16/03/2024

O "rapa orelhas"

Há dias confidenciou-me o Ti  Manuel do Mouco, sem qualquer assomo de cristandade e sem dar crédito ao ensinamento evangélico da necessidade de perdoar 70 vezes 7,  que se houver juízo e sentido de justiça no Além, deve estar a arder nas labaredas do inferno, desde há cinquenta e tal anos, a besta quadrada que a ele e a outros mártires ensinou a ler, a escrever e a fazer contas na pobre e única escola da aldeia. Era o professor o terror da criançada e era entre ela conhecido como o "rapa orelhas",  já que com a negra cana de bambu, colhida do canteiro que mantinha na horta só para o abastecer desse apetrecho disciplinador, lhes ceifava sem dó nem piedade as orelhas ou o que restava delas. E daí, quem se surpreende por alguns dos nossos mais velhos apresentarem-se com orelhas caídas como perdigueiros ou calejadas?

Mesmo que não quisesse dar crédito ao azedume ou mesmo ódio do Ti Manuel ao "rapa orelhas", devia ter sido mesmo verdade a ter em conta outros iguais testemunhos de quem teve tão duras lições nessa velha escola. Eram as orelhas, eram as mãos, a cabeça e tudo quanto fosse carne e osso a merecerem os impiedosos castigos do irado professor, com tareias acompanhadas de "elogios" que mais pareciam uma lista de todos os animais domésticos e selvagens, desde o burro e porco ao urso e ao camelo. Até nessa lengalenga era uma lição de fauna a que aqueles pobres coitados aprendiam de cor e salteado de tanto ser repetida.

As crianças faziam de tudo para fugir à escola, como fingir que estavam doentes, chegando mesmo a ferir-se e a emborcar azeite para ficarem de caganeira, mas em regra pouco compaixão encontravam nos pais que não raras vezes aos castigos do professor somavam outras tantas tareias em casa. Por isso queixas era melhor não as fazer quanto mais queixinhas.

Tempos duros esses, com exageros. Nem todos os professores eram assim, mas em boa verdade, quase todos. Deviam ter em comum a disciplina de como bem arriar na canalha.  Hoje em dia os absurdos são outros e o barco deu uma volta de 180 graus e são agora os alunos a pôr em sentido os professores e se preciso for vão lá alguns dos pais acrescentar a disciplina a quem a devia administrar.

Estará, pois, a arder, desde há mais de meio século o professor franzino mas de mãos e braços duros e implacáveis na arte de ensinar á moda antiga e de como matar piolhos à canada e por sentença do Ti Manuel do Mouco continuará a arder por mais uns séculos. Mas haverá  mesmo inferno? Chegou a arrepender-se? Ou, em vez de estar a arder nas labaredas alimentadas a enxofre e alcatrão anda por lá a pôr o diabo em sentido e também a castigá-lo nas orelhas e nos chifres?. É que sempre ouvi dizer que certas pessoas são tão más que nem o diabo consegue lidar com elas.

Partiu o Chico

O meu gato, de que aqui há poucos dias dei conta de não aparecer em casa, como lhe  era habitual, encontrei-o hoje, morto, na valeta, com todos os sinais de ter sido envenenado.

Não longe de casa. Naturalmente não sei quem para isso contribuiu, nem quero saber, porque a quem foi não lhe perdoarei. Não é próprio de cristão, mas por ora, com este sentimento de alguma raiva e frustração por ver um animal tão bonito e delicado, com menos de dois anos de vida, resgatado à nascença de uma morte certa por abandono da mãe, morrer assim, custa e dói.

Mas é assim a vida dos animais e dos gatos e o preço de ser livre tem custos, como este. Ainda há dias, já na procura, por indicação de alguém, a que volto a agradecer, ali no lugar de Azevedo no limite com Guisande, também um outro gato morto, parecido nas cores, mas que não era o meu.

Já está sepultado o Chico, ao lado de outros, da Chica, da Lira e do Pança, à sombra da laranjeira e de touças de cidreira e loureiro.

Preferia que estivesse vivo, mesmo que roubado por alguém, mas a morte por vezes é retemperadora porque mesmo que dolorosa encerra a dor maior que é a angústia e a dúvida sobre alguém que não sabemos onde pára, onde está, com quem, se morreu e em que circunstância. Isto para um animal de estimação, mas obviamente que com todo o sentido sobre uma pessoa, e por isso percebe-se a angústia de um pai ou uma mãe que vê um filho ou filha desaparecer sem lhe saber o rasto e destino.

Já descansa o Chico, em paz. Não teve sete vidas como dizem que têm os gatos, e a que teve foi curta mas feliz. Podia durar, pois podia, mas o seu instinto de gato queria andar por fora e ser livre. Foi-o!

O meu agradecimento aos poucos que no Facebook se preocuparam com o assunto e partilharam. Bem hajam! A maioria já não liga a estas coisas e apenas as boçalidades e banalidades têm eco. É o que é e de uma laranjeira não se pode esperar que produza azeitonas.

15/03/2024

Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva



O Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva foi uma importante figura no contexto da nossa freguesia de Guisande. 

Nasceu em 26 de Novembro de 1911 e faleceu em 20 de outubro de 1989, por isso com quase 78 anos de idade. Era filho de Manuel Inácio da Costa Silva Júnior, da freguesia de Pigeiros, do lugar da Aldeia, e de Ermelinda  Baptista de Pinho, de Guisande, do lugar do Outeiro, da Casa da Quintão, que casaram em 19 de Julho de 1889. 

Era neto paterno de Manuel Inácio da Costa e Silva e de Margarida Henriques de Jesus (esta de Romariz). Era neto materno de Custódio António de Pinho (nascido em 21 de Fevereiro de 1846) e de Joaquina Maria Baptista de Jesus, da Casa da Quintão, do Outeiro - Guisande. Por parte de sua mãe era bisneto de  Manuel António de Pinho e Maria Rosa de Jesus. 

Cursou Direito entre 1933 e 1938. Em 18 de Novembro de 1938 foi nomeado ajudante na secretaria notarial de Vila da Feira. Em 21 de Novembro de 1938 foi nomeado ajudante do Conservador do Registo Predial de Vila da Feira. Em 1945 era director do Grémio de Lavoura de Vila da Feira e S. João da Madeira, que vei a dar lugar à Cooperativa Agrícola.

Abastado proprietário, advogado de profissão, com escritório na Vila da Feira e também em Guisande, chegou a ter intervenção cívica e política no período pós 25 de Abril de 1974, tendo sido o primeiro presidente da Assembleia de Freguesia de Guisande entre 1976/1979, logo após as primeiras eleições autárquicas de 12 de Dezembro de 1976, exercendo o mandato em representação do PPD-PSD vencedor das eleições em Guisande. No mandato seguinte, sucedeu-lhe no cargo e pela mesma força política o Sr. Domingos da Conceição Lopes.



Na década de 1940 foi de sua iniciativa e liderou o processo que levou à criação e construção da Escola Primária do Viso, de modo a dar resposta às necessidades de ensino na nossa freguesia e sobretudo permitindo o acesso às raparigas, já que até então praticamente só os rapazes (alguns) tinham ensino no posto escolar privado do professor Joaquim Ferreira Pinto, no lugar de Casaldaça.

O Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva casou em Guisande em 18 de Fevereiro de 1943 com Laurinda Moreira de Resende. Esta nasceu no dia 20 de Novembro de 1917. Era filha de Manuel da Costa Moreira e de Maria da Conceição Leite de Resende, que casaram em 14 de Junho de 1916. 

A mãe de D. Laurinda,  Maria da Conceição Leite Resende, era filha, terceira do mesmo nome, de Bernardo Leite Resende e de Margarida Rodrigues Pereira (de Fiães). Nasceu em 20 de Agosto de 1883 e faleceu em 14 de Dezembro de 1956. Era neta materna de José Leite de Resende e de Teresa Maria de Jesus e neta paterna de João Pereira e Josefa Rodrigues de Oliveira.  



D. Laurinda e o Dr. Joaquim Inácio por ocasição do seu casamento



D. Laurinda em idade mais avançada

O avô materno da D. Laurinda, Bernardo Leite de Resende, era filho de José Leite de Resende e de Teresa Maria de Jesus. Por sua vez este José Leite de Resende era filho de Manuel José de Resende e de Mariana da Silva. Por sua vez, este Manuel José de Resende, era filho de Bartolomeu João de Resende e de sua segunda mulher Josefa Maria de Resende. Mariana Francisca da Silva era filha de Manuel da Silva e de Ana Fernandes. Quanto a Teresa Maria de Jesus, esposa do José Leite de Resende, era filha de Veríssimo Fernandes dos Santos e de Maria Francisca Moreira. 

Por sua vez, o pai de D. Laurinda era Manuel da Costa Moreira, natural do lugar de Goim da freguesia de Romariz. Nasceu em 8 de Dezembro de 1890. Era filho de António da Costa Moreira e de Delfina Rodrigues de Oliveira. Era neto paterno de Manuel Alves Moreira  e de Maria Josefa Rodrigues. Era neto materno de Manuel José Rodrigues de de Rosa de Oliveira. Faleceu viúvo em 18 de Fevereiro de 1962. Dizem que era um homem de bom porte e que terá mesmo chegado a pesar 100 quilos.

Os pais da D. Laurinda, Manuel da Costa Moreira e Maria da Conceição Leite Resende


O Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva faleceu em 20 de Outubro de 1989.  A D. Laurinda Moreira de Resende faleceu na condição de viúva em 1 de Março de 2009. 

Do casamento do Dr. Joaquim Inácio com a D. Laurinda, nasceram vários filhos, nomeadamente a Manuela, a Odete, a Alcina, o António, a Maria José e o Manuel Inácio.

Nesta renovação própria das famílias, continua a Casa do Dr. Joaquim Inácio a pertencer a uma importante família no contexto da nossa freguesia e ainda muito considerada e respeitada pela comunidade.

Foi sempre o Dr. Joaquim Inácio bem como a sua esposa, figuras respeitadas e estimadas pelos guisandenses e ajudaram em muito, bem como a sua família, ao desenvolvimento da freguesia, cedendo em diferentes tempos parcelas de terreno para benefício de abertura e alargamento de ruas bem como possibilitou a venda, a preços justos, de várias parcelas onde alguns guisandenses poderam edificar a sua habitação. Mesmo depois de falecido, a sua esposa e família continuaram receptivos à cedência de terrenos para permitir melhoramentos, como o caso do terreno onde existe a alameda frontal à igreja matriz realizada em meados da década de 1990. A freguesia, reconhecida, propôs ali a instalação de um busto de reconhecimento à sua figura mas a família considerou, numa atitude de desprendimento, não a aceitar, mas em todo o caso a freguesia deu, com justiça e reconhecimento, o seu nome à respectiva alameda, no que foi inteiramente merecido. 


Casa da família Leite Resende, no lugar da Igreja, que foi propriedade do Dr. Joaquim Inácio. Na sua configuração actual terá sido edificada pelo Bernardo Leite de Resende, avô da D. Laurinda. Mais tarde, por iniciativa do próprio Dr. Joaquim Inácio, foi acrescentada a parte do lado nascente onde tinha o seu escritório e entre a casa onde durante muitos anos, como caseiros, viveu a família do Domingos José Lopes e Idalina da Conceição.



Na foto, o Dr. Joaquim Inácio com a esposa D. Laurinda Resende, os pais desta e os filhos então nascidos.


Notas à margem:

Quanto a outros laços familiares do Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva:

Por parte de seu avô paterno, era sobrinho do reverendo Pe. António Inácio da Costa e Silva, que nasceu em 17 de Julho de 1864 e faleceu em 18 de Julho de 1938, tendo este sido pároco da sua terra natal onde se encontra sepultado.

Ainda o seu tio avô, o Pe. José Inácio da Costa e Silva (21-06-1872-12-03-1947), que chegou a ser pároco das freguesias de Fermedo e depois de Caldas de S. Jorge. Era filho de Manuel lnácio da Costa e Silva e de Margarida Henriques de Jesus.

Este padre, tio avô patermo do Dr. Joaquim Inácio, tinha como avôs paternos José Inácio da Costa e Silva e Ana Joaquina Henriques da Silva e avós maternos António José de Paiva e Ana Maria Henriques, de Romariz.

Ainda quanto a clérigos na família por parte do pai. o Dr. Joaquim Inácio teve um irmão sacerdote, o Pe. António Inácio da Costa e Silva, nascido em 6 de Junho de 1899. Rezou missa nova a 8 de Novembro de 1921. Esteve como vigário cooperador na paróquia de Santo Ildefonso - Porto, e depois de 4 de Julho de 1924 foi pároco na freguesia do Vale.  

À data, o ainda vivo pároco de S. Vicente de Louredo, Pe. Eugénio de Oliveira e Pinho, é primo do Dr. Joaquim Inácio, já que é filho do seu tio materno, António Baptista de Pinho, da Casa da Quintão, do Outeiro, este nascido em 18 de Março de 1877.

O avô materno da D. Laurinda, esposa do Dr. Joaquim Inácio, Bernardo Leite de Resende, chegou a ser emigrante no Brasil onde era negociante e terá feito fortuna.  Este Bernardo Leite Resende, para além da mãe da D. Laurinda, a Maria da Conceição, teve vários filhos, nomeadamente a Teresa, o José leite Resende, a Maria Adelaide, o Bernardo, que faleceu com 15 anos e a Maria (Ti Marquinhas) que faleceu velhinha, com 92 anos, em 1971.

Por sua vez, o Bernardo Leite de Resende, avô materno da D. Laurinda teve vários irmãos, nomeadamente o José, o António, o Joaquim, o Manuel, a Maria, a Teresa e a Ana.

14/03/2024

O carteiro já não toca duas vezes


Vão longe os tempos em que o carteiro nos merecia tanta confiança quanto o médico ou o padre. 

Como sou rapaz que já não vai para novo, ainda sou do tempo em que o carteiro andava de bicicleta e quando passava ao fundo do lugar, o toque da sua corneta chamava a gente que esperava carta. Era assim diariamente e quase sempre com pontualidade.

Mas isso já foi há muito, num tempo em que havia a mania das pessoas serem sérias e responsáveis cumprindo a sua profissão, sobretudo quando implicavam serviço público, com honra e sentido de dever.

Hoje em dia todos sabemos  como é que andam os correios, o CTT, numa balbúrdia tal que já nem sabemos se é carne, peixe ou nem uma coisa ou outra. Terá dono? Quem manda? Quem responde pelo reles serviço prestado?

Por conseguinte, pelo menos por cá, anda tudo ao sabor do vento e a correspondência vai sendo distribuiída conforme dá mais jeito. Assim, não raras vezes, alguma dela chega tarde e a más horas e mesmo com prejuízo. Ainda agora, nesta semana, a minha esposa recebeu uma convocatória para um rastreio já depois da data. Mesmo para a entrega de uma carta registada não se perde tempo a verificar se está alguém em casa. É mais fácil e rápido e colocar o aviso de que terá que ser levantada no posto, com a fácil justificação de que ninguém atendeu. 

Certamente que para além de um eventual mau profissionalismo,  no geral os próprios carteiros são vítimas do sistema e desorganização da empresa, que não lhe dá as devidas condições de trabalho e de acordo com as responsabilidades, porque não raras vezes andam assoberbados de correspondência para circuitos extensos e horários apertados.

Com frequência há relatos de atrasos nas cartas de cobrança de serviços, como dos telefones, da água e electricidade, levando, por falta de pagamento atempado, à aplicação de coimas, ameaças de cortes e de todos os incovenientes para pagar depois dos prazos.

Uma autêntica balbúrdia e obviamente que não há como fazer queixa porque é causa e tempo perdidos. Posto isto, e para além da questão da desorganização dos postos, que vão sendo suprimidos ou mudados de poiso, o carteiro já não toca duas vezes e na maior parte das vezes já nem toca vez nenhuma.

13/03/2024

Estar na horta e não ver as couves


É velho o provérbio de que andamos sempre a aprender. Independentemente do tamanho do rei que alojamos na barriga, mais ou menos viajados, estudados ou analfabetos, somos levados a concluir que já vimos de tudo no mundo e que já nada nos surpreende na vida e muitos até garantem que já viram um porco a andar de bicicleta, uma vaca a voar ou uma bicha de sete cabeças.

Certo é que passe os exageros e os exagerados, há realmente coisas que, fora do foro da fantasia, não deixam de nos surpreender e se não de completo pasmo ou de boca aberta, pelo menos o bastante para ficarmos a matutar como tal é possível. E o que não faltam são casos ou episódios a merecerem tamanha surpresa. 

E não estou a falar de alguém que, sabe-se lá com que motivação, anda a varrer a estrada em frente à sua porta, o que nem seria descabido, mas para além dela em largas dezenas de metros. Tivesse a Junta de Freguesia funcionários assim tão zelosos e tudo andaria num brinquinho. Ou mesmo se toda a gente varresse a rua na frente da sua porta. Mas o que me prendeu mesmo a atenção com mais espanto, foi o verificar que agora as pessoas enchem literalmente contentores de resíduos sólidos domésticos, incluindo com troços das couves da horta. Atestadinho. E surpreso, porque imaginei que quem tem uma horta com couves galegas saberá que os troços depois de secos até ardem na lareira, numa fogueira ou mesmo adequados para compostagem. Mas não. Bóra lá encher o contentor!

É de facto espantoso ver o que as pessoas conseguem colocar nos contentores do lixo ou junto dos eco-pontos. Já vi de tudo mas um dia destes vamos dar de caras com um porco amarrado a uma velha bicicleta pasteleira ou uma vaca presa a uma bigorna para não levantar voo.

Reunião interparoquial para definição do programa da Visita Pastoral.


Conforme havia sido previamente agendada e anunciada, decorreu ontem, Terça-Feira, 12 de Março, pelas 20:00 horas, na residência paroquial de Pigeiros, uma reunião interparoquial (Caldas de S. Jorge, Guisande e Pigeiros) que contou com a presença do pároco Pe. António Jorge, o diácono António Avelino Valinho e os delegados das três paróquias ao Conselho Pastoral Vicarial, Eng.º António Cardoso, A. Almeida e Paulo Valinho.

A reunião teve como objectivo a elaboração da proposta do programa da Visita Pastoral, pelo bispo auxiliar do Porto, D. Roberto Mariz, que ocorrerá na semana de 24 a 30 de Junho próximo e que culminará com a administração do sacramento do Crisma.

Dentro do possível foram considerados os momentos antes propostos em reuniões com os representantes dos diversos grupos paroquiais. Alguns dos temas considerados abrangem o acolhimento no primeiro dia (de S. João), Segunda-feira, 24, que em princípio será em Guisande, no Monte do Viso e Centro Cívico, com missa campal e convívio partilhado e sardinhada, encontros com os grupos paroquiais e demais colectividades das freguesias e poder local. 

Seguir-se-ão nos demais dias, visita a bairros sociais e encontro com idosos e doentes e grupos de cariz sócio-caritativo, visitas a algumas empresas e comunidades escolares, encontro e convívio de jovens e crismandos, na Várzea - Pigeiros, na Sexta-Feira, 28, encontro com a catequese e encontro com crismandos no Sábado, 29. 

Também as celebrações religiosas  nas diferentes paróquias e mantendo os mesmos horários das missas e finalmente a celebração e administração do Crisma, no último dia da visita, Domingo, 30 de Junho, que deverá ocorrrer na igreja matriz das Caldas de S. Jorge, sendo que antes e nos horários habituais serão realizadas as missas dominicais, tanto em Guisande como em Pigeiros. Será ainda realizada missa campal na festa que ocorrerá no lugar de Azevedo, em honra de N.ª S.ª de Fátima e S. Pedro.

O programa agora esquematizado será ainda apresentado em novo encontro interparoquial a acontecer no próximo dia 21 de Março, pelas 21:00 horas no Centro Cívico em Pigeiros, onde certamente, sob consulta dos presentes, serão ajustados e definidos alguns pontos. Depois, o programa será proposto ao Sr. Bispo, pelo que ficará ainda sujeito a ajustamentos em função da sua agenda. Só depois é que será dado como fechado e divulgado na íntegra.

A reunião de ontem foi demorada mas proveitosa, tendo durado quase quatro horas, já que eram muitas as questões e momentos a definir e enquadrar com ponderação e algum fio-condutor nos diferentes dias da visita.

Padre José Francisco, do lugar das Quintães


Na lista de padres nascidos em Guisande, pesquisada e publicada pelo Cónego Dr. António Ferreira Pinto, na sua monografia sobre a nossa freguesia de Guisande, "Defendei Vossas Terras", de 1936, não há qualquer referência ao padre José Francisco.

De acordo com o recorte do assento de baptismo de José, filho de Manuel Francisco e de Maria Guedes, do lugar de Casaldaça, que nasceu em 29 de Abril de 1737, surge o sacerdote como padrinho e como morador no lugar das Quintães. Não encontrei ainda mais dados sobre este padre e se realmente era natural de Guisande, mas será de presumir que sim. 

A prática de em muitos assentos, sobretudo nos mais antigos, serem omitidos os apelidos das pessoas, e mesmo com os nomes próprios abreviados, não ajuda a deslindar as relações genealógicas. Junta-se à dificuldade a frequente omissão de outros pormenores, como a identificação dos avôs, pelo que é sempre uma tarefa completa a de vasculhar a história, identificar pessoas e seus dados biográficos.

Ainda do lugar das Quintães, existiu o padre José Pinto. Sabemos que em 1769, tinha 79 anos, pelo que terá nascido por 1690. Foi ordenado em 1724. Rebentou-lhe na mão uma espingarda, ficou muito doente dos olhos e nunca fez exame de confessor. Faleceu em 14 de Novembro de 1775, com 85 anos de idade, tendo sido sepultado dentro da igreja matriz de Guisande. Deixou testamento cerrado com bens por alma de seus pais e seu irmão Manuel e instituiu como sua herdeira uma Josefa  Maria, mulher de Bernardo Pereira da freguesia de Lamas, com a obrigação de lhe fazer os bens de alma e pagar suas dívidas. Durante a sua vida foi padrinho de baptismo de vários guisandenses pelo que consta como tal em muitos assentos paroquiais.

Com alguma incerteza mas com grande probabilidade, do que consegui pesquisar, seria filho de António Pinto e de sua mulher Isabel Dias, tendo nascido a 5 de Janeiro de 1684, sendo baptizado a 7 do mesmo mês. Foram padrinhos, José Francisco, do lugar das Quintães e Isabel filha de Gonçalo Pinto, do lugar da Lama. A ter em conta este assento e esta data de nascimento poderá estar errada a indicação acima de que em 1769 tinha 79 anos.

12/03/2024

O amor! O que é o amor?


O amor! O que é o amor?
Já o cantaram e choraram poetas,
Despiram-lhe a alma,
Vestiram-no de dramas,
Pintaram-no de risos,
Afogaram-no em lágrimas.

Declamaram que era fogo a arder sem se ver,
Ferida não sentida a doer,
E tudo e em tudo o mais,
No que se possa dizer e escrever.
Será tudo isso, o amor,
Mas mais do que isso o que for
Aquém e além dele.

Porventura, até será tudo ou nada,
Relação de ódio ou apaixonada,
Enlaces e desenlaces
Carnais, entre humanos e bestas,
Num palco universal, teatral,
Numa realidade fingida
Ou num fingimento real.

O amor pode, pois, ser tudo,
Do mais profundo sentimento
À mais serena aragem;
A carícia do vento na seara,
A fonte a matar a sede,
O grilo a cantar no prado,
Um afago macio, um encosto,
A doçura macia do mel,
Na carne o sabor do sal
Uma lágrima a rolar no rosto,
Uma mão delicada na pele
De homem, mulher ou animal.

Quando a morte se hospeda numa casa

Domingos José Gomes de Almeida, foi meu trisavô paterno, casado com Joaquina Rosa de Oliveira. 

Em 6 de Abril de 1894 morreu-lhe um seu filho solteiro, com 32 anos de idade, negociante de madeiras, de nome Domingos Gomes de Almeida. A sua mãe, a referida Joaquina Rosa de Oliveira morreu passados 4 dias, em 10 de Abril de 1894, com 77 anos de idade. E como não há duas sem três, passados outros 4 dias, em 14 de Abril de 1894 morreu o seu pai, o tal Domingos José Gomes de Almeida, com 81 anos de idade.

Não conheço os motivos desta sucessão de mortes, em menos de 15 dias, na mesma casa. Se por desgosto consecutivo da mãe após a morte do filho e depois do pai pela morte do filho e da esposa ou se por alguma circunstância de doença contagiosa ou de outra natureza. 

Provavelmente nunca o virei a saber até porque os assentos de óbito nada dizem a esse respeito. Apesar de morrer jovem o filho, por esses tempos era muito comum o falecimento de gente jovem.

Por outro lado, o pai com 81 anos e a mãe com 77 já tinham umas bonitas idades, tanto mais naqueles tempos quase sem grandes cuidados e tratamentos de saúde, em que a esperança média de vida era naturalmente baixa. 

Por conseguinte, fica apenas a surpresa e a curiosidade pela coincidência, mas é provável que tenha havido uma relação de doença ou emocional

11/03/2024

Para a próxima é que vai ser!

O Domingo foi de eleições. Mais umas, no sítio do costume e quase com as mesmas caras  e com igual objectivo de sempre, o de fazer de conta que decidimos o nosso destino. Mas em rigor não decidimos coisa alguma e, conforme já se percebeu pelos resultados, será uma questão de deixar passar a Páscoa, as férias, o Verão, e depois seguir-se-á mais um acto, tão teatral quanto todos os passados e futuros.
Já nada é como dantes. Como nas relações na cama, se a coisa for muito frequente, entra-se na rotina e perde-se-lhe a conta, o entusiamo, e para voltar a aquecer é preciso refrescar. Um trocadilho, um paradoxo, mas afinal como um bom alfaiate a tirar-nos a medida ao corpo para nele caber um fato, as coisas são mesmo assim e hão-de continuar como tal. Somos meros manequins de prova.

Até o dia com chuva e cinzento ajudou a este melancolismo, sem entusiasmo, e a noite encerrou-se sem foguetes nem caravanas a passear entusiasmo tolo ou sentido. Nas televisões um dejá-vu, os habituais lugares comuns, todos a procurarem afirmar que o copo ficou meio cheio porque vê-lo meio vazio é admitir perdas e derrotas. Todos agem como se fossem vitoriosos e até quem não foi a votos foi tido e achado como vencedores ou perdedores. 

O costume, nada de novo. Como diz o Fernandinho, mesmo num dia nublado e com chuva o sol brilha; nós é que não o vemos. Talvez por isso a clássica CDU teime em resistir até à extinção, com um PCP já sem defesa pela foice e martelo gastos, ferido a cada cajadada eleitoral, mas a prometer luta e defesa dos trabalhadores, dos valores de Abril e contra a direita reaccionária, ou lá o que isso seja, como se ainda no ar o odor do Verão Quente e das tropelias do  PREC. Mas nisso, reconheça-se-lhes, são coerentes, e uma formiga há-de sempre fazer comichão ou cócegas nos tomates de um elefante. 
Na próxima, quem sabe se não votarei no Raimundo, que até me parece boa pessoa. Afinal, como dizia o brasileiro Tiririca, "pior do que está não fica". Perdido por perdido...

Viva a liberdade e a democracia que, desde quase há meio século, nos permitem sonhar que para a próxima é que há-de ser. Afinal até um relógio parado tem horas certas duas vezes ao dia. Quem sabe se não será na próxima?

Na brisa dos dias

Sente-se no ar a serenidade

Dos dias tristonhos,

Dos lamentos contidos,

Das angústias esmagadas,

Dos gritos sufocados.


Mas espreita a oportunidade,

De realizar os sonhos,

Com mil abraços sentidos

E nas costas palmadas,

No triunfo dos vingados.

Legislativas 2024

 




07/03/2024

Celebrações da Semana Santa 2024 - Interparoquial

 


Reunião interparoquial - 06 de Março de 2024


Realizou-se no dia de ontem, Quarta-Feira, 06 de Março de 2024, pelas 21:00 horas, no Salão Paroquial de Guisande, um encontro reunião com vista à discussão dos pontos a integrar no programa oficial da Visita Pastoral que o Bispo auxiliar do Porto, D. Roberto Mariz, fará às paróquias de Caldas de S. Jorge, Guisande e Pigeiros, na semana de 24 a 30 de Junho próximo.

Presidiu à reunião o pároco Pe. António Jorge, fazendo ainda parte da mesa o diácono António Avelino e os delegados paroquiais ao Conselho Pastoral Vicarial. Na assembleia, cerca de quatro dezenas de representantes e elementos dos diferentes grupos paroquiais.

Os delegados expuseram aos presentes os resultados colhidos ao nível das reuniões paroquiais realizadas na semana anterior, vários deles comuns nos mesmos pressupostos e objectivos. Por todos e pelo pároco foi ressalvado que a dificuldade estará agora em integrar o máximo de eventos e em função da agenda do bispo, que eventualmente estará sujeita  a acertos.

Foram propostos alguns esquemas de distribuição dos dias da semana e de modo a respeitar-se a ordem da celebração das missas semanais, isto é, Terça e Quarta-Feira nas Caldas de S. Jorge, Quinta-Feira em Pigeiros e Sexta-Feira em Guisande. Na Segunda-Feira será dedicada ao acolhimento, o Sábado para um evento comunitário comum e no Domingo a celebração interparoquial do Crisma que em princípio será na igreja matriz de S. Jorge.

Em todo o caso, elencados os vários momentos ou acções, ficou decidido realizar-se uma nova reunião, apenas com o pároco e os delegados de modo a verterem e conciliarem as diferentes propostas num programa único e que procure respeitar os objectivos e pressupostos comuns. A reunião restrita onde se procurará elaborar e fechar o programa será essa reunião no próximo dia 12 de Março, Terça-Feira, pelas 20:15 horas na Casa Paroquial em Pigeiros.

Ficou ainda agendado um encontro para o dia 21 de Março, Quinta-Feira, pelas 21:00 horas, também em Pigeiros, no Centro Cívico, já com a presença de todos e com o objectivo de divulgar o programa definido na reunião de 12 de Março, sendo que depois ficará ainda sujeito à anuência e confirmação posterior pelo senhor Bispo. 

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