30/10/2022

Serra da Freita
















Há em toda a serra da Freita,

Um não sei quê de encantamento

Que nos extasia de cor, de luz;

Uma beleza singela, perfeita,

Um horizonte a planar no vento

Um seio farto que dá-se e seduz.

Os Manuéis da vida como ela é


Não é novidade. Num qualquer hospital e numa qualquer das suas enfermarias, mesmo no serviço de urgências, há vizinhanças que se estabelecem nas longas horas ali passadas. Uns mesmo mais novos, outros de idade parecida, outros ainda mais velhos parecendo mais novos ou mesmo mais novos parecendo mais velhos. É o que é!

Assim, ali ao meu lado direito, numa maca, alguém deitado, coberto pelo lençol, talvez para se proteger das luzes fortes no tecto, do ar condicionado, daquela algazarra de gente a gemer, a pedir ajuda, ou mesmo do emaranhado sonoro das gargalhadas do pessoal, porque nestas coisas não leva a lado algum ambientes carregados de tristeza, angústia e dor. Para isso lá estão os doentes.

Mas esse vizinho de circunstância estava ali, imóvel, a ponto de nem saber se morto se vivo ou se morto vivo. Entretanto, descobri que estava vivo, porque à solicitação cordial da enfermeira para colher sangue para análises, reagiu grosseiramente: - Outra vez! Já estou farto de ser picado! Porra! É demais!

- Mas, ó Sr. Manuel, tem que ser! Você não quer ser tratado? Você é que desmaiou, não fui eu! - rematou a enfermeira para o conformar e chamar à razão.

- Tá bem, tá bem! Tire lá o sangue! - anuiu vencido pela razão.

Pouco depois relatava a sua situação: Tinha 83 anos, era de Milheirós de Poiares e vivia ali pela Feira. Andara pela Guiné, logo desde o início de uma guerra onde pretos e brancos se matavam sem dó nem piedade, por razões e motivos que não entendiam mas que a mando de alguém e de um eufemismo chamado dever, assim o determinavam.

- Não morri na guerra, escapei a minas e armadilhas, a balas a zoar nos ouvidos e agora estou aqui derrotado, pronto para ir! Mas já pouco me importa! A minha boa esposa já foi há dez anos! Era uma santa! - Disse numa voz lamentosa. - Casamos antes três meses de ir para a guerra e um sacana de um vizinho que a desejava, andava sempre a moer-lhe a paciência a dizer que era melhor juntar-se a ele, porque eu, na guerra, não sairia de lá vivo. - Continuou a desfiar o rosário das suas memórias. - Era o filho do merceeiro local onde o carteiro ali depositava as cartas de todo o lugar e o “filho-da-puta” desviava todas  cartas que eu escrevia semanalmente, para convencer a minha mulher a desanimar e a dar-me mesmo como perdido e dela desinteressado. - Contou e continuou. - Mais tarde, a mãe dele descobriu a sua tramoia e obrigou-o a devolver as cartas. A minha mulher, que nunca perdera a esperança, recebeu um monte delas e levou uma semana para as ler.

Entretanto desligou o disco dessas memórias passadas e voltou-se para as do presente. Estava ali naquela situação porque, sem saber como nem porquê, começara a desmaiar como se alguém com um comando à distância o desligasse. Caiu, pois, na rua onde caminhava, desamparado, como morto, e torcera o pé, rachara a cabeça e outras amolgadelas menores. Dois ou três dias depois de deixar o hospital, onde passara duas intermináveis noites sem dormir, voltou a acontecer-lhe o mesmo, desta feita na casa-de-banho. Não sabia o que lhe estava a acontecer e receava o pior, pois os desmaios não davam qualquer aviso que lhe dessem tempo a prevenir-se e a preparar a pista de aterragem para o avião descontrolado. 

A história foi longa e os lamentos angustiantes, mas de facto pareceu-me uma situação extremamente perigosa. 

Entretanto, já quase todo examinado, fui deslocado para outra enfermaria mais confortável e ali ficou o Sr. Manuel, não sei das quantas, entregue à sua sorte ou falta dela. Nem tive tempo de me despedir e de lhe desejar as melhoras porque novamente debaixo do lençol procurava esconder-se da sua situação ou mesmo de si próprio.

De facto o que não faltam nos hospitais são estes senhores Manuéis, frutos de uma geração com histórias de vida, invariavelmente duras e reportadas a tempos difíceis, como se todas as suas existências tenham sido uma múltipla condenação, em que todas as fases das suas vidas, infância, adolescência, juventude, idade adulta e velhice não fossem mais que um ramalhete de muitos espinhos e poucas flores.

A vida é assim mesmo. Felizmente para as novas gerações, mesmo com as dificuldades próprias dos tempos modernos, jamais experimentarão as dificuldades e agruras dessas anteriores gerações. Ainda bem, mas bastará isso para que todos os senhores Manuéis deste país, enquanto por cá andarem, mereçam ser tratados com todo carinho e atenção  possíveis. Que mais não seja, é o mínimo que merecem e têm direito, em nome da dignidade, justiça e gratidão. 

As melhoras, Sr. Manuel, mesmo que, inevitavelmente, o botão do desligar um dia deste, mais cedo ou mais tarde, seja accionado pela última vez! 

[foto: JN]

28/10/2022

Estas coisas só acontecem aos vivos


E de repente, sem grandes alaridos, são mais que muitos a contactarem preocupados para saberem da minha estadia no hotel do SNS. Não só familiares, naturalmente, mas muitos amigos. 

Não é caso para tanto, e tudo esteve sempre bem, mas fico naturalmente satisfeito com a preocupação por muitos demonstrada. Sabe bem ter amigos sinceros. Bem hajam.

Quanto ao hotel do SNS, recomenda-se sobretudo pela excelência do pessoal, nomeadamente dos enfermeiros (em rigor das enfermeiras), do pessoal auxiliar e dos médicos, embora estes pouco se vejam.  E tudo gente jovem. E além disso, porque quase todos vestidos da mesma maneira, quase indiferenciados, não sabemos a quem chamar doutora ou enfermeira, Os médicos parece que usam agora umas batas iguais às que usam os serralheiros. Modernices e as batas brancas já são ali raras, talvez porque se sujem , tanto mais depois de 12 ou mais horas de serviço.

Não vi por ali profissionais seniores, como agora se diz.  Esses, porventura  já com menos paciência para as tropelias e desconsiderações do Ministério, deram à sola para sítios mais bem calmos e melhor remunerados. Vi por ali muita gente a fazer mais de doze horas, no fundo a queixarem-se tanto como os doentes com dores de costas, ossos partidos ou falta de ar.

Em rigor, todos aqueles dedicados profissionais também estão ali eles próprios em urgência, não nas macas nem ligados a ventiladores ou a soro, mas feridos na sua dignidade.

Gente boa, preocupada, simpática e atenta. Não fazem mais porque os meios são insuficientes e os hóspedes são muitos e não se pense que só velhinhos ou meias idades, mas também alguns jovens, naturalmente que por diferentes motivos.

Dos quase três dias ali internado, colhi sensações, emoções e realidades com significado fundo, que se os for a escrever, darão um livro.

Mas isto é coisa de quem gosta de adornar as palavras e as ideias a descrever emoções, sentimentos e estados de alma. No geral, um hospital e o seu serviço de urgências não se compadecem com lirismos.

O SNS é tão importante e necessário quanto a dimensão da sua doença e dos seus problemas crónicos,  porque os que lhe têm tratado da saúde (os sucessivos governos) têm sido, em regra, maus profissionais. Quando assim é, o SNS é ele próprio um doente em permanente serviço de urgências.

25/10/2022

Na dor e alegria, presente.

Cada um, e de modo especial a família, sentirá como lhe aprouver. Pessoalmente achei significativo que o nosso pároco, Pe. António Jorge, mesmo depois de uma queda que o maltratou, e por isso em confessado e nítido esforço e desconforto físico, fizesse questão de ser ele a celebrar ontem a missa de exéquias pela Maria Isaura da Conceição, e assim de algum modo partilhar a dor dos familiares, reconhecendo e considerando simultaneamente o papel e acção que alguns elementos da família sempre souberam dar à paróquia e à comunidade.

Ora isto nem sempre acontece em diferentes situações da nossa vida e quotidiano, e tantas vezes, mesmo com trabalho e dedicação desinteressada, até mesmo com prejuízo próprio, no final das contas ainda somos rotulados com o mesmo carimbo com que despachamos os maus da fita.

Por isso sabe bem este apoio e esta proximidade, tanto mais num momento de dor. Certamente que a família o sentiu, de modo particular, permita-me, o António.

Bem haja, Pe. António!

24/10/2022

O oleiro do tempo

Deixem-me, amigos, que vos diga,

O tempo, esse nunca volta p´ra trás,

Um ano, um mês, sequer um dia.

Os anos têm um peso que fustiga,

Que da frescura viçosa dum rapaz

Transforma-a em doce melancolia.


O tempo é assim, um laborioso oleiro

A moldar o barro de que somos feitos,

Inacabados desde o momento primeiro

Como vasos a girar na roda, imperfeitos.

23/10/2022

Nota de falecimento



Faleceu Maria Isaura da Costa Conceição, de 60 anos de idade (5 de Maio de 1962 a 23 de Outubro de 2022), do lugar do Viso - Guisande.

Nesta hora de pesar, expresso sentidos sentimentos a todos os seus familiares, de modo particular a seus irmãos, nomeadamente ao António, de algum modo, desde há muitos anos, no papel de irmão, cuidador e pai.

Cerimónias fúnebres amanhã, Segunda-Feira, 24 de Outubro, pelas 17:00 horas, na igreja matriz de Guisande, indo no final a sepultar no cemitério local. O corpo estará em velório a partir das 15:00 horas.

Missa de 7.º Dia no próximo Sábado, 29 de Outubro, pelas 17:30 horas na igreja matriz de Guisande.

Que descanse em paz! Deus a tenha em sua companhia!

21/10/2022

Quadro cinzento



No céu da velha Europa

Há névoas a amortalhar a plenitude

Da liberdade conquistada,

De cada homem, mulher, criança,

Como se toda fora vã a esperança,

A de viver, somente viver.

Já não há neste jardim a quietude

De uma rosa fresca cheirada,

De uma carícia desejada,

De um sol morno pela manhã,

De um retempero fraternal.

Há uma ânsia desmedida

A de ceifar a vida, a esborratar

A frescura de um desenho infantil,

Devastando as coloridas flores mil

Pintando um triste e vil excremento

Num quadro só de cinzento.

20/10/2022

Sem pressa



Que adianta ao homem ter pressa

Numa constante busca do incerto,

Quando, afinal, o que lhe interessa

É de si próprio estar bem perto?


A ânsia, perturbada, desmedida,

É uma névoa espessa de fatalidade,

Que num ápice nos absorve a vida

A devolver-lhe toda a efemeridade.


Um após outro, seja firme cada passo

Num caminhar sentido, de peregrino;

Não haja esmorecimento ou cansaço,

Mas tão somente o esperado destino.

19/10/2022

Fonsecas de Cimo de Vila

 



A minha mãe, Eugénia, é filha de Américo José da Fonseca, de Cimo de Vila, e de Lúcia Alves, do Outeiro. 

Quanto à sua mãe, minha avó, Lúcia Alves Moreira, faleceu quando ela era ainda tenra criança. Já o seu pai, meu avô,  nasceu em Março de 1919 e faleceu em Julho de 2001, sendo um dos vários filhos de Raimundo José da Fonseca (meu bisavô), do lugar do Carvalhal, freguesia de Romariz, e de Margarida da Conceição (minha bisavó), do lugar das Quintães da freguesia de Guisande. 

Este meu bisavô materno, Raimundo José da Fonseca, nasceu em 17 de Outubro de 1884 e faleceu em 17 de Novembro de 1929, muito jovem, apenas com 45 anos.

Por sua vez, era neto paterno de Manuel José da Fonseca e de Margarida Rosa de Jesus e neto materno de Manuel Ferreira da Silva e Ana Maria d´Oliveira (todos estes meus tetra-avôs maternos)

A minha bisavó materna era filha de António Caetano de Azevedo e de Maria da Conceição, do lugar das Quintães - Guisande. Quando casaram em 9 de Maio de 1907 ele tinha 22 e ela 21 anos de idade.

O meu bisavô Fonseca trabalhava com o pai e com alguns irmãos, sendo  afamadas mestres e oficiais de pedreiro e cantaria, tendo realizado em vários locais diversas obras de cantaria e escultura da mais fina traça. Terá sido ele a realizar a fonte existente na sacristia da nossa igreja matriz bem como a capela mortuária da Casa do Moreira, existente no nosso cemitério e ainda o jazigo de meus avôs paternos, com uma imagem de Nossa Senhora esculpida em mármore sob uma espécie de capela em granito assente em quatro colunas. Similar a este modelo tem de sua autoria um trabalho no Cemitério Paroquial de Fermedo - Arouca.

Naturalmente que tenho muitas memórias dos tempos de criança ligadas a este ramo familiar materno e por conseguinte ao lugar de Cimo de Vila onde tinham casa a minha bisavó - que depois passou para a filha Laurinda - o meu avô e o irmão deste, o Joaquim, cuja casa acima está na fotografia.

Esta casa, ali à face da Rua de Cimo de Vila, está naturalmente velhinha, mas dela tenho várias e boas memórias porque por lá passei muito tempo da minha infância, já que a minha mãe, presa aos trabalhos da casa e do campo, e por essa altura já com três filhos pequenos (eu, o meu irmão mais velho, o Joaquim, e o Manuel, que me segue na idade), deixava-nos ela entregues à minha bisavô Margarida e muitas vezes às suas primas, que ali naquela sua casa trabalhavam como costureiras. Recordo-me, pois, de muitas vezes ali subir à parte de cima daquela espécie de torre e passar as horas entretido a brincar com paninhos e botões e a desfolhar revistas da Crónica Feminina ao som de um pequeno rádio.

Não raras vezes, acompanhava a Ti Ilda Fonseca, prima de minha mãe, bem como a minha bisavó, a que chamávamos mãe Guida, ao Souto D´Além, já a caminho de Cimo de Aldeia - Louredo, onde enquanto apanhavam tojo e carqueja eu brincava  a construir casinhas de pedras e musgo. Outro sítio recorrente de brincadeiras infantis, era o campo da porta e na eira ali bem junto àquele canastro do lado sul da casa. A marginar esse campo, existia um rego que pelo Verão trazia a água da abundante fonte de Cimo de Vila, onde eu montava rodízios de bugalhos e largava barquitos de papel que acompanhava como timoneiro atento já quase até à descida para as Barreiradas, quando o dito "rio" dobrava o muro da Cancela que acompanhava.

Claro está que o largo fronteiro, era palco de habituais brincadeiras e chutos na bola com vários rapazes do lugar, e toda aquela zona envolvente, com a tal casa das primas de minha mãe, a do meu avô e a da minha bisavó, e ainda o amplo campo da Cancela, onde os meus pais também tinha uma parte por herança, eram no conjunto uma espécie de presépio bucólico e do qual tenho fortes lembranças, mesmo que já gastas pelo tempo, tal como a casa.

Muitas coisas mudaram de lá para cá por parte desta cepa de Fonsecas. Faleceu a minha bisavó (já era eu adolescente), o meu avô, os meus segundos tios, a Laurinda Fonseca e o marido Alexandre, e antes deles o Joaquim Fonseca e a esposa Albertina e já alguns filhos destes como o Hilário e o Alexandrino e mais recentemente a Conceição e a Alzira (esta há poucas semanas). Desse ramo dos Fonsecas de Cimo de Vila ainda andam por cá a Ilda, a Celeste, a Idília, a Madalena e o Abel - julgo não ter esquecido mais alguém - , todos irmãos, primos de minha mãe, por isso meus segundos primos. De todos os Fonsecas de Guisande, têm ali em Cimo de Vila a sua origem.

Somos oito irmãos e nem todos ficaram com o apelido de Fonseca. Pela minha parte herdei-o logo a seguir ao nome. De resto, Américo Fonseca, como o meu avô materno e também meu padrinho.

Somos, pois, Fonsecas, com raízes conhecidas em Romariz, porventura mais além, mas os apelidos são como os pássaros, andam por aí de lado para lado, sem poiso certo mesmo para fazer o berço dos filhotes. Uma vezes, como as andorinhas, até regressam ao mesmo ninho, outras vezes, na maior parte delas, vão e não voltam.

As memórias, essas também parecem ter asas e permitem-nos voar e ver as coisas de cima, como uma velha casa, um largo, um lugar. Cerrando os olhos, avivando a chama das memórias, ainda será possível ouvir crepitar na fogueira do tempo, por ali, naquele lugar, os gracejos e algazarras da criançada, que por esse tempo em Cimo de Vila era em mais quantidade do que agora em toda a freguesia. Outros tempos, naturalmente.

Se recordar é viver, também é voar sobre as velhas memórias.

Maria levantou-se e partiu apressadamente

Como Maria, urge levantar

E partir apressadamente,

Para ao destino se chegar

Todo missão, plenamente.

Não fiquemos sós, parados

No meio da vã indiferença,

Tristes, vazios, cansados,

Mas antes de alma intensa.

Pés ao caminho, que é novo,

Importa partir p´ra chegar.

Os jovens serão esse povo

Num futuro já a despontar,

Vamos partir, bem depressa,

Somos jovens, povo, gente,

Com fé. Pouco mais interessa,

Importa é caminhar em frente.

Apressadamente, já eu decidi

Fazer o caminho na diferença;

Chegar e dizer:- Eis-me aqui!

Faz-me, ó Jesus, tua pertença!

18/10/2022

Os lápis de cor



Era uma vez um rapazinho de família pobre e humilde que gostava muito de desenhar, mas só tinha um simples lápis, de cor cinzento, que o seu pai, que era carpinteiro, lhe emprestava.

Gostava ele de desenhar cães e gatos que o seu avô lhe ensinava à noitinha, à luz da vela, enquanto a sua mãe preparava o simples jantar.

Quando completou 6 anos, entrou o menino para a escola primária e a sua família, mesmo com muitas dificuldades, conseguiu pagar os livros onde aprenderia a ler, os cadernos onde escreveria, uma lousa onde faria as contas, um afiador de lápis, uma borracha para safar os erros, e ainda uma bela caixinha com 6 lápis de cor.

Foi uma alegria para esse rapazinho quando recebeu a caixinha com 6 belos lápis, pois já podia fazer os seus desenhos com as suas 6 cores.

Os seus cães, até ali cinzentos, passaram a ser castanhos, verdes, vermelhos, azuis, amarelos e lilás. Às vezes até os pintava às bolinhas e às riscas.

Os gatos eram verdes e vermelhos conforme a sua imaginação.

Mas um dia, o menino pobre conheceu outro menino da sua classe, que era filho da professora, por isso um menino rico.

Ora o rapazinho pobre descobriu que o rapazinho rico tinha também uma caixa de lápis-de-cor mas não apenas com 6, mas com 12 lápis.

Lá estavam entre outras cores, os lápis cor-de-laranja, cor-de-rosa, verde claro, verde-escuro. Tinha, pois, mais 6 lápis com cores diferentes das suas.

Então o menino pobre ficou um pouco triste e ficou a imaginar que com todas aquelas 12 cores conseguiria fazer cães e gatos de cores diferentes e até mesmo desenhar o arco-íris, que aprendera que tinha 7 cores.

Mas tudo se resolveu, pois o menino rico tornou-se amigo do menino pobre e sempre que na escola a professora mandava fazer um desenho, eles partilhavam os lápis e assim fizerem belos desenhos, bem coloridos com todas as cores.

O menino pobre ensinou então o menino rico a desenhar belos cães e lindos gatos e assim ambos viviam naquela amizade bonita e colorida, que durou toda a escola primária.

Ainda hoje, já homens crescidos, são amigos.

Moral da história: Haverá sempre meninos pobres e meninos ricos, mas todos serão felizes, menos pobres e mais ricos se partilharem entre si os seus bens, mesmo que seja apenas uma simples caixa de lápis de cor.


(Pequeno conto infamtil que escrevi e que foi lido por uma criança (a Leonor) durante a  sessão de apresentação do meu livro infantil no passado dia 1 de Outubro, no Centro Cívico de Guisande)

As memórias da casa chanfrada - Toninho do Viso




Há casas assim, que mesmo de portas e janelas fechadas estão permanentemente, dia e noite, escancaradas às nossas memórias. Entramos nelas com pézinhos de lã, como fantasmas, damos umas voltinhas e voltamos a sair sem ter feito ranger o velho soalho ou fazer chiar os gonzos das portas.

Esta casa, a da fotografia, todos a conhecem. Fica ao fundo do monte do Viso. Chamo-lhe eu a casa chanfrada, não porque lá viva ou tenha vivido gente com umas quartas-feiras a menos; bem pelo contrário, sempre lá viveu gente ajuizada, de nome, honrada e de trabalho. 

Casa chanfrada porque tão somente tem uma das suas esquinas recortada com um chanfro, como se o mestre pedreiro ali fosse ao canto e..zás, lhe cortasse uma talhada e, por conseguinte, dessa esquina resultou uma face adicional na qual, em cima e em baixo rasgaram portas, sendo que a de cima, a do Andar, dá para uma elegante varanda, a que o nosso povo designa de sacada. Já agora, a encimar as duas portas do Andar, duas belas padieiras com florões bem talhados na pedra.


Manuel Alves da Silva

Do que me lembra, pertenceu a casa a Manuel Alves da Silva, depois a seu filho António Alves da Silva e já depois da partida da sua esposa, Maria da Conceição Ferreira Fontes, em Abril de 2020, com 94 anos, pertence ainda à herança, mas dela usufrui sobretudo a filha Micas, e é sabido que se há alguém com um passado e ainda presente de trabalho laborioso nas coisas da terra é a esposa do Manuel Tavares. De resto, pela fotografia acima, veem-se ainda ali espigas a dourar num final de Outono, mas poderia ser um montão de espigas de dentadura a sorrir, vindas das ribeiras, prontas a desfolhar ou um carrego de bandeiras de milho ou feijão a secar. Aquele fundo do monte foi sempre assim, desde que me conheço, uma eira do povo, mas sobretudo da Micas. 

António Alves da Silva, nasceu em 29 de Março de 1928. Era filho de Manuel Alves da Silva (foto acima) e de Carolina Pereira de Jesus. Era neto paterno de António Alves da Silva e de Margarida Rosa de Jesus (esta de Duas Igrejas). Era neto materno de António Rodrigues Caldeira e de Joaquina de Jesus. casou em 15 de Abril de 1950 com Maria da Conceição Ferreira de Fontes.

O pai do Antoninho, na imagem acima, nasceu em 14 de Março de 1898. Era filho de António Alves da Silva, da Barrosa, e de Margarida Rosa de Jesus, esta natural de Duas Igrejas. Era neto paterno de Manuel Alves da Silva e de Maria Soares. Era neto materno de António Ferreira de Passos e de Rosa Maria de Jesus (de Duas Igrejas).

Por parte do seu avô paterno era bisneto de José Francisco da Silva e de Rosa Maria de Jesus e por parte da esposa do seu avô paterno era bisneto de Manuel Ferreira de Passos e de Rosa Maria de Jesus.

De resto eram assim, noutros tempos, os largos dos lugares. No monte do Viso, atrás da capela, era uma eira comunitária do tamanho do mundo onde secavam palha, espigas e milho já malhado a assolhar dourado estendido em lençóis. 

Pois bem, só por si, esta estreita fachada orientada para sudeste, tem muita história, porque, pessoalmente, me remete para as tardes de Domingo, em que o antigo proprietário, o saudoso senhor Antoninho (António Alves da Silva), abria aquelas portas de par em par  e enchia o lugar com o som da sua aparelhagem em que punha a rodar um velho disco de uma qualquer sinfonia de Beethoven, Mozart ou Wagner. 

Era uma das suas paixões, a música clássica e os respectivos discos. Outra, era conhecido o seu gosto por café, que o levava várias vezes ao dia à Corga de Lobão, onde normalmente o tomava. Talvez se apaixonasse por esta mulata bebida quando com seus pais esteve no Brasil, daí, para alguns, ter ficado com o apelido de "Toninho da Brasileira".

Não sabia do actual destino dessa boa colecção de discos de vinil, mas informou-me a neta que ali continua intacta à guarda da família. Quanto a tocar, porventura não, ou esporadicamente, mas as orquestras ainda soam sinfonicamente na memória como que orientadas pela batuta do maestro do tempo.

Escusado será dizer que entrei várias vezes nessa saleta onde o senhor Antoninho se deliciava a ouvir a sua música intemporal. Nesse aspecto partilhava com ele o gosto e paixão pela música clássica. 

- Ó Almeida, sobe cá acima. Anda aqui ouvir uma coisa! - Desafiava-me por vezes quando ali passava depois do almoço de Domingo. E sabia, naturalmente discutir essa música, os nomes dos grandes compositores e sua obras.

A reboque desse gosto comum pela música, chegou-me a emprestar, com recomendações de mil cuidados, porque o não concedia a mais ninguém, alguns discos para eu passar na saudosa Rádio Clube de Guisande. Recordo-me particularmente do disco com o oratório Messiah de Georg Friedrich Händel, com o tão popular Hallelujah, que passei por alturas da Páscoa.

Mas para além desta particularidade relacionada à música clássica, a casa chanfrada traz-me muitas mais memórias. Desde logo, o referido senhor Antoninho durante anos teve ali uma barbearia. Não era propriamente um desenrascado Fígaro, como o da ópera de Rossini (O Barbeiro de Sevilha), que  naturalmente deveria ter na sua colecção de discos, mas era o quanto bastasse a ser o barbeiro do Viso. 

Mas se é verdade que o senhor Antoninho tinha sensibilidade para a música clássica, não posso dizer tanto da sua arte de barbeiro. Por várias vezes saía de lá, eu e as demais crianças do lugar, com golpes de tesouradas no pescoço e nas orelhas e até mesmo na véspera da minha comunhão solene deu-me uma golpada inadvertida no belo remoinho que por esse tempo tinha no cabelo junto à testa. As fotografias que guardo dessa solenidade, são testemunhas dessa sinfonia de tesouradas. Mas, verdade se diga, em defesa do mestre barbeiro, as crianças eram irrequietas e ali presas naquela toalha que parecia uma camisa de forças, o melão não lhes  parava quieto pelo que se punham a jeito para uns deslizes do Ti Antoninho.

Se encontrava um piolho, bicho que por esses tempos era um caseiro habitual nas cabeçolas da rapaziada, o Senhor Antoninho aniquilava-o logo ali, esmagando-o com a  unha do polegar contra a própria cabeça do dono. Morria o piolho e ali já ficava sepultado na cova aberta, tal era a pressão feita no couro cabeludo.

Por outro lado, para rapar  a parte detrás dos pescoços e junto às orelhas, usava aquelas velhas máquinas manuais de corte de cabelo, que mais pareciam um corta relva, que pressionava com força. Sentir aquele tcheq-tchec-tcheq, pela cabeça acima era uma aflição danada. Depois, para terminar o trabalho, umas valentes chapadas encharcadas de Pitralon para queimar e desinfectar os cortes e arranhões. 

Feito o trabalho, revirados o assento e o encosto da cabeça para o cliente seguinte, que tanto poderia ser o meu tio Neca, como o Ti David ou o António Santiago, e retirado o lençol com que nos amortalhava, assim, aliviado e sem saudade daquele castigo capilar, deixava eu a barbearia para trás. Lampeiro, como a fugir, não fosse ser chamado para algum retoque, subia o monte com o pescoço vermelho como o de um peru e a cabeça e rosto a arderem num formigueiro desgraçado. Dali a pouco meses repetir-se-ia o calvário, porque, regra geral, pelo menos três vezes ao ano. Pela Festa do Viso, Natal e Páscoa.

Mas era assim, e as barbearias, como a do Viso do Ti Antoninho, por esse tempo não tinham contemplações com esquisitices de limpeza. A barba era aparada à navalhada e só de ver o barbeiro a afiar aquela espada numa tira de couro oleada já dava tremuras. Pela prateleira frontal, onde estavam dispostos pentes, tesouras e navalhas, ali eram penduradas tiras de papel de jornal onde a cada passagem da navalha pelas fuças, o barbeiro nelas depositava, um a seguir ao outro, montes de espuma com barba. 

O chão, esse parecia um posto de tosquia de ovelhas, como um relvado de cabelos de todos os tons, lisos, encaracolados, de crianças, jovens e velhos. Era varrido à vassourada apenas quando acabava o dia. 

Finalmente, ainda outra memória: Por muitas vezes, quando eu criança descia o monte mandado pela minha mãe à loja (mercearia) a Casaldaça, o Sr. Silva (Manuel Alves da Silva), pai do referido senhor Antoninho, debruçado na janela central de cima, atirava-me uma moeda de 1 escudo e pedia: - Ó Merquito, traz-me uma maço de cigarros Sporting! Compra rebuçados com o troco!

Nessa altura havia cigarros com nomes dos principais clubes. Não sei qual seria o clube do Sr. Silva, mas é de supor, pela marca dos cigarros, que o Sporting. A verdade é que se não fora os belos cromos com as vistosas camisolas  encarnadas a vestir jogadores como o Eusébio, o Coluna, o Simões, o José Augusto e o Águas, entre outros, e eu não seria benfiquista mas sim sportinguista à custa de comprar tantos maços de tabaco às riscas verdes-brancas para o Sr. Silva do Viso e dos rebuçados que o pouco troco me permitia lamber.

Mas, fechando a cancela a estas memórias, toda essa saudosa gente boa, o Sr. Silva, a sua mulher, a Dona Carolina, o seu filho António, tratado por Antoninho ou Toninho, ou mesmo a mulher deste, a Ti São, já todos partiram e hoje já só subsistem em algumas das nossas memórias. Nas dos familiares, certamente,  mas nas minhas, seguramente.

Por tudo isto, a casa chanfrada continua ali a avivar-me esses tempos, episódios e figuras passadas. 

Mas volvidas décadas, desaparecidas umas pessoas e envelhecidas outras, mantém-se sempre gracioso aquele cisne, na sua pose cimentada, ali ao fundo da balaustrada da escada da casa, a fazer-nos lembrar a música do bailado do Lago dos Cisnes, de Tchaikovski, que certamente na sala de cima tantas vezes o Sr. Antoninho pôs a tocar no velho gira-discos.

Se há alguém que terá ouvido todas aquelas sinfonias, óperas e concertos, o cisne será certamente um deles. 

É perguntar-lhe!

Finalmente, mesmo que já não fazendo parte das minhas memórias, importa dizer que nesta casa chegou a funcionar pelos anos 1940 uma escola destinada a raparigas. Isto antes da construção da escola primária do Viso. Mesmo com a escola do Viso em funcionamento, na parte da tarde sobretudo os alunos da 4.ª classe ali tinham aulas para reforçar ou complementar os estudos, como preparação para o exame da 4.ª classe que por essa altura era coisa séria.


17/10/2022

Festa do Viso - Antecipada

Na página do Facebook da Comissão de Festas do Viso, ainda nada está divulgado quanto ao assunto - e parece-me que deveria estar - mas quem foi à missa neste fim de semana foi posto ao corrente de um comunicado com uma decisão tomada conjuntamente com a Comissão de Festas 2023 e o pároco Pe. António Jorge.

Em resumo, a título excepcional, foi tomada a decisão de antecipar numa semana a data da realização da nossa festa em honra de Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António, vulgo Festa do Viso. Assim, do tradicional primeiro Domingo de Agosto, que em 2023 calhará no dia 6, a festa ocorreria nos dias 4, 5, 6 e 7  daquele mês. Sendo antecipada, terá lugar a 28, 29, 30 e 31 de Julho.

Quanto ao motivo, prende-se com o facto de que nos dias em que teria lugar a nossa festa, ocorrerão as Jornadas Mundiais da Juventude, em Lisboa, um acontecimento mundial e de extrema importância para o mundo católico. O papa Francisco estará presente com uma grande parte do clero nacional, bem como se espera o envolvimento de centenas de milhares de jovens provenientes dos quatro cantos do globo. Naturalmente que também estarão presentes muitos dos jovens da nossa paróquia. O nosso próprio pároco manifestou interesse e vontade em participar. Totalmente compreensível.

Posto isto, por quem decidiu, foi considerado que o motivo para antecipar a data da festa é importante e justificável e por isso com carácter excepcional.

Naturalmente que, nesta como noutras coisas, para mais quando se trata de alterar pressupostos que são vigentes de há largas dezenas de anos, a decisão nem a todos agradará. 

De minha parte tenho naturalmente a minha própria opinião, mas para o caso é totalmente irrelevante, até porque a decisão já está tomada.

Assim sendo, é seguir em frente!

16/10/2022

Recortando o passado


Guardo muitos recortes da nossa imprensa regional sobre assuntos relacionados à nossa freguesia. 

Este, que reproduzo, é datado de Julho de 1998, por isso já com 24 anos. Refere-se ao início das obras de construção da Alameda da Igreja e aos 4 mil contos concedidos pela Câmara Municipal como apoio à obra.

O tempo passa inexoravelmente e muitas das coisas que fazem parte do nosso presente parecem-nos que foram realizadas há dois ou três anos quando, em boa verdade, passaram já vinte ou trinta.

15/10/2022

A família como morangueiras

 


As famílias e os seus membros são como estolhos de morangueiras que às tantas começam por aí a enraizar e a dar frutos ao largo e quando transplantados, mesmo que para longe da cepa materna, continuarão a produzir os mesmos frutos.

Neste sentido, parece-me que em todas as famílias e sobretudo nas numerosas, às tantas perdemos o fio à meada e temos por aí dispersos, primos, segundos e terceiros,  que até, eventualmente, se cruzam connosco nos cruzamentos do dia-a-dia mas que não passam de desconhecidos e como tal não há partilha de acenos nem cumprimentos.

Isto acontece na minha família, tanto na parte de meu pai como de minha mãe e acontecerá no geral com todas as famílias. E claro, quando no estrangeiro já ramificados, a coisa piora quanto ao contacto próximo.

Pessoalmente tenho procurado pelo menos seguir os primeiros ramos da árvore paterna e deles os rebentos e frutos primeiros, mas depois disso a orgânica das células e a química da vida continuam os seus passos de multiplicação e torna-se tarefa mesmo impossível confinar todo o morangal num único vaso.

Mesmo com as actuais ferramentas que possibilitam o contacto com gente de longe, as coisas são mesmo difíceis e complexas tanto mais que, por força do desligamento e das circunstâncias da vida, a separação e o desligamento aconteceram já há muito. 

Não há papel capaz de comportar o desenho de uma tão grande árvore genealógica a abarcar gerações passadas e presentes. Mesmo uma árvore digital é complexa de gerir e de actualizar. Teria que ser uma tarefa comum a todos os ramos, mas isso, convenhamos, é uma missão digna de Hércules.

Neste aspecto, são importantes os encontros e convívios familiares, o registo e actualização das árvores genealógicas, e até temos alguns em Guisande, mas no geral, quando muito aparece apenas uma reduzida percentagem dos membros catalogados, muitos deles até de perto da base mas que desprezam esta questão de encontro a fraternização entre os seus.

Tantas vezes, somos estranhos dentro da própria família. De resto o que seria dos rebanhos sem as suas ovelhas negras e ronhosas?

Neste contexto de perda do caminho dos membros familiares, ainda há dias faleceu em Pigeiros um meu primo paterno, que sabia ali viver, até por informação de outro primo que de quando em vez o contactava, mas em rigor já não o veria há longos anos e por conseguinte nem a esposa, nem os filhos e muito menos os netos, meus segundos e terceiros  primos, são por mim conhecidos. Este é um exemplo comum a quase todas as famílias.

Para além disso, parece-me, no geral nota-se um desinteresse pela valorização da família e da sua história e por isso, não surpreende que ao fim de duas ou três gerações se perca o fio ao novelo base.

É o que é, porque nestas como em muitas coisas do nosso actual modo de vida, para o bem e para o mal, vão rolando desta maneira. Colocámo-nos como o centro do universo e tudo o resto é colateral.

14/10/2022

Náufrago do tempo

Eis-me aqui, todo em pleno mar,

Sem farol a guiar a porto seguro,

Sem barco, sem âncora, nem bóia

Em água temerosa.

Fugi, perdi-me para me encontrar,

Mais livre, solitário, mais puro,

Como quem busca tesouro ou  jóia

Mais rica, valiosa.


Talvez nesta imensidão ondulante,

Espelho da negrura da alma e céu,

Eu encontre uma rocha firme, a fé,

Que me resgate desta morte certa.

Serei então um solitário mareante

Digno, sereno, despojado de labéu,

Um novo e renovado homem Crusoé

No reencontro da ilha deserta.


Eis-me aqui, náufrago em verdade

Já com fundada, renovada esperança,

Porque passada a dor, a tempestade, 

Ressurge a doce e vindoura bonança.

Eis-me aqui, vivo, já fora do mar,

Seguro, mesmo que a noite caia,

Porque um homem pode naufragar

Mas dará sempre à sua praia

13/10/2022

Símbolos das Jornadas Mundiais da Juventude em Guisande

 









(ícone Salus Populi Romani (protectora do povo romano), um dos símbolas da JMJ)

Com um significativo atraso de mais de uma hora face ao horário previamente agendado (12:15) passaram hoje, 13 de Outubro, por Guisande, os símbolos das Jornadas Mundiais da Juventude (a cruz peregrina e o ícone mariano “Salus Populi Romani”).

Depois do acolhimento a caravana seguiu para a paróquia vizinha de Louredo com passagem pela capela do Viso, devendo terminar na paróquia de Canedo, na Senhora da Piedade.

O horário marcado não era o mais indicado para quem trabalha, mas com o atraso verificado as coisas não melhoraram, mas mesmo assim com bastante gente presente incluindo o Grupo de Jovens pelo que o momento teve a dignidade merecida.

Um momento simples mas significativo.

Nota de falecimento

 


Faleceu Guilhermina Gomes de Paiva, de 91 anos de idade (16 de Janeiro de 1931 a 13 de Outubro de 2022)

Vivia no lugar da Gândara - Guisande.

Funeral, amanhã, Sexta-feira, 14 de Outubro, pelas 16:00 horas, com cerimónias na igreja matriz de Guisande, indo no final a sepultar no cemitério local.

Missa de 7.º Dia no Sábado, 22 de Outubro, pelas 17:30 horas, na igreja matriz de Guisande.

Sentidos sentimentos a todos os familiares. Que Deus a tenha em eterno descanso!

Vida de cão num filme com cabra


Porque já se faz tarde para bicicletar antes do jantar, ontem fui correr: Só para quem gosta de números, 10 Km em 55 minutos. É o que se pode arranjar para quem está à porta dos 60 e com a balança ainda a queixar-se. 

Mas não é isto que interessa porque interesse não tem para quem isto escreve muito menos para quem o lê.

Passe o prefácio, o principal da jornada é que já na parte final da corrida, ali pela Leira, vi uma cabra amarrada a um poste com um metro de corda, a balir insistentemente apesar de ter erva fresca à sua volta.

Estranhei e questionei a mim próprio quem é que ali amarraria o raio de uma cabra apenas num metro de corda? Seria para limpar as ervas da valeta, metro a metro? A ideia não seria inovadora mas teria a sua piada.

Por outro lado fiquei a pensar que as cabras às tantas são como as  galinhas, e àquela hora (19 e picos) já com o sol a esconder-se, quereria recolher à corte e mais não fazia que reclamar ao dono.

Mas logo de seguida, percebi: Afinal a cabra viera perdida do lugar de Azevedo, como um cão vadio sem rumo, e às tantas alguém ali na Leira meteu-lhe as mãos aos cornos e prendeu-a à espera do dono, que já estava a chegar com uma corda mais comprida, certamente para a levar de volta e agradecendo a quem ali a parou e reteve na sua caminhada de cabra solta que saltara a cerca. 

É claro que este filme foi exibido em poucos segundos.

Enquanto corria para casa fiquei a pensar na cena e a imaginar se em vez de cães vadios, de tantos que por aí andam, fossem cabras ou cabritos? Mas foi um pensamento inútil, porque se assim fosse ao fim de um dia já estavam todas, pelo menos os cabritos, recolhidas. 

Uma cabra dá leite e mesmo já velha come-se em chafana. Quanto a cabritos, que o diga o Relvas, que não dá mãos a medir a aviar assadeiras domingueiras lá para os lados da Gestosa.

Por conseguinte, andam por aí cães vadios porque em rigor ninguém os quer, nem dentro nem fora da porta muito menos salteados com batatas. É que nisto de os comermos, ainda não estamos na China.

Ora por cá ninguém abandona uma cabra, muito menos um cabrito, mas um cão não tem essa sorte e o que não faltam por aí é cabrões a abandonar cães ou a tê-los presos a um metro de cadeado em que, ao contrário da cabra deste filme, não têm erva verde mas um chiqueiro polido de pó ou lama.

Será por isso, com certeza, que se diz, em lamento, "vida de cão"!

A ONU a nú

Os pilares e os fundamentos da criação da ONU - Organização das Nações Unidas, em 24 de Outubro de 1945, por isso quase logo após o desfecho da Segunda Guerra Mundial, fez todo o sentido e na altura parecia ser um garante de eterna paz, mas o certo é que ao longo da sua existência pouco mais tem sido que um mero pingarelho que nas questões que realmente importam, as relacionadas com os direitos humanos, segurança e paz, de pouco ou nada tem validado.

Veja-se a actual situação quanto à invasão e agressão da Rússia à Ucrânia: De que têm valido as resoluções de condenação?

Na prática quando as questões importantes afectam directamente os Big Five, China, França, Rússia, Reino Unido e os Estados Unidos, as coisas não passam dali. Não há volta a dar.

Descodificando, para tótós, como numa analogia com o futebol, a Rússia neste momento é um grande clube com um enorme passado e que está a jogar mal e porcamente, a apanhar cabazadas, na prática descendo de divisão, mas os seus adeptos continuam a achar que está na mó de cima, a jogar bem, no caminho certo e que não vale a pena despedir o treinador. Bastará dar tempo ao tempo. A culpa é dos adversários que não facilitam e os não deixam jogar.

Assim, nesta ONU, se portam todos os países que de algum modo têm relações importantes e dependentes com a Rússia ou que servem de bloco de oposição ao Ocidente e Estados Unidos, desde logo a China.

Em suma, esta ONU não tem ponta por onde se lhe pegue e a actualidade só o tem demonstrado.

Dali não sairá nada de substancial que modifique o actual estado da guerra na Ucrânia, parece-me!

Todavia e paradoxalmente é a única esperança para algum entendimento.

12/10/2022

Lugar do Viso


Quando à tardinha o sol se põe, dolente,

O lugar do Viso fica todo dourado,

Como se nele toda a sua gente,

De ouro o tivesse pintado.


Que benção, que graça, concerteza,

Prendar os olhos com esta vista;

Só mesmo do pincel da natureza

Sai um quadro de fino artista.

Brasil entre o mau e o mau

Brasil, um país tão imenso, com um enorme  potencial humano, natural e económico, que o poderiam colocar entre as nações mais desenvolvidas e progressistas do planeta.

Apesar disso, custa a crer que num dia destes (a 30 de Outubro) tenha que decidir em 2.ª volta a eleição do seu presidente entre duas figuras tão incapazes.  Ambos já (des)governaram e mostraram o que valem, nada.

É pois, ingrata a escolha dos brasileiros. Nestas opções, costuma-se dizer que "venha o diabo e escolha". Mas, contudo, parece-me que nesta eleição nem o diabo se quer meter. Por conseguinte, terá mesmo que ser o Brasil, os brasileiros, a escolher entre o mau e o mau. 

A restiazinha de esperança, apesar de tudo, é que entre os dois seja capaz de escolher o que lhes parecer menos mau, com a certeza, porém, de que será sempre uma má escolha.

11/10/2022

Contentamento

Contentamento é sair pela manhãzinha

Ainda com o sol, sonolento, a levantar,

Seguir o caminho que dará a algum lugar

E ver a sair do ninho a doce avezinha.


Contentamento é beber no puro regato

A frescura prateada da sede consolada,

Sentir no bosque a sombra esverdeada,

Até mesmo acariciar o tojo no mato.


Contentamento é entrar no velho moinho,

Já nú, vazio, despojado da alma sem dó,

A moer uma doce compaixão naquela mó.

Como um velho entre paredes, sozinho.


Contentamento é mergulhar na limpidez

Da água fresca da mina na velha represa,

Sentar na erva do chão como se fora mesa

E, em merenda, saciar o suor outra vez.


Contentamento é subir ao outeiro no Outono

E aos prenhes ouriços, abrir-lhes as entranhas,

Encher os bolsos fartos de doces  castanhas

Porque dizem, se no caminho, não têm dono.


Contentamento, é afinal, ter tão pouco,

Bastando, não mais, que o poder sentir,

Que se tem tudo mas sem nada possuir,

Ser inocente, puro ou, porventura, louco.

Saber ocupar o lugar

A história da introdução dos bancos nas nossas igrejas por si só daria para uma longa história. Bastará dizer que originalmente as igrejas não tinham bancos e era comum os fiéis participarem nos serviços todo o tempo de pé, o que ainda acontece nas igrejas ortodoxas orientais. 

Por esses primeiros tempos uma liturgia comportava várias movimentações. Mais tarde após a reforma protestante e sobretudo por influência da igreja anglicana começaram a ser introduzidos bancos, mesmo fabricados e pagos pelos próprios fiéis que assim os tinham como seus. Nos Estados Unidos, para onde a prática passou, chegou a ser autorizado o aluguer contra um pagamento. Adiante, que esta coisa de bancos nas igrejas daria para uma homilia longa. 

Quem frequenta as nossas igrejas e participa nas suas missas, pelo menos com a frequência dominical, sabe que é assim: Há pessoas que ocupam quase sempre os mesmos lugares e têm-nos como “seus”. Ali sentem-se melhor e mais preparados “espiritualmente”. Ou porque mais recatados, num sítio menos exposto, ou o contrário, mais perto ou mais longe dos olhares do padre, ou pela simpatia de quem tem por vizinhos e amigos, até para fugir das correntes de ar, etc. Outros, ainda, meios escondidos nos corredores ou até mesmo com um pé dentro e outra fora da igreja. Há ainda quem, desde que não chova, fique mesmo da parte de fora, e cumpre o preceito sem sequer ver a cara do padre ou a hóstia sagrada.

Seja que por motivo for, essa é uma realidade ainda muito nítida, mesmo que já não tanto como noutros tempos, em que havia uma nítida separação de género, com os homens na parte da frente e as mulheres na de trás.

Na nossa igreja de Guisande, esta realidade também acontece mesmo que de forma já não tão vincada pois com a crescente redução de participantes, os lugares vagos por vezes são mais que os ocupados e assim permite uma escolha mais alargada de lugar.

Mas, claro está, este hábito ou mesmo tradição – chamemos-lhe assim – só é percebida, compreendida e respeitada por quem frequenta com regularidade esses espaços de culto. 

Não surpreende, pois, que sempre que vem à igreja alguém de fora e mesmo pessoas mais novas, esporadicamente, por vezes ocupem, sem saber, esses lugares “certos” fazendo com que os habituais tenham que procurar outro e sair da sua zona de conforto. Conheço casos que quando alguém chega à igreja e vê o “seu” lugar ocupado, dá o recado ao ocupante ou até mesmo abandona a igreja. Extremos.

Mas tomando esta situação como uma analogia, podemos extrapolá-la para outras realidades e assim em muitas situações da nossa vida e quotidiano, por vezes lá chegam os mais novos e não habituais e habituados ao “status quo” e tomam o lugar de alguém, sem qualquer incómodo ou esmorecimento. 

E, todavia, mesmo que em rigor esses “lugares” não tenham lugar pago e cativo, como nas bancadas de futebol, ficaria sempre bem uma palavrinha, uma satisfação, um saber quem por ali costuma estar. Em resumo, adaptar-se e tomar à letra os ditados “em Roma sê romano” ou mais prosaicamente “à terra onde fores ter, faz como vires fazer”.

Mas nos tempos que correm, essas preocupações respeitosas e decorrentes de tradições pouco ou nada valem. Quem não as conhece nem procura conhecer, naturalmente que lhes passa por cima com a ignorância de um analfabeto a tentar ler sem o conseguir.

É o que é! 

Nestas como em muitas outras coisas, cada vez mais menos.

10/10/2022

Nota de falecimento

 


Faleceu Maria Alzira de Oliveira da Fonseca Correia, de 87 anos de idade (13 de Outubro de 1934 a 10 de Outubro de 2022).

Natural de Cimo de Vila - Guisande, era prima de minha mãe e vivia no lugar de Cedofeita, freguesia do Vale - Santa Maria da Feira.

Cerimónias fúnebres amanhã, Terça-feira, 11 de Outubro, pelas 17:00 horas, na igreja matriz do Vale, indo no final a sepultar no cemitério local. Missa de 7.º Dia no Sábado, dia 15 de Outubro, pelas 19:15 horas na igreja matriz do Vale.

Sentidos sentimentos a todos os seus familiares. Que Deus a tenha na sua paz!

Clientes e minotauros

O meu fornecedor de telecomunicações é a Meo. Não por ser a melhor, mas é o que se pode arranjar na sentença do mal o menor.

Prezo-me por nunca  ter deixado de pagar uma factura a tempo e horas, no máximo, com um dia dia de atraso, isto porque, por opção, não tenho débito directo, e assim sujeito ao esquecimento.

Mas ontem, estava já deitado quando me lembrei que o prazo limite era o dia 7 e se o fizesse ainda hoje, mesmo que à primeira hora, já seriam 3 dias de incumprimento. Que remédio, saltar da cama e ir ao computador ajustar as contas, no limite dos 2 dias. 

Não sei se dormi melhor do que dormiria, caso não o tivesse feito, mas pelo sim pelo não, ficou feito.

Mas admito que esta situação acaba por ser caricata porque creio que poucos farão o mesmo. A regra até será arrastar ao limite dos limites, até à ameaça de corte. De resto, numa certa empresa de que me falaram, a norma é mesmo essa, os atrasos e incumprimentos são recorrentes e por conseguinte a suspensão do serviço é também frequente, com a agravante de ser indispensável à actividade.

 O certo é que, pagando, mesmo com o atraso do costume, por vezes já com duas ou três facturas somadas, a coisa vai rolando, porque a operadora naturalmente quer evitar ao máximo perder o cliente.

Mas dou comigo a pensar, novamente, nestas como noutras coisas, qual é, afinal, o merecimento, ou o oposto, o desmerecimento por um cliente ser fiel e cumpridor, ou o contrário: Quem quer mesmo saber? Eu acho que nenhum, e até, feitas as contas, os incumpridores são regra geral os mais beneficiados, como naquela parábola evangélica do filho pródigo em que o desbaratador da fortuna é recebido com beijos, abraços e jantarada com vitelo gordo. O outro, o certinho, o cumpridor, esse continua no campo a trabalhar para o bem comum, sem prémios ou distinções.

Mas isto acontece porque acima de tudo, para as empresas, como no caso as operadores de telecomunicações, mas outras mais, desde logo como os bancos, etc, os clientes já deixaram há muito de ser pessoas, mas apenas simples números com uma data de dados associados. 

Nas agências há cada vez menos pessoas e tudo é encaminhado para processos digitais. Somos atendidos por vozes virtuais e encaminhados por um labirinto de opções, como um minotauro a dar marradas nas paredes até que encontre uma saída. 

Por conseguinte, os valores associados ao respeito e cumprimento pelos acordos, pela seriedade, honestidade e verticalidade, em rigor nada valem ou significam. 

Os algoritmos que gerem as relações entre empresas e clientes, não são programados para fazerem distinções positivas e premiarem os valores e atitudes que nos foram ensinados pelos nossos pais como sendo os correctos.

As coisas são como são. 

Tudo se resume a números. O Sr. António, o Sr. Justino ou a Sr.ºa Josefina, são um qualquer código binário composto por zeros e uns.

Para o caso, o Sr. Américo não passa disto:

01000001 01101101 11101001 01110010 01101001 01100011 01101111

09/10/2022

Guardador de tesouros



Canastro de espigas douradas,

Que te fez o tempo, amigo?

De chuvas, ventos e geadas, 

Foste fiel, fraterno abrigo.


E agora assim, velho, escorado,

Mas ainda seio de ouro a luzir.

És um viajante já alquebrado

Com o destino ainda a cumprir.


Já no campo não cantam as moças,

As desfolhadas já não têm eiras;

Envelheceu a aldeia, já sem forças,

Para outras novas velhas canseiras.


Velho amigo canastro, espigueiro,

Guardador de ouro, lingotes de milho

Guarda-o dentro de ti, companheiro,

Como um pai a proteger um filho.

08/10/2022

Ciclo do tempo - Lugar do Viso

Num sossego materno, matinal,

Há no Viso um ninho sentido

Onde o pássaro guarda o ovo.

Foi-se a festa, já aí o Natal,

E o tempo a correr, desmedido

Na pressa de recomeçar de novo.

07/10/2022

Desconsolo

Quando uma alma vive perturbada

Sem noite, sem cama onde se deite,

Sob uma luz mortiça quase apagada

Como lamparina já sem o azeite,

Tudo é tristeza e dor, um vazio.

Melhor seria não ter nem ser nada,

Como mãe estéril, seca, sem leite.

Talvez nessa pobreza assim reclamada

Encontrasse o louco algum deleite

Ainda que sem consolo, murcho e frio.

06/10/2022

Nota de falecimento

 


Faleceu, Joaquim de Oliveira Santos, meu primo paterno (filho de uma irmã de meu pai), de 79 anos de idade (28 de Outubro de 1942-06 de Outubro de 2022.

Vivia em Gândara - Pigeiros.

O funeral terá lugar amanhã, sexta-feira, 07 de Outubro, pelas 15:00 horas, com cerimónias de exéquias na igreja matriz de Pigeiros, indo no final a sepultar no cemitério local.

Missa de 7º Dia na igreja matriz de Pigeiros na próxima quarta-feira, dia 12 de Outubro pelas 18:00 horas

Sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular a irmãos, viúva e filhos.

Paz à sua alma. Que Deus o tenha em eterno descanso. 

Andamos tapados


A malta da TAP é muito eficiente. Vai-se fazer transportar em carrões e diz que com isso vai poupar uns milhares. 

É assim mesmo. Esta TAP é um exemplo exemplar. Não são Porches como o que já teve o ministro da tutela, mas convenhamos que BMWs acima dos 52 e 65 mil euros são um bacadito melhores que o meu Citroen Saxo de 2001.

Até para voar é preciso sonhar alto.

Paga Américo, tu que nunca puseste o cu num aviãozinho da TAP!

Desagregação de freguesias


Sou assinante online do jornal "O Correio da Feira". 

Do que li sobre a sessão da Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira, de 23 de Setembro último, quanto à votação que aprovou a desagregação da nossa ainda União de Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande, pareceu-me que o deputado Carlos Martins da Iniciativa Liberal, face à troca mútua de responsabilidades entre o PS e PSD, terá sido o mais assertivo na questão dos argumentos ao dizer não entender  a"necessidade de partidarização do tema”. “As populações quando o fizeram não foi para defenderem este ou aquele partido, mas defenderem aquilo em que acreditam”.

Na realidade, a agregação foi feita ao arrepio da generalidade das populações e teve nos principais partidos, como PS, PSD e CDS os grandes responsáveis. 

Por conseguinte aberta agora a possibilidade de rever algumas das situações, deve ser numa base supra-partidária porque os valores ou interesses que estão em causa nada têm a ver com facções políticas.

Ao PS louva-se a possibilidade criada para poder ser possível reverter e ao PSD louva-se o entendimento natural de não obstacularizar.

Assim sendo, a partir deste momento importa de facto não partidarizar a questão, entende-la como da vontade da maioria das populações e aguardar o desfecho na sua etapa final. 

Se se vier a concretizar, depois teremos outras questões por resolver, que não são menores.

[foto: Correio da Feira]

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