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19 de abril de 2022

Contrato de telecomunicações e azeitonas


Pois é, com o meu contrato a terminar no próximo mês, têm sido mais que muitos os contactos e propostas, tanto das próprias operadoras concorrentes como de agentes comerciais em nome delas. 

O curioso é que por parte da minha actual fornecedora e de há anos, a proposta seja a menos vantajosa quanto a condições e mesmo a mais cara, ultrapassando o valor do actual contrato, para além de que, dizem, só podem fazer melhor proposta para novos clientes.

Ou seja, para os bons e velhos clientes, que cumprem os contratos e pagam sem atrasos, a política é de desrespeito e desconsideração. É o que parece.

Seja como for, isto de optar pela melhor operadora e pela melhor relação de condições /preço é um cabo dos trabalhos para além de aturar os agentes com uma comunicação agressiva que procuram que as decisões sejam tomadas na hora. 

É como num restaurante pedir orçamento para uma refeição e os preços diferem conforme o número e o tipo de azeitonas da salada ou se o ovo é ou não passado dos dois lados. 

Uma das bases para comparar preços é obviamente que as condições sejam rigorosamente iguais. Ora isso, por mais que deixemos vincado o que pretendemos a quem nos contacta, é uma missão quase impossível pois um apresenta como opção azeitonas pretas, outro azeitonas verdes e outro nem uma coisa nem outra, sendo que descaroçadas e com recheio de pimentos . 

... contar azeitonas dá muito  trabalho.

4 de abril de 2022

Entretenimento


Por uma mera casualidade, numa busca online, percebi que há por este país fora vários estabelecimentos escolares de tipologia EB2.3, ou outras, designadas de Viso. Em locais como Vila Nova de Gaia, Porto, Figueira da Foz, Setúbal, Viseu. etc.

É claro que também tivemos a nossa saudosa Escola Primária do Viso, de Guisande. Teve um lindo passado mas um presente ausente e um futuro igualamente sem história. Não existe. Népias. Não fora o seu excelente aproveitamento e integração no Centro Social e provavelmente já o edifício não teria telhado, nem portas nem janelas.

Os motivos são conhecidos de todos e que emanam da baixa natalidade e políticas de centralismo que não se compadecem com lirismos de cada freguesia ter a sua escola. O centrão da educação a pretexto de poupança de recursos e de melhores condições transformou as nossas escolas nuns aglomerados certamente que com muita vida mas pouca ou nenhuma alma.

Nesta razia, vai sobrevivendo o estabelecimento de Fornos, como Jardim de Infância, mas mesmo esse com necessidade de crianças de outras freguesias. E mais coisa menos coisa, poderá seguir o destino dado às escolas da Igreja e Viso.

Por cá, apesar de toda esta fatalidade, do mal o menos porque fecharam a tasca em Guisande e mandaram os clientes para Louredo ou Lobão, relativamente perto, mas no interior do país, e mesmo num interior próximo, o encerramento de escolas foi um sangramento total e as aldeias tornaram-se ainda mais vazias e tristes e a caminho de se tornarem locais fantasmas.

No fundo, para este totobola conta o tal decréscimo da natalidade mas também, em muito, as décadas de más políticas ou pelo menos de desprezo total para com o interior. Por isso, quando por ora se fala em coesão territorial no mínimo, para não chorar, dá para rir.

Mas este é um assunto que diz pouco ou nada às pessoas. Nem na generalidade as preocupa sequer. Veja-se que tendo partilhado no Facebook um apontamento que escrevi aqui sobre a natalidade na nossa freguesia, como ponto de reflexão, não colheu sequer uma única opinião ou reacção. 

No fundo andamos todos por aqui entretidos com outras coisas e coisinhas e quem ousar reflectir e fundamentar sobre temas mais estruturantes ou mesmo mexer em certas feridas, feitas as contas só arranja lenha para se queimar. 

30 de março de 2022

Porreiro, mas nem tanto


Confesso que gostava de me juntar de forma extasiante áqueles que por aqui saúdam tão efusivamente o apuramento da selecção nacional de futebol para o Mundial do Qatar, que dizem que vai ser disputado lá para o final do ano, terminando já quase pelo Natal.

Todavia, foi um apauramento mais que esperado e só surpreende que tenha sido necessário fazer mais dois jogos caseiros com selecções medianas para carimbar a presença. 

O jogo de ontem com a Macedónia do Norte foi o que se esperava, um jogo fácil, tanto mais que a abrir com uma asneirada da defesa adversária que fez de jogador português. 

Sendo certo que o adversário tinha eliminado dias antes a Itália, de forma estrondosa e surpreendente, em nada acrescentou à valia da equipa. De resto quem viu o jogo com a Itália terá percebido isso. 

Aqui há uns anos o Gondomar foi à Luz eliminar o Benfica num jogo para a Taça e o Torreense às Antas, eliminar o F.C. do Porto, com um golo de um gajo chamado Oeiras, e tantos outros exemplos parecidos e, todavia,  não foi por aí que o Gondomar ou o Torreense se tornaram potências do futebol nem venceram a Taça nesses anos. Por isso, a Macedónia foi ela mesma: Uma selecção fraca apesar do brilharete de aqui ter chegado. De resto fosse o adversário de ontem a Itália e se calhar estávamos todos aqui a vociferar com a malta do Fernando.

Posto isto, parabéns à malta, estamos onde era suposto estar, era escusado cansar o pessoal com dois jogos extra, mas mais do que isso é exagero.

16 de março de 2022

Com as calças na mão e sem cuecas


Passam hoje 87 anos sobre a data (16 de Março de 1935) em que Adolf Hitler ordenou o rearmamento da Alemanha, violando então o Tratado de Versalhes que havia sido imposto após a derrota germânica na I Grande Guerra. Também foi introduzida a obrigação do serviço militar para a formação da Wehrmacht.

O que menos importa às novas gerações é a História, os seus factos no tempo e no espaço, mas, todavia, ela continua implacável e fria, sempre a dar-nos lições e a relembrar-nos, se não os caminhos que devemos seguir, pelo menos os que devemos evitar, concretamnete os que conduzem à guerra.

Mas chegados aqui, em pleno séc. XXI, quando se pensava que as guerras e guerrilhas eram só para os pequenos e instáveis estados do médio oriente ou África, como pretextos para as grandes potências entreterem os seus generais e experimentarem novas armas, e que a Europa vivia num ambiente de paz duradoura e virada para  a prosperidade, com a sua união económica cada vez mais alargada, ou mesmo com a NATO a estender-se a países que ainda há pouco andavam sob o jugo da URSS, eis que afinal tudo se subverteu. A loucura de apenas um homem e toda uma nação continental que lhe obedece cegamente e com isso a invasão, a morte e a destruição gratuita de um povo e um país, sem que os seus novos vizinhos possam responder, por questões políticas mas também por incapacidade militar, é demonstrativa que a força ainda continua a dar cartas.

Em resumo, a Europa há muito que vinha a desinvestir nas suas forças militares, no que parecia ser o caminho correcto, porque ainda vale a ideia de que é bem melhor e mais sensato edificar um hospital do que construir um avião de guerra, mas certo é que foi descendo as calças e agora foi apanhada com elas a meio das pernas e até mesmo sem cuecas.

Assim, em contraponto à data que aqui lembramos, temos já sinais de que a Alemanha, uma potência económica quase desmilitarizada, vai aumentar significativamente  os seus gastos no sector militar, incluindo a aquisição de várias dezenas de aviões F-35 aos Estados Unidos.  De resto este despertar também vai chegar a outros países como a Inglaterra, França e Itália e até mesmo ao nosso Portugal onde certamente os paióis de Tancos vão ser reapetrechados e dados mais brinquedos de "brincar" às guerras à malta das chefias castrenses.

Como se vê, as coisas tendem ao voltar  ao "normal" e como já estávamos esquecidos dos horrores das guerras mundiais, considera-se agora que, apesar de tudo, o único meio de dissuasão é precisamente o rearmamento. A paz por si só não se impõem porque basta um simples anormal instituído de chefe, mesmo que à força, pela ditadura e repressão, a derrube como a um castelo de cartas.

O mundo ocidental e civilizado tem assim que procurar assegurar a paz pelas armas, mesmo que estas ali esteja só como aviso. Não é o ideal, pois, não, nem nunca foi, mas ou isso ou a subjugação de todos ao desvario de um, dois ou três.

14 de março de 2022

Marcha lenta, lenta, lenta


Todos nós que circulamos na estrada e detentores de cartas de condução, sabemos e compreendemos a importância dos limites de velocidade. Já quanto ao cumprimento desses limites, em regra somos muito mal comportados e desse desrespeito residem muitos dos acidentes de viação e mesmo da mortalidade e ferimentos associados.

Posto isto, o que não faltam por aí são pilotos de Fórmula 1 e Moto GP, fazendo das estradas locais autênticas pistas e onde o limite é 40 circulamos a 60, onde é 50, vamos aos 80 e por aí fora, sempre de pé no acelerador.

De um modo geral o que está sempre em causa são os limites máximos de velocidade e de resto o nosso código da estrada apenas estabelece um limite mínimo para a circulação nas auto-estradas, no caso 50 Km.

Em contrapartida, para as demais vias de circulação, tanto dentro como fora das localidades, nada está estabelecido quanto a limites mínimos (admitindo que possa estar equivocado), existindo apenas a referência à proibição de marcha lenta por ela prejudicar a fluidez do trânsito, conforme o estipula o Artigo 26.º do Código da Estrada: 1 - Os condutores não devem transitar em marcha cuja lentidão cause embaraço injustificado aos restantes utentes da via. 2 - Quem infringir o disposto no número anterior é sancionado com coima de € 60 a € 300, se sanção mais grave não for aplicável por força de outra disposição legal.

Mas, reconheçamos, conforme está definida a questão da marcha lenta, dá interpretações subjectivas. De facto, uma coisa é um condutor que circula em marcha lenta por uma circunstância ocasional, devido a avaria ou outro motivo que possa ser considerado como justificado pelas autoridades, outra coisa é conhecer alguém que o faz de forma diária, corrente, reiterada, e durante largos quilómetros, não se desviando ou parando na berma de modo a permitir que o trânsito flua com normalidade.

Pergunto, pois, como é que as autoridades conhecendo estes casos (e quem os não conhece) continuam a permitir que alguém circule sistematicamente dessa forma sem as correspondentes coimas ou outra sanção, passando mesmo pela retirada da licença de condução?

Será preciso fazer um desenho?

11 de março de 2022

A hipocrisia é fodida...


Acredito que no recente caso de Mariana Mortágua (que acumulou regime de exclusividade na AR com programa remunerado na SIC), como aconteceu com o seu camarada Robles, ambos não pretenderam de má fé cometer qualquer ilegalidade. No fundo serão ambos boas pessoas e honestass quanto baste. E têm que mostrar isso porque enquanto figuras públicas são escrutinadas.

Todavia, o que irrita, neles e no seu BE - Bloco de Esquerda, é uma profunda hipocrisia nas lições de moral que constantemente estão a pretender dar a outros, nomeadamente à Direita, quando na realidade eles próprios têm telhados de vidro e mesmo que inadvertidamente também estão sujeitos a estas fífias. Ou seja, calha a todos, mesmo aos mais cautelosos.

Não basta, pois, vir de seguida fazer figuras de anjinhos, prontificando-se a regularizar, pois é o mínimo que se espera. É preciso um pouquinho mais, porventura menos hipocrisia e um boa pitada de humildade.

10 de março de 2022

Ad perpetuam rei memoriam


A sério que não gosto de partilhar e replicar "memes" que já andam por aí há cagalhiões de tempos pela internet, sobretudo pelo Facebook. Mas, mesmo assim, há coisas tão bem escavacadas e quase certeiras que apetece partilhar mais uma vez, ou mesmo guardar para "ad perpetuam rei memoriam".

Neste caso, o autor, que em rigor se desconhece, entre alguns naturais exageros e alguns números já desactualizados, acerta mesmo em muitas das situações elencadas em que supostamente pretende criticar os paradoxos e contradições do nosso Estado, do português, pois claro.

Agora é moda, não faltam sites de verificação de factos (Fact Checks), que se especializam em descobrir as caraceas de muitas notícias e mensagens, mas, sob pena de andar distraído, certo é que ainda não vi o conjunto de afirmações partilhadas abaixo serem devidamente analisadas e comprovadas ou desmontadas. Pessoalmente analisei algumas que batem certo e outras são tão evidentes que dispensam qualquer fact-check.

Segue-se, pois, uma boa lista de paradoxos e contradições tão próprias deste nosso querido Portugal.


 -Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto mas não pode pôr um piercing. 

- Um jovem de 18 anos recebe 200 € do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma 236 € depois de toda uma vida do trabalho.

-O marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco; O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.

-Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.

-Um professor é sovado por um aluno e o Governo desculpa-se que é das causas sociais (O professor defende-se e é´considerada  agressão ao aluno e é suspenso ou demitido)

- O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados. No Fórum Montijo o WC da Pizza Hut fica a 100 mts e não tem local para lavar mãos. (onde está a ASAE?)

- O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).

- Nas prisões são distribuídas seringas gratuitamente por causa do HIV, mas é proibido consumir droga nas prisões!

- Um jovem de 14 anos mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal. Um jovem de 15 anos leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, é violência doméstica!

- Militares que combateram em África a mando do governo da época na defesa de território nacional não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, mas o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa da pátria no Kosovo, Afeganistão e Iraque, entre outros locais.

- Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem, não pagas às finanças a tempo e horas e passado um dia já estás a pagar juros.

- Fechas a tua varanda e estás a fazer uma obra ilegal, constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.

- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões atrabalhar contigo num ofício respeitável, é exploração do trabalho infantil,

- Se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe!

-Numa farmácia pagas 0.50€ por uma seringa que se usa para dar um medicamento a uma criança. Se fosse drogado, não pagava nada!

Divulgada a lista, posso facilmente eu próprio arranjar mais uma série de boas contradições, mas fico-me por por apenas mais algumas sob pena de se tornar fastidioso:

- No PDM de Santa Maria da Feira, a zona do Monte de Mó era uma ampla extensão de zona verde abrangendo território de Guisande, Romariz, Vale e Louredo, onde não se podia edificar um curral ou um galinheiro; Actualmente passa lá uma auto-estrada e existe uma subestação eléctrica e uma plantação de postes e torres metálicas. Um parque electromagnético um bocadito maior que um curral de ovelhas.

- No licenciamento de uma habitaçáo reprova-se o projecto por uma soleira ter 3 cm quando devia ter 2 e nas instalações do Tribunal da Feira, as soleiras têm 15 cm, e na larga maioria dos edifícios de serviços públicos pelo país fora  não são cumpridas as regras impostas aos privados.

- Em Santa Maria da Feira, há pessoas que dispensavam as ligações e fornecimento de água e esgotos e são obrigadas a tê-las e a pagá-las, mesmo não as usando; Em contrapartida há pessoas que gostariam  de ter e ser servidas pelas mesmas redes mas a concessionária não as realiza. Em Guisande há situações dessas (Por exemplo na Rua da Zona Industrial e parte poente da Rua de Trás-os-Lagos.

- Em Santa Maria da Feira há utilizadores que pagaram forte e feio pela instalação das ligações às redes de águas e esgotos e a partir de determinada altura deixou de ser obrigatório para os demais, não sendo ressarcidos os primeiros. Uma exemplar democraticidade.

- Atrasei-me num dia no pagamento do IUC (imposto de circulação) e na volta do correio já paguei a coima; Fiz um serviço de avaliador para o Tribunal de Arouca e só recebi os honorários ao fim de quase dois anos, sem qualquer juro de mora.

- Fui alvo de roubo de um conta em serviço de vendas, cujo ladrão procurou vender em meu nome, de forma enganosa, um bem móvel. Fiz queixa às autoridades e mesmo disponibilizando dados e contactos (telemóvel e conta bancária) do larápio, as autoridades nunca o procuraram nem incomodaram e a mim convocou-me várias vezes de forma intempestiva para ir prestar declarações à sede da Judiciária ao Porto. De vítima a criminoso, acabei por desistir da queixa.

E fico-me por aqui. A lista de contradições seria longa.

9 de março de 2022

Estupidamente desconsiderado


Há alturas na vida em que damos o tempo como completamente perdido. De forma estúpida, inútil. Mais valia estar a contar formigas como bem gostava o outro.

Ontem, no Tribunal da Feira, convocado como testemunha, para as 09:15 horas, depois da chamada, seguiu-se uma espera de três horas ao frio ou num espaço com pouca comodidade. 

Já à hora do almoço, quando já se sentia o aroma dos refugados nos restaurantes da Feira, informaram-me que afinal não ía haver prestação de declarações nem julgamento e que ficaria adiado para um qualquer dia do próximo mês de Maio. Que tomasse nota que já não gastariam dinheiro na carta e no selo.

Obviamente um sistema de "caca" que literalmente abusa das pessoas e brinca com o seu tempo. Quando se faz com antecedência um agendamento nada justifica que a testemunha presente não seja ouvida. E sim, estas coisas não acontecem por acaso nem devido a um terramoto, incêndio ou a um ataque terrorista às instalações, mas porque é da norma, da praxe e por isso recorrente. Adivinhar um novo adiamento de uma sessão é tão lógico e natural que aceitamos estas coisas como uma inevitabilidade.

Ninguém, em rigor, quer que estas coisas melhorem ou sejam mais eficientes. É assim mesmo. Está-lhes no sangue. Convém que a máquina trabalhe devagar, devagarinho. Quanto às pessoas e ao seu tempo perdido de forma estúpida e inútil, que aguentem que isto é um Estado de Direito. 

7 de março de 2022

RTP - Serviço público?


A RTP, o canal público de televisão, celebra nesta data de 7 de Março de 2022, 65 anos de emissões regulares.

O conceito de serviço público associado à RTP não é consensual e cada pessoa que pensa dá a sua sentença. Pela minha parte, considero que, sobretudo o Canal 1, extravasa em muito o que deve ser um  serviço público. Deve restringir-se aos conteúdos institucionais, informação de qualidade, isenta e independente da voz do dono, que são os sucessivos governos, e ainda com uma forte componente cultural e científica, maior ênfase às realidades locais e regionais e sua divulgação. 

Tudo o que é entretenimento está a mais, sendo apenas mais do mesmo e concorrencial às televisões privadas. Há um excesso destes programas, incluindo os de "encher-chouriços" e pimbalhadas. Mesmo séries de ficção apenas se justificam aquelas com contextos históricos.

Publicidade, não se justifica de todo e deveria ser apenas institucional.

Mas, admito, este modelo de serviço público de televisão que advogo não é o que colherá um maior entusiasmo, porque à volta da RTP orbitam demasiadas estralas do mundo do entretenimento e enchimento de chouriços. Temos assim uma RTP 1 pejada de entretenimento, de manhã à noite, como se entreter o país e distrair as salas de espera, seja um imperativo de serviço público.

Vamos, pois, continuar a fazer de conta que temos um bom serviço público de televisão, mesmo que, enquanto contribuintes, sejamos cobrados pelos impostos e pela taxa de audiovisual, ou que isso queira significar. 

Já fostes! É um espectáculo!

Direito enviezado


Sejamos claros: Em rigor vivemos não num Estado de Direito mas, quando muito, num Estado de Alguns Direitos, onde quem tem dinheiro melhor aproveita os meandros da Justiça a seu favor. 

Podíamos estar aqui o dia todo a enunciar casos e exemplos, mas, por ora, apenas um: Uma pessoa é arrolada como testemunha num qualquer processo, muitas vezes sem nada saber sobre o mesmo e assim, sob pena de multas, coimas ou mesmo condenações, fica obrigada a comparecer a Tribunal, tantas vezes inutilmente porque tantas vezes as sessões são adiadas. Este é o "pão-nosso-de-cada-dia" da nossa lenta Justiça.

Por outro lado, todo o stress, incómodo e prejuízo não são compensados. A lei prevê que se possa pedir uma compensação pelas despesas de deslocação, é certo, mas o valor pago é simbólico e com valores determinados que obviamente não são ajustados em função de alguns factores, desde logo a constante variação dos preços de combustível.

Por outro lado, sendo certo que a lei prevê ainda que uma falta ao trabalho, devido a uma presença no tribunal como testemunha, seja considerada justificada, e como tal não perde o correspondente venciamento, em rigor é penalizada a empresa já que esta tendo que pagar ao trabalhador ausente, não recebe qualquer compensação do Estado. Para além de que, em muitas empresas fica em causa o prémio de assiduidade o qual não é pago. 

Por este simples exemplo, factual, assim se caracteriza este nosso Estado de Direito, por vezes tão enviezado. 

25 de fevereiro de 2022

PCP - No reino da foice, a clareza foi-se


A propósito da bárbara invasão da Rússia à vizinha e irmã Ucrânia, impressiona que em pleno séc. XXI o Partido Comunista Português ainda tenha posições dignas do tempo da guerra fria, não condenando directamente e sem mas, nem meios mas, a invasão da Ucrânia. Da China, outro país onde a Democracia não respira de todo, percebe-se que tenha uma posição alicerçada nos seus interesses económicos e estratégicos e por conseguinte não condene a Rússia. De resto tudo indica que esta invasão tinha à partida o "fechar-dos-olhos" da China, já que com a aplicação das sanções, será o gigante asiático a minorizar o impacto.  Daí que nada se espere e o discurso monocórdico é sempre o previsível. 

Já quanto ao PCP, ainda ontem em programa televisivo, um dos seus dirigentes, Bernardino Soares, numa posição que corresponde à do partido, por desfastio e para não desacertar o passo do mundo, condenou a invasão mas... sempre um mas, um todavia, um porém,  condena com mais veemência a Europa e sobretudo os Estados Unidos. É velho o preconceito dos comunistas contra os Estados Unidos, até mesmo um ódio de estimação, mas custa a perceber que um partido em regime democrático, critique suavemente e com muitas reservas um país gerido por uma oligarquia totalitária onde os conceitos de democracia são um faz-de-conta, totalmente subvertidos, onde se muda a constituição para se perpetuar o poder, onde a oposição é perseguida, aniquilida e condenada, e por outro lado se  tenha a lata de condenar um país democrático e que neste caso particular, que se saiba, neste caso não é invasor, de resto até numa posição de fraqueza.

Também concordo que a política externa dos americanos tem tido muitos erros e alguns graves, e não são inocentes em muitas merdas que têm feito, mas neste caso pretender  o PCP desagravar ou mesmo ilibar o invasor, de uma guerra sem a mínima justificação, e condenar quem está de fora parece algo surreal.

Assim, para o PCP  qualquer crítica aos antigos camaradas da guerra fria, é como comprar não um biquini com duas peças inseparáveis, mas apenas um monoquini: Utiliza a cuequinha para tapar o traseiro do camarada  mas não utiliza a outra peça, de modo a destapar as maminhas da democrática América.

Mas, como diz alguém, dali não se espera nada de novo, de resto é uma posição que não conta para o totobola de tão previsível que é. Como se costuma dizer, se uma árvore dá pêssegos, então é um pessegueiro. Ou, utilizando um provérbio tão caro ao camarada Jerónimo, a crítica à Rússia, a Cuba, Venezuela, China ou Coreia do Norte, para o PCP é como manteiga em nariz de cão. Numa lambidela lá se vai.

23 de fevereiro de 2022

O cagaço de chamar os bois pelos nomes


Creio que todos nós, mais ou menos atentos às notícias, fomos informados por estes dias das agressões brutais a pessoal do Centro de Urgências no  Hospital de Vila Nova de Famalicão, perpetradas, segunda a imprensa generalista, por um grupo de pessoas (entre 10 a 20 indívíduos), em plena madrugada, de forma gratuita, sem qualquer motivo. Os agressores fugiram antes da chegada da polícia que alertada para o incidente, deve ter dado umas curvas pelo bilhar grande pois chegou já muito depois do crime a ponto de niguém identificar e muito menos deter. 

Livraram-se, quiçá de, também eles polícias, ser agredidos a pontapé e a murro e sem poderem usar dos meios adequados incluindo o uso da força. O histórico de condenações e processos disciplinares a agentes policiais que apenas exerceram o que deles se esperava, é suficiente para "amolecer"  o dever da autoridade. Assim, compreende-se que tenham chegado depois do pó assentar. Temos, pois, uma polícia "coninhas" à medida de um país de moles e brandos costumes.

Ora o que a nossa imprensa politicamente correcta e amestrada pelos apoios estatais não disse, é que o tal grupo de pessoas  afinal de contas era uma manada de valentes ciganos que ali pela calada da noite  quiseram fazer justiça à sua maneira agredindo de forma violenta e gratuita  enfermeiros e um segurança, para além de danos causados nas instalações. Ao que parece apenas esperavam que a mulher que acompanhavam tivesse um atendimento rápido e priveligiado. Não o sendo, como os demais, partiram para a violência.

Já se desconfiava. Afinal, estes episódios envolvendo esta gente anónima, pacífica e bem integrada, são mais que muitos. Onde vai um vão todos. Se um pinheiro dá pinhas, deve ser mesmo pinheiro. Mas para a nossa imprensa, um pinheiro é uma árvore que dá bananas.

Assim vão indo as coisas. Não podemos nem devemos generalizar, como em tudo, é certo, mas estas situações envolvendo grupos da referida etnia são mais que muitos e com uma impunidade de bradar aos infernos. Mereceria a atenção devida de quem manda, mas os nossos políticos são no geral uns valentes conas mansas ou pilas moles e por isso, ressalvando a misogenia da coisa e sem ofensa, temos o que merecemos. A maioria, como o algodão, não engana.

É disto que a casa gasta e depois surpreendem-se que chegue o Chega e facilmente seja a terceira força mais representada na nossa democrática Assembleia da República e com pernas para andar.

Este nosso cagaço de não chamar os bois pelos nomes, de não identificar os ciganos como ciganos, mesmo quando eles se orgulham de o ser, sob pena de sermos apelidados de xenófobos e intolerantes, irrita e revela em muito o sentimento de impunidade de que gozam certas franjas na nossa sociedade. Assim não! A integração também passa pela aplicação da Justiça, sem paninhos quentes.

Já agora, por andam os tais noventa e muitos marroquinos  dos que têm dado à costa dourada dos algarves e andam por aí livremente, já não localizáveis e sem qualquer controlo das autoridades? Ainda estão por cá, ou já deram de frosques?

14 de fevereiro de 2022

Salgalhada


A valente pouca vergonha que assistimos no estádio do Dragão no final do jogo de futebol entre F.C. do Porto e Sporting, na passada Sexta-Feira à noite, cujo resultado final deu um empate a 2, é uma imagem caracterizadora do nível do nosso futebol. De resto é um filme com muitos remakes e a fazer lembrar velhos métodos e outros episódios.

Independentemente de quem possa ter a maior dose de responsabilidade, parece claro e indesmentível que todos estiveram mal. Ouvindo as posições das partes, ambas clamam ter razão e os bandidos estão do outro lado e vice-versa. Já há promessas de queixas crimes em ambos os lados. Ou seja, todos sentem que têm razão.

Nas televisões parece que quem fala mais alto é que é o dono da verdade, como o burjesso do Rodolfo Reis na CM TV, que aos berros ajuizou que o incendiador-mor fora o guarda-redes do Sporting, que terá insultado os aclmos adptos portistas e dito das boas nas orelhas do impoluto defesa central do F.C. do Porto, que já depois do apito reclamava um penalti salvador e que desse a volta ao texto do resultado. Pepe, esse exemplar jogador de uma correcção a toda a prova e que em toda a sua vida de futebolista nunca viu um cartão amarelo ou vermelho nem nunca agrediu um adversário. 

Ora neste sacudir de responsabilidades, com jeitinho ainda vão apurar que as mesmas são do Benfica, do Tondela, do Santa Clara ou até do Cesarense. Que se ponham a pau.

Quanto ao apuramento de responsabilidades e castigos em propoção, é esperar e ver, mas para além dos castigos aos jogadores que levaram cartão vermelho naquele bacanal, pouco mais se espera. De resto, nestes dias imediatos à batalha, as pessoas com responsabilidades no nosso futebol, da Federação à Liga, têm estado remetidas ao silêncio. Até o professor Marcelo que fala pelos cotovelos sobre tudo e sobre nada, e que condecora a direito qualquer feito desportivo, deveria também vir a público dar mais uma lição de portuguesismo. Fica-se à espera. Até lá, tudo vai bem no reino de sua majestade.

A responsabilidade continua solteira

O recente caso da anulação de mais de 157 mil votos no círculo eleitoral da Europa, a que correspondem mais de 80% do total, é um absurdo e um autêntico desrespeito para com os eleitores. Incompreensível a todos os níveis mas que nos mostra que no geral todos lamentam mas igualmente sacodem a água do capote. 

Apesar das queixas e da coisa ir ao Ministério Público, em rigor a culpa e responsabilidades vão uma vez mais morrer solteiras. Certinho e direitinho.

É o que temos!| Não se pode esperar que um castanheiro nos dê maçãs.

9 de fevereiro de 2022

Aguentar e carinha alegre

 


Para quê voltar a falar no assunto e queixarmo-nos constantemente da subida do preços dos combustíveis, sendo aqui em Portugal dos mais caros na Europa, nomeadamente sabendo que uma grande parte do bolo do custo refere-se a taxas ou impostos? Se amanhã se realizassem novas eleições legislativas voltaríamos todos sorridentes e sem hesitações a votar nos mesmos. E claro, com maioria absoluta para que não restassem dúvidas de que queremos que continue a ser assim.

Em resumo e em boa verdade, gostamos disto mais do que chocolate. Vamos, pois, como gente crescida, deixar de refilar e reclamar, aguentando a coisa com boa disposição e carinha alegre!

[fonte e imagem: DN]

7 de fevereiro de 2022

O tacho das taxas

Por regra este tipo de coisas passa-nos ao lado, mas em recente estudo da consultora EY e da Sociedade de Advogados Sérvulo, chegou-se à conclusão que em Portugal existem mais de 4300 taxas, 2900 das quais relacionadas a empresas ou organismos públicos. A APA (Agência Portuguesa do Ambiente) é a entidade que mais contribui para esta "poluição", cobrando um total de 600, algumas das quais redundantes. As Câmaras Municipais são igualmente entidades eficientes neste "venha a nós", com um bom cardápio de taxas, licenças e coimas.

Temos, pois, no geral, um Estado vocacionado para sacar dinheiro as contribuintes, dê por onde der, e tudo  e mais alguma coisa é motivo para pagamento de taxas e taxinhas, multas e coimas. 

Como agravante, o mesmo estudo aponta a complexidade do sistema e a inerente falta de transparência sobre as respectivas taxas, bem como a dificuldade na identificação das suas bases legais aplicáveis. Algumas entidades chegam mesmo a desconhecer as taxas cobradas por si próprias.

Juntando a este caldo os habituais  e crónicos ingredientes da lentidão da Justiça, a dificuldade de acesso à mesma ao comum dos cidadãos, o emaranhado da burocracia, o incumprimento de prazos, o abuso de poder, a falta de concorrência nas entidades públicas, etc, etc, temos o mesmo, o caldo, verdadeiramente entornado.

O estudo conclui por isso que o sistema fiscal cá da terra é tudo menos claro e objectivo e com ele são os cidadãos e as empresas as principais vítimas. Mas podemos ficar satisfeitos no que diz respeito à imaginação para criar motivos para tantas taxas.

Em suma, ao Estado tudo parece justificar-se para sacar dinheiro ao contribuinte e sobretudo a quem gera riqueza, trabalha e poupa. Pelo contrário, quem vive de artimanhas administrativas e labirintos legais, bem como quem vive habilidosamente da subsídio-dependência, em suma, quem dá apenas prejuízo ao Estado e aos contribuintes pagantes, colectivos ou singulares, esses têm um vasto campo para o oportunismo e para beneficiar de algo que não produzem. 

Não surpreende, com tudo isto, que a filosofia e a ideologia reinantes vão caminhando no sentido de acabar com os ricos em vez de acabar com os pobres por via do crescimento e produção de riqueza. Face a este estado de coisas, as empresas e pessoas que geram desenvolvimento, investimento, riqueza, trabalho e poupança, esses vão sendo os maus da fita, a quem tudo se justifica para o "assalto".

Só nós dois é que sabemos...

Creio que já o disse ou escrevi por aqui: O nosso sistema eleitoral só benefecia os dois grandes partidos e daí os mesmos não terem interesse particular em mudar a coisa. Não surpreende, por isso, que o Partido Socialista com 41% do total de votos tenha conseguido a maioria de deputados. Parece anedótico e contrário às leis da matemática, mas é a realidade.

Ainda com este sistema, em Portugal e para as legislativas são cerca de meio milhão de votos que valem absolutamente nada em termos de representatividade, apenas para dar uns trocos aos respectivos partidos. Em distritos pouco populosos, como Bragança, Guarda ou Portalegre, por exemplo, qualquer cidadão que for às urnas votar em qualquer partido que não o PS ou PSD, é, na prática, uma pura perda de tempo. Valerá apenas o valor que os partidos recebem por cada voto, 13 euros, o que até nem é mau e vai dando argumentos para a existência de partidos residuais que assim, para além do tempo de antena, sacam umas massas ao Estado.

Outro exemplo dos paradoxos do nosso sistema, no caso o CDS que no global do país teve muitos mais votos que o Livre (cerca de mais 13 mil) e no entanto não elegeu nenhum deputado. Dá que pensar?

É claro que este deficiente sistema não é exclusivo de Portugal. Há outros sistemas igualmente esquisitos, incluindo os Estados Unidos. No Reino Unido, por exemplo, com um sistema de 650 distritos, em que cada um elege um único deputado (o vencedor). Com tal sistema, um partido até pode ter menos votos que o adversário, no global, e alcançar a maioria dos deputados, o que de resto já aconteceu.

Em ambos os casos ou em sistemas onde existem estas anormalidades e paradoxos, em regra beneficiam sempre os dois grandes partidos de cada país, daí não interessar aos mesmo alterar as respectivas leis eleitorais, no fundo, as leis do jogo. É, em resumo, uma espécie de batota em que os meninos grandes enxotam os meninos pequenos da roda do jogo. Como numa sala para assistir a um filme pornográfico, só entrem os de maior idade.

6 de fevereiro de 2022

Extremismos

O Bloco de Esquerda e a sua coordenadora Catarina Martins, levaram uma coça de todo o tamanho nas eleições legislativas no passado Domingo, com a redução do seu grupo parlamentar de 19 para 5 deputados. O eleitorado, ao Bloco e também ao Partido Comunista, castigou-os, culpando-os da situação que levou à dissolução da Assembleia da República e à consequente convocação de eleições antecipadas.

Apesar disso, da derrota, do rombo e da perda da importância, continuam a dizer que manterão o combate à extrema direita, sobretudo ao Chega de André Ventura que lhe arrebatou o lugar de terceira força política no Parlamento. Na noite do rescaldo, apelidou mesmo os deputados eleitos pelo Chega de racistas, sem tirar nem pôr.

Em resumo, o Bloco e a sua dirigente, parece que ainda não perceberam que muito do êxito do Chega resulta precisamente do extremismo com que o têm tratado. O Chega mereceria porventura apenas a indiferença e o seu esvaziamento, mas o Bloco teima em insuflá-lo e usar um posicionamento radical, adoptando valores como o extremismo e uma postura de quase ódio. O Bloco mostra-se assim também ele intolerante e faccioso. Pode desrespeitar a esmo os deputados eleitos do Chega mas deveria ter em consideração os milhares de portugueses que em liberdade e legitimidade os escolheram.

Assim, apesar da derrota e da sua quase vaporização, o BE continua arrogante e fala do alto da burra como se ainda tivesse 19 ou 50 deputados e mais do que isso, a exclusividade dos valores da democracia e cidadania. 

Podemos não gostar do Chega e de alguns dos seus princípios, e eu também não gosto, mas importará perceber onde é que a democracia e os seus intérpretes têm falhado a ponto de gerar um descontentamento de largos milhares de portugueses. As respostas parecem ser fáceis e óbvias mas o actual sistema de uma esquerda moralista  tem tido orelhas moucas e línguas mudas. Discursos de ódio como os dos Mamadous Bas, não ajudam de todo e só acirram e cimentam o extremismo de ambas as partes, 

Não espanta, pois, que a onda de revoltados comece a ganhar importância e peso eleitoral, goste-se, ou não. O Bloco diz não gostar, mas tem que os aguentar. Bem gostaria de os exterminar por decreto, mas não é por aí que a coisa se resolve. Talvez na China ou na Coreia do Norte, mas não por cá.

4 de fevereiro de 2022

O BUPi é uma (quase) valente "merda"


O BUPi é uma daquelas formas que o Governo arranjou para fazer incidir as responsabilidades e custos da realização do cadastro predial directamente aos proprietários. 

Depois de anos com o Estado a suportar o processo mas ainda com a maior parte do território do país por cadastrar, o Sr. Costa e acólitos tiveram uma epifania e voilá: Aí temos o BUPi, uma plataforma electrónica que vai dar trabalho e ocupar muitos técnicos, uns profissionais, outros aprendizes e outros nem uma coisa nem outra.

Para além de tudo, uma plataforma que parece pouco prática e algo complexa e aparentemente não funcional já que são mais que muitas as vezes em que está fora de serviço.

Mas o que vem a ser esta quase "merda" do BUPi, uma terminologia para  Balcão Único do Prédio (BUPi)?

Segundo a Wikipedia, "Balcão Único do Prédio (BUPi) é uma plataforma de interoperabilidade que agrega a informação relevante sobre os prédios urbanos, rústicos e mistos em Portugal, e os seus titulares, incluindo informação disponível nas várias bases de dados públicas das entidades parceiras do projeto BUPi, através da articulação entre o registo predial, a matriz predial, o cadastro predial e a informação geográfica. A Lei n.º78/2017, de 17 de agosto, cria o Sistema de Informação Cadastral Simplificado e o BUPi como plataforma única nacional de registo e cadastro do território, com o intuito de conhecer o território português de forma simples e inovadora, aumentar a eficiência no planeamento e gestão do território, no combate aos incêndios rurais e na criação de valor económico a partir dos recursos naturais".

Claro que tudo isto é uma quase valente "merda" porque em rigor quem lida com estas coisas sabe perfeitamente que a articulação dos serviços da Conservatória do Registo Predial e Finanças é coisa que não existe e a regra é que a caracterização e descrição dos prédios sejam invariavelmente diferentes em ambos, seja na área, nas confrontações, na titularidade de propriedade, etc. De resto é desta falta de harmonização entre ambas as entidades que surgem as dificuldades, já que as diferenças entre ambas, mesmo que de pormenor e pouco relevantes, são motivo para a submissão ser considerada inválida. Depois a questão do título, como escrituras de partilhas, de compra e venda, etc.

Um exemplo típico desta desarmonia: Se num prédio na matriz está como titular a Maria dos Santos Silva mas na Conservatória está como Maria dos Santos Silva Azevedo, porque acrescentado com o apelido do marido, tal é suficiente para ser invalidada a inscrição no tal BUPi. Ou então, se na matriz o prédio está com 700,00 m2 mas na Conservatória está com 701,00 m2, novamente um motivo para invalidade. Em resumo, são mais que muitas as "merdices" que podem emperrar o registo e a validação  na plataforma

Em resumo, esta nova plataforma não vem resolver esse problema nem uniformizar o registo predial. Muito menos para simplificar ou descomplicar. Seja como for, está aí para complicar a vida aos contribuintes e naturalmente com isso mexer na sua carteira. 

É certo que muitos municípios aderiram criando balcões de atendimento, como o de Santa Maria da Feira,  onde os proprietários podem, em teoria, fazer a coisa de forma gratuita. Ora esta suposta gratuitidade é apenas uma questão de semântica porque na realidade os proprietários na sua maioria analfabetos ou iletrados nestas coisas das ferramentas digitais, não são capazes de identificar de forma correcta os limites dos seus prédios, nem os técnicos no tal balcão os podem ajudar, e por conseguinte têm que recorrer e pagar a quem o faça, nomeadamente a um topógrafo para lhe realizar um levantamento topográfico georreferenciado ao sistema de coordenadas ETRS89.

Depois toda a complexidade do sistema e dos requisitos; Eu próprio que tenho formação e experiência em topografia e desenho, tive problemas no respectivo registo e aprendi que importará fornecer o mínimo de informação. Num dos casos tive a ousadia de fornecer para o mesmo prédio a caderneta predial e a certidão da conservatória e porque há entre ambas uma ligeira e insignificante variação de área, o técnico responsável pela análise acabou por não validar o registo. 

Por estes pintelhos vê-se a complexidade da coisa e obstáculos criados, de modo a que as coisas tenham mesmo que ser feitas no tal balcão de atendimento, mesmo que por lá estejam eventualmente azelhas, estagiários e pessoas com poucos ou nenhuns conhecimentos de topografia e georreferenciação.

Para além de tudo, com o avançar do cadastro surgirão inevitavelmente sobreposições de prédios que levarão a conflitos jurídicos e a decisões demoradas nos já por si lentos e arrastados tribunais. 

Assim vamos indo, cantando e dançando ao ritmo de quem nos dá música. É o que temos e não há como escapar. 

28 de janeiro de 2022

Atoarda


Confesso que até tinha alguma admiração artística pelo Fernando Tordo. Todavia, com as suas recentes declarações ao Jornal de Notícias, pelo extremismo das mesmas, parece-me, borrou a escrita e pela minha parte perdeu toda a consideração.

Em resumo, disse o artista de 74 anos ponderar voltar a emigrar caso a Direita vença as eleições legislativas marcadas para o próximo dia 30 de Janeiro, e que nesse caso se vai embora, simplesmente, tal como já havia feito em 2014 pelos mesmos motivos.

Ou seja, o Sr. Tordo não se dá bem com a democracia. Ele que se arvora num democrata e que até cantou umas abriladas e umas touradas, tem todo o direito de emigrar e de dizer o que quiser de forma mordaz, crítica ou filosófica. Tem ainda o direito de não gostar da direita e das suas políticas e intervenientes, mas tem igualmente que saber compreender e respeitar a vontade dos portugueses que escolhem alternativas diferentes de forma livre  democrática. 

O país não é só de esquerda nem só de direita, mas de cidadãos que pensam diferente sem deixaram de ser portugueses, e por isso tem havido ao longo do percurso da nossa democracia uma alternância, ora à esquerda, ora à direita. Goste-se, ou não, é assim. Mal estávamos se fôssemos todos direitinhos ou esquerdinhos. 

Como homem livre o Sr. Fernando pode emigrar quando e para onde quiser, mas dizê-lo dessa forma pública e ressabiada, mesmo que em tom de pensador mainstrem, e a passar um atestado de "disparate" aos portugueses que pensam diferente e votam à Direita, é no mínimo um desrespeito.

De resto, se não se dá com a Direita, o Sr. Tordo tem excelentes locais para onde emigrar e continuar a fazer carreira apesar da sua idade. Coreia do Norte, China e Cuba são bons destinos e tem a garantia de que por lá a Direita não passa. Lá o pensamento é único e formatado e o Sr. Fernando sentir-se-á como peixe na água.

Que não perca tempo. Será menos um a receber subsídios pagos por inactividade, com contribuições de todos enquanto contribuintes, tanto os da esquerda, como os da esquerda caviar, que adora, como os do centro ou da direita, que desconsidera.

O mais certo é que a sua tão odiada Direita ainda não vença, mas se sim, já vai tarde! Siga! Pode ir cantando a sua canção:


Adeus tristeza, até depois

Chamo-te triste por sentir que entre os dois

Não há mais nada pra fazer ou conversar

Chegou a hora de acabar