31/10/2025

O castelo ruíu e não sobrou nada

Fui informado de que no fecho das contas da defunta União de Freguesias, apenas irá sobrar um saldo de pouco mais de 16 mil euros, o que dividido proporcionalmente pelas quatro novas freguesias, a Guisande calhará, mais coisa menos coisa, 3 mil euros. Sou de opinião de que esta verba seja doada a uma instituição de caridade.

Verdade se diga, a perspectiva deste saldo final tão insignificante nunca foi surpresa, pelo menos para mim, e de há muito se sabia que os cerca de 350 mil euros que a Junta do PS herdou do anterior mandato PSD iria ser gasto na totalidade. 

Com isto, tinham razão aqueles que disseram que assim não custava governar e fazer brilharetes, porque com o dinheiro deixado pela gestão de outros. Mas, tenho para mim, que quem mais culpa teve neste processo foram os que no anterior mandato, por manifesta incapacidade, por mau cálculo ou porque apenas poupadinhos, se permitiram ao luxo de deixar tão avultado saldo. Creio que no concelho da Feira e arredores terá sido inédito, deixar de fazer obras essenciais e melhoramentos necessários, para com isso perderem as eleições e, como se costuma dizer na gíria, e passe a expressão, "entregarem o ouro ao bandido".

Sendo assim, se bem ou mal gasto, certo é que foi gasto, quase até à última gota. Eventuais questões de obrigação ética e proporcionalidade em deixar um saldo similar ao recebido, aqui pouco contam para o totobola, porque certamente que foi gasto dentro de toda a legitimidade e legalidade. Se era bonito ser transmitido um saldo semelhante ao recebido? Concerteza que sim, até como prova de que uma boa gestão não precisa de prendas extra, mas isso já é entrar no domínio dos sonhos cor-de-rosa com fadas e unicórnios. O mundo real é outro e nem sempre se compadece com lirismos.

Em resumo, nada me surpreende este desfecho e estas contas. De resto, sabia-se que desde que a desagregação se transformou numa realidade, tornou-se claro que nada de substancial iria sobrar, e antes disso o compromisso assumido publicamente no apoio ao relvado sintético do campo de jogos do Guizande F.C.  já tinha ido ao ar.

Por conseguinte, sabia-se que o castelo da União de Freguesias, sem alicerces sólidos, estava a ruir e caíu assim, com estrondo, mas sem surpresa.  Agora é levantar dos escombros e voltar a pôr a nossa freguesia nos carris, porque em todo o tempo da união de freguesias foi de facto tempo perdido e com pouco proveito.

Quanto aos 3 mil euros, sim,  acho que se deviam doar a uma instituição de caridade. Concertza que o digo com alguma ironia, mas porque não? Seria simbólico.

A caminho dos 50

 





29/10/2025

Cadernos da Memória 2 - Compasso da Páscoa e Juíz da Cruz


Continuando com a série de apontamentos designada de "Cadernos da Memória", um olhar sobre a tradição na nossa freguesia sobre o Compasso da Páscoa e Juíz da Cruz.

Fica aqui o link para o documento: 

https://tools2web.live/livros/livro4?=v1

28/10/2025

Olhares de outros tempos

 


Fotografia da década de 1980, anterior à construção da alemeda frontal à igreja matriz bem como da construção da capela mortuária.

27/10/2025

Sondagem Analfabetismo / 83


Em 1983 o jornal "O Mês de Guisande", de que fui fundador e redactor, realizou um trabalho então inovador na freguesia de Guisande, o de fazer uma sondagem sobre o analfabetismo, a que designou de Sondagem Analfabetismo / 83.

Com dedicação e muito trabalho de campo e depois do apuramento dos resultados, foi feito um retrato quase fiel dessa situação que então, há mais de 40 anos, era ainda significativa. Concerteza que não foi possível realizar o trabalho de forma exaustiva abrangendo todas as casas, famílias e pessoas, mas mesmo assim de forma representativa e mesmo significativa.

Inicialmente o trabalho visava apenas a questão do analfabetismo mas, aproveitando o trabalho de campo, foi mais além e alargado a outros temas que enriqueceram o projecto e ajudaram a traçar o retrato da freguesia. Foi, pois, um documento importante e hoje, à distância temporal de mais de quatro décadas, é já um elemento histórico.

O trabalho, apesar dos meios escassos então disponíveis, sem computadores ou outras ferramentas que hoje dispomos, foi publicado com quadros e gráficos,  na edição de Setembro de 1984.

Partilho aqui o link para esse livro digital", que faz parte da série "Cadernos da Memória".

Segue o link:

https://tools2web.live/livros/livro3

25/10/2025

Nota de Falecimento - João Paulo Oliveira da Silva


Fomos confrontados com a notícia de que faleceu o jovem João Paulo Oliveira da Silva, filho e neto de gente da nossa comunidade de Guisande, sendo que residia em Louredo.

O funeral será amanhã, Domingo, dia 26 de Outubro, pelas 10:30 horas com cerimónias fúnebres na igreja matriz de Guisande. No final será sepultado no cemitério local.

Nesta hora de consternação, profunda perda e tristeza, expresso os meus sentidos sentimentos  aos pais, irmãos, avôs e demais familiares. Certamente a sua alma já estará em paz e que assim eternamente descanse.

24/10/2025

O que estará a acontecer?

São, de facto, cada vez mais correntes os episódios de agressões de filhos, mesmo de crianças, aos pais, de alunos aos professores, dos bandidos às forças de segurança e autoridade. No limite, como ainda agora esta semana, a notícia chocante de um filho adolescente, com 14 anos, em Vagos, a assassinar a mãe à queima-roupa, por motivos fúteis. Paralelamente parece registar-se uma onda de suicídios de gente jovem.

O que estará a contecer? Estamos a colher os frutos do que temos vindo a semear enquanto sociedade, que, com políticas centrais erradas e permissivas, tem vindo a desleixar ou mesmo a perder valores, como a importância da família, da autoridade e da disciplina?

Algumas reflexões e possíveis causas:

- Crise de sentido e de valores

É certo! Vivemos numa época de grande incerteza — moral, social e emocional. As referências tradicionais (família, religião, comunidade, escola) perderam parte da sua autoridade e coesão. Muitos jovens crescem sem um "norte" claro, sentindo-se perdidos, sem propósito ou esperança.

- Má influência das redes sociais e da cultura digital

As redes sociais têm tido um impacto enorme na autoestima, na perceção da realidade e nas relações humanas.

Comparação constante: Os jovens comparam-se com vidas "perfeitas" e sentem-se inferiores e insatisfeitos com a vida que têm.

Desumanização: O excesso de interações virtuais ajudar a diminuir a empatia e aumentar comportamentos agressivos.

Banalização da violência e morte, nas redes sociais, na televisão, no cinema, nos jogos, etc.

Isolamento: Apesar da hiper-conectividade, há solidão e sensação de desconexão real.

- Famílias fragilizadas e ausência emocional

A família convencional está cada vez mais desestruturada. Os divórcios são coisa vulgar com todos os problemas inerentes quanto ao enquadramento dos filhos. Em muitas famílias, há pais ausentes (mesmo que fisicamente presentes); falta de diálogo e escuta; sobrecarga emocional e económica; inversão de papéis (filhos com demasiado poder, pais sem autoridade).

O amor sem limites e a ausência de estrutura podem ser tão prejudiciais quanto o autoritarismo e a falta de afecto.

- Pressão psicológica e saúde mental

A ansiedade, a depressão e outros distúrbios emocionais estão a aumentar de forma alarmante entre jovens. As causas incluem: exigência de sucesso constante (escola, aparência, popularidade); insegurança quanto ao futuro; falta de espaço para lidar com a frustração e o erro.

Muitos jovens não aprenderam a gerir emoções — e quando a dor se torna insuportável, alguns dirigem-na contra si próprios (suicídio) ou contra os outros (violência).

- Contexto social e cultural mais amplo

Vivemos num mundo marcado por desigualdade e sensação de injustiça; consumo como valor central (o ter a ser mais importante que o ser); perda da confiança nas instituições; percepção de insegurança e descrédito das entidades que a deviam controlar;  discurso público agressivo e polarizado.

Tudo isso cria um ambiente emocional tóxico, onde a empatia e o respeito pelos outros, incluindo próximos, parecem estar em falta.

- Para uma pergunta de100 milhões de euros para a resposta certa, o que se pode fazer, sabendo-se que as coisas já não se resolvem apenas no seio familiar mas com medidas de carácter geral que envolva a sociedade e o próprio Estado, no que parece ser uma impossibilidade de inversão do combóio em movimento?

20/10/2025

Cadernos da Memória - 1 - Poder Local

 


Com tempo, pretendo ir publicando alguns apontamentos relacionados à nossa freguesia de Guisande, numa série a que chamo de “Cadernos da Memória”. Pretendem ser isso mesmo, retalhos da nossa memória comum, mais ou menos conhecidos, ou o contrário, conforme o tempo a que se reportam, mas com a finalidade de se tornarem presentes e preservados, de alguma forma, para o futuro.

Não se pretende que sejam apontamentos exaustivos nem há a pretensão de que sejam rigorosos, não porque o rigor seja dispensável mas porque, em muitos dos casos e temas abordados, são poucos ou mesmo inexistentes os documentos ou outros elementos que possam contribuir para uma mais substancial matéria e para o rigor que seria desejável.

Assim, o que aqui se produzirá, neste e futuros apontamentos, será o que for possível fazer no contexto dessa escassez de fontes, mas ainda assim como um contributo positivo e um subsídio para que no futuro possam ser retomados, melhorados e acrescentados.

O ficheiro pode ser acedido e lido a partir de um aplicativo online como se um livro. Espero que seja proveitoso.

[Fica aqui o link]





Festa do Viso 2026 - 1.º Torneio de Sueca

 

19/10/2025

Feirinha de Outono do Jardim de Infância de Fornos

 


Bonita iniciativa promovida pela Associaçao de Pais do Jardim de Infância de Fornos - Foi ontem, Sábado, 18 de Outubro, no Monte do Viso.




17/10/2025

Ao virar da página



Parte do passeio público defronte do edifício da antiga Escola primária da Igreja, está num estado deplorável.

Sendo que estamos a escassas 2 ou 3 semanas do final do mandato da actual Junta socialista da União de Freguesias, certamente já não haverá tempo para o seu arranjo e será já tarefa para a futura Junta de Freguesia de Guisamde. Mas outras obras e melhoramentos ficarão por realizar, nomeadamente a requalificação do Monte do Viso, as redes de saneamento, água e pavimentação do troço da Rua da Zona Industrial da rotunda a Fornos, etc. 

Também no terreno do referido edifício da antiga escola, a parte frontal está apossada de vegetação. Lembre-se que o edifício está ocupado com a sede do grupo de Concertinas "Alegres e Divertidos da Feira" e ainda do Banco Social do Grupo Solidário. Certamente que com a futura Junta os protocolos de cedência e utilização destes espaços devem ser actualizados e renovados.

Quem já passou por uma Junta de Freguesia, sabe que as coisas nem sempre se resolvem atempadamente, as necessidades são muitas e os recursos poucos, mas tal situação deixa de ser compreensível para a população quando passam longos meses sobre as situações sem que se resolvam.

16/10/2025

Fim de um ciclo?

Quatro dias após as eleições de Domingo passado, que na nossa freguesia, de resto na linha do que aconteceu no concelho e no país, deram a vitória à lista do PSD, aqui emcabeçada pelo Johnny Almeida, o cabeça-de-lista do PS, Celestino Sacramento, veio na sua página pessoal no Facebook, falar sobre o acto eleitoral, conforme o texto que abaixo se reproduz.

Agradeceu às pessoas que o ajudaram na campanha bem como às que lhe confiaram o voto.

Seria de supor que fizesse uma análise pessoal ao resultado da eleição, apontando o que é que correu bem e o que correu mal, a justificar a lista, as suas escolhas e a forma como decidiu fazer a campnha, mas sobre isso nada falou, uma posição que se respeita e supondo que considera que apresentou a melhor lista e fez a melhor campanha. Certamente que na sua consciência fez o melhor que pode.

Aproveita também para dizer que o seu ciclo político chega ao fim. Todavia esta afirmação é enigmática pois na realidade tem um mandato de quatro anos para desempenhar como chefe da oposição. Por conseguinte, em rigor, a menos que desista do mandato para o qual foi eleito, o seu ciclo político terminará só daqui a quatro anos.

A maior parte do texto é ocupada a elencar um conjunto de obras que realizou nos mandatos em que foi presidente de Junta entre 1997 e 2005, por isso há mais de20 anos. Diz que deixou obra feita e é verdade, mas não foi só ele mas aqueles que com qualidade e competência fizeram parte das suas equipas, como o Rodrigo Sá Correia, o Jorge Ferreira e o Valter Neves. O seu a seu dono.Teve de facto, bons elementos na sua equipa. 

É legítimo esta lista do seu trabalho passado, que foi de facto positivo enquanto presidente de Junta. Ninguém se esqueceu nem lhe beslica o trabalho, mas de facto passaram mais de duas décadas e nesta eleição a realidade e as exigências eram outras e mesmo uma boa parte dos eleitores também são outros, com novas formas de ver e encarar a política. Como já escrevi, há doze anos quando começou a União de Freguesias, quem então tinha seis anos hoje tem dezoito e capacidade de votar, por isso desconhecedores do que antes disso fizeram todos os presidentes de Junta. A renovação das gerações não se compadece com feitos do passado mesmo que deles se possa dar conhecimento.

Em todo o caso, importa dizer que no final desse período, em 2005 o Celestino já perdeu as eleições para um terceiro mandato, para o PSD com Joaquim Santos, num sinal de que apesar dessas obras referidas, não mereceu a renovação da confiança dos guisandenses. Eleições são mesmo assim e nem sempre o trabalho realizado é reconhecido no mandato seguinte. No final de cada mandato há novas caras e novas propostas e o eleitorado vai sendo renovado e confronta-se com novas escolhas.

Refere também no seu comunicado  que Guisande hoje é independente graças à sua acção. É totalmente verdade e a freguesia deve ficar-lhe sempre reconhecida. Por mim nunca esquecerei esse seu papel e também lhe estou reconhecido. Mas também poderia referir, e ficaria bem, que pelo menos igual importância nesse processo de independência teve o PSD em sede de Assembleia de Freguesia bem como o Rui Giro em todo o aspecto processual e jurídico. A coisa foi conseguida em conjunto e nenhuma das partes conseguiria sem a outra.

Sendo que considero que o tal ciclo político ainda não terminou conforme atrás disse, importa, todavia, dizer que o Celestino Sacramento perdeu a eleição com dignidade e honra e cumpriu o seu papel e o compromisso que disse ter com os guisandenses. Apesar disso, é fácil perceber que algumas coisas falharam, e vários apoiantes já mo  confessaram, quer na elaboração da lista quer na forma e conteúdo da campanha. Mas isso já é passado, e como diz, e bem o Celestino Sacramento, agora é esperar e desejar que a futura Junta faça um bom trabalho, mesmo que na parte inicial do texto diga que "nós não perdemos nada, mas a freguesia deve ter perdido". Aqui nesta frase talvez falte um pouco de humildade, pois também, em democracia, devemos dar o mérito aos adversários e confiar, em respeito a eles próprios mas também na maioria que neles votou.

Parabéns ao Celestino Sacramento, por tudo quanto fez pela nova independência da nossa freguesia e esta deve ficar sempre reconhecida. Guisande certamente que nunca esquecerá o seu papel, mas não era isso que estava em jogo e em disputa nas eleições deste passado Domingo. Era mais do que isso pelo que não deve sentir-se desconsiderado ou desrespeitado. É importante que estas coisas não se misturem e reconhecimento não é necessariamente obrigação. Neste aspecto, a  História dá-nos lições: Winston Churchill, apesar do seu papel fundamental de resistência à frente do Governo da Grã-Bretanha, saíndo vitorioso na II Guerra Mundial, logo de seguida perdeu as eleições para os trabalhistas, sem apelo nem agravo.

A finalizar, espero mesmo que não seja o fim de um ciclo e que na Assembleia de Freguesia o Celestino Sacramento seja o líder de uma oposição responsável e construtiva, um exemplo de civismo e serenidade, mas exigente e atento à actividade da Junta, tomando as posições que considere do interesse da população. É isso que espero e certamente que os guisandenses.

14/10/2025

Ninguém é profeta na sua terra

Com a vitória, por maioria, da lista do PSD na eleição para a Assembleia de Freguesia de Guisande, encabeçada por Johnny Almeida, Rui Giro é também uma das figuras eleitas e vencedoras e em princípio virá a assumir o importante cargo de presidente da Mesa da Assembleia. Também foi eleito directamente para a Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira.

Em bom rigor, qualquer elemento de qualquer uma das listas, com alguma preparação, poderia desempenhar essa função, mas convenhamos que é um cargo de responsabilidade e que exige alguns conhecimentos legais ligados às funções, competências e funcionamento deste importante órgão do nosso poder autárquico. Resulta deste pensamento que alguém com formação em Direito, estará, óbviamente, mais capacitado para o cargo.

Mesmo nos elementos agora eleitos pelo PSD, temos a Inês Bastos, advogada e jurista na Câmara Municipal de Albergaria a Velha, que bem poderia desempenhar esse papel com qualidade e competência. Isso também demonstra que a lista do PSD apresentou-se com gente jovem mas com formação superior no que, convenhamos, não sendo determinante, é sempre importante. 

Não obstante, e não tendo qualquer certeza ou indicação disso, creio que será mesmo o Rui Giro a vir a assumir essa responsabilidade, desde logo pela larga experiência, pois, recorde-se, já foi presidente da Assemblei de Freguesia ainda no tempo anterior à União de Freguesias, depois também já na União de Freguesias, para a qual foi eleito nos mandatos de 2014/2017, 2017/2021 e 2021/2025, para além de ser o presidente da Assembleia Geral da Associação do Centro Social S. Mamede de Guisande.

Sei eu, sabe o próprio, que em Guisande, junto de uma certa franja de pessoas, tem existido algum preconceito ou má impressão à volta da sua figura. Quanto a mim, de forma injusta, mas que como explicação, resultará de alguma inveja pessoal ou de facção,  bem como  resquícios de alguns  atritos do passado, nomeadamente decorrente do processo em que depois de difamado publicamente em contexto de uma assembleia de freguesia. A defesa do bom nome é um direito que todos temos pelo que o seu bom nome foi defendido na Justiça. Esta actuou e quem difamou sem qualquer provas e fundamentos foi naturalmente condenado. A decisão não agradou aos que na ocasião defenderam o difamador pactuando com a difamação. Um episódio triste mas marcante e que em parte ajuda a explicar um certo mau estar que ainda parece subsistir, mesmo que já passados mais de vinte anos.  Quem não se defenderia perante uma difamação torpe no contexto de um órgão de poder local?

Por outro lado, na sua profissão de advogado, nomeadamente em causas a envolver guisandenses, naturalmente que provoca sempre algumas antipatias do lado a quem a Justiça não dá razão, o que é natural mas injusto. A Justiça, gostemos ou não, seja lenta ou susceptível de ser subvertida por quem tem dinheiro e poder,  deve ser cega e não se compadecer com o que não respeitar a lei e os direitos de cada um, seja pessoa singular ou colectiva. Os advogados, todos, têm este ónus contra si, o de serem defensores, ora de Deus ora do diabo, por conseguinte agradando a uns e desagradando a outros.

Por conseguinte, conhecendo o Rui Giro desde os meus tempos de escola primária, e com ele estive na fundação e actividade da Associação Cultural da Juventude de Guisande, do jornal "O Mês de Guisande", da Rádio Clube de Guisande e depois na fusão e actividade com a Associação Cultural de Guisande "O Despertar", por isso mais de duas décadas ligadas ao associativismo e à cultura na nossa freguesia, compreendo alguns dos factores para essa antipatia e até algum preconceito, mas que, como disse, considero totalmente injustos e imerecidos.

Queira-se ou não, goste-se ou não, o  Rui Giro é uma pessoa interessada pela sua freguesia e nela tem sido uma importante figura, no contexto associativo, cultural, político e até mesmo empresarial e quem dera a muitos de nós, guisandenses, ter no seu currículo esse peso e ligação à freguesia. Infelizmente, alguns dos que nutrem e semeiam por ele essa antipatia ou pouco apreço, provavelmente nunca nada fizeram pela comunidade, passando ao lado da sua história e do seu dia-a-dia. E se fizeram, nunca contribuiram para a união da comunidade, antes dividindo para reinar.

No que foi esta campanha eleitoral, alguns terão discutido se para a lista do PSD teria sido mais vantajosa ou prejudicial a presença do Rui Giro. Admito que alguns consideram que sim e outros que não. Pessoalmente, pela realidade que atrás descrevi, acho que a sua presença na lista foi positiva mesmo que a contragosto de alguns. A sua qualidade de jurista, de oratória e experiência no cargo de elemento de Assembleia de Freguesia, incluindo no papel de seu presidente, não tem paralelo na freguesia no momento presente. Concerteza que já tivemos pessoas no passado a assumir essa função, até com a qualidade adequada, mas no presente não estou a ver melhor, até porque os que têm capacidade não se querem meter nestas coisas ou já numa fase da vida a que pouco ou nada dispensam do seu tempo e interesse.

Por conseguinte, de forma pragmática, e mesmo sabendo que o próprio até tinha a vontade de não fazer parte, a sua introdução na lista foi positiva. Quem gostou, gostou, quem não gostou não gostou e por isso, de uma forma ou outra, teve oportunidade e pôde exprimir-se na votação. Ora, como se sabe, a lista em que se integrava venceu democraticamente por uma diferença significativa e certamente que o Rui Girto voltará, e bem, a ser o presidente da Mesa da Assembleia no recomeço de um ciclo importante.

Finalmente, e convém não esquecer, gostem alguns ou não, se é certo que ao Celestino Sacramento todos, devemos estar reconhecidos e gratos pelo seu papel no processo e luta pela desagregação de freguesias, que nos trouxe a independência, não foi em nada menor a importância e o papel do Rui Giro nesse processo, bem como da lista do PSD na Assembleia da União de Freguesia que votou unanimemente a favor da desagregação, ao contrário de alguns elementos da mesma Assembleia, de Guisande ou com familiares em Guisande, que pelo PS votaram contra ou abstiveram-se. Está escrito e registado para memória futura. De resto, durante o processo, fui acompanhando de perto a evolução e o papel importante que teve o Rui Giro, nomeadamente já na parte final e depois de numa primeira apreciação a desagregação da nossa União de Freguesias ter sido reprovada. O seu papel formal e jurídico, bem como diligências informais junto de quem tinha poder de influência,  foi fundamental no agendamento da sessão extraordinária e clarificação da freguesia de Lobão, tornando possível, in extremis, que o processo fosse reapreciado e aprovado.

É pois, muito injusto que este papel do Rui Giro seja ignorado ou desconsiderado ou que apenas se atribuam os louros ao Celestino Sacramento, mesmo que merecidos. De resto, este, em conversa pessoal, reconheceu o papel importante do Rui Giro. O Celestino Sacramento pode ter perdido agora um acto eleitoral, democraticamente e que o enobreceu, mas é um homem de honra e palavra e por isso teve esse reconhecimento a favor do papel do Rui Giro. Mesmo quem não se simpatize com a figura do Rui Giro, e não temos que simpatizar ou ser amigos de toda a gente, só não reconhece este papel importante e dedicação às causas da freguesia quem estiver de má fé e ronha pessoal.

Dos fracos não reza a história, mas o Celestino Sacramento e o Rui Giro, goste-se ou não, farão parte do lado certo e nobre da história de Guisande e isso não pode ser negado nem apagado, no presente e no futuro. Quem não gostar, que se amanhe e que se coce.

Diz-nos a Bíblia e o Evangelho que ninguém é reconhecido como profeta na sua terra, mas alguma má impressão, antipatia ou mesmo preconceito de uma franja de guisandenses contra o Rui Giro, repito,  é de todo injusta, imerecida e mesmo sem fundamento. Mas é o que é e mal estaríamos se fôssemos condicionar a nossa vida e a nossa forma de ser e estar, ao sabor do vento e dos humores de algumas pessoas incapazes de dar mérito a quem o merece. Gente assim, invejosa e incapaz de reconhecer o mérito a terceiros há em todo o lado e também em Guisande. É o que é!

13/10/2025

Guisande - Resultados da eleição para a Assembleia de Freguesia de Guisande - 2025

 





PSD: 461

PS: 333

Brancos: 17

Nulos: 20

A experiência (e competência) é um posto

Ontem nas duas secções de voto em Guisande, entre gente jovem, alguns dos quais não conheci (sinal de que estamos a ficar velhos), mas certamente competentes, foi com satisfação que voltei ali a ver o Jorge Ferreira. Sinal de experiência, competência e rigor. Ouvi contar que até aconteceu ali um episódio digno dos apanhados, mas que com a sua experiência soube resolver.

Velhos são os trapos e o Jorge ainda continua a ser das coisas boas na freguesia, pelo passado mas ainda pelo presente. De resto, se importa sempre dar lugar aos novos, por vezes é importante salpicar as coisas com experiência. 

O mal, por vezes, é não são sermos capazes de perceber este equilíbrio tão necessário quanto útil.

Parabéns ao Jorge Ferreira, mas também  a todos quantos, mesmo que pagos, contribuiram para mais este acto de democracia.

Parabéns aos vencedores e honra aos vencidos - A análise.

 


Ontem foi dia de eleições.

Feitas e fechadas as contas, na eleição para a Assembleia de Freguesia de Guisande, venceu a lista do PSD encabeçada por Johnny Almeida, obtendo 461 votos contra 333 da lista do PS, encabeçada pelo Celestino Sacramento. Uma diferença significativa, com 58% dos votos válidos.

Como já escrevi ontem, logo após serem conhecidos os resultados, devemos dar os parabéns aos vencedores e honrar os vencidos porque ambos numa disputa nobre.

Agora, neste que será o início de um novo e importante ciclo para a nossa freguesia, é momento de união, é tempo de unir a comunidade e dar-lhe as respostas e a proximidade que estiveram ausentes ou em défice nos 12 anos anteriores.

De resto, considerando a vitória do PSD nas três das quatro freguesias de ainda União, pois que em Lobão, como se esparava, venceu o PS com David Neves, de algum modo pode indicar que essas freguesias menores não estavam, de todo, satisfeitas com a gestão socialista mas sobretudo com o modelo falhado.

No que antes fui escrevendo e partilhando por aqui, mesmo que sem qualquer obrigação ou dever de isenção, procurei ser pedagógico e positivo tanto quanto possível, acima de tudo por respeito a ambos os candidatos e elementos de ambas as listas. Fui convidado pelo PSD e tendo recusado, indiquei como uma boa opção a figura do Johnny Almeida,  e também fui convidado posteriormente  pelo Celestino Sacramento, numa demonstração de confiança que agradeci e agradeço a ambos. Todavia, tinha-o dito, a única forma de eu participar seria no contexto de uma lista independente. Apesar dessa minha proposta, os partidos e as figuras principais a eles relacionados não a aceitarem ou mostraram desinteresse.

Apesar de tudo, porque já vi muitos filmes eleitorais, sempre tive a expectativa do desfecho ser mais equilibrado, e decidido por escassos votos. Pelo contrário, a diferença conseguida é significativa e categórica e creio que por isso poderá e deverá ajudar a união da comunidade se entendida num espírito democrático de valorizar quem venceu e pela diferença que foi.

Agora, se me é permitida uma análise pessoal, tanto dos resultados como dos momentos de pré campanha e campanha eleitoral, foi notória uma maior dinâmica e de forma incisiva, por parte do PSD e bem menos visível por parte do PS, tanto nas redes sociais como no terreno. Pelo PSD fui vendo uma campanha organizada, com equipas de acompanhantes e representativa da lista. Ao contrário, pelo PS fui vendo uma campanha desgarrada, com elementos sozinhos ou mal acompanhados e elementos da lista que nem sequer vi em acção. Na minha caixa de correio apenas apareceu um elemento de nível concelhio. Os elementos relacionados à freguesia fui eui próprio a pedir a um elemento da lista que andava sozinho a distribuir no lugar da Gândara. Nas redes sociais, vi os elementos da lista a apoiarem-se a eles próprios, numa manifesta falta de apoio e creatividade por parte de quem geriu a campanha na componente da imagem e comunicação. 

As campanhas valem o que valem, podem valer muito, pouco ou nada, mas em certos contextos podem fazer a diferença. Creio que neste contexto, em Guisande terá feito alguma diferença.

Também a composição das listas: Ambas com gente boa, gente nossa, gente válida, mas o PS e Celestino Sacramento não conseguiram rejuvenescer a sua lista, sobretudo em lugares cimeiros e elegíveis, por isso com uma média de idades muito alta comparativamente à lista adversária e incluindo elementos que notoriamente entraram apenas para fazer número, mesmo no importante terceiro lugar da lista. Mas compreendo que possa ter havido dificuldades na angariação de elementos. Cada vez mais são menos os que querem meter-se nestas coisas que exigem compromisso e responsabilidades.

Já o PSD, mesmo sem deslumbrar, conseguiu uma lista equlibrada, com uma equipa jovem, com gente formada e em teoria apta a um dinamismo diferente, sendo que naturalmente agora virá o tempo de dar provas disso.

Voltando aos motivos para este resultado, serão sempre subjectivos e por isso dados a diferentes análises e interpretações, mas creio, pelo que fui vendo, ouvindo e conversando com muitos guisandenses, que o Celestino Sacramento saiu penalizado por introduzir na campanha, de forma muito activa, uma figura ligada a um passado de deficiente gestão e com abordagens e métodos duvidosos ou mesmo já ultrapassados. 

Além disso, essa figura, falo do Sr, Elísio Monteiro, que até reconheço que sempre foi uma pessoa prestável e válida noutros contextos, nomeadamente no Guizande F.C., enquanto dirigente, no entanto na política foi sempre um quase desastre, com características muito singulares, com uma maneira de fazer política ultrapassada,  própria de década de 70 e 80, mas já não, seguramente, nos tempos actuais. Ademais, convém não esquecer que na gestão da Junta em que participou e foi figura predominante, na transição para a União de Freguesias, mesmo que com narrativas a negar as evidências, deixou um montante de dívidas não cabimentadas na ordem de 150 mil euros, valor que correspondia, grosso modo, ao orçamento anual. A maioria do eleitorado expressou-se agora, de forma categórica no sentido de dizer que não era este o método, a forma e "o bom caminho" a seguir.

Por conseguinte, parece-me que nesta campanha, esse elemento singular terá prejudicado mais do que o que conseguiu capitalizar. Mas não é ele o responsável, pois nem sequer constava da lista, mas sim o próprio Celestino Sacramento, que não só permitiu essa abordagem como com ele andou lado a lado e até com ele se fez representar em cartazes. Por conseguinte, não se deve envergonhar o cabeça-de-lista do PS de quem, à sua maneira, o pretendeu ajudar, porventura até fez bem mais que vários elementos da lista, mas, terminada a eleição e conhecidos os resultados, deve também tirar as devidas lições e ilacções. 

Para além do mais, ainda antes de ser conhecida publicamente a sua candidatura, já o Sr. Monteiro andava na rua, afanadamente, porta-a-porta, a falar e a prometer o que não devia falar nem prometer. Deveria, logo no primeiro momento, ser o Celestino, o comandante do barco, o cabeça-de-lista, a dar a cara, a apresentar-se a si e à sua lista, a expor as suas ideias e propostas. Mas não foi assim e só entrou em campanha tardiamente e nem sequer realizou uma apresentação pública perante o seu eleitorado de modo a galvanizar. Tudo soma numa campanha, o que se faz ou deixa de fazer, nas pequenas ou grandes iniciativas.

As coisas são como são, e como já escrevi, hoje em dia, a forma de ver a política, sobretudo ao nível de freguesias pequenas, como a nossa, onde as pessoas se conhecem relativamente bem, esse tipo de campanha com promessas e mais promessas, ainda por cima sem legitimidade, já não convencem ninguém. As histórias que fui ouvindo à volta desse tipo de abordagem, em algum sentido até são surreais e demonstrativas de que a coisa tinha tudo para correr mal.E correu.

Posto isto e apesar de tudo, considero que Celestino Sacramento também foi um vencedor no sentido em que cumpriu o que considerou ser uma missão e compromisso com as gentes de Guisande. Talvez o tenha feito de forma deficiente e com algumas lacunas e dificuldades, mas fê-lo. Honra lhe seja feita. Por isso e por mais, mantém-se todo o meu respeito e estima pelo Celestino Sacramento, que cumpriu o seu papel com honra e dignidade e passados os primeiros dias de desânimo da perda, voltará ao sossego do seu dia-e-dia, livre destas responsabilidades e canseiras, que bem sabe que são exigidas a uma Junta de Freguesia, onde nunca se agrada a todos e as necessidades são muitas e os recursos poucos.

Por mim, continuará sempre a ser uma pessoa que pela sua acção no processo de desagregação merecerá ser respeitado e lembrado na história da nossa freguesia de Guisande, que agora recomeça como freguesia independente.

Volto a repetir-me, pela parte que me toca, estarei disponível para apoiar e colaborar com a futura Junta, desde que seja útil e solicitado, mas também estarei atento e a apontar o foco para o que entender não corresponder a uma boa gestão, e para o que considerar como desleixo e incompetência.

Parabéns aos vencedores e honra aos vencidos, nomeadamente ao Johnny Almeida e ao Celestino Sacramento.

Agora. mãos à obra!

11/10/2025

Festa em honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António - Comissão de Festas 2026


Já há Comissão de Festas para o ano de 2026, para organização da nossa Festa do Viso. Um grupo de homens e mulheres que vão dedicar-se à realização de uma festividade secular e que em muito representa a nossa herança e identidade cultural e social. 

Vamos, pois, ajudar  o grupo, com o nosso apoio e a nossa participação para que continuemos a ter orgulho num evento anual que é mais que uma festa popular, sobretudo um motivo de encontro da comunidade, com presentes e ausentes.

Marco André Dias Neves – Estôze – Juiz 

Jimmy Fernando Ribeiro – Casaldaça – Tesoureiro

Rafael Serralva Almeida Bastos –Barrosa – Secretário 

Hélder Manuel da Silva Rodrigues – Outeiro – Vogal 

José Manuel Oliveira Batista – Gândara - Vogal

Afonso Silva de Almeida -Fornos – Vogal 

João Carlos Gonçalves Teixeira – Teixugueira – Vogal 

Ana Sofia Silva Leite – Gândara – Juíza 

Beatriz Almeida Batista – Reguengo – Procuradora 

Sejam bem-vindos e bem-vindas

A propaganda e a campanha eleitoral, de um modo geral mas também na nossa freguesia, vistas por um certo prisma e com alguma equidistância, até têm coisas engraçadas, mesmo que com laivos paradoxais.

Pessoas mais novas e mais velhas, todas boa gente, que nunca vimos mexer uma palheira na dinâmica da freguesia ou da paróquia, e até muito raramente vistas e aparecidas nas dinâmicas da freguesia, como uma festa ou evento, de repente, pela mão e imaginação dos iluminados profissionais do marketing político dos partidos, quiçá com recurso a Inteligência Artificial, são elevadas a um patamar de relevo, quase de santidade, dadas como dinâmicas, interessadas, apaixonadas pela sua freguesia, como se andemos todos cegos e incapazes de perceber a diferença entre o ser e o parecer.

Apesar de tudo, pessoalmente desejo que isso possa ser positivo e que se aproveitem a oportunidade e este palco da propaganda eleitoral para que essas mesmas pessoas, até aqui desaparecidas ou discretas nas suas vidas pessoais, passem a ser mais activas e dinâmicas no envolvimento da freguesia e nas suas diferentes acções, aparecendo e pondo-se ao serviço. Afinal de contas, não somos muitos e todos somos precisos. 

Sejam, pois, bem-vindos e bem-vindas!

10/10/2025

O que é que eu quero da futura Junta de Freguesia de Guisande


São conhecidas as listas, os protagonistas e as suas ideias, medidas e projectos embora, de um modo geral, ninguém tenha esclarecido de que forma algumas dessas ideias serão concretizadas, sobretudo as que dependem de vontades terceiras.

Asssim, neste próximo Domingo, dia 12 de Outubro, decidirão os eleitores guisandenses, escolhendo aqueles que nos próximos quatro anos farão a gestão da freguesia nos diferentes aspectos que a a lei e as competências conferem. 

Uns votarão de forma esclarecida e considerando as capacidades de cada lista, de cada elemento, sobretudo das três primeiras figuras. Outros escolherão apenas de forma convictamente partidária, clubista mesmo, independentemente da qualidade dos elementos da sua lista ou da concorrente. Outros, ainda, decidirão porque foram pressionados até à exaustão, quiçá com promessas com o interesse privado a sobrepor-se ao público.

Quanto a esta questão da pressão sobre as pessoas, em 2014, no sentido de ajudar a freguesia num ciclo de transição para a União de Freguesias, fiz então uma campanha quase solitária, falando com todos e todas, expondo as minhas ideias e sobretudo os motivos que me levavam a ter acedido a participar, num propósito de ajudar e minimizar a perda de proximidade. Nesse contexto, uma coisa posso garantir: A ninguém pedi ou pedinchei o voto, nem fiz promessas cujo cumprimento não dependia de mim cumprir, até porque era sabido que não seria mais que um vogal, sem competências. Ninguém, de boa fé, pode dizer-me o contrário. Em campanha não se devem pedir votos, mas apenas apresentar as ideias, os projectos, as propostas para que o eleitorado possa decidir de forma esclarecida. O resto, a decisão, é da livre vontade de cada pessoa. Considero, por isso, que é feio, muito feio, pedir o voto ou, pior do que isso, tentar comprá-lo ou condicioná-lo.

Por conseguinte, em 2014 o meu foco foi sempre esclarecer e sensibilizar as pessoas para a mudança que se avizinhava e que já antevia como prejudicial à nossa freguesia. Infelizmente não me enganei  e sendo que esse mandato de apenas 3 anos foi difícil, com pesados compromissos e dívidas herdadas, teve o mérito de assegurar a mudança de uma realidade para outra e colocar a união de freguesias a funcionar e ainda se fez alguma obra. Do pouco que dependia de mim, estive sempre próximo e atento e cumpri até para além das minhas competência, que eram nenhumas.

Certo é que, com essa atitude de transparência e de honestidade, sem sofismas, pressões ou promessas, consegui vencer por maioria, mesmo a lutar contra quem à frente e atrás realizava uma campanha suja, com recurso a ataques pessoais e até mesmo lutando contra uma imagem negativa ou com muitas reticências que o então candidato a presidente gozava na nossa freguesia, em muito devido a desinformação e a essa campanha suja que ía sendo feita à frente.

Apesar dessas dificuldades e do que foi possível realizar nesse mandato, considerei que o modelo de gestão seguido não correspondia ao que tinha perspectivado e que seria melhor para as freguesias, e daí que com toda a naturalidade recusei continuar.  Não era o meu modelo e o seguido não respeitava as freguesias e suas particularidades e necessidades.

Mais dois mandatos se seguiram e apesar de herdarem ambos bons saldos positivos, e com as coisas já a funcionar, as coisas não melhoraram, antes pelo contrário. Melhoraram nalguns aspectos mas no essencial ficou tudo na mesma.

Doze anos depois, chegados aqui, foi possível a desagregação e é com ela que agora contamos e assim vai iniciar um novo ciclo, já com a freguesia a ser gerida por guisandenses e a depender de si própria.

Retomando o pensamento inicial, a partir do próximo Domingo, ou mais concretamente depois da tomada de posse, que deverá ocorrer por meados de Novembro, teremos um Assembleia de Freguesia, como órgão de fiscalização e deliberação e uma Junta de Freguesia como executivo.

Considerando que em Guisande apenas concorrem duas listas, significa que bastará a qualquer uma delas vencer por um voto de diferença para alcançar maioria e assim governar sem necessidade de acordos. Num contexto de pluralidade, é pena que sejam somente duas listas, porque permitiria uma terceira opção. Numa analogia com cores, os guisandenses para além do branco e preto poderiam optar pelo cinzento.

Neste contexto, e independentemente de quem venha a formar Junta,  cada um falará por si mas por mim desejo que seja uma Junta de Freguesia a gerir com competência, com rigor no aspecto de contas, com proximidade, com inovação, com dinâmica e capacidade de ir além do quanto baste. Espero uma Junta que não nos envergonhe, dentro ou fora de portas, capaz de ajudar e dinamizar a cultura, o desporto, a valorizar o nosso passado e presente, a ser capaz de melhorar, requalificar e realizar obras necessárias. Que seja capaz de requalificar o monte do Viso, a envolvente da igreja matriz, na sede da Junta, modernizar os espaços, renovar e cuidar do arquivo, que não se percam livros de actas ou outros documentos como aconteceu num passado recente. Que toda a documentação, incluindo comunicações, ofícios, actas de reuniões de Junta e Assembleia de freguesia, seja feita com competência e qualidade e não apenas resumos mal escritos em meia folha A4, como também num passado recente.

Não é pedir muito e quem quer que aceite fazer parte de uma lista e por isso sujeito a vencer eleições e depois a assumir funções públicas, tem que ter capacidade e competência naquilo que tem de fazer. Os tempos actuais não se compadecem com amadorismo ou com iliteracias. O tempo de contas em papel de mercearia e pouca ou nenhuma transparência é do passado.

Espero também que os dinheiros sejam geridos de forma rigorosa e transparente, e que não sejam mal gastos, por vezes na tentação de coisas populistas, apenas baseadas em pão e circo, sem retorno, cuja utilidade se esgota num dia ou dois, ficando o essencial por realizar. Importa, pois, o equilíbrio e bom senso.

Em resumo, espero eu e certamente que muitos guisandenses, que a futura Junta seja mesmo capaz, para além das palavras bonitas e idealistas que se possam dizer e prometer em campanha. 

Como já escrevi por aqui noutro apontamento, repetindo-me, digo que pela parte que me toca, independentemente de quem venha a formar Junta, estarei disponível para apoiar e colaborar, desde que útil nos meus poucos talentos, e se solicitado, mas também estarei atento e  a apontar o foco para o que entender não corresponder a uma boa gestão, e para o que considerar como desleixo e incompetência. Acima de tudo quero ter orgulho na Junta da minha freguesia e não vergonha. Importará unir a freguesia e a comunidade e só com uma Junta capaz e competente é que isso será feito. 

Finalizo a expressar a pena de não ter sido possível concretizar com tempo uma lista independente, a unir gente boa de ambos os partidos, a remar para o mesmo lado. Nesse contexto daria o meu humilde contributo. Infelizmente, apesar do meu repto, feito por aqui e pessoalmente a quem poderia decidir, ficou sem efeito e preferiram dar prioridade aos partidos. Foi pena, mas a vida continua e de uma forma ou outra temos duas opções de escolha.

Desejo a todos e a todas que neste Domingo façam a escolha, livre, esclarecida e, se possível, sem clubismo, partidarismo, obrigações ou pressões.

Jardim de Infância de Fornos - Feirinha de Outono

 


09/10/2025

Bom senso e caldos de galinha

Nestas coisas, cada um é cada um e cada cabeça sua sentença. Admito que outros pensarão o contrário do que a seguir procuro reflectir.

Por mim, mesmo que até com risco e tentação em caír no mesmo pecado, procuraria não permitir que o que faço ou não ao serviço da paróquia e da Igreja fosse usado em contexto de campanha eleitoral. E por certas coisas que vou vendo, e conhecendo como julgo conhecer algumas pessoas, até fico na dúvida se essas coisas foram por elas  autorizadas ou se, pelo contrário, ao arrepio do seu conhecimento e autorizaçao, este o motivo para o qual me inclino.

Sem particularizar, as pessoas são o que são e valem pelo seu todo, e num meio pequeno como o nosso e nas pequenas freguesias, são por demais conhecidas, nas suas virtudes e defeitos, e não precisam de apresentações nem que um qualquer estratega de marketing político, até usando a Inteligência Artificial exagere e exacerba as suas virtudes como trunfo ou relevância em contexto político. Não havia mesmo necessidade.

Não me refiro a ninguém em particular, mas apenas pelo que tenho visto, com esta situação a ser explorada em várias campanhas e em várias freguesias. Considero que não é a melhor forma para quem de algum modo, por livre opção, decide entrar em contexto político e eleitoral , usar ou deixar usar em sua promoção o serviço que presta na Igreja, por mais valoroso e louvável que seja.

Admito, isso sim, que sejam destacados os aspectos de cidadania cívica de quem está à frente de uma associação, de um clube, de um movimento, os seus feitos culturais e sociais, etc, pois revelam interesse e dedicação pelas causas de uma comunidade, mas já quanto ao papel em contexto de serviço à Igreja, parece-me pernicioso e até perigoso pela mistura, pois se na parte civil é legítimo que cada um e cada uma tenha a sua opção politica e ideológica, já na Igreja as pessoas têm que se pautar por outros valores que não os políticos, desde logo o de serviço discreto, com humildade e na máxima evangélica de que "somos apenas servos inúteis no muito ou pouco que façamos".

Mesmo na sociedade civil, em defesa da laicidade e respeito por outras orientações religiosas e culturais, há muito que se retiraram os símbolos religiosos das nossas escolas e instituições públicas pelo que é neste sentido que também devem ser guardadas as devidas distâncias.

O bom senso, a humildade e a discrição ainda são valores que importa ter em conta.

Mas isto sou eu a opinar e não quero dar lições a quem quer que seja, mas pelo menos, num sentido geral. que se faça a reflexão quanto às vantagens e desvantagens.

Por mim, em contexto local, não preciso que me lembrem em panfletos políticos as virtudes das pessoas, desde logo porque as conheço. Iremos muito mal quando o nosso sentido de voto numa qualquer eleição política possa ter em conta quem anda mais ou menos pela Igreja, quem é católico, muçulmano ou de qualquer outra religião.

Pelo sim e pelo não


Pelo sim e pelo não, como já passou uma semana e ainda não foi feita a reparação, reportei a avaria à E-REDES. Escusado será dizer que também reportei o assunto à Junta de Freguesia até porque a árvore estava a impedir o trânsito. Na Rua de Trás os Lagos, defronte da instalação Patrícios. 

Um eucalipto, estranhamente, sem vento nem chuva, caíu do terreno para a rua e partiu o cabo da iluminação pública, tendo este estado no chão pelo menos até ontem.

Noutros tempos alguém tinha a preocupação de dar uma volta pela freguesia, diariamente, de manhã e à noite para detectar eventuais anomalias, nomeadamente após eventos de mau tempo. 

Outros tempos, onde havia aquela coisa chamada interesse e proximidade!



07/10/2025

Guisande - Aproxima-se a mudança


A data das eleições autárquicas será já no próximo Domingo, 12 de Outubro. Estamos, pois, a escassos dias de terminar a campanha eleitoral.

A nossa freguesia, como outras que almejaram a desagregação, está numa fase importante, já que Guisande voltará a ser independente, depois de um lesivo período de 12 anos numa união de freguesias que nada acrescentou, tendo sido objectivamente prejudicada, sem investimento em obras e melhoramentos compatível com pelo menos 1 milhão e 800 mil euros (contas por alto para o período de 12 anos), sabendo-se que antes da união a nossa freguesia já gerava anualmente orçamentos de 150 mil euros de receitas, por isso já não contando com a majoração das receitas da união de freguesia logo no primeiro ano nem com o aumento das receitas por parte da Câmara Municipal. 

Para aqueles que porventura ainda defendem as vantagens da união de freguesia, deixo o desafio de fazerem contas face ao que foi feito do orçamento da união de freguesia nos útlimos 12 anos, sendo que no primeiro mandato (apenas de 3 anos) até terá sido aquele em que mais se gastou em Guisande, desde logo com o pagamento das dívidas herdadas, num valor de cerca de 150 mil euros.

Neste contexto, a nossa freguesia está a poucas semanas de passar a tomar conta dos seus destinos, passando a ser gerida por guisandenses e todas as receitas nela aplicadas e já não a ser prejudicada em favor de outras freguesias, como efectivamente aconteceu. A panaceia de a União de Freguesias servir para mitigar assimetrias, foi isso mesmo, uma panaceia, uma descarada ilusão. Não só não foram limadas essas diferenças como até acentuadas.

Olhando agora para as duas únicas listas concorrentes, do PDS e PS, lideradas por Johnny Almeida e Celestino Sacramento, figuras que me merecem simpatia e consideração, tem sido notória uma grande diferença na dinâmica de campanha. Desde logo, Johnny Almeida fez uma apresentação pública da sua lista aos guisandenses, em Guisande, enquanto que Celestino Sacramento apenas o fez ao nível municipal, em Santa Maria da Feira.

Nas redes sociais tem sido notória uma maior dinâmica na lista do PSD. Pelo PS, vejo pouco destaque e sem grande imaginação, em que os próprios componentes da lista aparecem como apoiantes da mesma.

No porta-a-porta, o PSD tem-no feito em equipas enquanto que pelo PS tenho visto apenas alguns elementos sozinhos, desgarrados, incluindo um elemento que não fazendo parte da lista tem feito campanha em nome dela, fazendo promessas e mais promessas, mesmo que sem legitimidade para as fazer, deixando adivinhar que caso vença o PS poderá ser essa pessoa a fazer o papel  de presidente. Espero bem que não. Seria um retrocesso e algo nunca visto, alguém não eleito e nem sequer a integrar a lista, a fazer de presidente, de secretário ou tesoureiro ou seja lá o que for. A sua ligação a uma Junta de má memória e de pesadas dívidas para a União de Freguesias não deve ser esquecida. A memória não pode ter perna curta.

Apesar de tudo, bem sabemos que as campanhas a este nível local, valem o que valem. Podem valer muito, pouco ou nada. Por outro lado, se há eleitores que se vendem por pouco, por uma promessa de vantagem ou de outra natureza, ou até pela dimensão da campanha, a maioria ainda pensa pela cabeça própria e é capaz de decidir em função de valores e factores que considera como importantes.

Posto isto, está-se a esgotar o período de campanha e depois, no próximo Domingo, será a vez dos eleitores, esses, sim, a decidirem, bem ou mal, de acordo, ou não, com as percepções ou peso da campanha ou das figuras que fazem parte da lista, nomeadamente os três primeiros.

Por mim já decidi em quem votar. Será ou não uma decisão acertada? O tempo o dirá. Apesar disso, tenho, por enquanto, procurado ter alguma imparcialidade e não me pronunciar de forma directa, mesmo que tenha o direito de me declarar a favo de A ou B, com ou sem justificação. Se o farei, ou não, até ao final da campanha, é uma decisão minha. Espero que não venha a ser necessário até porque nem acho que isso seja relevante ou que possa influenciar quem quer que seja.

Espero, isso, sim, elevação e civismo no resto da campanha e que a aquipa vencedora, o Johnny Almeida ou o Celestino Sacramento, sejam capazes de fazer um trabalho competente, dinámico, até inovador, de proximidade, de união e e com muito rigor e transparência na gestão e contas. É pedir muito? 

Pela parte que me toca, independentemente de quem venha a formar Junta, estarei disponível para apoiar e colaborar, desde que útil e solicitado, mas também estarei atento e  a apontar o foco para o que entender não corresponder a uma boa gestão, e para o que considerar como desleixo e incompetência.

06/10/2025

Filmes e artistas - Fruta da época


Alguns dos momentos da actual campanha eleitoral que vou vendo em algumas freguesias próximas, e partilhados nas redes sociais, nomeadamente aqui pelo Facebook, no meu ponto de vista cheiram a ridículo. Não é natural, não é genuíno, com os candidatos a procuraram ser actores, a encenar previamente frases e poses, como se a fazer um filme.

Não havia necessidade. Os eleitores já estão fartos de filmes e de artistas. Tirando aqueles que fazem do partidarismo o primeiro factor de escolha, por isso apenas com olhos para os seus candidatos, sem qualquer outro critério, o resto do povo deve ser capaz de fazer as suas escolhas por coisas bem mais concretas, mais reais, menos artificiais e menos produzidas. Valesse o show-off e apenas ganhava quem tivesse mais bandeiras, mais outdoors, mais filmes, mais gente nas arruadas, mais barulho.

Na realidade, isso vale o que vale. Na hora da verdade pode nem valer nada. Muitos eleitores, cansados deste artificialismo, destes filmes e destes artistas, nem se dão ao trabalho de ir votar e ficam-se pela abstenção. Bem vistas as coisas, face ao artificialismo de alguns candidatos, armados em actores, até que é uma resposta compreensível: A indiferença.

Melhor, digo eu, será fazer uma escolha esclarecida, avaliando as propostas mas também a capacidade de quem, com humildade e vontade genuína de estar ao serviço, as possa realmente concretizar e resolver os problemas. Os candidatos actores, esses deviam ser penalizados. Infelizmente nem sempre assim acontece e depois no dia-a-dia a ficção bate duro no muro de betão que é a realidade. Então, perante isso, para distrair o povo, haverá sempre pão e circo, o resto, o essencial, o que não se esgota num dia, em dois ou três, que espere.

05/10/2025

Em Pigeiros como moderador de debate político


Ontem, Sábado, pelas 21:00 horas, no Centro Cívico Feliciano Martins Pereira, em Pigeiros, estive a moderar o debate entre candidatos à eleição para a Assembleia de Freguesia de Pigeiros. 

Apesar de ser um papel que, naturalmente, não estou habituado a desempenhar, aceitei por consideração aos candidatos e por concordância dos mesmos. Doutro modo não aceitaria.

De princípio o pressuposto era um debate com os três cabeças-de-lista, António Cardoso pelo PS, Tiago Afonso pelo PSD e Hélio Santos pela CDU. Não obstante, já na parte da tarde de ontem, tomei conhecimento de que o candidato pelo PSD, por motivos ou razões que não me compete avaliar ou tecer considerações, antes aos pigeirenses, porque uma decisão que se deve respeitar, o debate acabou por ser apenas entre as duas outras candidaturas.

Neste contexto, o debate foi fluído, num registo de civismo e cordialidade, no que me apraz registar.

É certo que todos os candidatos ao longo das últimas semanas já têm feito a sua campanha, com acções nas redes sociais, junto da população e até mesmo com um debate na rádio e lugar na imprensa escrita. Apesar disso, este momento de campanha permitiu uma outra forma dos candidatos, cara a cara, e presencialmente com os pigeirenses que entenderam participar, voltarem a traçar as linhas dos seus programas, dar a conhecer as ideias, os projectos, assinalar as necessidades e as respostas para as resolver ou mitigar.

Em suma considero que foi um debate muito positivo e gratificante. Para além de tudo, registo de forma particular o sentido de missão com que ambos os candidatos definem as suas candidaturas, como um corolário da luta que os pigeirenses e os próprios travaram no processo que, pela desagregação da sua união de freguesias, tornou possível a devolução a Pigeiros da sua autonomia, da sua independência. Como reiteraram os candidatos, mesmo com todas as dificuldades que se esperam neste novo ciclo que se prepara, a freguesia, independentemente de quem venha  a merecer a confiança dos eleitores, passará a ser gerida pelos pigeirenses. Demonstraram ainda o conhecimento profundo que têm da sua freguesia, em todos os aspectos e daí traçarem um retrato fiel das suas potencialidades mas também carências.

Posto isto, para mim foi uma experiência positiva, enriquecedora e um excelente exemplo por parte de todos os participantes, de maturidade democrática e um esforço suplementar em não deixar pontas soltas no processo de esclarecimento do eleitorado pigeirense de modo a que no próximo dia 12 de Outubro, possam fazer a sua escolha de forma mais esclarecida e fundamentada.

A sala esteve muito bem preenchida no que valorizou o debate.

Agradeço a confiança e a consideração pelo convite, numa consideração que é recíproca, pois tenho um carinho especial pela freguesia de Pigeiros e faço votos que o que falta da campanha eleitoral decorra dentro desse espírito de democracia e civilidade e que os pigeirenses escolham de forma consciente e esclarecida.

Quanto ao resto, nomeadamente quanto aos motivos que fundamentaram a ausência de um dos candidatos, qualquer juízo ficará por conta dos pigeirenses, pois é luta que não me diz respeito.

Obrigado a todos, pela consideração e pela lição de democracia!

03/10/2025

Buracos e barreiras

 


Está assim há meses. A Rua do Sebastião, em Cimo de Vila, tem estado interrompida ao trânsito e foi deixada por completar a pavimentação de que estava a ser alvo. O motivo, um abatimento do pavimento numa zona de passagem de água, que não resistiu ao peso dos camiões que forneciam o asfalto betuminoso para a pavimentação.

Estas coisas acontecem, tanto mais que na origem da abertura da estrada e sua pavimentação, há vários anos, não foi acautelada, com reforço adequado, a passagem de água. Por outro lado, o problema nunca foi a passagem de veículos ligeiros numa estrada com pouco movimento, mas precisamente a passagem de camiões com peso de várias toneladas.

Em resumo, não se previa, aconteceu e  tem que se resolver. Não obstante,  mesmo que passados já alguns meses, continua por resolver o buraco, a pavimentação  por concluir e a estrada interrompida, com os naturais transtornos, sobretudo dos moradores. 

Felizmente, para os moradores, há outro caminho alternativo, utilizando a Rua de Cimo de Vila, mas estreito e com uma curva acentuada no entroncamento com a Rua do Sebastião. Por este, só mesmo a pé, pois está impedido à circulação de veículos, com barreiras e um buraco à mostra. 

Noutros tempos, umas calças rotas, com buracos, eram motivo de vergonha e sinal de pobreza, mas nos dias que correm, os buracos, mesmo nas nossas ruas, fazem parte da moda, pelo que ninguém se espanta ou preocupa com eles. Ali, numa rua com pouco trânsito, a situção passa despercebida a quem tem de decidir a reparação. 

Apesar disso, uns vão dizendo que estão no bom caminho e outros que temos um concelho vibrante. Vamos lá nós entender o que é que isto quer dizer! Para já, a única certeza é que passarão mais uns meses e com eleições a pouco mais de uma semana é mais que certo que será um trabalho para outra administração. Nada mais resta que esperar, até porque, por agora, as preocupações dos autarcas candidatos são outras.



02/10/2025

Somos o que somos e isso é o que importa


É sabido, a partir das próximas eleições de 12 de Outubro próximo, e passados uns dias a tomada de posse dos vencedores, a nossa freguesia, como centenas de outras que almejaram conseguir a independência face às uniões de freguesia, que duraram 12 anos, voltará a ser dona dos seus destinos, dirigida por pessoas que, nascidas ou residentes, conhecem e gostam da sua freguesia.

Os vencedores formarão a Junta e farão a gestão pelos próximos quatro anos, e procurarão dar o melhor de si. Os vencidos ficarão como oposição da Assembleia de Freguesia e, seja quem for, espera-se que de forma construtiva, de fiscalização e escrutínio, a apoiar se eficiente ou a reclamar se a gestão for danosa, inócua ou desorganizada.

Em todo o caso, importa que todos remem para o mesmo lado e que logo depois dessa etapa da transição o foco seja a freguesia e a comunidade. Divisões, lutas partidárias e até algumas guerrilhas, como no passado, com mal-dizer e difamações pelo meio, felizmente condenadas e julgadas na Justiça, já não têm lugar, porque os tempos são outros e as velhas manhas e intrigas já não funcionam, porque quem  em 2013 tinha 6 anos e andava na escola primária e na catequese, hoje são eleitores, jovens, formados e esclarecidos.

Importa ter em conta que todos somos poucos e que a freguesia, o que tem, o que é, o que representa como território e comunidade, é fruto de várias gerações de guisandenses, de figuras dedicadas, mesmo que nas suas limitações e aptidões frágeis. Tempos houve em que uma acta de reunião de Junta testemunhava o arranjo de um caminho ou lavadouro e na maior parte das vezes, porque não havia tema, o senhor presidente logo depois de abrir a reunião fechava a mesma com a batida frase "...e não havendo mais nada a tratar, o senhor presidente deu por encerrada a sessão".

Mais à frente, as contas faziam-se à mão, com prova dos nove, num qualquer papel de mercearia e os ofícios a pedir dinheiro à Câmara, sem vergonha dos erros de ortografia, escreviam-se com pena de tinta e papel mata-borrão a chupar os excessos, que dinheiro faltava mas tinta sobrava. 

Hoje em dia, na era da informática, da digitalização, ferramentas online, armazenamento na núvem, correio elctrónico, redes sociais, wathsapp, video-conferência, inteligência artificial, etc, as exigências são outras e as de uma qualquer Junta já não se compadecem apenas com as limitações da velhinha e sabida quarta classe ou com iliteracia informática, financeira ou de outra natureza. Quaisquer que sejam aqueles que venham a servir os nossos órgãos de poder local, convém que estejam capacitados para estas modernices, para estas novas exigências porque é com essa música que agora se dançará.

Em resumo, somos nós próprios e as nossas circunstâncias. Somos aquilo que somos, e temos que trabalhar e valorizar o que somos e temos e potenciar com determinação e mesmo inovação o que poderemos ter e ser. Se não, pagaremos todos pelo que adiante não formos capazes de ser e de aspirar a ter. O momento, porque num novo ciclo, é de exigência e responsabilidade. Sejamos capazes, todos, de fazer as escolhas que mais importam. As contas, com ou sem prova dos nove, serão feitas daqui a quatro anos. 

Que seja um período de retoma, não só da independência enquanto território e comunidade, mas sobretudo de valorização e também de união, já não de freguesias mas dos guisandenses.

01/10/2025

Na paz do quintal

Aviso: O texto que se segue está num registo humorístico e é mera ficção. Qualquer semelhança com qualquer realidade é mera coincidência. A aldeia pode ser qualquer uma e o aldeão, idem.

Pretende o texto suscitar apenas uma reflexão sobre as nossas decisões, enquanto cidadãos, tantas vezes surpreendentes quanto contraditórias mas, no fim de tudo, prevalece a vontade legítima de qualquer um. O resto, a apreciação e os julgamentos, tanto mais no contexto de eleições, são os eleitores quem decidem e tantas vezes o que para uns são contradições ou incoerências, para outros são virtudes e até vantagens ou, pelo menos, nada que lhes mereça desconsideração. 

Não tem, pois, qualquer recado seja para quem for embora nestas coisas haja tendência de enfiar chapéus alheios só porque lhes cabem na cabeça.


É sempre de espantar, ou talvez não, que alguém que fez parte de uma associação cultural e recreativa na sua aldeia, e que raramente aparecia para trabalhar aquando da realização de eventos ou outras actividades da mesma, fosse para servir cerveja, assar sardinhas ou arrumar mesas e cadeiras, nem sequer aparecendo às trimestrais reuniões ou sessões da Assembleia, escusando-se e desculpando-se em compromissos pessoais, e que, não obstante, depois, dessa indiferença pela causa, apareça agora a fazer parte de uma lista eleitoral local, em lugar elegível para integrar a Junta de Freguesia da Aldeia. Espantam-se com isso alguns conterrâneos.

Claro está que o eleitorado dessa aldeia, toda cheia de gente boa, é quem decidirá, mesmo que nem sempre de forma esclarecida, ou porque entorpecida pela lealdade partidária ou por velhas azias, mas custa, a alguns vizinhos, perceber como é que depois, se vencer a eleição, o que é perfeitamente possível, esse aldeão vá assumir responsabilidades com dedicação face às exigências que serão constantes, mesmo, diárias. Pode acontecer essa mudança de dedicação? Pode! Concerteza que sim, acreditam alguns aldeões, mais dados a histórias da carochinha, mas custa a acreditar a outros tantos, mais desconfiados ou já avisados deste tipo de filmes, porque já vistos.

Se perguntam os leitores dessa aldeia quem é o aldeão em causa e em que aldeia isso ocorre, quem não souber também não merece saber, porque só não vê quem não quer ver, ou anda a leste das coisas que acontecem na sua terra.

Apesar disso, pela pessoa em causa, alguns aldeões, os que o conhecem, porque a maioria não,  têm o maior respeito, a melhor consideração e pintam-no como bom hortelão, mesmo que pouco seja visto, porque muito caseiro. O que os surpreende mesmo, com a novidade da candidatura, é a aparente mudança em ter de deixar a sua querida horta e aquele ambiente de sossego e descompromisso diário, para se arriscar a ocupar das necessidades e inquietações públicas e particulares.

A aldeia, surpreendida por essa inusitada determinação, aguardará para ver, se, caso eleito, o que pode bem acontecer, o seu aldeão assumirá as responsabilidades e as canseiras do cargo, ou se, ao contrário, logo no primeiro dia, dará o lugar a quem se segue na lista, no que desconfiam alguns que até será o mais certo, voltando então, de mansinho, para a paz do seu quintal, continuando a entreter-se a cultivar couves, alfaces, tomates e batatas.

Numa pequena aldeia, a vontade e o gosto em andar de volta das alfaces e dos tomates ainda tem mais peso que fazer parte do zeloso grupo de aldeões da Junta, duarante quatro anos a aturar todo o povo, a pagar por ter e não ter cão. Melhor, concluiu-se, é ocupar os dias na horta, porque, assim como assim, ali os tomates não se queixam nem batem à porta ao Domingo, a interromper o almoço ou jantar, nem as alfaces reclamam pela falta de responsabilidade, ausências ao serviço e falta de limpeza nas ruas ou jardins.

Mas, em boa verdade, comentam alguns aldeões, o aldeão candidato nem se queria meter nestas aventuras, porque é acima de tudo, boa pessoa, um amante da paz e tranquilidade. Mas foram incomodá-lo e, por sentido de dever ou outro motivo não descortinado, lá acedeu. Agora é andar p´rá frente!

Há coisas que de facto, de tão intrigantes, não são para comprender, porque envolvem uma certa ciência, como a das batatas e dos tomates. De resto,  os cientistas até dizem que aquelas evoluiram a partir destes. (1)


(1) Um estudo internacional, divulgado na revista Cell, revelou que a batata atual surgiu a partir de um cruzamento natural entre plantas aparentadas à batateira e espécies ancestrais do tomate, ocorrido há cerca de 9 milhões de anos. A descoberta ajuda a resolver uma questão científica que intrigava investigadores há décadas.

Durante muito tempo, a comunidade científica procurou compreender a origem evolutiva da batata. Agora, uma equipa de especialistas de vários países trouxe uma explicação inesperada: a batata resulta da fusão genética de espécies sul-americanas semelhantes à batateira com plantas precursoras do tomate.

A investigação baseou-se na análise genética de 450 variedades cultivadas e de 56 espécies selvagens. Os resultados apontam para uma herança equilibrada e estável de material genético proveniente tanto das espécies Etuberosum — originárias do Chile e semelhantes à batateira, mas incapazes de formar tubérculos — como do tomate, confirmando a sua dupla ancestralidade.

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