17/04/2026
16/04/2026
Pagar o que não se come
Como muitos portugueses, tenho serviço de telefone, televisão e internet. O básico. Não tenho canais prémium nem Netflixes ou coisas parecidas. A minha carteira não dá para tanto.
Apesar disso, um dos motivos que me levam a não subscrever Netflixes e quejandos é que, por regra, paga-se pelo pouco que se come e pelo muito que não se come. Ou seja, paga-se o menú completo, mesmo que só se comam as salsichas e não se toque nos bifes, no polvo ou no camarão. Do género, não comeu, comesse!
Infelizmente, sem regras de quem as devia implementar em defesa dos consumidores, habitualmente somos todos "comidos de cebolada". Por exemplo, pagamos serviço de televisão e mesmo assim temos que gramar doses exageradas de publicidade. Ora se temos de compreender essa filosofia em televisões de sinal aberto, já em serviços pagos a coisa fica estranha. Não surpreende, por isso, que muitos procurem esquemas ilegais de acesso a esses serviços de televisão e streaming.
Em resumo, quase todos comemos pela medida grande e conforme as coisas estão regulamentadas, de pouco ou nada serve reclamar. E isto não só neste género de serviços fornecidos por empresas, como até em alguns prestados pelo Estado.
É comer e não bufar, até porque quem bufa rapidamente passa por estar desalinhado, por negacionista, ovelha tresmalhada ou coisa do género.
Num país de gente mansa e alinhada, custa até a acreditar que tenha havido uma revolução.
15/04/2026
Livro do Guizande F.C. - Rescaldos
Ainda o rescaldo da apresentação pública do livro "Guizande Futebol Clube - Apontamentos para a sua história", da sexta-feira passada (10 de Abril de 2026).
Sala cheia, reunião dos ex-presidentes e ausentes em memória. Atletas e dirigentes. O foco, o clube. Um documento de arquivo e uma forma concreta de apoiar.
Neste contexto, se é certo que a sala esteve cheia e se mais viessem teriam de ficar de pé, no entanto, normal seria que mais figuras, algumas com peso institucional no passado e presente, marcassem presença. Não o fazendo, certamente que por imperativos legítimos dos seus afazeres e vontades pessoais, mas, todavia, fica essa assinatura de ausência.
Apesar da presença de alguns jovens,notei a ausência de tantos outros. E se não me surpreende nem fez falta a indiferença de alguém da Câmara Municipal, porque dali nada se espera, preocupa-me, sim, alguma indiferença de alguma da nossa juventude, dos mais novos. Afinal, serão eles o futuro e se assim tão desinteressados por algo de comunitário, como o nosso clube, as perspectivas só poderão ser pessimistas.
Que mais não seja, também por esta realidade presente, importa remar enquanto há tempo e força.
11/04/2026
Gooooolo do Guizande!
No dia de Todos-os-Santos, 1 de Novembro, no alvorecer de um dia frio, de geadas, nasci à sombra da capela do Viso, onde moram a Senhora da Boa Fortuna e Santo António, que cedo habituei a ver e a honrar como donos daquela bonita capela.
O palco da minha infância, ou do que dela sobrou para além da escola e do trabalho, que por esses tempos era literal e duro, uma exigência grande para um corpo pequeno, a pedir brincadeiras e fantasias, foi o agreste monte do Viso, à volta da capela e da escola primária onde aprendi as primeiras letras, com elas a formar palavras, a ler e a descobrir a magia das primeiras histórias; A conhecer e juntar os números e o resultado das contas que se fechavam com a prova dos nove ou real.
No Verão, os rigores da Catequese e do Pe. Francisco, davam folga à rapaziada, e nos domingos à tarde o arraial do monte do Viso era o nosso teatro dos sonhos, a floresta de Sherwood do Robin dos Bosques, o rancho da Ponderosa do Bonanza, a pradaria do Búffalo Billy ou a selva do Tarzan.
Era também o campo de futebol, onde os muitos rapazes fingiam ser as figuras dos cromos da bola, uns do Benfica, outros do Porto, um ou outro do Sporting, na disputa de jogos aguerridos, em que o intervalo era aos 5 e terminavam aos 10.
As faltas, as caneladas e as teimas, eram resolvidas na razão de quem tinha mais força e corpanzil bastante, e, não raras vezes, a seguir ao futebol acontecia boxe, judo e artes marciais, ou até um filme de índios e cow-boys.
Mas quando se ouvia o brado das mães a chamar, o jogo logo acabava, sem descontos, sem vencedores vencidos, e todos, de novo amigos e companheiros nos mesmos infortúnios, regressavam ligeiros a casa e alguns para acerto de contas. O conselho de disciplina doméstico não tinha contemplações e os cartões eram quase sempre vermelhos e exibidos no lombo.
Os jogos da bola nesse terreiro de pedras e raízes, à sombra de mimosas e austrálias, incluíam todos, dos mais talentosos aos mais desajeitados. Cada equipa era escolhida alternadamente um-a-um, em que o “Eusébio” do Viso ou o Pavão de Cimo de Vila eram os primeiros a ser escolhidos, e o último, o mais azelha do plantel.
Podia ser um jogo a feijões, a cromos ou a render uma laranjada Gruta da Lomba, em jogo combinado com a rapaziada de Casaldaça. Se o resultado não ia de feição, a garrafa de refrigerante, esse troféu refrescante de uma não sonhada Liga dos Campeões, era surripiado do cabeço do cruzeiro grande antes do final do jogo, e a coisa terminava invariavelmente à pedrada, com os de Casaldaça a fugirem a sete pés pelo monte abaixo, não porque os do Viso e Cimo de Vila fossem mais valentes, mas porque a descer todos os santos ajudavam, até às pedras.
A desforra, essa era feita quando os de cima tinham que ir lá abaixo, às mercearias da Sr.ª Amélia ou do Sr. Neca e ao saco com arroz, massa e pão, podiam-se juntar uns sopapos. Umas pelas outras.
Para além dos jogos de futebol no monte do Viso, no início das tardes domingueiras o povo do lugar juntava-se debaixo da sombra da ramada do meu avô materno, então com um dos raros aparelhos de televisão da freguesia. Era a RTP, a preto e branco, com apenas um canal, mas, mesmo assim, era um verdadeiro luxo. A televisão era colocada à porta da sala, voltada para fora, e o cinema ficava montado. Novos e velhos amontoavam-se, não se pagava bilhete e não faltava água do poço. Era o divertimento dominical do povo, com acesso democrático num tempo em que a democracia era apenas sonho.
Num instante, estava ali uma plateia a assistir ao TV Rural, do Engenheiro Sousa Veloso, numa qualquer reportagem entre gado e alfaias na Ovibeja, a falar da cultura do milho, das batatas e do combate ao escaravelho. Nas eiras viam-se dançar ranchos folclóricos apresentados pelo Pedro Homem de Melo. Quando o Papa Paulo VI visitou Portugal, em 1967, nos meus olhos de criança, o terreiro da casa do meu avô parecia ter tanta gente como no Santuário de Fátima.
E eram assim muitos dos domingos à tarde da minha infância, até que, lá pelo meio da tarde, chegava ao Viso e a Cimo de Vila um rumor de gente a gritar em uníssono, lá para os lados da Leira: Gooooooooolo! Gooooooooolo!
Que seria aquilo? Não era seguramente o grito do Tarzan ou do seu filho Bomba, no filme, a voarem na selva, de liana em liana, como trapezistas no circo, antes de enfrentarem furiosos gorilas e panteras. Não! Não era! Os mais velhos logo matavam a curiosidade: Olha, golo do Guisande! Olha, mais um! É contra o Lobão!
Como a curiosidade não dá sossego a quem está a descobrir o mundo, nos domingos seguintes, quando havia jogo na Leira, passei a trocar a televisão e os filmes a preto e branco, pelo jogos de futebol, ao vivo e a cores, no velhinho campo da Leira.
Depressa, os novos heróis passaram a ser aqueles rapazes mais velhos, vestidos de um amarelo vistoso, como canários a esvoaçar fora da gaiola, alguns deles de barbas e bigodaças fartas e cabelo à Beatles. Estavam ali o Valdemar Pinheiro, o Alhinho, o Marinho, o Rodrigo, o Reinaldo, o Alcino dos Matos, e outros tantos. E o Rei! Não o da selva, mas do pelado da Leira.
Eram eles o Guizande, a equipa de futebol de uma terra pequena, que naquela coisa de pontapés na bola, mesmo a chutá-la para a horta da D. Odília, como mísseis balísticos a destruir alfaces, tomates e a abater couves galegas, não temiam os rivais das freguesias maiores, fossem de Lobão, Romariz, Caldas de S. Jorge ou mais além. Antes desse tempo, ainda antes daquele dia 1 de Novembro de 1962, diziam que já era assim, um grupo de rapazes aguerridos, a imporem respeitinho a outros grupos, mesmo que armados em benficas, portos e sportingues.
Foi assim, ali, no campo da Leira, numa moldura humana entusiasta, que vi crescer uma equipa de raça, falada então por todo o lado, e que dali a poucos anos, por 1979, se formava a sério, e já como clube fundado e filiado começava a escrever uma história bonita, singular, muito própria, muito nossa.
Porque de uma pequena e pobre terra, certamente que sem grandes títulos e conquistas, mas sobretudo com uma forte identidade feita de gente boa, nobre e orgulhosa.
É esse clube, essa terra, essa gente de raça, que o livro que aqui estamos a apresentar, de forma muito despretensiosa e humilde, quiçá imperfeita e seguramente incompleta, pretende valorizar e enaltecer e agradecer aos muitos que, em diferentes tempos, contextos e dificuldades, nos deixaram este legado.
Caberá aos nossos mais novos conhecerem e compreenderem o passado para valorizarem o presente e ajudarem a acontecer o futuro.
Importa continuar a fazer muito com pouco. Todos somos poucos!
Goooooolo! Mais um do Guizande!
Viva o Guizande Futebol Clube!
Nota: Este foi um texto que ontem, na apresentação pública do livro sobre a história do Guizande Futebol Clube, foi lido por Carlos Cruz. Foi um privilégio.
O texto procura recuar nas minhas memórias de infância (e de tantos da minha geração) e da ligação aos primórdios do que veio a ser o nosso clube.
E pronto! Que fique para o futuro.
10/04/2026
É hoje! - Livro sobre o Guizande F.C.
Será hoje, logo à noite pelas 21:00 horas no Centro Cívico, no monte do Viso, a sessão de apresentação do livro "Guizande Futebol Clube - Apontamentos para a sua história".
A sessão tem organização e promoção do clube e espera-se reunir um conjunto de gente interessada bem como ligada ao clube, no passado e presente. Entre outros, foram convidados todos os ex-presidentes do clube.
A venda do livro será da responsabilidade do clube e todo o apuramento reverterá para si.
Pretende-se que o livro seja simultaneamente uma compilação de dados, datas e nomes relacionados às competições do clube, pelo que um documento de arquivo, mas também de alguns factos e uma visão das suas origens e desenvolvimento. É igualmente um tributo a todos quantos ao longo dos tempos se dedicaram, serviram e apoiaram o clube.
09/04/2026
Guizande F.C. - Liga de Prata 2026
08/04/2026
O seu a seu dono
Os anos vão passando, o período da União de Freguesias (12 anos) foi penoso e negro, e com isso certas coisas vão também passando ao esquecimento. Ora se nos mais velhos isso é verdade, nos mais novos, por razões compreensíveis, a coisa ainda é mais grave.
Falo da velha questão de delimitação do território de Guisande com a freguesia de Caldas de S. Jorge na zona do lugar de Azevedo. De facto, aquando da urbanização daquela parte nascente do lugar, por meados da década de 1980, no mais elementar desrespeito pelos limites, um dos principais marcos de fronteira ali existente foi removido e não reposto, o qual existia aproximadamente no que é a actual esquina da Rua do Rancho Folclórico com a Rua das Escolas, onde existe uma represa do lado nascente da sede do rancho. Desse marco o limite ligaria ao marco mais a sul, aproximadamente no vértice de limite entre Guisande, Pigeiros e Caldas de S. Jorge. Alguns dos mais antigos e já falecidos, como o meu sogro, testemunharam a existência desse marco e quando para ali ía com o gado a pastar, era habitual enconstarem-se ou mesmo sentarem-se sobre o marco.
De resto, faz todo o sentido que o limite seja rectilíneo desde o marco do lado norte. Como se pode ver pelo esquema gráfico acima, o limite conforme está definido tem um desenvolvimento quase em zigue-zag. Ora numa tão reduzida extensão, não á natural que assim seja nem nunca foi. Um traçado tão irregulat apenas é normal quando a divisão acompanha um curso de água, rio ou tibeiro. Neste contexto, memso o limite entre Guisande e Pigeiros, do lado sul, será pelo traçado do regato dos Corgos e não em linha recta como está definido.
Essa situação entre Guisande e Caldas, aquando da urbanização, foi reportada à então Junta de Freguesia por um morador do lugar de Azevedo, o Sr. Bernardo Pinheiro (já falecido), em consequência da então instalação de uma discoteca. Talvez exista na sede da Junta algum documento nesse sentido. Talvez....A Junta de Freguesia de então, que se saiba, de concreto pouco ou nada fez e a situação arrastou-se.
Creio que já pela final da década de 1990 foi formada uma equipa com técnicos camarários e do Instituto Geográfico e Cadastral de modo a resolver-se o assunto de forma coordenada com as juntas de freguesia. Certo é que, não agradando o trabalho e a delimitação, apesar das evidências e mesmo em lhe ser favorável face ao limite original, e de se arranjar ali uma solução aos zigue-zagues para acomodar a situação aos arruamentos, certo é que o então presidente da Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge (falecido) não assinou o documento.
Significa isto que, no que considerou uma defesa dos interesses da sua freguesia (o que é legítimo) não reconheceu, contudo, uma evidência factual determinada pelos técnicos, naturalmente porque implicava reconhecer que uma parte substancial daquele território pertencia a Guisande.
Apesar disso, dessa recusa, e face às evidências fundamentadas pelos técnicos, oficialmente tem sido reconhecido como o limite oficial, o qual consta dos documentos cartográficos da Câmara Municipal e do Estado, mesmo que com nítido prejuízo para Guisande..
Apesar de uma perda efectiva de território face ao limite antigo definido por um marco removido de forma ilegal, uma boa parte do território continua a ser considerada, espertalhonamente, como daquela freguesia vizinha. Seria, pois, importante, que de forma conciliada e incluindo a Câmara, essa situação fosse reposta, quer no que diz respeito ao recenseamento eleitoral quer quanto às obrigações inerentes de toponímia, limpeza e obras naquele parte urbana.
O esquema acima mostra, com o quadriculado azul, a parte em questão e a magenta a parte que, de barato, se considera da freguesia de Caldas de S. Jorge, mas que conquistada ao arrepio da remoção criminosa do marco. Por conseguinte, se reclamar a área a magenta será um processo litigioso, demorado e eventualmente irresolúvel, pelo menos há o dever de regularizar administrativamente a parte reconhecida oficialmente, que objectivamenteé território e prédios de Guisande.
Naturalmente que compete ás entidades, Junta de Freguesia e Câmara Municipal, trazer o seu a seu dono. Deixar passar ao esquecimento esta situação não é bom sinal e demonstra desmazelo pelo que é nosso. Pelo menos que não se peque por omissão ou inacção.
A freguesia das Caldas de S. Jorge foi sempre muito reactiva na defesa do que considera seu, nomeadamente na disputa do limite com a freguesia de Lobão, junto à fábrica Serafim Reis, e nessa questão não quero meter a colher, mas depois, ao contrário, esquece-se dos direitos legítimos das outras freguesias, nomeadamente nesta situação clara no lugar de Azevedo. Imaginando que o lugar continuaria a crescer para nascente, haveria de chegar o tempo em que reclamariam seu todo o território que viesse a ser ocupado, até ao lugar de Estôze.
Importará, pois, digo eu, que se dê atenção a esta questão, sem atropelos, chico-espertismos ou desconsiderações, mas tão somente pela legalidade e reconhecimento do seu a seu dono.
Já não se leva água aos nossos moinhos
Ontem foi o Dia Nacional dos Moinhos. Por cá, pelo que se vai publicando, ficamos todos com a impressão que só há moinhos nas bordas do Uíma. Isto resulta de uma realidade de que só conhecemos o que nos dão a conhecer. Também porque o nosso poder central (concelhio) é isso mesmo, central, e para além da visão do seu umbigo nada mais há nem mexe.
Guisande, mesmo que terra minguada em léguas, tem a sua boa dose de moinhos. É certo que já não funcionais porque o desinteresse por estas coisas é estrutural e cultural, alguns em ruínas e outros já desaparecidos ou apenas com os alicerces. Os mais novos, não os conhecem nem conhecerão. Uma auto-estrada não deixa de se fazer ou não se desvia por causa de dois ou três moinhos e como tal esses foram-se à vida com a A32. Foi o progresso que trouxe à nossa aldeia que, como parasita, só leva e nada deixa. Deixou um rasto de destruição ambiental e paisagística. Sem qualquer esmorecimento de quem nos competia defender ou minimizar os prejuízos.
Mesmo assim, há condições para que pelo menos uns três possam ser restaurados, mas, para sermos realistas, milagres fez Jesus e foi morto por isso.
Posto isto, resta-nos (aos mais velhos) as memórias dos nossos moinhos, algumas fotografias e a certeza de que para lá do Uíma não há ribeiras nem moinhos. Isto é, o resto é paisagem.
Mesmo assim, fica a evocação de um dia que nos passa esquecido. Já não levamos a água aos nossos moinhos.
07/04/2026
Taça "Oliveira e Santos" - 2026
No passado Sábado, 4 de Abril, pelas 15:30 horas, no Campo de Jogos "Oliveira e Santos", realizou-se a 1.ª edição da Taça "Oliveira e Santos".
Foi uma interessante iniciativa do clube, como forma de agradecimento, em memória, aos doadores do terreno (*) onde se localiza o nosso complexo desportivo no lugar do Reguengo.
A taça foi disputada entre a equipa de veteranos do Guizande F.C. e a congénere do Canedo F.C.
O jogo, bem disputado, num quente dia de Sábado, correu de feição à equipa anfitriã, que venceu por 2-0, marcando assim, de forma positiva, a primeira de, espera-se, futuras edições.
Parabéns ao clube pela iniciativa. O reconhecimento daqueles que foram beneméritos ao clube é também uma forma de conquista.
(*) Maria Angelina Oliveira Gomes e Américo Pinto dos Santos.
[fotos: Guizande F.C.]
Almoço do Juíz da Cruz - 2026
Ontem, Segunda-Feira de Páscoa, realizou-se o tradicional almoço do Juíz da Cruz, que neste ano de 2026 foi o Sr. Pedro Baptista Alves.
Tal como nos dois anteriores anos, o evento decorreu no restaurante "Cruzeiro", em Fiães. Marcaram presença cerca de uma centena de convivas, incluindo o Pe. Benjamim Sousa e o pároco Pe. António Jorge, que se juntou um pouco mais tarde.
O que é que se pode dizer?
Quando somos notícia pelos piores motivos. Ainda há dias falava-se aqui da estranha frequência de incêndios ali naquela zona.
Pessoalmente, mesmo sem saber quem é em concreto, se um dos nossos, fico triste, mas pergunto qual o papel das autoridades quando se diz que, afinal, já havia antecedentes. Muitos dos incêndios neste nosso Portugal têm origem em incendiários recorrentes, gente à solta ou sem tratamento. Quando assim é....
06/04/2026
Cada um que responda
A Páscoa, na boa e secular tradição cristã, é, sem dúvida, a mais importante das celebrações e aquela que deve corresponder a uma alegria não material, mas espiritual, por todo o seu significado e simbolismo. Por conseguinte, são naturais e compreensíveis todas as manifestações desse júbilo, nas mais diferentes formas. Nos tempos actuais, muito marcados e até dependentes das redes sociais, é igualmente natural que muitas pessoas partilhem momentos pessoais, em família e em comunidade, ligados a essa alegria.
São assim frequentes e recorrentes as partilhas que vão desde felicitações de uma boa e feliz Páscoa até às iguarias colocadas nas mesas: o assado de cabrito ou de vitela, o pão-de-ló, os doces e bolos, etc., etc. Tudo coisas boas, bonitas e saborosas, que de facto comprovam o sentido de alegria que ainda se associa à Páscoa, à ressurreição de Jesus.
Apesar disso, sem moralismos, até porque, talvez, já algo ultrapassado face às tendências e modos de vivência actuais, pergunto-me se, em cada 100 pessoas que partilham a Páscoa nesses moldes, cinco delas participaram em alguma cerimónia religiosa durante a Quaresma, se percorreram esse caminho de introspecção e preparação espiritual, se na Semana Santa participaram em alguma das celebrações - na Quinta-Feira Santa, na Sexta-Feira Santa, no Sábado de Aleluia - ou se apenas, ou nem sequer, na missa do próprio dia de Páscoa?
Cada um e cada uma responderá por si, mas, pelo que se vai vendo e constatando, nomeadamente na nossa comunidade, parece-me que, no geral, a forma como vivemos a Páscoa e tudo o que a antecede, se tornou muitas vezes um mero formalismo, uma tradição sobretudo material. Coisas de igreja e de padres, de orações e contemplações mais profundas, dispensam-se. O assado, esse sim, é tradição, antiga, da casa e da familia! Esse é que conta!
Pessoalmente, não concebo celebrar a Páscoa, a ressurreição do Senhor, sem a vivência desses momentos fundamentais da nossa espiritualidade, até para a sacralizar. Contudo, muitos há que, não ligando patavina a essa dimensão, seguem a vida como se nada fosse, dormindo descansados com isso. Entre uma celebração religiosa e um jogo de futebol ou um qualquer evento, social ou desportivo, a escolha é fácil, demasiado fácil.
Em resumo, em tudo, nestas questões, cada um falará por si e, de um modo ou de outro, encontrará uma justificação pessoal para a sua fé, ou para a sua “fezada” e a encontrar a habitual justificação de que não é por isso que são melhores ou piores dos que fazem por participar nas cerimónias religiosas alusivas (e com certeza que não). Mas, numa reflexão mais profunda, parece-me que andamos, de facto, muito afastados do essencial e vivemos estas realidades com a mesma profundidade com que festejamos um Carnaval ou um jogo de futebol. Não há como não dizê-lo. Isto é bom? É mau? Indiferente? Cada um que responda por si.
Continuação de um feliz e santo tempo pascal!
03/04/2026
Guizande F.C. - Apontamentos para a sua história - Apresentação do livro
Será já de hoje a oito dias, na Sexta-Feira, dia 10 de Abril, pelas 21:00 horas, nas instalações do Centro Cívico, no Monte do Viso, a apresentação pública do livro "Guizande Futebol Clube - Apontamentos para a sua história".
A organização do evento é do Guizande F.C. e o resultado da venda do livro será na sua totalidade para o nosso clube.
É um orgulho pessoal ficar associado ao livro, o qual, mesmo que na sua limitação e imperfeição, tem uma dupla função: A de reunir e organizar dados relativos à actividade do clube e competições em que participou, mas também, e sobretudo, o de ser guardião de memórias e apontamentos e de enaltecer e valorizar todos os que, de uma forma ou outra, deram de muito de si e do seu esforço, em prol do clube. A grandeza de um clube não se mede pelos títulos e conquistas, estes nem sempre resultado de mérito desportivo, mas essencialmente pela sua identidade e pelo carácter de quem o construíu e corporizou. Somos, assim, o Guizande F.C. um pequeno clube, representativo de uma também pequena terra, mas com gente de carácter que aprendeu a fazer muito do pouco.
Para além de tudo, a sessão pública será um momento de reunião de antigos dirigentes e atletas, pelo menos de forma representativa, porque impossível ter todos. De modo particular, foram convidados todos os ex-presidentes do clube, pelo que, espero eu e a actual Direcção, que estejam presentes. Será, também por isso, um momento de reconhecimento e agradecimento.
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