31/05/2022

Números astronómicos e reencarnação

Há quem goste, adore até, de assitir a “reality shows” e outros programas de entretenimento em que a nossa TV é farta, sobretudo a envolverem gente do jet-set. Afinal a nossa TV prima por espetar os espetadores com coisas de que gostam, mesmo que baseadas em boçalidades que nada acrescentam. Mas nada a obstar. Afinal na diferença e diversidade, dizem, é que está a riqueza,. 

Como nestes coisas fujo um pouco à norma, e daí na anormalidade, prefiro e gosto de documentários sobre cultura, natureza e ciências. Fascina-me tudo relacionado ao universo, ao sistema solar, às galáxias, às estrelas e aos planetas. E por aqui impressionam-me sempre os números, desde as distâncias medidas em anos-luz até à idade do universo após o big-bang, por si só uma teoria em que se procura justificar a criação  a partir do nada, ainda a idade do sol e a forma como há-de terminar os seus longos dias, expandindo-se a ponto de engolir, no caso incinerar o nosso belo berlinde azul, ambora quanto a isto, acho que pela nossa loucura a Terra há-de durar bem menos tempo. E nestes dias de guerra irracional, há dedos nervosos ao lado de botões vermelhos, prontos a isso.

Estimam os cientistas, mesmo que em controvérsias, que o universo terá cerca de 14 biliões de anos (13,82), qualquer coisa como o número 14 seguido de 12 zeros e nem importa saber se pela medida da Europa, em que um bilião são mil milhões, se dos Estados Unidos, Reino Unido e Brasil, em que um bilião afinal são mil milhões. Mais zeros menos zeros, são muiiiiiiiiitos anos.

Quanto à Terra, dizem que terá um pouco menos, ou seja 3,5 biliões. Aqui, o conceito de “pouco menos” é mesmo uma questão de semântica. 

Já o sol, a nossa estrela, terá qualquer coisita como 4,5 biliões de anos e estima-se que tem combustível (hidrogénio) para queimar (600 milhões de toneladas por segundo) no seu reactor por mais durante 5 biliões de anos. Está, pois, a metade da sua previsível vida. Mas esse processo englobará várias etapas e uma vez queimado o hidrogénio o sol consumirá os elementos remanescentes mais pesados, como o hélio, o carbono, o oxigénio e por fim o ferro  e como este não poderá ser queimado, já que a energia necessária é superior à produzida, então a nossa estrela colapsará e explodirá espalhando todos os elementos acumulados pelo universo. Afinal a continuação de um ciclo, já que em rigor todos os seres vivos, incluindo nós humanos, são formados por essa massa primordial de átomos. Em rigor, dizem os cientistas, nesse processo de transformação da parte final da vida do sol, este irá expandir-se, crescendo para o dobro, transformando-se numa "gigante vermelha", e incinerar literalmente o nosso planeta  e todos os demais que o orbitam.

Neste contexto de distâncias e idades expressas em números gigantescos, quase imensuráveis à nossa percepção terrena,  ficamos todos com a plena certeza que a nossa vida (dos humanos) e a de todos os seres vivos, animados e inanimados, não é mais que uma ínfima fracção de segundo quando comparada aos tais números astronómicos. Uma borboleta ou uma abelha vivem poucos dias ou semanas e mesmo os seres vivos com mais expectativa de vida, como algumas espécies de corais, baleias, tubarões, que podem andar pelos 200, 500 ou mesmo 1000 anos, são sempre vidas curtas. Há até um estudo de 2012 que sugere que uma esponja do mar, a Monorhaphis chuni terá a idade de 11 mil anos. Mesmo tendo em conta estes 11 mil anos, a coisa continua ínfima na escala da vida do universo, do sol e da terra.

Por conseguinte, para aqueles que acreditam que todos nós havemos de reencarnar mesmo que enquanto um animal, não restam dúvidas que durante um milhão ou bilhão de anos temos tempo de viver e reviver na pele de todos os seres vivos que existem na terra, nas águas e no ar. Podemos assim vir a ser um cão, um gato, uma cabra, um rato, uma cobra, uma minhoca, um papagaio, uma sardinha, um atum, uma lula, uma mosca, uma borboleta, um morcego, etct, etc, etc, etc,. Tempo  ao universo é o que não falta.

Assim sendo, pelo sim e pelo não, dentro do possível e desde que não nos ponham em risco, será preferível que respeitemos todos os seres vivos na sua dignidade, pois podemos vir a ser um deles. Se daqui a 100, 200, 500, mil, cem mil ou um milhão de anos, não sabemos. Mais vale prevenir.

E vamos deixar por ora esta questão, porque tanto número e ordens de grandeza deixa-nos baralhados, confusos, e a perspectiva de podermos vir a ser um qualquer insecto rastejante ou um escaravelho-da-bosta não é lá muito inspiradora e muito menos animadora, convenhamos.

Boa Terça-Feira!

30/05/2022

Paz interior



Tanta canseira afadiga o homem

Além de tudo quanto diz e faz;

Coisas fúteis que o consomem

Quando, afinal, lhe basta a paz.


Esse afago de mansidão interior,

É, afinal, o bem mais precioso:

Desperta sereno o negro turpor

De um viver triste, só, doloroso.


A paz calma como bem supremo,

É como lago na placidez da água,

Em que apenas o doce bater do remo

O desperta à vida, o viver sem mágua,


Homem, pára! Afrouxa esse fragor

Medonho de todos os teus rios

Feitos de água de lágrimas e suor

E dá-lhes a calma dos vales macios


A.Almeida

União de Freguesias - Corga da Moura 2022

 



29/05/2022

Nada de confusões

A questão, desejo e vontade de uma freguesia aspirar a ser novamente dona dos seus destinos, não devem ser confundidos com a forma de governar da actual Junta da União. 

Parece-me, avaliando estes primeiros meses, que David Neves está a governar bem e a ter uma postura que se espera de qualquer presidente de uma União, a de respeitar todas as freguesias, estando presente ao lado das pessoas e dos grupos, de forma activa e interessada. E isso o David Neves, o meu presidente, tem feito bem e nota-se que com alma, correspondendo à vitória de mudança nas últimas eleições.

Mas, repito, uma coisa não valida nem menoriza a outra. Portanto nada de confusões: O desejo e vontade de Guisande, bem como de Gião e Louredo em voltarem a ser independentes no uso previsto pela Lei 39/2021, não é pessoal, muito menos partidária, mas apenas contra um modelo que em dois mandatos mostrou nada acrescentar de positivo à anterior realidade, e, pelo contrário, penalizador em muitos aspectos, sobretudo os de perda de proximidade e representatividade. Neste actual modelo, cada freguesia tem menos representantes directos e por isso menos gente conhecedora das especificidades de cada freguesia.

O comodismo e aceitação por parte de Lobão é compreensível já quem em rigor nada perdeu porque se mantém como cabeça e numa situação de predominância que, entre outros aspectos, tem e irá determinar que o presidente seja sempre da sua área geográfica. Não tem que ser assim, obviamente, mas será por motivos políticos e de estratégia dos partidos. É do B,A, BA da política.

Em resumo, louve-se o empenho e dedicação do David Neves, que têm sido relevantes, até porque num contexto herdado de melhores condições financeiras e já com a casa organizada e arrumada, comparativamente aos anteriores dois mandatos, mas não se misture alhos com bugalhos. 

Como analogia, porque é que um emigrante há-de-regressar à sua terra quando na maior parte dos casos vive com condições bem melhores nos países onde trabalha? Porque é que Guisande, Gião e Louredo hão-de contentar-se com a situação só porque neste momento a União tem uma presidência positiva?

A aprovação na sessão extraordinária da Assembleia da União de Freguesias, na sexta-feira passada, não foi a derrota de ninguém, muito menos do presidente da Junta, antes uma vitória normal e natural das freguesias que solicitaram a desagregação. 

Num tempo em que os divórcios se fazem por questões de "lana caprina", porque é que, sendo possível e legítimo, não hão-de as freguesias submetidas a uma reforma administrativa sem pés-nem-cabeça, aspirar à reversão ou desagregação? 

Por último, se se considera que esta situação decorre de uma Lei Relvas, desajustada e despropositada, que foi muito além do exigido pela Troika, porque é que agora se pode usar a mesma como argumento para a sua manutenção? Não devíamos, todos, aproveitar a janela de oportunidade da Lei 39/2021 para tentar a reversão? 

A quem interessa, pois, que a coisa se mantenha?

Nossa Senhora da Livração e Nossa Senhora da Hora em dia de festa

 




Nossa Senhora da Livração - Tabuaça - Lobão



Senhora da Hora e Santo André - Gião

28/05/2022

Família Gonçalves - Guisande - 20º Convívio


A família Gonçalves de Guisande teve hoje, 28 de Maio, o seu convívio anual, depois da interrupção nos últimos dois anos devido à pandemia. A última edição realizou-se no Monte do Viso em 2019 e neste ano de 2022 decorreu no Parque de Lazer da Várzea - Pigeiros. 

Como será compreensível, ainda em contexto de pandemia, e porque naturalmente a muitos não será fácil conciliar as agendas pessoais e profissionais com a data e o local, até porque vivendo em locais afastados e mesmo no estrangeiro, o número de participantes esteve bem abaixo do que se verificou em anos anteriores. Seja como for, é sempre importante manter a ligação a quem quer e pode participar.

Esta família, de cujo ramo começa no lugar de Estôse, mas com ligações antecedentes à freguesia de Duas Igrejas, actualmente lugar da freguesia de Romariz, tem já centenas de elementos espalhados pelo país, ilhas e estrangeiro. 

Parabéns ao Pedro Santos pela organização e a todos quantos contribuiram para que nada faltasse. Bem-hajam!

Sobre as origens da família Gonçalves:

Do latim Gundisalvici, de formação patronímica - "filho de Gonçalo" - Deriva ainda do germânico Gundisalvus que pode significar "salvo no combate", "homem disposto a participar de toda luta" ou simplesmente "guerreiro".

A família é de origem espanhola , do reino da Galícia, com Moniz Gonzalo. Seu descendente Dom Antão Gonçalves foi o primeiro da linhagem portuguesa. Senhor de Alentejo, Visconde e Arquiduque, títulos nobiliários reconhecidos com méritos pelos serviços prestados à Coroa, a quem antes do séc. XVI, foram concedidas armas que já figuram no Livro do Armeiro-Mor datado de 1509.


Brasão:

-De verde, uma banda de prata, carregada de dois leões (ou leopardos) rampantes (de pé, eréctil, com as patas dianteiras levantadas) ou passantes (caminhando com a pata direita levantada) de púrpura, armados e lampassados (língua de fora) de vermelho.

-Timbre: um leão de púrpura, sainte, armado (garras de fora) e lampassado de vermelho.

É bonito quando somos fiéis aos nossos princípios


...E é tão bonito quando somos fiéis aos nossos princípios, leais às nossas causas e sobretudo à terra e às pessoas que representamos e em nós confiam. Parabéns, Celestino, por nos fazeres acreditar que ainda há valores que valem!

Assim foi na sequência da sessão extraordinária da Assembleia da União das Freguesias de Lobão, Gião, Louredo e Guisande, realizada no polo da Junta em Guisande.

Inexplicavelmente as coisas estavam combinadas para fazer esbarrar. Numa posição legítima mas incompreensível, a lista do Partido Socialista tentou virar o bico ao prego contra a manifesta vontade das freguesias que pedia a desagregação (Gião, Louredo e Guisande). 

Lobão não requereu porque sente-se bem nesta União, como peixe na água, porque em rigor foi a única freguesia que não perdeu identidade, por razões óbvias, desde logo como cabeça da União, a manutenção da sua sede como principal e o presidente da sua área geográfica. É compreensível que se sinta bem. 

Celestino Sacramento, apesar das tentativas em fazer mudar a sua posição, bem como do seu estado de saúde na ocasião, manteve-se fiel aos seus princípios e causas e com toda a naturalidade votou a favor da desagregação, indo contra a sua bancada, que se absteve depois de perceber que já não inverteria a posição da maioria que se pronucniou a favor. Foi estranho, mas foi assim.

É de registar esta posição firme, convicta e fiel do Celestino. Nem poderia ser diferente!

Luz de Maio

Não! Não há luz como a de Maio

Porque límpida, desenevoada,

Quase um esplendor em ensaio.


Nasce na manhã fresca, solteira

Como noiva bela, perfumada

No seio em flores de laranjeira.


Ao poeta tão pouco lhe basta

Mas Maio, farto, dá-lhe tanto

Chegando a sobrar inspiração.


Então a palavra sai pura, casta,

Num devaneio de singelo encanto

E dela o poema brota de emoção.


A. Almeida

26/05/2022

Recuar no tempo



P´los caminhos da minha aldeia

Percorro paisagens de infância

Captando o tempo com o olhar.

Renovado, de alma plena, cheia,

Volto aos montes numa ânsia

De rever lugares... recomeçar.


Quem dera que o tempo, teimoso,

Atrás voltasse, por instantes,

Como num sonho dormente, feliz;

E pudera, então, infantil, viçoso

Rever coisas e rostos radiantes

Repetir tudo quanto de bom fiz.


A. Almeida

25/05/2022

O Jorge Ferreira está de parabéns!


Sei que não vai muito com estas manifestações (lamechices) expressas de forma pública, mas atrevo-me a fazê-lo, essencialmente porque me considero seu amigo e tenho-o igualmente em tal conta.

Sendo certo que é um pouco mais velho do que eu, temos tido uma boa relação desde há muito. E começou logo quando foi convidado ao meu casamento, ainda com o cabelo e bigode pretos. 

Depois, muitos anos em actividades ligadas à Associação Cultural de Guisande "O Despertar", companheiro de futebol de salão quase durante vinte anos e, mais recentemente, companheiro habitual das caminhadas por trilhos, subindo e descendo montes e vales, sempre numa boa passada.

Por tudo isso é merecida uma justificação de parabéns por mais um aniversário. De resto nem custa dar os parabéns aos amigos. 

Em todo o caso, principalmente para os mais novos que naturalmente não conhecem ou ignoram o percurso dos mais velhos, importa lembrar que o Ferreira, como quase sempre lhe chamámos, merece os parabéns, não só dos mais chegados, como familiares e amigos, mas de um modo geral de todos os guisandenses, já que para além de tudo teve e ainda tem um importante percurso e um contributo de cidadania, que é de enaltecer num tempo em que muitos dos valores que nos ligam à identidade da freguesia estão em perigo. 

O Jorge foi um exemplar jogador do Guisande F.C., dirigente da Associação “O Despertar”, sempre pronto e disponível, nomeadamente quando existia a secção de natação e Escola de Música. Ainda membro da Assembleia de Freguesia e secretário da Junta de Freguesia de Guisande (2001-2005). Colaborador nas coisas da paróquia, provavlemente mais que muitos que são assíduos fregueses.

Mesmo agora, já merecedor do retempero da reforma, continua a ajudar o Centro Social, a Associação de Dadores de Sangue, etc.

Para além de tudo, enquanto funcionário do Banco Espírito Santo, foi sempre prestável e disponível para ajudar na questão das burocracias relacionadas às nossas poupanças. Quem já não precisou dos seus serviços e favores?

Por tudo isso, desculpa lá, Jorge, mas fica aqui este registo. Não devemos guardar para amanhã o que podemos e devemos dizer hoje.

Parabéns, e quanto a anos de vida que venham, se não muitos, pelo menos os suficientes, mas bons, pois ainda temos muitos quilómetros para trilhar por esses montes e vales e a próxima jornada já está marcada. 

Não importa quantos faças mas os que faltam fazer. Parabéns!

23/05/2022

Parolamente baloiçando

 



Convenhamos que a moda dos baloiços colocados em locais altos com vistas deslumbrantes, pela generalização, é em rigor uma parolice bem à portuguesa. Já são centenas por todo o país e a coisa continua a crescer e de uma interessante novidade inicial está a transformar-se numa praga porque todos querem instalar um.

Mesmo os passadiços e os miradouros são já mais que muitos, mesmo em locais que até podem ser percorridos e visitados de forma natural pelos simples trilhos e caminhos. Até pontes são feitas onde não há essa necessidade.

Mas somos assim, de modas e exagerados, sempre à procura de sítios falados, porque onde vai um vão todos. 

Os defensores da coisa dizem que são uma forma de chamar as pessoas e dar-lhes-lhes a conhecer os muitos e belos sítios das nossas paisagens. É um bom argumento e de facto assim é, mas em rigor o que é que um baloiço acrescenta na maior parte dos locais? Um miradouro todo xpto, em madeira, gradil de ferro ou vidro, balançado sobre o vazio o que acrescenta à vista já possível em qualquer outro local na imediação? Não é uma redundância artificial e desnecessária? E quanto ao impacto nos locais e natureza com o excesso de pessoas, carros, motas, motos-quatro, bicicletas, jeeps e outros artistas da adrenalina? 

De resto em vários desses pontos, como no conhecido Baloiço da Serra da Boneca, em Sebolido - Penafiel, já tem havido problemas de excesso de pessoas e viaturas, com risco de segurança e impacto negativo, porque boa educação e civismo são qualidades um pouco arredadas de muita boa gente. Mesmo com a mudança do local para minimizar o impacto, os atropelos têm sido muitos, contornando-se e desrespeitando-se as recomendações dos promotores.

Mas a coisa não vai ficar por aqui porque os responsáveis por essas instalações sabem que as pessoas agem por impulso e vão atrás das novidades como moscas atrás daquela coisa e daí a tentação de instalar mais e mais é forte.

Agora, porque a cena do baloiço em si já não é surpresa, porque se vulgarizou, a novidade da coisa passa por montar cavalos de baloiço e mesmo uma velha bicicleta pasteleira instalada sobre uma plataforma metálica giratória no alto dos montes e penhasco para se rodar e escolher o melhor ângulo para a selfie, para mostrar aos amigos que se esteve ali.

O que virá a seguir? Uma casa na árvore, uma torre Eiffel de vidro, um porco com asas, uma drone disfarçado de unicórnio? 

O equilíbrio e o bom senso são as palavras chaves. As modas podem ser interessantes mas quando transformadas em pregas deixam de o ser. Quem não for capaz de gostar e usufruir dos encantos da natureza, nos seus diferentes aspectos, e procurá-la mas de forma natural, não será por lhe acrescentarem um baloiço ou um miradouro que a coisa será diferente.

Confesso que, mesmo pouco ou nada entusiasta, também já terei tirado uma ou outra foto no baloiço, porque acaba por ser da praxe quando por eles se passa, mas perante tanto exagero, haja alguma paciência. Afinal, a natureza deve ser desfrutada de forma, imagine-se, natural. 

Naturalmente!

Já sinto saudade do baloiço que nos tempos de criança montáva-mos no sobreiro do monte do Viso. Duas cordas, um fueiro, um empurrão e toca a subir às alturas. Nesse altura não era novidade.

Segunda-Feira

Ó Saudosa e fugidia Segunda-Feira,

Sejas bem-vinda ao ciclo infernal

Daqueles que do trabalho penam.

Não temas, chega-te aqui, à beira,

Sê na nossa carne o tempero de sal.

E que se fodam os que te condenam!


Segunda-Feira, linda, deslumbrante,

Fada madrinha, bruxa, ou feiticeira,

Bela sereia no teu rabinho de prata,

Deixa que em ti todo eu me encante

No retomar desta benfazeja canseira

Porque o fim-de-semana, esse mata!


A. Almeida

22/05/2022

S. Miguel e Santa Luzia nos enchem o dia

 


























Grupo da LIAM de Guisande - 37º aniversário



Neste Sábado, dia 21 de Maio, o Grupo da LIAM da paróquia de S. Mamede de Guisande celebrou o seu 37º aniversário.

Antes e depois da missa das 17:30 horas, realizou-se a já tradicional Feirinha Missionária  cujo valor apurado com as vendas dos diversos produtos reverterá para os Missionários do Espírito Santo e para as suas obras e acções sociais em prol das Missões. No final houve convívio entre os seus membros.

A missa foi celebrada pelo espiritano Pe. Edward Apambila (natural do Gana - África), que assim substituiu o pároco Pe. António Oliveira.

Parabéns e bem-haja ao grupo pela sua missão!


[foto: Grupo da LIAM]

20/05/2022

Acreditar

Na próxima sexta-feira, 27 de Maio, pelas 21:00 horas, no polo de Guisande da Junta da União de Freguesias, vai ter lugar uma Assembleia de Freguesia com carácter extraordinário com um único ponto na agenda, concretamente a "Apreciação e votação das propostas de desegregação das freguesias de Gião, Louredo e Guisande".

Registo com apreço que para além de Guisande, Gião e Louredo também pretendem a desagregação. Pelos vistos Lobão, como cabeça, sente-se bem nesta União e não manifestou o interesse na desagregação. É legítimo, mas diz muito. De resto, neste processo Lobão foi quem menos perdeu ou mais ganhou. Mantém-se como cabeça, com a sua sede e com o presidente da sua área territorial.  Todas as demais perderam obviamente.

Sou a favor da desagregação e espero que se reunam as condições para tal. Todavia, numa sessão pública em que o público não pode intervir nem manifestar-se, por isso ouvir e calar,  questiono da importância de ter muita ou pouca gente a assistir. Neste pressuposto provavelmente não estarei presente, mas confio em quem avançou com o processo porque não tenho dúvidas que será do interesse da maioria dos guisandenses. Neste aspecto, tanto o Dr. Rui Giro, pelo PSD, como Celestino Sacramento, pelo PS, têm-se empenhado no processo.

Como já tenho uma idade que me legitima a dizer que já vi porcos a andar de bicicleta, espero e desejo que não haja engulhos de última hora, nem volte-faces nem inversões de marcha, nem ditos por não ditos, e que a coisa tenha o desfecho normal e natural, ou seja a aprovação por unanimidade rumo à defesa de cada uma das freguesias.

Não sendo fácil, e eu próprio tenho dúvidas, é preciso acreditar.

19/05/2022

Assembleia de Freguesia a 27 de Maio de 2022

 

Desespero

Desci já ao poço mais fundo,

Negro, frio, de uma tristeza sem fim;

Corri no alvoroço do mundo,

Cego, vazio, numa palidez de marfim.


Assim triste, indolente, sem vida,

Um mar de dúvidas logo se agiganta;

O caminho torna-se beco sem saída

E dele tentar fugir, que adianta?


Mas nessa lassidão de má sorte

Que nos tolhe, mutila, emudece,

Talvez ainda, por última prece

Venha o prémio, a paz, a morte.


A. Almeida

17/05/2022

Nota de falecimento


Faleceu Rufino da Silva e Sá, de 73 anos (30 de Março de 1949 a 17 de Maio de 2022). Residia no lugar de Casaldaça - Guisande

Cerimónias fúnebres na Quarta-Feira, dia 18 de Maio de 2022 pelas 15:30 horas, na igreja matriz de Guisande, indo no final a sepultar no cemitério local.

Missa de 7º Dia no Sábado, 21 de Maio, pelas 17:30 horas na igreja matriz de Guisande.

Sentidos sentimentos a todos os familiares. Paz à sua alma! Que descanse em paz!

16/05/2022

Lugar do Outeiro


O lugar do Outeiro é varanda

Onde a vista ao longe alcança

O verde vale da linda ribeira;

Doce contemplação que abranda

O tempo numa lentidão mansa,

Sem pressa, fadiga ou canseira.


É a torre mais alta, a ameia,

De um alto castelo de fantasia,

Sentinela desperta na aurora;

Dali, a alma fica mais cheia

Da frescura ou do calor do dia

Duma  aldeia que plena se aflora.


A. Almeida

Pés ao caminho

Pés ao caminho, 

toca a andar!

Em companhia ou sozinho, 

Importa caminhar!


Olha o casario,

A verde colina,

A ponte, o rio;

A fresca menina.


A velhinha quebrada

Pelo peso da idade,

Quanta vida andada

Desde a mocidade?


Importa caminhar, 

De olhos cheios 

De azul e verde

E pó no sapato.


Até a ave a voar,

Com seus chilreios,

A matar a sede

Desce ao regato.

15/05/2022

Procissão das Velas - Maio de 2022

 



Não foi a 13, mas a 14 de Maio, a nossa tradicional Procissão das Velas. Porventura menos participada que em outros anos, mas igualmente reveladora da devoção dos guisandenses a Maria, na invocação de Nossa Senhora de Fátima. 

Teve melhores condições de segurança, já que acompanhada por agentes da GNR, e uma variação no percurso, com passagem pelo interior do lugar do Reguengo em vez da habitual subida pela Barrosa, que me parece que se justifica.

Com um tempo a prometer chuva, esta felizmente não apareceu durante a procissão, apenas ameaçando mesmo já no final à chegada à Alameda da Igreja. Todavia, o vento fez-se sentir e de modo a apagar as velas e a desbaratar as flores e verdes nas ruas, retirando assim algum brilhantismo e efeito.

A procissão, em si, pareceu-me um pouco algo auto-desorganizada já que em rigor era um amontoado de pessoas que seguia atrás do andor. Seria bem mais bonito, e dar-lhe-ia mais extensão, se organizada com duas filas laterais, mas velhos hábitos são difíceis de mudar.

Uma palavra de apreço para o pároco Pe. António, muito interessado, envolvido e empenhado e que assim deu um importante contributo à solenidade nos diferentes momentos da reza do rosário.

Uma palavra de gratidão para todos quantos de uma forma ou outra ajudaram na organização e pelo empenho e esforço demonstrado. Bem hajam!

Pe. Francisco - 24 anos sobre o seu falecimento

 


Passam hoje, 15 de Maio de 2022, 24 anos sobre o falecimento do Pe. Francisco Gomes de Oliveira que paroquiou a nossa freguesia de Guisande durante quase 60 anos.

Paz à sua alma e que continue a interceder por nós, pela nossa paróquia, para a sua unidade e progresso espiritual e social.

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