" Eu e a minha aldeia de Guisande: março 2022" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

31/03/2022

Rebentou o balão


Há quem case por amor.

Dinheiro, ou interesse;

Por mais seja o que for

Promessa ou até prece.


Mas isto de por tal casar,

Foi já chão que deu uvas

Agora é mais o ajuntar

Qual mãos justas nas luvas


Se no Inverno sabem bem,

Já no Verão, nem por isso;

Postas de lado por vintém

Lá termina o compromisso.


Casa, descasa, casa, descasa,

Como norma já tida em conta

É o fazer da coisa tábua rasa

Ambos, cada um, barata tonta


Pobre, ou  triste casamento,

Teste, prova, experimentação;

Logo ao simples contratempo

O castelo de cartas vai ao chão.


E lá partem e repartem,

A pior parte a cada um;

Com má sorte ou sem arte

Rebentaram o balão! Pum!


Américo Almeida

30/03/2022

Porreiro, mas nem tanto


Confesso que gostava de me juntar de forma extasiante áqueles que por aqui saúdam tão efusivamente o apuramento da selecção nacional de futebol para o Mundial do Qatar, que dizem que vai ser disputado lá para o final do ano, terminando já quase pelo Natal.

Todavia, foi um apauramento mais que esperado e só surpreende que tenha sido necessário fazer mais dois jogos caseiros com selecções medianas para carimbar a presença. 

O jogo de ontem com a Macedónia do Norte foi o que se esperava, um jogo fácil, tanto mais que a abrir com uma asneirada da defesa adversária que fez de jogador português. 

Sendo certo que o adversário tinha eliminado dias antes a Itália, de forma estrondosa e surpreendente, em nada acrescentou à valia da equipa. De resto quem viu o jogo com a Itália terá percebido isso. 

Aqui há uns anos o Gondomar foi à Luz eliminar o Benfica num jogo para a Taça e o Torreense às Antas, eliminar o F.C. do Porto, com um golo de um gajo chamado Oeiras, e tantos outros exemplos parecidos e, todavia,  não foi por aí que o Gondomar ou o Torreense se tornaram potências do futebol nem venceram a Taça nesses anos. Por isso, a Macedónia foi ela mesma: Uma selecção fraca apesar do brilharete de aqui ter chegado. De resto fosse o adversário de ontem a Itália e se calhar estávamos todos aqui a vociferar com a malta do Fernando.

Posto isto, parabéns à malta, estamos onde era suposto estar, era escusado cansar o pessoal com dois jogos extra, mas mais do que isso é exagero.

28/03/2022

Cerejeira florida

Tenho no meu quintal uma cerejeira,

Que por Abril se veste de florido

Numa alvura celeste, quase divinal.

As abelhas à sua volta em canseira

Sorvem o pólem por ela oferecido

Num banquete de partilha fraternal.


Mas a cerejeira, a tal do meu quintal

Tem esse defeito ou efeito, eu sei lá:

Mil flores e pouco mais que se veja.

Mas entendo-a e nem tal tomo a mal,

Por essa vaidade florida mas quase vã

Se ao menos me der, uma só, cereja.


Américo Almeida

Fracturas expostas


Parece que o Pedro Adão e Silva, inefável defensor e propagandista de António Costa, o que é legítimo, mas talvez por isso prendado com o cargo de Comissário para as comemorações do cinquentenário do 25 de Abril, com todas as mordomias, e agora de novo re-premiado com outro cargo, o de Ministro da Cultura, terá dito que "datas fracturantes como o 25 de Novembro de 1975 não se devem comemorar".

Custa a crer que alguém nomeado para defender a nosso Cultura e logo a nossa História, se permita a esta pérola. Mas então o 25 de Novembro é fracturante? Para quem? Para quem pretendia para o país uma ditadura de esquerda? Mas então o 25 de Abril de 1974, também não foi fracturante? Claro que foi e ainda bem! Fracturante é passados 50 anos sobre essa data ainda haver gente no Parlamento declaradamente contra a democracia liberal, alguns dos quais acérrimos apoiantes de regimes como o de Putin, China, Coreia do Norte, Cuba, etc.

Considerar certos assuntos ou temas que agradam à maioria de uma certa esquerda moralista, e catalogá-los como "fracturantes" como desculpa para os não reconhecer, é adoptar uma atitude escorregadia ou mesmo covarde. Fracturante foi perdoar a terroristas de sangue, como fizeram a Otelo, e que no entanto acham estruturante que se faça dele um herói como se a sua importância e papel na revolução de 25 de Abril, indesmentível, possa ser, todavia, esponja capaz de apagar crimes de sangue e morte que varreram o país. Haja limites! 

Diria, pois, que Pedro Adão e Silva começa mal ainda entes de tomar posse. Uma data como a do 25 de Novembro de 1975 mais do que fracturante é estruturante e o nosso actual regime, com todos os defeitos e virtudes, é o que dali emanou. Mereceria e bem um feriado nacional com todas as honras. Goste-se, ou não.

De cima para baixo

 



Bem antes do aparecimento dessa fantástica ferramente, o Google Maps, que surgiu em  2005, e depois os derivados concorrentes, já eu tinha fotografia aérea de Guisande. Estávamos em 1993. Parece que foi ontem mas já há quase trinta anos.

Analisando, o conjunto de 6 fotogramas na escala 1/5000, consegue-se perceber muitas das alterações ao nosso território. E quase custa a crer que numa freguesia tão pequena, com apenas e aproximadamente 4,50 Km2, as mudanças tenham sido tão profundas, desde logo, de forma marcante e indelével, a construção do monstro da auto-estrada A32 que a cicatriza de cima a baixo e ainda esse parque de diversões electromagnético que é a Sub-Estação eléctrica da REN.

Dirão que é o progresso. Seguramente, com tudo o que isso possa significar, mas não necessariamente o da terra em que se implantam, porque apenas usada e abusada.

As coisas são como são e não há volta a dar se queremos encurtar o tempo, Mas pelo menos importará sempre que a memória não se apague ou amacie.

Ciclo


Numa manhã plena, Primavera,

A árvore desperta e floresce,

E dessa fria e longa espera

A magia do fruto acontece.


Mas se o tempo é contratempo,

Não passa a flor de vã promessa.

Virá seco o Verão e sedento,

O adormecimento, e tudo recomeça.


Como seres feitos, imperfeitos,

Parece-nos este acto tão injusto:

Ver na natureza os seus defeitos

Por uma flor ser só ela, sem fruto.


A natureza, porém, tem este preço,

Uma roda de morte e vida, assim,

Em que há tempo para o recomeço,

Até que se cumpra o derradeiro fim.


Américo Almeida

Descobrir a pólvora


No início dos anos 1990, a Associação Cultural da Juventude de Guisande - ACJG,  fundia-se com o Centro Cultural e Recreativo "O Despertar", dando lugar à Associação Cultural de Guisande "O Despertar", com a união oficializada no Verão de 1994. Terminava-se uma rivalidade, nem sempre positiva, e uniam-se esforços e vontades.

Numa  das primeiras acções dessa nova associação,  no lugar do Reguengo, junto ao Moinho Velho, na  ribeira da Mota (foto abaixo), foi marcada uma jornada de limpeza e só nesse sítio foi recolhida uma carroça de tractor completamente cheia de lixo, incluindo garrafas, plásticos e roupas abandonadas por quem ali usava o tanque.

Parece que nos tempos que correm essa acção tem um nome todo catita, até em inglês (adoramos os inglesismos para coisas só nossas) para parecer moderno, embora o conceito tenha surgido na Suécia. Trata-se do PLOGGING, que grosso modo é um conceito que pretende juntar o exercício físico a acções de limpeza do meio ambiente.

Resumindo e olhando para estas coisas e para o seu mediatismo,  por vezes ficamos com a ideia de que agora é um fartote a descobrir a pólvora.

Em todo o caso, é uma ideia importante e válida, esta a de juntar exercício físico com a limpeza do meio ambiente, mas só peca por... ser precisa.

27/03/2022

Grupo de Jovens de Guisande

 


O Grupo de Jovens de Guisande voltou a renascer. Ontem, na missa vespertina, por ele dinamizada, teve início a sua caminhada. Entre outros objectivos, a preparação para a sua participação na Jornada Mundial da Juventude que terão lugar em Lisboa no próximo ano, entre 1 e 6 de Agosto.

De que tenho memória (sim, já fui jovem), pertenci desde os 17 ao Grupo de Jovens de Guisande, então dinamizado pelo saudoso Pe. Alves do Seminário dos Passionistas. Desse grupo, entre outros, faziam parte o Cesário Almeida, o Orlando Lopes, a Georgina Santos a sua irmã Fátima, a Cisaltina Coelho, o saudoso Tomé, o Rui Giro e tantos outros.

Depois dessa excelente fornada, houve outros grupos de jovens, mas certo é que em rigor nunca houve um Grupo de forma continuada, no que naturalmente seria positivo, com os mais novos a integrarem-se com os mais velhos, numa natural sequência e sucessão etária.

Desse meu Grupo, não há muitas fotos, até porque por esses tempos as máquinas fotográficas eram um luxo e não havia telemóveis. Acima uma foto, junto ao balneário das Caldas da Rainha, de uma excursão de dois dias a Lisboa, em que para além de alguns elementos do grupo de Guisande participaram jovens de outras freguesias como de Louredo, Lobão, Gião, Canedo, Caldas de S. Jorge e S. João de Ver. 

Fica o registo e com ele os votos de longa vida a esta nova colheita do Grupo de Jovens de Guisande.


Sobre o Pe. Alves:

O padre Manuel Alves Pereira, filho de José Pereira de Oliveira e Nazaré Alves de Azevedo, nasceu 13 de Julho de 1938 – nascimento em Alvarães (Viana do Castelo). 

Foi baptizado e crismado em Alvarães (Diocese de Viana do Castelo). Entrou no Seminário Passionista de Peñafiel (Espanha) a 17 de Outubro de 1953. 

Entre 1957 e 1958 fez o noviciado em Peñafiel, emitindo a Primeira Profissão a 08 de Dezembro de 1958 (Corella-Espanha) e a Profissão Perpétua a 29 de Setembro de 1961 (Villareal de Urréchua-Espanha). Foi ordenado presbítero a 09 de Março de 1963, em Bilbau.

Foi Superior da Comunidade em Barroselas de 1967 a 1970; em Santo António (Barreiro) de 1994 a 1998. Foi Ecónomo Local em Arcos de Valdevez de 1965 a 1967; 

Em Santa Maria da Feira de 1980 a 1984; 

Em Barroselas de 1984 a 1987 e 1994 a 1994. 

Deu aulas em Antuzede (Coimbra) de 1964 a 1965; Santa Maria da Feira de 1970 a 1979; em Barroselas de 1987 a 1990. Desenvolveu intensa atividade em vários grupos e ação pastoral: Escuteiros (Fundador do Escutismo em Santa Maria da Feira), Grupos Corais (Barreiro, Barroselas), Pastoral Vocacional… Foi um grande missionário, tendo pregado em diversos pontos do país e estrangeiro.


Faleceu a 22 de Maio de 2016, em Viana do Castelo.

A pólvora continua a ser inventada


No início dos anos 1990, a Associação Cultural da Juventude de Guisande - ACJG,  fundia-se com o Centro Cultural e Recreativo "O Despertar", dando lugar à Associação Cultural de Guisande "O Despertar", com a união oficializada no Verão de 1994. Terminava-se a rivalidade, nem sempre positiva e uniam-se esforços e vontades.

Numa  das primeiras acções da nova associação, junto ao Moinho Velho no lugar do Reguengo, junto à ribeira da Mota (foto acima), só nesse sítio foi recolhida uma carroça de tractor completamente cheia de lixo, incluindo garrafas, plásticos e roupas abandonadas por quem ali usava o tanque.

Parece que nos tempos que correm essa acção tem um nome todo catita e até inglês para parecer moderno, embora o conceito parece que surgiu na Suécia. Trata-se do PLOGGING.

Em resumo,  nestes tempos actuais por vezes ficamos com a ideia de que agora é um fartote de descobrir a pólvora.

Em todo o caso, é uma ideia importante e válida, esta a de juntar exercício físico com a limpeza do meio ambiente, mas só peca por... ser precisa.

26/03/2022

Hino de glória


Em meio século muito mudou

Numa vivência livre, sem cela,

Ali, na sombra solene da capela,

Ponto de partida do quanto sou.


Quanta realidade já desaparecida:

As crianças, o recreio, a escola,

O monte livre, rude campo da bola,

Os grilos na toca na relva escondida.


Mas há a sombra do velho sobreiro,

Figura austera, dono desse monte,

Confidente, amigo, ou só companheiro.


Todo o tempo já passado a memória,

Embalada no canto da fresca fonte,

Ressoa no presente em hino de glória.


A. Almeida

25/03/2022

Amizade


Que coisa bela, sublime, a amizade

Que tantos procuram no campo deserto,

Na amplitude do tão longe ou bem perto

Como resposta sábia à suma verdade.


Mas quem espera colher fruto ou trigo

De costas voltadas ao campo lavrado?

Não basta esperar na sombra estirado

Importará lançar a semente de amigo.


Quem nada dá não espere, pois, receber,

Porque a amizade quer-se cultivada,

Semente lançada para depois então colher


Amizade, linda, sentida, não se explica,

Porque é lição bem cedo ensinada,

É conta que não subtrai, antes,multiplica.


A. Almeida

Com Eritreia e a Coreia, juntos na diarreia

Confesso que nem estava lembrado que a Eritreia fosse um país. Mas de uma história conturbada e ocupação colonial pela por italianos e ingleses, obteve o reconhecimento da sua independência pela ONU em 24 de Maio de 1993. 

Apesar da sua Constituição a definir como um Estado republicano presidencialista com uma democracia parlamentar, a verdade é que tem sido de partido único e sem eleições desde a sua independência. Ou seja, na prática uma ditadura.

Não surpreende, pois, que a par de mais três ditaduras, Coreia do Norte, Bielorrúsia e Síria, a Eritreia tenha sido um dos quatro países de todos quantos têm representação na ONU a não condenar a Rússia pela situação de invasão na Ucrânia. 

A resolução que condena a Rússia e pede o fim da agressão, foi aprovada por esmagadora maioria nesta Quarta-Feira, pela ONU,  com o apoio de 141 dos 193 estados-membros das Nações Unidas. A resolução teve apenas cinco votos contra (Rússia, Bielorrússia, Síria, Coreia do Norte e Eritreia) e 35 abstenções.

O texto “deplora” a agressão russa contra a Ucrânia e “exige” a Moscovo que ponha fim a esta intervenção militar e retire imediatamente e incondicionalmente as suas tropas do país vizinho.

Em resumo, a Rússia comporta-se como o soldado recruta que marchando em contra-passo na companhia, to faz com a certeza que é o único que vai com o passo certo, marchando todos os demais errados. Para enfeitar o ramalhete, tem a seu lado esses quatro países do mesmo naipe que mais do que serem um importante apoio são, afinal de contas, a prova provada da sua falta de razão face à invasão, agressão e desproporcionalidade. Desculpando os termos, são merda do mesmo saco e assim vão juntos nessa diarreia de prepotência e desprezo pelo Direito Internacional. Pena que a China se abstenha numa atitude que só dá força, mas de uma outra ditadura outra coisa não se esperava.

Mas para além de tudo, para lá de mais uma condenação do mundo, a ONU nestas questões de segurança mostra-se um pingarelho sem qualquer efeito prático e a vontade de um único país pervalece sobre todos os demais. 

24/03/2022

Perfume


No perfume intenso 

De rosa cheirada,

O desejo é imenso

Em ter-te desfolhada


Mas ainda há pouco,

Antes desta paixão,

Perdi-me de louco

Por te sentir botão.


És mulher ou és rosa,

Ou inteiro um jardim?

Doce, suave, cheirosa,

Inteira, quero-te assim.


Poema e ilustração: A. Almeida

A ribeira se fez rio


Nasce a ribeira, fresca cristalina;

Deslizando alegre, ali a correr,

Ainda modesta, assim pequenina,

Mas grande na vontade de crescer.


Logo à frente, já sem embaraço,

Vão com ela outros doces regatos

E juntinhos nesse natural abraço

É já rio galgando campos e matos.


Do canto primeiro, doce, quase sem voz

Rumoreja agora como amplo que é

Seguindo de manso ou revolto, até.


O destino chegado, alcançada a foz,

Ali mais à frente, esperando-o com fé

O mar acolhe-o num abraço de maré. 


A. Almeida

23/03/2022

Guisande - Mapa

 

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NAVEGUE NO MAPA


22/03/2022

Dia Mundial da Água

 



















Hoje, 22 de Março, é o Dia Mundial da Água - Este elemento, indispensável à vida, tal como a conhecemos. humana, animal ou vegetal, assume cada vez mais importância já que, pelas alterações climáticas e poluição, tem vindo a tornar-se num bem escasso e inalcançável em vastas zonas do planeta.  

Para nós, temo-la como adquirida no simples gesto de abrir uma torneira, seja para beber, cozinhar, fazer a higiene pessoal ou regar o jardim ou horta, mas para uma grande parte da humanidade, sobretudo em África, conseguir uma porção diária para simplesmente sobreviver, corresponde a um constante esforço e consome uma parte substancial das suas vidas.

É, pois, a água, um elemento vital e indispensável e que importa ser cuidada e gerida de forma sustentável. 

Também nos meus simples rabiscos, como os de cima, é quase um elemento omnipresente, quer como símbolo da natureza, como de vida, beleza e harmonia.

À biqueirada


Foi já há uns valentes anos. Quantos, não sei ao certo, porque isto de calcular tempo passado, a partir dos 40 perde-se a noção porque um ano parece ter metade. 

O Ramiro, o picheleiro, tinha um grupo de malta já perra dos ossos para as coisas do pontapé na bola, uma mistura de veteranos e reformados, mas que facilmente se vendia por umas trainadas que metessem cabidelas ou rojões à minhota, e de quando em vez, lá combinava um jogo de futebol com outra qualquer equipa que padecesse mais ou menos dos mesmos males, da velhice, dos ossos e da paixão pela bola. 

Assim, de quando em vez, quase sempre ao Sábado à tarde, pegava na cana e no isco da saudade de quem já teve melhores dias e dando a volta pelo Vale, Louredo e aqui em Guisande, lá pescava um grupo suficiente de carapaus de corrida para formar uma equipa e mais alguns suplentes, porque isto de jogar sem treinos e com as pernas já cansadas obrigava a um plantel extenso.

Em Guisande o Ramiro pescava o Jorge Ferreira, o António Ribeiro, velhas glórias do Guisande F.C. e creio que o Álvaro sapateiro. Não sei porque carga de água, porque nem meti cunha, também fui pescado duas ou três vezes, quase sempre para jogar a médio ou a defesa esquerdo, talvez porque mesmo sendo destro, acertava bem como o canhoto. E então lá ía com o grupo, não porque me entusiasmasse o jogo em si, mas sobretudo pelo convívio, pelo banho e pelo jantar depois da jogatana. 

Lembro-me de uma vez em que fomos para os lados de Amarante, não sei se de Verão ou Inverno, mas deveria ser Inverno porque choveu pegado durante o jogo e dos pés à cabeça era um frio gélido e pele de galinha. O equipamento, de manga curta e calçõeszinhos brilhantes à anos 80, pouco ajudava a escapar daquele gelo e o pelado encharcado fazia lembrar um lagar. A bola, essa tinha o peso da cabeça do Zé Grande, bom defesa, e quando vinha lá do ar a cair como um míssil ninguém lhe chegava a cabeça. Só mesmo de capacete.

Para além do frio gélido, do terreno encharcado e a malta, de um lado e outro, a chutar para a frente quase como num jogo de râguebi, pouco mais me lembro, mas há uma coisa que jamais esqueço: Jogando a defesa esquerdo, estava na frente numa jogada de ataque quando a bola veio-me ter aos pés. Posicionei-me, apontei, e numa espécie de canto curto ou cruzamento longo, peguei um valente biqueiro na bola ensopada e ela sobrevoou toda a malta, defesas e atacantes e foi-se encaixar dentro da baliza no ângulo superior direito. Golo! Um bonito golo! Merecia repetição em slow motion!

Já não me recordo do resultado final. Se calhar ganhamos, ou talvez não, mas isso pouco importa, pois afinal o jogo valeu por aquele golo marcado da esquerda pelo pé que tinha mais à mão, e dessa vez, foi mesmo o direito.

Depois, veio o final do jogo, o banho, a pomada nos músculos e o gelo nas pisaduras. Confortados com cuecas quentes lá fomos para os lados da Lixa fazer a segunda parte da jornada, o convívio com uma boa jantarada oferecida pelos lorpas dos visitados. Boa gente!

Chegamos a casa quase de madrugada, perros dos ossos e pesados da barriga. O próximo jogo só dali a uns meses quando a malta estivesse restabelecida.

Há coisas assim, e num desconforto de chuva e frio lá surge um golaço como um raio de sol, mesmo que fosse de pouca dura.

21/03/2022

Nota de falecimento

 


Faleceu Maria Cidália Ferreira da Silva, de 65 anos. Natural de Guisande, do lugar de Estôse, cuja mãe foi sepultada no dia 23 de Fevereiro último. Vivia em Lobão, na Rua da Ponte, 1529.

Cerimónias fúnebres na Terça-Feira, na igreja matriz de S. Tiago de Lobão, pelas 16:15 horas, indo no final a sepultar no cemitério local. Missa de 7º Dia na igreja matriz de Lobão pelas 19:30 horas da Quinta-Feira, 24 de Março.

Sentidos sentimentos a todos os familiares. Paz à sua alma!

Comeres no Pedrógão

 





Com mais de um mês depois da reserva, nova visita ao restaurante "Pedrógão", na aldeia do mesmo nome, na freguesia de Moldes, Arouca.

Em anteriores visitas, o cabrito e a truta de escabeche estiveram na ementa e fizeram jus à fama. Desta feita, o "cozido-à-portuguesa", com carnes caseiras e criadas na quinta dos proprietários. A prova já esteve para acontecer há quase dois anos, mas a pandemia veio adiar a coisa, bem como porque por ali este prato só é confeccionado nos meses de Inverno, quando o frio marca presença e motivo para a matança.

O sabor e a qualidade estavam ali, naqueles travessas generosas, sendo que, pessoalmente esperava um pouco mais, talvez na variedade de alguns ingredientes. Desde logo, para além da couve branca de repolho, fazia falta couve verde, até para ajudar ao colorido da composição e diversidade de textura e sabor. Nos enchidos, para além da chouriça de sangue saborosa e salpicão, faltaria porventura alguma variedade, bem como esperava alguma carne mais fumada. Os nacos eram generosos e poderiam porventura ser servidos mais pequenos. Mas o porco seria grande e daí a dificuldade de reduzir.

Em resumo, sabor caseiro, carnes deliciosas de porco bem criado, mas a faltar qualquer coisa para ser considerado de excelência e justificar o condizente preço por pessoa.

Em todo o caso, apesar de pessoalmente considerar que ali faltaria algo mais, coisa que os demais comensais não sentiram falta, admito que apesar do cozido-à-portuguesa não ter segredos, para além da qualidade dos ingredientes, cada casa tem a sua maneira de o preparar, envolver e apresentar. No fundo, dar valor a uma boa refeição, e tradicional como o cozido, reside também no compreender, respeitar e aceitar a identidade de cada restaurante e de quem para além da componente comercial, coloca paixão e saber na sua preparação. E isso não falta no Pedrógão.

Posto isto, valeu bem a pena a espera de mais de um mês para se conseguir vaga no pequeno mas envolvente restaurante onde se come como se fosse em casa de nossa mãe ou avó.

A entrada simples mas saborosa com presunto caseiro e cubinhos de queijo. A sobremesa esteve divinal com leite creme e "sopa seca". A rematar o café, a prova dos licores, desnecessária mas da praxe.

Fica já marcada uma próxima visita mas, claro, até para compensar os excessos, para depois de um esforçado trilho que nos há-de levar a percorrer montes e vales na companhia das ribeiras de Moldes, Bouceguedim e Pena Amarela.

Ainda o Centro Social de Guisande

Na recente apresentação pública do bonito livro de autoria de Carlos Cruz, que decorreu nas instalações do Centro Social de Guisande, no Monte do Viso, entre outras importantes figuras, esteve presente o Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Sr. António Gil Alves Ferreira que entre palavras de circunstância e no contexto do evento, teceu elogios às instalações do Centro. 

Quem o conhece, sabe que o Sr. Vereador fala bem e muito, mas no caso, tendo sido simpático, não terá dito nada de mais, apenas uma constatação, já que de facto as instalações do Centro Social têm qualidade, estão inseridas num bonito e aprazível local e por conseguinte estão aptas à actividade principal para a qual foram construídas bem como de eventos comunitários, como a sessão dessa apresentação literária, para além de que o processo de construção teve a vantagem de fazer o aproveitamento capaz e digno de um edifício emblemático para a freguesia, como é o caso da Escola do Viso. Doutro modo, estaria por ali abandonado, vandalizado, a cair de ruina ou com ocupação descontextualizada e sem algo de substancial para a freguesia.

Temos assim  um Centro que integra o antigo e o moderno, preserva a história, memórias e identidade de um local e de um equipamento onde muitas gerações de guisandeses aprenderam e moldaram-se como homens e mulheres.

Por conseguinte, só por alguma  má vontade, desconsideração ou até mesmo por má fé intelectual, alguém pode ter uma opinião e uma posição negativas para com o Centro, os seus propósitos e as suas instalações. Podemos até não simpatizar ou mesmo detestar os elementos que integram os corpos gerentes, ou de um ou outro, mas até isso tem uma solução chamada eleições, o que de resto vai acontecer no final do próximo ano (Dezembro de 2023). 

Bastará, aos interessados em mostrar e demonstrar como se faz mais e melhor, serem sócios para poderem concorrer. É o mínimo. 

Neste contexto, e até porque o actual presidente da Direcção, Joaquim Santos, não poderá recandidatar-se ao cargo, por imposição dos estatutos, será uma oportunidade de ouro para quem se considera crítico para com o Centro Social, demonstrar qual o caminho certo, dar a cara e o esforço. 

Vamos ficar á espera desse passo, dessa reviravolta.

20/03/2022

Ao Dia do Pai

Que linda data esta, o dia de quem é pai

E Jesus, de Deus Filho, foi-o de S. José.

No parto a mãe deitada, o pai, ali em pé,

Na fé de um  filho que nu de ambos sai.


Tão grande e lindo, profundo mistério,

Ser mãe, ser pai, afinal o nascimento,

Onde o amor criador tem merecimento

Ao contraponto da morte ou cemitério.


Ser pai, é ser tronco de uma profunda raiz,

Flor delicada transformada em doce fruto

Num merecimento, tão grande ou diminuto.


Ser pai, é uma graça bendita, tão feliz,

Pureza de um homem, no amor impoluto

Na descoberta plena de um ser absoluto.


Américo Almeida

19/03/2022

Soneto da dúvida


Ando no mundo, tanto tempo passado,

Num viver de apressado, galopante,

Como anão com passos de gigante,

Como quem se procura desencontrado.


Corro em frente a um destino mais além

Sem alcançar o tempo que avança lá à frente

Numa ânsia desejada, louca, premente,

Desilusão de quem  tudo tendo  nada tem.


Serei eu, afinal, nesta corrida sem meta,

Não mais que o rasto brilhante de cometa,

Uma pedra atraída como ao planeta a lua?


Ou talvez, ave sem ninho, besta sem covil,

Um banal cidadão, homem igual a outros mil

Ou somente um caminhante que avança sem rua?

Festa do Viso - 2º Torneio de Sueca 2022


A Comissão de Festas em honra de Nª Sª da Boa Fortuna e Santo António realizou mais um evento recreativo com vista à angariação de fundos. Desta feita tratou-se do 2º Torneio de Sueca que teve lugar ontem, Sexta-Feira, nas instalações do Centro Social de Guisande, no Monte do Viso, a partir das 21:00 horas. 

Boa participação, com 12 equipas, registando-se casa cheia. Parabéns pela iniciativa e que certamente terá uma próxima edição.

Quando o Monte do Viso era o teatro dos sonhos

 


Nesta fotografia de 1961 vemos um grupo de crianças a celebrar o magusto no terreiro do monte do Viso ao lado da escola e da capela.

Por esses tempos o monte era o verdadeiro teatro dos sonhos da rapaziada porque ali era o palco de tudo quanto era brincadeira, tanto na hora do recreio da escola como aos fins-de-semana.

Nesse tempo havia, escola, havia crianças, muitas. Não havia telemóveis nem internetes. Nem tudo era bom, pois não, mas nem tudo era mau. 

Esta velha foto, mesmo que sem definição HD, mostra o que hoje é impensável, crianças à roda, alegres e felizes numa irmandade sadia e genuina. Havia por ali valores que hoje estão de todo perdidos. Mas as coisas são como são e não são mais que a consequência natural do andamento do tempo e das mudanças inerentes.

Como se vê pela fotografia, a escola não aparece pois está nas costas de quem fotografou e mesmo a capela aparece apenas parcialmente do lado esquerdo. Mesmo assim é perceptível que a escadaria frontal tem mais degraus e por conseguinte mais desnível bem como o monte, rude e irregular tinha várias árvores nos lados.

A configuração actual resulta de obras de requalificação realizadas pelo final dos anos 1990 e seguintes.

Era o teatro dos sonhos e a rapaziada, dançava, jogava e corria que se fartava. Os tempos mudaram e hoje correr é novidade e digna de exaltações tais que nos levam a pensar ser feito igual ao do Neil Armstrong e companhia quando pela primeira vez deram uns saltinhos na Lua. Andamos, de facto, todos na lua, aluados. A nossa Lua, a da minha geração e de algumas seguintes, foi o terreiro do monte do Viso. Isso sim, é que era!

18/03/2022

Livro a caminho


Pronto que estava há meses, formalizei hoje o pedido de publicação do meu primeiro livro. Outro se seguirá lá para o final deste  ano ou início do próximo.

Este primeiro livro de cariz pessoal terá uma parte com poemas e outra com alguns textos, contos e reflexões. Não será nada de especial  e em certa medida servirá de teste gráfico e de composição para o próximo trabalho, sendo que esse terá então uma temática relacionado com a freguesia e que espero venha a ser um modesto contributo a quem interessar pela identidade da nossa terra.

Ainda quanto a este primeiro "filho das letras" obviamente que será um livro de edição de autor e não será vendido, apenas como oferta. Esperemos que nasça antes da Páscoa.

Nota de falecimento

 


Faleceu Maria da Conceição Oliveira Fonseca, de Cimo de Vila, Guisande. Residiu em Fiães e nos últimos anos com a filha Manuela em S. Miguel - Lobão.

Tinha 82 anos.

Prima de minha mãe, recordo-a em muitos momentos da minha infãncia já que por muitas vezes a ela e às irmãs ficava eu e os irmãos mais velhos entregues passando tempo no quarto de costura brincando naquela azáfama de panos, linhas e agulhas.

Recordo ainda de forma indelével que quando ela tinha aulas de condução fazia-lhe eu, uma criança, companhia porque nesse tempo não convinha que uma mulher solteira andasse pelo Porto sozinha. Depois das aulas de código e condução, às segundas-feiras apanhava o combóio e ía ter com o futuro marido, o Sr. Olímpio que era feirante em Espinho. Depois, logo que casada, seguiu com o marido a profissão de feirante onde sempre, despachada e com boa disposição, entre malgas, tachos e panelas, ajudava os clientes na escolha de utensílios da casa. 

Nesta sua partida não deixa de ser significante que vá a sepultar no dia 18, dia da feira em Cesar, na qual durante tantos anos ali vendeu.

Deixada a feira da vida, que Deus a tenha agora em paz e eterno descanso. Paz à sua alma!

Sentidos sentimentos a todos os familiares de modo particular aos filhos, a Manuela e o Carlos e ainda aos irmãos.

O serviço fúnebre será hoje, Sexta-Feira pelas 14:30 horas na igreja matriz de Fiães, e depois sepultada no cemitério de Lobão.

Missa de Sétimo Dia na Quarta-Feira, 23 de Março pelas 19:00 horas.



17/03/2022

A guerra e a saúde mental

Ontem, num qualquer canal de televisão, a propósito desta guerra que a Rússsia está a impor à Ucrânia de forma devastadora, atacando de forma indiscriminada alvos civis, numa tática de puro terror, uma técnica chamava a atenção para os problemas mentais e psicológicos que acabarão por afectar toda a população ucraniana, sobretudo crianças, mas também todos nós que assistimos por fora e que estamos a ser bombardeados com imagens desse terror e horror. De algum modo, pela injustiça e total injustificação da invsão, tendemos naturalmente a tomar os papéis e estados de alma dessa gente.

Coincidência, ou não, certo é que nesta noite acabei por ter sonhos relacionados a essa guerra e à sua destruição e morte. Naturalmente não serei caso único.

Neste contexto, enquanto pessoas interessadas no acompanhamento da guerra e das suas consequências, torna-se necessário tentar um equilíbrio entre o nosso interesse pela informação mas também não fazer disso uma dependência. 

Claro está que cabe às diferentes televisões que cobrem diariamente a guerra que o façam de forma igualmente equilibrada, sem excessos para além do razoável. Uma cobertura excessiva com enfoque em aspectos de morte e dramas, que sabemos que são reais face ao contexto, não ajuda muito. Num exemplo desse exagero, como de resto noutros, a CM TV dá cartas e estará a contribuir para a degradação da nossa saúde mental. 

Importará assim, a cada um, mediar na justa medida o interesse na informação mas procurando filtrar o adequado e o acessório. Acompanhar as notícias e reprotagens de forma intensa, a toda a hora, não ajuda.

16/03/2022

Eu, pecador, me confesso


Confesso, sem rodriguinhos, que desmazelei-me por esse velho hábito de irmos adiando indefenidamente a concretização dos nossos mais íntimos projectos, a par do custo que a coisa terá quando inerente a uma edição de autor, e daí que com toda a naturalidade tenha sido "ultrapassado" pelo colega das escritas, Carlos Cruz, quanto à publicação de um livro de poesia. Fico feliz por ele, como de resto já por aqui o expressei, e fico à espera do segundo.

Mas as coisas são como são e mau seria se nelas houvesse qualquer competição como se uma corrida fosse. Que mais não seja, teve, o Carlos, o condão involuntário de me fazer tomar a decisão, e com o livro pronto há carradas de meses, faltando apenas alguma revisão, será publicado por estes dias.

De resto nem será algo de especial e seguramente pouco ou nada pretencioso, e servirá em muito como uma reunião física de poemas, pequenos contos e outros textos, já publicados em digital, mas será  sobretudo uma experimentação ou um teste para os aspectos gráficos e de composição, para outro livro que está já adiantado e que pretendo igualmente publicar lá para meados do próximo ano ou mesmo ainda no final deste. Esse sim, pretendo que tenha um carácter de interesse mais global à freguesia e que possa ser um simples contributo para a sua história, mesmo que de forma muito informal e modesta.

Fica, pois, com a devida antecedência, aqui a nota, sem novidade, mesmo que a poucos importe.