29/09/2020

Pastores e ovelhas

As mudanças de párocos têm sempre um lado algo intrigante. Da Sé, pretende-se que não se dê a perceber que é mudança a pedido, vinda dos sacerdotes, vinda dos paroquianos ou facções destes. E todas as paróquias devem ter os seus "queixinhas", os guardiões da moralidade e boas práticas. Por outro lado, obviamente, é fácil congeminar que algumas vezes o Bispo procura juntar o útil ao agradável, buscando resolver e equilibrar a distribuição dos serviços, aliviando quem já tem muitos anos pela frente, mas, também, certamente para pôr as "peças" no sítio certo do tabuleiro e sanar ou mitigar conflitos latentes entre "pastor" e "ovelhas". E quer se queira quer não, isso adivinhava-se ou pressentia-se nalgumas das paróquias agora incluídas nas recentes mudanças de paroquialidade na nossa Vigararia da Feira.

Certamente que o Bispo e a Sé, conhecem ou têm quem os informem das reais capacidades dos diferentes sacerdotes diocesanos. Como homens que são, naturalmente todos com diferentes atributos e  "talentos". Uns mais pela palavra, outros mais pela acção; uns mais pelo diálogo e inclusão permanente com as "forças vivas", outros por alguns apontamentos de prepotência e de tiques já em desuso, ou pelo menos já não tolerados, do "quero, posso e mando", ou então muito assoberbados com o seu "rei na barriga".

Nos tempos que correm, para além da recorrente falta de vocações e delas de sacerdotes, mesmo que contrabalançados pelo diaconato, certo é que os párocos, não generalizando, obviamente, há muito que o deixaram de ser por pura vocação, humildade e despreendimento, mesmo que sem os extremos dos "votos de pobreza". São, por conseguinte, bem assalariados, não dispensando nem se privando de todo os luxos e confortos modernos. Nem sempre são exemplo a seguir e vão mais pela recomendação do "olha para o que eu digo e não para o que faço". Só que os fiéis actuais, no que perderam de dedicação e prática religiosas, ganharam no sentido crítico e de escrutínio e já "não vão à missa toda" de um qualquer pároco com o "rei na barriga". Pelo contrário, sabem reconhecer e respeitar  os sacerdotes com vocação religiosa e espiritual, pois claro, mas também como um dos seus, humilde, franco, receptivo e serviçal, capaz de ouvir e fazer-se ouvir, acolher e não enxotar. Em resumo, em plena comunhão com a comunidade que serve e dirige.

Neste contexto, importa que os sacerdotes e párocos sejam isso mesmo, representantes da Igreja e pastores, e que para além das funções ordinárias do calendário religioso e serviços decorrentes e inerentes, saibam compreender a cultura e identidade específicas de cada paróquia e sua comunidade, suas práticas e tradições e dentro do possível respeitá-las e até aprofundá-las. Fazer o contrário, pondo e dispondo, confrontando, alterando e inventando, não vão lá, e para além de dividirem e tresmalhar as ovelhas, correm o risco de despoletar conflitos, desrespeitos e desconsiderações, até que o Bispo, cansado dos reparos e queixas,  volte a dar-lhes guia de marcha, mesmo que levando a mesma forma de estar e actuar a outras terras, porque podem ser fracos pastores mas a necessidade obriga a fechar os olhos ou a encolher os ombros por algum tempo. De resto, há gente que nunca aprende  e nem se emenda. Ora quem nasce torto, diz o povo, tarde ou nunca endireita.

Parte do que atrás ficou dito é num sentido geral. Quanto às recentes alterações, mesmo não sendo um expert e até arredado das missas desde o confinamento, parece-me que foram equilibradas e necessárias quanto baste.  Mas o tempo o dirá.

A cultura do "mete-me nojo"


Há dias, o inefável e bom português André Vilas Boas, que foi treinador de sucesso no F.C. do Porto, disse para quem quis ouvir, que "lidava mal com o sucesso do Benfica", o que até é normal para um adepto rival, mas pior e mais sórdido do que isso, disse que "se assistir a um jogo do Benfica na final de uma prova europeia, quero que perca". Ou seja, demonstrou o seu bom patriotismo e portugalidade. Siga.

Por estes dias, diz quem viu, que o antigo jogador e capitão do mesmo F.C. do Porto, Rodolfo Reis, disse num programa televisivo onde é paineleiro, que "tudo no Benfica lhe metia nojo". Isto é, não só o seu presidente Luis Filipe Vieira, suspeito de envolvimento em alguns crimes fiscais, como também, directores, técnicos, sócios e adeptos, mesmos aqueles de tenra idade. Até mesmo eu, simples adepto, daqueles que até quase nunca vê os jogos, meto nojo ao Rodolfo, como lhe metem nojo todos aqueles demais adeptos que nem o conhecem, dos de mais tenra idade aos mais velhos. Metemos-lhe nojo só por sermos adeptos de um outro clube que não o seu.

É triste, é lamentável, é mesmo doentio. E seria igualmente se fosse alguém do Benfica a ter esta postura pública para com qualquer outro clube. 

Mas, mesmo que não generalizando, há muitos que se orgulham desta "cultura à Porto", não aquela que faz do clube um grande clube e vencedor, que é, mas da cultura do desrespeito, da ofensa e do anti-desportivismo. Ora se isso é sinal de grandeza, estamos conversados. Por aí, será bom que todos os demais clubes, a começar pelo Benfica, sejam pequeninos.

Há coisas que se dizem, pedras que se atiram, que depois já não são esquecidas só porque a conselho de um  advogado manhoso se pretenda "virar o bico ao prego", ou depois de uma entrada de leão, uma saída de sendeiro.

Há pessoas assim, vulgares, ordinárias mesmo que tenham a realeza no nome. Não pode valer tudo, tanto mais quando se tem memória tão curta.

28/09/2020

Números assustadores

Na narrativa oficial de que o SNS - Serviço Nacional de Saúde tem estado a funcionar,  os números de actos médicos, exames, diagnósticos e cirurgias, desmarcados, adiados e cancelos desde Março, são avassaladores, "assustadores". Mas do Governo ainda não ouvimos assumir uma relação directa desta situação com o aumento médio de milhares de mortes que se tem vindo a registar nos últimos meses, comparativamente com períodos homólogos de anos transactos, para além da quase exclusiva atenção à Covid-19. Pelo contrário, é o quase silêncio e a desculpa das "ondas de calor".

Num certo sentido, radical, se quisermos, o Governo e as directrizes que tem tido relativamente às entidades e organismos de Saúde, que tem levado a descurar tudo o resto para além da pandemia, é directamente responsável por largas centenas de mortes que poderiam ser adiadas ou poupadas numa situação de normalidade em que o combate à pandemia não fosse levado a extremos de quase exclusividade. 

“São números assustadores e muito relevantes, que nos devem preocupar e merecem uma análise crítica”, referiu Joana Sousa, durante uma apresentação do estudo na Ordem dos Médicos, em Lisboa, na sessão de lançamento do Movimento Saúde em Dia - Não Mascare a Sua Saúde.

Alguns dos números:

Menos 10 milhões de consultas presenciais nos cuidados de saúde primários.

Menos dois milhões de consultas presenciais nos hospitais.

Menos de 214 mil cirurgias nos hospitais do SNS.

Menos 7 milhões de contactos presenciais nos cuidados de saúde primários, quer médicos quer de enfermagem.

Menos dois milhões de contactos presenciais nos hospitais, no conjunto de consultas, cirurgias, urgências e internamentos.

Menos 17 milhões de atos realizados em meios complementares de diagnóstico e terapêutica (como exames, análises clínicas ou tratamentos na área da medicina física e reabilitação).

- Menos 26 mil mulheres com mamografia realizada; menos 30 rastreios ao cancro do colo do útero; menos 26 mil no rastreio do cancro do cólon e do reto.

Apesar desta realidade, que até pode ser ainda mais grave, vamos todos continuar a fazer de conta que neste país o que contam são as 3, 4, 6 ou 9 mortes diárias por Covid, anunciadas directamente. O resto é paisagem e de um modo geral a imprensa, lubrificada, não quer nem tem mexido muito na coisa e alinha por quem lhe dá pão. 

É mau, muito mau, mas é disto que a casa vai gastando e gostando.

27/09/2020

Escândalo...

José Espinafre, membro do movimento PÁRA AÍ, recebeu da Ordem dos Enfardadores de Bacalhau a quantia de 80 mil euros. Acrescente-se, para os distraídos, que o Sr. Eng.º. Espinafre é amigo da Dr.ª Joana Bacalhau, bastonária da Ordem, como quem diz, a manda-chuva.

(Agora, em OFF, que isto não convém dizer ao rebanho: A choruda verba refere-se a um contrato de prestação de serviços de engenharia. Assim, dita de rajada, a quantia parece uma das regulares mesadas da mãe ao inefável Sócrates, o tal que tem o melhor e mais generoso amigo do mundo, um verdadeiro samaritano dos tempos modernos, ou ainda o ordenado mensal de um jogador da liga portuguesa de futebol, ou uma mala destinada a um qualquer árbitro "amigo", rumo de férias ao Brasil, mas afinal de contas são, pasme-se, 2 mil euros por mês, ao qual ainda será reduzida a retenção na fonte  para IRS, referentes a um contrato de, imagine-se o escândalo, 40 meses. É um bom ordenado, é certo, muito superior ao mísero ordenado mínimo nacional tuga, mas, porra, mais do que isso recebe de reforma um qualquer professor primário ou um funcionário público de uma das "boas" empresas nacionalizadas.

Mas, não seria a mesma coisa. Não teria o mesmo impacto dizer 2 mil euros por 40 meses de trabalho, para além de que tal concurso de contratação decorreu de um acto de gestão de uma Ordem eleita e reeleita pelos seus membros. Está visto, o problema do Espinafre é não ter amigos na área da confecção de golas e kits anti-incêndio. Seria bem mais fácil ganhar o dinheirinho e sem alaridos e títulos de escandaleira).

Por este prisma, como quem diz, vistas as coisas desta forma, até um modesto operário, a ganhar mais ou menos o ordenado mínimo, recebe durante os 40 anos da sua vida de trabalhador, qualquer coisa como, imagine-se o escândalo, 280 mil euros! Um roubo deste trabalhador à empresa. 

Agora novamente em ON: Podemos não gostar de muita coisa na Ordem dos Enfardadores de Bacalhau, sobretudo da bastonária Joaninha, nem apreciar de todo a imbecilidade do movimento PÁRA AÍ e seus partidários, nomeadamente do seu membro, o sortudo Espinafre, por sua vez amigo do vizinho da prima do barbeiro do líder, bem como desconfiar ou ter a "certeza" que há ali interesses e compadrios, mas por vezes importa, pelo menos, ter alguma coerência e honestidade intelectual, até porque a chico-espertice e a aldrabice têm perna curta. De resto, este tipo de escrutínio, manhoso e rafeiro, só está a servir para dar gás a essa gente e aos seus movimentozinhos. Depois queixem-se do crescimento da coisa e indignem-se com o crescente descrédito popular dos verdadeiros "democratas" e defensores dos "valores" de Abril.

Como diria o RGC, tenham noção, senão da realidade, pelo menos do ridículo. 

25/09/2020

Quem anda à chuva...

Segundo a imprensa de hoje, o "pirata", um "anjinho", foi um dos criminosos soltos há meses no âmbito de combate à Covid-19, com o beneplácito do Governo, autoridades judiciais e do presidente da República.

Aproveitou bem a liberdade e num destes dias voltou ao que melhor sabia fazer, ao crime, arrastando consigo a namorada que na sequência de um assalto em S. João da Madeira, foi inadvertidamente baleada pela polícia em auto-defesa quando esta foi alvo de uma tentativa de atropelamento que podia ser mortal. O bandido bem que fez por isso.

Gravemente ferida, foi depois abandonada à porta do hospital daquela cidade, despejada, por quem viu e testemunhou, a pontapé pelo bandido que arrancou covardemente para parte incerta deixando a companheira entregue a si própria e à sua sorte, que, infelizmente, foi nenhuma.

Morreu, uma jovem, em grande parte pelas consequências da vida que levava e das opções de seguir alguém nada recomendável. Sem outros juízos de valor, certo é que não há como não dizê-lo, molhou-se fatalmente porque andava à chuva.

Espera-se agora que os maus da fita não venham a ser os polícias, como é tão na moda. Por cá a norma é abusar e desrespeitar a polícia e esta nem sempre exerce a autoridade porque se sente desprotegida. 

Uma cota de responsabilidade da morte desta pessoa, pertence, obviamente, a quem soltou de ânimo leve alguma desta gente cujo único papel na sociedade é atentar contra os bens e vidas dos demais.

Profecias...

"Em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava a caminho de se transformar numa Suíça, o golpe de Estado foi o princípio do fim. Resta o Sol, o Turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa. 

Veremos alçados ao Poder analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécie, que conhecemos de longa data. A maioria não servia para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até presidentes de República.""

Este pensamento foi proferido a propósito do 25 de Abril de 1974 por Marcello Caetano, à época, o Presidente do Conselho, que havia sucedido a António de Oliveira Salazar.

Pode-se pensar que Marcello Caetano, mercê da ditadura que representava, teve pouca ou nenhuma moral para tecer essa profecia. E isso é verdade, mesmo que apesar das suas ideias, que deram azo à designada  "primavera marcelista", não tivessem seguimento no sentido da transição para a democracia. Porventura o regime já não dependia do chefe do Governo, mas da estrutura que consubstanciava o regime em si. Mas isso é matéria de historiadores.

Certo é que pela época em que a proferiu (relembre-se que faleceu em 26 de Outubro de 1980), ainda havia muito caminho a percorrer até aos dias de hoje para que o país e os governantes que conseguiram emergir das tropelias do PREC, rumando a uma democracia em detrimento de uma nova ditadura, já não de direita mas de esquerda, pudessem provar precisamente o contrário da profecia do Caetano, seguindo por caminhos e políticas que nos conduzissem a um país livre, independente, transparente, sem corrupção, sem clientelismos, inovador e sustentável, com políticas que garantissem a coesão total do país, de sul a norte, do litoral ao interior, capaz de suster a emigração, mantendo um país povoado a produzir e orgulhoso das suas raízes mas também do presente e futuro.

Em resumo, exceptuando das contas o período em que o país andou a brincar aos governos provisórios e os militares a brincar "às casinhas"  a decidirem entre si e alguns partidos se haviam de seguir pela direita se pela esquerda, foram pelo menos 40 anos, até auxiliados pela UE, em que andamos a dar tiros nos pés. Agora, por mais que isso nos azie e doa, somos obrigados a, senão dizê-lo, pelo menos admiti-lo, que o "caixa-de-óculos" tinha razão. Relevando o óbvio exagero de que o Portugal de Marcello estava a caminho de se transformar numa Suiça, bem como da necessária dependência dos países ultramarinos, inviável na sua manutenção enquanto colónias, e de resto o principal cancro da ditadura ao persistir numa guerra devastadora, consumidora de vidas e de recuros, há de facto ali muitas previsões concretizadas. Desde logo, à cabeça, o estarmos reduzidos à indigência, ou seja à caridade de outras nações. A cada vez mais galopante dívida pública é disso prova. Muitos dos nossos governantes, políticos e administradores ainda continuam a não servir para criados de quarto, mas estão alçados no poder e nas estruturas politicas que lhes dão acesso à mina. Ora esses são bem mais que as quatro dezenas da gruta do Ali Bábá. Não, foram, pois, apenas 40 os ladrões deste país, mas mais, muitos mais, mas também 40 anos roubados à esperança que nos dizem que trouxe o 25 de Abril de 1974. 

Serão precisos outros 40 anos para reverter a profecia? Ou daqui a outros 40 anos, decorrido quase um século, ainda andaremos a desculpar a situação com o Salazar e o Caetano? Ou será mais do mesmo, a dobrar, vivendo aparentemente à grande e à francesa, subtraindo a quem trabalha e gera riqueza e distribuindo-a a uma classe de malandros e subsídio-dependentes, dando cama, mesa e dinheiro a quem nos assalta, envergonhando-nos da nossa cultura e história para não ferir susceptibilidades de quem devia respeitar e adaptar-se à nossa casa? Somos, pois, um país que vive em permanente estado de cócoras.

22/09/2020

Academia do oportunismo


Por vezes temos estas manias das grandezas, umas epifanias que nos deslumbram num acesso entusiasmado próprio de quem acabou de descobrir a pólvora ou inventado a roda. 

Talvez neste espírito, o grande clube português Sporting Clube de Portugal, de que não sou adepto mas nutro simpatia, anunciou que em homenagem ao Cristiano Ronaldo vai mudar o nome da sua Academia de formação de futebol para Academia Cristiano Ronaldo.

O caso já está a dar que falar, pois o Nacional da Madeira, clube onde também teve formação o jogador madeirense, reclama direitos sobre a marca já que a sua academia designa-se desde 2007 de "Cristiano Ronaldo Campus Futebol".

Confesso que ainda não li nem ouvi eventuais reacções do próprio Cristiano Ronaldo, e se no caso do clube de Alvalade foi tido e achado, mas certamente que terá algo a dizer.

Em todo o caso, no que se refere ao Sporting, e mesmo respeitando a posição do clube e as opiniões a favor, parece-me de todo um despropósito e até uma enorme desconsideração e desrespeito pela sua história. Cristiano Ronaldo e a sua fama dispensam apresentações e considerandos, mas, porra, jogou apenas uma época na equipa principal do Sporting. Estreou-se em 14 de Agosto de 2002, com 17 anos, e em 13 de Agosto de 2003 já estava de malas aviadas para o Manchester United - Inglaterra.

Assim, em bom rigor, Cristiano Ronaldo tem mais história em qualquer um dos clubes que passou (Manchester, Real Madrid e Juventus) do que no clube de Alvalade, onde aqui apenas teve uma curta e rápida montra. 

Fico algo surpreendido por perceber que enormes jogadores e figuras lendárias do Sporting, nos diferentes períodos da sua história, tenham sido ignorados a troco de um oportunismo bacoco, um endeusamento despropositado. Ninguém nega nem esquece a ligação de Ronaldo ao Sporting, e vice-versa, mas não era preciso tanto. As coisas são bonitas quando proporcionais e quando as pessoas ou instituições se respeitam a si próprios.

21/09/2020

A egiptóloga candidata a presidenta


Considero que Cavaco Silva foi um fraco presidente da República, fraquinho, cinzento e amorfo quanto baste. De resto de um presidente da nossa República, nunca se esperam grandes feitos, porque limitados a pouco mais que corta-fitas e câmaras de eco dos quadrantes que os elegem. Abraços, beijinhos e condecorações a quem vença uma corrida de mota ou corrida de saco, são o lado popularucho que se pode acrescentar, como tem feito o cidadão/presidente Marcelo que tem tido a capacidade de manter de chama acesa o namoro com o primeiro ministro, a ponto deste não ir de amores com a camarada Ana Gomes. Nem mesmo uns aguaceiros os separam porque há um guarda-chuva pronto a partilhar.

Apesar disso, mesmo a contra gosto dos demais, porventura a figura mais famosa de Boliqueime, teve a "ousadia" de se ver eleito três vezes primeiro ministro e duas presidente da República, obtendo, reconheça-se, votações ímpares na história da nossa democracia.

Ora, não comparando perfis e posições ideológicas entre alguém, como a inestimável Ana Gomes, que se lhe refere publicamente, mesmo que de forma indirecta, de "múmia paralítica", e um qualquer extremista ou burgesso do Chega, a diferença parece-me pouca para não dizer, nenhuma. Há limites para a mal criação e ordinarice e Ana Gomes,  parece não ter percebido nem encaixou que o Cavaco, mesmo que bem ou mal, por mais que a azedasse e lhe revirasse a bílis, governou legitimado pelo voto maioritário de milhões de portugueses. Pelo menos por esses, os milhões de portugueses, merecia algum decoro no trato, tanto mais que se candidata, creio eu, a presidente de todos eles.

16/09/2020

"O Mês de Guisande" - Edição especial digital

O Jornal "O Mês de Guisande" teve o seu início em Agosto de 1981 - É certo que, por um leque de razões, não tem estado activo desde há alguns anos, mas tem uma interessante história que importará contar ou pelo menos não esquecer e, pelo contrário, recordar. 

Um pouco para matar saudades, mas também para o evocar na passagem do 39º aniversário sobre o primeiro número, decidiu-se elaborar um número especial, em versão digital. Chegou a equacionar-se a possibilidade de em simultâneo fazer a sua impressão e distribuição gratuita, mas para já gorou-se a ideia e por agora torna-se extemporânea.

Este número é mesmo especial e poderá até ser único. Ou talvez não, mas por ora assume-se que será único. Talvez mais à frente, e sem periodicidade regular definida, poderão surgir outros números especiais.

Quanto a este número, para além de vários temas, procurou-se dar destaque ao próprio jornal bem como ainda a alguns assuntos documentais que poderão ter algum interesse. 

Não está perfeito, detectam-se algumas gralhas, que passaram despercebidas antes da partilha, e poderia ter mais páginas e nelas mais assuntos, mas, como se costuma dizer, foi feito cá na casa, com as nossas próprias mãozinhas e esforço.

Como não podia deixar de ser, Artur Costa aparece merecidamente como Director, ele que, para todos os efeitos, ainda é o presidente da Associação "O Despertar", proprietária do título. Sabemos que tem dado passos no sentido de poder vir a reactivar a nossa associação, e com ela a possibilidade de retomar a publicação regular do jornal "O Mês de Guisande", mas por ora, e até por força da situação da pandemia, ainda não há fumo branco, até porque uma colectividade faz-se com pessoas interessadas e dinâmicas e, convenhamos que por cá há alguma gente mais interesseira do que interessada, activa a dar palpites e a mandar bitaites, mas no que respeita a assumir responsabilidades e canseiras, aí a porca torce o rabo. Mas, claro, sem generalizar, porque felizmente há gente que poderá, querendo e incentivada, a dar um valoroso contributo, sobretudo das novas gerações. 

Esta edição também teve o incentivo e apoio do Dr. Rui Giro, fundador e director durante vários anos.

Assim sendo, fica, pelo menos, esta evocação do jornal e da sua história. Se lhe acharem qualquer interesse, partilhem ou guardem.

[Link de acesso à versão digital]


Percepção de que isto é uma brincadeira

 


É a todos níveis incompreensível que, com as empresas a trabalhar em pleno, as escolas a reabrirem, os transportes, comércio e serviços a funcionar, mesmo que com os ajustamentos, medidas e regras a cumprir, as entidades como repartições públicas de finanças, conservatórias, tribunais, câmaras municipais, notários, etc, continuem a funcionar a conta gotas, com restrições de todo injustificadas, limitando e restringindo as actividades que deles carecem.

O presidente da república, referindo-se à eventual realização das cerimónias do 13 de Outubro, em Fátima, falou de um tal "sentido de percepção" dos portugueses quanto à situação. 

Ora a percepção que podemos ter relativamente à forma como os referidos serviços estão a ser limitados a quem deles necessita, é de uma total incompreensão e injustificação e até mesmo segregação.

No fundo é com este tipo de contradições e diferenciação de tratamentos que fazem de tudo isto uma espécie de brincadeira, numa multiplicidade de diferentes realidades quando, afinal, a pandemia é a mesma.

Assim a nossa percepção é de que os nossos governantes continuam a fazer o que melhor sabem, o brincar com o povo.

15/09/2020

O Eldorado da badalhoquice a bombar

 





Quando na Junta, tive a oportunidade de reportar algumas das situações de descarga de lixos, incluindo de construção civil e de oficinas de reparação automóvel, na zona do viaduto da A32, próximo do campo de futebol do Guisande F.C. Consegui até reunir matrículas e facturas. O assunto passou para o presidente que terá dado seguimento para a GNR.

Infelizmente, parece que a preocupação e o reporte deu em águas de bacalhau e as situações, então no início, mantiveram-se e até agravaram-se de lá para cá, como demonstram as fotos acima que alguém me fez chegar, informando que não apenas sob o viaduto mas também no estradão que liga a Cimo de Vila.

Importa que quem com alguma autoridade e responsabilidade procure investigar, limpar e promover medidas que impeçam ou dificultem esta situação, para além, claro, de alguma vigilância com frequência pelas autoridades.

De resto, para além do lixo e resíduos, situações de venda e consumo de droga e cenas para maiores de 18 anos são ali comuns e frequentes. Digamos que o local é um Eldorado da badalhoquice, nalgumas situações gerando insegurança para quem por ali passa para trabalhar nos campos ou matos ou mesmo em simples caminhadas.


Já agora, fica de seguida o relatório que reportei à Junta em 14 de Março de 2016 sobre a situação então verificada sob o viaduto da A32:

- Depósito de lixos:

Tomei conhecimento que debaixo do viaduto da A32 a nascente do Campo de Jogos em Guisande, está a ser depositado lixo e resíduos. A situação ainda não é grave mas devia-se pelo menos sinalizar a zona.

Há lá um foco de poluição, com a agravante de ter sido vazado para a linha de água, com resíduos de uma oficina automóvel, nomeadamente, filtros, pára-brisas, elementos do painel de navegação, espelhos, etc.

Tinha lá matrículas partidas, mas consegui juntar como um puzzle uma delas, pelo que poderá ser um elemento de identificação caso a autoridade se interesse. Também recolhi numa caixa de fornecimento de peças aparentemente proveniente da Alemanha, com factura dirigida a uma oficina localizada em Vila do Conde, chamada Auto Covelo. Há o nome e a direcção e na Net pode-se encontrar o contacto telefónico.

Penso que esta situação será de notificar à GNR para, querendo, procurar identificar o responsável. É inadmissível e injustificada a poluição com este tipo de detritos. facilmente se contacta a oficina em causa e intimida-se a mesma a vir efectuar a remoção do lixo já que há ali indícios de que a ligam à situação.

Anexo fotografias das situações. 14 de Março de 2016.

Dia de Santa Eufêmia

 












Neste ano, pelas contingências da pandemia, a festa será apenas uma amostra. Certamente que com a celebração da Eucaristia e algumas barracas de venda de alguns produtos, mas seguramente sem a multidão habitual e sobretudo as tão famosas e populares barracas onde se aviam os "bifes à Santa Eufêmia". Eventualmente nos restaurantes próximos. Esperemos que para o próximo ano seja já possível voltar à plena fruição desta tão tradicional e popular romaria da nossa região.

13/09/2020

Sementes de azia e rancor


Não! Parece-me, que o que está propriamente em causa não é o Luís Filipe Vieira, o António Costa, o Fernando Medina, o Fernando Seara e muitos outros, figuras mais ou menos públicas, por fazerem parte da lista de honra de uma candidatura à presidência de um clube. O que está em causa não são as suspeitas e acusações à vida privada ou empresarial de senhor Vieira, que, até saber, de nada e por nada foi condenado. Parece que o que está em causa, para a generalidade dos inquisidores, é mesmo o Benfica, o rancor e azia ao clube, os mesmos que levam figuras como o portuguesíssimo Vilas Boas a dizer que não quer o Benfica, clube português, a vencer na Europa, sob pena de ficar furioso, doente e mal disposto. Bem sei que disse que preferia ser sincero do que hipócrita. Porventura um racista dirá o mesmo e não é isso que o justificará.

Em suma, pode-se questionar ou mesmo regulamentar se figuras com cargos públicos devem ou não exercer ou abdicar do tão simples direito à sua liberdade de expressão e de vida social e particular, a ponto de fazerem parte ou não de uma comissão de honra de uma candidatura de um qualquer clube, nacional ou de bairro, de que são simpatizantes ou sócios, mas, à falta dessa clara definição, o que por ora se vai exacerbando é mesmo o rancor e até certos laivos de ódio a um clube. O mesmo ódio e rancor que levam à beatificação de alguém que nos assalta e divulga a nossa privacidade num aparente vale tudo desde que depois da porta arrombada nos descubram alguns esqueletos e vídeos pornográficos no armário, tão somente porque numa das casas assaltadas está um clube rival.

E isso obviamente não é bom e dá pena, para mais numa altura em que se organizam manifestações e derrubam estátuas por outras coisas consideradas de desrespeito e ofensa às liberdades e garantias de cada um e de cada uma.

Pessoalmente, benfiquista que bateu palmas e torceu por um clube rival nas competições europeias, desde a final de Viena em 1987, fico arreliado com esta santa inquisição, mas percebo que vai sendo disto que a casa gasta. 

Bem vistas as coisas, as misteriosas sementes que por aí dizem que nos chegam vindas da China à caixa de correio, porventura não serão mais que as sementes de tais ódios e rancores clubísticos. E parece que há quem as lance em boa terra a ponto de já poderem estar a dar fruto.

A senhora doutora fumadora e esmagadora


Na semana passada estive em tribunal como testemunha, mesmo sem saber por quem indicado, e ao fim de um ano, finalmente, lá fui ouvido e aviado em pouco mais que cinco minutos. 

Num processo de pouco mais que lana caprina, onde no final a coisa se devia resolver com umas chibatadas aplicadas em quem por tão pouca palha incomoda sua alteza sereníssima a D. Justiça, o que de mais importante retive, foi, não na sala de audiências, mas no exterior, onde os diversos personagens, autores, réus, testemunhas e advogados esperavam como cães sarnentos, porque por ora, e sabe-se lá até quando, as salas de espera e zonas de recepção de entidades ligadas à administração, são pingarelhos obsoletos. Mas dizia, nesse deambulatório, duas senhoras advogadas afastaram-se do grupo para um pouco ao lado fumarem o seu cigarrito. É que defender gente, sobretudo sacanas e toda a espécie de "filhos da puta", deve dar um stress do caralho. Mas com o cigarrito a meio, uma delas, ao ser chamada, interrompeu o prazer e lançou a coisa ao chão, esmagando-a com uma precisão cirúrgica e treinada com a ponta do seu salto alto. Lá ficou no meio da praça meio cigarro a expirar, esmagado pelo tacão impiedoso.

Bom (mau) exemplo, pensei eu, vindo de alguém que devia conhecer e cumprir melhor o que com leis e regulamentos se pareça, tanto mais que agora lançar a beta no chão pode dar multa pesada. Apeteceu-me chamá-la à atenção e até tratá-la por "senhora doutora", mas podia processar-me, e voltar ali àquela coisa trituradora de tempo e paciência, chamada tribunal, é coisa que dispensarei por uns tempos. 

11/09/2020

Ah Leão...


O homem ainda não aqueceu o lugar do Centeno, mas dizer na mesma entrevista que ao nível do desemprego o pior está para vir e simultaneamente que o salário mínimo nacional deve ter um aumento com "significado", é uma coisa extraordinária senão paradoxal. 

Não me quer parecer que com as empresas a encerrarem, a falirem ou a dispensarem funcionários, porque "doentes" e daí o "pior que está para vir", estejam em contexto de poderem aumentar com "significado" o salário mínimo. É como esperar que uma vaca magra encha o canado de leite para farta quinzena.

Parece de todo um paradoxo, este o do ministro João Leão, mas vamos a ver no que dá. Afinal leão que se preze sabe apanhar gazelas e outros inocentes animais.

10/09/2020

Coerência

A propósito da questão da discutida reposição das freguesias, libertando-as da reles reforma administrativa parida pelo Relvas, diz o PCP - Partido Comunista Português, que as freguesias  “...são o primeiro patamar do poder local democrático” ... essencial para o combate à desertificação e às assimetrias regionais.Louve-se esta coerência e análise do PCP que pretende propor na Assembleia da República a reposição das freguesias extintas sendo essa a vontade das suas populações. 

Nesta questão da supressão das freguesias, PSD-CDS fizeram merda da grossa e o PS vai cagando baixinho sem sabermos se está obstipado ou de caganeira.

Nota de Falecimento

 


Faleceu Manuel da Conceição e Silva (Nel da Mira), de 67 anos (15 de Julho de 1953 a 10 de Setembro de 2020). Natural de Real - Castelo de Paiva, residia na Rua de Estôze, N.º 396 - Guisande.

O funeral ocorrerá na próxima sexta-feira, 11 de Setembro, pelas 16:00 horas, na igreja matriz de Guisande, indo no final a sepultar em jazigo de família.

Sentidos sentimentos a todos os familiares, particularmente à sua esposa e filhos.

09/09/2020

A ditadura dos números

Dizem as fontes da DGS que em Agosto deste ano morreram 8866 pessoas em Portugal, um número que representa um acréscimo de 506 em relação à média deste mês nos cinco anos anteriores. 

É uma tendência que vem de trás e o mês de Agosto não foi excepção. Portugal está a registar um excesso de mortalidade face à média dos últimos anos, mas este não é explicado pela doença Covid-19. 

De resto em Agosto terão morrido 87 pessoas directamente relacionadas com a pandemia. 

Ou seja, o Governo e a Direcção Geral da Saúde continuam apenas a dar importância às mortes por Covid enquanto que continua sem admitir que estes acréscimos resultam na sua larga maioria pela rotura do SNS e pela redução dos cuidados de saúde primários, suspensões e adiamentos de consultas, exames e cirurgias, no que é uma política totalmente errada. Todas as doenças contam mas esta "xenofobia" estatal diz-nos que não. 

Por este andar vamos chegar a Novembro ou Dezembro e o Governo, como já será ridículo justificar a coisa com as vagas de calor, vai virar-se para as vagas de frio. Ou até talvez culpará o Pai Natal.

Assim vamos indo num faz de conta, em que à comunicação social amestrada importa dar destaque apenas aos "casos". O resto não conta. Pode-se morrer, seja do que for, mas não convém que seja de Covid.

08/09/2020

Toques de Midas, petinga, peixinhos da horta e outras chulices

 

Circula por aí, nas redes sociais, pois claro, a imagem (acima) de um talão de uma despesa no famoso café Magestic, na cidade do Porto, com um absurdo valor aplicado a dois cafés, um descafeinado e  duas garrafas de 1/4 de água sem gás.

Pela data, parcial, deduz-se que a coisa não é de agora o que é de supor que de lá para cá a coisa ou manteve-se ou mesmo aumentou. É claro que, supondo que a imagem não está manipulada, é de facto um valor absurdo face aos preços tidos como correntes, mas nestas coisas quem quer experienciar coisinhas fofas e jetsetianas tem que pagar e não bufar.

Ainda há dias, por sugestão de alguém e pela experiência de "conceito", decidi um jantar a dois num já popular restaurante moderno, dito winebar, localizado numa aldeia recentemente requalificada e por isso num contexto ou cenário com o bucolismo apetecíveis, tanto mais que o fim de tarde ia quente, adequada a comer na esplanada. 

O tal "conceito" é o de comer ou degustar tapas, em rigor petiscos e entradas. Mas porque a coisa é "fina", e embalada como tal, comer petinga, pexinhos da horta e ovos estrelados, só porque com uns pós de perlim-pim-pim, e com um toque gourmet, coisa de "chefs", a coisa é cobrada ao preço do melhor caviar e filé mignon.

Assim, para muitos restaurantes, como cafés e afins, vocacionados para uma certa classe endinheirada, nada como o dom do toque de midas e facilmente da merda se faz ouro, como quem diz, da petinga e peixinhos da horta se fazem uma "experiência interessante num conceito moderno". 

Em suma, cada vez mais vale o antes parecer que ser. E nós gostamos disso, gostamos de ser fodidos, desde que seja algo de magestic.

Paga Quim!

2 + 2 = 4

O Costa, o nosso ministro primeiro, lá veio para a comunicação social avisar que: "Não podemos repetir o confinamento. O país não aguenta". Só mesmo o Costa para nos dizer que 2 + 2 são quatro. Sozinhos não chegávamos lá.

Todavia, sendo que é uma verdade `"la palisse", não deixa de ser paradoxal e mesmo irónica porque na realidade e em bom rigor o país já não aguentou o primeiro confinamento. Desemprego, falência de empresas, perdas de rendimento, resseção económica, aumento do défice, aumento da dívida pública, etc, etc, . Enfim, um autêntico desastre perpetrado pela classe política com a carneirada a obedecer de mansinho.

Mas as grandes trapalhadas estão agora a começar, desde já com as tais regras da DGS, nomeadamente para as escolas. Como disse alguém, mandar parar o país, fechar escolas e empresas, foi fácil. O difícil é agora reabrir com organização e sem trapalhadas.

Mas, e esta é uma frase batida, "somos mais que merecedores deste tipo de políticos". Mas, pelo menos que não nos façam de anjinhos.

[foto: expresso]

04/09/2020

Sineta do Viso - Um toque de juízo

 







Custa a acreditar, não fosse a imagem de baixo, mas certo é que antes das obras de requalificação da Capela do Viso, em 2003, a sua sineta estava pintada. De facto o trolha ou pintor, certamente que vendo que sobrava tinta da pintura da parte da madeira, vai daí e decidiu pintar a sineta. Por sua iniciativa, ou por pior mandante, não se percebeu que com a camada de tinta era diminuída a capacidade de vibração e daí por muito tempo a sineta produzia um toque choco.

Felizmente, alguém com um toque  de juízo apercebeu-se da aberração e removeu a espessa camada de tinta da sineta, trazendo à luz a cor natural do metal e com isso um toque mais vibrante.

Coisas, que podem parecer insignificantes mas que fazem diferença e que dão sentido ao velho rifão popular: "Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?" 

01/09/2020

O Tiririca

O Costa, o António, nosso ministro primeiro, lá vem de novo com o fantasma e ameaça de crise política, caso os seus já habituais parceiros da esquerda não lhe façam as vontades.

Nitidamente o homem  não se dá bem quando o contrariam e como num filme do Charlot, é tudo em tons de cinza. Mas ao contrário do cómico do bigodinho e chapéu de coco, não tem piada nenhuma porque nunca ninguém gostou de meninos birrentos. Como diria, e bem, Jerónimo Martins, líder do PCP, abanar essa bandeira da "crise política" ainda antes das negociações do próximo orçamento, já é um mau princípio.

Em todo o caso, creio que  a dita "crise política" é apenas um eufemismo para enganar tolos, porque em democracia não há lugar para esses maus humores. Ou um Governo tem condições para governar, por maioria absoluta ou por acordo parlamentar, ou então, se não, não governa e há lugar a novas eleições e delas surgirá um novo Governo, mesmo que seja mais do mesmo como a pescadinha com o rabo na boca.

Portanto, qual o problema? Mais custos com eleições? Pois claro, mas quanto a isso o povo já está habituado a esses encargos, porque a democracia, imagine-se, tem custos.

Assim sendo, que se aguente e mostre o que vale em tempo de vacas magras, mesmo que com o leite a jorrar da gorda teta da UE, ou então, desista e venha o próximo. Em caso de novas eleições, pode até reforçar a sua posição, mas mesmo assim, como dizia o Tiririca, pior do que está, não fica. Por outro lado, aplica-se também o velho rifão popular " Para melhor está bem, está bem; Para pior já basta assim".

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