28/01/2020

Nem sempre se escreve direito por linhas tortas


Eu faço por perceber as motivações de alguns dos defensores desse "mártir" da Justiça, Rui Pinto, mas, confesso, faz-me alguma confusão porque, de algum modo, irracional ou pelo menos ligeira.

A questão, e não sou eu que o digo, mas concordo com o que, entre muitos, disse ontem na RTP 3 o camarada comunista Eng.º Honório Novo: "...se o Estado, ele próprio, não pode usar meios de prova recolhidos pelas suas entidades de forma não legítima, como escutas telefónicas, sob coacção ou invasão de propriedade e privacidade sem mandato claro e específico do Poder Judicial, como é que se pode agora, no caso do hacker Rui Pinto, inverter-se esse legítimo direito, e pensar-se como normal usar toda a informação, por mais relevante que seja, obtida num contexto de crime e ilegitimidade?".

Que essa "lebre" levantada do matagal pelo "podengo" Pinto, possa e deva servir de ponto de partida para investigações próprias dos poderes da Justiça, parece normal e legítimo. Já a usar elementos e documentos de prova recolhidos à margem das leis não pode ser normal, porque, para o bem e para o mal, goste-se ou não, estamos num chamado Estado de Direito. Talvez num Estado autoritário de atropelo aos elementares direitos à privacidade isso fosse normal, mas não, para já, em Portugal.

Com tudo, podem, incluindo as anas gomes, continuar a adorar o Rui Pinto e a fazerem-lhe procissões, invocando satánicas figuras da corrupção portuguesa como exemplos paradoxais do tratamento ao hacker, este preso e aqueles à solta, mas um pouco mais de distanciamento não fará mal a ninguém.

Eu que até já tive uma conta de email hackeada e a partir de um ilícito dela fui envolvido em negócios fraudulentos, a que felizmente e por sorte consegui estancar a tempo, não posso de modo algum apoiar quem nos entra pela porta adentro sem permissão, invadindo a nossa privacidade, a nossa intimidade, mesmo que, porventura, tenhamos alguns "podres" a esconder.

Cada coisa no seu lugar e é nessa diferenciação que se distingue um Estado de Direito e de salvaguarda de direitos fundamentais. Para a criminalidade existe a Justiça e a polícia. Se assim não for, estamos na lei da selva.

26/01/2020

Ao toque de clarim, é festa em Louredo





Na simplicidade, até porque o mês é avesso a festas, S. Vicente Mártir, que não o Ferreira, tem a sua festividade a 22 de Janeiro. Em Louredo, quando não ao Domingo, no Domingo seguinte, como hoje.

25/01/2020

A porta que importa abrir



Da Sr.ª Lúcia, sobra a saudade. Que Deus a tenha! Do Ti Alcino, ainda por cá na caminhada da vida. Permitir-me-á que partilhe um momento que certamente foi de felicidade para ambos, então jovens, acabados de casar. Foi em 20 de Outubro de 1962, num Outono soalheiro. Por esses dias, estava eu a espernear,  para ver a luz dali a poucos dias.

Não deixa de ser curioso que o Ti Alcino esteja a abrir a porta do carrão conduzido pelo saudoso Elísio Santos, que os aguardava, sabendo-se que na sua profissão, como ajudante de motorista e revisor da empresa de transportes de passageiros "Feirense", tenha, pode-se dizer, levado a vida a abrir as portas  a senhoras, como bom profissional e cavalheiro. Até mesmo nos muitos passeios de autocarro que organizou, ajudou a abrir as portas dos fundos para o assalto aos farnéis.

Gente nossa. Gente boa!

21/01/2020

Os sebastiões dos nossos dias


Depois da devoção ao mártir S. Sebastião, que hoje em dia em grande parte vai-se confundindo com uma coisa doce chamada fogaça, porque como humanos tendemos a valorizar mais o estômago que o espírito, a semana de trabalho começa nesta Terça-Feira, bem fria,  por isso mais curta. 

Assim, retomam-se as rotinas, cada um na medida da sua vida, desde crianças aos mais velhos. Uns, poucos e cada vez menos, para a creche, outros, também cada vez menos, para a escola, outros para o trabalho e outros, também poucos, para lares, porque os nossos idosos, podendo mexer-se, mesmo queixando-se dos ossos,  preferem a horta, o quintal, o jardim, para se irem ocupando. É compreensível pois são as suas zonas de conforto, como agora é moda dizer-se. Muitas vezes numa zona de conforto desconfortável porque na solidão, é certo, que se disfarça quando o tempo vai de feição e o sol é companhia permitindo deambular por entre flores e legumes, mas que se melancoliza quando a chuva os retém entre quatro paredes. 

Mas são opções e se a alguns não resta outra solução, a outros há a alternativa de frequentarem o Centro Cívico e ali encontrarem companhia entre outros semelhantes e com isso, na partilha da amizade e dos males e memórias muitas vezes comuns, certamente o dia passará melhor. Mas, como disse, são opções a quem nem todos recorrem, sendo que o essencial é que cada um esteja onde melhor se sinta, mesmo que isolado em casa, bem como é importante que exista alternativa.

Certamente que as agora gerações mais novas terão no futuro outro entendimento quanto a usufruírem desse espaço de convívio e partilha, o que será natural ,pois em grande parte tudo passa por forças culturais e identitárias que nos moldam. Cada um no seu tempo. Os nossos pais têm uma matriz, nós temos outra.

Neste sentido, e para que exista essa alternativa na nossa freguesia, não há como negar o apreço a todos aqueles que no processo de levantamento do nosso Centro Social têm desde há longos anos, lutado com esforço e dedicação para que as nossas gentes, querendo, possam usufruir de um espaço comunitário, de partilha e convívio inter-geracional, que ajude a alegrar os dias numa fulcral etapa do natural declínio da vida. Calha a todos. 

Nem sempre apoiados, nem sempre compreendidos, nalguns aspectos e por alguém até criticados e censurados, é de justiça salientar nomes como os de Joaquim Santos e Celestino Sacramento, mas muitos outros, claro, que têm, contra muitas dificuldades, tanto na freguesia como de entidades institucionais, aguentado o barco, na esperança que dias melhores  virão, não tanto para eles, mas para a comunidade e sobretudo para as gerações mais velhas.

Como em muitas situações na vida e na História, tais actos e obras só lhes serão valorizados postumamente. Mas se até Jesus foi maltratado na sua Nazaré, não surpreende que mesmo nos dias de hoje, salvo as devidas diferenças e distâncias, ainda hajam alguns "mártires", alguns "sebastiões", não com a dimensão do S. Sebastião, pois não, mas na nossa medida de gente pequena, em que as setas que se nos cravam no peito não sendo mortais, são dolorosas pela indiferença e mesmo pela desconsideração.

Bem hajam!

19/01/2020

Oliveira


Vista poente do lugar de Oliveira, da freguesia do Vale. Do aglomerado urbano, destaca-se a torre da capela dedicada a S. Tomé.




Tesourinhos da bola


Quando a bola é apenas um pretexto para momentos de amizade, convívio e partilha. Mas os anos, o tempo, fazem das suas. Uma dúzia de anos tem um peso do caraças.

18/01/2020

Catequisando...

É algo desagradável, no mínimo, estar a participar numa missa constantemente perturbado por um grupo de adolescentes da Catequese. Sempre em burburinho, em risota, sem qualquer atenção. Acontece onde habitualmente participo na missa mas creio que, com raras excepções, o mal é quase geral.

Esta situação para além de desagradável, porque mais própria de um recreio de farra e festa, revela em muito a deficiente educação que vamos dando aos nossos filhos, quase sempre sem qualquer conduta de disciplina e respeito. Obviamente que depois tanto na Escola como mesmo na Catequese,  não se podem esperar milagres no que se refere a bons comportamentos e respeito. Mas é fruta da época e dos tempos e o que antes se disciplinava, por vezes com exagerado rigor, é certo, hoje é coisa de andar livre e à vontadex. 

Nestas circunstâncias, se pouco ou nada se pode fazer para disciplinar, pergunto a mim mesmo o que é que esta gente anda a fazer na Catequese. Pouco ou quase nada, obviamente. Eventualmente, e quase na generalidade, porque felizmente  há sempre  bons exemplos, andam contrariados, e dali pouco ou nenhum proveito sai, se não em religião, pelo que se vê, seguramente no aspecto cívico. 

Mas é fruta da época e no Inverno não se pode esperar colher cerejas.

17/01/2020

Festa do Viso 2020 - Comissão de Festas


Carlos Santos de Almeida - Fornos
Johnny Almeida - Quintães
Micael Silva - Leira
Xavier de Almeida Baptista - Barrosa
Maria Inês de Jesus Santiago - Quintães
Juliana Alves da Silva - Cimo de Vila

13/01/2020

Nota de falecimento


Faleceu Isaura da Conceição Ferreira Fontes, de 90 anos. Natural de Guisande, vivia e faleceu na freguesia de Caldas de S. Jorge.
Cerimónias fúnebres e religiosas conforme o indicado na pagela acima.

Sentidos sentimentos a todos os familiares. Que descanse em paz!

Há tripas....

12/01/2020

Uma copada de Castelões e um pires de moelas


Noutros tempos, não muito longínquos, o vinho verde "Castelões" era para os amantes das patuscadas e petiscadas uma espécie de elixir da eterna juventude. Em qualquer tasca, de prestígio ou rasca, pedia-se "Castelões". O acompanhamento eram os petiscos, fosse moelas, orelheira, uma isca, um prego ou churrasco. Sobretudo no Verão, pois, claro, umas copadas de "Castelões", servido bem frio, faziam valer a pena esperar pelo Sábado ou Domingo à tarde. O Nelson Ned cantava que não sabia o que fazer no Domingo à tarde, mas a rapaziada de Guisande, sabia e bem: Namorar e depois, porque o namoro faz sede, umas copadas no balcão dos bancos de pernas altas do Américo, ou em mesas de fórmica noutros locais de culto como da churrasqueira do valdemar, em Estôse.

Deixou, por isso, saudades, esta emblemática marca de vinho, engarrafada em Vale de Cambra pela empresa Bastos & Brandão, L.da. O vinho era proveniente da região demarcada do Vinho Verde, da qual fazia (e faz) parte Vale de Cambra, com base nas castas Loureiro, Trajadura e Arinto. A malta, mesmo sem perceber de castas, acreditava que sim.

A Brandão & Bastos, L.da foi fundada por Manuel Brandão e Manuel de Bastos, que morreram em 1986 e 1990, respectivamente. A empresa foi fundada em meados da década de 1950. Depois disso mudou de mãos e passou por processos de insolvência. Não consegui apurar se ainda existe e em actividade ou se mudou de nome. Certo é que a marca "Castelões" já não existe desde há alguns anos. Outras marcas engarrafadas pela empresa valecrambrense como a "Aniversário" e a "Valverde", também já desapareceram.
Para avaliar da fama do "Castelões", posso dizer que colhi a informação de que pelo final da década de 1990 as vendas cifravam-se em 6 mil garrafas por semana.

Este "Castelões", a que se refere o rótulo acima, característico e inconfundível na sua forma triangular, era considerado como levemente adamado e a exigir servir-se "muito frio".

No meu tempo de rapazola, este "Castelões" estava para a rapaziada como agora a "Coca-Cola" está para a juventude.  Também fazia arrotar, mas, ao contrário da bebida negra açucarada, o "Castelões" propiciava outras aventuras. Muitas delas poderia aqui contar, mas teria que por bolinha vermelha a classificar o texto.

Acrescente-se que por esses tempos, não havia boda de casamento que não fosse fornecida de "Castelões". A malta solteira lá conseguia passar por debaixo da mesa alguns exemplares que mais tarde serviam para refrescar conversas.

O "Campelo" e os "Três Marias" faziam forte concorrência mas a malta não trocava pelo "Castelões". De resto, alguns de nós tínhamos um lema: "Homem que tenha ...lhões, bebe "Castelões".

Aparte alguma brincadeira, o vinho verde "Castelões" é uma das marcas que a malta da minha geração associa a petiscadas e convívios de boa camaradagem. Aquela pinga generosa e esverdeada em garrafas com aquele inconfundível rótulo triangular ajudaram em muito a cimentar amizades e a fartar barrigas.

Nos tempos actuais, descobri e tenho bebido de um fantástico vinho verde também ali das mesmas encostas do Caima e do Vigues, mas convém não fazer publicidade sob pena de aumentar as vendas e daqui a nada ter que o pagar mais caro, até porque é colheita seleccionada e limitada. Basta dizer que em nada fica atrás dos melhores alvarinhos e loureiros do Alto Minho. Não se deve abrir a barriga da galinha dos ovos de ouro.

Comércio perdicional



É sabido que de um modo geral, salvo raras excepções e em localizações privilegiadas e/ou de impacto turístico, o nosso comércio tradicional tem andado pelas ruas da amargura. Mesmo que de quando em vez venham à praça autarcas e outros "especialistas"  a dar um ar de sua graça, numa espécie de "engana-me que eu gosto", a verdade é que as machadadas são mais que muitas, nomeadamente com a aprovação excessiva de superfícies comerciais, por vezes umas ao lado das outras. Claro que aí lá vem os artistas alvitrar que tal representa novas oportunidades e dinâmicas para o comércio tradicional local, mas obviamente que na generalidade dos casos é conversa para enganar lorpas.

Em todo o caso, e porque nem uma coisa terá a ver com outra, mas apenas para contextualizar as dificuldades de quem explora pequenos negócios, por estes dias soube, com pena e mesmo com tristeza, até porque cliente de há anos,  que acabou o serviço de venda de fruta ao domicilio pela Rosalina Neves, bem como o negócio a ela associado que mantinha na casa paterna, no lugar da Gândara, nomeadamente confecção de pão e doçaria, na minha opinião, de boa qualidade.

De algum modo, este era um negócio com raízes familiares de há longos anos, a que os Guisandenses se habituaram e tinham como seu património, e que por isso, face ao anúncio do seu término, não deixa de ser uma pena para quem de algum modo valoriza o que de bom a freguesia tem. Assim é uma "nossa instituição" que se perde.

Não prevendo o futuro, porque este a Deus pertence, desejamos à Rosalina boa sorte no que quer que venha a fazer. Afinal de contas, como diz o povo, na nossa vida por vezes fecha-se uma janela mas abre-se uma porta.

01/01/2020

Guisande foi ao sítio de camioneta da carreira


É sabido que o saudoso Pe. Francisco adorava fazer passeios e de modo especial acompanhar os seus paroquianos, levando-os a visitar os mais diversos recantos do nosso belo Portugal. Foi assim praticamente durante todo o seu longo reinado como pároco da nossa freguesia.
Normalmente num dos meses de Verão, alugava um autocarro na Feirense e lá ia meio Guisande ao passeio do padre.
Na fotografia acima, aconteceu em Agosto de 1957, com os participantes alinhados em frente ao imponente veículo, no tempo em que a Feira era Vila, nesse tempo mais conhecido por camioneta da carreira.
Quanto ao sítio, cenário do "boneco"é mesmo esse, o Sítio da Nazaré, como ajuda a provar a imagem mais ou menos actual em baixo.

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