30/09/2019

Malhar em ferro frio


Confesso que relativamente à campanha para as Legislativas marcadas para o próximo Domingo, 6 de Outubro, vou "consumindo" o que me é servido pelos média, televisão, rádio e jornais. Confesso igualmente que estou na casa dos duplamente  indecisos: Ir ou não votar e indo, a quem entregar a cruzinha.

Em todo o caso, o que não é novidade, com o aproximar da data e pelo facto dos números que as sondagens vão ditando não agradarem  a uns e a outros, mesmo que por motivos diferentes, o discurso tende a inflamar e de uma parte procura-se meter o dedo em certas feridas, como o caso de Tancos, na berlinda dos dias, e do outro procura-se passar pelo fogo sem qualquer chamusco.

Parece-me, todavia, que o PS tem reagido de forma dura mas algo despropositada porque as questões colocadas à sua direita fazem na realidade pelo menos algum sentido e não vejo que sejam julgamentos, apenas interrogações óbvias e legítimas num quadro político. Houve ou não conhecimento, envolvimento e encobrimento e se sim, qual a responsabilidade e ilacções políticas. 

Pois claro, nesta altura do jogo não convém ir à casa de banho sob risco de se escorregar, mas impunha-se uma clarificação com coerência e sentido de Estado e não seria difícil fazê-lo. Ao contrário, pelas obreiras Carlos César e Augusto Santos Silva, entre outros, saiu a defesa da colmeia, com respostas / ataques duros. Do ainda ministro dos Negócios Estrangeiros, não surpreende, já que está na linha da sua célebre frase de 2009 de que "Gosto de malhar na Direita". Já Carlos César, a caminho de uma reforma dourada, também está na linha do camarada Jorge Coelho quando algures por 2001 dizia que "quem se mete com o PS, leva!.

Por outro lado, Augusto Santos Silva acusa a Direita de pretender colocar as instituições do Estado na lama, o que não deixa de ser irónico já que Azeredo Lopes, ex ministro da Defesa, e um dos envolvidos no caso de Tancos, terá acusado, mesmo que em entrelinhas, o Ministério Público de "conspiração e ataque políticos" contra o partido". Esta posição de resto, mesmo que não assumida por quem anda no andor da procissão da campanha, dizem os média que, em "off", colhe a mesma opinião no PS.
Ora o Ministério Público não pode ter uma agenda em função da da política e de alguma maneira "acusar" a instituição de "conspiração ou de ataque político" é grave. Mas o Ministro dos Negócios Estrangeiros, no seu low profile, diz que a lama anda no outro lado da barricada. Efeitos de perspectiva.

Por sua vez, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa têm, e bem, procurado minimizar e passar ao lado  quanto baste da fogueira, até porque a sua assinatura no relatório final  do inquério em sede de Comissão Parlamentar ao caso de Tancos, em que branqueia o papel do Governo e de Azeredo Lopes, pode vir a fazer mossa, mas se fizer, que seja mais à frente. 

Como se vê, políticos aguerridos. Mas também é verdade que Rui Rio não tinha necessidade de mexer no cócó já que este cheirava mal o suficiente e os portugueses não militantes não são anjinhos nem mentecaptos a ponto de não perceberem os contornos e gravidade do assunto e das respectivas conclusões e consequências políticas: Se relevantes a ponto de condicionarem o sentido de voto, se apenas "lana caprina".

Assim, este clima não ajuda em nada o esclarecimento e troca de ideias e ideais e desde logo para a melhoria da imagem geral classe política, que é baixa. Não havia necessidade.

Está ainda por vir o dia em que as campanhas eleitorais não tenham estes ingredientes no caldeirão. O contrário é que seria surpreendente.

29/09/2019

As faces da moeda e outras gretas


O Azevedo considera que a adolescente Greta sueca está a ser uma revolucionária dos tempos modernos e que tem marcado a diferença pelos ideais sobre a defesa do planeta contra as alterações climáticas, ralhando em altas tribunas contra os senhores do mundo, acusando-os de inacção e indiferença.

Por sua vez, o Tavares, sabe que a Suécia é terra de boas gretas e apesar de conhecer melhor a outra, encontra virtudes na Greta mais nova, e sobretudo pelo facto de ter despertado consciências, mas considera que é sobretudo um produto mediático e que interessa a gente manipuladora que a rodeiam. Passada a novidade e o impacto das redes sociais, tudo voltará à normalidade;

A Isabelina tem louvado nas redes sociais o papel do hacker Pinto, achando que o rapaz de cabelo à ouriço-cacheiro tem prestado um valioso serviço contra os corruptos e a corrupção, desvalorizando a forma e os meios como o "pirata" acedeu às informações privadas;

Por sua vez, o Resende considera que os meios não justificam os fins, sobretudo numa sociedade que valoriza e defende o direito à privacidade, seja na casa ou no computador ou telemóvel de cada um. E que a corrupção deve ser combatida com outras medidas mas nunca baseadas num crime menos criminoso.

O Rodrigues tem tecido violentas críticas contra um jogador de futebol adversário por um "arraial de porrada" por suposta "boa escola", que terá remetido um seu jogador para o lote de lesionados, esquecendo-se todavia, que esse mesmo "arruaceiro" poucos dias antes saíu de sua casa com a cabeça rebentada;

Por sua vez o Albino critica o Rodrigues e o seu clube por beneficiar de "cegueira" de um árbitro que não viu o suposto "arruaceiro" sair de cabeça rebentada com uma cotovelada adversária, aludindo à velhinha sentença de ser fácil ver um mosquito nos olhos dos outros e não sermos capazes de ver um camelo nos nossos.

O Moisés tem criticado a indústria da criação de vacas como uma das mais poluentes do planeta, e que o bicho entre o arrotar, peidar e cagar, polui mais que um automóvel, louvando a peregrina medida da Universidade de Coimbra de banir o consumo de carne de vaca. Por ele, irradiam-se as vaquinhas da Freita, do Gerês e do Barroso, mesmo que com isso se despovoem territórios interiores já quase desertos.

Já a Amélia considera que o Moisés até tem alguma razão, porque de facto é substancial o contributo dos ruminantes para o aquecimento global, mas critica-o por esquecer-se que o número de veículos em todo o mundo, mesmo em Portugal, é imensamente superior ao de número de cabeças de gado. Só em Portugal estima-se que existam 1 milhão e 500 mil ruminantes de grande porte enquanto que o número de veículos anda na ordem dos 6 milhões.

Por outro lado, o impacto da indústria automóvel não é o só o que sai do escape mas de toda a indústria produtiva associada. Para além disso, nos Estados Unidos, onde a criação de gado é industrial e massiva, bem como o consumo da respectiva carne, um estudo supostamente credível diz que se todos os americanos eliminassem totalmente o consumo de carne de vaca o impacto do efeito estufa associado reduzira no país apenas 2,6%. É alguma coisa mas obviamente insignificante.

Em resumo, em todas estas importantes questões, e outras que sejam, nem uns nem outros terão toda a razão nem nenhum deles terá a supremacia da verdade e da moral. Algures o bom senso diz que no meio é que está em virtude. O problema é mesmo o extremismo que há sempre nos dois lados, nos dois pontos de vista. Afinal uma moeda tem sempre dois lados e não é porque se atirada ao ar caír duas ou três vezes seguidas com a mesma face para cima, a outra deixa de existir.

Assim sendo, tudo é legítimo e tudo é discutível, mas dificilmente os nossos ideais, ideologias, clubismos, fanatismos ou fundamentalismos nos levarão a concordar com os outros. 

No caso da questão da actualidade quanto à necessidade urgente de concretizar medidas que pelo menos minorem os efeitos do aquecimento global, infelizmente poucos resultados darão e desde logo porque as acções nesse sentido têm que ser globais e coordenadas e não será por um pequeno país como Portugal que a coisa se salvará ou por uma universidade cortar no consumo de milhares de quilos de bifes e hamburguers, ou por uma criança se deslocar num luxuoso e caríssimo veleiro em vez de avião numa viagem da Europa a Nova Iorque.

Todos percebemos a verdadeira questão, mas esta necessidade urgente e extrema não é pólvora que tenha sido inventada por uma Greta, por mais louvável que possa ser na sua iniciativa e impacto provocado.

Mas a ver vamos, e oxalá que de facto pelo menos as consciências passem a ser outras, mais abertas, e que as futuras gerações de políticos sejam capazes de encontrar pontos de equilíbrio e sobretudo usar as boas tecnologias para reduzir ou minorar impactos da massificação da indústria e do consumo.
Seja como for, estes pontos de reflexão, são, também eles, apenas um dos lados da moeda.

23/09/2019

Nota de falecimento


Faleceu Margarida Elsa de Pinho, de 87 anos, da Casa do Santiago, no lugar das Quintães, onde residia.
O corpo estará na capela mortuária de Guisande neste dia 23 de Setembro a partir das 18:00 horas. O funeral será amanhã, Terça-Feira, 24 de Setembro, pelas 16:00 horas, com missa de corpo presente na igreja matriz de Guisande, indo de seguida a sepultar no cemitério local em jazigo de família.

A tradicional missa de 7º dia ocorrerá no Sábado próximo, 28 de Setembro, pelas 19:00 horas na igreja matriz de Guisande.
Os nossos sentidos sentimentos a todos os seus familiares, particularmente a seus irmãos.

Que descanse em paz!

20/09/2019

Mal e porcamente...


Uma das coisas que arrelia nas redes sociais, é a constatação de que a generalidade dos utilizadores escreve mal, e muitas vezes porcamente. E escreve mal não por alguma dificuldade técnica com os teclados, mas porque realmente não sabe escrever em bom português.
Pode, a malta, até falar um português mais ou menos correcto mas não o sabe traduzir para a escrita. Mesmo descontando o condicionalismo de se escrever através de um minúsculo teclado num qualquer telemóvel, o que origina algumas gralhas, essa não é, de todo, uma desculpa e justificação.

Todos estamos sujeitos ao erro, à gralha ou mesmo a um incorrecto uso das elementares regras da gramática, e trocar um "houve" por um "houveram", mas de forma grosseira, consistente e recorrente, é que doí e faz mossa no Camões.
O que mais espanta, é a naturalidade de quem escreve mal, não se envergonhando ou inibindo de "postar", como se fosse a coisa mais natural do mundo. 

Confesso que fosse assim tão inadaptado a escrever bom português, preferia não escrever. Não que quem escreva mal e porcamente não consiga expressar o que pretende dizer ou transmitir mas porque, diabo, está em causa a forma como tratamos a nossa língua mãe. É que, bem ou mal, a generalidade de quem frequenta as redes sociais corresponde às novas gerações e por isso não há quem não tenha frequentado a escola. Paradoxalmente, é nas gerações mais velhas que se encontram os melhores exemplos de bem escrever.

Mas é apenas uma arrelia e esta reflexão pode até nem ser do agrado de quem escreve mal, o que não é minha  intenção. Antes deveria servir de reflexão e, quiçá, ponto de partida para voltar a pegar nos livros, no compêndio de gramática, dicionário, etc. Enfim, ler, ler muito e escrever. É que entre o muito que mal se vai escrevendo há calinadas de bradar, ou mesmo de fazer rir.

Nesse aspecto, como noutros, claro, tenho saudade redobrada da boa prosa e do bom escrever de alguns "cotas" da nossa praça social, como, por exemplo, do saudoso Pinto da Silva.
Felizmente ainda encontramos bons exemplos de bem escrever, mas apesar de todas as facilidades e ferramentas ao alcance do dedo, como dicionários e, nomeadamente, correctores (até incorporados nas tecnologias de comunicação, como um simples ou complexo telemóvel, o erro persiste e, diga-se, é triste verificar a rapaziada nova a dar "tiros" com fartura na nossa língua.

Por mim, longe de ser perfeito na escrita,  penso, todavia, que o que vou escrevendo não me envergonha;  e não de agora, mas desde que aprendi a ler e a escrever na escola primária pelas professoras Lúcia  e Eugénia. E já lá vão uns anitos.

Para terminar, vamos lá verificar se este texto também tem erros ou falhas gramaticais. Acredito que sim.

17/09/2019

Justiça castiça


Na qualidade de testemunha de um simples processo judicial, tinha sido notificado há cerca de dois meses e meio para hoje comparecer em audiência no Tribunal Cível da Feira. Não soube por quem fui indicado, se pela parte do autor, se do réu, ou de qualquer outra iluminada figura. Ninguém me deu a mínima satisfação.

Faltei ao  trabalho, perdi tempo e tive gastos, para além do desconforto de ser testemunha em algo que nada tem a ver comigo. 

Depois da habitual chamada e algum tempo de espera, a audiência foi desmarcada por falta de qualquer formalismo.

Em suma, um cidadão livre e de folha limpa e que cumpre com rigor os seus compromissos com a máquina do Estado, é tratado como um simples pião, como um simples número de nove algarismos. 
O sistema judicial no seu melhor (pior), a brincar com o tempo das pessoas. 

Como dizia ontem o Dr. Rui Rio, a propósito e também em contexto de Justiça, a interrogar "que moralidade tem este sistema ou esta democracia em julgar e criticar o Estado Novo quando diariamente se constatam atropelos à lei e justiça ?

É certo que o caso em questão é quase irrelevante e um assunto de alecrim e manjerona, que até se podia resolver à moda do João Soares, mas, quando nada temos a ver e a haver com a questão, arrelia como pedra no sapato e formiga no umbigo.

Fica-se, assim, arreliado, neste limbo, à espera de nova notificação, nova audiência e, quiçá, novo adiamento. Tic tac tic tac...

Rui Costa em debate com António Rio


No debate de ontem na televisão, Rui Rio pareceu-me muito bem e uns bons pontos acima de António Costa, mesmo que este numa posição de quem sabe que está em vantagem nas sondagens.

Todavia, hoje em dia, mais do que no passado, as eleições e os seus resultados decidem-se muito em função do antes parecer que ser e neste palco Rui Rio dificilmente ganhará vantagem porque o seu estilo de frontalidade e desprendimento dos truques e manha politiqueira e demagógica não lhe permite dançar como virtuoso nesse folclore.

Apesar de Rui Rio me parecer bem melhor, no geral foi um debate em que as diferenças de fundo nunca foram substanciais a ponto de o Rio poder ser o Costa e vice-versa.

Creio, contudo, que os debates pouco ajudam a decidir eleições mas apenas para pasto de quem vive do comentário e da análise, tal qual como quem disseca um jogo de futebol (no fundo, o que estamos aqui a fazer). Na hora da verdade, poucos querem saber das reformas estruturais e do jogo dos números e estatísticas, investimento e desenvolvimento e demais panaceias do discurso político. 

No geral o voto decide-se por quem no final do mês tem mais 4 ou 5 euros na reforma ou no vencimento, mesmo que o disperse nos múltiplos impostos indirectos, desde logo no combustível e em tantos outros bens e serviços, agravados pelo actual Governo.

A generalidade do eleitorado não militante e clubista, vota quase sempre em função do sentimento de que as coisas estão melhores ou piores. E convenhamos que não estando melhores de forma substancial, o sentimento é de que já estiveram piores e o facto de ter sido numa legislatura condicionada por um quadro de ajuda externa e controlo da troika, certo é que poucos lhe dão importância e nem lhes serve de desculpa o contexto de quem foi obrigado a cortar para resolver desmandos de anteriores.

Assim pode-se (posso) concluir que o sentimento do eleitorado não obedece tanto a questões de consistências programáticas ou estruturais para o futuro e num contexto de bem comum, mas apenas para o presente e se para o futuro, apenas o amanhã, mas acima de tudo num quadro individual.


[foto: JN]

16/09/2019

S. Cipriano


Neste dia 16 de Setembro, é venerado S. Cipriano.

Os dados biográficos disponíveis em algumas fontes, dizem que Táscio Cecílio Cipriano nasceu no século III, em Cartago, no norte de África (em território da actual Tunísia), descendente de uma família nobre e rica. Pela sua formação, cultura, posição social e intervenção na acção da então jovem igreja cristã, e seus escritos teológicos, é tido como uma das personalidades mais importantes do século III.

Cipriano terá deixado a vida pagã e a profissão de advocacia por volta dos 35 anos, passando a envolver-se nos movimentos cristãos que na altura se propagavam pelo império romano.  Como era então uma figura muito popular, a sua conversão gerou um grande impacto na população. Desprendeu-se da sua riqueza e posição social em Cartago e distribuiu a fortuna pelos pobres.

De pagão a um sacerdote respeitado e seguido foi um passo e em 249 foi nomeado bispo de Cartago. Cipriano de Cartago, como viria a ficar conhecido, foi um famoso mestre da retórica e as suas inspiradas cartas (dizem que por intervenção divina) depressa se transformaram em fonte de fé e mesmo de culto.

Na época o cristianismo que começava a implantar-se era ferozmente perseguido e castigado pelo que também Cipriano, como aconteceu a muitos outras figuras daqueles tempos, acabou por ser perseguido e preso por ordem do imperador romano Décio. Depois de torturado e sem negação da sua forte fé, terá sido executado a 14 de Setembro do ano de 258. Os documentos que narram o seu martírio registam como as suas únicas palavras proferidas "Graças a Deus!".

Cipriano ficou conhecido e popularizado pela sua fidelidade à Igreja e por seus textos teológicos onde defendeu com firmeza o bom comportamento dos fiéis. A Igreja foi um dos seus temas preferidos. Distinguia a Igreja visível, hierárquica da Igreja invisível, mística, afirmando com convicção que a Igreja é uma só, a fundada sobre Pedro. Repetia que “quem abandona a cátedra de Pedro, sobre a qual está fundada a Igreja, fica na ilusão de permanecer na Igreja”

Frequentemente tem sido confundido com S. Cipriano de Antioquia, a quem a história relacionou com o ocultismo,  exorcismo, práticas de bruxaria e feitiçaria antes da sua conversão e mudança num caminho de fé e santidade. Dizem mesmo que ao homólogo de Antioquia é atribuída a autoria de um livro negro de bruxedos e feitiços a que a superstição e ignorância de uns e oportunismo de outros têm contribuído para a sua disseminação.
Na realidade existem várias versões de um livro conhecido pelo "Livro de S. Cipriano) mas trata-se de um grimório, ou seja, uma coletânea de meros rituais e supostos encantamentos mágicos, que, segundo diversas lendas nunca confirmadas documentalmente teriam supostamente sido  escritos por Cipriano de Antioquia antes da sua conversão ao cristianismo. De resto, as referências a esse livro só surgem apenas no século XIX, por isso centenas de anos depois da da data atribuída à morte de Cipriano de Antioquia, que também viveu no século III.

Entre nós, S. Cipriano de Cartago é padroeiro de muitas paróquias, nomeadamente na freguesia de Paços de Brandão - Santa Maria da Feira, sendo igualmente padroeiro no lugar de Parada, da freguesia vizinha de Louredo (a que se refere a imagem acima). Mas, sem confusões, porque já basta a do "Ferreira" ou "Ferrer", o patrono de Louredo é S. Vicente Mártir. 

15/09/2019

"S. Vicente, nem terra, nem gente"


"S. Vicente, nem terra, nem gente". Certamente que pelas freguesias vizinhas de Louredo, desde logo Guisande, muitos conhecem e sabem de cor e salteado este estribilho. E de um modo geral o mesmo é entendido como pejorativo, isto é, com um sentido negativo, mas sem lhe conheceram os fundamentos.

Contudo, este estribilho, quase como um ditado do povo desta nossa zona, foi eloquentemente explicado pelo saudoso Pe. Acácio Freitas, que foi pároco de S. Vicente de Louredo, no prefácio da sua monografia sobre a freguesia que paroquiou, desde 23 de Novembro de 1958 até aos seus últimos dias, e na qual foi sepultado. 

Ora segundo a sua explicação,"S. Vicente, nem terra, nem gente" tinha origens no facto de esta freguesia ter sido durante séculos propriedade de mosteiros e de conventos (daí o "nem terra") e que na ganância feudal dos rendimentos e exploração do povo e dos trabalhadores num regime de quase escravatura assentava o "nem gente".

O clérigo rematava que com a extinção das ordens religiosas foram arrumados os senhores e entidades proprietárias de Louredo pelo que assim o povo tomou posse das terras que cultivava deixando de pagar as rendas e foros, ficando livre desses e outros "jugos" que de tal modo alcançou a sua libertação. Dessa mudança de estado e de espírito e recuperação do empreendimento em prol do progresso pessoal mas também comunitário,  o autor da "Monografia de Louredo" concluía que em oposição ao estribilho original e negativo o actualizado e fiel era o de "São Vicente, boa terra e boa gente".

É certo que não se esperaria uma apreciação diferente de uma comunidade e terra que foi sua casa durante quase sessenta anos, mas pela parte que me toca, concordo em absoluto e tenho uma simpatia e consideração global pela freguesia e comunidade de Louredo. Fosse possível e imperiosa uma União de Freguesias a dois, pessoalmente não hesitaria em escolher Louredo como parceira. Infelizmente, neste aspecto de união de freguesias, por cá as coisas não correram nem têm corrido bem e todos saíram a perder com uma união a quatro, pesada e desequilibrada. 

Infelizmente, apesar de passos que foram dados nesse sentido e de alguns indícios de possível mudança pela parte governamental, tudo indica que não será fácil pelo que o mal feito dificilmente será desfeito, obviamente que para prejuízo de todas as freguesias envolvidas.

Como numa certa cantiga, nestas como noutras asneiradas de gente dita graúda, "o povo é que paga". Apesar do rumo da história no sentido do respeito pelas pessoas, comunidades e culturas, parece que mesmo pelos nossos dias ainda vigora uma certa "posse" por parte de certos "mosteiros" e "conventos", com a teimosia destes em fazer das suas boas terras e boas  gentes, "nem terras nem gentes".

09/09/2019

Troca de santidade


Sabemos que estas coisas acontecem e só não se engana ou não comete erros quem nada faz. E daí e por aí há muita santa gente a não se enganar nem a errar. Todavia, quando crasso, não ficará mal detectar o erro e dar o alerta para que pelo menos possa ser corrigido, se for caso disso.

Isto a propósito de numa consulta casual na página da Cáritas Diocesana do Porto, em que na referência à Paróquia de Cristo-Rei da Vergada a ficha esteja ilustrada com a Igreja Matriz de S. Tiago de Lobão. Ora o S. Tiago, certamente que não pretende nem quer tomar conta do que não é seu, tanto mais uma paróquia com a superior dedicação e invocação ao seu mestre Cristo-Rei. A Cristo o que é de Cristo e a S. Tiago o que é de S. Tiago.

Obviamente, que não sendo eu nem lobonense nem vergadense, este lapso é algo que não me põe em cuidados, mas quem sabe, se alguém de Lobão ou da Vergada procure alertar e reclamar da fífia e pôr o seu em seu dono.

Na foto abaixo, a igreja de Cristo-Rei da Vergada.

08/09/2019

Concertando...








Concerto de Órgão de Tubos, por Rui Soares - Igreja Matriz de Santo André de Mosteirô - Santa Maria da Feira.

A(Mó)zónia


Todos estamos mais ou menos ao corrente da actualidade quanto à Amazónia, considerada um dos pulmões do planeta Terra. Num misto de ambição e ganância, desprezo pela natureza e facilitismo governamental do Brasil e países limítrofes, como a Bolívia, quiçá de âmbito criminoso, certo é que os incêndios e outros mecanismos de desflorestação, têm sido notícia e merecido um repúdio mundial mais ou menos generalizado.

Em todo o caso, salvaguardadas as devidas distâncias e proporções, um pouco por todo o mundo, um pouco por Portugal e até mesmo no nosso concelho, as "amazónias" têm vindo a ser desprezadas e desconsideradas, subjugadas quase sempre aos interesses económicos, mesmo os que ditos como públicos.

Veja-se, num exemplo meramente caseiro, o caso do Monte de Mó, que integra as freguesias de Guisande, Louredo e Romariz, uma ampla mancha florestal, rica em aspectos de fauna e flora mas genericamente ambiental, abundante em nascentes de água e regatos, que em todos os planos directores municipais tem sido classificado como espaço florestal e por isso intocável quanto a operações urbanísticas. Todavia, apesar dessa protecção, desses nobres princípios de perseveração de amplos espaços florestais, certo é que nos nossos dias tal mancha foi já em muito destroçada, sobretudo com a construção da Auto_Estrada A32, que nela provocou um enorme desequilíbrio ambiental bem como, mais recentemente, a construção e implantação da sub-estação eléctrica, em pleno coração do monte, que provocou um movimento enorme de terras, alteração da topografia, criação de áreas impermeabilizadas e um tecto electro-magnético de linhas eléctricas.

Em resumo, o Monte de Mó ou uma parte muito significativa dele teve que ser subjugado aos ditos "interesses púbicos" e aos equipamentos que ditam o progresso. É certo que de uma forma ou outra todos supostamente beneficiamos desses equipamentos ou infra-estruturas, mas de algum modo este contexto ajuda-nos a perder a inocência quanto à importância dos planos directores municipais ou outros instrumentos de gestão territorial porque na realidade só são válidos e importantes até deixarem de o ser. É fácil proibir a construção de uma simples habitação e um anexo de arrumos, mas, se for caso disso, têm via aberta uma Auto Estrada ou uma Estação Eléctrica ou qualquer outra coisa em grande.

Dizem que o progresso não se compadece com lirismos, mesmo que ambientais, mas pelo menos importará alguma reflexão quanto à importância que damos às coisas, porque na realidade, muitas das vezes, não passam de fantochadas e de um "faz de conta" permanente. A floresta, os bichos e a passarada são muito importantes mas o betão também é. Não surpreende, pois, a nível global a situação da Amazónia, ou no contexto português o previsto novo aeroporto de Lisboa em zona de enorme impacto ambiental ou, mesmo que numa pequenina, micro-escala, o nosso Monte de Mó.

05/09/2019

Centro Social - 5ª Noite da Francesinha

Que regresse rápido às voltinhas


Soube ontem: O Manuel Ferreira, entusiasta do ciclismo, numa das suas habituais voltas de bicicleta, teve um acidente. Foi no Domingo passado, tendo caído com algum aparato depois de um cão se ter atravessado de forma inesperada à sua frente, embatendo violentamente na bicicleta e provocando o acidente.

Da queda terá resultado uma ligeira fractura, pelo que está hospitalizado e entretanto será operado. Tive já a oportunidade de falar com ele e está bem e optimista quanto à recuperação, salientando que no azar, que é sempre um acidente, teve alguma sorte pois poderia ter resultado em ferimentos bem mais graves.

Seja como for, sendo sempre uma situação infeliz e complicada, certamente que o restabelecimento correrá bem e estará em breve entre nós e, adivinha-se, com vontade de retomar a bicicleta. Esperemos e desejamos que sim. Que regresse rápido e forte às voltinhas pois tem sido uma inspiração para os mais novos.

Infelizmente, e porque também ando por aí de bicicleta, sabemos que os acidentes são sempre uma real possibilidade, quer devido a animais que atravessam a estrada de forma inesperada, quer mesmo por algum desrespeito e muita desatenção de automobilistas. Quase todos os ciclistas têm histórias para contar, de acidentes ou iminência deles.

Pela natureza frágil da bicicleta, e que não faz barulho para alertar quem atravessa sem cumprir a velha regra do "pare, escute e olhe", qualquer acidente resulta quase sempre em queda aparatosa o que facilita ferimentos e lesões. Haja sorte e...naturalmente, muita precaução bem como importa que os condutores de veículos mais pesados tenham mais cuidado para quem usa a estrada de bicicleta. Obviamente que os ciclistas devem igualmente ter comportamentos adequados.

02/09/2019

Singularidades da bola


O futebol, já se sabia, é prodigioso em coisas mirabolantes. Apesar da sua secularidade, é ainda um poço de surpresas e quando pensamos que já vimos tudo, eis que se nos escancaram novas surpresas; Algumas de fazer sorrir, outras de arregalar os olhos pelo ineditismo.

Para justificar a introdução, basta analisar as particularidades ou mesmo singularidade dos jogos desta última jornada do nosso campeonato em que estiveram envolvidas as equipas dos chamados "três grandes".

- No Sporting- Rio Ave (2-3), o defesa-central Coates foi um autêntico rio de asneiras de que resultaram outros tantos penalties e a sua expulsão, promovendo a vitória inédita (pelos penalties) dos de Vila do Conde, para mais num jogo em que esperavam os sportinguistas a consolidação do lugar de líder na tabela classificativa na frente dos rivais. Como dizem alguns adeptos leoninos, mais valia que o uruguaio fosse expulso logo na falta do primeiro penaltie;

- No F.C. Porto - V.Guimarães (3-0), a equipa da casa viu-se em vantagem numérica logo nos primeiros segundos do jogo. Não terá sido inédito (dizem que o record refere-se a uma expulsão aos 3 segundos num jogo nas divisões inferiores em Inglaterra, e mesmo aos 2 segundos em Itália, por insulto ao árbitro), mas estará seguramente entre os mais rápidos, pelo menos em Portugal e com referência ao tempo da partida. Certo é que com a vantagem de apenas um golo conseguida depois da superioridade de unidades, os "dragões" viram a vida facilitada e subiram a parada para 3-0 já depois dos vitorianos estarem a jogar com apenas 9 jogadores. Dizem que, apesar disso, não foi fácil. Pois não. Talvez se fosse contra 8...

- Finalmente, no S.C. Braga - S.L. Benfica (0-4), apesar de incontestável o resultado (fácil num jogo teoricamente difícil), não deixa de ser significativo que os dois últimos golos dos encarnados tenham sido auto-golos dos bracarenses. Não havia necessidade nem fizeram falta mas ajudaram a expressar a goleada.

- E porque os "pequenos" também são grandes, merece nota o Tondela - Santa Clara (0-0) com os serranos a falharem dois penalties, desperdiçando assim a vitória e 2 pontos. O culpado, logo se vê, é o treinador.

- Como se vê, houve de tudo e faria mais sentido se em vez de um período de final de férias estivéssemos em plena época de Carnaval ou mesmo no dia das mentiras. Mas o futebol é isto e para além das "tragédias" não faltam as "comédias", o que só confirma a sua teatralidade.

01/09/2019

Por terras de Santiago






Igreja Matriz de Santa Marinha de Palmaz, no concelho de Oliveira de Azeméis. Por aqui, o nosso ilustre conterrâneo, Pe. António Alves de Pinho Santiago, paroquiou de 30 de Agosto de 1963 a Julho de 2018, sendo que a despedida desta paróquia e comunidade aconteceu em Setembro de 2018. 

Para além de Palmaz, desde 1993 acumulou também a paroquialidade da freguesia de Travanca, também de Oliveira de Azeméis. Foram, pois, muitos e longos anos ao serviço das duas comunidades e que por isso as marcaram de forma positivamente indelével.

Quando visitamos Palmaz, a igreja encontrava-se encerrada, pelo que não pudemos observar e fotografar o seu interior. Fica para uma próxima visita. Em todo o caso teve significado estar perto de um local e templo marcante para uma ilustre figura guisandense.

Para o ano há mais


Para a larga maioria dos portugueses, mesmo que para os emigrantes na Suiça ou França, as férias já estão para trás e com Setembro a marcar o calendário, começa-se a pensar nas próximas, quiçá alguns dias no período de Natal.

As férias têm este encanto, o do suposto descanso ou pelo menos o desligamento das responsabilidades do trabalho e horários que marcam as rotinas quotidianas e simultaneamente o desalento na confirmação de que o que é bom acaba depressa.

De acordo com a medida da carteira, disponibilidade, limitações laborais e gostos de cada um, todos procuram ter as suas férias. Das mais extravagantes às mais simples e caseiras, há de tudo. Há quem prefira o campo, a montanha e o interior e outros o litoral, a cidade, o movimento e ruído, e a indispensável ida aos Algarves porque a praia é boa e faz bem ao ego nas redes sociais e porque enquanto por cá se comem sardinhas e carapaus, por lá come-se peixinho.

Há os que gostam e não dispensam duas ou três noites em cama alheia e há quem não dispense a sua cama de todas as noites. Há quem por cá goste de comer fora e há quem por estes dias vá para fora com a bagageira do carro cheia de alimentos para cozinhar.

Enfim, há para todos os gostos e acima de tudo o importante é que cada um faça como gosta e mais do que isso, como pode, sabendo-se que há que possa e não goze e há quem, não podendo, goze, nem que tenha que fazer uns empréstimos para gozar à grande, se não à francesa, pelo menos à portuguesa.

Há, também, os que precisam de férias para retemperar das férias. Sim porque, são muitos que o afirmam, as férias são cansativas p´ra caralho.

No final de toda este amálgama, há os que têm férias forçadas, ou porque estão doentes e incapacitados ou porque estão desempregados.

É a vida!... Para algum consolo mesmo que mitigado, resta sempre a  palavra batida de que...para o ano há mais!

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