És vela acesa na escuridão,
A rasgar o mais denso breu
Como na falésia o farol;
O dia tem luz do teu clarão
A iluminar todo o meu céu
Como se dele foras o sol.
És vela acesa na escuridão,
A rasgar o mais denso breu
Como na falésia o farol;
O dia tem luz do teu clarão
A iluminar todo o meu céu
Como se dele foras o sol.
Olha, vê amor,
Os pessegueiros já a florir
Num dia assim, ameno, enxuto;
Com tempo e calor
Em cada flor há-de ressurgir
O esperado, desejado fruto.
Vê que singeleza,
O rosado das flores,
Em sabores prometidos;
Há nelas a certeza
Da leveza das cores,
Do peso dos sentidos.
Partiu a Ti Elisa, num dia assim,
De Fevereiro com cheiro a quaresma,
Promessa de uma Páscoa de aleluias.
Sabemos, todos sabemos, que há fim,
Porque a morte ao homem é a mesma
Soma final, total, da conta dos dias.
Foi irmã, criada, afilhada fiel,
Presença certa em quem confiar,
Companheira no espírito de missão.
No resumo final cumpriu o papel,
De mão a decidir, luz a iluminar,
Fazer da sua vida a do seu irmão.
Na vida temos isto como certeza
Ainda que a deixar máguas, penas:
Uma alma pode ser toda grandeza
Mesmo que por coisas tão pequenas.
Uma certa Junta de Freguesia, no Facebook, anunciou como "novidade" aulas de fitness para a população, "totalmente gratuito". Numa das partilhas da "novidade", alguém considera que "isto é que é uma freguesia preocupada com os habitantes".
Respeitando ambas as coisas e o benefício fantástico de tão espectacular medida, questiono o que é que as pessoas acham do "totalmente gratuito". Se os orientadores, o espaço, a electricidade, a limpeza e custos associados forem mesmo oferecidos, pró bono, à borlix, acho que sim, é de aproveitar a quem gosta. Dê-se já um voto de louvor a essa boa gente.
Já se a coisa, aos orientadores, os espaços, água, electricidade, e logística, forem do orçamento da Junta, aí o "gratuito" tem que se lhe diga. É o que o orçamento da Junta vem de algum lado, da Câmara, do Estado, e em última análise dos impostos e taxas dos contribuintes. Por conseguinte, e é aqui onde pretendo chegar, o conceito de "gratuito" é sempre muito relativo. Fazer brilharetes com o dinheiro dos outros, mesmo que dos contribuintes, é uma alegria. Mas partilhado nas redes sociais tem impacto e cheira a coisa bonita e há quem goste.
Num tempo em que ninguém dá nada a ninguém, espanta que alinhemos com facilidade nestas cenouras à frente do burro sem qualquer sentido crítico quanto a qualquer forma de "engana-me que eu gosto".
Faleceu Elisa Gomes de Oliveira (a Ti Elisa), de Vilar, Fiães, de 98 anos de idade (09 de Março de 1925 a 27 de Fevereiro de 2024).
Irmã e afilhada do saudoso Pe. Francisco Gomes de Oliveira, que foi pároco de S. Mamede de Guisande durante quase 60 anos.
Teve a ele uma vida quase totalmente dedicada, tendo por isso, por opção, ficado solteira. Na nossa paróquia foi sempre uma pessoa muito querida e dinamizadora de muito da vida paroquial e grupos. Nesse sentido pode ser considerada como parte da nossa comunidade que assim está de luto. Desde o falecimento do seu irmão Pe. Francisco, em Maio de 1998, passou a residir em Fiães com a sua irmã Helena, também já falecida. Chegou agora a sua hora, com uma bonita idade.
Vai a sepultar em Fiães, nesta Quarta-Feira, dia 28 de Fevereiro, pelas 15:30 horas.
Paz à sua alma e que descanse em paz!
Sentidos sentimentos aos seus familiares, de modo particular ao Pe. Benjamim, seu sobrinho, e figura também muita estimada na nossa paróquia.
Eu queria fazer um poema
À minha mãe, à sua vida,
Da infância que não teve,
Do fulgor da juventude
À fraqueza na velhice.
Uma vida lógica, teorema
A provar a verdade vivida,
Sem temer porque não deve
Nada à riqueza ou saúde,
Nem mal que Deus visse.
Foi somente mulher de luta
Mãe de filhos que tantos são
Na diária freima da labuta
De lhes dar de si amor e pão.
No fim de tudo, tudo é vitória,
Numa vida vivida com sentido,
Na prostração, oração e glória,
De todo o modo, dever cumprido.
Conforme já anunciado no final das missas, foi nomeado o novo Conselho Paroquial para os Assuntos Económicos (Fábrica da Igreja) da paróquia de S. Mamede de Guisande, com funções até 31 de Dezembro de 2028, sendo composta pelos seguintes membros:
Pe. António Jorge Correia de Oliveira (pároco e Presidente)
Sara Patrícia Santos Conceição (de Cimo de Vila) - Secretária
Carlos Santos Almeida (de Fornos) - Tesoureiro
Johnny Deivis Baptista Almeida (das Quintães) - Vogal
Manuel Arménio Santos Moreira (de Casaldaça) - Vogal
Pedro Baptista Alves (de Linhares-Casaldaça) - Vogal
Faleceu Ermelinda Alves Cardoso, de 91 anos de idade (30 de Março de 1932 a 25 de Fevereiro de 2024), da Rua das Barreiradas, lugar das Quintães.
Viúva de Joel de Santos Fontes, mãe de Alcinda Alves Fontes e Maria José Alves Fontes.
Filha de Manuel Gomes da Silva e Custódia Alves Cardoso que foram do lugar de Cimo de Vila. Neta paterna de Martinho Gomes da Silva e Olinda Rosa de Jesus. Neta materna de António Pereira e de Joaquina Alves Cardoso.
Sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular a filhas, genros e netos.
Funeral amanhã, Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2024, pelas 16:00 horas, indo a sepultar no cemitério local em jazigo de família.
Missa de 7.º Dia na Sexta-Feira, 1 de Março, pelas 18:30 horas na igreja matriz de Guisande.
Paz à sua alma. Que descanse em paz!
Conforme previamente divulgado, teve lugar no dia de ontem, Sexta-Feira, pelas 20:00 horas, no Centro Cívico, no Monte do Viso, a sessão extraordinária da Mesa da Assembleia Geral da Associação do Centro Social S. Mamede de Guisande, com o ponto único de eleição e tomada de posse dos novos corpos gerentes.
Poucos elementos dos corpos gerentes cessantes e poucos sócios presentes e nenhuma lista candidata. Face a esta situação foi decidido manter de forma provisória a Comissão Administrativa composta pelos membros da Direcção cessante e realizar nova convocatória com o mesmo objectivo para meados de Maio, na esperança de que com a tomada de posse do novo Governo, que sairá das eleições do próximo dia 10 de Março, possa haver alguma novidade e esperança quanto ao desatar da decisão de efectivação do financiamento da actividade do Centro Social pela Segurança Social.
Notas à margem:
Em resumo, e pela parte que me toca, infelizmente aconteceu o esperado. Tanto o que por aqui fui escrevendo, como a convocatória divulgada com a devida antecedência, bem como a divulgação e incentivo por parte do pároco no final das missas, caiu completamente em saco roto. Pode-se concluir que a freguesia não precisa, não quer nem gosta do Centro Social nem dá importância aos objectivos sociais e comunitários inter-geracionais a que se propõe?
Não sei a resposta, mas a avaliar do desinteresse reiterado para esta questão da eleição e quanto à continuidade da associação e seus objectivos, parece-me que sim. Não há outra forma de o dizer.
Em sequência da divulgação que fiz aqui da reunião interparoquial ocorrida na Terça-Feira passada com os grupos das paróquias de Caldas de S. Jorge, Guisande e Pigeiros, sob a responsabilidade do pároco Pe. António Jorge de Oliveira, e para quem de algum modo acha importante ter em conta os valores associados à comunidade (e infelizmente cada vez são menos), considerará que as três ideias base propostas como marcas da Visita Pastoral prevista para o final do próximo mês de Junho, são importantes mas não fáceis.
Quanto à renovação/revitalização dos grupos paroquiais, não é fácil porque por um lado há um envelhecimento geral da população, os jovens são cada vez menos e apesar de com mais formação escolar e académica, no geral são poucos os que se interessam por estas coisas relacionadas à Igreja, mesmo que com aspectos positivos sob um ponto de vista de relacionamento inter-geracional, partilha e crescimento social, etc.
Por outro lado, mesmo desde há muitos anos havendo na paróquia um grupo de jovens, a verdade é que não tem sido dada continuidade geracional de modo a que os mais novos colmatem os mais velhos que por afazeres profissionais ou familiares vão deixando. Resulta disso que esgotada a fornada, volta a haver um interregno e com isso um desligamento.
Na Catequese, também tem sido difícil a renovação e por conseguinte a actual equipa tem já muitos anos e só com esforço e sentido de responsabilidade e dedicação é que vão continuando. De resto, creio que se o número de crianças fosse maior, o que infelizmente não acontece, haveria dificuldades em angariar novos catequistas. Por outro lado, num problema que é geral e transversal à nossa sociedade, assiste-se ao desligamento e desinteresse dos pais, uma quebra no rigor da educação parental a que a escola não consegue complementar, resultando na indisciplina generalizada das crianças e daí uma dificuldade no processo de catequese mesmo que à luz de métodos mais cativantes e já não tanto ou de todo de processos tão maçudos quanto ineficientes, quanto à mensagem e valores a transmitir.
Quanto ao nosso Grupo Coral, tem muita qualidade e competência e é elemento importante e fundamental do enriquecimento das nossas celebrações litúrgicas, mas obviamente que também carece de mais gente, mesmo para não sobrecarregar os mesmo nos diferentes serviços. Mas também aqui o processo é difícil porque exige responsabilidade, dispensa de tempo para ensaios e serviços e de um modo geral ninguém tais encargos. Também aqui o comodismo ganha pontos. E sei disso porque del já fiz parte durante muitos anos e em diferentes tempos.
Em resumo, todos os grupos, catequese, coral, leitores, LIAM, acólitos, solidário, etc, etc, têm os mesmos problemas de renovação porque à falta de pessoas de diferentes gerações, junta-se o comodismo e o esquivar a tudo o que soe a responsabilidades por amor à causa e à comunidade.
Quanto à formalização do Conselho Pastoral, parece-me que não é difícil pois em rigor bastará integrar representantes dos diferentes grupos. Depois importará, isso sim, funcionar de forma dinâmica e interessada e sem tentações de protagonismo ou rivalidades que o podem enfraquecer. Há pois que haver sentido comunitário e humildade de cada uma das peças.
Quanto ao trabalho em projectos concretos que promovam a sinodalidade, há certamente caminho a percorrer e ideias que podem ser concretizadas, envolvendo tanto quanto possível a comunidade, não apenas sob um ponto de vista de paróquia mas de freguesia, pelo que também interessa envolver os grupos e pessoas mesmo que não tanto da esfera da Igreja. Aqui, para além de todos, parece-me que o pároco, como elemento chave e orientador, tem o papel principal na promoção e agregação de todos os quadrantes.
Pode esta minha opinião e análise parecer um pouco pessimista, ou, ao contrário, pouco optimista, mas na verdade todos sabemos que as coisas são difíceis e é um problema global e não apenas da nossa comunidade. Há um alheamento geral da larga maioria das pessoas, que é cultural mas também social, a perda do sentimento de acções de cidadania. Estamos cada vez mais fechados em nós mesmos, nas nossas coisas, no nosso egocentrismo, e não somos de alinhar em tarefas que signifiquem canseiras, responsabilidades e participações que nos retirem do nosso comodismo, do nosso sofá, televisão e internet.
Pessoalmente, não querendo ser moralista nem exemplo para ninguém, tenho consciência que já fiz bem a minha parte em muitos contextos de comunidade e cidadania, tanto na parte mais civil como da Igreja. E se por um lado com esse dever de consciência limpo, foi com esse sentido de que há sempre mais um pouco a fazer, que aceitei o pedido do nosso pároco para ser delegado representante da nossa paróquia no Conselho Pastoral Vicarial e do qual existe um elemento eleito (da paróquia de Fiães) que representa a nossa Vigararia no Conselho Pastoral Diocesano. Não é nada de extraordinário este papel, nem muito trabalhoso, mas naturalmente tem responsabilidades e canseiras e algumas reuniões em que é preciso estar presente.
Em suma, seria para mim e para todos quantos integram os grupos, bem melhor e mais fácil de dizer não ao pedido e nada fazer, ficarmos somente pelo conforto das coisas a que damos mais valor, mas se ainda temos interesse e gosto pela nossa terra, pela nossa comunidade e sobretudo pelas suas pessoas, e destas as mais velhas e frágeis, então cada um de nós a chamado a fazer a sua parte mesmo que apenas na medida das suas possibilidades e talentos.
Felizmente, apesar de sermos uma comunidade pequena, e a reduzir-se de ano para ano, ainda há bons exemplos e gente dedicada e interessada e é por isso que mesmo com todas estas dificuldades ainda há gente a participar e a fazer parte de grupos e movimentos. Neste contexto, qualquer passo dado, mesmo que curto, é positivo. O esforço é de todos. O recente caso de aparecimento de gente a propor-se como comissão da Festa do Viso é um bom exemplo e que deve ser seguido, mas naturalmente com o apoio da comunidade que, neste caso concreto, parece-me que tem existido. Ainda o aparecimento de um Juiz da Cruz e com a vontade de retomar o tradicional Almoço, é também de louvar e valorizar. Também a aparente facilidade de composição de um novo Conselho Económico Paroquial, com gente nova, é de ter em conta. Ainda, há algum tempo, mesmo que noutra esfera, a regularização administrativa do nosso Guisande F.C, com corpos gerentes instalados, etc.
Por outro lado, o Centro Social S. Mamede de Guisande está em eleições, remarcadas já para hoje à noite, e importará que apareça gente nova para retomar a barca e conduzi-la aos objectivos. O meu lado pessimista diz-me que vai ser difícil, porque também aqui há a exigência de dedicação, canseiras e responsabilidades, mas é ver o que irá acontecer. De minha parte, quanto a isto, já o disse e escrevi, não tomarei parte porque já o fiz nos dois últimos mandatos. Venham outros.
Com estes sinais maioritariamente positivos mesmo no meio de dificuldades intrínsecas, somos chamados a reflectir no que podemos fazer em prol da comunidade como valorização da mesma. Se somos sociedade e vivemos em conjunto, em comunidade, e não isolados e afastados de tudo e todos, então temos que ser capazes. O difícil é dar o passo primeiro.
Na Terça-Feira, 20 de Fevereiro, pelas 21:00 horas, teve lugar no Salão Paroquial de Caldas de S. Jorge uma reunião interparoquial com as paróquias a cargo do Pe. António Jorge, concretamente Caldas de S. Jorge, Guisande e Pigeiros. Foram cerca de 40 participantes icluindo o pároco e o diácono António Avelino.
A reunião que contou com os representantes dos diferentes grupos ligados às três paróquias, serviu para programar as celebrações da Semana Santa bem como uma abordagem à Visita Pastoral pelo bispo auxiliar do Porto, D. Roberto Mariz, que acontecerá de 24 a 30 de Junho próximo às três paróquias.
Quanto à programação da Semana Santa, por se considerar que funcionou bem, em princípio manter-se-á o mesmo esquema e horários do ano anterior. Oportunamente, da responsabilidade da paróquia de Guisande, será elaborado o respectivo cartaz de divulgação.
Quanto ao program da Visita Pastoral, cada uma das diferentes paróquias vai reunir os representantes dos diversos grupos para definir os pontos que devem ser considerados. Posteriormente e em função dessas reuniões paroquiais, haverá uma reunião interparoquial entre os delegados do Conselho Pastoral Vicarial que em conjunto com o pároco definirão o programa final.
Ainda relativamente à Visita Pastoral, o pároco Pe. António Jorge definiu três ideias base que considera ser importante adoptar: 1 - Renovação/revitalização dos grupos paroquiais; 2 - Formalização em cada paróquia do Conselho Pastoral; 3 - Trabalhar em projectos concretos que promovam a sinodalidade (*)
(*) Sinodalidade significa caminhar juntos como Povo de Deus. Indica uma maneira de ouvir cada pessoa individualmente como membro da Igreja para entender como Deus pode estar falando com todos nós. Dessa forma, a sinodalidade nos lembra da obra do Espírito Santo através de cada um de nós e através de todos nós trabalhando em conjunto para a nossa missão comum.
No que foi o seu jogo 13 na Liga Masters da AFA, a equipa do Guisande F.C. Veteranos visitou e venceu neste último Sábado a equipa congénere do ADC Lobão, por 0-2, consolidando-se no meio da tabela classificativa. Parabéns!
Dizem que basta querer para poder,
Mas que fazer quando se quer e não pode?
E ao homem, fazer o que não quer
Mesmo querendo não fazer, quem lhe acode?
Querer e poder, o antagonismo
Entre a vontade e possibilidade
De um resultado por si funesto;
O poder querer que o dualismo
Seja uno, anátena da divisibilidade,
Número perfeito, conta sem resto.
O poema aborda um dilema interessante sobre a relação entre querer e poder, explorando a tensão entre a vontade e a capacidade de realizar algo ou quando a razão prevalece sobre a vontade ou o contrário.
Também questiona a noção de que basta querer para poder realizar. Ele sugere que há situações em que se quer algo, mas não se tem a capacidade ou condição da sua realização, criando um conflito interno entre o desejo e a possibilidade.
O poema ressalta a dualidade entre querer e poder, destacando-os como forças opostas que muitas vezes entram em conflito. A vontade humana (querer) pode se chocar com as limitações da realidade (poder), criando um antagonismo que gera frustração e incerteza.
A expressão "resultado por si funesto" sugere que essa luta entre querer e poder pode levar a consequências inconsequentes ou mesmo negativas. Quando a vontade não é acompanhada pela capacidade de realização, pode-se entrar em um estado de impotência ou desespero.
O poema alude à ideia de que o ideal seria a unificação do dualismo entre querer e poder. Ele propõe a ideia de um "número perfeito" ou "conta sem resto", onde a vontade e a capacidade se tornam uma só entidade. Isso sugere uma busca pela harmonia e equilíbrio entre o desejo e a capacidade de realização.
Em suma, o poema oferece uma reflexão profunda sobre as complexidades da vontade humana e sua relação com a realidade circundante. Ele nos lembra que nem sempre podemos realizar o que queremos e que essa luta interna entre querer e poder é uma parte intrínseca da experiência humana, nas suas forças e fragilidade.
A Quaresma, um período, um caminho de quarenta dias, é o tempo que na liturgia católica antecede a celebração da Páscoa, oferecendo uma rica reflexão teológica e filosófica. Associada à penitência, reflexão e preparação para a celebração da ressurreição de Cristo, ela convida os fiéis a uma renovação da sua fé, à purificação espiritual individual para uma renovação do compromisso com os valores do Evangelho.
Filosoficamente, a Quaresma é um convite à introspecção e autoconhecimento, convidando-nos a examinar as nossas vidas, escolhas, relacionamentos e prioridades. Ela lembra-nos da natureza efêmera e transitória da vida humana, convidando-nos a viver de acordo com nossos valores mais profundos e procura de uma vida de significado e propósito.
Ao mesmo tempo, a Quaresma oferece esperança e promessa de renovação. Assim como a Primavera segue o Inverno, a Páscoa segue a Quaresma, simbolizando a vitória da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas. É uma mensagem poderosa de que, mesmo nos momentos mais sombrios de nossas vidas, há sempre a possibilidade de renascimento, transformação e ressurreição.
Num destino que Deus tece,
A idade, a vida, amadurece,
Mas antes da fruta, a flor,
Com ou sem perfume ou cor.
Desejo de abundância, prece,
Generosa a colheita acontece
Na prosperidade de cada dia,
Amor, na tristeza ou n´alegria.
Dos velhos assentos paroquiais de Guisande, um curioso assento de óbito feito pelo pároco Manoel Rodrigues da Silva, de um Manoel Ferreira, mendicante (mendigo) do lugar de Gueifar da freguesia de S. João de Ver, considerado como falto de juízo, que faleceu na noite de Sábado para Domingo de 11 de Outubro de 1761, onde se encontrava num palheiro pertença de um Pedro de Oliveira. Está escrito que "somente recebeu o sacramento da extrema unção por não estar em seu juízo além de que nunca o teve perfeito".
Apesar disso e dessa condição de mendigo, pobre e itinerante, teve ofício fúnebre com cinco padres e foi sepultado dentro da nossa igreja matriz.
Finalmente é dada a informação que o mendigo tinha como alcunha o "Manoel da Viola".
Foi hoje a sepultar, em dia de cinzas, num simbolismo cristão e dobrado da nossa essência, a de condição de pó que à terra retorna, para em pó se transformar. Persistem a alma e a memória.
Não sei a quem, creio que ao Sr. Albertino, mas a alguém passou o testemunho do homem mais velho da nossa comunidade. É o ciclo da vida.
No vagar dos dias adventos,
Num tempo límpido, primeiro,
Era a promessa da existência
De quanto aos olhos subsiste;
Mas esvaíram-se em momentos,
Dias e anos, o tempo inteiro,
Uma vida, toda a essência,
Resumida a um só dia triste
Momentos de vivência do Carnaval na freguesia de Guisande - 1960
Poderão os mais novos pensar que nos antigamentes o Carnaval passava ao lado dos guisandenses, mas naturalmente que não. É certo que sem as modernices actuais, decorrentes da contaminação de carnavais de outras paragens, mas havia alegria porventura mais genuína e popular.
É certo que em Guisande as manifestações ligadas ao Carnaval nunca foram marcantes nem consequentes e regulares no tempo a ponto de estabelecerem uma tradição com raízes, como, de resto, nas demais freguesias vizinhas. Manifestações mais ou menos organizadas e com regularidade são raras e relativamente recentes, nomeadamente na freguesia vizinha de Caldas de S. Jorge onde o contexto turístico das termas em muito ajudou a essa dinâmica e continuidade, com mais ou menos soluços.
Apesar disso, são conhecidas e ainda lembradas pelos mais velhos algumas carnavaladas episódicas e com preponderância num ou noutro lugar da freguesia e por vezes pelo impulso de uma ou outra figura mais característica desses lugares. As fotos de cima ilustram alguns momentos de crianças e jovens com ligações às dinâmicas da paróquia.
Por exemplo, no lugar do Viso, recordo que nos meus tempos de criança e adolescente, por isso pelos idos anos de 1960 e 1970, o Carnaval marcava sempre presença e sempre com a intervenção da criançada. grosso modo, o grupo tratava com tempo de ir ao mato colher um carvalho de porte adequado, que era arrastado para a borda do Monte do Viso, próximo da escola e ali era fixado ao alto. Depois era um arrastar contínuo de lenha do mato e tudo o que pudesse arder, incluindo velhos pneus e trapos, de modo a amontoar à volta do carvalho, como se de uma árvore de Natal se tratasse. No cimo da árvore pendurava-se um grande espantalho.
Ao princípio da noite, quase sempre após o jantar, era o momento esperado, o acender do fogueirão o qual pela sua dimensão seria visto em toda a parte baixa da freguesia. A imagem acima de algum modo ilustra o que de semelhante então acontecia no lugar do Viso. Claro, escusado será dizer, que quando o dia de Carnaval calhasse num dia de chuva era um cabo dos trabalhos para fazer arder a árvore e aí recorria-se a petróleo e a lenha e moliço secos para ajudar a engrenar.
Nessa altura do acender da fogueira os mais velhos também vinham assistir. Noutros lugares da freguesia, como Estôze e Casaldaça, também era comum o acender de fogueiras ou borralheiras. Paralelamente, as habituais brincadeiras de crianças com o uso de bisnagas de água, algumas mais sofisticadas na forma de peixe e pistola e que por esse altura se compravam como brinquedos, na quitanda das Quintães. Também, para as meninas, o atirar do pó-de-arroz e outras matreirices. Era sem dúvida um dia de brincadeiras alegres e num tempo em que as crianças brincavam na rua, muito ou totalmente ao contrário do que sucede nos tempos modernos.
Era, pois, um simbolismo genuíno, mesmo que então pouco compreendido, do queimar do tempo velho e a preparação para o tempo novo ao qual se transitava pela carestia da Quaresma, a qual por esses tempos era vivida com algum rigor, no que respeita ao respeito pelo jejum e abstinência bem como da participação nos serviços religiosos, como a reza do Terço e a Semana de Pregações.
Ainda bem que há Carnaval. Sem psicanalistas, sem psicólogos, sem terapias, revela-nos de mão beijada os tolos, as nossas taras, manias e paranoias. Alguns não terão conserto, outros sem remédio, mas dizem que é libertador e, pelos menos, ficamos a conhecê-los. Antes folia que Xanax!
Bom Carnaval!
Esta imagem já não é possível captar, pela simples razão de que a imponente árvore que competia em altura com a esguia e bonita torre da igreja matriz de S. Tiago de Lobão, já foi abaixo, há algum tempo, não porque morresse de pé, como todas as árvores, mas porque certamente foi decidido pelo seu abate.
Estas decisões não são fáceis para quem as toma, porque há e haverá sempre quem veja o copo meio cheio ou meio vazio. Em todas as decisões há prós e contras e encontrar equilíbrios ou decidir pelas vantagens é a parte difícil.
Neste caso, obviamente não tenho opinião, desde logo porque não sou lobonense, e por conseguinte escuso-me a opinar se foi uma boa ou má decisão, ou se inevitável. Certamente que tomaram a decisão que entenderam como justificada. Certo é que se por um lado se ganhou em desafogo no edifício e maior projecção, por outro lado também se perdeu o exemplar imponente de uma bela árvore.
Nem sei como decorreu o processo e se foi ou não pacífico entre a população. A questão aqui, de publicar esta imagem e este texto, é mesmo só documental e ponto de partida ou chegada para uma eventual reflexão quanto ao peso e importância de certas decisões, na certeza de que, sejam quais forem, nunca serão do agrado de todos.
Neste caso, como noutros, importa saber sempre se os ganhos equilibram ou justificam as perdas, como quem diz se os meios justificam os fins. Como numa boa discussão, as respostas podem ter várias direcções e porventura todas com legítimas razões.
Ainda quanto às árvores, têm este problema e tantas vezes quando as plantamos, sobretudo perto de construções, esquecemos que crescem e dependendo das espécies podem vir a tornar-se belas e imponentes mas simultaneamente inconvenientes. Terá sido este o caso.
É meu tio, mas podia ser pai ou tio de qualquer um. A partida definitiva de alguém que tem nos seus ombros e no seu nome o epíteto de "homem mais velho da freguesia", é e deve ser fortemente simbólica para a freguesia, para a comunidade. Afinal, de quantos compõem a comunidade, do mais velho ao mais novo bebé, todos nasceram depois dele. Por outro lado, de todos quantos nasceram antes e que conheceu, todos partiram à sua frente. Tem que haver nisto um simbolismo forte.
O tio Neca era um homem comum. Inteligente, bem disposto, de gargalhada fácil, e com boa memória até quase aos 100, capaz de recitar de cor longas lengalengas e leituras que aprendeu na escola e na tropa, e que desde que me conheço como seu sobrinho, sempre disponível para brincadeiras, nas malhas ou nas cartas. Não foi homem de grandes feitos ou aventuras. Pelo contrário, desde logo pela sua condição de solteiro, viveu sempre relativamente despreocupado, pacatamente tanto quanto possível, num dia-a-dia sem trabalho de horários e patrões, de criar e educar filhos e aturar ou ser aturado por esposa. Chegou a explorar a mercearia que na casa havia sido do pai, ali pela década de 1950, mas em tempo difícil em que o livro dos calotes andava sempre com as contas em débito, acabou por fechar.
Ia vivendo dos rendimentos e da venda de uma boa parte do património que herdou dos pais e de muita poupança, inicialmente até em exagero, descontando para a Casa do Povo que lhe assegurou a reforma, mesmo que nos tempos no Lar já não cobrisse as despesas.
Por si nunca foi homem de gastos, grandes ou pequenos, e não fossem os mais chegados da casa a pô-lo nos carris da normalidade, vestia sempre a mesma roupa e comia o que feito de véspera. Era apesar disso esquisito na comida e nem qualquer coisa o alegrava e com saudade e água na boca recordava amiúde a fartura na cozinha e mesa da casa dos pais, sempre abundante de broa saída a cada semana do grande forno, capoeiras cheias, salgadeiras fartas e panelas de três pernas sempre a fumegar na larga lareira com carnes de porcos de largas arrobas.
A minha mãe e sua cunhada Eugénia compreendia-lhe os gostos e com frequência, para o desougar, preparava-lhe umas iguarias ainda com os sabores e aromas dos tempos antigos, no que se consolava mas com medida bastante porque a sua idade já não se compatibilizava com salgados e fumeiros. Para ele, ao contrário de qualquer judeu, carne de porco era sagrada, se possível salgada e fumada. Sopa, à lavrador e com muita substância, muito entulho, como dizia. Mas sim, era muito esquisito o que arreliava quem tinha a função de lhe por a comida na mesa. Por essa dificuldade em cozinhar aos seus gostos e escapar dos seus reparos, durante os últimos anos as refeições vinham da cantina do Centro Social de Lobão, mas raramente comia sem torcer o nariz e fazer cara feia à comida que classificava de branquita e desconsolada. Do muito que sobrava fartavam-se os cães e gatos.
É certo que quando vivia na companhia da sua irmã Celeste, portas meias com a de meus pais, tinha os seus momentos de alguma inquietação e mesmo arrelias, porque vivia nessa estranha condição em que lhe era simultaneamente irmão, filho ou mesmo uma espécie de marido no que tocava a orientar a casa e das necessidades do dia-a-dia. Tratava dos campos, das hortas, das podas, das regas, de algum gado, a lenha para a lareira, etc, etc.
Mas apesar dessas singularidades de cão e gato, próprias de qualquer família, que iam das arrelias comuns, das zangas às rezas, era senhor do seu destino e por isso nunca se "matou" de trabalho. De resto, a morte na sua fatal tarefa só o procurou agora, bem tarde, uns meses depois de ter soprado as velas do bolo do centésimo aniversário.
Depois da partida da sua irmã acabou por ter que deixar, com natural tristeza, a parte da casa que durante muitos anos partilhou e teve como sua, mas encontrou abrigo na mesma casa, na parte de meus pais e amparado e cuidado pela minha mãe e sobretudo pelo seu sobrinho Adérito, em larga medida que lhe foi como um filho, ali esteve independente, à sua vontade, uns bons anos até que já em tempo de pandemia e depois de um episódio que o levou de urgência ao hospital, acabou por ser encaminhado pelos serviços para o lar Hospital da Santa Casa da Misericórdia em Arouca onde esteve durante quase três anos, bem acompanhado, cuidado e com visitas regulares. Pode-se dizer que nada lhe faltou também pela sua condição de saúde sem grandes problemas e esteve sempre relativamente bem, apenas com alguma perda de mobilidade o que se compreende com a idade avançada.
A caminho dos 101 anos acabou por encontrar o seu destino. Uma infecção respiratória, que tem levado muita gente, até a um nada habitual excesso de mortalidade face à média, mas a verdade é que também foi. Estava, apesar de tudo, já a melhorar, mas foi, até com alguma surpresa dos médicos e cuidadores.
Está, pois, no lugar que acreditava que estaria, ao lado dos seus, dos avôs, dos pais e de quase todos os irmãos, ficando ainda a mais nova, a Laurinda, mas também esta já a caminho dos 100, bem cuidada pelas filhas mas já privada da memória e do conhecimento.
A vida é assim e a partida é uma fatalidade que a todos chega, em diferentes tempos e modos mas como diz o povo na sua sabedoria milenar, e de resto óbvia, "quem de novo não vai, de velho não escapa".
No resto, foi-se esse simbolismo do mais velho de todos e alguém certamente fica no seu lugar e será sempre assim nesta roda da vida no seu movimento perpétuo. Vai a sepultar na próxima Quarta-Feira, dia de cinzas, no que aumenta o simbolismo e significado da nossa condição de pó que como tal à terra há-de voltar.
Que Deus o tenha em descanso eterno e em paz!
Fotografia de Julho do ano de 1957, por isso já com quase 67 anos.
1 - Manuel Pinto dos Santos (regedor)
2 - Roberto Pereira da Silva (pai do Pe. Agostinho)
3 - Manuel Pereira dos Santos (Ti Pereira)
4 - Domingos Caetano de Azevedo
5 - Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva
6 - Manuel Gomes de Oliveira (pai do Pe. Francisco)
7 - Domingos "do Sebastião"
8 - António Alves Santiago
9 - Pe. Santos Silva (que foi pároco do Vale)
10- Dr. António Ferreira de Sá (da Casa do Loureiro)
11- Helena, irmã do Pe. Francisco
12 - Elisa, irmã do Pe. Francisco
13 - Prof. Célia Azevedo
14 - Pe. Francisco Gomes de Oliveira
Entre as irmãs Maria e Elisa parece-me ser a Ti Madalena, esposa do Ti Pereira do Viso.
O sacerdote entre o Domingos Azevedo e o Dr. Joaquim Inácio, ainda não consegui identificar.
Dos identificados, um ou outro ainda com dúvidas mas que alguém poderá ajudar a melhor identificar.
Faleceu Manuel Joaquim Gomes de Almeida (Ti Neca do Viso), meu tio paterno. Era o homem mais velho da nossa freguesia e tinha completado um centenário de vida em Outubro passado. Estava, pois, a caminho dos 101 anos.
Filho de Joaquim Gomes de Almeida e de Maria da Luz. Neto paterno de Raimundo Gomes de Almeida e de Delfina Gomes de Oliveira. Neto materno de José Joaquim Gomes de Almeida e de Maria da Conceição de Jesus.
Encontrava-se desde há algum tempo no Lar da Santa Casa da Misericórdia em Arouca, bem cuidado, e estava relativamente sempre bem disposto apesar das falhas de memória. Nos últimos dias teve uma infecção respiratória e apesar de já estar em melhoras acabou por não resistir.
Deus deu-lhe a graça de uma vida longa e relativamente saudável pelo que temos que Lhe dar louvor.
Paz à sua alma! Que descanse em paz!
Sentidos sentimentos aos seus demais familiares, de modo particular a quem com ele desde há vários anos lhe dedicou apoio e companhia constantes, no caso o seu sobrinho Adérito, como se filho fora, bem como a sua esposa Madalena, e à minha mãe Eugénia, que depois do falecimento da Tia Celeste, com quem até então vivia, o acolheu, tratou e apoiou.
De irmãos ainda deixa por cá a Tia Laurinda, também já a caminho dos 100.
Ainda não há pormenores das cerimónias fúnebres, sendo aqui divulgadas logo que conhecidas.
Actualização: Funeral na Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2024, pelas 11.30 horas na igreja matriz de Guisande indo no final a sepultar em jazigo de família.
Missa de 7.º Dia no Sábado, 17 de Fevereiro, pelas 17:30 horas na igreja de Guisande.
Na minha aldeia havia uma escola
Que se enchia de crianças
Aprendendo a escrever,
A ler, a juntar letras
Numa descoberta de saber,
A contar, a fazer contas,
A somar esperanças,
A subtrair a ignorância,
A dividir amanhãs com mais sol.
A imaginar histórias,
Contadas e pintadas.
Diziam a uma voz as tabuadas
Como na igreja a rezar avé-marias.
O recreio era todo folguedos,
Corridas, trotes e galopes,
Jogos, brincadeiras,
Um palco de heróis fingidos,
Nas aventuras duras e reais.
Eram assim os dias,
A encher as cabeças de ensinamentos
Como de água os cantis, os caminhantes
Antes de atravessar desertos.
Mas os tempos trouxeram a mudança
Como o vento de sul a anunciar chuva.
Foram saindo e crescendo,
Fazendo-se homens e mulheres,
Pedras duras do edifício da vida.
Mas num renovar minguado,
Na velha escola as algazarras
Foram perdendo fulgor e voz
E os companheiros mais solitários.
Um dia, por fim, o fim.
Alguém anunciou
Que não já não havia crianças.
A escola fechou, emudeceu.
Os ecos das leituras,
O cheiro dos lápis de cor,
Deixaram-se de se ouvir
E perderam o aroma.
Na minha aldeia
A escola já não é ela
Mas ainda lá está, triste,
Arrumada noutros ofícios,
Mas ainda a guardar memórias e ecos.
Na minha aldeia os caminhos
Já não fervilham de labuta
Pelo pão de cada dia.
Os campos já não dão pão,
E as águas são lágrimas perdidas.
Muitos partiram ou morreram,
Todos envelheceram.
É agora, a aldeia, um triste casario,
Quase sem gente dentro,
Sem vizinhos,
Bons dias ou boas noites,
Como um crepúsculo permanente
Onde a noite espera para a amortalhar
E a foice o resto ceifar
Deixando um restolho de nada,
O vazio.
Já vai longa a jornada.
A tua pele da frescura juvenil
Foi arada em sulcos pelo tempo
E na negrura dos cabelos já neva
Num anúncio de Inverno.
Também me verás assim,
Já sem o viço da mocidade,
Os olhos mais turvos
E o cantar do pisco mais difuso.
Mas é bom que assim seja,
Porque não há começo sem fim,
Primavera sem Inverno,
Ou vindima sem mosto.
Mas há ainda caminho a fazer,
Com curvas a esconder,
Como cortina do palco da vida,
O que falta percorrer,
Um dueto a representar,
Até que o pano caia.
Vais, pois, seguindo,
Num corpo já dolente,
Com o passo já cansado,
Mas contigo vou indo,
Nem atrás, nem à frente,
Tão somente, a teu lado.
Ainda agora passou por aqui,
O atleta,
Fado a correr,
Num cansaço,
Com os pés no caminho,
Olhos nas horas,
Ns minutos e segundos
Na ânsia de chegar à certa.
Mas foi-se sem ver o que eu vi,
Pela certa;
A ave a tecer,
Passo a passo,
A renda de um ninho;
A cor das amoras,
O verde dos vales fundos
Onde a vida toda desperta.
Onde nos leva a correria,
Neste ritmo, cego, cansado,
Rápido, a direito como seta?
A calma nos minutos do dia
Dá sabor a cada passo dado,
Com alma a alcançar a meta.
Poderá uma vida inteira
E a sabedoria dela colhida
Dar respostas às perguntas,
Por mera curiosidade
Ou dúvidas, somente?
Será sempre esta a canseira
Da questão não respondida,
Porque palavras já defuntas
Levaram na morte a verdade;
Ficou a dúvida permanente.
Parece que foi ontem, mas em 1992 deu entrada na Câmara Municipal o projecto da minha habitação e pouco depois começou a construção.
Já nessa altura éramos um país de sonhadores e se ainda não havia leis que obrigassem a fazer garagens para nelas caberem três Mercedes (e lá chegaremos), já era obrigatório apresentar projecto de rede de abastecimento de gás natural e a sua ligação à rede pública. Gastei pois, como muitos milhares, mais umas boas massas com o projecto e com o picheleiro a instalar a rede e a caixa-de-contador no muro da rua.
Mas se neste país não faltam politicos sonhadores, sobretudo a fazerem coisas com o dinheiro ganho por terceiros, como uns que defendem agora que os ricos devem repartir com os jovens um pézinho de meia para começarem as extravagâncias da vida, a que chamam como Herança Social, há igualmente outros que, desculpem a boa expressão popular, "não fodem nem saem de cima" e por isso tantas coisas não passam de projectos. Tem sido assim com os nossos aeroportos, com a ferrovia, com a habitação, etc, etc.
E também foi assim com a rede de gás natural que apenas foi realizada em certos lugares. Tal como as redes de água e saneamento que foram feitas e obrigados os contribuintes a ligar e pagar, mesmo que as dispensassem, mas outros ainda hoje necessitados delas foram deixados de lado. Tudo isto em nome da vantagem económica das concessões porque o serviço público puro e duro é e será sempre coisa secundária.
Por conseguinte, na minha casa e de muitos portugueses, passados trinta e tal anos a coisa ainda não foi instalada e nem porventura daqui a mais trinta. Assim, a caixa do contador do gás está ali como um monumento e uma lembrança permanente à megalomania dos nossos políticos e autarcas autênticos fazedores de chuva e exímios a andarem com o carro à frente dos bois.
Tenho uma grande estima por aquela caixa de contador do gás porque tal como uma grande parte dos nossos governantes nacionais e locais, nunca contaram para nada mas contam a qualidade da lata de quem nos obriga a estes paradoxos.
Ainda que a noite esteja
Ofuscada de escuridão,
Há-de haver sempre luz;
Se não um clarão de lua,
Um pirilampo a piscar.
Se a raiva que me sobeja
Ecoa e fere como trovão,
Nos nossos corpos nus,
Enlaçados na cama tua,
Haverá silêncio a cantar.
A equipa de veteranos do Guisande F.C. no que foi o seu 11.º jogo da prova, recebeu e defrontou neste Sábado, 3 de Fevereiro de 2024, o Fiães S.C. e venceu por 3-0. Um excelente resultado contra uma boa equipa, o que estabiliza a equipa aproximadamente a meio da classificação.
Parabéns!
Eu pecador me confesso: Comecei a trabalhar numa fábrica um mês antes de completar 12 anos de idade. O meu ordenado começou em 900 escudos. Saí dessa fábrica para cumprir o serviço militar obrigatório, que durou 2 anos completos, em que o valor do pré recebido não dava sequer para as viagens de comboio de Espinho a Lisboa, mesmo que com direito a desconto, quanto mais para outras coisas da juventude. Felizmente não fumava nem bebia. Foram-se as poupanças porque dos pais também não podia esperar ajuda e mesadas é coisa de meninos ricos ou com papás bem remediados e até esses arranjavam quem os livrasse, nem que fosse por uma unha encravada.
Terminei a tropa e vi-me sem emprego porque na fábrica entretanto matara-se o patrão e encerrara a actividade e ainda com algum dinheiro por receber e que jamais recebi. Não tive nem nunca tive subsídio de desemprego e tive que rabiar a arranjar ocupação, mesmo que precária, até chegar a emprego com maior estabilidade o que aconteceu ainda antes de casar.
Depois casei, comprei terreno, fiz projecto e construi casa, e literalmente, porque com muita mão-de-obra dispensada porque o dinheiro era contado e em parte com um empréstimo que, na parte final, ainda pago e sem incumprimento ao longo de quase 25 anos. Criei e eduquei filhos, cães e gatos, e continuando esse encargo filial mesmo já depois de adultos. Pelo meio, com muita actividade cívica e associativa que me orgulha, consegui completar formações profissionais e escolares e obter o nível secundário e andam por aí doutores e engenheiros a quem não lhes reconheço mais competência ou conhecimentos, mas as coisas são mesmo assim, porque neste país um burro carregado de livros há-de ser sempre doutor. E isto, pouco ou muito, sempre sem qualquer apoio ou subsidiozito.
Dizia o poeta cubano José Martí que "Há uma coisa que um homem deve fazer na sua vida: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro." Ora árvores plantei muitas, filhos tive dois e livros já escrevi também dois e ainda outros em projecto. Assim, a ter em conta essa filosofia, o dever foi cumprido.
Neste simples percurso de vida pouco ou nada recebi do estado social, incluindo, felizmente, por situações de baixa médica, mas a ele, pelo contrário, sempre paguei e continuo a pagar, impostos, contribuições, desde parte dos rendimentos de trabalho, a IMI da casa que construí com o meu esforço, IUC, como IVA em cada rebuçado chupado, em cada cerveja bebida, em cada litro de gasolina gasto e pão comido. Consultas e exames e um ou outro episódio de urgência médica foram sempre, graças a Deus, raros e rápidos. Apesar disso, e porque agora preciso, uns exames prescritos e marcados no Hospital da Feira vão já no 4.º reagendamento e um ano depois não tenho certeza de quando virão a ser feitos. Se tentar marcar hoje uma consulta no médico de família arrisco-me que seja atendido só lá para a Festa do Viso, em Agosto. É este o nosso SNS tão ideológica e radicalmente avesso a outras opções que deem respostas a quem delas precisam. Mas há quem o defenda assim, sem tirar nem pôr. Perguntem ao neto do sapateiro, o que acha do assunto!
Este é o meu exemplo, retrato comum e vulgar, mas como ele ou semelhante no percurso, o de muitos milhares de portugueses mais ou menos da minha geração, que não nasceram de cu para o ar ou em palhas douradas, e que tanto deram a este país e pouco ou nada receberam para além de pagar impostos, adiamentos de consultas e exames, multas por dá cá aquela palha e outras desconsiderações como uma reforma tardia mesmo para quem começou cedo, mesmo cedo demais.
Alguns, mais espertos ou mais ousados, pelo menos foram para outras bandas onde o rácio do dar e receber é bem mais justo e alguns até por uma simples dor de cabeça ou um osso amassado por terras da estranja, e que aqui seriam ossos do ofício porque trabalham no duro velhos e coxos, vivem de há anos com rendimento mensal garantido, sem fazer puto, usufruindo de uma larga e dourada reforma. Por aqui, com esses atributos, só mesmo alguns felizes reformados de um certo funcionalismo público que em certo tempo teve tetas fartas.
Mas são diferentes os tempos e até temos um partido de um homem só que quer criar uma Herança Social para ajudar os jovens entre os 18 e os 35 anos, para começarem a vida, eles que até essas idades limitaram-se a ser encargos pesados para os pais, tantas vezes hipotecando alguma folga na reforma, gastando e investindo nos filhos recursos minguados.
Esta é a realidade e o tempo da subversão das ideias e ideais e sempre à custa de quem trabalha e produz. Certos políticos extremados têm inveja ou mesmo um ódio de estimação a quem produz e a quem teve a descaradeza de trabalhar e poupar. Por ora, armados em robins dos bosques, a apalogia de dar a cana e ensinar a pescar é uma merdice, uma treta, porque o que se vai defendendo é dar o peixinho pescado e se possível limpo de tripas e já temperado. Mais uns tempos à frente e o peixe será servido em louça da Vista Alegre, pronto a meter-lhe os dentes.
Sou a favor do Estado Social e dos justos apoios a quem realmente deles carece, com critérios de aplicação rigorosos e escrutinados a todo o momento, mas não o que promove e apoia a sornice, a subsídio-dependência, o chico-espertismo, e sobretudo sem respeitar, em contraponto, quem trabalhou, trabalha e cumpre deveres e obrigações.
Que estranhos tempos estes em que se desrepeita quem fez pela vida mesmo que em condições difíceis. Esta gente ou anda a beber e a fumar coisas estranhas, ou a tomar comprimidos para bater na tola, ou então vive numa bolha muito singular mas em ambos os casos a pedirem que os mandem para aquele sítio onde apanhar sabonetes do chão é perigoso.
Desculpem qualquer coisinha os mais sensíveis, mas chegado a esta idade já não há pachorra nem paciência para aturar certos desmandos e para certas pessoas e políticos, pouco mais resta que mandá-os todos à merdinha, isto para ser diplomático e não responsabilizar as mãezinhas que, sem culpa, os pariram.
O Grupo de Jovens de Guisande promoveu no dia de ontem, Domingo, 04 de Fevereiro de 2024, um encontro com as famílias que na nossa paróquia acolheram no Verão passado vários jovens peregrinos no âmbito da realização da Jornada Mundial da Juventude. Decorreu pelas 18:30 horas no salão do edifício da Junta de Freguesia no lugar da Igreja.
Foi uma forma de agradecerem o envolvimento das famílias bem como darem eco do reconhecimento dos vários jovens peregrinos que por vídeo ou mensagem expressarem à comunidade e às diferentes famílias os seu agradecimento. Também as famílias foram convidadas a manifestarem um pouco da sua experiência. Por minha parte expressei o que por aqui já tenho escrito, que de algum modo ficou a sensação de ter havido pouco tempo para uma efectiva partilha familiar, porque com a agenda oficial muito preenchida, mas no final o saldo foi deveras positivo, certamente que, por ordem de interesses, principalmente para os jovens, mas também para as famílias, mesmo que com diferentes envolvimentos, mais ou menos práticos, mais ou menos emocionais.
A cada família acolhedora o Grupo de Jovens entregou uma moldura com uma fotografia alusiva ao acolhimento.
Foi um bom momento e que de algum modo serve de encerramento desse importante acontecimento que passou pelo nosso país e pela nossa comunidade.
Parabéns ao Grupo de Jovens!