01/07/2020

Subserviência parôla


Subserviência parôla, esta dos portugueses aos estrangeirismos. 
Terão nos seus países, espanhóis, franceses, ingleses e alemães e outros que tais,  um símbolo "Limpo & Seguro"? 
Poder-se-á até ter algum compreensão com quem argumenta que esta coisa é "para inglês ver", mas o mal está generalizado mesmo em nomes de coisas, espaços e eventos de uso comum dos indígenas lusitanos.
De resto, no que se refere ao selo em questão, não se entende minimamente porque não tem a componente da tradução, já agora, "para português ver".

Globalização não deve ser sinónimo de desconsideração pela língua pátria, ainda tanto mais que o português, língua, não é propriamente um idioma falado por apenas escassos milhares de pessoas. Mesmo que com contradições (desde o 4º ao 7º nas tabelas por aí), parece que estamos seguramente entre as 10 línguas mais faladas globalmente. 

Em consonância, um pouco mais de orgulho e valorização não faziam nenhum mal.

30/06/2020

O Silva não gosta do Big Brother 2020

O Silva tem um problema com a grelha de canais na MEO. Como normalmente procura aceder aos documentários, pela proximidade de posição clicava no 99. Ía logo directo ao RTP Memória, que muito apreciava, e depois um pouco para baixo ou para cima aparecia o que ele queria. Canal História, Odisseia, Discovery, etc.

Agora, o Silva dá logo de caras com esse lixo televisivo, que muitos apreciam, chamado BIG Brother 2020. Diz que já pensou em mudar de operadora, para a NOS, mas parece que esse vírus também anda por lá, algures na posição 12, mas pelo menos longe do tão querido 99 do Silva.

Para o ajudar, sugeri que abra uma petição pública para arredar o BIG Brother para a posição 357821 ou então que faça um pedido à MEO para o colocar algures entre os canais do trupa-trupa que por lá fica em boa companhia.

29/06/2020

Os extremismos gostam de caviar

Se depender do meu voto, André Ventura e o seu Chega não terão qualquer relevância política neste nosso Portugal. 
Apesar disso, parece-me que pela negativa lhe tem sido dado demasiado protagonismo e mesmo a forma como alguns opinion makers e sectores da nossa política e alguma da imprensa adocicada pelos apoios estatais o têm considerado ou desconsiderado, com posições reveladores de um forte extremismo e mesmo laivos de muita intolerância e discriminação, nomeadamente por parte de uma certa esquerda caviar que se considera a detentora da ortodoxia ideológica. 

Esta certa esquerda tem sido ela própria extremista e preconceituosa e paradoxalmente tem sido o suprimento de gás que vai enchendo o balão do populismo do Chega. O Ventura pode ter os tiques de muita coisa negativa e condenável, mas também partilha os defeitos e demagogia comuns à  nossa classe política, da esquerda à direita, mas pelo menos, parece-me, não se tem esquivado numa farsa do politicamente correcto, com que muitos pretendem moldar a nossa sociedade, com os seus julgamentos facciosos da História, verdadeiros mestres no toque de Midas, fazendo de merda ouro, mostrando-se alérgica no que toca a chamar os bois pelos nomes. 

Ora quem tem ajudado o Ventura e o seu Chega a ganhar algum arrasto,  pelo menos para já nas sondagens, é precisamente quem está farto desta gosma política de gente muito moralista quanto aos valores dos direitos, liberdades e garantias, mas com uma tendência do caralho para esquecer as obrigações, as responsabilidades, a lei, a ordem e a disciplina, ignorando que aqueles valores só têm sentido se acompanhados por estes. Quem come a carne também tem que provar os ossos. Quem quer respeito tem que respeitar. Quem quer direitos não pode fugir aos deveres. Quem quer liberdade não pode relevar a disciplina e dispensar a ordem. Afinal quem tem medo destes equilíbrios?

Assim, em resumo e como aviso à navegação, continuem com essa abordagem extremista, com as vossas piadolas ofensivas, vão para manifs e antifs extremifs derrubar estátuas e partir montras que os Venturas e os Chegas agradecem. Depois chamem-lhes nomes feios, que ele gosta.

25/06/2020

Ossos do ofício


Restos da carne, do vício,
Que à terra, ao pó devolve,
À morte, à tristeza e ais.
Afinal, ossos do ofício.
Duma força que nos move
Como barca rumo ao cais.

22/06/2020

Antes do Centro Escolar, quando a escola era o centro

Hoje pergunto se não há escolas porque não há crianças, ou se não há crianças porque não há escolas, ou porque não há uma coisa nem outra porque queremos um futuro baseado num presente que cada vez mais desrespeita o passado?
 
É claro que há escolas, super-escolas, concêntricas, sem dúvida, com mais condições, mais confortáveis, com mais de tudo e porventura com mais de nada.

Pobre país, que até rasgou o mapa com auto-estradas, de norte a sul, de poente a nascente, mas pouco ou nada fez para impedir a desertificação do interior, ajudando à eutanásia das nossas aldeias. Na maior parte delas restam poucos, os "entas", porque com raízes profundas presas ao granito ou ao xisto, mas crianças, nem vê-las ou se sim,  raridades. 

Estamos definitivamente em extinção e não é só demográfica.  É mais do que isso. Muito mais. É também de valores e da desvalorização do conceito de família e comunidade. Até a porcaria da reforma administrativa veio dar um golpe nessa coisa de identidade comunitária e orgulho de pertença às raízes. Até isso!

As velhinhas escolas primárias, como a da imagem, algures numa das nossas aldeias, são agora monumentos  ao vazio. Mas nesta puta de dicotomia do copo poder ser visto meio cheio ou meio vazio, há sempre quem ache que o que importa é que tenha alguma coisa para beber. 
É isso! Habituámo-nos a meias doses, a meios copos meio cheios ou meio vazios, e talvez por isso andemos sempre insaciados! A plenitude é apenas filosofia! 

12/06/2020

Nota de falecimento


Faleceu Josefina da Conceição, de 101 anos de idade, com residência no lugar de Fornos - Guisande.
Cerimónias fúnebres de acordo com as informações na pagela acima.

Sentidos sentimentos aos seus familiares.

11/06/2020

Foge, Mário!


A propósito da saída do Governo de Mário Centeno, ministro das Finanças, o primeiro-ministro António Costa contextualizou para justificar o abandono  que "...a vida é feita de ciclos e que por isso compreendia e respeitava a decisão do seu ministro".
Não deixa de ser verdade o que disse António Costa, mas esqueceu-se que na política e sobretudo num Governo, os ciclos são determinados por legislaturas e por compromissos assumidos para com o país e os eleitores. Ora definir o términus de um ciclo quando ainda não está decorrido um ano sobre a tomada de posse do actual executivo, convenhamos que assim os ciclos são quando cada um quiser e o compromisso é uma mera balela, sobretudo quanto não há motivos fortes e pessoais que o justifiquem bem como aparentemente também não de incompatibilidades políticas e de confiança até porque a saída foi anunciada com beijinhos e abraços entre Centeno e Costa.

Mas adiante. Certo é que este desfecho estava já anunciado pelas entrelinhas e sobretudo depois do disse-que-não disse sobre a injecção de milhões no Novo Banco.
Confesso que não tenho grande opinião técnica sobre o ministro em saída. Foi mais um.

Do apelidado "Ronaldo das Finanças", a percepção que eu, e muitos entendidos, têm de Mário Centeno, é que foi sobretudo o "ministro das cativações" e daí não surpreende que se vanglorie pelo tal excedente orçamental histórico. De resto falar num excedente orçamental soa a ridículo quando sabemos o valor da dívida pública. É como estarmos a fazer contas a poupanças ignorando a quem devemos. Mas, ok, linguagem técnica.

Neste contexto de cativações, em que vários sectores do Estado sofreram fortes impactos, como o SNS - Serviço Nacional de Saúde, faz-me lembrar uma história que por cá se conta sobre um certo rapazola, já reformado, que terá muitas economias, não porque tenha tido grandes empregos nem seja reformado da função pública ou de antigas edps, cps e telecoms, mas porque, simplesmente, fazia uma vida de forreta e de pendura. Dizem, até, que ainda terá guardada a nota de 500 escudos que terá recebido de prenda da comunhão solene. Ora este Centeno, de algum modo, mostrou ter estes dotes da poupança, no que é positivo, pois claro, poupar é preciso, mas não de uma forma quase obsessiva, retendo e cativando em quase todos os ministérios, inviabilizando e adiando obras e investimentos. 

Trazendo a coisa para o nosso contexto, é quase seguro dizer-se que o facto de o nosso Centro Social de S. Mamede de Guisande ainda não estar a funcionar plenamente devido à tal falta do acordo de cooperação com a Segurança Social resulta disso mesmo, de adiamento de anteriores decisões tomadas porque sem a disponibilidade de verbas, tudo porque o abaixamento do défice tornou-se uma obsessão para lá mesmo do tal limite dos 3%.

A meu ver, Mário Centeno sai precisamente num momento e num contexto em que o Governo e o país mais precisariam. É pena e de algum modo uma desilusão. Mas há quem prefira abandonar o barco  enquanto está calminho, antes da tempestade chegar ao cais.

Foge, Mário!

10/06/2020

Interrogatório


Marcelo Rebelo de Sousa, no discurso deste Dia de Portugal e de Camões, fez sobretudo perguntas. Mas às suas perguntas não pode esperar unanimismos nas respostas, mesmo dando de barato que a nossa sociedade parece que começa a embrutecer nos cânones do politicamente correcto e a estreitar o caminho para quem pense diferente. Não tarda a democracia a ser ela mesmo uma ditadura a definir os parâmetros politicamente correctos, legislando sobre os bons, os maus e os vilões, como numa clássica cowboyada.

A determinada altura do discurso interrogatório do nosso presidente, diz que "...Portugal não pode fingir que não existiu e existe pandemia, como não pode fingir que não existiu e existe brutal crise económica e financeira. E este 10 de Junho de 2020 é o exacto momento para acordarmos todo para essa realidade”.

É verdade que não podemos fingir mas isso em grande parte é o que todos temos estado a fazer desde o início da coisa. Fingimos que estávamos preparados, fingimos que o SNS estava à altura, fingimos que o uso das máscaras era contraproducente, fingimos que todas as outras doenças, consultas, exames, cirurgias, tratamentos, eram adiáveis, fingimos que por estes dias os únicos mortos eram da pandemia, fingimos que o acréscimo médio de mortes para além dos relacionados à Covid-19 era um número sem importância porque fora do radar geral da imprensa e do escrutínio de uma comunicação social amestrada, fingimos que decretar a suspensão do país era algo imperioso, porque ou isso ou a extinção da humanidade e dos bravos lusitanos.

É verdade que a "brutal crise económica" existe mas as reais consequências ainda estão para vir, sendo que o Governo, incluindo o presidente, não podem "tirar o cavalinho da chuva", para o bem e para o mal, e fugir às suas  responsabilidade de que uma boa percentagem desta "brutal crise económica" decorre das suas medidas de determinar a suspensão do país. Não podemos atirar a pedra e esconder a mão atrás das largas costas da pandemia. Muitas decisões terão sido necessárias, claro que sim,  mas outras terão tido uma enorme dose de exagero e desproporcionalidade, incluindo o anedótico estado de emergência e a patética proibição de saída dos concelhos, sobretudo na forma e nos critérios.

A pandemia é uma realidade, séria, que pode arrastar qualquer um de nós, sobretudo os mais idosos e vulneráveis, que não pode merecer desvalorização, mas exige simultaneamente  medidas equilibradas e proporcionais e não como uma rede de arrasto onde vai peixe graúdo e miúdo. 

Neste 10 de Junho,  no geral Marcelo foi igual a ele próprio, com um discurso redondo, moldado para agradar a gregos,  troianos, fenícios e cartagineses. Não duvido que também tenha agradado à maioria dos portugueses  mesmo que porventura tenham sido poucos a dar-se ao trabalho do o ouvir em directo, porque começa a ser mais do mesmo.

Brincar aos aviões



Confesso, saloiamente, que nunca estive num aeroporto  nem pus os pés dentro de um avião. O mais próximo disso terá sido algures numa Festa do Viso de outros tempos em que por lá se instalava um carrocel de aviões.
Por conseguinte, até ao momento, a necessidade de viajar de avião tem sido tão dispensável como uma dor de dentes.
Arrelia-me, pois, com fundamento, que a maioria dos nossos Governos tenham na TAP um autêntico poço sem fundo onde o dinheiro de todos nós, incluindo dos que nunca viajaram de avião, como eu, é ali despejado à tripa farra, de forma desmedida a pretexto, dizem eles, da importância estratégica da coisa para o país e da diáspora. Se querem a minha opinião, que tal estratégia se foda e mais quem apregoa isso!.
A coisa é tão simples quanto isto: Quem viaja, por férias ou trabalho,  que pague os custos inerentes. Não pode nem deve beneficiar de borlas, de descontos ou de passagens pagas abaixo do preço de custo. Não é pedir muito. Apenas que funcione a lei do mercado. 
Mas como nestas coisas vamos todos de anjinhos, o nosso Governo prepara-se para lá meter mais umas pázadas de dinheiro (+ 1200 milhões). E digam o que disser, porque nestas coisas as desculpas são sempre muito tecnicamente rebuscadas para enganar parvos, será dinheiro sem retorno e os prejuízos e a dívida, como a nossa pública, continuarão a galopar.
Já não há paciência para estes desmandos. Se não tem viabilidade a TAP, administrem-lhe a eutanásia e desliguem as máquinas. Não faltarão outros aviões. Nem que seja algures num carrocel.

07/06/2020

Manifs

As manifestações, certas manifestações, são do caraças. Sabemos como funcionam até porque têm clientes certinhos a fazer lembrar o dono do "O MEU CAFÉ"  que mesmo sem o ver já tirava o café para o Ti Manel que dali a exactos vinte segundos entraria na tasca e apresentar-se-ia no balcão. Muitos anos a virar frangos.

Com "certas" manifs, às tantas ficamos sem saber se é puro folclore, um instinto gregário, um "Maria vai com as outras" ou se de facto há alguma propósito de verdade em cada um dos participantes .
É que, como diz o outro, "se fosse para cavar batatas não apareciam tantos". Ou como dizia ainda outro, "duas horas a sachar milho e a limpar matos, amaciariam muitas ideologias". 

Fazem-me, ainda, lembrar o inesquecível sketch humorístico com o saudoso Óscar Acúrcio na frente de uma manifestação a reclamar em uníssono "-Queremos trabalho! Queremos trabalho!." Às tantas, alguém de fora dirige-se a ele a diz: - Ó amigo, pode vir que eu arranjo-lhe trabalho!. - Ao que ele responde: - "Ó amigo, com tanta gente aqui e você vem logo ter comigo? Foda-se!".

Mas a malta gosta é de pândega, de bandeiras e slogans, de desconfinar, e como os filhos da Ínclita Geração, há rituais necessários e qualquer cidade serve para servir de Ceuta e acrescentar mais um degrau nos currículos porque mais tarde há-de fazer jeito.

01/06/2020

Há burros que recusam cenouras


Os jornais online "Observador" juntamente com o "Eco", ambos detidos pela Swipe News, recusaram o "apoio" do Governo à comunicação social no contexto da crise da pandemia da Covid-19, por considerarem "falta de transparência no processo", posição criticada pelos restantes intervenientes.

A maioria, com o Grupo Impresa que engloba o Expresso e a SIC e a Media Capital que integra a TVI, com a boca mais larga e faminta, aproveitou da teta generosa a mama governamental (que é como quem diz,  o dinheiro de todos nós).
Pelo contrário, o Observador vale-se do apoio da própria comunidade de leitores e assinantes e até há poucos minutos e desde há poucos dias contava já com um apoio de 130  mil euros. 

Não tenhamos ilusões, o Governo naturalmente espera que a comunicação social agora apoiada não seja mázinha com a mão que lhe dá a papa. Quanto à publicidade institucional é apenas um subterfúgio para enganar tolos, já que a sua importância é muito relativa e dela estamos todos fartos, desde os alertas de todas as cores sempre que chove ou dá sol.

Recorde-se que o Observador teria acesso a apoios travestidos de contratos de publicidade institucional num valor inicialmente indicado como cerca de 19 mil e picos euros para depois ser corrigido pelo Governo para  90 mil e picos euros de um pacote total de 11,2 milhões de euros  sendo que a Impresa – dona da SIC e do Expresso – e a Media Capital, que detém a TVI, ficam com quase sete milhões.

É certo que os dois referidos jornais online podem não ser os melhores exemplos de imparcialidade que se pretende, mas não me parece que a medida do Governa esteja de todo isenta de "inocência". Mas há naturalmente quem ache que sim, até mesmo quem acredite no Pai Natal.

29/05/2020

Pilatos cumpre as normas da DGS


Rezam as crónicas que o conhecido Bairro da Jamaica, no Seixal (um dos 200 bairros ilegais na Grande Lisoa), está com um preocupante foco de infecção de Covid-19, aparentemente em transmissão nos cafés.

Ora todos sabemos que os cafés estiveram encerrados até há poucos dias. Mas é claro, que o Bairro da Jamaica é um caso especial em que por lá não entra a polícia e quando entra é desautorizada por um presidente tretas. Assim é um mundo próprio, uma espécie de enclave, intocável, com muralha de tijolo, que sobrevive e resiste a tudo o que é norma, lei, regulamento. Mas, pelos vistos, não resiste ao vírus.

Creio que ouvimos todos, por estes dias, em horário nobre da TV, um suposto líder de uma associação dos moradores do bairro clandestino/ilegal dito da Jamaica, a dizer que a maioria dos moradores não trabalhava, o que nos pode levar inocentemente a perguntar, então vivem do quê?

Mais disse ainda que o pessoal como não trabalha vai para os cafés, e novamente a inocente pergunta, mas então se não trabalham, se não têm rendimento, vão para o café só para fazer sala?

Disse ainda que o pessoal não tem dinheiro para comprar máscaras. Pois, para cerveja e máscaras é mais difícil.

Mais disse que muita gente que anda pelo bairro não é de lá. Serão então turistas, a apreciar a paisagem? Deve dar movimento aos cafés, o que é bom.

Depois faz confusão aqueles edifícios em tijolo assente por aprendizes de pedreiro e repleto de antenas parabólicas, sendo que é normal já que todos sabemos que a MEO, a NOS e a VODAFONE são uns amigos e adeptos das borlas.

Tanta coisa que havia a dizer sobre o contexto desde característico bairro, mas hoje em dia apontar o dedo a alguém ou a alguma comunidade que tenha a pele mais pigmentada é mote para acusação de racismo e xenofobia, como se exigir que o respeito pelo cumprimento das normas, das regras e da lei por parte de todos seja um sacrilégio. Vão por aí, que vão bem!

Perante isto, todas as entidades, desde o Estado à Câmara do Seixal, vão lavando as mãos como fez Pilatos, de resto o que até está na moda e é recomendado pela DGS. 

Mendicidade com marketing


Noutros tempos, ditos da velha senhora, eram comuns os mendigos e deficientes, uns verdadeiros, outros disfarçados, outros oportunistas, ambos a mendigarem e a pedirem esmola, ora pela porta, ora pelas feiras e romarias, apelando à caridade humana a troco de uma prece apressada ou apenas de um estender de mão.

Certo é que, passados 46 anos após a revolução do 25 de Abril, são largos milhares os portugueses que vivem na pobreza e passam fome. O Banco Alimentar, esse pedinte colectivo, tem dado mostras do aumento dos casos de pedidos, sendo que, pela tal vergonha, serão a ponta do icebergue.

Envergonhadamente, esta realidade tem sido disfarçada, mas perante um Estado consecutivamente incapaz de cumprir as garantias de Abril, a mendicidade continua em força, só que agora de forma mais sofisticada e mesmo persistente, através dos meios de comunicação social. 

Mas com excepção destas, para muitos ideólogos, "minudências", o país porta-se como se vivesse à rica, recebendo a esmo "emigrantes" e "refugiados", que na maioria dos casos, mesmo que apenas com o pretexto de saltar para uma Alemanha ou Inglaterra, só contribuem para aumentar o número de pobres e dependentes da caridade ou de apoios em cash.

Devemos ser solidários, concerteza, mas juntar pobreza e precariedade à pobreza não serve a ninguém. Mas há quem ache que sim e porque fica bem cumprir cotas. Já diz o velho ditado que quem não tem dinheiro, não tem vícios.

17/05/2020

Zona ribeirinha do rio Inha


A Zona Ribeirinha do Rio Inha, na freguesia de Canedo (entre a ponte da EN 222 e o rio Douro), está requalificada desde há algum tempo e mostra-se como um espaço muito positivo e apetecível, ideal para umas caminhadas e pescadores. 

O seu percurso, está ainda sem saída. Fala-se que há ideias de lhe dar continuidade pela margem sul do rio Douro, até ao lugar de Porto Carvoeiro, também em Canedo, o que lhe acrescentará uma extensão de cerca de 2,4 Km, mas certamente que não será fácil nem barato, sobretudo devido ao declive abrupto da margem.

Seja como for, o actual percurso, com cerca de 1/3 em pavimento e a restante parte em terra com rodados em paralelos de granito,  tem cerca de 1,3 Km o que de ida e volta comporta 2,6 km, praticamente todo plano.

No entanto, do que vimos, percebe-se que a zona tem alguns problemas. Desde logo o facto de não dispor de saída alternativa, também pelo acesso ser por rua estreita e ainda por não dispor de zonas de fácil manobra, tendo uma onde termina o pavimento mas invariavelmente ocupada por carros. Os espaços de estacionamento são poucos. No verão, com tempo seco, o percurso em terra tenderá a levantar poeira com o trânsito automóvel o que naturalmente incomodará que ali estiver. Pelas características da parte interior do percurso (encosta muito íngreme e xistosa,  há também o permanente risco de queda de pedras.

Em suma, se não for aplicada alguma regra e sinalização, há uma forte susceptibilidade de confusões no trânsito automóvel, sobretudo em fins de semana e no Verão. Ainda hoje verifiquei confusão na parte terminal com carros a inverter a marcha e a gerar-se complicações.

Importaria que o trânsito automóvel fosse condicionado ou até mesmo proibido, mas certo é que, pelas características da margem, não há grandes alternativas para um parque condizente e capaz de atender às necessidades em alturas de "ponta".

O local é obviamente interessante, com o rio Inha na realidade afogado pelo rio Douro e pelo efeito da albufeira da Barragem de Crestuma-Lever, mas sobretudo vocacionado para pescadores e caminhadas. Para outro tipo de fruição, como convívios, merendas e piqueniques não me parece indicado nem será esse o seu objectivo.

Por outro lado, infelizmente, ambas as margens estão povoadas dos incaracterísticos eucaliptos, o que empobrece a bio-diversidade. Na encosta paralela ao percurso, algumas plantas características (vi alguma lavanda, gilbardeira, campánulas, musgos, "sedum albums" e fetos) mas no geral muito infestadas por acácias (austrálias) e eucaliptos. 

Em resumo, um espaço muito positivo mas não adequado para um fruição de muita gente.







15/05/2020

Rio Inha e outras questões




Num dos meus apontamentos relacionados à freguesia de Guisande, a que designo de "Historiando", já me referi à figura de Pinho Leal Augusto Soares d'Azevedo Barbosa, nomeadamente à referência que faz à nossa freguesia na sua obra "Portugal Antigo e Moderno", de 1873. 

Por outro lado falei da incongruência que o autor fez relativamente à Capela de Santo Ovídio, dando-a como pertencente a Guisande, mas também a Lobão, na descrição que faz sobre esta freguesia vizinha.
Apesar da inegável importância da obra de Pinho Leal, todavia parece estar pontilhada de situações omissas, dúbias e mesmo incorrectas. Não, é, pois, uma obra que se possa consultar como fidedigna e rigorosa, de resto porque já afectada pelos naturais efeitos do tempo decorrido. Continuará certamente a ser uma referência documental e histórica,  mas simultaneamente a carecer das devidas e necessárias ressalvas.

Apesar dessas nítidas imprecisões, ou mesmo incorrecções, parece que não falta por aí quem transcreva partes da obra de Pinho Leal e as dê como fidedignas, numa aparente falta de confirmação, histórica nuns casos e geográfica noutros.

Para além da referida incongruência quanto à Capela de Santo Ovídio, atentos à descrição que na sua mesma obra faz do nosso mais ou menos conhecido rio Inha (um dos principais cursos de água do nosso município), são também diversas as patacoadas do autor, de certo modo mais surpreendentes porque chegou a ter residência durante alguns anos no lugar do Carvalhal, freguesia de Romariz, portanto bem próximo da zona por onde nasce, corre e desagua. Pela proximidade deste elemento geográfico tinha o dever de conhecer melhor, ou pelo menos não cometer os erros que cometeu.

Pinho Leal descreveu o rio Inha, afluente do rio Douro, nos seguintes termos, a páginas 394 do Volume III: “Tem seu nascimento n’uns pequenos arroyos que vem do Monte do Castêllo, freguezia de Escariz, concelho de Arouca. Passa próximo a Cabeçaes (ao O.), regando as freguezias de Escariz, Fermedo, Romariz, Valle, Louredo, Gião e Canedo (sendo a primeira, segunda e quinta do concelho de Arouca e as mais do da Feira, e fazendo nas duas ultimas trabalhar fabricas de papel). 

Desagua na esquerda do Douro, no sítio da Foz do Inha, a 1 km abaixo de Pé de Moura, e a 24 km a E. do Porto. Tem 18 km de curso. Faz mover muitos moinhos, e traz algum peixe, miúdo mas muito saboroso, em razão de correr arrebatado por entre pedras. Tem algumas pontes de pau e uma boa de pedra, no Cascão. 

Dá-se n’este rio uma singularidade. Logo abaixo da tal ponte do Cascão (que é próximo da aldeia de S. Vicente de Louredo) é a fábrica de papel da Lagem. A margem esquerda é da freguezia de Gião, concelho da Feira, e a direita é da de Louredo, concelho de Arouca, e, como a maior parte do edifício da fábrica está construído sobre o rio (que é muito estreito) pode um indivíduo (ou uns poucos, estando em linha) estar de pé no meio de uma sala, e ter metade do corpo na comarca da Feira e a outra metade na comarca de Arouca. (…). O Inha recebe vários ribeiros, por uma e outra margem.” .

Como a seguir procurarei esclarecer, nesta descrição do Rio Inha, Pinho Leal tem várias imprecisões ou mesmo erros crassos.

De resto, pesquisando na Internet pelas referências a este curso de água, afluente pela margem esquerda do rio Douro, são mais que muitas as imprecisões a seu respeito, e que se repetem e replicam mesmo em sítios que pela sua relevância deveriam ter mais algum cuidado e rigor na informação prestada, sobretudo no que concerne ao local onde o Inha nasce bem como quanto às freguesias por onde passa ou corre.

De facto, repetidamente é referido que o rio Inha nasce na freguesia de Escariz, concelho de Arouca, o que é correcto, mas de forma generalizada que no lugar de Cimo da Inha, o que é incorrecto. Este lugar existe na freguesia de Escariz, mas na realidade o Inha junta-se umas centenas de metros mais a montante, reunindo os arroios ou nascentes da encosta poente do monte do Castêlo (formação que se localiza entre o lugar da Abelheira-Escariz e a freguesia de Mansores, mas também conhecido por Monte da  Abelheira.

Neste aspecto particular da origem da nascente, o atrás referido Pinho Leal, fez a descrição certa porque na realidade o rio Inha forma-se a partir de pelo menos três principais linhas de água que escorrem da encosta nascente do referido monte; Uma mais a norte, que desce de perto da Capela de Nossa Senhora da Conceição da Abelheira e corre pelo lugar de Alvite de Cima, outra mais a sul, no lugar da Gestosa, próxima do Restaurante "Relvas" e uma terceira ainda mais a sul, que vem das imediações do alto do lugar das Alagoas e que passa pelo lugar de Alvite de Baixo e que se junta ao trecho formado pelas duas primeiras um pouco abaixo da igreja matriz de Escariz, próximo dos lugares da Leira e Outeiro dessa freguesia. Daqui para baixo, está formado o Rio Inha, o qual naturalmente vai engrossando com os seus pequenos ou médios afluentes em ambas as margens, até que desagua no rio Douro, entre as freguesias de Canedo-Santa Maria da Feira e Lomba-Gondomar, entre as fozes do rio Arda, a nascente e a do rio Uíma, a poente.

O rio Inha é indicado como tendo um comprimento de aproximadamente 18 Km, com orientação predominante de sul para norte. No seu curso superior, tem uma orientação de nascente para poente mas junto à ponte no lugar do Londral muda de orientação de sul para norte, que praticamente mantém até à foz.

Para além da freguesia de Escariz, concelho de Arouca, onde nasce, passa por territórios ou serve de fronteira nas freguesias de Fermedo (zona a poente dos lugares de  Cabeçais e Mascotes), Romariz (lugares de Carvalhal e Reguenga), Louredo (no limite com a freguesia do Vale, nos lugares de Santa Ovaia e Mouta e ainda no limite entre Parada-Louredo e Vale), Vale (lugares de Oliveira, Cedofeita, Póvoa, Pena, Pessegueiro e Serralva), Canedo e Lomba-Gondomar onde entre estas ali desagua no Rio Douro. O troço final do rio Inha é relativamente amplo pois beneficia do efeito da albufeira da barragem de Crestuma-Lever. 

Os principais afluentes do rio Inha são pela margem esquerda a ribeira da Mota (que nasce em Guisande na encosta poente do monte de Mó), a ribeira de Tozeiro, e pela margem direita, o rio Amieira, ou ribeira da Lavandeira, que drena todo o vale de Fermedo e ainda o ribeiro de Mourão que drena encostas da serra do Camouco entre Rebordelo - Canedo e Vizo - S. Miguel do Mato.

Este atrás referido rio Amieira não está devidamente referenciado, sendo que num ou noutro elemento aparece relacionado ao troço que capta as águas das vertentes da serra do Camouco e serra de Parada, dos lugares de Rebordelo a norte, Vizo e Covelas a nascente e Parada, Belece e Mosteirô a sul.

Na minha modesta opinião, o seu troço principal, porque o mais comprido e com maior caudal, é aquele que nasce a sul  captando as águas das vertentes a norte do monte Coruto e atravessa todo o vale da freguesia de Fermedo, passando ainda um pouco a nascente da igreja matriz de S. Miguel do Mato prosseguindo o seu curso para norte em vale encravado, contornando pelo nascente o lugar de Parada-Louredo e então depois reunido-se e engrossando com as águas dos lugares de Rebordelo, Vizo e Belece..
O Amieira encontra-se com o Inha um pouco a sul da ponte que o atravessa na estrada que liga os lugares de Pessegueiro-Vale a Rebordelo-Canedo, conhecida como ponte da Carvalhosa.
Este rio Amieira em Fermedo é conhecido por rio ou ribeira da Lavandeira.

Regressando à descrição de Pinho Leal sobre o rio Inha, foi asneira da grossa dizer que o mesmo passava por território da freguesia de Gião e que tinha uma ponte do Cascão, junto à fábrica de papel da Lage (Lagem), contando até uma "singularidade" a esse propósito.

Ora, Pinho Leal confundiu aqui grosseiramente o rio Inha com a ribeira da Mota. A ribeira da Mota, essa sim, divide território de Louredo e Gião e junto à antiga fábrica de papel tem a conhecida ponte do Cascão que integra a Estrada Nacional 326. É um erro crasso, ainda, porque a ribeira da Mota só encontra o rio Inha já na freguesia de Canedo, a nascente do lugar do Louzado-Canedo e entre os lugares da Inha-Canedo, a norte, e Serralva-Vale, a sul.

O que espanta nisto, é que alguns "autores" da actualidade insistam em citar e divulgar asneiras e  assimilar dados pouco ou nada rigorosos, só porque se entende que citar uma fonte antiga dá ares de coisa importante.

Nunca é tarde para corrigir o que se apresenta como errado, até porque sabemos que tendencialmente uma mentira ou uma asneira contada muitas vezes pode passar a ser considerada como verdade.

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