01/03/2024
Flores e pedras
Como alguns saberão, mantenho há quase 24 anos este meu espaço online "Eu e a minha aldeia de Guisande" onde, como consta da introdução, é "um espaço de olhares sobre a minha freguesia e partilha de coisas pessoais e impessoais".
Como tudo tem um fim, há alturas em que me dá uma vontade de pausar o projecto ou mesmo desligar as máquinas. Mas logo de seguida, principalmente quando verifico as estatísticas e vejo que na maior parte dos dias são pelo menos 500 visitas diárias, sinto um quase dever de lhe alimentar a continuidade, porque num contexto local é um número interessante de gente interessada.
Não é só pelas minhas coisas mais pessoais, como histórias, fotografias e poemas, abafos e desabafos, mas também e sobretudo pelas coisas que contam para a comunidade local, bem como para os emigrantes dos quais vou tendo eco de que seguem sempre com atenção e interesse o que vou publicando. Muitas dessas visitas são deles.
Mas isto tem custos, não de tempo nem de dinheiro, que pouco contam, mas de exposição e escrutínio, porque entre leitores interessados e que vão transmitindo incentivos, há quem sub-repticiamente, escrutine, anote e faça disso pedras que não hesitará em atirar na primeira oportunidade. Não que isso me preocupe, porque esses vêm de carrinho, mas também é certo que não contribuiem para o alento que toda a empreitada pró bono precisa.
Posto isto, agrada-me verificar que o espaço continua com um muito interessante número de diário de visitas, com oscilações, pois claro, mas não raras vezes entre os 500 e um milhar que por aqui passam.
Neste contexto, entre flores e pedras, vai continuando, pelo menos a caminho dos 25 anos. Quem sabe se então a não a merecer uma festinha discreta das bodas de prata. Quem sabe...
Paróquia - Encontros - Ministério do Leitor
Nesta semana realizaram-se na nossa paróquia dois encontros: Na Terça-Feira, 27 de Fevereiro, pelas 21:30 horas, no Salão Paroquial, reuniram-se os representantes de grupos com a finalidade de definir as acções e momentos a incluir no programa geral da Visita Pastoral que o bispo auxiliar do Porto, D. Roberto Mariz realizará às três paraóquias do Pe. António Jorge de Oliveira, de 24 a 30 de Junho próximo, culminando com a administração do Crisma, numa celebração interparoquial conjunta.
Já ontem, Quinta-Feira, 29 de Fevereiro, pelas 21:00 horas, também no Salão Paroquial, sob a orientação do Diácono António Avelino, da paróquia de Caldas de S. Jorge, realizou-se um encontro com elementos dos três grupos de leitores de ambas as paróquias, num contexto de partilha e formação do papel do leitor na liturgia e da forma mais adequada da relação com a Palavra.
Foram abordadas algumas questões, nomeadamente quanto à liturgia no período da Semana Santa, que se aproxima e ainda alguns tópicos sobre o Ministério do Leitor, que em princípio será tema a desenvolver no próximo encontro agendado para Setembro, depois das férias. O encontro terminou por volta das 22:30 horas.
Sobre este Ministério do Leitor, seguem-se as ideias base da sua razão de ser, da sua função e fundamentos:
1. A função própria do Leitor instituído é proclamar a Palavra de Deus nas assembleias litúrgicas. Com efeito, a leitura dos textos bíblicos na assembleia não é ofício presidencial, mas sim ministerial: com exceção do Evangelho, cuja proclamação é reservada ao diácono ou, na sua falta, a um presbítero, todas as restantes leituras são da competência dos leitores, que as devem efetivamente proclamar, mesmo que estejam presentes ministros de ordem superior (IGMR 99; OLM 51).
2. Para além dessa sua função própria, os leitores podem ser chamados a desempenhar durante as celebrações litúrgicas, a título de suplência, funções de outros ministérios: na falta de Salmista, recitará os Salmos interleccionais; na falta de diácono ou cantor, poderá ser ele a apresentar as intenções da Oração universal; na falta de diretor do canto e de comentador, poderá ser ele a dirigir o canto e a orientar a participação dos fiéis nas celebrações. Por fim, o Diretório para a celebração do Domingo na ausência de Presbítero coloca-os, a par dos acólitos, entre os leigos a dar precedência para a condução desse tipo de assembleias litúrgicas
3. Mas seria minorar a missão do Leitor instituído confiná-lo a um desempenho ritual. De facto, a Liturgia é «cume e fonte» (SC 10). Coerentemente, a epifania litúrgica do ministério confiado aos Leitores obriga a alargar os horizontes do serviço eclesial que lhes é confiado para além do momento da celebração. Assim, o Motu Proprio Ministeria Quaedam propõe-lhes tarefas de mais lato alcance pastoral, como preparar os fiéis para a receção frutuosa dos sacramentos (catequese…), ajudar na organização da liturgia da Palavra, e assegurar a formação do grupo dos leitores aos quais, por encargo temporário, se pode confiar o exercício de facto deste ministério.
4. Em suma, o leitorado é um ministério a conferir não apenas a quem leia bem nas celebrações litúrgicas, mas sobretudo a quem se disponibiliza para colaborar na organização das atividades de evangelização e catequese, dando coerência e consistência ao seu serviço litúrgico.
Formação:
5. Não é fácil ser leitor, nem se improvisa e, acima de tudo, tendo em conta o amplo leque das funções que lhe são atribuídas. Com efeito, os leitores devem ser aptos e diligentemente preparados. Em primeiro lugar eles devem deixar-se imbuir, impregnar inteiramente pela Palavra de Deus que hão de amar, de que farão o seu tesouro mais precioso e o seu alimento quotidiano. Hão de aprofundar o seu conhecimento da Sagrada Escritura mediante uma leitura assídua, um estudo diligente, uma oração fervorosa e um testemunho credível. Sintetizando, diremos que a sua preparação há de ser geral e particular; remota, prévia, permanente e concomitante ao exercício da função. Quanto à preparação específica, ela deve abarcar, pelo menos, as seguintes alíneas:
Formação bíblica que capacite para a compreensão dos textos nos respetivos contextos e géneros literários, e na perspetiva unitária e englobante da história da salvação;
Formação litúrgica que lhes dê um conhecimento efetivo do sentido e estruturas da Liturgia da Palavra e da sua conexão com a Liturgia Eucarística e com os outros Sacramentos e Sacramentais. Em particular, deve conhecer por dentro a estrutura e organização dos lecionários, dominando os critérios que presidiram à seleção, ordenamento e harmonização das leituras;
Formação catequética, nomeadamente na área da pedagogia da fé e do acompanhamento da iniciação cristã nas várias faixas etárias;
Formação técnica e prática no capítulo da dicção e da leitura proclamada em voz alta, bem como das artes e técnicas da comunicação oral, designadamente da leitura proclamada em público, com ou sem amplificação artificial. Ler bem em forma de proclamação em público não é fácil, mesmo para quem já se habituou a dominar o nervosismo e a emoção de falar perante uma assembleia. Não basta uma boa alfabetização. A arte de proclamar bem em público assenta certamente em dotes naturais, mas estes devem ser sublimados pelo estudo e pela técnica, e partir de uma experiência pessoal de encontro com o texto a proclamar.
6. Se toda a vida cristã deve ser bíblica, muito mais assumidamente o deve ser a espiritualidade do Leitor: uma vida de oração inspirada e nutrida continuamente no contacto familiar com a Palavra de Deus, que vive e floresce na Liturgia e é a alma de todo o apostolado. A atitude do Leitor em relação à Palavra de Deus deve corresponder à de João Baptista em relação a Cristo, a da «Voz» em relação ao «Verbo»: «convém que Ele cresça e eu diminua» (Jo 3, 30).
29/02/2024
Iluminado
És vela acesa na escuridão,
A rasgar o mais denso breu
Como na falésia o farol;
O dia tem luz do teu clarão
A iluminar todo o meu céu
Como se dele foras o sol.
Desejado fruto
Olha, vê amor,
Os pessegueiros já a florir
Num dia assim, ameno, enxuto;
Com tempo e calor
Em cada flor há-de ressurgir
O esperado, desejado fruto.
Vê que singeleza,
O rosado das flores,
Em sabores prometidos;
Há nelas a certeza
Da leveza das cores,
Do peso dos sentidos.
Poema à Ti Elisa
Partiu a Ti Elisa, num dia assim,
De Fevereiro com cheiro a quaresma,
Promessa de uma Páscoa de aleluias.
Sabemos, todos sabemos, que há fim,
Porque a morte ao homem é a mesma
Soma final, total, da conta dos dias.
Foi irmã, criada, afilhada fiel,
Presença certa em quem confiar,
Companheira no espírito de missão.
No resumo final cumpriu o papel,
De mão a decidir, luz a iluminar,
Fazer da sua vida a do seu irmão.
Na vida temos isto como certeza
Ainda que a deixar máguas, penas:
Uma alma pode ser toda grandeza
Mesmo que por coisas tão pequenas.
28/02/2024
Cenouras gratuitas
Uma certa Junta de Freguesia, no Facebook, anunciou como "novidade" aulas de fitness para a população, "totalmente gratuito". Numa das partilhas da "novidade", alguém considera que "isto é que é uma freguesia preocupada com os habitantes".
Respeitando ambas as coisas e o benefício fantástico de tão espectacular medida, questiono o que é que as pessoas acham do "totalmente gratuito". Se os orientadores, o espaço, a electricidade, a limpeza e custos associados forem mesmo oferecidos, pró bono, à borlix, acho que sim, é de aproveitar a quem gosta. Dê-se já um voto de louvor a essa boa gente.
Já se a coisa, aos orientadores, os espaços, água, electricidade, e logística, forem do orçamento da Junta, aí o "gratuito" tem que se lhe diga. É o que o orçamento da Junta vem de algum lado, da Câmara, do Estado, e em última análise dos impostos e taxas dos contribuintes. Por conseguinte, e é aqui onde pretendo chegar, o conceito de "gratuito" é sempre muito relativo. Fazer brilharetes com o dinheiro dos outros, mesmo que dos contribuintes, é uma alegria. Mas partilhado nas redes sociais tem impacto e cheira a coisa bonita e há quem goste.
Num tempo em que ninguém dá nada a ninguém, espanta que alinhemos com facilidade nestas cenouras à frente do burro sem qualquer sentido crítico quanto a qualquer forma de "engana-me que eu gosto".
27/02/2024
Nota de falecimento - Elisa Gomes de Oliveira
Faleceu Elisa Gomes de Oliveira (a Ti Elisa), de Vilar, Fiães, de 98 anos de idade (09 de Março de 1925 a 27 de Fevereiro de 2024).
Irmã e afilhada do saudoso Pe. Francisco Gomes de Oliveira, que foi pároco de S. Mamede de Guisande durante quase 60 anos.
Teve a ele uma vida quase totalmente dedicada, tendo por isso, por opção, ficado solteira. Na nossa paróquia foi sempre uma pessoa muito querida e dinamizadora de muito da vida paroquial e grupos. Nesse sentido pode ser considerada como parte da nossa comunidade que assim está de luto. Desde o falecimento do seu irmão Pe. Francisco, em Maio de 1998, passou a residir em Fiães com a sua irmã Helena, também já falecida. Chegou agora a sua hora, com uma bonita idade.
Vai a sepultar em Fiães, nesta Quarta-Feira, dia 28 de Fevereiro, pelas 15:30 horas.
Paz à sua alma e que descanse em paz!
Sentidos sentimentos aos seus familiares, de modo particular ao Pe. Benjamim, seu sobrinho, e figura também muita estimada na nossa paróquia.
Poema à minha mãe
Eu queria fazer um poema
À minha mãe, à sua vida,
Da infância que não teve,
Do fulgor da juventude
À fraqueza na velhice.
Uma vida lógica, teorema
A provar a verdade vivida,
Sem temer porque não deve
Nada à riqueza ou saúde,
Nem mal que Deus visse.
Foi somente mulher de luta
Mãe de filhos que tantos são
Na diária freima da labuta
De lhes dar de si amor e pão.
No fim de tudo, tudo é vitória,
Numa vida vivida com sentido,
Na prostração, oração e glória,
De todo o modo, dever cumprido.
25/02/2024
Conselho Paroquial para os Assuntos Económicos (Fábrica da Igreja) - Nomeação
Conforme já anunciado no final das missas, foi nomeado o novo Conselho Paroquial para os Assuntos Económicos (Fábrica da Igreja) da paróquia de S. Mamede de Guisande, com funções até 31 de Dezembro de 2028, sendo composta pelos seguintes membros:
Pe. António Jorge Correia de Oliveira (pároco e Presidente)
Sara Patrícia Santos Conceição (de Cimo de Vila) - Secretária
Carlos Santos Almeida (de Fornos) - Tesoureiro
Johnny Deivis Baptista Almeida (das Quintães) - Vogal
Manuel Arménio Santos Moreira (de Casaldaça) - Vogal
Pedro Baptista Alves (de Linhares-Casaldaça) - Vogal
Nota de Falecimento - Ermelinda Alves Cardoso
Faleceu Ermelinda Alves Cardoso, de 91 anos de idade (30 de Março de 1932 a 25 de Fevereiro de 2024), da Rua das Barreiradas, lugar das Quintães.
Viúva de Joel de Santos Fontes, mãe de Alcinda Alves Fontes e Maria José Alves Fontes.
Filha de Manuel Gomes da Silva e Custódia Alves Cardoso que foram do lugar de Cimo de Vila. Neta paterna de Martinho Gomes da Silva e Olinda Rosa de Jesus. Neta materna de António Pereira e de Joaquina Alves Cardoso.
Sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular a filhas, genros e netos.
Funeral amanhã, Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2024, pelas 16:00 horas, indo a sepultar no cemitério local em jazigo de família.
Missa de 7.º Dia na Sexta-Feira, 1 de Março, pelas 18:30 horas na igreja matriz de Guisande.
Paz à sua alma. Que descanse em paz!
24/02/2024
Centro Social - Assembleia Geral - Sessão extraordinária
Conforme previamente divulgado, teve lugar no dia de ontem, Sexta-Feira, pelas 20:00 horas, no Centro Cívico, no Monte do Viso, a sessão extraordinária da Mesa da Assembleia Geral da Associação do Centro Social S. Mamede de Guisande, com o ponto único de eleição e tomada de posse dos novos corpos gerentes.
Poucos elementos dos corpos gerentes cessantes e poucos sócios presentes e nenhuma lista candidata. Face a esta situação foi decidido manter de forma provisória a Comissão Administrativa composta pelos membros da Direcção cessante e realizar nova convocatória com o mesmo objectivo para meados de Maio, na esperança de que com a tomada de posse do novo Governo, que sairá das eleições do próximo dia 10 de Março, possa haver alguma novidade e esperança quanto ao desatar da decisão de efectivação do financiamento da actividade do Centro Social pela Segurança Social.
Notas à margem:
Em resumo, e pela parte que me toca, infelizmente aconteceu o esperado. Tanto o que por aqui fui escrevendo, como a convocatória divulgada com a devida antecedência, bem como a divulgação e incentivo por parte do pároco no final das missas, caiu completamente em saco roto. Pode-se concluir que a freguesia não precisa, não quer nem gosta do Centro Social nem dá importância aos objectivos sociais e comunitários inter-geracionais a que se propõe?
Não sei a resposta, mas a avaliar do desinteresse reiterado para esta questão da eleição e quanto à continuidade da associação e seus objectivos, parece-me que sim. Não há outra forma de o dizer.
23/02/2024
Difícil mas não impossível
Em sequência da divulgação que fiz aqui da reunião interparoquial ocorrida na Terça-Feira passada com os grupos das paróquias de Caldas de S. Jorge, Guisande e Pigeiros, sob a responsabilidade do pároco Pe. António Jorge de Oliveira, e para quem de algum modo acha importante ter em conta os valores associados à comunidade (e infelizmente cada vez são menos), considerará que as três ideias base propostas como marcas da Visita Pastoral prevista para o final do próximo mês de Junho, são importantes mas não fáceis.
Quanto à renovação/revitalização dos grupos paroquiais, não é fácil porque por um lado há um envelhecimento geral da população, os jovens são cada vez menos e apesar de com mais formação escolar e académica, no geral são poucos os que se interessam por estas coisas relacionadas à Igreja, mesmo que com aspectos positivos sob um ponto de vista de relacionamento inter-geracional, partilha e crescimento social, etc.
Por outro lado, mesmo desde há muitos anos havendo na paróquia um grupo de jovens, a verdade é que não tem sido dada continuidade geracional de modo a que os mais novos colmatem os mais velhos que por afazeres profissionais ou familiares vão deixando. Resulta disso que esgotada a fornada, volta a haver um interregno e com isso um desligamento.
Na Catequese, também tem sido difícil a renovação e por conseguinte a actual equipa tem já muitos anos e só com esforço e sentido de responsabilidade e dedicação é que vão continuando. De resto, creio que se o número de crianças fosse maior, o que infelizmente não acontece, haveria dificuldades em angariar novos catequistas. Por outro lado, num problema que é geral e transversal à nossa sociedade, assiste-se ao desligamento e desinteresse dos pais, uma quebra no rigor da educação parental a que a escola não consegue complementar, resultando na indisciplina generalizada das crianças e daí uma dificuldade no processo de catequese mesmo que à luz de métodos mais cativantes e já não tanto ou de todo de processos tão maçudos quanto ineficientes, quanto à mensagem e valores a transmitir.
Quanto ao nosso Grupo Coral, tem muita qualidade e competência e é elemento importante e fundamental do enriquecimento das nossas celebrações litúrgicas, mas obviamente que também carece de mais gente, mesmo para não sobrecarregar os mesmo nos diferentes serviços. Mas também aqui o processo é difícil porque exige responsabilidade, dispensa de tempo para ensaios e serviços e de um modo geral ninguém tais encargos. Também aqui o comodismo ganha pontos. E sei disso porque del já fiz parte durante muitos anos e em diferentes tempos.
Em resumo, todos os grupos, catequese, coral, leitores, LIAM, acólitos, solidário, etc, etc, têm os mesmos problemas de renovação porque à falta de pessoas de diferentes gerações, junta-se o comodismo e o esquivar a tudo o que soe a responsabilidades por amor à causa e à comunidade.
Quanto à formalização do Conselho Pastoral, parece-me que não é difícil pois em rigor bastará integrar representantes dos diferentes grupos. Depois importará, isso sim, funcionar de forma dinâmica e interessada e sem tentações de protagonismo ou rivalidades que o podem enfraquecer. Há pois que haver sentido comunitário e humildade de cada uma das peças.
Quanto ao trabalho em projectos concretos que promovam a sinodalidade, há certamente caminho a percorrer e ideias que podem ser concretizadas, envolvendo tanto quanto possível a comunidade, não apenas sob um ponto de vista de paróquia mas de freguesia, pelo que também interessa envolver os grupos e pessoas mesmo que não tanto da esfera da Igreja. Aqui, para além de todos, parece-me que o pároco, como elemento chave e orientador, tem o papel principal na promoção e agregação de todos os quadrantes.
Pode esta minha opinião e análise parecer um pouco pessimista, ou, ao contrário, pouco optimista, mas na verdade todos sabemos que as coisas são difíceis e é um problema global e não apenas da nossa comunidade. Há um alheamento geral da larga maioria das pessoas, que é cultural mas também social, a perda do sentimento de acções de cidadania. Estamos cada vez mais fechados em nós mesmos, nas nossas coisas, no nosso egocentrismo, e não somos de alinhar em tarefas que signifiquem canseiras, responsabilidades e participações que nos retirem do nosso comodismo, do nosso sofá, televisão e internet.
Pessoalmente, não querendo ser moralista nem exemplo para ninguém, tenho consciência que já fiz bem a minha parte em muitos contextos de comunidade e cidadania, tanto na parte mais civil como da Igreja. E se por um lado com esse dever de consciência limpo, foi com esse sentido de que há sempre mais um pouco a fazer, que aceitei o pedido do nosso pároco para ser delegado representante da nossa paróquia no Conselho Pastoral Vicarial e do qual existe um elemento eleito (da paróquia de Fiães) que representa a nossa Vigararia no Conselho Pastoral Diocesano. Não é nada de extraordinário este papel, nem muito trabalhoso, mas naturalmente tem responsabilidades e canseiras e algumas reuniões em que é preciso estar presente.
Em suma, seria para mim e para todos quantos integram os grupos, bem melhor e mais fácil de dizer não ao pedido e nada fazer, ficarmos somente pelo conforto das coisas a que damos mais valor, mas se ainda temos interesse e gosto pela nossa terra, pela nossa comunidade e sobretudo pelas suas pessoas, e destas as mais velhas e frágeis, então cada um de nós a chamado a fazer a sua parte mesmo que apenas na medida das suas possibilidades e talentos.
Felizmente, apesar de sermos uma comunidade pequena, e a reduzir-se de ano para ano, ainda há bons exemplos e gente dedicada e interessada e é por isso que mesmo com todas estas dificuldades ainda há gente a participar e a fazer parte de grupos e movimentos. Neste contexto, qualquer passo dado, mesmo que curto, é positivo. O esforço é de todos. O recente caso de aparecimento de gente a propor-se como comissão da Festa do Viso é um bom exemplo e que deve ser seguido, mas naturalmente com o apoio da comunidade que, neste caso concreto, parece-me que tem existido. Ainda o aparecimento de um Juiz da Cruz e com a vontade de retomar o tradicional Almoço, é também de louvar e valorizar. Também a aparente facilidade de composição de um novo Conselho Económico Paroquial, com gente nova, é de ter em conta. Ainda, há algum tempo, mesmo que noutra esfera, a regularização administrativa do nosso Guisande F.C, com corpos gerentes instalados, etc.
Por outro lado, o Centro Social S. Mamede de Guisande está em eleições, remarcadas já para hoje à noite, e importará que apareça gente nova para retomar a barca e conduzi-la aos objectivos. O meu lado pessimista diz-me que vai ser difícil, porque também aqui há a exigência de dedicação, canseiras e responsabilidades, mas é ver o que irá acontecer. De minha parte, quanto a isto, já o disse e escrevi, não tomarei parte porque já o fiz nos dois últimos mandatos. Venham outros.
Com estes sinais maioritariamente positivos mesmo no meio de dificuldades intrínsecas, somos chamados a reflectir no que podemos fazer em prol da comunidade como valorização da mesma. Se somos sociedade e vivemos em conjunto, em comunidade, e não isolados e afastados de tudo e todos, então temos que ser capazes. O difícil é dar o passo primeiro.
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