónica Lopes - PSD
Óscar Reis - PSD
Filipe Moreira - PSD 

David Neves - PS
Carla Silva - PS
Nuno Almeida - PS
José Oliveira - PS
Celestino Sacramento - PS
Maria Elisabete Neves - PS

Eleições Autárquicas de 26 de Setembro de 2021



Junta de Freguesia

David Neves - PS - Presidente
Nuno Almeida - PS - Tesoureiro
Vera Silva - PS - Secretária
Maria Elisabete Neves - PS - Vogal
José Oliveira - PS - Vogal


Assembleia de Freguesia

Carla Cristina Henriques da Silva - PS
Presidente
Maria Teresa Barbosa de Almeida - PS
1º Secretário
Luís Miguel Ferreira Alves de Pinho - PS
2º Secretário
Celestino da Silva Sacramento - PS
Ana Paula Lopes Pinto - PS
Lidiana Fuste e Silva - PS
Job Santos Silva - PS
Manuel de Oliveira Leite - PSD
Jorge Joaquim da Silva Ferreira Santos - PSD
Óscar Manuel Pinto dos Reis - PSD
Ricarde Daniel Valente de Almeida - PSD
Maria de Fátima Oliveira Lopes - PSD
Rui Manuel de Azevedo Gomes Giro - PSD


QUADROS DE RESULTADOS DE 1976 A 2021, INCLUINDO PERÍODO DA UNIÃO DE FREGUESIAS










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