25/10/2018

Bem a mim que és pequenino


Foto de meados de 1965. Nem mais nem menos que os irmãos Benjamim e Manuel. A foto foi naturalmente tirada pelo tio de ambos, Pe. Francisco. 
Benjamim, que chegou a padre, é o mais pequenito agarrado à mão direita da mãe. Nasceu a 28 de Agosto de 1963 pelo que na data da foto teria por isso à volta dos dois anitos.
Para além de tudo, repare-se que o adro já tinha os canteiros e arbustos já com bom tamanho, tendo os mesmos sido plantados pelo final dos anos 50. Também se percebe que o salão paroquial estava já concluído.
Uma fotografia pode contar-nos uma história ou mesmo várias. Depende sempre do ponto de vista.

24/10/2018

Biblioteca Abade de Pigeiros


Será já no próximo sábado, dia 27 de Outubro, que na freguesia de Pigeiros ocorrerá a inauguração da Biblioteca Pe. Domingos Azevedo Moreira - Abade de Pigeiros, com o espólio documental deixado por este, testamentado a favor do município de Santa Maria da Feira.
Presidirão à cerimónia os presidentes da Câmara Municipal e da Junta da União de Freguesias local.

Apesar da pompa e circunstância, o acontecimento está revestido de alguma pré-polémica quanto ao esgrimir de responsabilidades sobre o local que acolherá o espólio (antiga sede da Junta de Freguesia de Pigeiros em vez do Centro Cívico Feliciano Martins Pereira). De resto, refutando acusações do Vereador da Cultura do município, o ex autarca pigeirense, que dá nome ao Centro Cívico, respondeu e esclareceu por escrito em jornal concelhio, negando ("...em defesa de carácter e dignidade") quaisquer responsabilidades e remetendo as mesmas para a Câmara, ao encolher o projecto do Centro Cívico.

Nota à margem: Sobre o assunto do projecto e seu propósito, escreveu o Sr. Pinto da Silva, das Caldas de S. Jorge, em Maio de 2016 um artigo em que põe o dedo na ferida de alguns aspectos do processo inerente à criação da biblioteca e a sua mudança para o actual espaço. No fundo, feridas que ainda parecem doer e que fazem gemer alguns dos intervenientes e daí a polémica. Resta saber se após a cerimónia da inauguração essas feridas vão sarar e cicatrizar).

É uma polémica que se lamenta. Mesmo que não conhecendo em rigor as razões de fundo e delas poder identificar as verdadeiras responsabilidades, certo é que a polémica existe e de algum modo veio acinzentar a inauguração. Todavia, mais do que a cerimónia, e o Pe. Domingos Moreira era tudo menos de cerimónias, a inauguração do espaço é um desfecho que se aguardava desde o falecimento do sacerdote, em Janeiro de 2011 e cumprindo-se o seu testamento (abaixo reproduzido). Creio que, tendo o testamento sido feito ainda em vida e sido aceite nas suas condições pelo município, seria de esperar que a obra já estivesse há muito concretizada. De resto, a ter em conta o testamento, esperava ainda o Pe. Domingos poder frequentar o respectivo novo espaço e aceder ao seu espólio. Infelizmente, eventualmente por precipitação do seu stado de saúde, tal não veio a acontecer durante a sua vida.

É certo que alguns pigeirenses na altura ficaram com um sentimento de algum desapontamento por verem o testamento dirigir à custódia do município o seu vasto e rico espólio documental (fala-se em cerca de 20 mil documentos entre livros, jornais e outros escritos e manuscritos) e não apenas à freguesia e paróquia, mas as coisas são como são e há que respeitar a última vontade do pároco. Certamente que a sua intenção, conforme expressa no testamento, foi apenas a de responsabilizar uma entidade que desse garantias presentes e futuras quanto à preservação e segurança do seu património.

O outro legado, porventura não menos importante, o do homem, humanista, estudioso e pároco dedicado e humilde, esse pertence em exclusivo aos paroquianos pigeirenses, mesmo que também na justa e devida parte às paróquias por onde passou e deixou marcas, como a de S. Mamede de Guisande, em que esteve como responsável durante 10 anos, para além da ligação ocasional que sempre manteve nomeadamente no tempo do Pe. Francisco Gomes de Oliveira.

Programa da inauguração:

16h00 – Missa Paroquial em memória do Padre Domingos Moreira;
17h10 – Romagem ao cemitério e aposição de flores no jazigo do Padre Domingos Moreira;
17h20 – Momento musical com o Ensemble da Banda Sinfónica de Jovens de Santa Maria da Feira;
17h50 – Sessão inaugural;
18h15 – Visita guiada à biblioteca.

Testamento do Pe. Domingos Azevedo Moreira (transcrito do blog das Caldas de S. Jorge, )

É um assunto de que várias pessoas me têm falado. Recentemente o Prof. De História de Arte, da Faculdade de Letras de Coimbra, Dr. Nelson Correia Borges, no seu estudo de antropologia cultural sobre o culto da Senhora da Boa Morte, ainda florescente no século XVIII, cita nas páginas 6 e 7 as sugestivas palavras do Pe. António Vieira nos seus sermões, edição Lello e Irmão, Vol. II, 1959, 187-188: “A morte tem duas portas: uma porta de vidro por onde se sai da vida; outra porta de diamante por onde se entra à eternidade. Entre estas portas se … se acha subitamente um homem no instante da morte, sem poder tornar atrás nem parar nem fugir nem dilatar senão entrar para onde não se sabe e para sempre […]”. 
Aristóteles disse que entre todas as coisas terríveis a mais terrível é a morte. Disse bem, mas não entendeu o que disse. Não é terrível a morte pela vida que acaba mas pela eternidade que começa. Não é terrível a porta por onde se sai, terrível é a porta por onde se entra. Se olhais para baixo, um precipício que vai parar no inferno. É tudo incerto” e, cristãos, “se quereis morrer bem” “morrei em vida moralmente”.
Depois desta introdução, escrita com alegria ao som da banda musical minhota, irei começar.

Em nome de Deus, Amén.
A minha vontade, Padre Domingos de Azevedo Moreira, após conversações com os sobrinhos com quem vivo, e com o seu consentimento, é que a minha biblioteca seja cedida a uma instituição que me dê garantias da sua segurança, conservação, dinamização, de forma que esta seja sempre uma biblioteca viva. Assim, decidi ceder, como cedo, a minha biblioteca ao Município de Santa Maria da Feira nas seguintes condições:
a)      Biblioteca especial (cujo critério de selecção será feito pelo meu testamenteiro): contém os exemplares mais valiosos. Quero que estes sejam instalados em caixa-forte em condições de conservação adequadas a cargo da Câmara Municipal.
b)      A restante biblioteca (livros, revistas, jornais, fotocópias, apontamentos, objectos musicais, discos, etc.) será alojada em sala (ou salas) própria (s), com o nome do doador na porta da sala – P. Domingos de Azevedo Moreira, Abade de Pigeiros. Será instalada no pólo de Pigeiros, depois de estar a casa pronta (em Pigeiros). O espólio será acessível ao Declarante e aos seus dois sobrinhos (MARIA DE FÁTIMA DE PINHO MOREIRA MAGALHÃES E MARIDO) em cuja casa vivo. Falecendo um e outros, cessa o direito de fruição.
Quanto a cuidados: gostava que fosse criado uma espécie de CONSELHO PEDAGÓGICO com o objectivo de conservação e dinamização da biblioteca para que esta não se torne num mundo fechado. Do citado CONSELHO farão parte a minha sobrinha MARIA DE FÁTIMA DE PINHO MOREIRA MAGALHÃES E O SR. VEREADOR DA CULTURA da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira).
Por questões de segurança ou outras, o espólio pode ser transferido provisoriamente da residência de Pigeiros para instalações em Romariz. Os trabalhos de inventariação poderão ser iniciados de imediato por pessoal a indicar pela Câmara Municipal, sendo minha vontade que a minha sobrinha Fátima e seu marido integre essa equipa.
Nomeio como testamenteiro o meu condiscípulo, Dr. Cândido dos Santos.

23/10/2018

Nota de falecimento


Faleceu Maria da Anunciação e Conceição, de 91 anos, viúva de José Manuel Nogueira. Residia no lugar da Leira, na Rua Nª Sª de Fátima, 1175.
Sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular à sua filha, genro e netos.
Descanse em paz! 
As cerimónias fúnebres terão lugar na capela mortuária e igreja matriz de Guisande, na Quarta-Feira, dia 24 de Outubro de 2018, pelas 17:00 horas, indo no final a sepultar em jazigo de família no cemitério local.
A Missa de 7º dia será na igreja matriz de Guisande, na Segunda-feira, dia 29 de Outubro, às 18:30 horas.

Infecções linguísticas


“INFECTED EXPERIENCE – the beggining”

O título em inglês dá cá uma pinta...e medo, muito medo!
Ah, Camões! (Camone).
Mas sim, dizem que é fixe e recorda-nos o tempo em que brincáva-mos, mas aos "cóbóis", e, claro, com 8 ou 10 anos. Das feiras populares para a Feira Popular, uma versão moderna do Combóio Fantasma. Que medo...

22/10/2018

Guisande - Fotografia aérea


Fotografia aérea de Guisande em resolução bem mais generosa do que habitualmente disponível. Para o formato original, clicar aqui.

Pelo menos tapem os buracos


De vez em quando por lá passo os olhos, no jornal online "O Mirante". Nele, mesmo que já recessa, de 2011, li a queixa de um certo António Bento, morador da freguesia de Pinheiro Grande  (actualmente integrada na União das Freguesias de Chamusca e Pinheiro Grande) relativamente ao suposto tratamento do seu presidente de Junta, não tratando de igual modo os seus habitantes,  ignorando o seu pedido de reparação dos buracos de uma certa estrada. Rematava dizendo que "...Eu não peço alcatrão na referida rua mas sim que se digne de tratar os habitantes de Pinheiro Grande da mesma forma e com o civismo que deve ou devia ter para com a minha pessoa."

Independentemente das razões do cidadão Bento para com o seu presidente de Junta de então, porventura resumem muitas das queixas de moradores de muitas outras freguesias e lugares destas, em que se sentem esquecidos e ignorados. 
Ora, em Guisande, à data, com mais de um ano de exercício da actual Junta percebe-se perfeitamente este sentimento de marasmo e inactividade, sem qualquer sinal de obra ou melhoramento por mais simples que seja, a ponto de já se ouvir as pessoas a dizerem precisamente isto: - Pelo menos tapem os buracos!

E há muitos para tapar e pedaços de estradas por refazer e há situações deploráveis como os casos de troços em estado reles como na Rua do Outeiro, Rua do Jardim de Infância, Rua Nª Sª da Boa Fortuna, junto ao cruzamento com a Rua de Cimo de Vila e várias outras, bem como a situação de águas no cruzamento da Rua da Igreja com a Rua das Quintães, que se arrasta há meses e com o pavimento a degradar-se dia para dia e ainda sem a chegada do Inverno.
De facto, não querendo pedir muito a quem tem o poder da decisão, pelo menos tapem os buracos. Se a tarefa for complicada, pelo menos os mais granditos. 

21/10/2018

Quem disse que o papel higiénico só serve para limpar o sr. doutor?



O papel higiénico dispensa apresentações nem necessita de workshops para ensinar a sua utilização. Com mais ou menos eficiência todos o usam, pelo menos no mundo chamado desenvolvido.
A acreditar na Wikipedia, antes de sua invenção para tal finalidade, que remontará ao início século XIX, as pessoas costumavam fazer a sua limpeza com folhas de hortelã, água e por vezes sabugos de milho. Diz-se que o papel higiênico foi inventado na China, em 875, mas a invenção também já foi atribuída a Joseph Gayetty, de Nova Iorque, Estados Unidos, que a teria concebido em 1857.
 
Seja como for, limpar o sr. doutor com sabugos, que por cá conhecemos como "canhiços" nem é novidade e anda por aí e por aqui muita gentinha que em determinada altura da vida já o fez.
Mas sim, o papel higiénico, tão subestimado, é hoje em dia, nos nossos padrões de higiene, um elemento indispensável e veio de há muito tirar lugar ao papel de jornal. É certo que com esta mudança andam por aí muitos sr.s doutores analfabetos e bem que precisavam que lhes esfregasse diariamente o alfabeto no olho, salvo seja. Mas isso levaria a outras histórias.

Mas, à falta de papel cavalinho ou de esquiço, o papel higiénico pode muito bem receber uma momentânea inspiração de um qualquer artista. Assim, se já não for hoje, amanhã quando estiver a usar este papel macio e absorvente, pense no que poderia fazer com ele em termos plásticos.

Rock and rolas




São mais que muitas as rolas que por aí andam. Ainda neste ano fizeram ninho e criaram nos loureiros que tenho ao fundo do quintal. Gosto de as ver, calmas, sempre aos pares, ou então em reunião de bando como hoje ao início da manhã nuns cabos eléctricos de média tensão. De repente, um gavião, no caso um avião, que passou  bem por cima das rolas e estas esvoaçaram não fosse mesmo um gavião. Mas de aviões, parece-me que por agora são bem mais que as rolas e de há algum tempo que passam sobre o nosso céu a um ritmo impressionante, seja de dia ou de noite. Como diria o Futre, a descarregar paletes de chineses e outros turistas na cidade do Porto. Não surpreende, pois, que turistas pela Invicta sejam mais que rolas, ou mesmo mais que pardais. Não tarda que venham a ser mais que moscas e por ali já não se possa pôr pé. Como aprendemos no velhinho ditado "O que é de mais é moléstia".

20/10/2018

O poder de uma letrinha



O Centro Social S. Mamede de Guisande vai promover no próximo sábado, dia 27 de Outubro, a sua 2ª Noite de Fados. Por pessoa, 20,00 euros, com entradas e sobremesa. Será um pouco puxadito mas está inerente o objectivo de angariação de fundos para ajudar as responsabilidades financeiras da instituiçao. Assim, quem reconhece a importância da associação e seus objectivos e tem acompanhado o esforço da Direcção num contexto de dificuldades, dará por bem empregues o tempo o custo do jantar e a noite de convívio. Pelo contrário, quem não reconhece ambas as coisas, a importância e a dedicação, não tem que se preocupar porque falta faz quem cá está. E há sempre andorinhas que se perdem pelo caminho da Primavera mas esta não deixa de florir nem espera por quem não vem..
 
Em todo o caso, não esquecendo o título da prosa, estava eu a preparar o convite para o evento, a pedido do presidente do Centro, quando por lapso troquei apenas umas letrinhas na palavra "fados", trocando as posições do "a" e do "o". Toca a corrigir, é claro, porque mesmo que acompanhada por guitarra e viola ninguém quereria participar numa 2ª Noite de Fodas. Ou talvez sim, mas não seguramente nesse local e contexto.
 
Ora como este processo do Centro Social já tem conhecido "fodas" suficientes, algumas de quem menos se esperava, venham antes os fados e as guitarradas, que sempre têm o condão de nos alegrar a alma. Depois de um bom jantar a alma fica mais receptiva às melodias choronas da guitarra e com isso ajuda-nos a esquecer as "fodas" da vida.
 
Silêncio, que se vai cantar o fado!

19/10/2018

Pelo Portal do Inferno e mais além




Em 1960 ainda não era eu nascido e por isso não tive como testemunhar a suposta primeira chegada ao alto do Monte de S. Macário do primeiro automóvel conduzido por um tal de José Inácio Coelho, precisamente no dia 29 de Maio desse ano. Pode até ter havido um intrépido piloto a realizar a façanha bem antes, mas não teve a pioneira ideia de registar o acontecimento numa lápide de mármore e encravá-la no duro granito da serra. Assim o mérito ficou do Coelho, de resto um animal bem adaptado a esta serra agreste, uma elevação com 1052 metros de altitude máxima junto à capela e que se localiza a pouco mais de 10 km a norte de São Pedro do Sul.
 
Creio que já por lá estive pelo menos umas quatro vezes, uma delas não de mota mas de bicicleta, há bem pouco tempo, neste Verão, sozinho, por isso sem testemunhos e ainda por cima com o telemóvel sem bateria para registar o acontecimento. Foi uma jornada e tanto.
 
Mas as fotos que ilustram este artigo reportam-se a 1 de Setembro do ano passado, dia que aproveitei para dar a conhecer a pessoas de família alguns dos belos sítios da zona, como Rio de Frades, Covelo de Paivô, Regoufe, Pena (onde almoçamos), Covas do Monte, Covas do Rio, S. Mácario e outros mais que o tempo não teve tempo.
 
Por antigas investidas com amigos no Geocaching (Luis Bastos e Higino Almeida), talvez já com pelo menos meia dúzia de anos, fiquei então a conhecer grande parte da Serra da Freita e Arada e todas aquelas belas e ermas aldeias alcondoroadas aos rios Frade, Paiva e seu afuente Paivô. Para além das já referidas, ainda Drave, Paradinha, Ponte de Telhe, Janarde, Meitriz, Fujaco, Coelheira, Póvoa das Leiras, Candal, Cabreiros, Manhouce e outras mais. Sem pretenciosismos, direi que já quase conheço estes lugares como as mãos.

O bom de tudo, é que mesmo visitando uma e outra vez estes lugares, há sempre vontade de os revisitar, eventualmente em diferentes épocas do ano, mesmo que a passar pelo tenebroso Portal do Inferno. Mas de bicicleta bastou uma vez. Agora só de carro como o Inácio Coelho em 1960.

Pobre tijolo de 7

Este tijolo é de 30x20x7cm e tem 8 buracos. Se fosse um tijolo de 30x20x15cm e de 12 buracos,  ou um bloco térmico, toda a gente fazia like e partilhava, mas como não, pobrezinho, todos o ignoram. 
Bem que gostaria de fazer parte de paredes exteriores de uma moradia moderna mas relegam-no para paredes interiores, de fiada simples e até já está a ser preterido pelas fininhas paredes de pladur. Por vezes até o assentam em paredes exteriores mas, veja-se só o desrespeito, apenas em galinheiros ou caixas-de-visita por onde passam os esgotos.
Vamos lá ser solidários com este pobre tijolo de 30x20x7cm, partilhando e fazendo likes. Afinal de contas, é da mesma massa, como quem diz, do mesmo barro, do gabarolas do tijolo de 30x20x15cm. É verdade que só tem 8 buracos mas há quem tenha só um e mesmo assim leva bem a vida.

- Raminhos Nogueira

17/10/2018

A dar à costa


Estou deveras céptico com a anunciada medida do Governo em baixar o IRS para aqueles que estando emigrados no estrangeiro queiram regressar a Portugal. 
Obviamente que nada contra quem procurou levar melhor a vida noutras paragens e que agora queiram e possam regressar e até gosto de os ver por cá. Todavia, creio que esta medida, mesmo que de efeitos temporários, é apenas mais uma que nos leva a ter a certeza que há portugueses de primeira, de segunda e mesmo de terceira.

Para além de duvidar dos efeitos práticos, porque não estou a ver que portugueses a trabalhar no estrangeiro, certamente com melhores condições e já focados e inseridos nessa nova realidade, decidam regressar só porque vão poupar uns trocos no imposto sobre o chorudo rendimento em Portugal, cheira-me, contudo, que esta medida é pura demagogia e sobretudo um sinal ideológico ao marcar terreno contrapondo o suposto incentivo ao regresso, ao suposto encorajamento à saída, então pelo anterior Governo quando a crise era aguda.

Por outro lado, se alguns milhares de portugueses se sentiram então obrigados a procurar melhor vida fora do país e ali encontraram alternativa, e quem me dera a mim a muitos outros terem tido essa oportunidade de sair, pior do que isso foram os milhões que foram obrigados a ficar por cá no vendaval da crise e que tiveram que aguentar os cavalos, certamente sob piores condições do que aquelas que a larga maioria dos emigrados teve de enfrentar. É certo que haverá excepções, mas creio que no geral ninguém avançou para o estrangeiro sem o mínimo de garantias de ali encontrar emprego e melhores condições de vida, ou pelo menos de rendimento.

Seja como for, com esta "irrecusável vantagem fiscal", é ver para crer se vamos ter uma avalanche de emigrantes a retornar, a dar à costa, e o ganho que isso representará para o país. É que não estou a ver, de todo, sobretudo o pessoal qualificado, a deixar os seus bons e reconhecidos empregos por essa Europa e mundo fora, onde são valorizados, regressarem a um país que ciclicamente enfrenta crises à beira da insolvência, onde milhares de licenciados estão desempregados e não encontram trabalho à altura da qualificação e dos objectivos para que se prepararam, a ponto de, para levarem a vida, aproveitarem o que vem à rede, quase sempre petinga da miúda.

Mas o Costa e o Centeno lá saberão. Sempre é mais fácil acenar com a "cenoura" da redução do IRS do que baixar o preço escandaloso dos combustíveis e reduzir na generalidade o IVA da electricidade e de outros dos muitos impostos directos e indirectos que trazemos às costas. 

16/10/2018

Nota de falecimento


Soube, há pouco, informado por familiares, que de forma inesperada e repentina faleceu meu tio Manuel Alves da Fonseca, que vivia na Rua das Barreiradas - Quintães. Tinha 78 anos.
Sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular à viúva Maria Amélia e seus filhos.
Paz à sua alma! Descanse em paz!

Actualização: 17 de Outubro:
Chegada do corpo à Capela Mortuária na Quarta-Feira, 17 de Outubro, pelas 20:00 horas. Funeral na Quinta-Feira, dia 18 de Outubro, pelas 16:00 horas, com missa de corpo presente na igreja matriz de Guisande, indo no final a sepultar em jazigo de família no cemitério local.
Missa de sétimo-dia na Segunda-feira, dia 22 de Outubro pelas 18:30 horas

12/10/2018

Guizande Futebol Clube - Escritura de constituição




Na continuação das minhas notas documentais que tenho vindo a escrever sobre a história do Guizande Futebol Clube, publico agora a cópia da escritura pública da constituição da associação, lavrada no Cartório Notarial de Vila Feira numa quarta-feira, 31 de Outubro de 1979. 
Por sua vez, a constituição da associação que tomou o nome de Guizande Futebol Clube, foi publicada no Diário da República nº 296, III série, de 26 de Dezembro de 1979.

Na referida escritura, em que constam onze artigos que regulamentam a associação constituída, no artigo 4º são definidas as qualidades dos associados (executantes, auxiliares, beneméritos e honorários).

São também identificados os sócios que estiveram ligados à fundação oficial do clube e que outorgaram a respectiva escritura. São apenas alguns nomes, não necessariamente os que mais ou menos contribuíram para a legalização do clube.  Certamente que muitos outros com maior importância  na época e mesmo nos primeiros tempos, não constam desta lista. De resto sabemos que muitas vezes nestes actos burocráticos participam aqueles que no momento da marcação da escritura apresentam disponibilidade para participar no acto. Contudo, reconheça-se, não deixa de ser marcante para quem participou em tal acto.

Para além de tudo o mais documentado na escritura, há uma nota importante, a que se refere o último artigo, o 11º, que esclarece o que tem sido uma dúvida para muitos, ou seja, que em caso de dissolução do clube por razões previstas na lei, todo o património do clube reverterá a favor da Junta de Freguesia de Guisande. Fica assim desfeita essa dúvida.

Quanto aos nomes subscritores do documento, pela ordem de outorgantes:

Manuel Rodrigues de Paiva
Júlio César dos Santos Alves
José Pires de Almeida Saraiva
Elísio Alcino Ferreira dos Santos
António de Oliveira Bastos
José de Almeida Peixoto
Valdemar Ferreira de Pinho
Domingos da Conceição Lopes
Elísio Gomes da Mota

Podem ler aqui a totalidade das notas que aos poucos tenho vindo a documentar.

11/10/2018

Parecendo que não, de hoje a um mês é S. Martinho




Ufa! Como corre o tempo. Ainda ontem marchava a procissão no Viso e daqui a um mês já anda o S. Martinho a dar castanhas e vinho. 
Talvez por isso, talvez por perceber que estas raparigas guisandenses (Juventude da Acção Católica Feminina) dançavam alegres à roda da fogueira e das castanhas, num Magusto de 1957, e de lá para cá voaram mais de 50 anos,  percebe-se que a vida são mesmo dois dias.

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