25/02/2026

Nota de falecimento - Jorge dos Santos Alves

 


Faleceu Jorge dos Santos Alves (Jorge do Teixeira), de 56 anos.

Natural da Pereirada - Guisande, estava emigrado em França.

Cerimónias fúnebres na Sexta-Feira, 27 de Fevereiro, pelas 16:00 horas, na igreja matriz de Guisande. No final irá a sepultar no cemitério local.

Missa de 7.º Dia no Sábado, 28 de Fevereiro, pelas 17:30 horas, na Capela do Viso.

Sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular à esposa, filhas e irmãos.

Que Deus o tenha em eterno descanso!

Meu caro Portugal


Meu caro Portugal:

Dizem-me que mais uma vez está você em maus lençóis, mas essa é, creio, a opinião dos que o conhecem mal a sua História. Tanto quanto sei, e para falar apenas da experiência dos meus mais que muitos anos, você raro esteve em bons.

Recorda o que lhe aconteceu depois dos Descobrimentos? Lembra-se do Volfrâmio? Tem presente como há vinte e poucos anos se deixou ir no vigário de que para ser feliz e rico bastava fazer-se pequenino e chupar as tetas da UE? Porque os gajos eram mesmo burros e você esperto sem igual?

Que fez com os milhares de milhões que lhe deram para que crescesse e melhorasse? Descanse, não vou esfregar sal nas feridas, mas para quê esses estádios, essas inúmeras e inúteis Casas da Cultura em terra de analfabetos? Não se envergonha do quarto miserável que em sua casa é o Nordeste transmontano?

Deram-lhe fortunas para aplicar no bem comum, gastou-as você, pobre novo-rico, em relógios de ouro, Mercedes, Jaguars, e reformas milionárias, esquecendo que um terço dos seus familiares não tem dinheiro para aquecer o lar no inverno, que são sem conta os miseráveis, os desesperados, os que sofrem porque ninguém lhes acode na doença e morrem sem amparo.

Entretanto, você, meu caro Portugal, dança, esbanja dinheiro que não é seu, gasta em férias exóticas o sustento dos seus filhos. Já alguma vez lhe passou pela cabeça que o que paga pelos almoços de gourmet em restaurantes chiques é tirado da boca dos seus compatriotas?

E diga-me: que cara devo pôr quando aqui onde vivo, sabendo-me português, me apontam e se riem, me envergonham dizendo de si as verdades cruas? Já nem o comparam às repúblicas bananeiras, que essas são de longe, não pertencem à Europa, mas colocam-no numa categoria à parte, a dos trafulhas, (*) os que sabem que um dia virá em que inevitavelmente se descobre a trafulhice, o que pouco importa, porque lhes falta vergonha na cara e outros terão de pagar o desfalque.

Poupo-lhe o que me contam da sua Justiça, da suas autoridades, das camarilhas e quadrilhas que, fingindo governá-lo, lhe sugam o que tem e o que lhe emprestam.

Para mim, meu caro Portugal, e isso desde que nos conhecemos, você sempre foi uma dor. Mesmo naquele momento de euforia dos cravos não pude esquecer quem você é e como sempre se comporta. Quer acreditar que não dei vivas? Em coisa de meses já as quadrilhas e as camarilhas se deitavam ao bolo, deixando ao povo dois ossos: o da democracia e o da liberdade, ambos fraco sustento para quem tem fome.

Muitos anos passados, com um humor que escondia o pesar, sugeri que, para o salvar de si próprio, um consórcio de nações o comprasse e transformasse numa reserva. Mas nesta altura creio que ninguém o quererá, mesmo dado. Teremos de continuar a suportá-lo nós, seus maltratados e desprezados filhos, da mesma maneira que fazemos há séculos: mourejando no chão de pedras ou indo amargar em terra alheia.

J. Rentes de Carvalho

24/02/2026

Há quem vá ao "Barrigas"; Há quem vá ao "Fidalgus"

Quase todos, eu e os que gostam de, pelo menos de vez em quando, ir almoçar ou jantar a um restaurante, já passaram por isto: Por vezes, relativamente próximos, em tempo e distância, dois mundos parecem colidir: Num local, o restaurante "Barrigas do Povo": sem peneiras, sem guardanapos de pano, um bacalhau, à casa ou à "liberdade", que precisa de dois pratos para caber, um vinho da região honesto e uma conta que nos faz sair a sorrir, mesmo com entradas, saídas e o habitual "cheirinho". Ainda a pedir um saco para levar as sobras para o cão ou mesmo para uma refeição no dia seguinte.. 

Noutro sítio, o "Fidalgus", com fundo musical suave, decorações estilosas: aí, uma dose que parece uma amostra grátis, uma lasca de bacalhau solitária no meio de um grande prato, pintalgada por azeite ou molho inglês, uma qualidade que, para além do estilo, não deslumbra de todo, e no final uma conta que parece o orçamento de defesa de um pequeno país. O vinho que sabemos que na loja do Pingo Doce custa 4,00 euros, ali não se contenta a custar, compreensivelmente, 10, mas 20 euros. Se for um Giroflé ou Giroflá, coisa de autor, ui, ui!

O mistério, diga-se e em boa verdade se esclareça.  não é só gastronómico, antes sociológico. Senão, vejamos: O "Imposto de Vaidade" - Por que é que no "Fidalgus", se a comida , não sendo pior, não é seguramente melhor? Quiça com umas pétalas de rosas, umas raspas de cenoura e duas folhinhas de beldroegas? A resposta é simples: o cliente não está ali para comer. O que está na mesa é um acessório, como um relógio de marca ou uma mala que custa mais que todo o dinheiro que nela se consiga meter dentro. O preço inflaccionado não é um erro de cálculo do dono ou do empregado de mesa; é apenas um filtro social, de estatuto, de diferenciação.

Num mundo (digamos, pelo nossa zona) onde qualquer um pode comer bem por 20 €, o verdadeiro luxo, para alguns mais abonados ou com reformas de médico ou professor, é pagar 50 € por algo parecido, apenas para garantir que o vizinho da mesa do lado tem o mesmo extracto bancário (ou, pelo menos, a mesma pretensão). É o chamado consumo conspícuo: a arte de gastar dinheiro para sinalizar que se tem dinheiro. Por regra, a ementa funciona apenas como um guião teatral.

Na verdade, no "Fidalgus", a dose é, regra geral, minimalista, apelidade de "gourmet", inversamente proporcional ao ego. Quanto menos comida houver no prato, mais "sofisticado" o cliente se sente. Afinal, comer até ficar satisfeito é coisa de quem trabalha no duro, de um qualquer trolha ou pedreiro; a elite, essa prefere a "experiência" da fome, do gourmet, da "comida de autor", seja lá que caralho isso queira dizer.

O vinho: É o mesmo que custa 4 € no supermercado, mas aqui, baptizado pela iluminação ambiente e por um escanção que nos olha de cima, que saca a rolha, e cerimoniosamente dá a provar e a cheirar, passa a valer 30 ou50 €. E o cliente paga, não pelo sabor, por vezes até a saber a rolha como um qualquer Malaquias, mas pelo som da rolha a saltar num sítio onde "toda a gente" o vê, num gestual teatral, de especialista, a percebe der "terroir".

O paradoxal da realidade: O mais irónico é que muitos destes clientes nem sequer têm o estatuto que tentam comprar. São os aspiracionais. Pagam o bife duro e caro com o cartão de crédito no limite, apenas para poderem dizer, no dia seguinte, que "estiveram lá". É uma espécie de masoquismo social: sofrem no estômago para brilhar na conversa de café ou nas redes sociais. Não falta gente dessa.

Enquanto isso, por vezes em local próximo, o cliente "esperto" mas ruidoso, delicia-se com um lombo de bacalhau suculento ou com um bife à Zé de Ver. E cebolada à fartazana. E queijo com marmelada, ambos fatiados sem cerimónia ou facas da Tramontina.

Conclusão: Qual é a sua fome? No final do dia, a restauração divide-se em dois tipos de serviço: os que alimentam o corpo e os que alimentam a vaidade. Mais ou menos isso.

Se procura qualidade e quantidade, siga o cheiro da comida boa e o barulho das pessoas satisfeitas, mesmo com algumas moscas no ambiente, toalhas e guardanapos de papel. Se procura sentir-se "superior" enquanto mastiga um bife médio, prepare a carteira. O estatuto tem um preço, e normalmente, esse preço é uma má digestão e uma conta pesada. Mas nada que não se aguente. Afinal, o estatuto paga-se.

A pergunta que fica é: da próxima vez que sair para jantar, vai levar o seu paladar ou o seu currículo?

Segue-se uma tabela toda bonita que compara ambas as experiências:

Característica Restaurante "Barrigas do Povo" (20 €) Restaurante "Fidalgus" (50 €)
Foco principal O estômago (Satisfação real) O ego (Satisfação social)
Perfil do cliente O "Esperto" (Procura valor) O "Vaidoso" (Procura sinalizar)
Pós-Refeição "Comi um bacalhau incrível e barato!" "Estive ontem no "Fidalgus""
Estratégia Passa-palavra da qualidade Exclusividade e preço como filtro

23/02/2026

Tempos estranhos, estes.


O Rodrigo, um rapazinho de 9 anos, de Castelo Branco, que ajudou a salvar a sua mãe de uma situação de saúde crítica após um corajoso e esclarecido telefonema para o INEM, tem sido promovido a herói nacional. Depressa se tornou figura pública, desdobrando-se em aparições em programas de televisão e tendo até direito a assistir de perto a um jogo do Benfica, com as regalias de qualquer figura famosa: contacto com jogadores e com o treinador e exposto às câmara e aos média.

Convém dizer, desde já, que o Rodrigo teve, de facto, uma atitude de grande maturidade. A sua capacidade de reacção e de entendimento, ajudou a mãe e pode ter feito a diferença entre a vida e a morte. Ponto final.

Quanto ao resto, só surpreende que hoje em dia se dê esta extraordinária importância à maturidade de uma criança com quase uma década de vida porque, convenhamos, a norma actual é a total infantilização. Mesmo adolescentes e jovens adultos, já com formação, revelam muitas vezes uma imaturidade gritante, com atitudes e compartamentos infantilizados. Este nível de irresponsabilidade ou imaturidade, não é culpa destas gerações, mas sim dos pais e do nosso sistema e modelo de sociedade, que os têm moldado, desresponsabilizando-os, mantendo-os numa redoma durante mais de 20 anos, onde não há lugar a risco ou a pôr o pé fora da zona de controlo e de conforto. 

Noutros tempos, no meu, há que dizê-lo, uma criança de 9 anos, ou até menos, era já um "homenzinho" ou uma "mulherzinha". Tinham maturidade de adultos, com responsabilidades, canseiras e trabalhos condizentes. Mesmo que à sua medida, eram frequentes as tarefas de vulto, não só no que toca à mão-de-obra, mas no assumir de compromissos na casa e no campo.

Falando na primeira pessoa: aos 8 anos, eu e o meu irmão, de 10, tínhamos à nossa responsabilidade uma parelha de bois, enormes e cornudos. Levámo-los a pastar, sozinhos, sem a orientação de qualquer adulto. Com 11 anos, já marchava sozinho, de noite, sob chuva ou calor, por caminhos precários do Viso ao fundo das Caldas de S. Jorge para trabalhar numa fábrica. Ir e vir. Durante anos até que o que me calhava do ordenado, depois da quota à casa, desse para comprar bicicleta.

Com pouco mais de 20 anos, já seguia sozinho de comboio para Lisboa, sem ninguém mais velho para me levar ou buscar à estação. Nada de especial; era o normal para mim e para milhares de outros. Serviço militar de 2 anos, sem qualquer mesada ou ajuda paterna. E, recuando ainda mais no tempo, havia crianças que marchavam diariamente a pé para S. João da Madeira e mais além. Ir à escola, fosse longe ou perto, chovesse ou nevasse, era caminho feito a pé e sem companhia de adultos. Na sacola, apenas livros e lousa, nada de merendas e lanches.

Em resumo: os tempos são diferentes? São, com certeza. E ainda bem, no que toca às melhores condições de vida e ao respeito pelas etapas de crescimento, sem suprimir a infância e adolescência. Mas, por outro lado, a desresponsabilização atingiu níveis exagerados. Não surpreende que filhos a caminho dos 30 anos continuem totalmente dependentes dos pais que, tantas vezes, já precisariam desses parcos recursos para uma reforma sem sobressaltos.

Assim, mesmo sem querer generalizar, temos hoje "gândulos" em casa, com cama, mesa e roupa lavada, sem pressa de assumir as rédeas do próprio destino. Os passarinhos já não abandonam os ninhos. Neste contexto, mesmo rodeados de meios e tecnologias com que outras gerações nem sonharam, ficamos todos surpreendidos com estes assomos de maturidade, tratando-os como o que realmente são: raros e inesperados. Aves exôticas.

Até que caia no esquecimento, o Rodrigo continuará a ser o herói do momento, celebrado por uma maturidade que já não se supõe encontrar em crianças da sua idade, ou até no dobro da mesma. Tempos estranhos, estes.

22/02/2026

Racismo e macacada


Racismo no futebol? Não me parece. Nos casos mediáticos, creio haver uma sobrevalorização em tudo o que mexe ou parece. Desrespeito mútuo, falta de cultura, atitudes provocantes e provocatórias, isso sim. Nada justifica o racismo, genuíno ou provocatório, como nada justifica o clima persistente e recorrente de más atitudes, entre adeptos, atletas mas também entre os clubes e seus dirigentes. Os maus exemplos tendem a ser seguidos.

Para além de tudo, supostamente chamar macaco a um futebolista, seja ele branco, amarelo ou negro, para além do desrespeito ao próprio, pode ser uma ofensa aos próprios macacos. Cada macaco no seu galho, mesmo que o futebol assim não passe de uma macacada.

Macacos me mordam se não é isto!

18/02/2026

Quarta-Feira de Cinzas

 


Cozidus Carnavalensis

 





Ontem foi assim. Nada como nos tempos antigos, então de porcos sebados na casa, mas ainda assim com qualidade, pois que as carnes de origem caseira, salgadas e  fumadas com rigor. 

Nota de falecimento - Armandina da Conceição e Santos

 


Porque a viver fora há muitos anos, entre nós passou praticamente despercebido o falecimento de Armandina da Conceição e Santos, no passado dia 13.

Nasceu em Casaldaça, em 21 de Fevereiro de 1937, por isso com 88 anos. Vivia em Fiães. 

Era filha de José Ferreira dos Santos e Maria da Conceição Ferreira da Silva. Neta paterna de Margarida de Jesus. Neta materna de Venância Ferreira da Silva e de Maria Ferreira da Silva.

Era viúva de Joaquim Coelho de Oliveira, com quem casou em 13 de Abril de 1957.

De irmãos em Guisande, já falecidos, o António do Venâncio, a Idalina (esposa do Domingos Sá), a Diamantina (Tina da Gândara, da Casa Neves) e a Maria Isaura (do Vicente).

Foi a sepultar no dia 13, em Fiães.

Paz à sua alma! 

17/02/2026

Pensamento da semana

A propósito das calamidades que varreram o país de norte a sul, com milhares de pessoas e empresas ainda em estado de choque, sem electricidade e sem água, com instalações destruídas e casas alagadas ou desmoronadas, vítimas mortais directas e indirectas, alguém sabe dizer se os eventos carnavalescos foram adiados ou cancelados, em sinal de solidariedade e pesar?

A propósito, ou não, recordo a berreira que se fez quando aqui há uns meses não se adiou uma certa festa no Pontal, enquanto algumas terras sofriam com os incêndios.

Do que consegui ver, claro que não. Apenas o de Torres Vedras foi cancelado, sendo que por dificuldades operacionais. No resto, farra e euforia. Talvez  porque, no Carnaval ninguém leva a mal. 

Pimenta no cuzinho dos outros, no nosso é refresco.

16/02/2026

Livro sobre o Guizande Futebol Clube


Conforme tenho partilhado na rede social Facebook, no grupo privado "Guisande: Ontem e hoje", está em processo de impressão o livro que escrevi sobre a história do nosso clube.

Numa etapa do processo, já tenho o livro de prova em mãos. Um livro de prova serve para avaliar de forma física os aspectos do livro, desde os acabamentos aos aspectos gráficos e mesmo revisão ou correcção de erros e imprecisões detectadas numa análise e leitura atenta quanto possível.

Mesmo assim, a erradicação do erro é uma tarefa quase impossível, sobretudo num livro com 322 páginas. Mas creio, no geral, o resultado final não desmerecerá. Ademais, só não falha nem erra quem nada faz.

Posto isto, só para partilhar que o processo está em andamento e se nada de imprevisível ocorrer, teremos, eu e o clube, o livro em mãos lá para o final do mês.

Depois o processo seguirá à responsabilidade do clube que, querendo, organizará a sessão pública da sua apresentação e fará a sua venda colhendo todos os proventos.

Vamos, eu e aqueles que têm algum interesses por estes coisas (e muitos não terão), aguardar o curso do proceso que, acreditem, é trabalhoso, cansativo e de responsabilidade.

Felizmente, quer por parte do clube, quer por parte de quem vai suportar os custos da publicação, e que a seu tempo e no local próprio serão divulgados, a coisa torna-se mais incentivadora.

Para já, para não quebrar algum efeito de surpresa, fica aqui apenas um vislumbre da coisa.

A ilustrar a capa do livro, uma fotografia de uma das boas equipas de meados da década de 1980.

Facebook - Grupo privado "Guisande: Ontem e hoje" - Regras

 


OBJECTIVOS E REGRAS DO GRUPO FACEBOOK "GUISANDE: ONTEM E HOJE" - 

OBJECTIVOS:

- Dar a conhecer, valorizar e partilhar coisas relacionadas ao passado da nossa freguesia e paróquia, nomeadamente do seu património colectivo, material e imaterial, e suas gentes.

Também lugar a coisas do presente, mas preferencialmente enquadradas nesse contexto de ligação ao passado. Não obstante, por princípio, e mesmo que eventual e excepcionalmente e sempre que o administrador considere relevante, não pretende ser um espaço de notícias ou divulgação de acontecimentos do dia-a-dia. Para isso há outros espaços abertos, incluindo na minha página pessoal. Não é um espaço institucional pelo que não tem quaisquer obrigações nesse contexto.

REGRAS:

1-Grupo pessoal, privado, aberto a guisandenses, naturais ou residentes ou com ligações familiares justificadas.

2-O Administrador poderá aceitar membros não guisandenses, se por si reconhecidos e que comportem mais valia.

3-Reserva de admissão e moderação de publicações e comentários.

4-Não se aceitam comentários descontextualizados e desrespeitosos com o autor ou membros do grupo.

5- Não se aceitam publicações fora do objectivo do grupo nem promoções e publicidade a negócios.

6 - Por princípio as publicações estão reservadas apenas ao Administrador. Eventuais partilhas de assuntos ou documentos dos membros serão bem-vindas, mas deve ser solicitadas previamente por Mensagem Privada.

7-A adesão ao Grupo implica a total aceitação destas regras e outras complementares

Nota: O Facebook tem limite de caracteres no texto referente às descrição das regras dos grupos, por isso aqui se complementam, com outros princípios que devem ser respeitados:

A - Todos os membros têm direito a reagir, comentar de forma contextualizada a cada artigo ou assunto, mas sempre num registo construtivo, de complementaridade, cordial e respeitoso.

B - Comentários despropositados, irónicos, com sarcasmo, indelicados ou contundentes, podem ser eliminados e os autores suspensos ou desvinculados do grupo, mesmo sem aviso prévio.

C - O administrador quando publica determinados assuntos, nomeadamente sobre pessoas e dados familiares numa perspectiva documental e genealógica, não tem que ser exaustivo ou com qualquer outra obrigação, já que cada artigo ou apontamento resultam da sua vontade, da sua disponibilidade, memória, conhecimento e detenção de dados. Por conseguinte este grupo não é um arquivo nem uma biblioteca.

D - O administrador, susceptível a lapsos ou falhas, está naturalmente receptivo a sugestões de correcção de erros, de informações incorrectas ou gralhas, desde que feitas de forma construtiva e respeitadora.

E - Quem depois de ter aderido, saír e desvincular-se de livre vontade e por iniciativa própria, não voltará a ser admitido, mesmo que volte a pedir a adesão. Qualquer excepção tem de ser devidamente fundamentada e previamente aceite.

Estas regras, creio serem legítimas, equilibradas e de bom senso comum. Naturalmente que ninguém é obrigado a concordar com elas, pelo que nesse caso, não concordando, será preferível desvincularem-se do grupo ou nem aderirem.

Merdificação e trends

Nestes tempos em que a "merdificação" das redes sociais é ponto assente, começo a pensar nas vantagens dos poucos que, não tendo qualquer montra digital, não têm as suas vidas expostas, escarrapachadas aos olhares curiosos e escrutinadores dos demais. Assim, fora do universo familiar próximo e do círculo limitado de amigos, ninguém tem de saber em que dia fazemos anos, onde vamos passear, comer ou divertir-nos. Ninguém precisa de saber se temos cães ou gatos, qual o nosso clube ou o nosso partido e posicionamento político.

Num tempo em que a privacidade quase não existe, cultivá-la e preservá-la é um bem inestimável e já uma raridade. De facto, tendo eu próprio esta página numa rede social,  e dispenso todas as demais, por falta de tempo ou "pachorra" para instagrams, tiktoks, xis e afins, começo a medir as vantagens de estar "in" ou "out", dentro ou fora. E estando dentro, pelo menos em grupos privados e com algum controlo sobre trolls.

Na essência, enquanto ferramenta, as possibilidades das redes sociais, como o Facebook, são positivas  e até excepcionais. Não obstante, pouco ou nada é usado nesse sentido. Exceptuando poucos bons exemplos, no geral é uma quitanda de banalidades, laranjas sem sumo. É gente a alinhar em trends, marias a irem com as outras, a exibir egos redondos e vaidadezinhas;  são cães e gatos desaparecidos, a constatação óbvia de que está a chover ou a dar sol, o Manel e o Tono a destilarem ódio contra o Ventura, o Chico e o Quim contra o Montenegro, o Zeca contra o Sócrates e amigos do sistema; o Mário e o Mariano a mostrarem as entradas a matar dos jogadores do Benfica contra o Porto e vice-versa, ambos a reclamam roubos, bandalheiras, favores e desfavores da arbitragem. Enfim, um micro-cosmos fiel da sociedade.

Sem moralismos, mas numa reflexão que a todos deve importar, talvez valha a pena fazermos um esforço para usar estes espaços virtuais a favor de coisas que realmente interessem: sem alinhar em tendências infantis, sem ruído e inutilidades, com mais foco naquilo que realmente somos e temos de positivo, na arte, na cultura, no bem fazer social e comunitário, no que é natural e não artificial. 

Difícil? Concerteza que sim!

10/02/2026

PDM - Em discussão - Um plano castrador, um mapa verde mas sem esperança

 

Depois de vários anos de atraso, a proposta de 2.ª revisão do PDM - Plano Director de Santa Maria da Feira, está em período de discussão pública, que decorre de 13 de fevereiro a 27 de março. O município já promoveu uma sessão de esclarecimento, em 5 de Fevereiro, em Lourosa, e tem agendada uma segunda para amanhã, dia 11, no auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira,  às 20h30.

Comparativamente à versão em vigor, desde 2015, com as sucessivas actualizações por adaptação, nomeadamente de 2021, a actual proposta, parece-me, é penalizadora, diria mesmo, castradora.

Numa altura em que está na ordem do dia a falta de habitação, e logo espaços para a fomentar, para a nossa freguesias são reduzidas as zonas urbanas.  E de forma incompreensível, já que essas reduções ocorrem em arruamentos principais da freguesia, centrais, e alguns deles dotados com todas as infra-estruturas. Onde hoje é possível edificar, depois da alteração deixará de o ser.

É a todos os níveis um paradoxo porque confrontado com a crise na habitação até foi feita uma Lei dos Solos que permite em determinados contextos e condições o uso de solos rústicos para habitação. Ora, então, porquê estar a fazer o contrário, desclassificando urbanos para rurais? A supressão de espaços urbanos à face da Rua Nossa Senhora de Fátima, entre a Gândar e Fornos, Rua Cónego Ferreira Pinto (entre a Farrapa de Cima e Farrapa de Baixo, e Rua do Viso, ainda Rua da Estrada Velha, do lado norte, etc, são alguns dos exemplos. 

Resulta daqui o óbvio, a freguesia fica castrada nas possibilidades de crescimento futuro e não tarda a não haver terrenos disponíveis para edificação. Parece-me, pois, a todos os níveis, um plano penalizador, que acentua o atraso desta região do nordeste do concelho.

Não sei o que pensa fazer a nossa Junta de Freguesia nesta curta janela de oportunidade, mas importaria que ainda fosse capaz de propor a reversão de algumas situações, nomeadamente aquelas mais flagrantes e descaradas sob um ponto de vista de bom senso e razoabilidade. 

Não obstante, não custa a acreditar que já de pouco valerá, porque na sua larga maioria, as propostas que ao longo dos tempos foram apresentadas, foram desconsideradas, porventura nem apreciadas.

Estamos, pois, condenados à habitual indiferença e certas palavras que se fazem ouvir e imprimir em altura de eleições traduzem-se em meras banalidades, ocas, sem qualquer consequência.

Somos, assim, um mapa muito verde mas sem esperança.

09/02/2026

Presidenciais 2026 - 2.a volta

 


Para quem gostava de comer bifes, um capão, cabrito ou polvo, o menú apresentava apenas pescada e petinga. A fome obriga a escolhas e quando não se tem cão caça-se com gato. 

Nesta analogia, e neste contexto culinário, porque a política tantas vezes não passa de mestres da culinária a darem receitas, cujos resultados nem sempre funcionam, o povo, aquele que se dispôs a votar, como eu, teve de escolher entre pescada e petinga. Alguns, poucos, nem uma coisa nem outra, e limitaram-se a comer as azeitonas e tomar café.

No final, ganha sempre a democracia e só os iluminados que a viam em perigo é que devem ter saído do restaurante de barriga cheia, mesmo a abarrotar. Em todo o caso, para a eleição de um presidente que pouco mais é que uma figura decorativa, António José Seguro, das opções a sufrágio, era o que mais se adequava. 

Não será o presidente de todos os portugueses, porque uma boa fatia da população não o escolheu por verdadeira convicção, mas será, seguramente, dos que o elegeram.  Será, assim, também o meu presidente.

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