27/12/2024

Falta um ano para daqui a um ano

Se não me engano,

Falta, inteiro, um ano

Para daqui a um ano.

Haverá tempo para o Natal,

Nascimento, renascimento.

Também para o Ano Novo,

De novo necessário ao calendário,

à celebração e ao espumante.

Depois o Carnaval,

Sempre igual, carnal,

Em folia estonteante.

Cinzas e Quaresma,

Penitência, caminhada

Rumo à Páscoa, à ressureição.

Haverá rosas nos jardins,

Aromas de jasmins,

Pêssegos e cerejas.

Pelo S. Tiago

Virá o pintor

A pintar os bagos.

E logo, em riso,

A festa do Viso.

Haverá tempo a vindimas

E a colheitas.

Mas também virá o tempo

Para a revelação,

Dos que darão

O rosto pela traição,

Os zelosos traidores,

Os que cometeram o pecado,

Os que venderam o legado

De quem os precedeu,

Os que sempre souberam

Defender o que era seu,

Como homens inteiros;

Os que não se venderam.

Por 30 dinheiros.

Falta um ano para daqui a um ano!

23/12/2024

Comissão de Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António - 2025


Domingos Manuel Lopes Ferreira (Juiz) Rua de Fornos

Rui Manuel Lopes Silva (Secretário) Rua da Gândara

Eduardo Filipe Correia Silva (Vogal) Rua do Outeiro

Daniele dos Santos Oliveira (Vogal) Rua da Gândara

João Pedro Correia Silva (Vogal) Rua do Outeiro

Pedro Manuel Lopes Ferreira (Vogal) Rua das Quintães

Alexandre Filipe Freitas Santos (Vogal) Rua de São Mamede

João Artur Lopes Conceição (Vogal) Rua dos Marinhos

Raquel da Silva Alves (Tesoureira) Rua da Zona Industrial

Rita Branco Martins (Vogal) Rua das Quintães

Sílvia Lopes Pinto (Juíza) Rua do Canedinho

Bruna Pinho Ferreira (Procuradora) Rua de Fornos


É este o grupo que de forma unida e dinâmica tem estado a trabalhar para organizar a nossa festa em honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António, popularmente designada de Festa do Viso. Todos acreditamos que tornarão possível uma festa à altura das suas melhores tradições e dentro dos nossos melhores valores, na continuidade de um legado com mais de século e meio de história e que atravessou gerações de guisandenses. Importa colaborar e desejar votos de bom trabalho e sucesso para a festa que é de todos os guisandenses, presentes e ausentes.


Como curiosidade, segue a lista da Comissão de Festas de há 50 anos, em 1975:

Valdemar Ferreira de Pinho – Estôze

António Ferreira da Costa – Quintães

José Ferreira de Almeida – Lama

Joaquim Baptista da Silva – Casaldaça

Centro Cívico do sonho à realidade

 






Ainda há oito dias ali se reuniu uma boa parte da comunidade, em celebração, em comunhão, com a Ceia de Natal. 

Apesar da desconsideração e indiferença da classe política, ainda em incumprimento de velhas promessas, que têm adiado a concretização do objectivo principal do Centro Social, o de funcionar como Centro de Dia, com valências de apoio aos nossos mais velhos, a sua instalação, nascida a partir de uma escola deixada ao abandono como um cão,  porque em nome de centralidades que não tiveram em conta as pessoas e a comunidade, mas apenas o seu tratamento como números, tem servido, e bem, muito do propósito de estar ao serviço das pessoas, dos grupos e das dinâmicas da freguesia e paróquia. 

Ainda bem que tem sido assim e nem poderia ser diferente, mesmo que a contragosto de alguns que, injustificadamente, guardam ressentimentos contra quem tornou possível a obra e foi estando à frente dos seus destinos. Mas um dia a história será contada para memória futura.

Entretanto, partilho aqui algumas fotos da fase de construção do Centro Cívico, das centenas que fui tirando durante o desenvolvimento da obra, desde o seu início até ao seu final.

18/12/2024

Dia negro

Sabem os mais velhos, com idade e traquejo suficientes, que a vida é mesmo assim: um carrossel que, em círculo ou em oito, vai e vem. Tanto se nos afasta da vista o belo alazão branco como, num instante, volta a passar defronte do nosso olhar, garboso na sua crina em caracóis e no seu rabo ondulado.

Este traquejo, este viver, dá-nos, de facto, um outro olhar sobre as coisas e as pessoas: aqui, com o distanciamento cauteloso; ali, como se com uma lente de aumento, trazendo à relevância o mais ínfimo pormenor ou o mais recôndito defeito.

Deste modo, ensinados e precavidos – tantas vezes à custa de quedas e pancadas –, já não é com surpresa que tomamos conta de certas coisas ou novidades trazidas nos jornais ou assobiadas pelo vento. As íntimas, que dizem respeito só a nós, e também as públicas, por serem do interesse de todos ou, como se costuma dizer, da comunidade.

Assim sendo, e mais não digo, porque quem não aprendeu que aprenda; se novo, há-de ter tempo para ser ensinado, pois a vida nisso é uma disciplinadora mestra.

Por agora, é tempo de desencanto, sobretudo de desapontamento – mas não de surpresa. Desapontamento, porque, apesar da experiência e do aviso, andamos sempre com uma réstia de esperança de que as coisas e as pessoas ainda não sejam assim tão previsíveis, e de que valores como a palavra e a honra ainda valham mais que dez-reis de mel coado.

A História dá-nos conta de datas e factos, exulta os heróis, mas também lembra os traidores, os oportunistas e os vendidos. Haverá sempre Pétains e Régims de Vichy a apoiar e a colaborar com os invasores ou Miguéis de Vasconcelos a porem-se a jeito para serem atirados abaixo da varanda. Noutros tempos, sim, mas, por ora, não haverá é ninguém com “tomates” para o fazer, para limpar a casa. 

Afinal, há também aqueles que trocam de camisa, recuam das trincheiras e, como mulheres da vida, abrem as pernas e, de cócoras, vendem-se facilmente a quem lhes pague ou adoce a boca.

Cada um que faça e julgue como bem entender, mas por mim reservo-me à indiferença aos que tudo fizeram para o desfecho contrário às regras do respeito por quem pretendia seguir por si o seu caminho. São vários os que ficaram muito mal neste retrato. Importa não esquecer quem foram.

Não pode valer tudo!

30/11/2024

Nota de falecimento - Domingos de Sousa Pinho


Faleceu Domingos de Sousa Pinho, de 70 anos [14 de Agosto de 1954 a 29 de Novembro de 2024]. Natural de Canedo, casou em Guisande com Dorinda da Silva Alves. Residia em Lobão, na Rua da Ponte - Arosa.

Cerimónias fúnebres na Segunda-Feira, 2 de Dezembro, pelas 14:30 horas. Missa na igreja matriz de Guisande e no final sepultamento no cemitério local em jazigo de família.

Missa de 7.º Dia na Sexta-Feira, 6 de Dezembro de 2024, às 18:30 horas

Sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular à esposa e filho.

Que Deus o guarde na Sua presença!

26/11/2024

Pérolas a porcos

O Dicionário de Expressões Correntes, de Orlando Neves (Editorial Notícias), regista a expressão «Deitar pérolas a porcos» e a variante «Dar pérolas a porcos». Com semear, não encontrei a expressão.

Diz este dicionário que «oferecer coisas finas, delicadas, ricas ou requintadas a pessoas rudes, ignorantes ou insensíveis é «deitar pérolas a porcos»; e acrescenta que «É mais uma expressão com origem bíblica. No Evangelho segundo S. Mateus, cap. 7, no Sermão da Montanha, Cristo disse: "Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis pérolas a porcos, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem."»

Carlos Marinheiro  16 de junho de 2008


[Ciberdúvidas da Língua Portuguesa]

22/11/2024

Louredo - Freguesia irmã?


A freguesia de Louredo é antiga. Pertence ao concelho de Santa Maria da Feira mas já pertenceu ao de Arouca.

Actualmente, no mesmo processo castrador, faz parte da mesma união de freguesias. Dizem que entretanto ambas as freguesias vão voltar a ser elas próprias, mas ver para crer.

De todas as freguesias vizinhas de Guisande (Lobão, Gião, Louredo, Romariz, Pigeiros e Caldas de S. Jorge), tenho para mim que Louredo é a mais parecida com Guisande, tanto em muitas das características do seu território, exceptuando o enclave de Parada, pela sua dimensão quase uma freguesia à parte, mas também pelas suas gentes, forma de ser e estar.

De resto, mais que às demais vizinhas, Guisande sempre teve uma ligação muito próxima à freguesia de Louredo. Pode esta minha consideração sofrer da influência de eu ter nascido e vivido em Cimo de Vila e por isso mais próximo de Louredo, e porque em centenas de vezes em criança percorri aqueles caminhos que levavam a Cimo de Aldeia, ao Codeçal ou ao Convento, bem como na partilha comum dos matos e pinhais do monte de Mó e dos férteis campos junto à ribeira das Corujeiras.

Assim, ia-se à missa e à festa a Vila Seca, à festa do S. Vicente, que se dizia de Ferreira mas que afinal era o Mártir, ao Ti Florentino consertar as bicicletas, ao alfaiate do Concharinha mandar fazer calções ou calças ou nelas aplicar umas quadras, ao alambique a Tozeiro entregar bagaço e trazer aguardente, etc, etc.

Já em adolescente eram por lá alguns serões e as desfolhadas por Louredo eram mais generosas e de raparigotas sorridentes. Até quando as maleitas batiam à porta e entravam no corpor, passava-se por Louredo a ir ao Dr. Alexandrino no Carvalhal.

Mesmo na igreja paroquial de Louredo há ali obras realizadas por guisandenses e até a residência paroquial terá sido mandada fazer, por 1903, por Custódio António de Pinho, avô paterno do ainda pároco Pe. Eugénio Pinho, este filho de António Baptista de Pinho, que era da Casa da Quintão, aqui de Guisande. Esta casa abastada tinha noutros tempos muitas propriedades dispersas por Louredo.

Concerteza que um freguesia tem sempre ligações de várias naturezas às freguesias vizinhas, incluindo familiares, porque uns e umas casam-se com outros e outras, mas mesmo que sendo apenas a minha percepção, e sob um ponto de vista de tempos já passados e não tanto na actualidade, creio haver, de facto uma ligação mais homogénea a Louredo.

Já de Lobão, as relações nunca foram por aí além, porque estas sempre com um sentimento escusado de grandeza e bazófia, com muita gente boa mas no geral com características de pouca empatia pela vizinhança. De lá, em debandada de pinhoeiros e jericos e mulas, subiam ao nosso monte de Mó “colher” tudo quanto eram pinhas e com fama de levar outras coisas pelo caminho de regresso. Rivalidades e alguns pontos acrescentados aos contos, concerteza, mas nunca houve fumo sem fogo.

De S. Jorge, talvez pela humidade da “cova” e do cheiro a podre das suas águas, como se dizia, a coisa nunca foi melhor, no geral empertigados e pouco dados a reconhecer os valores dos demais e em muito daí a recusa da freguesia em tomar parte com ela aquando da formação das uniões de freguesia, preferindo-se Lobão numa de “mal menor”. A forma abusiva e de desconsideração como considera de seu a parte do que é o lugar de Azevedo, não reconhecendo as evidências de limites e registos, surripiando marcos que definiam os limites, também não ajudou em tempos mais recentes a uma melhor simpatia.

Gião, porque os acessos directos quase não existiam, e pelo meio, ali pelos Marinhos, falava-se de poiso de quadrilhas de assaltantes, apenas ali se ía por Maio à festa da Senhora da Hora ou forçadamente a caminho de Canedo ao médico local e pouco mais.

Romariz, boa e antiga terra, de castro e capelas, talvez porque os caminhos eram sempre a subir, também nunca vingou uma forte ligação e se alguma, com mais importância, talvez a Duas Igrejas.

Pigeiros, tem também muito das características de Guisande e Louredo, e durante muitos anos até partilhamos o mesmo pároco e padres, mas a ligação formal também nunca foi muito substancial, talvez mais do lado de Estôze por ser lugar próximo. Apesar disso dali resultaram fortes ligações familiares como da família Costa e Silva e Gomes Leite, que em Guisande se uniram a famílias abastadas na Casa da Quintão, à família leite Resende (Casa do Dr. Inácio) e a um ramo da Casa do Loureiro, acrescentando hectares de campos e pinhais.

Em todo o caso, os tempos mudaram, rasgaram-se estradas e caminhos a unir todas as freguesias e aos poucos os valores, identidades e características que eram específicas e intrínsecas das diferentes populações, foram-se dissipando e hoje já quase que somos todos farinha do mesmo saco, peças moldadas do mesmo barro, com todas as virtudes e defeitos comuns.

Todavia, é sempre importante alguma mistura social e cultural e da diferença resulta a riqueza da diversidade. Temos, pois, os vizinhos que temos e eles têm-nos a nós..

18/11/2024

Quase dois anos depois, oxalá que sim!


A Câmara Municipal de Santa Maria da Feira tem em andamento um programa de requalificação de parques infantis e polidesportivos no concelho. Nesse âmbito o rinque polidesportivo de Trás-os-Lagos, em Casaldaça - Guisande, junto à habitação social, tem estado em obras. De resto, já escrevi sobre o assunto há quase dois anos, aqui. Reitero agora tudo o que então opinei.

Estando agora a ser concretizada,  é uma medida interessante e importante, face ao abandono e degradação do espaço e de algum modo surpreendente porque por estas bandas as obras e apoios são coisas raras. De acordo com o anúncio público, o valor base do procedimento do concurso rondou os 182 mil euros o que é significativo.

Todavia, importa saber se o espaço vai ser devidamente usufruído e aproveitado e por quem. Há algum grupo ou associação que o vá dinamizar e dele usufruir com actividades diárias ou semanais? Ou, depois de estreada a renovada instalação voltará ao abandono ou a uma utilização meramente residual e novamente como estendal?

Oxalá que sim, que seja devidamente aproveitado, sendo que com a actual dinâmica dos grupos e associações da freguesia, quase inexistente, será um pequeno milagre se tal vier a acontecer. Além do mais, ninguém gosta de jogar debaixo de chuva ou a coberto da noite. Mas deseja-se quem sim, até para não ser dinheiro esbanjado! Que o impulso de coisa nova ou renovada seja gerador de um interesse na sua utilização, é o que se deseja! Quero acreditar que a utilização passará pelo Guizande F.C.. veremos em que moldes e se haverá rentabilidade e aproveitamento justificado do espaço.

Quanto às obras previstas pretende-se uma manutenção geral à respectiva instalação desportiva. Os trabalhos englobam a demolição de placas de piso, lavagem e limpeza de todo o piso do polidesportivo e murete de vedação, pintura dos muros de vedação, substituição das estruturas metálicas de suporte das redes de vedação e substituição das respetivas redes.

Será ainda assegurado o fornecimento de equipamentos desportivos, aplicação de novo piso e realização de marcações desportivas.

Será executado um passeio em pavê hexagonal para garantir as acessibilidades ao polidesportivo. O percurso irá seguir básicamente as cotas naturais do terreno. Execução de percurso suave garantindo a inclinação suave de ≤6%, para cumprir as acessibilidades ao polidesportivo.

Porta com vista para o rio

 


Uma porta, velha, arrombada, já sem alma para guardar. 

Lá dentro, uma cozinha despojada, vilipendiada. Já não há aromas de peixe frito nem vozes a chamar para a ceia.

Mesmo assim, neste escancaramento, nos restos de um estupro da memória de tempos já volvidos, há uma nesga de rio a espreitar. Este, tristonho, vai correndo mas já sem a calma dos dias serenos, antes perturbado pela correria dos barcos e das motos-de-água, de gente que sobre ele se diverte, como coisa de usar e deitar fora.

A tarde é de Outono mas nos canteiros das casas defronte há flores que moram na Primavera e na borda da margem o pato solitário mergulha sem frio porque o ar não é de agasalhos.

Lá no alto, aquele imponente pinheiro sobrevive, qual sentinela. E tanto e quanto nos poderia contar, de outros tempos, azáfamas, de fainas de pescadores num vai-e-vem a arrancar do rio o que comer à noite. Ainda se lembrará do Douro de outros tempos, impetuoso, cheio, ou sereno, estival, de águas minguadas a juntar nas margens frescas as lágrimas de regatos e ribeiras? Talvez sim, porque tem a idade e o tamanho de nele caberem as memórias de um tempo tão próximo e tão distante.

Quanta água já passou aquelas curvas apertadas, quanto à sua conta encheu o mar? Mas não só levou água ou areia o Douro, mas uma enxurrada de memórias, de saudades.

Um lugar, como Pé-de-Moura, na bonita Lomba, conta-nos mais que o que vemos e até uma porta arrombada pode convidar-nos a entrar. Haja alma e cortesia para com o anfitrião, haja olhos para respeitar a intimidade.


11/11/2024

"Correio da Feira" - Fim anunciado


Ontem, no escaparate da loja da BP, aqui em Guisande”, peguei num exemplar do jornal “Correio da Feira” e li o que já poderia ter lido há 6, 10 ou 15 anos, que a coisa ia terminar por ali, deixando apenas a incógnita da “suspensão por tempo indeterminado”.

Como estas coisas não se anunciam assim de ânimo leve, sem mais nem menos, tinha escrito o habitual rosário de justificações, nomeadamente,  “...são várias as razões que levaram de novo o jornal à sua insustentabilidade. Convém referir a primeira, como também convém referir que é a mesmíssima que leva à insustentabilidade de muitos outros títulos, dezenas, centenas de muitos títulos neste país e por esse mundo fora. 

O número de assinantes é insuficiente para manter um jornal em actividade. Diariamente há desistências. Cada vez há menos e menos leitores interessados em assinarem, ou manterem a sua assinatura na imprensa profissional. Há um contínuo desrespeito pela profissão de jornalista. Poucos, e por isso insuficientes, estão interessados em pagar para se fazer informação profissional e isenta….concluindo, somos todos, enquanto sociedade, quem está a assinar o óbito da Imprensa. Portanto, como sociedade, assumamos as nossas responsabilidades!”.

Ora este “...assumamos as nossas responsabilidades!” também é chapéu que me cabe na cabeça e tanto mais que fui assinante do jornal, mesmo que na versão digital.

Com mais ou menos “rodriguinhos”, é há muito sabida a dificuldade da imprensa e sobretudo a escrita e por maioria de razões daquela que tem pouco expressão como a regional ou concelhia. Se é certo que com as plataformas digitais os problemas aumentaram, apesar de também criar novas oportunidades e diferentes alternativas, o certo é que as dificuldades do sector são até muito anteriores e à custa delas já haviam ficado pelo caminho grandes títulos da nossa imprensa, desde o “Século”, o “Diário de Lisboa”, “A Capital” e outros diários mais a norte como o “Primeiro de Janeiro” e o “Comércio do Porto”, etc.. Mesmo os que se mantêm, como o “Diário de Notícias”, de que também fui assinante” e o “Jornal de Notícias”, andam constantemente com o nó na garganta e como diz o povo “a cagar e a tossir” e lá vão indo e andando, mais a fazer de conta e com apoios por vezes duvidosos do que por resultado de bom trabalho e boas práticas empresariais e jornalísticas

Não vou, naturalmente, estar aqui a esmiuçar a questão porque não sou do sector nem nele tenho interesses para além da percepção de mero leitor.

Em todo o caso, mesmo que com todas as dificuldades do contexto, as responsabilidades residem em muito em, tantas vezes, não ter sido capaz de garantir o interesse dos leitores e assinantes.

Por exemplo, no caso do “Correio da Feira”, quando fui assinante online, a plataforma era lenta, pouco apelativa, continuava com excesso de publicidade e esta a atravancar o espaço de leitura e as notícias poucas, de pouco interesse, como “pão recesso e sem miolo”. Ora continuar a ser assinante para pouco ou nada receber em troca, convenhamos que era pedir muito. Assim descontinuei e do lado de lá da linha também não mostraram interesse em rebater ou a encaixar as queixas ou incentivar à renovação. É o que é.

Não me surpreende, pois, este desfecho como já não tinha surpreendido o do “Terras da Feira” que depois de um crescimento insuflado, mandado por "testas de ferro", andou a estrebuchar uns tempos até se extinguir.

No caso destes dois importantes jornais concelhios, sem prejuízo de acolher o contraditório, parece-me que em muito padeceram da acção, mesmo que involuntária, de maus políticos e de fracos empresários. Durante um bom período percebeu-se que representavam “a voz dos donos”, estes "testas de ferro de outros interesses", cada um a puxar a sardinha para a brasa da sua partidarite, como se de algum modo fossem uma espécie de “Avante”, sendo que este com a vantagem de não enganar ao que vinha.

Posto isto, pessoalmente entristece-me que um jornal centenário”, mesmo que durante uma grande parte da sua longa vida de 127 anos o seu conteúdo fosse pouco relevante sob um ponto de vista noticioso, sendo mais da Feira, vila ou cidade, do que do concelho, mas mesmo assim só por essa história e longevidade mereceria ser mais acarinhado e continuar a testemunhar esse legado centenário.

Assim sendo, acredito que mais mês menos mês alguém retomará o título e depois poderá ser o mais do mesmo, porque será preciso muito para que um jornal seja sustentável, sem apoios públicos e institucionais, que de algum modo ponham em causa a imparcialidade e isenção da sua função de formar e informar de todos para todos.

Neste concelho gastam-se milhões em patuscadas e entretenimento de massas e talvez haja algum para apoio a um jornal concelhio mas, sinceramente, não estou a ver como, tanto mais que sem colocar em risco a tal necessidade de imparcialidade e choque de interesses. Não sei! O que sei, é que foi dada a notícia de que o título está suspenso de forma indeterminada, seja lá o que isso signifique para além do óbvio.

Se regressar como um jornal de qualidade, com uma cobertura do concelho, independente e imparcial, não me custará a voltar a ser assinante, mesmo que numa perspectiva de ajudar. A ver vamos mas em rigor sabemos que não será nada fácil porque os tempos, os meios e os hábitos muderam de forma substantiva. 

Espero, memso, que como disse o director nas suas palavras finais do Editorial, que não seja um adeus.

07/11/2024

IMI, o imposto estúpido e injusto

Acabei de pagar a minha segunda das duas prestações anuais do IMI - Imposto Municipal sobre Imóveis. É como é tão prazeroso pagar este imposto ao Estado, ou, através dele, à Câmara Municipal. No fundo é pagar uma renda de um prédio que é nosso e que por isso não lhes pertence nem um cêntimo gastam para o conservar. Mais prosaicamente, numa rima com sentido, "é pagar para ser fo..do".

Dizem, com razão, que este será dos impostos mais estúpidos. Mas, acrescento, também dos mais injustos e desde logo porque ao edificar-se uma habitação, já se pagou projectos, taxas e licenças e no caso até cedi terreno para alargamento da rua e construí passeio público na frente do prédio. Na compra do terreno paguei sisa, imposto de selo, etc. Na construção paguei IVA, desde a areia aos tijolos. No empréstimo continuo a pagar juros e imposto de selo.

Mas, como diz o outro, mesmo sabendo que é um roubo travestido de legalidade, que lhes faça bom proveito, sempre lhes dará para patrocinar umas valentes patuscadas. Alguém tem que pagar os desmandos!

Em contrapartida, conheço por cá alguns doutores e engenheiros que estando a viver nas suas belas e boas casas há dezenas de anos, porque, ao arrepio da lei, ainda não solicitaram licenças de utilização, vão escapando a este imposto estúpido, pagando valores mínimos do prédio, tantas vezes ainda na condição de rústico, e no futuro sujeitos apenas à liquidação dos últimos quatro anos (creio que ainda vigora essa regra). Há, de facto, crimes e ilegalidades que ainda compensam.

Siga, que é Portugal, brando com os incumpridores e forte com os que cumprem!

04/11/2024

Por enquanto isto não é um emprego


Há dias questionou-me alguém de consideração, de que há algumas situações ou eventos na freguesia a que nem sempre dou notícia ou destaque aqui nesta página ou mesmo nas minhas redes sociais, nomeadamente no grupo privado "Guisande: Ontem e hoje". E gostaria essa pessoa que sim, pois é assíduo leitor e como se costuma dizer, não perde uma.

Ora eu fico satisfeito com esse interesse e sei que apesar de ter por cá leitores assíduos e interessados, e que assim justificam as centenas de visitas diárias, este espaço será porventura mais apreciado e seguido na nossa comunidade emigrante do que propriamente cá pela terra. Por lá eles leem com interessse e saudade; por cá, quase sempre por curiosidade e não raras vezes para saber qual a parte do lombo onde doi mais para melhor aplicar as alfinetadas, e não é para tratamento e bem estar como com as agulhas na acupuntura. Adiante, pois sei do que a casa gasta!

Não obstante, e tal como respondi a esse fiel leitor e seguidor, esclareço, por via de dúvidas, que este espaço é pessoal e não é nenhum jornal nem uma estação de rádio nem o seu autor tem responsabilidades de publicar tudo o que se passa e acontece, de positivo ou nem por isso. Por enquanto isto não é um emprego nem um arquivo. Não tenho, pois, nenhuma ou qualquer obrigação. Por isso publico o que quero, quando quero, como quero e quando posso e se muitas vezes não dou destaque a uma ou outra coisa, pode nem ser por algum motivo especial ou desinteresse  mas somente por esquecimento, desmazelo, até preguiça, ou porque entendo que não é relevante assim a ponto de merecer destaque. Além do mais, algumas dessas situações já são partilhadas nas redes sociais até à exaustão pelo que republicar ou repartilhar seria apenas chover no molhado.

Assim sendo, reitero que este é um espaço pessoal e por isso sem qualquer responsabilidade de outra natureza. Não tenho obrigações com quer quer seja, nem comigo próprio. Obrigações tenho-as no meu emprego porque é suposto que o patrão me pague, pelo que é do trabalho e do correspondente ordenado que procuro viver.

Em resumo, este espaço, bem como os espaços nas redes sociais, nomeadamente no Facebook, é pessoal e não rola por conta de alguém que não apenas pela minha vontade e disponibilidade. Quem quiser mais, que compre o jornal, ouça a rádio e veja a televisão.

Por aqui vai-se fazendo o que se pode! 

29/10/2024

Nota de falecimento - Maria (Dolores) Gomes da Conceição





Faleceu hoje Maria (Dolores) Gomes da Conceição, que vivia no lugar de Fornos. Nasceu em 9 de Julho de 1939. TInha 85 anos de idade.

Viúva de Aníbal Azevedo Alves. Mãe de Célia Maria  e Anabela.

Filha de Delfim Gomes da Conceição e de Isaura Joaquina dos Santos.

Funeral na Quinta-feira, dia 31 de Outubro de 2024, pelas 15:30 horas,, na igreja matriz de Guisande indo no final a sepultar no cemitério local..

Missa de 7º Dia na Sexta-feira, dia 08-11-2024, às 18:30 Horas, na igreja matriz de Guisande

Sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular às suas filhas Célia e Anabela.

Que Deus a tenha em descanso eterno.

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Nota: No registo civil tem o nome de Maria Gomes da Conceição e no assento paroquial está como Maria Dolores da Conceição. De resto sempre foi conhecida como Dolores.

Igreja matriz sem alameda


Fotografia de 1982 quando ainda nem se sonhava em realizar a Alameda fontal à nossa igreja matriz, o que só aconteceria uma dúzia de anos mais tarde.

Também por isso, ainda não existia a capela mortuária mas apenas uma simples construção de instalações sanitárias.

28/10/2024

Centro Cívico do Centro Social - À vontade mas não à vontadinha

O Centro Cívico de Guisande é um equipamento da freguesia, mas é sobretudo dos associados já que pertence a uma colectividade, à Associação do Centro Social S. Mamede de Guisande. Está, pois, por princípio, ao serviço da freguesia, da comunidade, mas sobretudo ao serviço dos seus utentes e que em primeira análise sejam seus associados, que pagam quotas, que ajudam à sustentabilidade do equipamento e das actividades nele previstas ou realizadas. É assim em qualquer colectividade.

Todos sabemos que ainda está por cumprir o objectivo principal que levou à sua edificação, que é ser Centro de Dia e de apoio domiciliário, essencialmente de ajuda à nossa comunidade sénior. Apesar de disso, porque a política e os políticos são no geral pessoas de má reputação, pouco ou nada confiáveis nem recomendáveis, em que a palavra e as decisões raramente são cumpridas, tal objectivo continua por concretizar mesmo tendo sido aprovado há pelo menos uma década. 

Vieram as famosas cativações do ministro Mário Centeno e de lá para cá, mesmo com a mudança de governos, a coisa continua por cumprir.

Assim, neste estado de morto-vivo, tem andado a Associação do Centro Social e do seu Centro Cívico, funcionando parcialmente, com muitas dificuldades e diga-se, em grande parte pela dedicação e dinamismo do que foi o seu presidente da Direcção, Joaquim Santos, e agora presidente da Comissão Administrativa, porque, recorde-se, a associação continua sem corpos-gerentes eleitos pela simples mas não dispicienda razão de que ninguém apareceu para tomar conta dos destinos. Ninguém quer nada. Ninguém quer trabalhar, sobretudo de graça e para os outros. Eu próprio me cansei e depois de ter tomado parte em vários mandatos, estou sem vontade e paciência em continuar.

Neste contexto, triste mas real, apesar disso o Centro Cívico tem-se mostrado como um equipamento fundamental às dinâmicas da freguesia e dos seus movimentos, como tem sido, entre outros, no apoio às comissões da Festa do Viso, agora do evento Trail do Viso, também do Grupo Solidário, etc, etc. Está, pois, a cumprir o seu papel mesmo que em situações em que formalmente não tinha essa obrigação, porque dele tem beneficiado muita gente que não é sócia, não quer ser, não paga quotas, nem contribui. 

Ora isso cria desigualdades e outros problemas. Afinal, tantos, como eu, que anualmente têm pago as suas quotas, quais os benefícios que colhem comparativamente a quem não paga e usufrui nas mesmas condições das dinâmicas ocorridas no Centro Cívico? Em rigor, nada, tirando um ocasional desconto num qualquer passeio, que nem todos aproveitam. Talvez por isso tem aumentado o número de sócios que desistem de pagar quaotas.

Com tudo isto, considero que o à vontade não tem que ser à vontadinha. O Centro Cívico mesmo que posto à disposição dos grupos, movimentos e eventos, tem responsabilidades, tem despesas, tem encargos, desde logo com a limpeza, a electricidade, a água, etc, etc. Ora não me parece bem, que depois desse aproveitamento não haja uma compensação por parte dos grupos ou movimentos utilizadores, tanto mais quando se registam saldos positivos dessas actividades. 

Ainda agora, foram apresentadas e fechadas as contas da Festa do Viso, com saldo positivo, e apesar das várias utilizações do espaço do Centro Cívico ao longo do ano, de acordo com o seu presidente, Joaquim Santos, ainda nada lhe foi entregue como compensação para os muitos gastos, ao contrário da sua expectativa, nomeadamente por ter havido saldo positivo.

Ora, a confirmar-se, não me parece correcta esta situação. Ajudar, colaborar, com certeza que sim, mas dentro do possível com alguma compensação para os gastos. É o mínimo e compreensível.

Sou, pois, de opinião que continue o Centro Cívico a estar ao serviço das dinâmicas da freguesia e da paróquia, mas com todas essas utilizações a serem previamente protocoladas e com caderno de encargos, para que não seja uma utilização abusiva ou oportunista e que não tenha em conta a justeza da compensação e da natureza da associação, uma entidade que precisa de meios para subsistir. Era só o que faltava que fosse a coisa sem qualquer controlo e os sócios a pagarem para alguns desmandos.

Mas isto sou eu a opinar, que ainda sou sócio, que tenho pago desde há vários anos as minhas quotas (duas) à associação. 

Haja, pois, bom senso e algum respeito porque à vontade não deve ser à vontadinha.


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Nota de esclarecimento: Já após a publicação da opinião acima, fui contactado pelo Nelson Valente, Juiz da Comissão de Festas desta edição de 2024, a esclarecer que o que foi escrito quanto à compensação ao Centro Social não corresponde inteiramente à verdade pois durante a realização dos diferentes eventos de angariação de fundos a Comissão de Festas foi pagando, e por diversas vezes, alguns valores ao Centro Social. E que mesmo do saldo apurado não está posta de lado alguma outra compensação final sendo que naturalmente a maior parte será para aplicar em obras e necessidades da capela.

Quanto à eventual contradição, obviamente que desconhecia se houve já compensações durante os eventos, e do que referi quanto à expectativa que o Sr. Joaquim Santos, presidente do Comissão Administrativa, tinha em receber uma compensação em resultado do saldo positivo, foi-me, obviamente, transmitida pelo próprio e este nunca fez referência a anteriores recebimentos.

Assim, resulta daqui, que pela minha parte peço desculpa por não ter ouvido primeiramente ou como contraditório, a versão da Comissão de Festas e por naturalmente confiar na informação que me foi dada pelo responsável do Centro. Não significa que este tenha mentido mas de facto não me contou a história toda e faria toda a diferença se o tivesse feito pois o sentido da minha opinião seria diferente no que toca à Comissão de Festas.

Posto isto, a ter sido assim, e feito o esclarecimento, acredito que a Comissão de Festas fez o que tinha a fazer, já que na justa medida foi compensando pela utilização do Centro Cívico nos diferentes eventos. 

Como eu disse, o Centro Cívico deve estar ao serviço da comunidade e das suas dinâmicas, grupos e movimentos, mas importa que na medida justa haja compensação, sobretudo quando há saldos positivos nas actividades, pois o Centro Social tem encargos e despesas fixas que alguém tem que pagar.

Finalmente, se algum equívoco houve, resultou também da legítima expectativa que me foi expressa pelo responsável do Centro Social em vir a receber alguma compensação e esta não ter sido feita antes do fecho das contas e da sua divulgação pública. Porventura essa compensação, a ser feita, poderia ter sido incluída nas despesas e não na parte da gestão e aplicação do saldo. São diferentes maneiras de ver a questão. Eu teria incluido nas despesas.

Fica, pois, aqui este devido esclarecimento. De minha parte reitero o pedido de desculpas por algum equívoco e renovo os parabéns à Comissão de Festas cessante pelo bom trabalho desenvolvido e reforço a ideia base de toda este opinião de que nestas coisas deve haver colaboração entre as partes e num sentido de justeza e equilíbrio e não apenas um mero aproveitamento do Centro Cívico, pois queira-se ou não, é uma colectividade com sócios, muitos deles a pagar quotas ( e só estes é que têm essa legitimidade) aos quais tem que se prestar contas no final de cada ano. Ora eu, como sócio pagante, não gostaria que, na aprovação do relatório e contas da colectividade para a qual contribuo, ficar a saber que as instalações foram cedidas a A, B ou C sem que daí resultasse, senão lucro, pelo menos uma compensação justa para as despesas decorrentes. Quem pode estar contra isto?

23/10/2024

Nota de falecimento - Firmino Alves Moreira


Faleceu Firmino Alves Moreira, do lugar da Pereirada. Casado com Arminda Domingos Moreira e pai de Carlos Delfim Moreira Alves, Rogério Delfim Moreira Alves e Elsa Aída Moreira Alves.

Nasceu em 13 de Março de 1942. Faleceu com 82 anos, em 22 de Outubro de 2024. Era filho de pai incógnito e de Maria da Conceição. Era neto paterno de avôs incógnitos e neto materno de Manuel Francisco Alves Júnior e de Rosa Moreira. Era primo direito de minha mãe, já que a sua mãe, Maria da Conceição, era irmã da minha avô materna, Lúcia Alves Moreira.

O funeral será amanhã, Quinta-Feira, 24 de Outubro pelas 16:30 horas, na igreja matriz de Guisande, indo no final a sepultar em jazigo de família. Missa de 7.º Dia no Sábado, 2 de Novembro de 2024 pelas 17:30 horas.

Sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular à esposa e filhos.

Paz à sua alma e que descanse eternamente em paz!

18/10/2024

Festa do Viso - Resumo de contas de 1979 a 1992


Infelizmente nem sempre se guardaram os documentos de apresentação de contas da nossa Festa do Viso. Insensibilidade, descuido, pouco sentido de arquivista, certo é que da maior parte das festas não há documentos guardados que informem o quanto se obteve como receita e quanto se gastou. 

Apesar disso, a partir de velhos papéis, ainda consegui apontamentos de alguns anos, no caso de 1979 a 1992. Acredito que alguns elementos das várias comissões de festas até ficaram com cópias, mas também acredito que a maioria já não tem qualquer ideia ou documento. De resto como acomteceu com os diferentes cartazes em que, regra geral, ninguém ficou com um ou outro exemplar para arquivo e memória futura. Tal deveria ser uma prática de ano para ano, mas não. Somos uns pobres!

Ano de 1979

Receitas:130.247$00

Despesas: 125.921$00

Saldo positivo: 12.826$00


Ano de 1980

Receitas:192.568$00

Despesas: 161.482$00

Saldo positivo: 31.086$00


Ano de 1981

Receitas:217.347$00

Despesas: 217.340$00

Sem saldo


Ano de 1982

Receitas:303.427$00

Despesas: 302.043$00

Saldo positivo: 1.384$00


Ano de 1983

Receitas:268.951$00

Despesas: 267.281$00

Saldo positivo: 1.670$00


Ano de 1984

Receitas:344.759$00

Despesas: 330.848$00

Saldo positivo: 13.910$00


Ano de 1985

Receitas:452.910$00

Despesas: 409.000$00

Saldo positivo: 43.910$00


Ano de 1986

Receitas:553.630$00

Despesas: 553.895$00

Saldo negativo: 265$00


Ano de 1987

Receitas:655.186$00

Despesas: 572.319$00

Saldo positivo: 83.367$00


Ano de 1988

Receitas: 869.682$00

Despesas: 872.532$00

Saldo negativo: 2.850$00


Ano de 1989

Receitas: 904.549$00

Despesas: 930.297$00

Saldo negativo: 25.748$00


Ano de 1990

Receitas: 1.240.000$00

Despesas: 1.300.00$00

Saldo negativo: 60.000$00


Ano de 1991

Receitas: 1.310.884$00

Despesas: 1.246.819$00

Saldo positivo: 64.065$00


Ano de 1992

Receitas: 1.374.379$00

Despesas: 1.211.449$00

Saldo positivo: 162.930$00


17/10/2024

O raio da dicotomia

Confesso que nos últimos tempos a relação ou estado de alma com a minha freguesia tem sido pautada por uma dicotomia que ainda não consegui deslindar. Por vezes ainda consigo ver nela a pujança, vontades e originalidades das décadas de 70 e 80, num desabrochar do jardim de Abril, onde havia intervenção entre adultos e jovens. Havia lugar à política, ao clube e ao futebol, que uniam e o campo de jogos aos Domingos era uma praça de gente de todas as idades.

Os jovens eram criativos, juntavam-se e do pouco faziam muito. Havia escola de música, teatro, biblioteca, jornal e rádio. Havia associações culturais e recreativas.

A paróquia ainda era um rebanho com poucas ovelhas tresmalhadas e o pastor respeitado e todos congregava à ordem de reunir.

A freguesia tinha vida, pulsava, mostrava-se capaz de transpor a sua pequenez e avançar mais além, com uma identidade muito própria, dela e nossa.

Depois veio um período sensaborão, nem sim nem sopas, nem carne nem peixe, e aos poucos a existência comum tem vindo a erodir, a esvair-se. Na roda da vida, os mais novos cansaram-se e ficaram velhos, os mais idosos alquebrados pela idade e doença partiram cada um na sua vez. A emigração aumentou, a natalidade baixou e para cada dezena de gente que parte definitivamente nascem uma, duas ou três crianças.

Os cafés, locais de convívio e tertúlia, fecharam portas ou encerram cedo. As escolas, outrora cheias de criançada e do seu pulsar de vida, há anos que fecharam ao ensino e abriram-se ao abandono. Do aproveitamento delas, incluindo o Centro Cívico, nem todos têm remado para o mesmo lado e não falta quem espalhe pedras e cascas de banana pelo caminho. A igreja deixou de estar cheia e os lugares vazios são quase sempre mais que os ocupados.

A política deixou de despertar interesses e já não há militantes, delegados, simpatizantes, nem nada. O clube de futebol quer ressurgir, vai resistindo, mas nunca mais será como dantes e o eco da multidão a celebrar o golo já não se faz ouvir fora dos muros do recinto.

Nuns impulsos, há jovens que se congregam a querer fazer coisas, mas como flores colhidas a cada Primavera, em breve murcham e perdem a cor e o aroma.

Cada vez mais as pessoas não vivem nem convivem fora de portas e o sentido de comunidade perde-se a olhos vistos. Ainda se veem em dias de festa grande ou de celebrações, mas ninguém passa daí, nem quer assumir cargos ou funções a favor dos outros, de todos. É um egoísmo latente este que vai ficando por entre portas numa mera obrigação de contribuintes, de serviços mínimos, e quanto ao resto alguém que faça ou organize porque nada é com eles mas sempre com os outros.

É certo que esta coisa da união de freguesias em nada ajudou e só veio abafar a realidade que já mal respirava, promovendo o distanciamento, a indiferença, o deixa andar num crescendo de desinteresse.

E vai sendo assim. E contudo, temos tudo. Temos internetes e redes sociais capazes de chamar, de convidar e mostrar. Temos grupos e grupinhos no Facebook e Whatsapp onde combinamos e partilhamos coisas, mais ou menos pessoais, mais ou menos generalistas mas quase sempre pouco a favor do todo.

Temos todos bons carros e boas estradas, computadores e câmaras de fotografar e filmar nos bolsos dos casacos e calças. Comunicamos à velocidade da luz e vemos em directo os rostos de com quem falamos nos antípodas, no Brasil ou na China. Já não há cartas nem esperas pela volta do correio.

Mas tendo tudo, temos nada, porque fora desses casulos virtuais, online, já quase não nos reconhecemos na rua e quando passamos uns pelos outros, sendo incapazes de traduzir num olá, num sorriso, em dois dedos de conversa, o que expressamos online, por emojis ou likes. Somos uns ricos pobres, com tudo e com nada, com mãos cheias de vazio.

Mas esta dicotomia, faz das suas e num repente, ignorando este estado das coisas e das gentes, parece que dá vontade de voltar a acreditar e pensar que as coisas vão melhorar, que cairemos na realidade e aos poucos iremos fazer caminho juntos e estreitar laços e criar comunidade. Jovens e adultos serão capazes de fazer novas coisas porque diferentes são os tempos. Que a freguesia e a paróquia serão capazes de valorizar o legado que os antepassados deixaram com sacrifício e vontade. Entraremos num novo ciclo de fazer e saber fazer, de reforçar a nossa identidade e dela nos orgulharmos.

Mas, tantas vezes, nesta crença, nesta vontade de que seja assim, lá vem algo ou alguém como água fria a descarregar-se nesta ilusão, como pedra de mó a fazer-nos ficar presos à terra quando a vontade é voar.

E recomeça o ciclo da crença e descrença. O raio da dicotomia volta a enredar-nos, a mostrar e a demonstrar que não será fácil qualquer inversão de marcha porque o caminho é sinuoso e estreito.

Em resumo, talvez o que nos faz ainda ter alguma crença em mudanças será mesmo este vai-e-vem, como também a querer significar que a seguir a cada Inverno haverá uma Primavera, mesmo que cada vez mais os tempos andem trocados e às tantas já nem sabemos se as flores exultam na Primavera ou se despontam no Outono.

Assim vamos indo e andando na espera e crença contínuas e cíclicas de que as coisas possam melhorar, numa permanente luta com a dicotomia. Afinal, a cola que ainda mantém esta esperança é o amor que ainda (alguns) temos pela nossa terra, o torrão onde fomos plantados e criamos raízes. Só por isso.

03/10/2024

Festa do Viso - Comissão de Festas 2025

Comissão de Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António - 2025, que terá lugar nos dias 1, 2, 3 e 4 de Agosto.

1. Domingos Manuel Lopes Ferreira (Juiz) Rua de Fornos

2. Raquel da Silva Alves (Tesoureira) Rua da Zona Industrial

3. Rui Manuel Lopes Silva (Secretário) Rua da Gândara

4. Eduardo Filipe Correia Silva (Vogal) Rua do Outeiro

5. Daniele dos Santos Oliveira (Vogal) Rua da Gândara

6. João Pedro Correia Silva (Vogal) Rua do Outeiro

7. Pedro Manuel Lopes Ferreira (Vogal) Rua das Quintães

8. Alexandre Filipe Freitas Santos (Vogal) Rua de São Mamede

9. João Artur Lopes Conceição (Vogal) Rua dos Marinhos

10. Rita Branco Martins (Vogal) Rua das Quintães

11. Sílvia Lopes Pinto (Juíza) Rua do Canedinho

12. Bruna Pinho Ferreira (Procuradora) Rua de Fornos

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- Parabéns a todos quanto se puseram ao serviço. Fazemos votos de um bom trabalho e que em Agosto do próximo ano, mais uma vez a nossa festa seja feita com a dignidade e espírito de tradição e que continue a ser um momento de partilha e confraternização da nossa comunidade, presente e ausente.

Bem hajam!

03/09/2024

Sobrinca - Uma época, mil memórias

 


Terá sido fundada em 1963 por Fernando Ferreira e Américo Magalhães Ferreira, na freguesia de Caldas de S. Jorge, Santa Maria da Feira.

Implementada depressa cresceu e a Sobrinca - Brinquedos e Utilidades para Bebés, L.da, chegou a ser considerada uma das principais fábricas nacionais especializadas em artigos de puericultura e brinquedos.

Nas suas instalações industriais localizadas no lugar de Azevedo eram produzidos parques infantis, cadeiras de refeição, berços, carrinhos de bebé, andarilhos, bicicletas, triciclos e carrinhos a pedais, etc, etc.

Em 1976, os seus produtos conheceram a implementação dos plásticos nos seus diferentes artigos, autonomizando-se com a criação da IBOPAL na qual se fabircavam as peças e componentes de consumo própio.

Já na década de 1980 foi constituída IBEROBRINCA com objectivos comerciais de exportação e importação.

Na continuidade do seu crescimento, por meados da década de 1990 surgiu a SOBRINCA S.G.P.S, que passou a gerir todas as empresas criadas no âmbito da marca.

Para além do fabrico e comercialização de brinquedos e artigos para crianças, chegou a entrar no mercado de produção de mobiliário em madeira e também com participações no sector imobiliário.

Todavia, pelo início da década de 2000, com modelos de gestão duvidosos, passos maiores que as pernas e dificuldades em acompanhar as mudanças no sector e nos mercados, a empresa entrou em crise, surgindo como tábua de salvação a sua venda mas esta não resultou e pouco tempo depois deu-se a insolvência e falência da empresa e o fim de uma marca que já tinha uma história de quase meio século.

A Sobrinca foi um factor de desenvolvimento, mesmo que inicialmente com práticas deploráveis, que de resto eram comuns a outras empresas, como lançar para a rua e linhas de água os esgotos químicos das suas instalações, certo é que deu emprego a muita gente, mesmo a famílias, nomeadamente da freguesia de Guisande, que sobretudo pela década de 1970 e 1980 terão sido várias dezenas.

O certo é que passou à história e quem lá trabalhava teve que encontrar alternativas de emprego. As instalações estiveram muito tempo devolutas e de há alguns anos para cá foram requalificadas em parte e convertidas em espaços comerciais, nomeadamente de venda de material eléctrico, de pichelaria, materiais de construção civil e peças auto.

A Sobrinca, permance, todavia, como memória de um importante marco social da freguesia das Caldas de S. Jorge mas também de Guisande e outras freguesias vizinhas, pelo elevado número de empregos que facultou num tempo de transição da actividade agrícola de subsistência para o emprego industrial.

Complementando:  Nesses tempos, e sobretudo pela década de 1970, era ver os vários guisandenses a pé, ida e volta, a caminho da Sobrinca. Também era comum o pessoal da casa, esposa ou filhos, irem levar o almoço aos trabalhadores, pelo que procuravam encontrar-se a meio caminho, ali entre os lugares da Leira e Azevedo. De toda essa gente a caminho de e para a Sobrinca, talvez os mais emblemáticos tenham sido os cunhados Zé Carrêlo e Zeferino Gomes, que tantas vezes, em passo ligeiro, víamos a passar. Nesses tempos não se caminhava por desporto ou lazer mas mesmo por obrigação. Tinha que ser. E no caso da Sobrinca, a viagem até era curta, mas tantos e tantos que diariamente íam e vinham, de e para S. João da Madeira. Eu próprio, enquanto não comprei a minha própria bicicleta, durante vários anos ía e vinha a pé de junto da Capela do Viso para o fundo das Caldas de S. Jorge, por isso um pouco mais longe do que para a Sobrinca. Para almoçar subia até próximo do lugar de Azevedo ao encontro de minha mãe que diariamente nos levava o almo (a mim e a meu irmão). Resta acrescentar que tudo isso em idade de criança, sozinho, de noite, fizesse chuva ou sol. Disto não acreditarão os mais novos. Pois não!

15/08/2024

Padre José de Almeida Campos, Linhares, Almeidas e Coelhos, entre outros


Muitos de nós, sobretudo os mais velhos, já terão ouvido falar de que o Pe. José de Almeida Campos, pároco que foi da grande freguesia de Fiães, tem raízes familiares em Guisande, concretamente no lugar da Barrosa.  De facto assim é.

José de Almeida Campos é ainda vivo, tendo nascido em 8 de Junho de 1941, por isso com 83 anos de idade.

Foi ordenado sacerdote em 2 de Agosto de 1964 e foi pároco de Fiães desde 1980 até há poucos anos, tendo sido substituído pelo actual pároco, Pe. António Manuel dos Santos Martins, nascido em 13 de Junho de 1965 e com ordenação em 28 de Fevereiro de 1993 e que acumula a paroquialidade da freguesia e paróquia de S. Martinho de Argoncilhe.

Apesar da sua relação familiar com Guisande, o Pe. José de Almeida Campos, não nasceu cá nem em Fiães, como se poderia supor, mas sim em Pindelo, concelho de Oliveira de Azeméis.

Em rigor, o Pe. José de Almeida Campos, pela parte da mãe, é descendente da família Linhares. Então vejamos.

Era filho de Maria Madalena Ferreira de Almeida, que nasceu em 9 de Abril de 1915 e que casou em 14 de Setembro de 1940 com José de Oliveira Campos.

Esta Maria Madalena, entre outros, era irmã da Teresa da Conceição Ferreira de Almeida, nascida em 1 de Março de 1913, que casando com José Ferreira Cardoso foram pais de gente nossa conhecida, com a alcunha de “os Botas”, como o Sr. Mário Cardoso, o Narciso (falecido), a Margarida e a Maria Lúcia.

Era ainda irmã da Maria Madalena a Baptistina, que casou com Óscar Ferreira de Sousa e tiveram dois filhos, o José Fernando e o Domingos, este que vive na casa que era dos pais e dos avôs.

Era ainda irmão da Maria Madalena um Raimundo. Era ainda irmão da Maria Madalena, o Justino Ferreira de Almeida que casou com a Adelina “do Grilo” e tiveram vários filhos, gente nossa conhecida, como a Maria Zélia, viúva que ficou do Albero Gomes de Almeida, a Maria Eugénia, a Maria Alice, o António Albino, o José Fernando e o Raimundo Ferreira de Almeida, viúvo, serralheiro, que mora no lugar da Barrosa.

A Maria Madalena, mãe do Pe. José de Almeida Campos, e todos os seus irmãos atrás referidos, era filha de Joaquina Ferreira Linhares, nascida em 7 de Junho de 1880 e que casou em 22 de Fevereiro de 1906 com Domingos Ferreira de Almeida.

Por sua vez, a Joaquina Ferreira Linhares era filha de Margarida Ferreira Linhares, nascida em 26 de Julho de 1846 e que casou com José Gomes de Almeida, este de ascendência da família que deu origem à casa do Loureiro.

A Joaquina Ferreira Linhares teve outros irmãos, como a Ana Ferreira Linhares, a partir da qual e do seu casamento com Rufino da Silva Santos teve vários filhos como o Delfim que casando com a Dorinda Rocha, que ficou com a alcunha de “a Buraca” foram pais de vários filhos como o Albino, a Maria Eugénia, o António, o Delfim, a Silvina, o Domingos, o Fernando, o Rufino, pai do Carlos Almeida e o Marindo, pai do Johnny Almeida.

- Dos irmãos de Joaquina Ferreira Linhares, ainda a Teresa Ferreira de Almeida que casou com Joaquim Ferreira Coelho, tendo estes sido os pais do Joaquim Ferreira Coelho que casou com a Cristina Amélia dos Santos, ainda o José Coelho Gomes de Almeida (Zé do Coelho) e o Abel Lafaiete.

Por sua vez a Margarida Ferreira Linhares, mãe da Joaquina Ferreira Linhares, era filha de José Custódio Linhares que casou com Maria Joaquina da Costa. Esta Margarida Ferreira Linhares teve vários irmãos, entre os quais o Joaquim Custódio Linhares, nascido em 27 de Setembro de 1834, que casou com Margarida Gomes e que entre outros filhos foram pais de Manuel Ferreira Linhares, falecido em 26 de Julho de 1956 e que casou com Olívia Margarida dos Santos, falecida em 4 de Junho de 1958 e que tiveram filhos entre os quais o António Ferreira Linhares que casou com Rosa Ferreira de Castro e que tiveram vários filhos, alguns ainda vivos, como a Sr. Rosa do Linhares que vive em Casaldaça, esposa do Fernando de Oliveira Pinho e mãe do Fernando e do Valdemar. Ainda o Manuel, conhecido como “o Capitão”, que era casado com a Angelina do “Neto”, da Barrosa, ainda a Margarida Maria, a Maria Margarida, a Maria Adelaide, esta que casou com o Manuel de Almeida Azevedo e que tiveram filhos como o Manuel (do Talho Frescar, na Pereirada), o António e o José Carlos. Ainda a Maria Laura, ainda viva e moradora no lugar da Pereirada, mãe do Nuno, da Cecília e da Susete.

Como se vê, o Pe. José de Almeida Campos tem raízes familiares em Guisande e cujos ramos são vários e numerosos e produziram muita gente, muitos, mesmos dos mais velhos, ainda vivos e moradores em Guisande.

Como atrás referi, toda esta família ascende à origem da família Linhares na nossa freguesia que até onde consegui pesquisar, foi até ao atrás referido José Custódio Linhares, do lugar de Casaldaça, que casou com a Maria Joaquina da Costa. Por sua vez, subindo na árvore genealógica, este José Custódio era filho de José Custódio, do lugar da Lama, e de Maria Joana de Jesus. Por sua vez este José Custódio (pai), era filho de Joaquim Pinto Ferreira e de Maria Pinta. Por sua vez este Joaquim Pinto Ferreira era filho de Pedro Ferreira e Maria Pinta.

Pesquisar mais nomes, andar para trás no tempo, é missão quase impossível pois como se percebe os próprios apelidos não têm continuidade e perdem-se. Mesmo o apelido Linhares só aparece com o José Custódio (filho) e mesmo assim apenas num documento, já que nos demais apenas aparece escrito como José Custódio.

Claro está que toda esta família dos Linhares é mais vasta e com vários ramos já que o referido José Custódio (filho) teve vários irmãos e vários filhos para além dos aqui mencionados.

Fica, pois, este resumo que já diz muito do passado e presente das respectivas famílias que se entroncam ou entrecruzam.

02/08/2024

A vida do Chico deu uma volta

O Chico do Vieira enviuvou cedo. Tão medonho mal apanhou a Alzira que em pouco se apagou. Depois de desanuviada a negra nuvem da dor e do luto, ainda o rondaram com oferecidos galanteios, daqueles que só não vê quem é cego, algumas jeitosas pretendentes, solteironas, divorciadas e até mal casadas, sabedoras da sua gentileza, da boa estampa apesar de maduro, com casa montada, bom carro e emprego estável numa repartição pública, mas a todas esvaziou com a subtileza dos comportamentos de lobo solitário. Considerou que o que precisava depois da partida da sua alma gémea, era cumprir na solidão uma caminhada de serenidade, física e espiritual, quase como uma travessia de deserto daquelas que buscam os santos eremitas.

Logo depois, chegada a hora, nem mais um segundo, reformou-se e desde esse primeiro dia que se impôs a uma rotina disciplinadora para que não se perdesse numa modorra que conduz ao limiar da loucura. Assim, levantava-se sempre às sete e meia da manhã, espreitasse o sol pela janela do quarto ou nos vidros da janela batessem as gordas bátegas de chuva. A seguir, na casa de banho, eram sempre quinze minutos para o essencial, o escanhoar da barba e do ordenamento da basta cabeleira, já grisalha. Banhos gostava de os tomar antes de deitar. De seguida o pequeno almoço na pastelaria da esquina, a leitura das gordas nos jornais, e minutos depois caminhava já em passo acelerado pelos caminhos da redondezas, tanto quanto possível por onde não andasse alguém. Ao meio dia-e-meio era cliente diário no restaurante do Quintela. E era assim o resto do dia com coisas certas, a horas marcadas, como que comandado por um treinador de apito na boca e cronómetro na mão. Conversas poucas e só com amigos raros e mesmo assim apenas para não dar ares de bicho de buraco. Mas, não fora essa obrigação social e consideração de outros tempos, dispensaria de bom grado as conversas de lana caprina sobre o estado do país, da política e dos políticos, do futebol, etc..

Deitava-se sempre às onze, depois de ler algumas páginas de um dos muitos livros e em regra dormia bem até que o ciclo recomeçava no dia seguinte. Corriam os dias, as semanas e os meses e com eles os anos pareciam cavalgar num trote certinho, sem sobressaltos.

Um dia, porém o Francisco, não se sabe por que carga de razões, quebrou a rotina e foi tomar o pequeno almoço na freguesia vizinha e servido por tão graciosa rapariga, de olhos negros profundos, num corpo esbelto de viço, e tão simpática e afável no trato como se o conhecesse desde sempre. Não consegue justificar-se sobre que aranha lhe mordeu quando percebeu que começou a ir ali, não apenas uma, mas duas ou três vezes por semana e não somente pelos pastéis de nata ou torradas. Pouco mais à frente, já era presença diária e fazia por prolongar aqueles momentos que ali passava simulando que se entretinha a ler o jornal de fio a pavio e a terminar com uma bagaceira, mas na verdade sempre com os olhos a fugirem para os da empregada que, mais doces que os pastéis que servia, os encontrava e retribuía. Começou a baralhar as tarefas que tinha na rotina inabalável dos seus dias, saltando umas e adiando outras. Começou a dormir mal e aquela rapariga, tenra e deslumbrante, era presença nos seus sonhos à noite e pensamentos à luz do dia.

Certo é que passados alguns meses toda a freguesia ficou pasmada quando se espalhou a novidade de que o Francisco se juntara à Teresinha da pastelaria Estrela da Manhã, e de malas aviadas mudara lá para os lados de Castro Daire, de onde era natural a moça.

Há assim nas nossas vidas um não sei quê de que destino, fatalidade ou apenas acaso, que quando damos por ela, dá cabo das mais fundamentadas rotinas, descompondo ideias, desorganizando sonhos, distorcendo as linhas rectas e paralelas que nos guiam, fazendo descarrilar o comboio com as dezenas de carruagens onde arrumamos as nossas coisas certinhas.

Feitas as contas, terá sido melhor assim. Seria demasiado penoso que o Francisco não fosse capaz de se desamarrar daquela disciplina monocórdica que lhe fazia os dias todos tão iguais, tão minuciosamente agendados e preenchidos em todos os minutos e horas dos dia e noites, que às tantas aquilo já não era vida, mas somente um existir, um relógio dominador, uma engrenagem de movimento perpétuo.

Já passaram uns largos meses e a freguesia não voltou a ter notícia do Chico. A filha, a quem entregou as chaves da casa sem grandes justificações, também abalada com a decisão assim de supetão, mal se vê pela aldeia, evita os contactos e se interpelada nem chus nem mus.

Não sabemos, por isso, como corre a vida do Francisco com a fresca Teresinha, lá pelas bandas de Castro Daire, mas por mais revolta e imprevista que seja, será certamente vivida, em que cada dia é diferente do anterior como inesperado será o seguinte. Sem regras, apenas de improviso. Porventura, descascada a sumarenta da companheira, já a achará chocha, desenxabida, ou ela, de tanto o já ter espremido, seguiu para outro pomar, mais fresco. Talvez, uma ou outra coisa ou nenhuma delas, mas na certeza de que a vida do Chico deu uma volta de pernas-para-o-ar. Se caiu de patas como os gatos, se de cu-catrapuz, por ora ainda não se sabe.

Talvez regresse um dia destes, cabisbaixo, rendido, a retomar a antiga rotina, a voltar a almoçar no Quintela, feijoada às sextas, rojões ao Sábado, cabrito ao Domingo.... Talvez!

01/08/2024

Viagem Medieval? Não, obrigado!

 Há 20 anos que não ponho os meus pés na Viagem Medieval.

Apenas por umas poucas razões: 

1 - A primeira desde que, enquanto membro da Comissão de Festas cá da terra, solicitei um apoio da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira à componente cultural,  pela participação de duas bandas filarmónicas, e nem sequer merecemos resposta nem a atribuição de 1 euro que fosse.

2 - Não concordo que enquanto cidadão livre, defendido pela Constituição, que me permite a livre circulação no espaço público não o possa fazer durante quase duas semanas, numa zona nobre e ampla de uma cidade, convertida por esses dias num parque temático.

3 - Se gostei da genuinidade das primeiras edições, e ainda no castelo, depressa percebi que a coisa se massificou. Não sou adepto de entretenimento massificado. Defeito meu, admito! 

Mesmo assim, da duração, creio que 4 dias seriam suficientes. 12 é um exagero e todo o constrangimento que daí decorre. Quem por ali vive ou trabalha, melhor é meter férias e dar de frosques.

Reconheço obviamente a importância económica para o concelho, seja quem disso beneficie, e serão muitos, mesmo que digam que quase sempre os mesmos, mas como dela não colho 1 euro, é daquelas coisas relativas, a desconsiderar porque de que vale sermos ricos por ter o ovo no cu da galinha do vizinho? Além do mais, nem tudo pode ser justificado pelo dinheiro e receitas.

Apesar de tudo, é engraçado ver tanta gente feliz a fazer de conta que é cavaleiro, a comer e a beber sem olhar a preços, sempre exorbitantes . Assim fossem tão empenhados estes nobres e valentes cavaleiros de fingimento a apanhar batatas. Não são, mas que se divirtam!

Passarei pelo burgo logo que que o espaço público atravancado seja devolvido aos cidadãos, assente a poeira das batalhas fingidas e dissipado o cheiro a porco no espeto.

26/07/2024

Postal do dia - Obrigado ao Johnny Almeida e à Comissão Fabriqueira


Tenho escrito e falado sobre o assunto, o da necessidade de obras de conservação na nossa capela dedicada a Nossa Senhora da Boa Fortuna e a Santo António, popularizada como Capela do Viso. Em Maio de 2023 escrevi sobre isso e de que então já havia o propósito de realizar obras.

Mas não se realizaram e em Agosto desse ano, decorreu a nossa maior festa comunitária, a Festa do Viso, com a capela, sobretudo o interior, em mau estado do reboco das paredes, como uma nódoa ali a envergonhar-nos, perante nós próprios e sobretudo para quem nos visitava.

No arraial gastava-se dinheiro em artistas e em foguetes e na capela, em que reside o motivo maior, via-se aquela situação. As imagens que ilustram este apontamento são elucidativas.

Pensei eu que, entretanto, seriam feitas as obras para que a situação não se repetisse na festa deste no de 2024. Todavia, porque entretanto foi dada prioridade às obras do Salão Paroquial, felizmente já feitas e bem feitas, parece-me, o tempo ficou apertado e de novo a capela a correr o risco de se apresentar vergonhosamente à comunidade local e forasteira, tanto mais quando vamos ter o privilégio de cá ter o bispo auxiliar do Porto, D. Roberto Mariz, a presidir à celebração da Missa Solene.

Pessoalmente é uma situação que me envergonha e desde logo porque acho paradoxal que se faça uma festa com qualidade no arraial e na capela se veja esta pobreza de estado de conservação. Quem não se envergonha ou incomoda com isto?

Neste contexto, mesmo que a título pessoal e informal, questionei sobre o assunto alguém do Conselho Económico – Comissão Fabriqueira, no caso o Johnny Almeida, o qual reconhecendo a situação, se prontificou a analisar a mesma no sentido de ver se ainda a tempo, mesmo que de forma provisória, fosse possível retocar os pontos mais deteriorados.

Contactou-me entretanto a confessar que a situação era mesmo grave e que a coisa já não se resolveria apenas com uma intervenção ligeira. Assim, num compromisso de esforço e dedicação, e deslocando pessoal da sua empresa de outros trabalhos, comprometeu-se a que nestes dias e até à festa, irá fazer uma intervenção que seja já de forma definitiva, mesmo que apenas parcialmente, porque de facto não haverá tempo para mais.

Assim, começará a revestir as paredes interiores desde a parte do coro até onde for possível até aos altares laterais. A solução é a mais adequada, com aplicação de revestimento em placas de gesso cartonado, já que a solução de reconstrução do reboco pelo método tradicional, para além de mais demorado não resolveria o problema de humidades e salitre e dentro de poucos anos o problema voltaria.

Neste contexto, comprometeu-se pessoalmente e pela Comissão Fabriqueira a fazer os possíveis para nestes próximos dias revestir a maior área de paredes possível. O tempo é curto mas com competência será possível atalhar.

Pessoalmente não tenho quaisquer responsabilidades nem peso decisório na matéria e a minha interpelação foi apenas a título pessoal, mas não posso deixar de agradecer aqui publicamente a sensibilização do Johnny Almeida, e estou certo que de acordo e conhecimento com os demais elementos, incluindo o pároco Pe. António, bem como à sua dedicação e empenho, mesmo que com inconvenientes para a organização dos trabalhos da sua própria empresa.

É de facto meritória a sua acção e mesmo sem ver o resultado do trabalho, e se não surgirem obstáculos, acredito que pela sua competência será capaz de, mesmo que de forma incompleta, dar a dignidade adequada à capela e à altura da festa que recebe em honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna.

Há alturas em que é preciso pôr mesmo o carro à frente dos bois, pois parece-me que nestas coisas de atalhar problemas, tantas vezes é pior nada fazer do que fazer menos bem ou de forma mais apressada.

Pela parte que me toca, obrigado ao Johnny Almeida e à Comissão Fabriqueira pelo interesse que acolheu a minha interpelação e se prontificou a mitigar essa nódoa na nossa capela no dia da sua festa maior.

Sem fazer julgamentos antecipados, até porque a equipa é nova, parece-me que é neste caminho que se tem que trabalhar, de forma decidida, sem as crónicas hesitações que só adiam e agravam os problemas e as necessidades.

Conservar com dignidade o nosso património comum é respeitar o legado de quem ao longo dos tempos o edificaram e transmitiram.

Bem hajam pela vontade, dedicação e acção!



22/07/2024

A importância do Centro Cívico

Vamos ter na nossa Festa do Viso, neste ano de 2024, serviço de refeições que funcionará no Centro Cívico. Foi anunciado pela Comissão de Festas e confirmado pelo presidente da Comissão Administrativa do Centro Social S. Mamede de Guisande, Joaquim Santos. O serviço ficará ao encargo do Armando Ferreira e da esposa Isabel Paiva, do Café Fornos, pelo que aguarda-se boa qualidade e diversidade.

Confesso que fico satisfeito, desde logo porque sabe sempre bem almoçar, jantar ou petiscar na nossa festa. Pode ser tudo muito simples mas ali, naquele local e momento, as coisas sabem melhor.

Sem ter a certeza, presumo que tal como no ano anterior, teremos também a tasca do Guisande F.C., também a servir algo para comer. Seria interessante para além de que será bom para todos.

Fico satisfeito por outro lado pois percebe-se que a instalação do Centro Cívico, mesmo que ainda sem cumprir com o motivo principal da sua edificação, o de ser um Centro de Dia, e que ainda só não acontece por questões políticas e de poupanças e retenções em diferentes governos, tem sido de uma enorme utilidade no apoio das actividades da nossa comunidade, como é o caso da organização da Festa do Viso.

Todavia, e como nem tudo é perfeito, em contraposição a esta concensual utilidade da instalação, fica o desconsolo de constatar que para além disso, ninguém se chega à frente para assumir responsabilidades directivas no Centro Social. Ora como não apareceram listas candidatas nas duas anteriores assembleias gerais, o Centro Social está a ser gerido com serviços mínimos por uma Comissão Administrativa e que entretanto também terminará o seu mandato.

Temos assim esta duplicidade, com realidades diferentes: Por um lado o inegável interesse do Centro de Dia, e por outro lado o desinteresse e desvio às responsabilidades, levando a que ninguém apareça para assumir e dinamizar a Associação do Centro Social.

Onde é que isto vai levar? Não sei responder. Preocupa-me? Claro que sim, mas como já dei para esse peditório, fazendo parte dos corpos gerentes em vários mandatos, é responsabilidade que por agora não quero repetir. De resto, há muitos  e bons, e bem mais novos, na possível lista de espera. Assim tenham essa vontade como nós, quando éramos bem mais novos, tínhamos! É o que se espera da renovação de uma comunidade.

16/07/2024

Memórias - As artes e ofícios em Guisande


Na nossa freguesia de Guisande, até meados da década de 1970, se quisermos até à revolução do 25 de Abril de 1974, o grosso da população dedicava-se à agricultura, mesmo que, pela natureza dos prédios e sua topografia, no geral de reduzidas dimensões, num regime de minifúndio, isto é, para rendimento e auto-sustento ou subsistência familiar.

Complementarmente ao que as terras produziam, essencialmente milho, centeio, feijão e mais tarde as batatas, para além dos habituais produtos da horta e pomar , eram comuns os animais, como gado bovino, quer como força motriz nos diversos trabalhos, quer como produção de leite e de carne sendo que esta essencialmente resumida à criação de porcos, animais de capoeira e a algumas ovelhas.

A partir desse período, as actividades industriais começaram a generalizar-se e com isso o aumento de fábricas na nossa zona, nomeadamente por S. João da Madeira e Arrifana, com predominância do sector do calçado, mas também e ainda mais próximo, na freguesia de Caldas de S. Jorge, com o aparecimento de fábricas como a Sóbrinca e Bébécar, e outras mais, como a Brinquel e a Fabruíma, dedicadas a produtos de puericultura e utilidades domésticas.

Ora algumas destas fábricas vieram a absorver muita dessa mão-de-obra até então dispensada ao sector agrícola, sobretudo de homens e rapazes, mas ainda algumas raparigas, garantindo às famílias um rendimento certo ao final do mês.

Com esta generalização do sector industrial, bem como do desenvolvimento da maquinaria e processos de produção electro-mecanizados, ainda a extensão da escolaridade obrigatória até altas idades e terminado o trabalho infantil, aos poucos foram-se perdendo as actividades até aí artesanais que comportavam saberes ancestrais.

Tomando como referências as profissões descritas em muitos dos assentos paroquias de Guisande, para além das mais comuns ligadas aos campos, matos e pinhais, como agricultores, lavradores, jornaleiros, carreteiros, ou serradores, existiam alfaiates, sapateiros, carpinteiros, ferreiros, cesteiros, tamanqueiros, pedreiros, costureiras, tecedeiras, rendeiras, etc.

Como já não sou rapaz novo, ainda me lembro de vários destes artesãos e de alguns até de os ver a trabalhar, como alfaiates, o Ti Delfim em Casaldaça e o Ti Joaquim Pisco na Igreja, costureiras como as Fonsecas, primas da minha mãe, a tecedeira Isabel do Moleiro, na Barrosa, o cesteiro Ti Manuel do Caseiro, em Cimo de Vila, o ferreiro Ti Raimundo do Reimão em Casaldaça, ainda carpinteiros, sapateiros, etc.

Hoje em dia, e já de há muito tempo, porque deixaram de compensar tais artes nem foram passados os ofícios, já nada existe para além das memórias. E mesmo algumas coisas materiais que pudessem servir de testemunho, como um tear e bancas de carpinteiro ou sapateiro ou forja de ferreiro, há muito que foram desmanteladas e o que fosse de arder queimado foi, e o resto lançado para a sucata e calabouços do tempo.

Pode-se ter pena e uma saudade bucólica dessas artes e ofícios, mas o tempo e as mudanças inerentes não se compadecem com lirismos e por isso tudo subjuga à produção mecanizada, em série mesmo que impessoal. 

Face a esta fatalidade, imparável, pelo menos que se guardem as memórias de quem ainda as tiver, e se perpetuem, incluindo os nomes de quem, nos diferentes tempos, soube fazer com arte e mestria o dia-a-dia d euma terra, de uma comunidade.

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