31/05/2026

Nota de falecimento - Maria da Conceição Baptista Alves (Lobão)

 


Faleceu Maria da Conceição Baptista Gomes Alves, da Rua da Ponte, Cruz de Ferro - Lobão, de 90 anos. Mãe do Pedro Baptista Alves, do Conselho Económico da nossa paróquia e avó materna do Johnny Almeida, também do Conselho Económico e presidente da Junta de Freguesia de Guisande.

Vai a sepultar amanhã, Segunda-Feira, dia 1 de Junho, pelas 17:00 horas, no cemitério da paróquia de Lobão, findas as cerimónias fúnebres na igreja matriz local.

Sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo pessoal e particular ao Pedro Alves e ao Johnny Almeida.

Que descanse em paz e viva na memória dos seus!

29/05/2026

A previsibilidade enfadonha

Confesso que não sou apreciador de cinema, nem mesmo de séries, mesmo que naturalmente, ao longo do tempo, já tenha assitido a muitos filmes e acompanhe, mesmo que sem fidelidade, o que vai passando na televisão. 

Mesmo assim, percebo que nas séries e filmes de ficção actual, particularmente nos géneros policial, de acção e suspense, verifica-se uma recorrência quase sistemática: o protagonista, o artista, o herói, é confrontado com os criminosos que ameaçam a sua família ou amigos próximos para o forçar a depor as armas, a render-se. Seja a esposa, a namorada, os filhos, os pais, etc. 

O que justifica a persistência desta fórmula tão previsível, como um dejá vu?

A recorrência desse cenário específico nos produtos audiovisuais de ficção,  frequentemente designado na crítica literária e cinematográfica como o tropo do "refém familiar" ou da "donzela em perigo", deve-se a um conjunto de funções narrativas e psicológicas altamente eficazes. Embora previsível, a fórmula continua a ser amplamente utilizada pela indústria por diversas razões estruturais.

Numa narrativa dramática, a tensão é directamente proporcional ao que o protagonista tem a perder. Quando o herói enfrenta o antagonista apenas pela justiça ou pelo dever profissional, a motivação é abstracta. Ao colocar a família ou amigos próximos em risco iminente, o conflito torna-se estrictamente pessoal, elevando a fasquia emocional ao nível máximo percetível pelo espetador.

A maioria dos espectadores pode não se identificar com a rotina de um agente policial ou de um agente secreto, mas compreende universalmente o instinto de protecção em relação aos entes queridos. Este mecanismo gera uma identificação imediata, fazendo com que a audiência partilhe da angústia e da vulnerabilidade da personagem principal. Este recurso força o protagonista a um impasse ético e lógico.

A perda de controlo: O herói, habitualmente caracterizado pela autossuficiência e pelo domínio da situação, vê-se privado do seu poder de acção, o que humaniza a personagem e quebra temporariamente a sua invulnerabilidade.

Do ponto de vista da estrutura do argumento, o momento em que o vilão ameaça os inocentes serve para validar qualquer acção extrema que o herói venha a tomar em seguida. Quando as regras convencionais são quebradas pelo antagonista ao visar a família, o público aceita, e frequentemente deseja, uma resposta do herói que ultrapasse os limites da lei ou da moralidade comum, culminando na catarse da resolução. Quanto mais o bandido sofrer, tanto mais o espectador tende a gostar, como se ele próprio participe na vingança e na justiça, seja lá o que isso for.

A televisão e o cinema operam frequentemente sob restrições de tempo. Utilizar um modelo cuja dinâmica o público já conhece perfeitamente permite avançar a narrativa rapidamente para o clímax, sem a necessidade de construir desenvolvimentos complexos para justificar a confrontação final.

Em suma, trata-se de uma convenção de género que sobrevive devido à sua eficácia mecânica na manipulação da tensão dramática, funcionando como um gatilho psicológico previsível, mas fidedigno, para o desfecho da ação.

Percebendo todo este contexto, a verdade é que, pelo menos para mim a coisa torna-se enfadonha de tão previsível. Quase, sempre, num momento em que o herói parece dominar a situação, lá vem a mulher, a filha e o filho, os amigos, etc, a cairem nas mãos do inimigo, invertendo a situação. Quem pode apreciar isto, esta previsibilidade? Um pouco como assistir a um espectáculo de strip-tease, diria.

A saturação face a este recurso é uma reação partilhada por uma fatia significativa do público e da crítica cinematográfica. Quando um mecanismo dramático é utilizado repetidamente sem inovação, transforma-se num cliché, o que quebra a suspensão da descrença e gera o enfado que menciona.

Ainda assim, este tipo de narrativa continua a ter uma audiência vasta e fiel. Os perfis de público que tendem a apreciar ou a aceitar esta previsibilidade parecem assentar em diferentes factores:

Grande parte da audiência consome entretenimento televisivo ou cinematográfico após a rotina diária, procurando relaxamento e não necessariamente um desafio intelectual ou inovação estrutural. Para este público, a previsibilidade funciona como um elemento de conforto: sabe-se exactamente o que esperar, quem são os "bons", quem são os "maus" e que, no final, a ordem será restaurada. A previsibilidade elimina a ansiedade cognitiva. Deseja-se um final feliz, memso que envolva viongança cruel.

Para os entusiastas do cinema de acção puro, o argumento é secundário, servindo apenas como um pretexto ou uma moldura para o que realmente lhes interessa: a coreografia das lutas, os efeitos especiais, a perícia técnica das perseguições ou o carisma do actor principal. Sabendo que o herói irá recuperar o refém, o prazer do espectador reside em ver como ele o fará, e não se o fará.

Espectadores que não assistem a este género de ficção de forma intensiva ou sistemática não sofrem do mesmo nível de saturação. Para quem consome estas produções de forma esporádica, o tropo mantém a sua eficácia dramática original, uma vez que o efeito de repetição não é perceptível.

A indústria do entretenimento, particularmente nas plataformas de streaming e na televisão generalista, opera frequentemente com base em métricas de retenção. Fórmulas testadas que garantem uma base mínima de audiência são preferidas em detrimento de riscos narrativos. O público que consome estes conteúdos de forma mais passiva acaba por validar o modelo através dos números de visualização.

Precisamente por se ter tornado enfadonho, realizadores e argumentistas contemporâneos têm tentado subverter esta fórmula para apelar a um público mais exigente. Algumas das abordagens incluem a inversão de papéis, onde o suposto refém se liberta autonomamente ou salva o protagonista, subvertendo a fragilidade esperada.

Em resumo, não sendo cinéfilo, sou capaz de perceber um bom filme, mas que estas previsibilidades enjoam, sim. Para além de tudo, a banalização da violência, a níveis extremos não concorrem, de todo, para extraír de uma peça cinematográfica qualquer enriquecimento, seja a que nível for.

Talvez por isso, mal por mal, prefiro filmes e séries com registos menos dramáticos,  sobretudo as comédias, ligeiras ou puras, ou filmes mais realistas ao nível das personalidades, relaçõs e emoções. 

28/05/2026

Ajude o Centro Social de Guisande com 1% do seu IRS

 


A consignação de 1% do IRS permite-lhe doar uma fração do imposto que seria entregue ao Estado a uma instituição de solidariedade, religião, cultura ou ambiente. É totalmente gratuita: não paga mais imposto nem vê o seu reembolso reduzido. O valor é retirado diretamente pelo Estado

27/05/2026

Orgulho, fé, devoção, tradição, pois sim, mas...

 


Com a banalização e importância das redes sociais enquanto ferramentas de comunicação, a promoção, cobertura e rescaldo das festividades religiosas e populares nas diferentes freguesias , tornaram-se o pão-nosso-de-cada-dia. Eventos e iniciativas de angariação de fundos,  patrocínios, cartazes, programas, artistas, etc, são pretextos de partilha de todas as comissões de festas ao longo do ano, sejam da pequena e singela festividade ou da maior e espalhafatosa.

Nesse contexto, passada a festa e estourados os últimos foguetes, vem o rescaldo com adjectivos e valores como o sentido de dever cumprido, o orgulho, fé, devoção, tradição, bairrismo, etc, etc. São esgrimidos como se uma determinada freguesia e sua festa sejam mais que as outras. E não são, porque nestas coisas, mesmo que em diferentes modos e contextos, com as diversas particularidades, todos puxam a brasa à sua sardinha e procuram fazer o melhor, por regra, muito com pouco, e já quase nada sobra para inventar de diferente. Até os cartazes feitos por Inteligência Artificial começam a banalizar-se e a perder a piada, sem se dar mérito à originalidade e criatividade e não raras vezes com elementos que não reflectem a realidade de cada festa.

Para além disso, muito mais que a fé, devoção e  tradição, sabemos que o que leva muita gente a uma determinada festa raramente são as virtudes dos santos e santinhos, mas antes o prestígio ou popularidade dos artistas que sobem aos palcos. Por conseguinte, hoje em dia valoriza-se mais um qualquer artista, do mais medíocre ao mais conceituado, do que a Nossa Senhora de Não sei Quantos ou o Santo e Mártir lá do sítio. 

Resulta daqui que estas coisas têm que se lhe diga  e nem sempre o que parece é e tantas vezes na simplicidade está a maior virtude e genuinidade. Depende dos olhos com que se vê o valor de uma festa. Por isso, presunção e água benta, quanto baste, não farão mal algum.

Além do mais, de um modo geral, basta olhar para os cartazes oficiais de certas festas e apesar destas terem como base a matriz religiosa e devocional, a tendência está em omitir não só as fotografias dos santos, da capela ou igreja onde se invocam, como até ignorar o seu nome. É um mau princípio, para não dizer desrespeito. Mas é esta a nova realidade. Pessoalmente espero que tal nunca venha a suceder na nossa festa do Viso, dedicada a Nossa Senhora da Boa Fortuna e Santo António. Para algum laxismo já basta trocar a figura dos santos, fazendo representar imagens que não correspondem aos que estão nos altares dos locais de culto, como, de resto, já aconteceu.

Posto isto, orgulho, fé, devoção, tradição, bairrismo, etc, etc, pois sim, com certeza, são valores genuínos de quem se dedica na organização, mas importa não esquecer a base, a matriz e nunca deixar que a componente profana e popular abafem ou ignorem a religiosa. Para isso temos os ditos festivais musicais em que são invocados o Santo Lucro e a Santa Farra.

26/05/2026

Nota de falecimento - Maria de Lurdes Bastos dos Santos (de Lobão)

 


Faleceu Maria de Lurdes Bastos dos Santos, de 78 anos, de Lobão. Depois das cerimónias fúnebres, vai amanhã, Quarta-Feira, 27 de Maio, a sepultar em Lobão, pelas 16:00 horas.

Era mãe dos meus amigo Luis Bastos e Mário Bastos, e ainda da Alice Maria. 

Partiu de forma inesperada, apanhada por uma doença que sem aviso, bateu à porta e logo colheu. Foi como quem  parte sem tempo de dizer adeus à vida e aos seus. Mas, doendo mais quando nos toca a alguém de família ou dos amigos próximos, como é o caso, é simultaneamente um avivar da realidade incontornável da efemeridade da nossa passagem por este mundo terreno. 

Sem sermões, mas numa perspectiva cristã, somos peregrinos da esperança e quem a tem e cultiva como bem, é a ela que nos devemos agarrar. Uma esperança de que a nossa vida tenha um sentido e propósito maiores que o mero viver por algumas dezenas de anos ante a imensurável idade do universo. 

Seguramente, passada a dor da separação brusca, virão para os familiares tempos de bonança e a  sua familiar continuará na suas memórias, porque a vida é também isso: Aceitação.

Votos de sentido  profundo pesar aos familiares, sobretudo aos mais próximos, como marido, filhos e filha, e de modo pessoal e particular ao Luís e ao Mário. Um abraço!

Paz à sua alma! Que descanse em paz!

25/05/2026

Paradoxos


Na nossa freguesia ainda há várias estradas com pavimentos em mau estado. Mas, bem pior que mau, porque deplorável, destaca-se a Rua da Zona Industrial e o troço da Rua de Estôze, que liga este lugar ao de Cavadas, na freguesia de Pigeiros.

Na Rua da Zona Industrial a desculpa é a da necessidade da prévia realização de redes públicas água e saneamento. É perfeitamente compreensível, mas, todavia, o tempo passa e não há sinal de que a coisa esteja para breve. De minha parte jé evito por lá transitar e mesmo a caminhar ou em corrida não se aconselha porque é perigosa, tal é o estado de degradação.

Quanto à Rua de Estôze, não há a mínima desculpa para o estado em que se encontra. Mau demais, a juntar ao lixo na berma.

Mesmo parte da Rua dos Quatro Caminhos, no lugar da Gândara, está degradada, com  algumas depressões e é frequente ver-se o trânsito a circular em contra-mão para as evitar.

Enquanto parece haver dinheiro com fartura para festas e festivais, que se estouram e três dias, esquece-se o essencial e de utilização diária . Há dinheiro a rodos para artes de rua mas não para as ruas. 

É pena e lamenta-se que estes paradoxos de gestão ainda subsistam.

O Jorge está de parabéns!

 











Neste dia 25 de um Maio de Primavera, está de parabéns o Jorge Ferreira. Juntos já percorremos centenas de quilómetros de fantásticas caminhadas. 

Que continue a somar, com vigor, saúde e boa disposição, pois ainda há montes e vales para percorrer, mesmo que mais devagar.

21/05/2026

Genealogia - Dificuldades


Pesquisar assentos paroquiais (registos de baptismo, casamento e óbito) para a partir deles se estabelecer ligações familiares e as respectivas árvores genealógicas, é uma verdadeira viagem no tempo, mas quem se aventura na genealogia descobre rapidamente que os arquivos paroquiais portugueses podem ser um autêntico labirinto. Embora estes documentos sejam a espinha dorsal da história familiar antes da criação do Registo Civil (em 1911), a verdade é que os párocos da época não tinham a nossa preocupação actual com a padronização dos dados. São, pois, muitas as dificuldades que se apresnetam a quem tem interesse nestas coisas, como é o meu caso.

Caligrafia: 

Uma das barreiras mais imediatas é a paleografia (a leitura da caligrafia antiga) combinada com o hábito cultural de abreviar nomes. Para poupar papel (pergaminho nos primeiros tempos) e tinta, os párocos habitualmente usavam siglas e contracções que hoje nos parecem estranhas. Exemplos comuns: Antº (António), Mª (Maria),`Frco (Francisco), Manl (Manuel) ou Joam (João). E outros mais.

 A Ausência de Avós Paternos e Maternos:

Nos assentos de baptismo mais antigos (geralmente anteriores a meados do século XVIII), a estrutura do registo era muito mais simplificada. Era comum o pároco registar apenas o nome da criança, dos pais e dos padrinhos. Por vezes até só do pai ou da mãe.

Sem a menção aos avós paternos e maternos, perde-se a "ponte" de confirmação para a geração anterior. Se o pai da criança se chamar "João da Silva", e na mesma paróquia existirem três homens com o mesmo nome, torna-se quase impossível adivinhar qual deles é o progenitor correcto sem o nome dos avós para desempatar.

Nomes próprios sem apelidos (Sobrenomes):

Até ao século XIX, era perfeitamente normal que os registos de baptismo indicassem apenas o nome próprio da criança. Pode-se encontrar assentos que dizem, simplesmente:  Maria, filha de Manuel Gonçalves e de sua mulher Maria Vaz.

A criança crescia e, ao casar, adotava um apelido que nunca tinha sido escrito no seu baptismo. Descobrir se a "Maria" que casou em 1780 é a mesma "Maria" que nasceu em 1760 exige um cruzamento exaustivo de idades, nomes de pais e testemunhas e até intuição.


A barreira dos pais e avós incógnitos:

A realidade social da época reflecte-se cruelmente nos registos através das crianças "expostas" e "enjeitadas" (abandonadas na roda dos expostos) ou dos filhos de mães solteiras. Estas situações são muito recorrentes, sobretudo nos séculos XVII e XVIII mas ainda no século XIX e XX.

Geneticamente e documentalmente, a linha de investigação esbarra num muro intransponível. A árvore genealógica daquele ramo específico é forçada a parar ali, restando apenas a hipótese de seguir a linha dos pais adotivos ou focar-se no outro progenitor, quando conhecido ou recorrer a outras fontes que são raras e de difícil acesso e pesquisa.

A fluidez dos apelidos - ausência de linha directa:

Na regra actual e comum pelo séc. XX, os nomes têm uma estrutura em que os filhos recebem os apelidos do pais,  numa ordem mais ou menos fixa, com o apelido da mãe pelo meio e o do pai no final. Antigamente, porém, a escolha do apelido era de uma liberdade caótica. Uma única fratria (irmãos de mesmos pais) podia ter apelidos completamente diferentes. Mesmo com alguma ordem, os rapazes recebiam o apelido final do pai e as raparigas o da mãe. Ainda, um filho homem adoptava o apelido do avô paterno e uma filha mulher adoptava o apelido da avó materna ou mesmo o nome de uma santa de devoção. Era muito comum nas mulheres o apelidos de Jesus. Ainda casos em que um filho tomava o apelido do padrinho ou de um tio rico, por respeito ou esperança de herança.

O impacto: 

Esta falta de consistência quebra a lógica da transmissão familiar e exige que o genealogista comprove a irmandade de várias pessoas para garantir que pertencem à mesma família, em vez de confiar apenas no sobrenome.

Conclusão:

Perante todo este conjunto de dificuldades, há situações que se tornam impossíveis de descer no tempo e nas ramificações familiares. Mesmo nos documentos existentes, é necessária muita intuição e cruzamento de vários registos e com eles procurar harmonizar.

19/05/2026

Não fica bem

 


Esta situação não é de agora, pelo que já tem barbas. Confesso que não sei de quem é a responsabilidade. Para o caso, não interessa nem quero saber. Parece-me, isso sim (e quem pode achar o contrário?), que não fica bem. Para muitos é apenas um conjunto de pedras, mas é um cruzeiro e tem um significado e simbolismo religioso e patrimonial. 

Não fica mesmo nada bem dar-lhe esta utilidade de suporte de sacos de lixo, por mais compreensível e bem intencionada que possa ser, a de deixar os sacos fora do alcance dos cães e gatos. Para isso há solução, que mais não seja, colocar o lixo um pouco antes da hora prevista da passagem do serviço de recolha.

Haja, pois, alguma sensibilidade para estas coisas.

Finalmente, parece-me, que também estará na hora de a alguns dos cruzeiros do percurso do calvário ser-lhes dada alguma dignidade, nomeadamente com a sua requalificação. Este, por exemplo, tem a base praticamente enterrada. Outros estão quase em condições similares. Mesmo o cruzeiro na rua com o mesmo nome, no lugar de Fornos, porque pobre,  em simples cimento armado, poderia ser melhorado com revestimento em granito ou mesmo a sua substituição por um em granito.

São pequenas coisas que se podem melhorar com pouco. Apenas é preciso investir em sensibilidade e sentido de preservar e melhorar o que outros nos deixaram. Não custará muito.

14/05/2026

Historiando - A prestação de trabalho no séc. XIX

Durante o século XIX, a administração local em Portugal dependia da participação directa dos cidadãos para a manutenção do bem comum. Este sistema foi consolidado pelo Código Administrativo, que permitia às Câmaras exigir "braços" (trabalho manual) e "gados" (tracção animal) para obras públicas. A Lei de 5 de julho de 1864 introduziu a possibilidade de remissão, permitindo que os moradores convertessem essa obrigação física num pagamento em dinheiro, conforme as taxas fixadas anualmente pelas câmaras municipais.

O propósito central desta obrigatoriedade era garantir a viabilidade de infraestruturas essenciais perante orçamentos municipais reduzidos.

- Conservação de Vias: Foco na reparação de caminhos e estradas para facilitar a circulação e o escoamento de produtos.

- Obras de Engenharia Local: Construção de pontilhões e manutenção de edifícios públicos utilizando os recursos da própria comunidade.

- Gestão Financeira: Suprir a falta de numerário através da mobilização directa da força de trabalho local ou das taxas de conversão pagas pelos residentes.

A conversão do trabalho em dinheiro seguia uma hierarquia rigorosa, reflectindo o custo de mercado e a especialização do serviço. Em 1868, as taxas de conversão diária eram aplicadas da seguinte forma (valores extraídos de uma acta de reunião de Câmara de Vila da Feira):

O valor mais elevado era atribuído ao Trabalho de Boi e Carro, fixado na quantia de 700 réis por cada dia. Esta taxa reflectia a importância crítica da tracção animal para o transporte de materiais pesados, sendo o recurso mais oneroso para o concelho. Logo abaixo, a utilização de um Animal de Carga era convertida em 400 réis por dia.

No que respeita ao trabalho humano qualificado, a prestação de um Oficial de Ofício (como pedreiros ou carpinteiros) tinha o valor de 320 réis diários. Este valor intermédio reconhecia a necessidade de competências técnicas para garantir a durabilidade das obras públicas.

Por fim, o valor de base do sistema era o do Jornaleiro ou Braçal, estabelecido em 250 réis por cada dia de trabalho. Este valor correspondia à unidade mínima de esforço físico não qualificado e servia como padrão de referência para a maioria da população que optava por remir a sua obrigação laboral através do pagamento em dinheiro.

Escusado será dizer que na freguesia de Guisande os seus habitantes estavam, naturalmente, sujeitos a esta prestação de trabalho ou ao pagamento correspondente, este tabelado pela Câmara Municipal. Nas actas mais antigas das reuniões da Junta Paroquial de Guisande há várias referências à prestação de trabalho.

Quanto ao fim de tal obrigação:

A obrigatoriedade da prestação de trabalho braçal e de tracção animal em Portugal não desapareceu de um momento para o outro, mas sim através de um longo processo de transição administrativa e fiscal que se estendeu até às primeiras décadas do século XX.

A transição definitiva ocorreu principalmente por dois factores:

- Reforma Tributária e Administrativa:

À medida que o Estado português modernizou o sistema de impostos, as "fintas" (impostos em trabalho ou espécie) foram progressivamente substituídas por contribuições exclusivamente monetárias, como a Contribuição Predial. Este movimento ganhou força com a implantação da República em 1910, que procurava eliminar vestígios de obrigações que remetiam ao período senhorial.

- Código Administrativo de 1936: Foi durante o Estado Novo que se consolidou a estrutura moderna das autarquias. Embora o espírito de "trabalhos para o bem comum" tenha sido mantido em contextos de emergência, a obrigatoriedade regular de braçagem para obras municipais foi formalmente removida da legislação corrente, sendo substituída por taxas municipais e orçamentos financiados pelo governo central.

Embora a lei tenha deixado de obrigar o trabalho físico no início do século XX, a prática sobreviveu de forma voluntária em muitas aldeias portuguesas sob a forma de "roças" ou "balhos". Nestes eventos comunitários, os vizinhos ainda se reuniam para limpar caminhos ou consertar muros de forma gratuita, mantendo vivo o propósito original de cooperação local que os documentos de 1868 registavam como uma obrigação legal.

Procissão de Velas - 2026

 


A procissão de velas na paróquia de Guisande realiza-se amanhã, Sexta-Feira, 15 de Maio de 2026. Será celebrada Missa pelas 20:00 horas e no final sairá a procissão pelo percurso assinalado no mapa, numa extensão de 5,0 Km. 

A procissão sai da igreja, segue para as Quintães e Viso, desce até à capelinha do Senhor do Bonfim, sobe para a Barrosa, entra na Rua 25 de Abril  e segue até  Fornos, corta e segue pela Lama até Casaldaça, corta para a Rua de Trás-os-Lagos e segue até à Gandarinha e ali vira a sul seguindo pela Rua Nossa Senhora de Fátima até ao cruzamento da Leira onde cortta para a Igreja, terminando na alameda frontal.

Pede-se que as pessoas sigam ordenadas em duas filas, evitem ir amontoadas, e que ocupem apenas meia faixa da estrada, principalmente na Rua 25 de Abril e Rua Nossa Senhora de Fátima, as mais movimentadas. 

13/05/2026

Nota de falecimento - Mãe do pároco Pe. António

 

Faleceu ontem a mãe do nosso pároco Pe. António Jorge.


A perda de um pai, mas sobretudo de uma mãe, é certamente uma tristeza imensa e um vazio de alma, porque vemos partir quem nos gerou, cuidou e amou.
Consola-nos, como cristãos e crentes, a certeza de que estará já em paz, a viver a sua plena Páscoa, em eterno descanso e certamento continuará viva nas memórias dos filhos, dos seus familiares e comunidade.

De minha parte e certamente da nossa comunidade, um abraço apertado e sentido ao Pe. António neste momento de dor, e certamente ajudará a consolá-lo a nossa solidariedade e a certeza de que sabe que a sua mãe está agora em paz depois de um período de doença e debilidade e que apesar dos seus compromissos, como filho dedicado, sempre procurou acompanhar e estar próximo num esforço e preocupação constantes.

Que descanse eternamente em paz!

11/05/2026

A lição da fábula do ovo de Colombo


Pela década de 1970 aprendi a fábula do Ovo de Colombo  num dos livros de leitura da escola primária. Grosso modo, o navegador e descobridor da América, Cristóvão Colombo, um certo dia, a propósito do valor da sua descoberta, que muitos então desvalorizavam, desafiou os presentes a porem de pé um ovo fresco de galinha sobre a mesa sem que tombasse. Como ninguém encontrasse solução, o genovês, com cuidado quebrou um pouco de casca na extremidade do ovo, e assim, apenas com a película a segurar a gema e a clara, conseguiu uma ligeira base e com isso que o ovo se equilibrasse facilmente.

Depois disso, os presentes desvalorizaram, argumentando que, assim também eles. Então, como remate e lição da fábula, Colombo terá dito que as grandes descobertas eram mesmo assim, a parecerem fáceis depois de terem sido realizadas, Antes, porém, ninguém teve a ideia ou o valor capaz de as levar a cabo, de as realizar.

Esta lição, mesmo que uma metáfora e sem qualquer rigor histórico de que tenha realmente tenha acontecido, lembra-nos que ainda hoje não falta por aí quem diga ser capaz de equilibrar ovos sobre a mesa depois de ver como o fazer. Antes, porém, sem tomarem a iniciativa, sem mostrarem como se faz. Assim, ao invés de darem mérito e valor a quem o faz pela primeira vez, limitam-se a dizer que "...assim também eu".

Em Guisande, nesta pequena e bonita freguesia, também há quem desvalorize alguns dos nossos Colombos, sem mostrarem como fazer e sobretudo mais e melhor. O mérito raramente é reconhecido, antes desvalorizado, e o copo meio cheio de água é visto como meio vazio.

É a vida!

No mínimo, uma taça...

Um clube de futebol de topo, já consagrado campeão nacional, que venceu com justiça (e muita azelhice dos principais adversários), mas  que na penúltima jornada perde de forma categórica com o clube último classificado e já despromovido à divisão inferior, no mínimo deveria ter direito a uma taça dourada a lembrar esse feito. Não sendo inédito, não é para qualquer um. 

Tendemos a valorizar os grandes feitos, mas é injusto que os enormes defeitos sejam esquecidos. Também eles têm o seu quê de poético.

Quanto ao Benfica, depois de uma época miserável, mesmo depois de ter perdido a hipótese de conseguir o 2.º lugar, importante apenas pelo lado monetário, arrisca-se a ficar em 3.º sem perder qualquer jogo. Se a concretizar-se, também a merecer uma taça pela mediocridade invencível.


Américo Santos - Ex atleta e dirigente do Guizande Futebol Clube



Américo Pereira dos Santos foi um dedicado  atleta e dirigente do Guizande Futebol Clube. Teve direito ao livro sobre a histório do clube. 

Como atleta era guarda-redes. Foi também responsável por algumas equipas do Despertar.

Em muito, o livro é um tributo a todos quantos ao longo dos tempos se dedicaram ao clube, quer como dirigentes quer como atletas e associados, mesmo daqueles que não são identificados de forma pessoal..

Recordo que o livro está a ser vendido pelo clube, na Loja Agrícola em  Fornos e no Café Fornos e, naturalmente, junto do clube.

A receita total com a venda do livro reverte  favor do clube.

06/05/2026

Grupo "Guisande: Ontem e hoje" - 2.º aniversário

 


Completam-se, hoje, dois anos sobre a criação do "Guisande: Ontem e hoje", um grupo de carácter privado na rede social Facebook.

O grupo destina-se apenas a pessoas naturais e residentes na nossa freguesia, com ligações familiares  ou outras, reconhecidas pelo administrador.

O grupo conta actualmente com 412 membros, sendo que já terá sido recusada mais de uma centena de pedidos de pessoas não reconhecidas ou que, convidadas à identificação, não prestaram os esclarecimentos relativamente à sua ligação à freguesia.

A adesão tem sido de livre vontade e ninguém entrou por convite da administração. Quem quiser sair, sai quando desejar e de livre vontade, sendo que depois de o fazer não voltará a entrar.

Não as contabilizei, mas seguramente já foram mais de 500 publicações, na sua larga maioria com assuntos e temas relacionados à nossa história passada, das nossas coisas comuns, património, cultura, tradições e gente.

Tenho plena noção de que destes 412 membros, a larga maioria passa por cá apenas por curiosidade e com interesse reduzido. Apenas um pequeno grupo segue com interesse e participa com reacções ou comentários. Esta sitguação não é novidade porque sei do que a casa gasta. Infelizmente, no geral, damos pouca atenção ao que é nosso, ao que nos valoriza como comunidade, do passado e do presente, antes alinhando facilmente em minudências e culto do umbigo.

Posto isto, sem ilusões, mas antes remando contra a maré, o espaço vai continuando, com mais ou menos regularidade e na certeza de que muitos destes assuntos um dia poderão ser passados para um outro suporte, nomeadamente para um livro na forma de monografia sobre a freguesia. Material não falta e quase todo escrito. O problema até será de excesso de conteúdo pelo que obrigará a uma selecção.

Assim sendo, deixo um  agradecimento especial aos membros do grupo, de modo particular aos mais fiéis, que ao fim de dois anos ainda continuam a passar pelo grupo, a valorizar e reconhecer o interesse do espaço e dos temas ali abordados e partilhados. 

05/05/2026

Estaminé pessoal

 


Um espaço pessoal com algumas simples mas úteis aplicações e alguns visualizadores topográficos. Aos poucos, a lista será ampliada.

O espaço serve também, e sobretudo, de apoio ao nível de servidor de algumas das minhas coisas e projectos online.

04/05/2026

No tempo em que havia mais alma e menos imigrantes

 


Equipa do S.L. Benfica, na época 1974/1975 (Campeão Nacional). Do tempo em que os adeptos não andavam a torcer por uma equipa quase toda composta por estrangeiros. Se quisermos o contrário, no tempo em que as equipas portuguesas tinham mais alma...portuguesa, nacional.

Tenho-me desligado do futebol indústria, e ainda bem. Do meu Benfica, não vejo jogos, não pago televisão para assitir no sofá ou ver no campo (até porque é longe), nem leio jornais. Não rebato alarvidades e provocações nas redes sociais, nem alinho em tira teimas a saber quem tem mais ou menos razão na eterna rivalidade entre clubes e se cada um destes tem mais ou menos razão nas ajudas ou roubos por árbitros. É chover no molhado ou regar a praia.

Não tenho camisolas com as cores e emblema do clube e seria incapaz de andar com elas fora do contexto do estádio. Nunca influenciei esposa, filho, afilhado ou vizinho a ser pelo meu clube. Nestas coisas o respeitinho pela identidade própria é muito bonito. Se tiver que ter em casa alguém adepto de outro clube, que seja, apenas pedindo que haja respeito mútuo e bom senso.

Sei dos resultados, muitas vezes,involuntariamente e apenas no dia seguinte e porque, sem querer, as notícias vão-se ouvindo, na televisão ou na rádio. Das duas ou três vezes que, levado por amigos, fui para a rua festejar mais um título, senti-me um tonto, sem saber o que ali estava a fazer no meio da multidão, na maior parte gente estranha, a olharem uns para os outros, com excessos na bebida e nos gestos. A ressaca deveria servir para alguma vergonha pessoal, mas é pedir muito a quem vive estas coisas a dizer que com orgulho, alma e coração, como se isso os fizesse mais capazes ou melhores seres humanos que os rivais. 

Faz-me confusão ver tantos adeptos, ora com maus fígados quando as coisas não correm de feição, ora com entusiasmo desmedido e até fanatismo, quando, afinal, torcem apenas por uma equipa de estrangeiros, que do clube apenas envergam a camisola e recebem os milionários ordenados e sempre com o olho num patrão de um campeonato com mais prestígio, que lhes dobre ou triplique o ordenado. Os dirigentes, treinadores e atletas são pagos a peso de ouro mas precisam de estádios cheios, mesmo que com gente que ganha o salário mínimo e não tem onde cair morto. Mas, cá está, nem sempre o lado racional do adepto da bola é o que tem mais peso e o futebol tem destas coisas. Faz parte, aqui e em todo o mundo. A indústria faz por isso! It's just business!

Posto isto, talvez pelo efeito da idade, que se presta a encolher umas coisas mas também a servir para aumentar algum distanciamento e lucidez, mesmo que não viva do passado, esta fotografia do Benfica de outros bons tempos, como muitas outras, incluindo as que moram nas minhas dezenas de cadernetas de cromos, servem para lembrar um tempo em que as equipas de futebol, desde os distritais aos nacionais, tinham muito menos estrangeiros e efeitos do marketing da indústria, mas seguramente mais alma, que se estendia de cima para baixo, dos dirigentes e atletas aos sócios e adeptos.

Concerteza que cada tempo é um tempo e o actual é seguramente diferente, mas quando se vende a alma ao diabo (da indústria) alguma coisa tem de ficar pelo caminho. Parece-me! É apenas a opinião de quem se vai desligando. Talvez seja da idade!


Quanto à equipa: Em cima, da esquerda para a direita: Eurico, Toni, Barros, Shéu, Bento.

Em baixo, pela mesma ordem: Nelinho, Artur, Nené, V. Martins, Jordão, Moinhos.

Era treinador:  Milorad Pavic

Mais do mesmo...

 




O problema repete-se indefenidamente, em Guisande e noutros locais. A coisa já não vai lá com recomendações, apelo ao civismo ou ameaças de coimas. A solução seria uma brigada de vigilância armada com uns paus de marmeleiro. Mas, como somos uma sociedade de mansos e humildes e de regras civilizadas para quem não sabe ser cívico, e que pouco ou nada penalizam os prevaricadores, não será solução recomendada. Um polícia para cada português, talvez ajudasse, mas seria incomportável, e os poucos que existem andam ocupados na caça às multas de trânsito ou a acompanhar corridas e desfiles.

Posto isto, há que conviver com a constante acção de gente badalhoca.


02/05/2026

Olhares sonhados - A cor do tempo

 


A casa, não mentindo a bonita pedra lavrada, foi feita por 1909. Hoje e de há alguns anos, voltada a uma estrada relativamente ampla, mas há 115 anos, era um caminho estreito, húmido e fundo, onde mal se caminhava a pé e um carro puxado por bois passava pouco mais que à justa.

Conheci eu ainda esse caminho primordial, não que tenha 115 anos mas porque há 50 anos já o via assim, quando, de Cimo de Vila, ía com o meu irmão ao lugar de Duas Igrejas, à casa do José Lima, para consertar o pequeno rádio a pilhas que ali se comprara e nos ajudava a passar as longas noites de inverno. O caminho era estreito e ladeado pelo monte e pelo alto muro da Casa da Quintão, metia medo se a horas em que o sol já se escondera.

O lugar do Outeiro é dos mais antigos da nossa freguesia e durante muitos anos o mais esquecido e ignorado pelos poucos dinheiros das diferentes juntas. Mas, simultaneamente, um dos mais bonitos e paradisíacos. Infelizmente, o progresso não tem contemplações com lirismos e de uma assentada rasgou  literalmente aqueles montes e por ali e desde 2011 passam milhares de carros, com condutores apressados e sem imaginarem por onde passam.

O gato, no peitoril, porque com sete ou setenta vidas, talvez um espírito do passado, é capaz de saber toda a história do lugar ou pelo menos da casa, deslavada das cores mas a revelar que já teve várias ao longo de mais de um século. Uma casa assim secular merecia um pouco de cal a branqueá-la mas, verdade se diga, neste estado revela as suas feridas, a sua idade, como rugas que não se disfarçam com cremes e botox.

01/05/2026

Em dia de maias, pela Freita entre elas - 15 km

 


Em dia de maias, nada como uma boa caminhada pelas encostas da sempre bela Freita. 15 km com valentes subidas e magestosas paisagens salpicadas de amarelo.













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