Com a partida de Jorge Palma (e nestas coisas fala-se e comenta-se como se a morte nunca entre na equação para certas figuras) poucos mais ficam com a sua genialidade e qualidade. Desses, alguns já em idade avançada. Do resto, no geral, fica a mediocridade mas que enche palcos e concertos, porque hoje em dia o sucesso é marcado e definido por tantas coisas menos pelas que realmente contam para o caso, o talento próprio e natural.
Vamos (eu não) a concertos e festivais como quem faminto se abanca num qualquer fast-food onde não se resiste a fritos e a processados. Mas se toda a gente gosta, siga!
Durante estes dias em que se falará de Jorge Palma, dirão que foi-se o artista mas fica a música e as suas palavras, uma perda enorme para a cultura e música, um dia de luto para o país, um vazio insubstituível, etc. Já o disseram de Amália, Carlos Paião, Fausto, José Mário Branco, Carlos do Carmo, Luís Represas, etc. Dirão o mesmo quando chegar a vez de Sérgio Godinho, Rui Veloso, José Cid, etc.
É a vida. Como alguém costuma dizer, a vida é uma merda e depois morre-se!
Que fique em paz e na nossa memória musical e colectiva!
No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém;
O bairro do amor foi feito a lápis de cor
Por gente que sofreu por não ter ninguém.
