30/04/2026

Viver não custa, custa é saber viver


Viver não custa, custa é saber viver


Dizem que nasceu torto

Sem ter onde caír morto;

Sem que durma na rua

Não tem casa só sua;

Não, tem, pois, eira nem beira

Trabalha, pouco, sem canseira,

O futuro é apenas presente, 

Poupar não é coisa premente.

Contudo, vive à francesa,

Não dá folga nem moleza.

Dinheiro não falta p´ra cigarro

E, mais que tudo, tem um bom carro.


Ora foda-se lá, se dizem que ele não pode,

Pois, afinal, quem trabalha é que se fode!

Olhares - Céu de trovão

 


29/04/2026

Olhares sonhados - O lavadouro de Cimo de Vila

 


Os meus olhares sonhados voltam ao velho lavadouro de Cimo de Vila, ali onde dizem que é o Quartel, mesmo que sem tropa, fandanga ou militar.

Como já por aqui escrevi há dias, os meus olhos de criança teimam em sonhar e de novo ali a ver as mulheres do lugar ocupando as pedra de lavar, numa tagarelice quotidiana, a esfregaram as roupas cardidas de quem trabalhava no campo ou nas obras. Sentia-se, então, um cheiro a água fresca e sabão. Ao lado, a presa, recolhia a água que escorria da fonte para o lavadouro. Essa água, na altura vinha da generosa nascente de Centes e desde as obras destruidoras da A32 chega do Monte de Mó, partilhada com a fonte do Monte do Viso. Essa água, através de rego, que no lugar passava a descoberto, regava campos na encosta que descai de Cimo de Vila para a Igreja e Quintães mas também até ao fundo do lugar do Viso. Escusado será dizer que a maior parte desses regos já não existem, apenas na memória de quem a tem.

Nesse lavadouro de Cimo de Vila, lavavam mulheres como a Ti Laurinda do "Canão", a Ti Gracinda do "Repolho", a Ti Isaura,  mulher do Ti João do "Cabreiro", a Ti Madalena do Martinho, as do Sebastião, as irmãs Fonsecas, a Ti São, mulher do Ti Franquelim do Martinho, e outras mais, todas mulheres que eram uma força da natureza.

Em casa de meus avôs sempre existiu um tanque também com lavadouro, com água corrente vinda de uma abastada mina localizada no Monte de Mó, e que ainda hoje lá cai. Por isso a minha mãe, ocasionalmente e dependendo da roupa, também lavava em Cimo de Vila. Apesar disso, eu criança, pela proximidade da casa e pelo facto de, com o meu irmão mais velho, andar ao cuidado de minha bisavó Margarida, a mãe Guida, como a tratáva-mos, era por ali que passáva-mos o tempo ainda antes de ir para a escola e mesmo durante.

Por conseguinte, muito do meu imaginário de infância situa-se ali entre o Viso e Cimo de Vila e todo o pedaço de terra, de monte e ribeiras, entre esses lugares e a freguesia de Louredo.

É fartar, vilanagem!

As catástrofes naturais que têm assolado Portugal, desde os trágicos incêndios de 2017 às recentes tempestades que fustigaram, sobretudo, o centro do país no início deste ano, deixam marcas profundas no território e na alma das populações. Perante a destruição de habitações, fábricas e explorações agrícolas, a resposta do Estado foi rápida através de fundos de reconstrução é não apenas necessária, mas um imperativo de solidariedade social. Contudo, a par dos escombros, surge frequentemente um fenómeno igualmente corrosivo: o oportunismo de quem vê na tragédia uma oportunidade de lucro ilícito e que procura tirar proveita das facilidades burocráticas dadas pelo Estado como forma de se dar resposta tão rápida quanto possível aos danos e insuficiências.

É comum ouvirmos críticas contundentes à classe política, à burocracia das instituições e à alegada falta de transparência na gestão da coisa pública. No entanto, os relatos recorrentes de candidaturas fraudulentas (como alguém que pediu à volta de 3 mil euros quando na realidade apenas precisou de meia dúzia de telhas que lhe foram oferecidas) a apoios estatais revelam uma dissonância ética preocupante. Quando indivíduos ou empresas tentam obter financiamento para reconstruir estruturas que já se encontravam abandonadas ou em ruínas muito antes do desastre, ou quando inflaccionam prejuízos de forma desproporcional, estão a replicar precisamente os comportamentos que condenam nos seus representantes. Um pouco como, na estrada, alguém que tendo no seu automóvel umas valentes amassadelas, depois de um ligeiro toque de alguém, alega à seguradora que o carro estava impecável. Um simples Fiat Uno é descrito como um Ferrari.

Todos cohecemos, até por perto, casos de falsificação organizada de acidentes automóveis para enganar as seguradoras, e até mesmo em acidentes a envolver bicicletas, em que há quem se preste a substituir peças danificadas vulgares por mais caras para enganar o perito e aumentar a indemnização pela seguradora. Não somos anjinhos e todos conhecemos estas histórias.

Esta microcorrupção do quotidiano sugere que o problema ético não é exclusivo das esferas de poder, mas sim transversal a uma sociedade que, por vezes, confunde astúcia com sobrevivência e oportunismo com direito.

As ramificações destas acções enganadoras são vastas e prejudicam toda a comunidade. Os fundos públicos são finitos. Cada euro desviado para uma estrutura que já estava em ruínas é um euro retirado a uma família que perdeu o seu único teto ou a um empresário que luta para manter postos de trabalho.

A detecção de fraudes obriga o Estado a endurecer os processos de fiscalização. O resultado é um aumento da burocracia que atrasa o apoio a quem dele necessita com urgência, punindo o justo pelo pecador. Nesta situação o Governo confronta-se com a situação de pecar por excesso de zelo ou de abrir a porta e as mãos ao chico-espertismo e oportunistas, tantas vezes estes com o beneplácito de gente que está nas entidades que deviam fiscalizar e zelar pelo interesse público, usando da velha filosofia de que uma mão lava a outra e que em detrimento do Estado ganham todos.

A fraude alimenta o cinismo. Quando a comunidade percebe que o vizinho beneficiou indevidamente de um sistema de apoio, a confiança nas instituições e na própria solidariedade entre pares dissolve-se, dando lugar ao ressentimento.

Uma sociedade que aspira a instituições íntegras deve, obrigatoriamente, sustentar-se numa base de integridade individual. Criticar a corrupcção "lá em cima" enquanto se pratica o oportunismo "aqui em baixo" é uma falha moral que compromete o desenvolvimento do país.

A reconstrução de uma região após uma catástrofe deve ser física, mas também ética. Exigir transparência do governo é um dever cívico, mas agir com honestidade perante os recursos que pertencem a todos é a única forma de garantir que, na próxima tempestade, a rede de apoio seja robusta, rápida e, acima de tudo, justa. Infelizmente, de Pedrógão à região Centro, os exemplos de oportunismo mostram que nada aprendemos. No meio da catástrofe e miséria haverá sempre gente ao saque como na Idade Média. 

É fartar, vilanagem!


[ilustração: Observador]

28/04/2026

Santos da casa....

Não deixa de ser uma mero reparo, mas também curioso, quiçá sintomático, que fora do contexto da sessão pública de apresentação do meu livro de apontamentos sobre a história do Guizande Futebol Clube, em 10 de Abril passado, não tenha tido alguém da freguesia que de forma pessoal me reconhecesse o valor e importância do livro mas, em contrapartida, já algumas pessoas de fora da freguesia o fizeram, algumas delas mal conhecidas por mim.

Vale o que vale, porventura não mais que um acaso, mas, ainda assim, a fazer pensar. Seja como for, é velhinha a sentença de que "santos da casa não fazem milagres" e daí que não seja de surpreender alguma indiferença. Afinal,  nos dias que correm, vale mais um peidinho nas redes sociais, do que algo mais substancial como um livro a valorizar o que é nosso, o colectivo, o legado de muitos. 

O incentivo e apoio são fundamentais em qualquer área, em qualquer empreendimento, mas por aqui o que quer que tenha de ser feito terá de ser sem expectativas ou, pelo menos com estas em baixo.

É o que é!


 

Nota de falecimento - Rosa de Castro Linhares

Faleceu de forma inesperada, Rosa de Castro Linhares, de 81 anos, do lugar de Casaldaça.

Nasceu em 21 de Abril de 1945. Era esposa de Fernando de Oliveira Pinho com quem casou em 11 de Janeiro de 1970.

Era filha de António Ferreira Linhares e Rosa Ferreira de Castro.

Era neta paterna de Manuel Ferreira Linhares e Olívia Margarida dos Santos.

Era neta materna de José Ferreira de Castro e de Ana de Oliveira.

Era bisneta paterna de José Custódio e Margarida Gomes.

Era irmã de Maria Rosa, Olívia de Castro, de Maria Laura, de Manuel Ferreira Linhares, de Margarida Maria, de Maria Adelaide e de Maria Margarida.

Neste momento de perda e pesar, expresso os meus sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular ao seu marido Sr. Fernando e a seus filhos Fernando e Valdemar.

Funeral na Quarta-Feira, 29 de Abril pelas 15:30 horas, com cerimónias da igreja matriz de Guisande, indo no final a sepultar no cemitério local.

Missa de 7.º Dia na Sexta-Feira, 8 de Maio, pelas 19:30 horas na igreja matriz de Guisande.

Que a sua alma descanse em paz e permaneça na memória dos seus e da comunidade onde era estimada pela sua simpatia e trato fácil.

27/04/2026

Olhares sonhados - 2


Não é o Ti Domingos Lopes - que nestas coisas de memória e de olhares sonhados nem sempre se acertam os rostos -, mas bem podia ser. E com mais funda razão e propriedade. De facto, foram muitas, tantas que nem se contam, as vezes que, com a sua parelha de bois, passou este portal bonito e singular, ali na casa do lugar da Igreja. Este, se não é peça única no concelho, é seguramente coisa rara: o baixo-relevo talhado na pedra dura, numa bordadura de elementos decorativos e encimado pela cruz, como que envolve e dá respeito ao trabalho diário do laboureiro.

Ora saía com o carro cheio de estrume, a caminho dos campos; ora levava a charrua e a grade, prontas para lavrar e gradar; ora ia de carro vazio, entaipado ou com a caniça, para trazer tojo, palha, espigas ou uvas. Era assim a vida - de lavrador, carreteiro e laboureiro - num tempo em que não havia tractores. E mesmo depois de aparecer o primeiro, para espanto da aldeia, comprado pelo Raimundo da Lama, em Guisande ainda muito trabalho se fez a bois.

Foi então que, devagar mas inexoravelmente, começou a perder-se o ofício. Homens como o Ti Domingos Lopes, o irmão Joaquim ou o Ti António “Simeão” foram ficando para trás. Mas os bois, mansos e certos, por muitos anos rasgaram a terra. Era um trabalho duro mas de paciência, sem pressas, uma arte. 

Depois, como tudo, veio o seu fim. Foram-se esses homens, rijos como o chão que lavravam. Os bois deixaram de encher os aidos escuros. Aos poucos, este e outros portais foram-se fechando, a ganhar silêncio, a perder cor.

Mas fica a lembrança. Este olhar sonhado é só um tributo a essa gente de trabalho: homens que, ao romper do dia, emparelhavam os bois ao jugo, prendiam-no à cabeçalha do carro e saíam pelo portal ainda com a capoeira a dormir, para voltarem já noite feita, depois do toque das Trindades, com o luar já a alumiar os caminho do monte do Mó ou das ribeiras.

É bom sonhar e trazer à memória a gente e modos de vida que ajudaram a entretecer o ninho que temos como nossa casa, como nossa aldeia.

Fotografia do Ti Domingos Lopes com a sua parelha de bois.

26/04/2026

Olhares sonhados - 1

 

Cimo de Vila - Casa da Ti Ilda Fonseca (prima de minha mãe), que foi de seus pais, Joaquim José da Fonseca e Albertina Oliveira (do Grilo).

Na minha infãncia por ali passei muitos dias a brincar. Ali, daquela janela no sobrado, era uma sala de costura em que trabalhavam algumas das irmãs Fonseca.

Tempo bonito que não volta. O tempo passado deixou as rugas nas fachadas. As rosas ainda são perfumadas mas já não há meninice nem crianças a brincarem no largo com o Ti Manel do Martinho sentadito na escada da rua.  Já não há rego de água vindo do lavadouro de Cimo de Vila onde, junto ao campo da Cancela, montava rodízios de bogalhos ou lançava à aventura barcos moldados de casca de pinheiro.

Tudo mudou e apenas um olhar sonhado permite uma viagem a esse passado já longínquo. Mas dizem que é bom sonhar...

Podia ser verdade... Olhares sonhados

 

Em tempos passados, as nossas juntas de freguesia, ali pela década de 1980 e seguinte, procuraram dar melhores condições a quem utilizava os lavadouros públicos, nomeadamente dotando alguns deles com coberturas. Apesar disso, fizeram-no sempre sem qualquer assomo de estética, preferindo uns mostrengos em betão ou umas miseráveis chapas, numa filosofia de gastar o menos possível. Foi assim nos lavadouros em Estôze, Casaldaça, Fornos e Cimo de Vila. 

Num mero exercício do que poderia ficar mais de acordo com uma estética rústica, ilustro aqui o lavadouro de Cimo de Vila, com a sua abundante fonte de água corrente. É certo que os tempos em que os meus olhos de criança ali viam as mulheres do lugar ocupando toda a pedra de lavar, numa tagarelice quotidiana, a esfregaram as roupas cardidas de quem trabalhava no campo ou nas obras. Sentia-se um cheiro a água fresca e sabão.

É certo que os tempos mudaram e são pontuais os casos em que alguém ainda utiliza os lavadouros mas, pelo valor patrimonial e de memória colectiva que representam deviam ser uma preocupação das juntas de freguesia na sua conservação. Um castelo também já não tem utilidade prática e apesar disso conserva-se. 

Pretender comparar um singelo lavadouro a um vetusto castelo pode não fazer sentido para muitos, mas deve fazer. Afinal, um castelo podia ser morada de um qualquer senhor feudal enquanto que um lavadouro é do povo, o que era explorado pelo fidalgo.

Podia ser verdade...

23/04/2026

Dia Mundial do Livro - Também dos meus


Hoje, 23 de Abril, celebra-se o Dia Mundial do Livro. Que seja "Mundial" ou "Internacional", é uma data significativa pelo que representa.

O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor foi instituído pela UNESCO em 1995. Esta data tem como objectivo central o reconhecimento do livro como um instrumento fundamental para a educação e o progresso cultural.

O foco primordial da data é incentivar o hábito da leitura em todas as faixas etárias, destacando o prazer da descoberta literária. Em 2026, as iniciativas em Portugal, coordenadas pela DGLAB, sublinham a leitura como um acto de liberdade, cidadania e democracia, integrando as comemorações dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa.

O dia serve para reafirmar o papel dos livros como meios insubstituíveis da transmissão de património cultural e informação, desenvolvimento intelectual, expansão de horizontes e combate ao isolamento social e reforço de laços interpessoais.

Não sou, de todo, escritor ou autor, mas modestamente já tenho três livros publicados, um deles recentemente apresentado e que está à venda pelo Guizande Futebol Clube, já que é a esta instituição que é dedicado e os ganhos com a venda servem para ajudar as suas actividades e obras nas instalações desportivas do Campo "Oliveira e Santos".

Apesar disso, escrever e publicar um livro não é apenas um exercício de vaidade mas antes uma consequência de quem cultiva a escrita, a língua  e a literatura. Se para muitos e talentosos escritores é um modo de vida, para pequenos e insignificantes  autores, como eu, que apenas publicam em edições de autor, é um exercício de alguma loucura e gastos que pouco compensam com pequenas edições. As editoras comerciais não apostam em que não tem nome, eventualmente até aceitando publicar mas com condições que se resumem a dar um chouriço para receberem um presunto "pata negra".

Dos meus três livros, o primeiro, "Palavas Floridas", com poemas, contos e textos, foi literalmente para oferecer a familiares e amigos, por isso sem ganhar um tostão. O segundo, de literatura infantil, vendi a pouco mais de preço de custo e desse valor ofereci 2 euros à UNICEF para campanhas de apoio às crianças do "corno de África". Algumas entidades de poder local comprometeram-se a apoiar, adquirindo algumas dezenas de exemplares para a rede de escolas e bibliotecas, mas tal não passou de uma promessa por cumprir. Sem supresa!

O terceiro, ainda fresco e recentemente apresentado (10 de Abril), é um conjunto de apontamentos sobre a história do  Guizande Futebol Clube, que o está a vender pelo que a totalidade dos lucros com a venda são para a colectividade. Uma vez  mais, trabalho e alguma despesa sem qualquer ganho, mas no que é um orgulho poder ajudar, juntamente com quem apoiou nos custos da publicação. Como reconhecimento, do poder local municipal ninguém a representar, mesmo que com convite prévio. Sintomático!

Por conseguinte, para os insignificantes autores como eu, vai valendo a loucura e a vontade de fazer alguma coisa, mesmo sem nada esperar. Tenho mais três projectos, um deles já em escrita avançada, dedicado à capela do Viso e à sua festa. Uma vez mais com foco nas coisas da freguesia. Ainda um outro, uma monografia geral sobre a freguesia nos seus diferentest aspectos, que praticamente está escrita. Ainda em mente um terceiro livro de poemas e contos "Palavras despidas".

São projectos, com  vontade própria e já todos com escrita adiantada, mas confesso que ainda sem saber quando verão a luz do dia. Estas coisas, para além do tempo e cansaço, custam dinheiro, cada vez mais, e não sou pessoa de pedinchar, sobretudo a quem tem obrigação de incentivar e apoiar. Seja como for, venham, ou não, a ser publicados, uma vez mais o objectivo não será ganhar dinheiro. Quando muito a vender a preço de custo para mitigar o prejuízo.

Posto isto, importa valorizar o Dia Mundial do Livro e dar importância ao que lhe dá substância, os autores, os livros e o que neles se imprime, sobretudo quanto temas que são uma forma de valorizar a nossa freguesia, os seus valores, passados e presentes. Apesar disso, sem expectativas porque sabendo que a larga maioria pouca importância dá a estas coisas.

21/04/2026

Comissão de Festas do Viso - 2026 - 1.ª Noite da Francesinha


A diligente Comissão de Festas do Viso - 2026, promoveu neste Sábado, 18 de Abril, a partir das 19:30 horas, no Centro Cívico no Monte do Viso, a sua 1.ª Noite da Francesinha. Os lugares estavam sujeitos a reserva e a participação excedeu as expectativas. Aqueles que deixaram para a última hora já não conseguiram lugar. Por conseguinte, foi excelente a participação.

Quanto à "francesinha", para o meu gosto e dos que com quem falei, esteve excelente, saborosa e equilibrada nos sabores e no picante.

Parabéns, pois, à Comissão de Festas e aos que colaboraram para este jantar, mas de modo particular ao pessoal que a confeccionou. 

Sabemos que é um prato trabalhoso de confeccionar, com preparação e montagem de vários ingredientes, para além do sempre importamte molho, mas pela qualidade ficamos à espera da segunda noite.


O Macaco Nu - Desmond Morris


Aos 98 anos morreu Desmond Morris, autor do célebre livro “O Macaco Nu”.

Publicado originalmente em 1967 pelo zoólogo e etólogo Desmond Morris, "O Macaco Nu" (The Naked Ape) é uma das obras de divulgação científica mais influentes do século XX. O livro analisa o comportamento humano sob uma lente puramente biológica e evolutiva, tratando o Homo sapiens como uma espécie animal entre as outras.

Morris define o ser humano como o "macaco nu": um primata que, por razões evolutivas, perdeu a pelagem corporal. Ao longo do texto, ele ignora as explicações culturais ou religiosas habituais para o comportamento humano, focando-se em instintos herdados que partilhamos com outros animais ou que desenvolvemos para sobreviver na savana.

O autor descreve a transição do antepassado humano de um recolector de floresta para um caçador-recolector em campo aberto. Esta mudança evolutiva conduziu a uma postura erecta para avistar presas e predadores; A perda de pelo para facilitar a regulação térmica durante perseguições longas; Desenvolvimento cerebral para criar ferramentas e estratégias de grupo.

O livro divide-se em capítulos que analisam as funções vitais do "macaco nu":

Sexualidade: Morris argumenta que muitas características sexuais humanas evoluíram para fortalecer o vínculo do casal, garantindo que o macho permanecesse presente para ajudar a cuidar da prole, que nasce extremamente dependente.

Criação: A análise do instinto materno e da necessidade de um período prolongado de aprendizagem infantil.

Agressividade: O autor explora como o comportamento territorial e a hierarquia de dominância (comum em primatas) se manifestam na sociedade moderna e na guerra.

Alimentação e Higiene: Como os nossos hábitos de consumo e cuidados corporais ainda refletem rituais de grupos sociais primitivos.

Uma das teses centrais do livro é que, embora vivamos em cidades tecnológicas, o nosso "equipamento" biológico e instintivo permanece o de um caçador da Pré-História. Morris alerta que ignorar a nossa natureza animal e os nossos limites biológicos (como a sobrepopulação e o stress territorial) pode colocar em risco a sobrevivência da espécie.

Na época do seu lançamento, o livro foi controverso por desmitificar a "superioridade espiritual" humana e por dar grande ênfase à biologia sexual. Hoje, embora alguns dados da antropologia tenham sido actualizados por descobertas mais recentes, permanece um marco por ter popularizado a ideia de que a nossa biologia molda a nossa cultura de formas mais profundas do que gostamos de admitir.

20/04/2026

Livro sobre o Guizande F.C. - Errata

No contexto editorial, uma errata é uma lista de erros detectados em uma obra após a sua impressão, acompanhada das devidas correcções. Ela funciona como um anexo rectificativo para garantir a precisão das informações sem a necessidade de descartar a tiragem já produzida. A errata é, assim, utilizada para corrigir falhas que podem comprometer a interpretação do texto ou a exactidão de dados e informações.

Para cumprir os seus objectivos, a errata deve ser integrada no livro, antes deste ser distribuído, como uma página extra ou um separador.

No caso do meu recente livro "Guizande Futebol Clube - Apontamentos para a sua história", por motivos práticos, optei por não o fazer, na certeza, porém, de que após uma leitura atenta, encontraria sempre um ou outro lapso, gralha ou erro, de dados, de gramática, de vocabulário ou de contas, etc. Infelizmente, numa publicação com edição de autor, em que por questões de economia se opta por fazer todo o trabalho, incluindo o de revisão, já que para entregar esse serviço a alguém que o faz de forma profissional custaria bastante, há que se correr alguns riscos. E assumindo-os, até de antemão, sempre alertei, mesmo no próprio livro, que isso poderia acontecer.

Neste contexto, vou anotando aqui, com actualizações caso se justifiquem, alguns lapsos, gralhas ou erros detectados: Seguem os que para já foi possível detectar:

Na página 260: No apontamento biográfico sobre o Manuel Rodrigues de Paiva, primeiro presidente do clube, a indicação de ter 89 anos quando faleceu, está incerta. Na realidade tinha 79 anos, a caminho dos 80, pois nasceu em 20 de Novembro de 1942 e faleceu em 27 de Janeiro de 2021. Ou seja, as datas de nascimento e de falecimento, indicadas no livro, estão correctas e, por conseguinte, desmentem por si o lapso da idade, mas de facto, na revisão, não consegui notar o erro entre o 7 e o 8 na indicação das dezenas.

Na página 61: No apontamento sobre o falhado campo de jogos em Casaldaça: No título do parágrafo é indicado "Sinal de 200 contos"  e depois no texto é referido que o clube sinalizou a compra do terreno à família de Abel Correia Pinto, por 500 contos, com um pagamento de 20%, por isso de 100 contos. Por conseguinte a referência a 200 contos está desadequada. Todavia, isto resultou da reprodução de conteúdo do jornal "O Mês de Guisande" que também tinha essa imprecisão e que por lapso também me passou na revisão.

Todavia, tal como na falha acima referida quanto à idade de Manuel Rodrigues de Paiva, também neste assunto é feita referência a 100 contos como 20% de 500 contos, o que também ajuda a corrigir o erro do título do parágrafo.

Na parte superior da pagina 65, a questão do valor do sinal é novamente abordada, mas aqui uma confusão que de facto aconteceu mesmo na época, já que do valor de 100 contos pago como sinal de compra, na Assembleia de Freguesia foi informado que havia sido devolvido o sinal no valor de 115 contos. Como ficou escrito no livro, essa diferença não foi devidamente percebida pelo que se deduz que terá sido uma compensação, mesmo que por regra a devolução do sinal deveria ser em dobro se numa situação de imputabilidade a quem desiste do negócio. Ora no caso, a família desistiu do negócio mas alegando incumprimento de uma das condições pela outra parte, o clube, embora este dependente da Junta de Freguesia.

Na página 67, ainda à volta das considerações sobre o assunto do falhado campo de jogos em Casaldaça, na parte de texto da terceira linha do parágrafo com o título "Prejuízo para a freguesia?", em que se lê "...poderiam aqui mencionados alguns intervenientes", deverá ler-se "poderiam aqui ser mencionados alguns intervenientes". Ou seja, escapou-se o verbo "ser".

Em resumo, conforme for detectando alguns lapsos, esperando que não muitos nem significativos, actualizarei aqui.


19/04/2026

Livro sobre a capela do Viso e sua festa - Pedido de material

 


Publicado que foi o livro de apontamentos sobre a história do Guizande Futebol Clube, estou já com outro livro em processo de escrita. Desta vez será relacionado à nossa capela do Viso e sua festa.

Naturalmente que já disponho de muito material para pesquisa e conteúdo. Apesar disso, lanço o pedido para que alguém que tendo feito parte da festa, da comissão de festas, ou familiares, e que tenham por casa algum material relacionado, como documentos, fotografias, cartazes, programas, panfletos, contas, etc, etc, será importante que o partilhem comigo até porque ainda há muita coisa em falta, nomeadamente de cartazes com os programas de anos mais recuados. Podem igualmente informar em que ano fizeram parte da Comissão de Festas e quem foram os colegas, nomeadamente quanto às mordomas, pois quanto às mulheres as informações que disponho são menos do que relativamente aos homens. Todas as informações ou memórias relacionadas são importamtes.

Agradeço que partilhem este pedido de modo a que chegue a mais guisandenses e desse modo se aumente a possibilidade de se encontrar informações que possam enriquecer o ivro o qual pretende documentar, tanto quanto possível, estes dois importantes elementos da nossa freguesia.

Pés ao caminho - Pela Freita num dia de Primavera















18/04/2026

84 Primaveras num dia de Primavera



Neste 18 de Abril de 2026, um dia digno de Primavera, completou a minha mãe 84 delas. Uma vida sofrida, dura, sem infância e a ser mãe aos 18, mesmo assim foi sempre mãe coragem, seio de uma ninhada de 8 filhos, 5 rapazes e 3 raparigas, que cuidou com desvelo e amor, mesmo perante muito trabalho. Se mais não deu, mais não tinha. Mas aos 84, mesmo com o raio das pernas a não permitirem um pouco mais de conforto e alegria, mesmo assim, ainda consegue ter a lucidez e um sorriso bastante a agradecer o dom da vida.

A sua maior prenda seria a possibilidade de continuar na sua horta, a mexer na terra, a semear, plantar, regar, cuidar e colher, porque nisso, tal como a muitas outras mulheres da nossa aldeia, se resume toda a vida e viver: Criar, cuidar e colher. Ver nascer e crescer.

Na imposssibilidade física de voltar à horta, ao quintal, ofereceram-lhe as netas uma horta doce, e no meio dela o seu boneco, a cuidar.

Eugénia Fonseca, Deus lhe conserve esse sorriso até quando quiser e que mais primaveras, solarengas, possa contar.

17/04/2026

Caminho das Covas

Caminho do Alquebre - 2


Caminho do Alquebre - 1

O áudio será sincronizado automaticamente ao iniciar.


16/04/2026

Pagar o que não se come


Como muitos portugueses, tenho serviço de telefone, televisão e internet. O básico. Não tenho canais prémium nem Netflixes ou coisas parecidas. A minha carteira não dá para tanto.

Apesar disso, um dos motivos que me levam a não subscrever Netflixes e quejandos é que, por regra, paga-se pelo pouco que se come e pelo muito que não se come. Ou seja, paga-se o menú completo, mesmo que só se comam as salsichas e não se toque nos bifes, no polvo ou no camarão. Do género, não comeu, comesse!

Infelizmente, sem regras de quem as devia implementar em defesa dos consumidores, habitualmente somos todos "comidos de cebolada". Por exemplo, pagamos serviço de televisão e mesmo assim temos que gramar doses exageradas de publicidade. Ora se temos de compreender essa filosofia em televisões de sinal aberto, já em serviços pagos a coisa fica estranha. Não surpreende, por isso, que muitos procurem esquemas ilegais de acesso a esses serviços de televisão e streaming.

Em resumo, quase todos comemos pela medida grande e conforme as coisas estão regulamentadas, de pouco ou nada serve reclamar. E isto não só neste género de serviços fornecidos por empresas, como até em alguns prestados pelo Estado.

É comer e não bufar, até porque quem bufa rapidamente passa por estar desalinhado, por negacionista, ovelha tresmalhada ou coisa do género. 

Num país de gente mansa e alinhada, custa até a acreditar que tenha havido uma revolução.

15/04/2026

Livro do Guizande F.C. - Rescaldos

 


Ainda o rescaldo da apresentação pública do livro "Guizande Futebol Clube - Apontamentos para a sua história", da sexta-feira passada (10 de Abril de 2026).

Sala cheia, reunião dos ex-presidentes e ausentes em memória. Atletas e dirigentes. O foco, o clube. Um documento de arquivo e uma forma concreta de apoiar. 

Neste contexto, se é certo que a sala esteve cheia e se mais viessem teriam de ficar de pé, no entanto, normal seria que mais figuras, algumas com peso institucional no passado e presente, marcassem presença. Não o fazendo, certamente que por imperativos legítimos dos seus afazeres e vontades pessoais, mas, todavia, fica essa assinatura de ausência. 

Apesar da presença de alguns jovens,notei a ausência de tantos outros. E se não me surpreende nem fez falta a indiferença de alguém da Câmara Municipal, porque dali nada se espera, preocupa-me, sim, alguma indiferença de alguma da nossa juventude, dos mais novos. Afinal, serão eles o futuro e se assim tão desinteressados por algo de comunitário, como o nosso clube, as perspectivas só poderão ser pessimistas. 

Que mais não seja, também por esta realidade presente, importa remar enquanto há tempo e força.


11/04/2026

Gooooolo do Guizande!


No dia de Todos-os-Santos, 1 de Novembro, no alvorecer de um dia frio, de geadas, nasci à sombra da capela do Viso, onde moram a Senhora da Boa Fortuna e Santo António, que cedo habituei a ver e a honrar como donos daquela bonita capela.

O palco da minha infância, ou do que dela sobrou para além da escola e do trabalho, que por esses tempos era literal e duro, uma exigência grande para um corpo pequeno, a pedir brincadeiras e fantasias, foi o agreste monte do Viso, à volta da capela e da escola primária onde aprendi as primeiras letras, com elas a formar palavras, a ler e a descobrir a magia das primeiras histórias;  A conhecer e juntar os números e o resultado das contas que se fechavam com a prova dos nove ou real.

No Verão, os rigores da Catequese e do Pe. Francisco, davam folga à rapaziada, e nos domingos à tarde o arraial do monte do Viso era o nosso teatro dos sonhos, a floresta de Sherwood do Robin dos Bosques, o rancho da Ponderosa do Bonanza, a pradaria do Búffalo Billy ou a selva do Tarzan.

Era também o campo de futebol, onde os muitos rapazes fingiam ser as figuras dos cromos da bola, uns do Benfica, outros do Porto, um ou outro do Sporting, na disputa de jogos aguerridos, em que o intervalo era aos 5 e terminavam aos 10.

As faltas, as caneladas e as teimas, eram resolvidas na razão de quem tinha mais força e corpanzil bastante, e, não raras vezes, a seguir ao futebol acontecia boxe, judo e artes marciais, ou até um filme de índios e cow-boys.

Mas quando se ouvia o brado das mães a chamar, o jogo logo acabava, sem descontos, sem vencedores vencidos, e todos, de novo amigos e companheiros nos mesmos infortúnios, regressavam ligeiros a casa e alguns para acerto de contas. O conselho de disciplina doméstico não tinha contemplações e os cartões eram quase sempre vermelhos e exibidos no lombo.

Os jogos da bola nesse terreiro de pedras e raízes, à sombra de mimosas e austrálias, incluíam todos, dos mais talentosos aos mais desajeitados. Cada equipa era escolhida alternadamente um-a-um, em que o “Eusébio” do Viso ou o Pavão de Cimo de Vila eram os primeiros a ser escolhidos, e o último, o mais azelha do plantel.

Podia ser um jogo a feijões, a cromos ou a render uma laranjada Gruta da Lomba, em jogo combinado com a rapaziada de Casaldaça. Se o resultado não ia de feição, a garrafa de refrigerante, esse troféu refrescante de uma não sonhada Liga dos Campeões, era surripiado do cabeço do cruzeiro grande antes do final do jogo, e a coisa terminava invariavelmente à pedrada, com os de Casaldaça a fugirem a sete pés pelo monte abaixo, não porque os do Viso e Cimo de Vila fossem mais valentes, mas porque a descer todos os santos ajudavam, até às pedras.

A desforra, essa era feita quando os de cima tinham que ir lá abaixo, às mercearias da Sr.ª Amélia ou do Sr. Neca e ao saco com arroz, massa e pão, podiam-se juntar uns sopapos. Umas pelas outras.

Para além dos jogos de futebol no monte do Viso, no início das tardes domingueiras o povo do lugar juntava-se debaixo da sombra da ramada do meu avô materno, então com um dos raros aparelhos de televisão da freguesia. Era a RTP, a preto e branco, com apenas um canal, mas, mesmo assim, era um verdadeiro luxo. A televisão era colocada à porta da sala, voltada para fora, e o cinema ficava montado. Novos  e velhos amontoavam-se, não se pagava bilhete e não faltava água do poço. Era o divertimento dominical do povo, com acesso democrático num tempo em que a democracia era apenas sonho.

Num instante, estava ali uma plateia a assistir ao TV Rural, do Engenheiro Sousa Veloso, numa qualquer reportagem entre gado e alfaias na Ovibeja, a falar da cultura do milho,  das batatas e do combate ao escaravelho. Nas eiras viam-se dançar ranchos folclóricos apresentados pelo Pedro Homem de Melo. Quando o Papa Paulo VI visitou Portugal, em 1967, nos meus olhos de criança, o terreiro da casa do meu avô parecia ter tanta gente como no Santuário de Fátima.

E eram assim muitos dos domingos à tarde da minha infância, até que, lá pelo meio da tarde, chegava ao Viso e a Cimo de Vila um rumor de gente a gritar em uníssono, lá para os lados da Leira: Gooooooooolo! Gooooooooolo!

Que seria aquilo? Não era seguramente o grito do Tarzan ou do seu filho Bomba, no filme, a voarem na selva, de liana em liana, como trapezistas no circo, antes de enfrentarem furiosos gorilas e panteras. Não! Não era! Os mais velhos  logo matavam a curiosidade: Olha, golo do Guisande! Olha, mais um! É contra o Lobão!

Como a curiosidade não dá sossego a quem está a descobrir o mundo, nos domingos seguintes, quando havia jogo na Leira, passei a trocar a televisão e os filmes a preto e branco, pelo jogos de futebol, ao vivo e a cores, no velhinho campo da Leira.

Depressa, os novos heróis passaram a ser aqueles rapazes mais velhos, vestidos de um amarelo vistoso, como canários a esvoaçar fora da gaiola,  alguns deles de barbas e bigodaças fartas e cabelo à Beatles. Estavam ali o Valdemar Pinheiro, o Alhinho, o Marinho, o Rodrigo, o Reinaldo, o Alcino dos Matos, e outros tantos. E o Rei! Não o da selva, mas do pelado da Leira. 

Eram eles o Guizande, a equipa de futebol de uma terra pequena, que naquela coisa de pontapés na bola, mesmo a chutá-la para a horta da D. Odília, como mísseis balísticos a destruir alfaces, tomates e a abater couves galegas,  não temiam os rivais das freguesias maiores, fossem de Lobão, Romariz, Caldas de S. Jorge ou mais além. Antes desse tempo, ainda antes daquele dia 1 de Novembro de 1962, diziam que já era assim, um grupo de rapazes aguerridos, a imporem respeitinho a outros grupos, mesmo que armados em benficas, portos e sportingues.

Foi assim, ali, no campo da Leira,  numa moldura humana entusiasta, que vi crescer uma equipa de raça, falada então por todo o lado, e que dali a poucos anos, por 1979, se formava a sério, e já como clube fundado e filiado começava a escrever uma história bonita, singular, muito própria, muito nossa.

Porque de uma pequena e pobre terra, certamente que sem grandes títulos e conquistas, mas sobretudo com uma forte identidade feita de gente boa, nobre e orgulhosa.

É esse clube, essa terra, essa gente de raça, que o livro que aqui estamos a apresentar, de forma muito despretensiosa e humilde, quiçá imperfeita e seguramente incompleta, pretende valorizar e enaltecer e agradecer aos muitos que, em diferentes tempos, contextos e dificuldades, nos deixaram este legado. 

Caberá aos nossos mais novos conhecerem e compreenderem o passado para valorizarem o presente e ajudarem a acontecer o futuro.

Importa continuar a fazer muito com pouco. Todos somos poucos!

Goooooolo! Mais um do Guizande!

Viva o Guizande Futebol Clube!


Nota: Este foi um texto que ontem, na apresentação pública do livro sobre a história do Guizande Futebol Clube, foi lido por Carlos Cruz. Foi um privilégio.

O texto procura recuar nas minhas memórias de infância (e de tantos da minha geração) e da ligação aos primórdios do que veio a ser o nosso clube.

E pronto! Que fique para o futuro.

 



Foi ontem, no Centro Cívico, no monte do Viso, pelas 21:30 horas, a sessão pública de apresentação do livro "Guizande Futebol Clube - Apontamentos para a sua história. A sala esteve cheia de gente boa. 
Só pelo facto de ter sido possível juntar todos os presidentes do clube (excepto Manuel Rodrigues de Paiva e Elísio Mota, que estiveram presentes em memória) justificou-se plenamente o livro. 
Américo da Conceição, Domingos Lopes, Joaquim Santos, Mário Reis de Oliveira, Celestino Sacramento, Manuel Henriques de Almeida, Manuel Tavares, José Peixoto e, naturalmente, o actual presidente, Victor Henriques.

Marcaram presença antigos atletas, nomeadamente Jorge Ferreira, António Ribeiro, António Azevedo e Armindo Gomes, entre outros, dirigentes e até o treinador Salvador Correia que nos honrou com a sua presença.

Na mesa estiveram Rui Giro, patrocinador e moderador, o presidente da Junta de Freguesia, Johnny Almeida, o presidente do clube, Victor Henriques, o Sandro Mota, filho do saudoso Elísio Mota. Não pode estar presente o pároco Pe. António. Da Câmara Municipal, apesar do convite, ninguém se fez representar, o que também não surpreende. É nestes sinais que percebemos que somos tidos como pequenos. 

Apesar da sala cheia, e de gente que pretendia estar mas não pode, gostaria de ter ali visto mais gente, mas é o que é, e nestas coisas somos ou não somos. Não por mim, mas pelo clube.

Para mim, apesar do foco do evento ser o nosso Guizande F.C., fico orgulhoso de ter podido ficar ligado a este documento que, mesmo que imperfeito e incompleto, tem o seu significado como documento de arquivo, 322 páginas de memórias e de tributo a todos quantos nestes quase 50 anos de fundação serviram o clube.

No final foi servido um Porto de Honra com convívio e sessão de fotografias e autógrafos para quem quis. O clube já terá vendido perto de uma centena de exemplares. Certamente que tem mais para quem o desejar adquirir. Terá de ser junto do próprio clube, responsável pela venda.

Em meu nome pessoal e do clube, um sentido e profundo agradecimento, a todos, sem excepção, particularmente os que tornaram possível o livro e o evento que, de algum modo, ficará memorável.

Bem haja a todos! Viva o Guizande Futebol Clube!

10/04/2026

É hoje! - Livro sobre o Guizande F.C.


Será hoje, logo à noite pelas 21:00 horas no Centro Cívico, no monte do Viso, a sessão de apresentação do livro "Guizande Futebol Clube - Apontamentos para a sua história". 

A sessão tem organização e promoção do clube e espera-se reunir um conjunto de gente interessada bem como ligada ao clube, no passado e presente. Entre outros, foram convidados todos os ex-presidentes do clube.

A venda do livro será da responsabilidade do clube e todo o apuramento reverterá para si.

Pretende-se que o livro seja simultaneamente uma compilação de dados, datas e nomes relacionados às competições do clube, pelo que um documento de arquivo, mas também de alguns factos e uma visão das suas origens e desenvolvimento. É igualmente um tributo a todos quantos ao longo dos tempos se dedicaram, serviram e apoiaram o clube.

09/04/2026

Guizande F.C. - Liga de Prata 2026

 


A equipa de veteranos do Guizande F.C. na primeira fase da prova da Liga Masters da Associação de Futebol de Aveiro conquistou com todo o mérito um lugar pelo meio da tabela, o que lhe permite participar agora na Liga de Prata. 
Acima, a tabela com os jogos programados.

08/04/2026

O seu a seu dono

 


Os anos vão passando, o período da União de Freguesias (12 anos) foi penoso e negro, e com isso certas coisas vão também passando ao esquecimento. Ora se nos mais velhos isso é verdade, nos mais novos, por razões compreensíveis, a coisa ainda é mais grave.

Falo da velha questão de delimitação do território de Guisande com a freguesia de Caldas de S. Jorge na zona do lugar de Azevedo. De facto, aquando da urbanização daquela parte nascente do lugar, por meados da década de 1980, no mais elementar desrespeito pelos limites, um dos principais marcos de fronteira ali existente foi removido e não reposto, o qual existia aproximadamente no que é a actual esquina da Rua do Rancho Folclórico com a Rua das Escolas, onde existe uma represa do lado nascente da sede do rancho. Desse marco o limite ligaria ao marco mais a sul, aproximadamente no vértice de limite entre Guisande, Pigeiros e Caldas de S. Jorge. Alguns dos mais antigos e já falecidos, como o meu sogro, testemunharam a existência desse marco e quando para ali ía com o gado a pastar, era habitual enconstarem-se ou mesmo sentarem-se sobre o marco. 

De resto, faz todo o sentido que o limite seja rectilíneo desde o marco do lado norte. Como se pode ver pelo esquema gráfico acima, o limite conforme está definido tem um desenvolvimento quase em zigue-zag. Ora numa tão reduzida extensão, não á natural que assim seja nem nunca foi. Um traçado tão irregulat apenas é normal quando a divisão acompanha um curso de água, rio ou tibeiro. Neste contexto, memso o limite entre Guisande e Pigeiros, do lado sul, será pelo traçado do regato dos Corgos e não em linha recta como está definido.

Essa situação entre Guisande e Caldas, aquando da urbanização, foi reportada à então Junta de Freguesia por um morador do lugar de Azevedo, o Sr. Bernardo Pinheiro (já falecido), em consequência da então instalação de uma discoteca. Talvez exista na sede da Junta algum documento nesse sentido. Talvez....A Junta de Freguesia de então, que se saiba, de concreto pouco ou nada fez e a situação arrastou-se. 

Creio que já pela final da década de 1990 foi formada uma equipa com técnicos camarários e do Instituto Geográfico e Cadastral de modo a resolver-se o assunto de forma coordenada com as juntas de freguesia. Certo é que, não agradando o trabalho e a delimitação, apesar das evidências e mesmo em lhe ser favorável face ao limite original, e de se arranjar ali uma solução aos zigue-zagues para acomodar a situação aos arruamentos, certo é que o então presidente da Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge (falecido) não assinou o documento.

Significa isto que, no que considerou uma defesa dos interesses da sua freguesia (o que é legítimo) não reconheceu, contudo, uma evidência factual determinada pelos técnicos, naturalmente porque implicava reconhecer que uma parte substancial daquele território pertencia a Guisande.

Apesar disso, dessa recusa, e face às evidências fundamentadas pelos técnicos, oficialmente tem sido reconhecido como o limite oficial, o qual consta dos documentos cartográficos da Câmara Municipal e do Estado, mesmo que com nítido prejuízo para Guisande..

Apesar de uma perda efectiva de território face ao limite antigo definido por um marco removido de forma ilegal, uma boa parte do território continua a ser considerada, espertalhonamente, como daquela freguesia vizinha. Seria, pois, importante, que de forma conciliada e incluindo a Câmara, essa situação fosse reposta, quer no que diz respeito ao recenseamento eleitoral quer quanto às obrigações inerentes de toponímia, limpeza e obras naquele parte urbana.

O esquema acima mostra, com o quadriculado azul, a parte em questão e a magenta a parte que, de barato, se considera da freguesia de Caldas de S. Jorge, mas que conquistada ao arrepio da remoção criminosa do marco. Por conseguinte, se reclamar a área a magenta será um processo litigioso, demorado e eventualmente irresolúvel, pelo menos há o dever de regularizar administrativamente a parte reconhecida oficialmente, que objectivamenteé  território e prédios de Guisande.

Naturalmente que compete ás entidades, Junta de Freguesia e Câmara Municipal, trazer o seu a seu dono. Deixar passar ao esquecimento esta situação não é bom sinal e demonstra desmazelo pelo que é nosso. Pelo menos que não se peque por omissão ou inacção.

A freguesia das Caldas de S. Jorge foi sempre muito reactiva na defesa do que considera seu, nomeadamente na disputa do limite com a freguesia de Lobão, junto à fábrica Serafim Reis, e nessa questão não quero meter a colher, mas depois, ao contrário, esquece-se dos direitos legítimos das outras freguesias, nomeadamente nesta situação clara no lugar de Azevedo. Imaginando que o lugar continuaria a crescer para nascente, haveria de chegar o tempo em que reclamariam seu todo o território que viesse a ser ocupado, até ao lugar de Estôze. 

Importará, pois, digo eu, que se dê atenção a esta questão, sem atropelos, chico-espertismos ou desconsiderações, mas tão somente pela legalidade e reconhecimento do seu a seu dono.

Já não se leva água aos nossos moinhos

 


Ontem foi o Dia Nacional dos Moinhos. Por cá, pelo que se vai publicando, ficamos todos com a impressão que só há moinhos nas bordas do Uíma. Isto resulta de uma realidade de que só conhecemos o que nos dão a conhecer. Também porque o nosso poder central (concelhio) é isso mesmo, central, e para além da visão do seu umbigo nada mais há nem mexe.

Guisande, mesmo que terra minguada em léguas, tem a sua boa dose de moinhos. É certo que já não funcionais porque o desinteresse por estas coisas é estrutural e cultural, alguns em ruínas e outros já desaparecidos ou apenas com os alicerces. Os mais novos, não os conhecem nem conhecerão. Uma auto-estrada não deixa de se fazer ou não se desvia por causa de dois ou três moinhos e como tal esses foram-se à vida com a A32. Foi o progresso que trouxe à nossa aldeia que, como parasita, só leva e nada deixa. Deixou um rasto de destruição ambiental e paisagística. Sem qualquer esmorecimento de quem nos competia defender ou minimizar os prejuízos.

Mesmo assim, há condições para que pelo menos uns três possam ser restaurados, mas, para sermos realistas, milagres fez Jesus e foi morto por isso.

Posto isto, resta-nos (aos mais velhos) as memórias dos nossos moinhos, algumas fotografias e a certeza de que para lá do Uíma não há ribeiras nem moinhos. Isto é, o resto é paisagem.

Mesmo assim, fica a evocação de um dia que nos passa esquecido. Já não levamos a água aos nossos moinhos.


07/04/2026

Taça "Oliveira e Santos" - 2026

 


No passado Sábado, 4 de Abril, pelas 15:30 horas, no Campo de Jogos "Oliveira e Santos", realizou-se a 1.ª edição da Taça "Oliveira e Santos". 

Foi uma interessante iniciativa do clube, como forma de agradecimento, em memória, aos doadores do terreno (*) onde se localiza o  nosso complexo desportivo no lugar do Reguengo.

A taça foi disputada entre a equipa de veteranos do Guizande F.C. e a congénere do Canedo F.C.

O jogo, bem disputado, num quente dia de Sábado, correu de feição à equipa anfitriã, que venceu por 2-0, marcando assim, de forma positiva, a primeira de, espera-se, futuras edições.

Parabéns ao clube pela iniciativa. O reconhecimento daqueles que foram beneméritos ao clube é também uma forma de conquista.

(*) Maria Angelina Oliveira Gomes e Américo Pinto dos Santos.




[fotos: Guizande F.C.]

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