30/09/2017

Tempo de repouso

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Amanhã é outro dia. Por ora há que descansar, porque a vida ou as coisas são efêmeras. O importante é que se viva e que pervaleca o amor, a  amizade entre as pessoas, independentemente de raças, credos, cores, clubes, partidos, gostos, etc, etc. Tudo o resto pouca ou nenhuma importância tem.

28/09/2017

O outro lado da moeda

A propósito da propaganda que abaixo publicamos, em que o Partido Socialista dá a ler à população uma intervenção de Celestino Sacramento, seu candidato à Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande,  com a independência e isenção possíveis,  e porque ainda faço parte de uma Junta que de algum modo é criticada pelo autor, quero também exprimir algumas notas:

Se há pessoa na freguesia de Guisande que dela gosta e tem participado no seu desenvolvimento, é Celestino Sacramento. Tem estado integrado ao longo dos anos em diversos movimentos comunitários e de cidadania, como autarca, tendo sido presidente da Junta e presidente da Assembleia de Freguesia, dirigente no Guisande F.C., actualmente um importante membro do Centro Social S. Mamede de Guisande e obreiro da construção do seu Centro Cívico, e ainda nos movimentos da paróquia como o Grupo Solidário, Grupo de Leitores, etc, etc. Tem, pois, a devida autoridade e a consideração de muitos guisandenses para ser tomado em conta nas intervenções que expressa sobretudo as que a todos dizem respeito. De minha parte tem seguramente a minha estima, respeito e consideração. Fosse candidato a presidente de Junta ou mesmo a um lugar na Junta, o que não acontece, como confessa, e eu não teria dúvidas em dar-lhe o meu voto, porque me merece a maior das confianças e consideração. De resto, prezo-me por ter colaborado em vários assuntos com as juntas a que presidiu.
Em todo o caso, porque é uma reflexão política, não me levará  a mal por eu deixar aqui algumas notas a propósito da mesma, que nem sequer são de contestação mas antes de esclarecimento ou complemento:

- Em relação à dívida deixada pelo anterior executivo da Junta de Freguesia de Guisande, do Partido Socialista:
Uma parte substancial desse dívida correspondia a 75.954,78 euros (já com juros de mora) à empresa Carlos Pinho, pela pavimentação da Rua de Nossa Senhora de Fátima, desde a rotunda da Cruz de Ferro até à fronteira com  o lugar de Duas Igrejas em Romariz. Essa obra, para além de inconformidades legais relacionadas com a adjudicação, foi feita sem que a Junta de então tivesse dinheiro ou garantido previamente a receita necessária em protocolo escrito e assinado junto da Câmara Municipal.

A restante dívida era para com a empresa Paviazeméis, no valor de 68.981,50 euros.
Total da dívida: 149.192,92 euros. Neste total não está reflectida a dívida à empresa NormaRekinte que foi resolvida por acordo extra-judicial ainda pela Comissão Administrativa, tendo sido utilizado para o pagamento o saldo em caixa transmitido pela ex- Junta no valor a rondar os 10.000,00 euros. Esta saldo não cobriu, porém, a totalidade da dívida, para além de ter sido necessário pagar posteriormente honorários da advogada do processo. Todavia, esta contenda ficou resolvida ainda antes da tomada de posse da actual Junta da União de Freguesias.
Estes montantes relacionados à dívida transmitida pela extinta Junta de Freguesia de Guisande foram explicados e apresentados publicamente na sessão da Assembleia de Freguesia realizada em Guisande em 29 de Abril de 2015.

Em todo o caso considero que Celestino Sacramento tem razão quando diz que tal obra (pavimentação da Rua Nossa Senhora de Fátima) seria uma obrigação da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. Bastaria esperar mais algum tempo e tal obra seria realizada sem qualquer custo para a Junta. Mas a Junta de então assim não o entendeu e decidiu fazer "um bonito" em vésperas de eleições deixando a responsabilidade do pagamento para os vindouros.

Mas fosse a obra feita pela Câmara e certamente esta nunca pagaria o que pagou a Junta do PS. Na verdade foram 135 mil euros (dos quais ficaram em dívida 75 mil euros) por uma extensão de aproximadamente 2400 metros, o que considerando uma largura média de 7 metros dá  16800 metros quadrados, ou seja um valor aproximado a 8,00 euros por m2 e sem que tenha sido efectuada a pintura e rematadas as caixas de saneamento, cujos trabalhos significarão agora um acrescento de despesa. Ora, basta dizer que nas recentes pavimentações que têm acontecido por todo o concelho, segundo informações oficiosas a Câmara está a pagar um valor a rondar, ou mesmo abaixo, os 4 euros por metro quadrado para o mesmo trabalho em iguais condições. Por isso importa reflectir nesta disparidade.

Quanto à ponte da Lavandeira: 
De facto seria bom que tal ponte fosse medieval, pois certamente seria um património arquitectónico que nos orgulharia. Mas não sendo, refira-se que tal alargamento já esteve previsto na anterior Junta de Freguesia de Guisande, presidida por Joaquim Santos, e só não avançou porque perdeu as eleições em 2009 para o Partido Socialista que também não lhe deu seguimento.
Mesmo admitindo-se que a ponte é estreita e não permite a passagem de dois veículos em simultâneo, pela minha parte posso dizer que nas últimas 100 vezes que lá passei nunca me cruzei com qualquer veículo, na ponte, antes ou depois. Ou seja, é importante que se faça mas não é de todo uma prioridade porque o fluxo de trânsito não o justifica.

Quanto à Alameda da Igreja:
De facto é necessária uma intervenção de fundo e esta já foi reconhecida pela actual Junta. Tivesse o mandato mais um ano como seria normal e tal obra seria feita com toda a certeza. Em todo o caso, foi pena que quando foi realizada nos anos 90, então por uma Junta do Partido Socialista, não fosse tido em consideração o crescimento das árvores e o dimensionamento adequado das caldeiras pelo que os estragos na calçada não seriam agora tão graves. Mas sim, é verdade que a obra merece uma requalificação condigna ao local, mas não só, pois também toda a envolvente da igreja. Também é uma necessidade levantar e regularizar toda a envolvente da capela do Viso e respectiva envolvente. 

Quanto à Capela Mortuária:
Com a realização por parte da anterior Junta (Partido Socialista) da instalação sanitária para deficientes, começaram a surgir graves problemas de infiltrações de água que afectam o salão fúnebre e o salão inferior bem como mesmo as instalações sanitárias. Há também graves infiltrações, em dias consecutivos de chuva forte, ao nível do pavimento junto ao encosto com o canteiro contíguo à escadaria frontal à igreja. 
É verdade que a obra já tem uns anos mas também denota erros de construção que foram obviamente da responsabilidade da Junta socialista de então. Basta dizer que entre outros problemas a água infiltra-se pelo peitoril dos janelões da fachada voltada a sul.
Durante o actual mandato, foram feitas algumas intervenções, nomeadamente na cobertura com solda de caleiras, de modo a reduzir as infiltrações mas estas apesar de reduzidas ainda subsistem. Infelizmente, apesar das minhas reiteradas insistências desde o início do mandato, o presidente nunca deu seguimento à mesma, pelo menos ao tratamento de paredes e tectos e respectiva pintura o que não teria sido muito caro. Do mesmo modo, foi em vão que insisti na pintura do coreto do Monte do Viso e das paredes do cemitério, nomeadamente logo após as obras da construção de sepulturas e do dreno. Certamente já não será nestes dias finais de mandato que se fará a pintura, o que lamento.

Quanto ao rinque polidesportivo em Trás-os-Lagos:
O rinque está degradado no piso e mesmo no interior dos balneários. Tal situação decorre da falta de utilização e da falta de movimento associativo que o dinamize. Esta situação não vem de apenas há três anos mas de muito antes.
É importante que se requalifique o equipamento, mesmo sem estar a pensar para já na sua cobertura, mas importa previamente assegurar que o mesmo vai ter uma utilização regular. Se tal não for garantido é obviamente esbanjar dinheiro em situações não prioritárias.
Quanto à ideia do Celestino Sacramento em cobrir e fechar o equipamento, é obviamente sonhar alto, pelo menos enquanto não se assegurar uma utilização que o justifique. Mesmo justificando-se, não será propriamente fazer quatro paredes como diz, e será obra para mais de 100 mil euros e não estou a ver qualquer Junta a curto ou a médio prazo ter condições para realizar a mesma. Mas, como não faz mal, vamos sonhando.

Quanto ao alargamento da Rua de Santo António no Viso:
É uma ideia interessante. De resto já foi prevista pela actual Junta e já com a concordância dos proprietários confinantes (Manuel Almeida, Custódio Santos e herdeiros de Alcides Giro), pelo que foi dado início ao documento protocolar entre estes, a Junta e a Câmara. Falta apenas o tempo para a obra avançar. Faltasse mais um ano no mandato e com toda a certeza que a obra seria feita. Espero que a futura Junta, do PSD, do PS ou do CDS, pegue logo no assunto e realize a obra, pelo menos até ao cruzamento com a Rua do Caminho Novo. Em muito benefeciaria a rua, o trânsito e o acesso, sobretudo em dias de eventos no monte do Viso.

Quanto à negociação na Câmara da pavimentação das ruas:
Pela parte que me toca, nunca fui ouvido nem chamado, nem pelo presidente da Junta nem pela Câmara quanto à indicação de prioridades em Guisande ou na União. Por outro lado as minhas propostas de pavimentação de pelo menos alguns troços mais degradados (Rua da Leira, Rua do Outeiro, Rua do Jardim de Infância, Rua Nossa Senhora da Boa Fortuna e Ruas das Barreiradas) não foram consideradas quer pela Junta quer pela Câmara o que obviamente me desiludiu.

Quanto à pavimentação do troço de rua entre o cruzamento da Leira e a Alameda da Igreja:
Obviamente que não tem nada a ver com eleições. De resto já tinha sido referida como estando prevista numa sessão da Assembleia de Freguesia, há pelo menos um ano. Se foi só agora é normal, afinal esta Junta tem menos um ano de mandato o que faria falta para mais obras. Ainda pressionei o presidente para pelo menos repavimentar o troço mais degradado da Rua do Outeiro mas foi uma luta perdida.

Quanto à ideia da Rua S. Sebastião ter feito mais sentido se tivesse desembocado junto ao antigo Café Pica-Pau, na Pereirada:
Esta é algo contraditória pois basta lembrar que a abertura de tal rua foi feita precisamente pela Junta presidida por Celestino Sacramento. Devia-se ter lembrado disso nessa altura. Em todo o caso não estamos a ver um fluxo de transito que se justifique agora uma variante à actual rua. Há que pensar em prioridades e não fazer por fazer.

Quanto à  água da nascente da fonte de Cimo de Vila:
De facto esse é um enigma saber se a anterior Junta de Freguesia de Guisande, do Partido Socialista recebeu ou não alguma indemnização por parte da concessionária da A32 por ter destruído a nascente. Se tal compensação foi paga nunca se viu a cor ao dinheiro nem tal consta nas contas, pelo que de boa fé entendemos que não foi paga. Mas sim, é óbvio que devia ter sido paga de modo a viabilizar uma outra alternativa ou pelo menos para ressarcir a Junta do prejuízo. Ao não exigir a indemnização, a Junta de então foi conivente com uma situação ao arrepio da lei aceitando o prejuízo. Mas aqui também falta saber se foi ou não paga alguma contrapartida pelos diversos aterros realizados um pouco por todo o lado, todos ao arrepio da lei, mas facilitando e reduzindo custos ao empreiteiro, bem como desconhece-se se recebeu contrapartidas pela cedência de estaleiro na zona marginal à ribeira da Mota.

Em resumo, toda a reflexão política de Celestino Sacramento é válida e legítima, mas passível de contraditório até porque nem tudo o que parece é. Pelo menos há que ter em conta que uma moeda ou mesmo uma medalha tem sempre dois lados.

Quanto ao panfleto em que é transmitida a reflexão de Celestino Sacramento:
Graficamente está uma pobreza. A começar pela falta de correcção do texto e uma ordenação por pontos e até mesmo em colunas de modo a facilitar a leitura. Por outro lado, sendo na totalidade um texto de Celestino Sacramento, o porquê do título David Neves? Por outro lado, ainda, graficamente  falando, fica muito mal o retrato de David Neves aparecer desproporcionado em tamanho relativamente aos outros dois candidatos. Eventualmente, deveria manter a mesma proporcionalidade e estar ao lado ou mesmo à frente mas não com um tamanho gigante.

Mas são coisas de gráficos e grafismos.


Américo Almeida

Eleições Autárquicas 2017 - O que se vai lendo, vendo e ouvindo - XXIII





Propaganda do Partido Socialista às eleições para a Assembleia de Freguesia da União de Freguesia de Lobão, Gião, Louredo e Guisande. 
(clicar nas imagens para ampliar)

26/09/2017

Capela do Viso

Sondagem

Vale o que vale, mas na nossa simples sondagem que aqui tivemos disponível durante largos dias, em que à questão "Quem acha que vai ganhar as próximas eleições para a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira?, os participantes em número de 54 distribuíram os votos de acordo com o quadro abaixo.
Emídio Sousa, candidato pelo PSD e ainda o actual presidente de Câmara, colheu 23 votos (42%), por isso distanciado da candidata do PS mas sem maioria.
Obviamente que não sabemos qual vai ser o resultado de Domingo, mas será perfeitamente normal que seja o Dr. Emídio a ser reconduzido à frente da edilidade feirense fazendo prolongar o domínio laranja no nosso concelho. Resta saber se por maioria ou não, já que nos parece que a Dr.ª Margarida Gariso tem tido uma campanha muito positiva. Apesar de tudo isto, o povo no seu conjunto é soberano e escolherá. Importa que o faça devidamente esclarecido.

Nota: Teria sido curioso realizar semelhante sondagem para a nossa União de Freguesias, mas à data ideal para o seu lançamento (pelo menos um mês antes) ainda não era conhecido publicamente o nome do candidato do Partido Socialista. Este apenas foi dado a conhecer publicamente sensivelmente a pouco mais de 15 dias da data do acto eleitoral o que nos parece pouco tempo para manter uma sondagem online. 


25/09/2017

Realidades...

Estamos em período de campanha eleitoral para as próximas eleições autárquicas que têm lugar já no próximo Domingo, 1 de Outubro. 
Como é sabido, já não faço parte de qualquer lista concorrente e por conseguinte a minha intervenção no acto eleitoral será apenas de mero eleitor.

Para além das minhas opiniões e pensamentos pessoais que tenho publicado e partilhado publicamente neste meu espaço, de uma forma independente tanto quanto possível, mesmo com todos inconvenientes pessoais decorrentes, tenho procurado abster-me de tomar partido por A ou B. Apesar disso, não como um apelo ao voto mas apenas à reflexão, gostaria que os eleitores, de modo particular os guisandenses, para além das suas próprias análises, decorrentes do seu legítimo pensamento, pelo menos tivessem em conta as enormes dificuldades que o ainda actual executivo da Junta teve neste seu curto mandato de três anos. Ninguém de boa fé, da esquerda à direita, pode fazer uma análise ponderada, objectiva e isenta se de forma deliberada omitir ou esquecer  a realidade. E a realidade, independentemente do estilo e modo de acção da Junta, que será sempre questionável, traduziu-se num conjunto de graves dificuldades decorrentes dos compromissos financeiros transitados forçosamente das extintas Juntas de Freguesia de Guisande e Gião. Houve por isso necessidade de pagar dívidas e cumprir compromissos da responsabilidade alheia ao actual executivo, em montantes substanciais. Nesse contexto, o dinheiro deixou de poder ser canalizado em obras e traduziu-se em dificuldades na contratação de pessoal e de serviços. Foi necessário reduzir subsídios e suprimir no primeiro ano algumas iniciativas populares como o Passeio/Convívio dos Seniores e outras regalias. Foi, em suma, um mandato de contenção e de redução de algumas expectativas que eram legítimas no início.

Para além das dificuldades objectivamente financeiras por pagamento forçado do desmando de terceiros, esta Junta teve que lidar com a nova realidade administrativa e todas as questões práticas e legais inerentes à mudança. Desde o sistema informático integrado até à administração de cemitérios bem como do registo de património e inventário e outros mais aspectos de gestão e funcionamento, este foi um processo que gastou tempo e recursos. É certo que no geral a casa está quase arrumada, mas ainda muito falta fazer, nomeadamente na uniformização de sinalização, toponímia e outros pontos inerentes a uma nova entidade. É um processo quase constante.

Em todo o caso, pessoalmente saio obviamente desiludido porque nem de longe nem de perto as coisas correram como tinha perspectivado. Mesmo com as dificuldades referidas era possível fazer mais, melhor e diferente. Mas um exagerado centralismo presidencial e nenhuma autonomia aos directos representantes das freguesias não o permitiram. Não há como o desmentir.

Finalmente mas não menos fundamental e concorrente para as dificuldades da ainda actual Junta, o facto de este mandato ser mais curto, já que dos quatro anos normais e expectáveis, um foi gasto sem resultados práticos numa gestão corrente e com uma Comissão Administrativa limitada nas suas competências.
Mesmo com as diversas dificuldades, financeiras e de organização decorrente da reforma administrativa, estou certo que com mais um ano de mandato pela frente, haveria tempo e disponibilidade para fazer mais obra, incluindo pavimentações de algumas ruas ou destas nos troços mais degradados e rotinar com regularidade outros aspectos como as limpezas das ruas e espaços verdes e manutenção de equipamentos.

Esta é a realidade que posso testemunhar e, como disse, será de má fé ou de memória curta quem fizer uma análise à actividade da actual Junta sem ter estes importantes factores em conta. Não que sejam apenas desculpas, mas por terem sido efectivos e indesmentíveis.

Quanto ao resto, quanto à legitimidade de todas as listas e pessoas concorrentes a um novo mandato, quero acreditar que todos são capazes, competentes e interessados pelo desenvolvimento futuro da nossa união das freguesias e da sua população. As diferenças podem ser de estilo ou de projectos. Que façam, uma vez escolhidos pelo povo, pela vida e que não defraudem as expectativas.

Eleições Autárquicas 2017 - O que se vai lendo, vendo e ouvindo - XXI




Propaganda do CDS-PP para as eleições autárquicas do próximo dia 1 de Outubro. Sob o lema MAIS, Domingos Correia, candidato do partido centrista à Assembleia de Freguesia de Lobão, Gião, Louredo e Guisande, traça as principais linhas orientadoras do seu programa.
Recorde-se que o CDS, tanto nas eleições de 2013 como nas intercalares de 2014 elegeu um elemento, pelo que a repetir-se pode vir a funcionar como eixo decisivo na formação do futuro executivo. Mas isso são contas que cabe ao povo sentenciar. Mas sim, é importante a participação de mais partidos para além da habitual bi-polarização PSD-PS. Igualmente importante teria sido o aparecimento de uma lista independente. 

24/09/2017

Olhares - Capela do Viso e sineta





Capela do Viso e sineta. São horas da andança e da mudança...

Noutros tempos, tocava todos os domingos, logo pela manhãzinha, bem cedo,  a chamar o povo, ainda dorminhoco, a subir ao monte do Viso para assistir à missa das sete. O padre Francisco, ainda fresco, já subira ligeiro pelas Quintães e Barreiradas fora e o Ti Franklim, antecipando-se-lhe, já entrara na sacristia a puxar pela corda do badalo, fazendo-o martelar num ritmo incerto, pelo seu cansaço, na preguiçosa sineta. Tlim, tlim, toca o franklim, Tão preguiçosa que mais tarde foi preciso mecanizá-la, quase castrá-la, sim porque agora já não é o pobre badalo a acariciar o cobre, resignado por isso a uma figura de corpo presente e impotente, enquanto pelo lado de fora, um martelo cilíndrico e impessoal chega-lhe a roupa ao pêlo quando é preciso anunciar a missa, poucas vezes, diga-se.

Pobre badalo, longe já dos tempos em que, conta-se, numa noite de S. João alguém o fez trabalhar umas horas a fio, quando lhe amarraram uma corda a uma cabra inquieta, surripiada de um qualquer curral. Houve quem, estremunhado, se levantasse para ir apressado à missa sem hora marcada ou mesmo a acudir a algum improvável incêndio, dada a inquietação e insistência com que o raio do badalo martelava na sineta. Outros tempos, mas o badalo ainda ali está, desde 1874, para confirmar esta e outras histórias. É só perguntar-lhe.

Nota: Mas sim, a sineta, conforme se vê pela fotografia acima, ainda tem um sistema que lhe permite balançar e assim ser tocada pelo badalo, mas parece que tal tarefa tem sido incumbida ao martelo exterior.

23/09/2017

Outono...


Parecendo que não, já estamos no Outono. Tempo de colheitas, vindimas, castanhas, diospiros, romãs e nozes. Tempo de mais roupa no corpo e cobertores cama. Tempo em que um vinho do Porto sabe melhor que uma cerveja e uma camisola de lã melhor que uma t´shirt.

22/09/2017

Abonos dos eleitos locais 2017



Considerando que estamos em vésperas de eleições para as autarquias locais, terá algum interesse informar o seguinte: A nossa União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande tem para estas eleições de 1 de Outubro de 2017 um total de 9577 eleitores inscritos, o que faz dela a segunda maior freguesia do concelho de Santa Maria da Feira. Na tabela dos abonos dos eleitos locais está integrada no escalão entre 5000 e 10000 eleitores. Assim sendo a nossa Junta e todas em igual condições de número de eleitores é composta por 5 elementos, em que o presidente da Junta, a tempo inteiro em regime de exclusividade terá direito a um abono mensal de 1449,76 euros a que acresce 422,17 euros mensais para despesas de representação, por isso um total de 1871,93 euros, acrescidos ainda de dois subsídios extraordinários a receber em Junho e em Novembro (férias e 13º mês), o que totaliza um valor de 26207,02 euros anuais e  104828,08 euros nos quatro anos do mandato. Convenhamos que nada mal num país em que o actual ordenado mínimo nacional mensal é de 557,00.

Nota: (até ao momento em que escrevo esta informação não consegui confirmar se nos subsídios extraordinários também se reflecte o valor das despesas de representação. Creio que não, até pela leitura da tabela acima, pelo que a ser assim aos valores anuais acima indicados terá que se fazer a respectiva dedução (3377,36 euros no mandato), o que de resto é irrelevante face ao valor total a auferir no mandato).

Por sua vez, tanto o secretário como o tesoureiro da Junta recebem um abono mensal de apenas 244,24 euros. Já os demais vogais, os parentes pobres da coisa, recebem somente um valor de 21,37 euros por cada senha de presença nas reuniões de Junta e nas sessões da Assembleia de Freguesia. A ter em conta o número de reuniões estipuladas no actual mandato, duas reuniões de Junta mensais (o mínimo regulamentar será uma reunião), o valor mensal a receber por um vogal totaliza a pequena fortuna de 42,74 euros. Sempre que ocorre uma sessão da Assembleia de Freguesia (mínimo de quatro ordinárias por ano), os vogais recebem mais 21,37 euros por cada sessão. Em números redondos receberá um vogal a fortuna de 600,00 euros anuais ainda sujeitos a IRS. Considerando que o actual mandato está encurtado, sendo apenas de 3 anos, significa que um vogal recebe da Junta pelos três anos menos que o presidente recebe num único mês. Parece anedota mas é a verdade.
Estes são os números muito diferentes de quem, mal informado, eventualmente considera que tantos os vogais como os secretário e tesoureiro ganham pelo menos um ordenado mínimo mensal. É caso para se dizer que neste caso fica-se com a fama mas sem o proveito.

Em resumo, vistas as coisas apenas pela parte financeira, a que muitos chamam de "gamela" ou "tacho", esta coisa de fazer parte de uma qualquer Junta em rigor apenas interessa a quem exerce o cargo de presidente. O resto, secretários, tesoureiros e sobretudo os vogais, é paisagem, muita boa vontade, amor à camisola, amor à freguesia e voluntarismo. Muito voluntarismo. Vale pelo menos o conforto do exercício de um acto de cidadania, o estar ao serviço dos concidadãos mesmo que com efectivo prejuízo.

Eleições Autárquicas 2017 - O que se vai lendo, vendo e ouvindo - XX


Momento da campanha do Partido Socialista na União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande

Papagaios e periquitos à solta



Confesso que conferidas as listas concorrentes às eleições para a Assembleia de Freguesia da União de Freguesia de Lobão, Gião, Louredo e Guisande, a realizar no próximo dia 1 de Outubro, fico algo desiludido. Não tanto por quem lá está, certamente gente capaz e interessada, mas sobretudo por quem esperava que lá estivesse e não está e nunca esteve. Afinal de contas, alguns dos mais ilustres "papagaios" da nossa praça ficaram de fora. 

Com franqueza, esperava mais desta malta de crítica fácil, mestres do "cagar postas de pescada", sempre com a crítica mordaz e fácil na ponta da língua. Esperava que entrassem nas listas dos diferentes partidos, se possível em lugares de eleição, para mostrarem como é que a troco de muito pouco ou nada se consegue fazer mais e melhor. 

Ora, ora!. Afinal não quiseram partilhar da "gamela" que aos outros acusam de assaltar.  Lá ficaram os papagaios e os periquitos de fora das responsabilidades, das canseiras e longe de, também eles, serem expostos ao escrutínio e à crítica.  E ficaram de fora porque é bem mais fácil assim. Afinal, diz o povo que "pimenta no cu dos outros no nosso é refresco".

Mas é o que temos e não há volta a dar, e, não sendo muitas, são algumas as aves canoras cá da nossa praça. É caso para se dizer que bem espremidos e avaliados estes passarões valem pouco ou mesmo nada, mas, como vivemos numa sociedade do politicamente correcto em que todos têm direito às liberdades e garantias, mesmo a de "cagar postas de pescada",  temos que os deixar andar por aí, a esvoaçar ou a dar à perna, livres e desresponsabilizados.

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